quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Corrida da Festa do Avante 4 de Setembro de 2016

As corridas voltam a activar este blogue, um ano de ausência sem voltar a contar as peripécias que envolvem sempre uma prova, uma competição. A lesão contraída nos meniscos tem 100% a ver com a corrida, tenho consciência disso, mas se me perguntassem se faria as coisas diferentes diria que não, faria exactamente o mesmo mas com mais disciplina, naturalmente. Esta interrupção forçada veio trazer à evidência as limitações que nos são impostas pelas leis da vida mas que nos recusamos aceitar até ao último momento. Vai ser diferente daqui para a frente? Certamente que sim mas longe do meu pensamento em arrumar os ténis, o Camelbek e todos os apetrechos que normalmente me acompanham sempre que parto para nova aventura.
Por agora e se a saúde me permitir vou adaptando o que ficou à nova realidade e depois vamos evoluindo conforme as possibilidades.
A participação na Festa do Avante no dia 4 de Setembro de 2016 foi já um primeiro sinal de alguma recuperação, correndo e andando concluí a prova com 1,17h. nos seus 10,250kms. de extensão, para isso contei com a companhia da minha filhota Susana, também ela a precisar de mais acção, e o apoio de muitos amigos, alguns dos quais já não via há muito tempo.
Vou agora no próximo Sábado dia 10/9 à Meia Maratona de S. João das Lampas, claro que não vou concluir a prova, mas preciso lá ir por razões diversas e que se prendem com o respeito que tenho por todos, especialmente pelo Fernando Andrade, estando ausente o ano passado estarei lá este ano mesmo que seja ao pé cochinho.  

segunda-feira, 16 de maio de 2016

S.João das Lampas 14/5/2016
Depois de uma longa ausência aqui no Blogue, desde 7/11/2015, volto para deixar aqui bem expresso a minha satisfação por voltar a andar com alguma segurança depois da minha operação ao joelho esquerdo vitima de fractura ao menisco interno e externo detectado logo após a minha participação no Trail Noturno de Óbidos no dia 1 de Agosto de 2015.
A operação ocorreu em 21 de Março passado, tendo decorrido já 55 dias de recuperação, o joelho continua ainda com um pequeno inchaço na zona da pata do ganso, mas dizem os entendidos que esta situação se dá porque é o organismo que cria esta bolsa porque tem em vista a protecção da zona afectada, entretanto a fisioterapia vai continuar até ao dia 24 de Maio, a partir daí estou por minha conta, para além de ter de continuar a fazer algumas caminhadas estou ansioso por saber quando é que me sinto com coragem de começar a correr, por enquanto toda a zona do joelho ainda está muito frágil e a perda de sensibilidade ainda é muito forte, serão pois os sinais que receber que determinarão o virar de página deste período negro e sabático que tenho atravessado nestes últimos 9 meses.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Uma pausa mesmo que indesejada serve para reflectir sobre tudo o que tenho feito desde que me envolvi quase a 100% em provas de Trail de há 7 anos a esta parte, são já alguns milhares de kms percorridos, vencer as distâncias foi sempre o meu objectivo principal, nem sempre isso aconteceu, voltei sempre para superar o que momentaneamente ficou por fazer ou completar, até hoje nada ficou por fazer mas recordo aqui as 5 tentativas que fiz para acabar a
A aguardar melhor solução

por agora, fisioterapia
Ultra da Serra da Freita, sem dúvida aquela que me marcou ao longo destes anos desde que me iniciei no Trail, em 2015 consegui esse objectivo ficando no entanto um amargo de boca devido ás alterações introduzidas que desvirtuaram o traçada das 4 últimas edições tornando-o mais acessível e menos 5 kms que o habitual (70 kms). é por isso que ambiciono voltar lá e fazer a prova principal, voltar a pisar o coração da Freita e depois seguir até onde me deixarem.
Posso não fazer mais nada mas isto eu quero fazer. como? não sei, pois a lesão que tenho é grave e levará demasiado tempo a sarar, se o conseguir já me sentirei muito satisfeito, depois talvez seja tempo de uma pausa definitiva.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Ultra Trail Noturno de Óbidos, 1/8/2015

