segunda-feira, 6 de maio de 2013

Trilhos da Lampas, S. João das Lampas, 4 de Maio

Por aquilo que tenho lido os trilhos de S. João das Lampas caíram bem fundo daqueles que tiveram a oportunidade de lá ir, bem fundo de satisfação pelo excelente percurso que foram encontrar, por a dificuldade no seu todo ser baixo e pela forma como a organização da prova trata os seus visitantes. No Trail em Portugal creio que ainda não existem as chamadas provas comerciais, embora algumas delas se aproximem perigosamente desse estatuto o que tem bastas vezes levado ao fracasso pela falta de qualidade e a falta de respeito pelos atletas, por isso não têm nem presente nem futuro, outras pelo seu estatuto de reconhecido valor sobrevivem graças à argúcia e inovação que cativa os mais arrojados que têm no seu ego a conquista de novas fronteiras que vão para além do seu imaginário e finalmente aquelas provas que pela sua simplicidade envolvem os mais experientes trailistas e aqueles que não o sendo depressa se apaixonam por aquilo que lhes é oferecido.
Que melhor exemplo que os trilhos de S. João das Lampas para ilustrar isto? Eu tenho o cuidado de enfrentar qualquer tipo de trail ou trilhos completamente "artilhado", nunca sei o que vou encontrar e nada melhor do que me precaver contra qualquer surpresa que possa surgir, não é que não houvesse informação suficiente sobre todos os pormenores da prova e por isso surgiram ali muitos atletas, a maioria atletas da estrada, com o intuito de experimentar pela 1ªvez (alguns) este tipo de competições a que não estavam habituados, notavam-se pelo equipamento que ostentavam ou a falta dele, ténis inapropriados para aquele terreno ou a falta de meios de transporte de abastecimentos  em auto suficiência, porque numa prova de trilhos ou trail tudo pode acontecer e temos de estar salvaguardados contra qualquer surpresa que nos empate contra a nossa vontade tais como um possível acidente ou a perda do caminho certo e o desnorte. Para melhor caraterizar esta prova basta ir ao seu final e verificar que nem um queixume se fez ouvir, a satisfação era total para os mais experientes, iniciantes ou menos experientes, quais sapatos inapropriados e as outras coisas que podem parecer esquisitas, tudo correu bem e isso é um trunfo muito grande da Organização da Meia Maratona de S. João das Lampas e do seu principal obreiro Fernando Andrade.
 Os Trilhos das Lampas são sem dúvida uma magnífica entrada no reino do Trail, muitos dos que lá estiveram vão por certo querer experimentar outros desafios mais ousados, por isso mesmo estes trilhos cumpriram o seu papel e a satisfação no final era notório. Nem a "pobreza" do kit final oferecido aos atletas lhes arrefeceu o ânimo, mérito mais uma vez da organização da prova que privilegiou a verdade desde o início informando dos objetivos da prova e as suas limitações sem nunca pôr em causa a participação de todos os que manifestassem interesse em participar. Estou certo que outros objectivos serão traçados para o próximo ano, esta prova nascida debaixo da capa da Meia Maratona com o mesmo nome, vai com facilidade superá-la e aí vai ser necessário fazer-lhe frente, oxalá exista capacidade organizativa para a enfrentar sem que isso represente prejuízo para qualquer uma delas.
Do Grupo que me acompanhou, Daniel Pinto e Rui Pacheco (Amigos do Vale do Silêncio) ia também a estreante  nestas provas Ana Pereira, amiga que muito prezo e que teve a paciência partilhada comigo de fazermos a prova em colaboração de princípio a fim, creio que pela satisfação demonstrada no final vai querer repetir não só esta para o ano mas outras que se revelem de dificuldade menor que se seguirão até um dia onde a experiência seja já de relevo se possa apresentar num trail com outras exigências físicas e suportáveis.
A distância percorrida foi de 17.950kms. para o tempo gasto de 2,16h.
Venha agora S. Mamede, 100 kms numa aventura de sonho daqui a duas semanas, conto cá estar para depois contar como foi.

12 comentários:

Jorge Branco disse...

