quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Grande Trail Serra D´arga, aproveitando a companhia de Vitor Pinto e Rui Pacheco regressei à Serra D´arga após a ausência do ano passado devido a lesão.
Foi uma decisão de última hora, tanto mais que nem sequer estava inscrito, contei com a cedência de um dorsal de um amigo nosso que representa o G.D. da Granja que à última hora se viu impedido de participar, depois contei com a sempre simpática ajuda dos amigos da organização da prova, particularmente o Carlos Sá na regularização da inscrição.
Tive mesmo de participar na prova principal, 53 kms, não tinha alternativa devido ao facto de as provas mais pequenas se realizarem no dia seguinte, por compromissos assumidos não pudemos ficar para Domingo e assim tive de alinhar à partida para a prova grande!
Quando parti tinha a noção que não ia longe, nem podia pois quem conhece a Serra D´arga e o seu percurso sabe bem o quão é nefasto para as articulações, principalmente os joelhos, já que se anda em permanência a saltar de pedra em pedra de princípio a fim da competição. 
Fui por fases, primeiro até ao alto da Serra (3 kms) que fiz em 50 minutos, uma subida que vai dos 250m até cerca dos 700m, depois como era a descer (de rocha em rocha) e de novo uma subida sem dificuldades de maior, mas prolongada, cheguei ao abastecimento dos 15 kms já com duas bolhas nos pés, levava pensos e isolei as bolhas tornando mais confortável o andamento. Continuámos a subir por caminhos tortuosos mas mais acessíveis até ao planalto a cerca de 750m de altitude, depois foi descer e descer até esquecer, aqui começam também a fazer-se sentir a dor nos 2 pés, as unhas não foram cortadas, os sapatos já velhos não levavam palmilhas por esquecimento tornando-se assim as coisas muito mais difíceis, entretanto chego ao abastecimento dos 24 kms ainda muito animado e confiante, bebi uma sopa (canja) quase sem caldo e sem colher, só me tinham dito para levar o copo, para a próxima a colher acompanha-me.
Depois, bem depois começou o pesadelo, os "vassouras" que me acompanhavam dizem-me que este ano o trajecto da prova a partir dali passava por se fazer o percurso do Km Vertical, descemos então até quase à base da Serra (nível de 170 m de altitude) durante cerca de 1,5 km para depois então subir, subir (até esquecer) e chegar aos 800 m de altitude num espaço de 4 kms. Escusado seria de dizer que aquilo foi um tormento, o suficiente para queimar a réstia de esperança de chegar pelos meus próprios meios a DEM, iniciei esta subida final em último, depois ainda passei por duas atletas que falavam inglês à minha passagem e assim fui até ao alto da Serra, já nada lá havia, também não era para haver, algumas horas antes descera por ali perto ainda a caminho dos 24 kms e a algazarra era enorme, a lembrar-nos por certo que tínhamos de lá ir abaixo e voltar a subir por ali, era só o ponto mais alto da Serra a percorrer por nós.
Depois foi percorrer aquele lindo planalto onde apesar da imensa seca que nos atinge ali ainda se encontra muita humidade, muita vegetação verde, caudais de água nascente e muitos animais a pastar, nomeadamente cavalos e bois à solta. Ali estava também uma ambulância de apoio, eu passei olhando de soslaio, ainda não era a minha altura de parar, segui, mas o mesmo já não aconteceu com as simpáticas faladoras de inglês, entraram, deixando-me de novo na última posição!
Já quase no início da descida para Montaria os simpáticos vassouras passam por mim e informam-me que por certo já não poderir para além deste controlo de Montaria uma vez que já levava mais 1,5h para além do tempo de corte, ok achei bem, até porque já não estava a sentir nenhum prazer naquilo que estava a fazer, esta descida até a Montaria tem 5 km e é tramada de fazer, neste percurso de 10 kms levei "apenas" 3 horas para o fazer, imagine-se!
Em Montaria informam-me que já não havia ali corte e que poderia prosseguir, apenas teria de fazer os próximos 17 kms em 3 horas, impossível, nem sequer vou tentar pensei eu, pedi a minha evacuação para a meta e acreditem, parti feliz por ter conseguido chegar ali, 34 kms em 8h. Agradeço do fundo do coração àqueles 2 bravos companheiros que tiveram a paciência de me vir a vassourar quase toda a prova, também eles já sentiam as dificuldades próprias de quem tem de vir ao meu ritmo (quase sempre a andar), e à organização mais uma vez pela sempre simpatia com que nos acolhe! Talvez volte, veremos!
Garmin