Ao fim de 1,5 kms de sofrida corrida parei, as dores eram insuportáveis na zona interior do joelho esquerdo, andei ali um pouco em diante para ver se normalizava a situação, ao mesmo tempo ia interiorizando que faltavam mais 55 kms para chegar até à meta e se estava disposto a sofrer arrastando-me sem que daí retirasse qualquer proveito, sou ultrapassado pelos últimos atletas que se interrogam com o que se está a passar comigo, volto a tentar correr mas a única coisa que sai é um esgar de dor quando tento um passo de corrida, a perna esquerda já não responde e resignado paro, olho para o relógio assiná-la 13 minutos de prova, hoje não era mesmo o meu dia, ao descer aquela calçada e escadaria o joelho cedeu mesmo, o impacto que senti foi demasiado violento para me convencer que não iria longe, mesmo assim não quis parar logo ali, escondia a dor e as limitações quando recebia incentivos de amigos que iam passando sem se aperceberem que ia em grandes dificuldades, fui reduzindo o andamento para adaptar a dor e a corrida até que tive mesmo de dizer basta, não me restava outro destino do que voltar ao ponto de partida e terminar aquele tormento.
Cabisbaixo vou-me cruzando com os participantes da caminhada dos 10 kms que tinham partido connosco, aqui e ali alguns vão-me reconhecendo, vou explicando ao mesmo tempo que procuro o caminho mais rápido para chegar ao carro, apesar dos bastões darem muito jeito nestas situações nem assim as dores me abandonavam, chego de novo à estrada e engano-me de imediato, ando mais 1km sem necessidade circulando pela estrada de alcatrão até chegar ao ponto de partida. À chegada parecia que tinha acabado de fazer a Ultra de Portalegre, empenado, coxo e sem vontade de sair dali para lado nenhum. Com calma mudei de equipamento e vou para a muralha à espera dos atletas, não foi fácil chegar lá mas tinha o meu genro Vitor Pinto em prova e não queria vir embora sem o ver chegar.
Neste meio tempo declarei a minha desistência à organização e recebi o apoio da esposa do Orlando Duarte com comida e roupa mais quente para me agasalhar. Apesar de estar numa zona restrita à organização e aos atletas que iam chegando não quis utilizar os abastecimentos que ali estavam à mercê por entender não ter direito a eles, ainda assim comi uma sopa que a leonor me foi buscar para aquecer um pouco. Os atletas iam chegando, primeiro os do trail de 25 kms e intervalados iam chegando também os da Ultra Trail de 57, com satisfação vejo chegar o Rui Pacheco ao fim de 5,30h. de prova na 9ª posição da geral, excelente para quem sofreu uma grave lesão há apenas 3 meses. o Vitor Pinto acabaria por chegar ao fim de 7,20h após a partida com sinais de algum à vontade e sem mostrar grande desgaste provocado pelas dificuldades da prova. Pelo que observei a organização esteve bem, estive atento aos comentários dos atletas e em momento algum ouvi recriminações por parte deles, quando assim é resta-nos dar os parabéns a toda a organização e apoiantes pelo trabalho realizado e dizer-lhes que com muita pena deixei de ser totalista desta prova que muito me honra em participar.
O meu registo da Ultra cinge-se a 3,98kms e aos 45,05 minutos que levei para os concluir, nada mau!
Agora, parado paradinho e aguardar que a medicina me ajude a regressar o mais depressa possível e ver se não deixo cair a Serra D´Arga e a Maratona do Porto.
Garmin

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Trail Moinhos Saloios, 12/7/2015


Pelo 2º ano consecutivo participei no Trail Moinhos Saloios na função de atleta "vassoura" e pela 2ª vez consegui chegar com o último atleta a chegar,
sinal que a função foi mais ou mais cumprida de acordo com o plano de segurança para a prova e tendo sempre em vista a chegada de todos os atletas à meta nas melhores condições.
Apesar da função desempenhada que muito me honrou acabei também por fazer um bom treino correndo e andando conforme os atletas em prova que ocupavam os últimos lugares, o convívio e o ganho de experiência em acompanhar estes atletas é muito enriquecedora, a ponto até de um dos últimos ser um excelente atleta de Trail e estar ali a viver um momento único por acompanhar pela 1ª vez um atleta vassoura. 
Enquanto atleta a minha missão foi limitada ás minhas funções bem determinadas, contudo deu para ter uma apreciação bastante positiva da prova, nomeadamente as marcações (a precisarem de melhor identificação devido à caminhada a decorrer quase em simultâneio e em alguns casos coincidindo com o trail), os abastecimentos de boa qualidade mas a pecarem por escassos, apesar de tudo não ouvi de parte dos atletas qualquer queixume, mas que a organização em futuras edições deverá corrigir.
De resto tudo bem, com a nossa chegada ao fim de 23,400 kms e com 4, 36h de prova o pórtico foi finalmente abaixo, as cerimónias de distribuição dos prémios já se tinham efectuado, descendo assim o pano de mais uma excelente edição do Trail dos Moínhos Saloios organizada por amigos e para amigos.
Obrigado e contem sempre comigo para ajudar.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Ultra Trail da Serra da Freita 27/6/2015