Corrida da Festa do Avante 3/9/2017

Corrida da Festa do Avante, 2 anos depois da lesão do meu joelho esquerdo que incluiu uma operação para extracção dos meniscos interno e externo ainda existem muitas limitações e dificuldades na articulação da perna quando tenho de correr. Como no ano anterior apenas participei porque esta prova estará sempre no meu percurso de  corredor, contudo e devido ás limitações inerentes ainda consegui terminar, correndo e andando no bom tempo de 1,23h., a tempo ainda de terminar antes do encerramento da competição. De seguida e como faço sempre o resto do dia foi dedicado a visitar a Festa, bonita, divertida e como sempre voltarei.




terça-feira, 15 de agosto de 2017

Trail Noturno de Óbidos (21 kms) 12/8/2017

Ainda a recuperar de lesão grave que me levou à extracção total do menisco da perna esquerda recebi em Maio um convite irrecusável a altas horas da noite para participar no Trail Noturno de Óbidos do seu principal promotor Jorge Serrazina durante a sua participação no Estrela Grande Trail de 2017, seguia nesta altura com oVitor Pinto, meu genro, perante tal incentivo como podia recusar? Em Junho inscrevi-me para participar na Ultra da Freita a pensar já na Noturna de Óbidos, é certo que a preparação era ainda muito deficiente mas Óbidos e a Freita são duas provas ás quais eu só faltarei se algum dia me faltarem as duas pernas, na Freita levei o esforço só até 2 terços da prova (+- 40 kms), mas estou convencido que foi decisivo e um bom contributo para agora ter conseguido concluir a prova de Óbidos de 21 kms.
Foi aqui em Óbidos que há 2 anos começou o meu calvário do joelho, após a partida e ao fim de 1,5 kms a desistência, o menisco cedera e a fractura aconteceu logo de seguida, regressei ao ponto de partida e até aos dias de hoje o regresso tem-se feito a conta gotas, devagar e devagarinho a ver se a coisa ainda dá para espremer mais um pouco para ir matando as saudades, das serras e vales, da estrada, dos treinos, dos amigos e dos convívios saudáveis que vamos encontrando um pouco por todo o lado. Óbidos, pelas razões conhecidas e já apontadas apenas falhei a edição de 2016, este ano apontei apenas aos 21 kms, em todas as outras, excepto 2015, a minha prova preferida era sempre a distância mais longa, recordo ainda a edição de 2014 que pelo facto de já ter chegado perto do Castelo na manhã seguinte e com forte claridade não dei com o TÚNEL mal cheiroso pelo facto de não haver fitas e os sinais reflectores não se verem
com a luz do dia, evitando assim desta forma contribuir para o mau "ambiente" (cheiro)  que se criou junto à estrada e no local da chegada, não me perguntem o caminho que fiz para chegar ao Castelo e cortar a meta porque eu também não sei! 
Desta vez, no dia 12 apresentei-me bem, estava confiante apesar dos sempre deficientes treinos que tenho feito e me deixam sempre poucas garantias para poder estar totalmente tranquilo na hora da verdade. A correr parece que vou a fazer MARCHA, a perna afectada quando toca o chão vai direita, isto acontece em auto defesa incontrolável já que ainda permanece uma ligeira dor e por vezes também alguma falta de sensibilidade provocando alguma instabilidade que é preciso controlar em corrida.
Confesso que correu tudo muito melhor do que esperava, estranhamente melhor pois nunca pensei poder correr durante tanto tempo como acabou por acontecer, correr muito lento como é óbvio, aliás o tempo que levei a fazer a prova não corresponde ao tempo real de corrida, o frontal desta vez pregou-me a partida, 4 vezes tive de parar para o reparar, a última das quais tive de cortar as "bananas" e fazer ligação directa no 2º abastecimento da prova, mesmo assim voltou a falhar e não fora um frontal suplente que um elemento da organização me emprestou e não saberia como sair daqueles labirintos noturnos.
Óbidos estará sempre na minha lista de provas, voltarei, deixando aqui um abraço de felicitações aos obreiros desta formidável prova e um agradecimento a todos pela forma simpática como somos sempre recebidos.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Uma miragem sobre a Serra da Freita, o sonho e a realidade!