Freita, a eterna e sempre Freita!!! Após alguns dias de relaxamento e descanso defensivo (parado e parado) volto aqui a este meu cantinho onde gosto de deixar o meu rasto sempre que me aventuro por aí na estrada ou na montanha para desta vez falar da fantástica e extraordinária Serra da Freita e do meu regresso a um local que considero mágico e me fascina.
5 presenças nos últimos 6 anos, 270 kms acumulados, 66,05 horas a correr e a caminhar por lugares de sonho onde me honra dizer que chorei, derramei sangue e  desesperei, dizer também que fui ali feliz e ao mesmo tempo acarinhado como nunca por todos aqueles que têm a responsabilidade de gerir um "monstro daqueles" e pelos restantes amigos que tiveram a felicidade de correrem até hoje por aqueles fabulosos trilhos descobertos e desenhados pelo Mestre dos nossos Trilhos, José Moutinho.
Estas primeiras palavras podem parecer à primeira vista um adeus da minha parte à Serra da Freita, mas não é, infelizmente para a minha velha carcaça ainda não é um adeus final, o Ultra Trail da Serra da Freita está em permanente evolução desde a 1ª edição em que participei em 2010, agora foi-lhe acrescentado a prova de Elite de 100 kms valorizando-a muito mais, levando a quem nela participa a limites inimagináveis de esforço físico onde só participam atletas bem cientes das suas capacidades atléticas e de grande resistência, ou outros que ali procuram a superação, o divertimento e a loucura sem limites.
É verdade que desta vez ao fim de 5 tentativas superei a Ultra da Freita
desenhada de forma diferente uma vez que a partida e chegada das provas foi em Arouca em vez do Parque de Campismo do Merujal das edições anteriores situado a mais de 900 metros de altitude.
Também é verdade que esta não foi a Freita que conheci em anos anteriores, tirar à Ultra o fantástico Trilho do Carteiro, o Rio de Frades, o Rio Paivô, a Aldeia histórica de Drave e os 3 Pinheiros não é a mesma coisa que partir e subir até aos mais de 1000 metros de altitude), passar por Cabreiros, subir a "Besta" (a mais de 1000 metros de altitude), subir a Lomba a mais de 1000 metros altitude), evitar o
PR7, e depois chegar a Arouca descendo durante 9 kms por onde se subiu .
Os quase 3000 metros de altimetria positivo que pesaram na minha prova dos 65 kms não fez esquecer o percurso anterior, tenho a noção que apesar de tudo este ano foi mais "suave", quase que parecendo que foi desenhada especialmente para eu acabar com o "feitiço" e onde todos torciam para que isso acontecesse.
Quando parti pelas 7h da manhã o sol já era bem visível e impunha já o seu poder, Arouca fica ali na base da serra e os raios solares que nos atingiam eram já um indicador daquilo que nos esperava lá mais para a frente, optei
por levar uma t,shirt técnica de manga comprida para evitar possíveis queimaduras nos braços desprotegidos, lá no alto a mais de 1100 metros as hélices das eólicas vão rodando lentamente indicando também que o vento que por lá faz é muito fraco, abstraindo de tudo isto o objectivo de cada um é partir e voltar independentemente das dificuldades que nos aguardavam.
Nesta primeira fase da prova foram percorridos 9 kms até chegar ao alto da Serra por trilhos e estradões, aqui e ali iam aparecendo pequenos ribeiros e nascentes de água pura, a encosta e o arvoredo adiaram até quase ao cimo da serra o aparecimento do sol, ali no alto estava o 1º abastecimento e o apoio entusiasta do Carlos Natividade, um dos duros do Trail e grande apoiante da organização desta prova, entrávamos então logo de seguida num longo planalto com paisagens fantásticas onde a liberdade permitia a pastagem livre dos animais sob o olhar discreto do pastor que incrédulo me perguntava o que é que andávamos por ali a fazer! Mais à frente aparece a Aldeia dos Cabreiros, ali os atletas da prova de elite de 100 kms que partiram connosco separam-se na
direcção da esquerda a caminho do trilho tradicional de anos anteriores, eu fui para o lado direito com o sentido já todo centrado na escalada da "Besta" a escassos kms, mas antes de partir aproveitei bem uma nascente de água natural que  ali corria para um tanque, refresquei-me e bebi, revigorando a frescura contrariando, ainda que por pouco tempo, os malefícios que o sol já provocava. Seguimos até Candal a povoação antes de chegar à Besta, em 2 kms chegámos à sua base e de imediato inicio a subida, no ano anterior tinha levado 2h para percorrer aquele km (1) de escalada até a mais de mil metros de altitude devido a câmbrias nas duas pernas, desta vez já ia precavido, bebi uma ampola de magnésio e alimentei-me bem. Mas ali não há milagres, olha-se para cima e só se vêm rochas e pedregulhos em cima uns dos outros, pé ante pé vamos subindo muito devagar, depois a inclinação entra quase na vertical, o arvoredo auxilia-nos refrescando e protegendo do sol escaldante, a partir do meio
começa a aparecer água corrente de nascente e bem fresquinha que aproveito quase a cada passo que dou, o piso rochoso com a água fica mais perigoso e é preciso redobrar a atenção, uma queda ali seria de consequências desastrosas, vou sozinho e a visibilidade para trás e para a frente é escassa e não ultrapassa na melhor das hipóteses os 50 metros, não ouço barulho a não ser de garças ou águias ali já bem perto do alto, finalmente ao fim de 1,12h chego ao alto do planalto que como os demais se encontra "plantado" de mais uma cadeia gigante de eólicas, o calor era forte e a brisa quase nula, sento-me um pouco aproveitando um sombra e

uma pedra mesmo à medida, tiro as meias e limpo os sapatos, venho já todo picado da bicharada, moscas, moscardos e outros insectos que ali sobrevivem à custa dos animais que por ali pastoreiam.

Vencida a Besta o passo seguinte é Manhouce, praticamente sempre a descer mas o piso é manhoso e traiçoeiro, muita pedra e ainda por cima solta em descidas muito acentuadas onde o risco de queda é iminente, o sol aqui castiga mais, não existe uma sombra e o mato é muito rasteiro, ao fundo da descida encontro antes da Aldeia do Muro mais uma nascente com um pequeno caudal onde colocaram um tubo concentrando a saída de água, atesto o camelbeck de água fresca e volto a refrescar-me molhando tudo quanto era sítio, de momento era o possível para fazer frente ao imenso calor existente. Com 8 horas de provas e 34 kms percorridos chego a Manhouce onde existia mais um abastecimento, era o 3º, ali descansei um pouco e tentei comer o mais possível, apenas consegui
ingerir tomate com sal, melancia, batata frita e pouco mais, agradeci o apoio e parti, faltavam mais 30 kms e muita dureza pela frente, tento trazer ainda comigo o amigo Sá mas ele recusa pois já tinha tomado a decisão de desistir, por isso continuei a minha caminhada sozinho mas assim que entro de novo no arvoredo em plena serra passado que foi mais um km e devido ao calor começo a ter muitas dificuldades em caminhar, subi a serra a custo e desci de novo até perto do rio Teixeira e por ali ando até que começo a subir de novo em direcção à Lomba, a povoação que me viu desistir o ano passado quando iam decorridos 60 kms de prova. Encontro já perto da Aldeia um rio e não me faço de rogado e vou lá para dentro refrescar-me, tinha sido muito doloroso chegar ali devido à "marretada" aos 35kms, estava agora nos 40 e a escassos 2 da Lomba, saio dali já bem fresquinho e os músculos a obedecerem melhor ao que era preciso, a escassos 500 metros da lomba novo rio com espaço para mergulho e cascatas, água límpida e cristalina e de
novo me enterro nela, todos estes gestos foram feitos pelos atletas que me antecederam e também os que me seguiam, creio que os atletas de elite que passaram mais tarde e de noite não se atreveram a tal luxo já que a noite ali é bem fresca e não convida a banhos inesperados. No abastecimento da Lomba aproveito para descansar mais um pouco, ali havia sopa e deitei abaixo duas tigelas cheias, a subida que se seguia era tremenda, íamos de novo até aos 1000 metros com 3,5 kms de subida bem acentuada, aproveitei a saída de 3 atletas e segui com eles, olhar lá para cima assustava por isso fomos progredindo com paciência e sempre