A magia da Freita continua tal como sempre a encontrei, com alguns retoques ela vai-se actualizando conforme os traçados escolhidos ano a ano pelos responsáveis que a modernizam. Não há planos seja de quem for que ali chegue e saiba o que o espera com a certeza que quando parte a batalha será ganha. Tantos sonhos que mais uma vez ficaram adiados para muitos, alguns deles profundos conhecedores de todos os meandros da Freita mas que a resistência física e mental não conseguiram vencer. Organizar uma prova destas requer um estudo permanente aliado ao conhecimento da Serra e adaptá-lo à resistência e capacidade humana, ora isto tem sido feito ao longo das 12 edições que a prova já leva. Pelas imensas capacidades que a Serra da Freita tem é de prever que continuem os testes à nossa capacidade física e resistência mental continuando a aumentar as dificuldades a cada ano que passa. É com o sonho de a vencer que as centenas de atletas partem à sua conquista sempre que se apresentam à partida, a boa disposição, a confiança que em si depositam, a boa preparação que trazem e o bom conhecimento que já têm da serra é motivo suficiente para um sentimento positivo para vencer e ultrapassar todas as dificuldades. Este é o sentimento de todos quando partem mas a realidade dura e crua para todos aparecerá lá muito mais para a frente quando a dureza e as dificuldades da prova começam a aparecer, (até para os melhores e mais bem preparados, que têm pretensões em a vencer). Para a maioria a grande machadada começa quando já não conseguem alimentar-se, são líquidos e mais líquidos que o próprio organismo de seguida começa também a rejeitar, o calor não sendo por aí além afecta também o discernimento, depois as dificuldades técnicas do percursos a acumular cada vez a partir da 2ª metade da prova desmoraliza qualquer um que por ali ande. Quem tem uma grande capacidade de resistência moral, aliado ao que vai resistindo de ordem física vai conseguindo levar a sua água ao moinho, aos outros não resta outro resultado do que ir resistindo até serem vencidos e procurar um refúgio para serem recuperados da serra e levados para o conforto do banho e aguardar nova oportunidade. Este é um relato e uma visão que se adapta perfeitamente a mim, parti e acabei a minha odisseia perto dos 40 kms de prova, (eram 65kms pela frente) um pouco antes de chegar à Lomba. Claro que as minhas condicionantes nada têm a ver com a dos outros atletas, a não ser a vontade de vencer e por isso voltei, arrastando-me sempre na cauda do grupo fui resistindo até quase ao limite, na descida (brutal) para a Lomba encontrei a estrada de alcatrão com destino à povoação, 1,5km para lá chegar e a desistência. Para ali chegar mais de 95% foi a andar e os restantes em passo de corrida muito lento. 12,30h foi o tempo decorrido desde a partida, tinha mais 14,30h para terminar mas o corpo e a mente não tinha mais nada para dar! Ela, a Freita vai continuar por lá, eu não sei se voltarei!

segunda-feira, 13 de março de 2017

3º Trail Cidade de Estremoz 12/3/2017

E à 3ª foi de vez, o Trail de Estremoz desta vez ficou marcada por mim no terreno, foram "apenas" 15 kms mas de grande satisfação, caminhando e correndo aos poucos os kms foram ficando para trás numa prova mais uma vez excelentemente bem organizada pelos amigos do Clube de Orientação do Alto Alentejo. Agradeço mais uma vez a forma simpática como fui recebido e obsequiado. 
15 kms em 2,34h foi o possível, ainda a contas com a extracção dos meniscos do joelho esquerdo e uma contractura nos gémeos da perna direita, para equilibrar como convém.
Para o ano regressarei, quem sabe...para subir uns furos na distância! 


domingo, 12 de março de 2017

Não voltaste, fomos ao teu encontro e levaste um pouco de nós todos. Deixaste-nos uma herança riquíssima que procuraremos salvaguardar durante o decorrer da

vida dos amigos que cá deixaste. A saudade já é imensa, um até sempre querida amiga.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Queremos-te de volta Analice!


A Analice corre para a eternidade, ela corre à procura do infinito, uma vida a correr sem olhar aos obstáculos que foi encontrando na sua frente, uma vida a lutar pelo dia de amanhã esperando a luz que a conduzisse pelo rumo que aspira para si e para os outros, uma vida a calcorrear vales e montanhas, estradas e desertos fazendo valer aí as diferenças de uma mulher guerreira que se afirma perante a coragem, o sacrifício e o exemplo, deixando a todos nós o caminho que abriu através da bondade, da simplicidade e da sua alegria.
Desbravou terrenos sobre as cinzas que a natureza lhe espalhou pela frente, tantas vezes as deixou para trás esperando que a natureza reponha o que ajudou a destruir. Também nós Analice esperamos que a mãe natureza saiba consagrar-te como uma das suas componentes e te dei-a a tranquilidade e a coragem para te trazer de novo para junto de nós!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O retorno desejado e começa um novo ano!

Está na altura de reavivar este moribundo blogue que desde a realização da Festa do Avante estava adormecido.
Relembro algumas actividades que entretanto fui fazendo, dentro das limitações físicas com que me vou defrontando, no sentido de poder voltar aos poucos à corrida e ás provas de trail de que tanto gosto.

TRAIL DAS BRUXAS EM BUCELAS EM 26 DE OUTUBRO DE 2016
Caminhada de 12 kms no tempo de 1, 55h


TRAIL AMIGOS DA MONTANHA EM 20 DE NOVEMBRO DE 2016
Trail na extensão de 19 kms com o tempo aproximado de 4 h


SÃO SILVESTRE PIRATA EM MONSANTO EM 16/12/2016
Treino/Convívio na extensão de 11 kms no tempo de +- 2 h.



BUCELAS, OCUPANDO O ESPAÇO DEIXADO LIVRE PELA NÃO REALIZAÇÃO DO TRAIL DE BUCELAS 2017
Treino/Convívio de Trail Caminhada no meu caso) na extensão de 9 kms com o tempo aproximado de 2 h



Segue-se Sicó na distância de 25 kms no próximo dia 26 de Fevereiro.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Corrida da Festa do Avante 4 de Setembro de 2016

As corridas voltam a activar este blogue, um ano de ausência sem voltar a contar as peripécias que envolvem sempre uma prova, uma competição. A lesão contraída nos meniscos tem 100% a ver com a corrida, tenho consciência disso, mas se me perguntassem se faria as coisas diferentes diria que não, faria exactamente o mesmo mas com mais disciplina, naturalmente. Esta interrupção forçada veio trazer à evidência as limitações que nos são impostas pelas leis da vida mas que nos recusamos aceitar até ao último momento. Vai ser diferente daqui para a frente? Certamente que sim mas longe do meu pensamento em arrumar os ténis, o Camelbek e todos os apetrechos que normalmente me acompanham sempre que parto para nova aventura.
Por agora e se a saúde me permitir vou adaptando o que ficou à nova realidade e depois vamos evoluindo conforme as possibilidades.
A participação na Festa do Avante no dia 4 de Setembro de 2016 foi já um primeiro sinal de alguma recuperação, correndo e andando concluí a prova com 1,17h. nos seus 10,250kms. de extensão, para isso contei com a companhia da minha filhota Susana, também ela a precisar de mais acção, e o apoio de muitos amigos, alguns dos quais já não via há muito tempo.
Vou agora no próximo Sábado dia 10/9 à Meia Maratona de S. João das Lampas, claro que não vou concluir a prova, mas preciso lá ir por razões diversas e que se prendem com o respeito que tenho por todos, especialmente pelo Fernando Andrade, estando ausente o ano passado estarei lá este ano mesmo que seja ao pé cochinho.  

segunda-feira, 16 de maio de 2016

S.João das Lampas 14/5/2016
Depois de uma longa ausência aqui no Blogue, desde 7/11/2015, volto para deixar aqui bem expresso a minha satisfação por voltar a andar com alguma segurança depois da minha operação ao joelho esquerdo vitima de fractura ao menisco interno e externo detectado logo após a minha participação no Trail Noturno de Óbidos no dia 1 de Agosto de 2015.
A operação ocorreu em 21 de Março passado, tendo decorrido já 55 dias de recuperação, o joelho continua ainda com um pequeno inchaço na zona da pata do ganso, mas dizem os entendidos que esta situação se dá porque é o organismo que cria esta bolsa porque tem em vista a protecção da zona afectada, entretanto a fisioterapia vai continuar até ao dia 24 de Maio, a partir daí estou por minha conta, para além de ter de continuar a fazer algumas caminhadas estou ansioso por saber quando é que me sinto com coragem de começar a correr, por enquanto toda a zona do joelho ainda está muito frágil e a perda de sensibilidade ainda é muito forte, serão pois os sinais que receber que determinarão o virar de página deste período negro e sabático que tenho atravessado nestes últimos 9 meses.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Uma pausa mesmo que indesejada serve para reflectir sobre tudo o que tenho feito desde que me envolvi quase a 100% em provas de Trail de há 7 anos a esta parte, são já alguns milhares de kms percorridos, vencer as distâncias foi sempre o meu objectivo principal, nem sempre isso aconteceu, voltei sempre para superar o que momentaneamente ficou por fazer ou completar, até hoje nada ficou por fazer mas recordo aqui as 5 tentativas que fiz para acabar a
A aguardar melhor solução

por agora, fisioterapia
Ultra da Serra da Freita, sem dúvida aquela que me marcou ao longo destes anos desde que me iniciei no Trail, em 2015 consegui esse objectivo ficando no entanto um amargo de boca devido ás alterações introduzidas que desvirtuaram o traçada das 4 últimas edições tornando-o mais acessível e menos 5 kms que o habitual (70 kms). é por isso que ambiciono voltar lá e fazer a prova principal, voltar a pisar o coração da Freita e depois seguir até onde me deixarem.
Posso não fazer mais nada mas isto eu quero fazer. como? não sei, pois a lesão que tenho é grave e levará demasiado tempo a sarar, se o conseguir já me sentirei muito satisfeito, depois talvez seja tempo de uma pausa definitiva.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Ultra Trail Noturno de Óbidos, 1/8/2015