concentrados no trilho muito irregular, uma queda ali seria muito mau, uma barreira de assustar que nos acompanhava no nosso lado direito obrigava à máxima atenção. Ao contrário do que já estava para trás ali já eu tinha companhia, mais à frente mais dois amigos descansavam e eu aproveitei para fazer o mesmo, retenho o nome de António Pinheiro antes e depois o Pedro Portugal que não mais me largou até que cortámos a meta em Arouca. 

Após passarmos a Castanheira, local onde em 2012 fui "barrado" a escassos 5 kms da chegada devido ao nevoeiro, descansámos um pouco junto a mais um ribeiro, foi nesta altura que o 1º atleta da prova de elite passou por nós, até ao final passariam mais 3, isto é, já tinham mais 35 kms nas pernas do que nós e saíramos à mesma hora.Antes de chegar ao Merujal pude contemplar finalmente de outro ângulo a majestosa subida do PR7, impressionante, foi aquele pedaço de trilho
infernal que me levou à Freita todos estes anos para o conquistar, estava agora ali na montanha oposta a torneá-la já que o mestre Moutinho decidiu prescindir, e bem, dela em favor dos atletas de elite que na sua maioria passariam ali de noite e com possibilidades de o nevoeiro voltar a aparecer. 
Chego ao Parque de Campismo do Merujal pelo mesmo caminho terminal das edições anteriores da Ultra da Freita, o tal caminho que sempre sonhei um dia cruzar e acabar ali na meta junto à cabana de pedra, não era assim desta vez que eu queria ali chegar, fui de pronto para o abastecimento centrado dentro do Parque partindo pouco depois para os 12 kms finais até Arouca sempre na companhia
do amigo Pedro Portugal a quem agradeço a força e motivação permanente durante o tempo que permaneceu comigo.
Percorremos mais 3 kms no planalto a cerca de mil metros de altitude até chegar de novo ás eólicas, finalmente o tempo fresco estava a voltar, a descida para Arouca de cerca de 9 kms foi lenta, a noite e os trilhos e estradões muito irregulares e bastante pedra solta metiam respeito e não dava hipóteses de correr, as forças também já eram poucas e os meus pobres joelhos á muito que já pediam descanso, e finalmente a chegada com 16,19,15h, tempo oficial, percorrera 62,820 kms registados no meu Garmin.
Gostei muito da recepção à chegada, dos muitos amigos que por ali estavam destaco 2 pela ajuda e apoio que sempre me deram nesta minha já longa odisseia na Serra da Freita, a Flor Madureira e o José Moutinho.
Ao José Moutinho direi que fiquei desiludido por deixar para trás o coração da Freita, pessoalmente preferia fazer a Ultra pelo mesmo percurso de elite até à Póvoa das leiras e depois regressar a Arouca pelo Candal, dá mais kms? claro que dá mas sempre se pode arranjar por ali um arranjinho e encurtar um pouco... se não apenas me resta seguir o rasto dos campeões de elite e ver até onde dá!


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Lousãtrail, 20 de Junho 2015

LousãTrail, prova de 27 kms realizada no dia 20 de Junho a partir da bonita cidade de Lousã.
Uma hora antes partira a prova principal que supostamente deveria ter 45 kms de extensão e acabou por se estender até aos 55 kms, levando ao descontentamento de praticamente todos os atletas, a organização esteve mal e podia muito bem ter alertado os atletas para o problema durante o decorrer da prova o mais cedo possível e não o fez, só muito tarde é que os atletas começaram a perceber que algo estava errado e
pediram esclarecimentos nos postos de abastecimento, também aqui a informação era nula levando a que o desânimo de apoderasse de muitos atletas. Apesar de tudo ouve compreensão por parte dos atletas e também ouve quem brincasse com a situação e afirmasse que tinham feito mais 10 kms "à borla". Por parte da organização faltou um pedido público de desculpas aos atletas, ficaria bem pois numa prova de 45 kms os atletas partem com ritmos a condizer com a distância e não podem ser surpreendidos de forma tão
grosseira. Creio que esta anomalia não pode ofuscar esta prova principal do programa, já que de resto tudo estava impecável ao longo do percurso e da forma como tudo decorreu desde o seu início até ao final.

Da prova em que participei retive o espectacular percurso que nos ofereceram, uma parte dele já o conhecia a quando da minha participação no AXtrail do ano passado, visitando de novo aldeias muito antigas existentes em plena serra. o calor também fez a sua aparição, o
arvoredo ofereceu-nos alguma protecção contra os raios solares uma vez que 90% o percurso era coberto com árvores permitindo algum desafogo com alguma fresquidão. 
Nesta prova tive a companhia do meu genro Vitor Pinto que participou na prova mais longa e do Rui Pacheco que se deslocou para dentro dos possíveis fazer algum treino de bicicleta e estar por perto de nós dando-nos algum apoio durante a prova.
A distância que percorri tinha 27 kms e precisei de 5,38,14 h. para a completar.
No geral gostei da organização da prova, voltarei lá porque aquilo tem tudo o que gosto de encontrar nas montanhas, e são tantas coisas!







sexta-feira, 19 de junho de 2015

Corrida do Mirante, 7 de Junho de 2015

A Corrida do Mirante realizada no dia 7 de Junho mais uma vez  esteve sensacional.
O percurso foi quase todo renovado, ficando alguns troços que pela sua beleza e dificuldade se mantiveram, pela 1ª vez a prova atinge os 20 kms estendendo-se um pouco mais para Norte, roçando ao de leve a localidade de Atouguia das Cabras, localidade onde fui muito feliz na minha infância por ocasião das minhas férias escolares e casa de familiares que ali moraram durante muitos anos, (infelizmente já desaparecidos).
Gostaria que a prova passasse pelo Monte Redondo, ali mesmo no topo Norte da pista de Aviação da Força Aérea Portuguesa, local onde brinquei na minha juventude mas que nunca subi até ao topo, as dificuldades de a prova lá chegar prendem-se com a segurança, ou a falta dela, para a atravessar a
Estrada Nacional que separa a Ota daquele monte. As autoridades não o permitem, mas pelo conhecimento que tenho do local existe um túnel que permite a passagem na direcção de Aveiras de Cima e a partir daí existe
campo aberto que permite elever esta corrida ao nº de kms que se desejar, fica à consideração do nosso amigo Alexandre Beijinha e da equipa que o acompanha na organização desta prova.

A minha participação foi a possível, já não sei quando vou em ritmo de treino ou a ritmo competitivo, a mim parece-me sempre igual e o esforço é sempre o mesmo com muito custo passo após passo, chamemos-lhe assim mesmo um
treino, até porque ia na minha companhia o Juca Jacob que fizera 3 semanas antes os 100 kms de Portalegre e ia em modos de poupança, eu que também lá estivera e forçado a encostar aos 70 kms tinha os mesmo objectivos, recuperar
das mazelas herdadas e preparar aos poucos o organismo para enfrentar de novo a Freita (65 kms) no final deste mês de Junho.

A prova tinha a distância de 19,990 km e demorei 3, 18,h para a concluir,
Seguiu-se o habitual convívio no Parque do Mirante onde este ano se notou
mais a falta de adesão por parte dos atletas a esta excelente prova. Creio que um pouco mais de constante divulgação e com mais tempo os atletas aparecerão, naturalmente isso depende apenas da organização da prova, mantê-la estabilizada nos números actuais ou desenvolvê-la a níveis elevados correndo-se o risco posterior de a manter sustentada e com qualidade.
Como sempre, voltarei para o ano!