Ao fim de 1,5 kms de sofrida corrida parei, as dores eram insuportáveis na zona interior do joelho esquerdo, andei ali um pouco em diante para ver se normalizava a situação, ao mesmo tempo ia interiorizando que faltavam mais 55 kms para chegar até à meta e se estava disposto a sofrer arrastando-me sem que daí retirasse qualquer proveito, sou ultrapassado pelos últimos atletas que se interrogam com o que se está a passar comigo, volto a tentar correr mas a única coisa que sai é um esgar de dor quando tento um passo de corrida, a perna esquerda já não responde e resignado paro, olho para o relógio assiná-la 13 minutos de prova, hoje não era mesmo o meu dia, ao descer aquela calçada e escadaria o joelho cedeu mesmo, o impacto que senti foi demasiado violento para me convencer que não iria longe, mesmo assim não quis parar logo ali, escondia a dor e as limitações quando recebia incentivos de amigos que iam passando sem se aperceberem que ia em grandes dificuldades, fui reduzindo o andamento para adaptar a dor e a corrida até que tive mesmo de dizer basta, não me restava outro destino do que voltar ao ponto de partida e terminar aquele tormento.
Cabisbaixo vou-me cruzando com os participantes da caminhada dos 10 kms que tinham partido connosco, aqui e ali alguns vão-me reconhecendo, vou explicando ao mesmo tempo que procuro o caminho mais rápido para chegar ao carro, apesar dos bastões darem muito jeito nestas situações nem assim as dores me abandonavam, chego de novo à estrada e engano-me de imediato, ando mais 1km sem necessidade circulando pela estrada de alcatrão até chegar ao ponto de partida. À chegada parecia que tinha acabado de fazer a Ultra de Portalegre, empenado, coxo e sem vontade de sair dali para lado nenhum. Com calma mudei de equipamento e vou para a muralha à espera dos atletas, não foi fácil chegar lá mas tinha o meu genro Vitor Pinto em prova e não queria vir embora sem o ver chegar.
Neste meio tempo declarei a minha desistência à organização e recebi o apoio da esposa do Orlando Duarte com comida e roupa mais quente para me agasalhar. Apesar de estar numa zona restrita à organização e aos atletas que iam chegando não quis utilizar os abastecimentos que ali estavam à mercê por entender não ter direito a eles, ainda assim comi uma sopa que a leonor me foi buscar para aquecer um pouco. Os atletas iam chegando, primeiro os do trail de 25 kms e intervalados iam chegando também os da Ultra Trail de 57, com satisfação vejo chegar o Rui Pacheco ao fim de 5,30h. de prova na 9ª posição da geral, excelente para quem sofreu uma grave lesão há apenas 3 meses. o Vitor Pinto acabaria por chegar ao fim de 7,20h após a partida com sinais de algum à vontade e sem mostrar grande desgaste provocado pelas dificuldades da prova. Pelo que observei a organização esteve bem, estive atento aos comentários dos atletas e em momento algum ouvi recriminações por parte deles, quando assim é resta-nos dar os parabéns a toda a organização e apoiantes pelo trabalho realizado e dizer-lhes que com muita pena deixei de ser totalista desta prova que muito me honra em participar.
O meu registo da Ultra cinge-se a 3,98kms e aos 45,05 minutos que levei para os concluir, nada mau!
Agora, parado paradinho e aguardar que a medicina me ajude a regressar o mais depressa possível e ver se não deixo cair a Serra D´Arga e a Maratona do Porto.
Garmin

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Trail Moinhos Saloios, 12/7/2015


Pelo 2º ano consecutivo participei no Trail Moinhos Saloios na função de atleta "vassoura" e pela 2ª vez consegui chegar com o último atleta a chegar,
sinal que a função foi mais ou mais cumprida de acordo com o plano de segurança para a prova e tendo sempre em vista a chegada de todos os atletas à meta nas melhores condições.
Apesar da função desempenhada que muito me honrou acabei também por fazer um bom treino correndo e andando conforme os atletas em prova que ocupavam os últimos lugares, o convívio e o ganho de experiência em acompanhar estes atletas é muito enriquecedora, a ponto até de um dos últimos ser um excelente atleta de Trail e estar ali a viver um momento único por acompanhar pela 1ª vez um atleta vassoura. 
Enquanto atleta a minha missão foi limitada ás minhas funções bem determinadas, contudo deu para ter uma apreciação bastante positiva da prova, nomeadamente as marcações (a precisarem de melhor identificação devido à caminhada a decorrer quase em simultâneio e em alguns casos coincidindo com o trail), os abastecimentos de boa qualidade mas a pecarem por escassos, apesar de tudo não ouvi de parte dos atletas qualquer queixume, mas que a organização em futuras edições deverá corrigir.
De resto tudo bem, com a nossa chegada ao fim de 23,400 kms e com 4, 36h de prova o pórtico foi finalmente abaixo, as cerimónias de distribuição dos prémios já se tinham efectuado, descendo assim o pano de mais uma excelente edição do Trail dos Moínhos Saloios organizada por amigos e para amigos.
Obrigado e contem sempre comigo para ajudar.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Ultra Trail da Serra da Freita 27/6/2015

Freita, a eterna e sempre Freita!!! Após alguns dias de relaxamento e descanso defensivo (parado e parado) volto aqui a este meu cantinho onde gosto de deixar o meu rasto sempre que me aventuro por aí na estrada ou na montanha para desta vez falar da fantástica e extraordinária Serra da Freita e do meu regresso a um local que considero mágico e me fascina.
5 presenças nos últimos 6 anos, 270 kms acumulados, 66,05 horas a correr e a caminhar por lugares de sonho onde me honra dizer que chorei, derramei sangue e  desesperei, dizer também que fui ali feliz e ao mesmo tempo acarinhado como nunca por todos aqueles que têm a responsabilidade de gerir um "monstro daqueles" e pelos restantes amigos que tiveram a felicidade de correrem até hoje por aqueles fabulosos trilhos descobertos e desenhados pelo Mestre dos nossos Trilhos, José Moutinho.
Estas primeiras palavras podem parecer à primeira vista um adeus da minha parte à Serra da Freita, mas não é, infelizmente para a minha velha carcaça ainda não é um adeus final, o Ultra Trail da Serra da Freita está em permanente evolução desde a 1ª edição em que participei em 2010, agora foi-lhe acrescentado a prova de Elite de 100 kms valorizando-a muito mais, levando a quem nela participa a limites inimagináveis de esforço físico onde só participam atletas bem cientes das suas capacidades atléticas e de grande resistência, ou outros que ali procuram a superação, o divertimento e a loucura sem limites.
É verdade que desta vez ao fim de 5 tentativas superei a Ultra da Freita
desenhada de forma diferente uma vez que a partida e chegada das provas foi em Arouca em vez do Parque de Campismo do Merujal das edições anteriores situado a mais de 900 metros de altitude.
Também é verdade que esta não foi a Freita que conheci em anos anteriores, tirar à Ultra o fantástico Trilho do Carteiro, o Rio de Frades, o Rio Paivô, a Aldeia histórica de Drave e os 3 Pinheiros não é a mesma coisa que partir e subir até aos mais de 1000 metros de altitude), passar por Cabreiros, subir a "Besta" (a mais de 1000 metros de altitude), subir a Lomba a mais de 1000 metros altitude), evitar o
PR7, e depois chegar a Arouca descendo durante 9 kms por onde se subiu .
Os quase 3000 metros de altimetria positivo que pesaram na minha prova dos 65 kms não fez esquecer o percurso anterior, tenho a noção que apesar de tudo este ano foi mais "suave", quase que parecendo que foi desenhada especialmente para eu acabar com o "feitiço" e onde todos torciam para que isso acontecesse.
Quando parti pelas 7h da manhã o sol já era bem visível e impunha já o seu poder, Arouca fica ali na base da serra e os raios solares que nos atingiam eram já um indicador daquilo que nos esperava lá mais para a frente, optei
por levar uma t,shirt técnica de manga comprida para evitar possíveis queimaduras nos braços desprotegidos, lá no alto a mais de 1100 metros as hélices das eólicas vão rodando lentamente indicando também que o vento que por lá faz é muito fraco, abstraindo de tudo isto o objectivo de cada um é partir e voltar independentemente das dificuldades que nos aguardavam.
Nesta primeira fase da prova foram percorridos 9 kms até chegar ao alto da Serra por trilhos e estradões, aqui e ali iam aparecendo pequenos ribeiros e nascentes de água pura, a encosta e o arvoredo adiaram até quase ao cimo da serra o aparecimento do sol, ali no alto estava o 1º abastecimento e o apoio entusiasta do Carlos Natividade, um dos duros do Trail e grande apoiante da organização desta prova, entrávamos então logo de seguida num longo planalto com paisagens fantásticas onde a liberdade permitia a pastagem livre dos animais sob o olhar discreto do pastor que incrédulo me perguntava o que é que andávamos por ali a fazer! Mais à frente aparece a Aldeia dos Cabreiros, ali os atletas da prova de elite de 100 kms que partiram connosco separam-se na
direcção da esquerda a caminho do trilho tradicional de anos anteriores, eu fui para o lado direito com o sentido já todo centrado na escalada da "Besta" a escassos kms, mas antes de partir aproveitei bem uma nascente de água natural que  ali corria para um tanque, refresquei-me e bebi, revigorando a frescura contrariando, ainda que por pouco tempo, os malefícios que o sol já provocava. Seguimos até Candal a povoação antes de chegar à Besta, em 2 kms chegámos à sua base e de imediato inicio a subida, no ano anterior tinha levado 2h para percorrer aquele km (1) de escalada até a mais de mil metros de altitude devido a câmbrias nas duas pernas, desta vez já ia precavido, bebi uma ampola de magnésio e alimentei-me bem. Mas ali não há milagres, olha-se para cima e só se vêm rochas e pedregulhos em cima uns dos outros, pé ante pé vamos subindo muito devagar, depois a inclinação entra quase na vertical, o arvoredo auxilia-nos refrescando e protegendo do sol escaldante, a partir do meio
começa a aparecer água corrente de nascente e bem fresquinha que aproveito quase a cada passo que dou, o piso rochoso com a água fica mais perigoso e é preciso redobrar a atenção, uma queda ali seria de consequências desastrosas, vou sozinho e a visibilidade para trás e para a frente é escassa e não ultrapassa na melhor das hipóteses os 50 metros, não ouço barulho a não ser de garças ou águias ali já bem perto do alto, finalmente ao fim de 1,12h chego ao alto do planalto que como os demais se encontra "plantado" de mais uma cadeia gigante de eólicas, o calor era forte e a brisa quase nula, sento-me um pouco aproveitando um sombra e