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Ultra Trail de S. Mamede 16 de Maio 2015

O Ultra Trail da Serra de S. Mamede deste ano não me deixou grandes saudades, as excepções vão inteirinhas para a Organização pelo zelo que colocaram no terreno e fora dele em apoio a todos os atletas que participaram nas diversas provas do programa do Trail e para os meus amigos que comigo viajaram desde o Parque Urbano de Santa Iria da Azóia pelo seu heróico sucesso ao completarem esta duríssima prova de 102 kms debaixo de um calor tórrido e demolidor.
Desisti aos 70 kms de prova mas já vinha a atravessar tremendas dificuldades desde os 40 kms, foi a partir desta distância que comecei a controlar o tempo para poder passar todos os controlos sem lá ficar por eliminação. Caminhava e pouco ou nada corria, as forças iam-me abandonando aos poucos, até que chego a Carreiras (70 kms) PAC7 tiro o camelback e atiro-me para cima de um banco para
descansar um pouco, tremo mas estava muito calor mesmo à sombra, os
bombeiros e um técnico do INEM aproximam-se e digo-lhes que está tudo bem, mas não estava, eu queria era terminar aquilo, lembrei-me de repente de Sicó que me levou ao Hospital, peço para me medirem a tensão arterial, enquanto se procedia a esta verificação extraem-me sangue para verificar os níveis de Glicémia, as más notícias não tardam a chegar, 82 glicémia (mínimo de 80) estava no limite, para agravar mais a situação os resultados da medição arterial estavam nos 17. Logo ali me sentenciaram, teria de abandonar, pedi mais 45 minutos de descanso suplementar e depois fazer nova medição, neste
intervalo teria de comer alguma coisa para os níveis de glicémia subirem de novo, coisa que fui incapaz de fazer, água e coca-cola entrava mas era pouco, por mais que olhasse para aquela mesa bem recheada de alimentos nada me atraía, o 
estômago já não aceitava mais nada. Ao fim dos 45 minutos nova medição e os níveis agravaram para os 18, e ponto final. poderia seguir mas a responsabilidade era toda minha, cedi e de pronto anuncio a minha desistência.
Aos bombeiros de Arronches e ao técnico do INEM deixo o agradecimento pela atenção que tiveram comigo, à Organização pelo profissionalismo na
prevenção de eventuais riscos a correr pelos atletas não discurando por isso os locais estratégicos onde eventualmente poderiam surgir problemas e também
os muitos amigos que entretanto ali chegaram e não me faltaram com uma palavra de apoio.

Feita a evacuação não tardou a que tudo voltasse à normalidade, creio que não me restam dúvidas que tudo começou com o nascer do sol, no alto das montanhas o vento era forte e disfarçava a violência do calor mas quando descíamos a níveis mais baixos e em percursos descampados com o sol a pique tudo se complicava, a desidratação começava a tomar conta do meu
organismo, só em Marvão é que consegui comer duas sopas, mais nada entrou e parti sem repetir o erro do ano passado, beber água logo após ingerir a sopa que deu mau resultado. 
Não consegui correr a descer a Calçada de Marvão na direcção de Portagem, apesar de ser empedrada dava perfeitamente para correr, as forças faltavam-me e a partir daí decidi fazer a prova a caminhar até a Portalegre, o sol castigava agora muito mais, eram 12,30h e começava a preparar-me para o que ainda aí vinha. Ali em Portagem aproveito uma nascente de água para beber e atestar, abençoada água que ali ficava e que
tanta falta me iria fazer nos kms seguintes. Nova brutal subida se aproxima, vai aos 850 metros com inclinações muito duras de fazer, o sol e a ausência de força torna penoso o avanço e caminho cada vez mais devagar, apesar das dificuldades abandonar estava fora de questão, depois de chegar ao alto desta serra tento correr um pouco num terreno mais acessível mas não consigo, queria agora chegar ao posto de abastecimento de Carreiras e descansar um pouco para depois prosseguir, cheguei, larguei a mercadoria e deitei-me em cima das tábuas de um banco de jardim!!! Depois apareceram os Bombeiros...

Se voltarei? Sim voltarei, mas com o cuidado de decidir o que fazer, o calor ou a falta dele serão determinantes na opção a tomar, a Organização da prova merece tudo do melhor, apesar da minha incapacidade deste ano tudo farei para voltar porque eles merecem e alio a isso a minha paixão por esta prova.
Parabéns a todos os que terminaram as respectivas provas e aos que ficaram pelo caminho, a todas as organizações envolvidas, organização da prova e amigos voluntários, todos foram extraordinários, obrigado.