uma pedra mesmo à medida, tiro as meias e limpo os sapatos, venho já todo picado da bicharada, moscas, moscardos e outros insectos que ali sobrevivem à custa dos animais que por ali pastoreiam.

Vencida a Besta o passo seguinte é Manhouce, praticamente sempre a descer mas o piso é manhoso e traiçoeiro, muita pedra e ainda por cima solta em descidas muito acentuadas onde o risco de queda é iminente, o sol aqui castiga mais, não existe uma sombra e o mato é muito rasteiro, ao fundo da descida encontro antes da Aldeia do Muro mais uma nascente com um pequeno caudal onde colocaram um tubo concentrando a saída de água, atesto o camelbeck de água fresca e volto a refrescar-me molhando tudo quanto era sítio, de momento era o possível para fazer frente ao imenso calor existente. Com 8 horas de provas e 34 kms percorridos chego a Manhouce onde existia mais um abastecimento, era o 3º, ali descansei um pouco e tentei comer o mais possível, apenas consegui
ingerir tomate com sal, melancia, batata frita e pouco mais, agradeci o apoio e parti, faltavam mais 30 kms e muita dureza pela frente, tento trazer ainda comigo o amigo Sá mas ele recusa pois já tinha tomado a decisão de desistir, por isso continuei a minha caminhada sozinho mas assim que entro de novo no arvoredo em plena serra passado que foi mais um km e devido ao calor começo a ter muitas dificuldades em caminhar, subi a serra a custo e desci de novo até perto do rio Teixeira e por ali ando até que começo a subir de novo em direcção à Lomba, a povoação que me viu desistir o ano passado quando iam decorridos 60 kms de prova. Encontro já perto da Aldeia um rio e não me faço de rogado e vou lá para dentro refrescar-me, tinha sido muito doloroso chegar ali devido à "marretada" aos 35kms, estava agora nos 40 e a escassos 2 da Lomba, saio dali já bem fresquinho e os músculos a obedecerem melhor ao que era preciso, a escassos 500 metros da lomba novo rio com espaço para mergulho e cascatas, água límpida e cristalina e de
novo me enterro nela, todos estes gestos foram feitos pelos atletas que me antecederam e também os que me seguiam, creio que os atletas de elite que passaram mais tarde e de noite não se atreveram a tal luxo já que a noite ali é bem fresca e não convida a banhos inesperados. No abastecimento da Lomba aproveito para descansar mais um pouco, ali havia sopa e deitei abaixo duas tigelas cheias, a subida que se seguia era tremenda, íamos de novo até aos 1000 metros com 3,5 kms de subida bem acentuada, aproveitei a saída de 3 atletas e segui com eles, olhar lá para cima assustava por isso fomos progredindo com paciência e sempre

concentrados no trilho muito irregular, uma queda ali seria muito mau, uma barreira de assustar que nos acompanhava no nosso lado direito obrigava à máxima atenção. Ao contrário do que já estava para trás ali já eu tinha companhia, mais à frente mais dois amigos descansavam e eu aproveitei para fazer o mesmo, retenho o nome de António Pinheiro antes e depois o Pedro Portugal que não mais me largou até que cortámos a meta em Arouca. 

Após passarmos a Castanheira, local onde em 2012 fui "barrado" a escassos 5 kms da chegada devido ao nevoeiro, descansámos um pouco junto a mais um ribeiro, foi nesta altura que o 1º atleta da prova de elite passou por nós, até ao final passariam mais 3, isto é, já tinham mais 35 kms nas pernas do que nós e saíramos à mesma hora.Antes de chegar ao Merujal pude contemplar finalmente de outro ângulo a majestosa subida do PR7, impressionante, foi aquele pedaço de trilho
infernal que me levou à Freita todos estes anos para o conquistar, estava agora ali na montanha oposta a torneá-la já que o mestre Moutinho decidiu prescindir, e bem, dela em favor dos atletas de elite que na sua maioria passariam ali de noite e com possibilidades de o nevoeiro voltar a aparecer. 
Chego ao Parque de Campismo do Merujal pelo mesmo caminho terminal das edições anteriores da Ultra da Freita, o tal caminho que sempre sonhei um dia cruzar e acabar ali na meta junto à cabana de pedra, não era assim desta vez que eu queria ali chegar, fui de pronto para o abastecimento centrado dentro do Parque partindo pouco depois para os 12 kms finais até Arouca sempre na companhia
do amigo Pedro Portugal a quem agradeço a força e motivação permanente durante o tempo que permaneceu comigo.
Percorremos mais 3 kms no planalto a cerca de mil metros de altitude até chegar de novo ás eólicas, finalmente o tempo fresco estava a voltar, a descida para Arouca de cerca de 9 kms foi lenta, a noite e os trilhos e estradões muito irregulares e bastante pedra solta metiam respeito e não dava hipóteses de correr, as forças também já eram poucas e os meus pobres joelhos á muito que já pediam descanso, e finalmente a chegada com 16,19,15h, tempo oficial, percorrera 62,820 kms registados no meu Garmin.
Gostei muito da recepção à chegada, dos muitos amigos que por ali estavam destaco 2 pela ajuda e apoio que sempre me deram nesta minha já longa odisseia na Serra da Freita, a Flor Madureira e o José Moutinho.
Ao José Moutinho direi que fiquei desiludido por deixar para trás o coração da Freita, pessoalmente preferia fazer a Ultra pelo mesmo percurso de elite até à Póvoa das leiras e depois regressar a Arouca pelo Candal, dá mais kms? claro que dá mas sempre se pode arranjar por ali um arranjinho e encurtar um pouco... se não apenas me resta seguir o rasto dos campeões de elite e ver até onde dá!


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Lousãtrail, 20 de Junho 2015

LousãTrail, prova de 27 kms realizada no dia 20 de Junho a partir da bonita cidade de Lousã.
Uma hora antes partira a prova principal que supostamente deveria ter 45 kms de extensão e acabou por se estender até aos 55 kms, levando ao descontentamento de praticamente todos os atletas, a organização esteve mal e podia muito bem ter alertado os atletas para o problema durante o decorrer da prova o mais cedo possível e não o fez, só muito tarde é que os atletas começaram a perceber que algo estava errado e
pediram esclarecimentos nos postos de abastecimento, também aqui a informação era nula levando a que o desânimo de apoderasse de muitos atletas. Apesar de tudo ouve compreensão por parte dos atletas e também ouve quem brincasse com a situação e afirmasse que tinham feito mais 10 kms "à borla". Por parte da organização faltou um pedido público de desculpas aos atletas, ficaria bem pois numa prova de 45 kms os atletas partem com ritmos a condizer com a distância e não podem ser surpreendidos de forma tão
grosseira. Creio que esta anomalia não pode ofuscar esta prova principal do programa, já que de resto tudo estava impecável ao longo do percurso e da forma como tudo decorreu desde o seu início até ao final.

Da prova em que participei retive o espectacular percurso que nos ofereceram, uma parte dele já o conhecia a quando da minha participação no AXtrail do ano passado, visitando de novo aldeias muito antigas existentes em plena serra. o calor também fez a sua aparição, o
arvoredo ofereceu-nos alguma protecção contra os raios solares uma vez que 90% o percurso era coberto com árvores permitindo algum desafogo com alguma fresquidão. 
Nesta prova tive a companhia do meu genro Vitor Pinto que participou na prova mais longa e do Rui Pacheco que se deslocou para dentro dos possíveis fazer algum treino de bicicleta e estar por perto de nós dando-nos algum apoio durante a prova.
A distância que percorri tinha 27 kms e precisei de 5,38,14 h. para a completar.
No geral gostei da organização da prova, voltarei lá porque aquilo tem tudo o que gosto de encontrar nas montanhas, e são tantas coisas!