Uma prova com muito futuro certamente a que gostaria de ir um dia.
Não concordo é com o facto de chamar estreante nestas andanças à Ana pereira!
Ela que eu saiba fez pelo menos o Circuito de Arouca Senhora da Mó (mas julgo que fez outras coisas) que é uma prova do, agora, chamado trail puro e duro!
Há uma certa tendência para se pensar que o trail, em Portugal, começou há meia dúzia de anos quando na verdade tudo começou precisamente no meio da década de 90 ( a Corrida do Monge até é anterior).
Na altura chamavam-se provas de Montanha mas muitas delas eram trail do mais puro e duro posso referir a TRANSESTRELA e o Cross da Serra do Açor apenas para falar dois casos míticos!
Já agora aqueles pioneiros não tinham calçado especifico e enfrentar a descida final, a pique, em cima de xisto solto, molhado e escorregadio como manteiga, da 1º edição do Cross da Serra do Açor (corrida debaixo de um temporal enorme) com calçado de estrada e sem bastões era de "loucos"!
Grande abraço.


Jose Xavier disse...

Caro Joaquim Adelino,

É bonito ver a sua apreciação, como grande experiente nestas andanças a esta que foi a primeira prova Trilho de SJL. É excelente o incentivo que faz às pessoas menos experientes nestas andanças e que certamente vai cativá-los a continuarem a disfrutar dos trilhos, como o caso da Ana Pereira.

Em SJL estaremos, finalmente, no próximo mês de Setembro, na 1/2.

Abraços dos Xavieres

Isa disse...

Para o ano a ver se não perco os Trilhos das Lampas, para já este ano será a Meia das Lampas :)

Força Joaquim para os 100 de São Mamede!

Beijinho e boa semana

joaquim adelino disse...

Refiro na crónica que a Ana Pereira era estreante nas provas de trilhos de montanha, nada mais falso, a sua experiência é já vasta embora ande um pouco arredia de tempos passados e ainda não muito distantes. Voltou agora nesta nova fase do trail em Portugal que veio substituir de certa forma as tradicionais provas de Montanha, embora aqui e ali elas se mantenham com o mesmo cariz inicial.

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Pois é isso mesmo Adelino: dei mais uns passos para perder o medo e estou prontíssima (mentalmente) para novos desafios, mas sim, isto vai com calma e o grau de dificuldade tem de ser assim... para o baixo a moderado. Adorei e agradeço toda a sua disponibilidade para me "levar" naqueles magníficos 18 kms! E sim, já vou pensando noutros Trilhos e conto consigo para me aconselhar nos que sejam mais acesséveis para pessoas assim...mariquinhas :)

Beijinho e bom repouso (activo) para estar em grande em Portalegre

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

agora que li os comentários, é assim: não foi Estreia absoluta, quer dizer à noite, foi estreia absoluta, mas Trail, sim, já fiz algumas coisas e "sei" do que se fala, mas não se pode dizer que tenha propriamente experiência...

Que me lembre assim de repente, fiz:

Circuito de Arouca, Senhora da Mò (sim senhora Jorge Branco)

Trilhos do Mogadouro - mais que 1 vez

Serra da Freita (na prova pequena em 2006, 1ª edição)

Corrida do Monge

E outras... mas não sou de todo experiente, apenas considero que já fiz umas coisas... :)

Importante mesmo, é que quero fazer mais!



Sílvio Horta disse...

Camarada joaquim adelino (penso que possa tratá-lo assim, visto que sou militar no activo)

Não conhecia o seu blogue, mas já o tinha visto em bastantes provas. Nota-se a a sua preparação militar, quando diz "enfrentar qualquer tipo de trail ou trilhos completamente "artilhado" " Penso que penso da mesma forma que o senhor, realmente a vida militar tem dá-nos muitas coisas boas na vida. Serei mais um seguir no seu blog. Só uma pergunta, o senhor também é alentejano? Boa sorte para Portalegre.


joaquim adelino disse...

Amigo e camarada Sílvio, obrigado pela visita e as palavras aqui deixadas, terei muito gosto nas visitas que fizeres a este Blogue, a nossa camaradagem proíbe o tratamento de Sr. por isso aguardo também a formalidade que nos carateriza. Dos paraquedistas retirei a fibra que nos distingue e esses ensinamentos têm sido muito úteis, a instrução e a guerra foram muito úteis na formação física e mental, é por isso que mantenho o mesmo espírito apesar de ter ultrapassado há muitos as 6 dezenas de anos de vida.
Sou ribatejano de Aveiras de Cima, zona do bom vinho carrascão, mas garanto que esta vida activa nada tem a ver com isso. Sobre Portalegre obrigado, bem vou precisar. Abraço

Anónimo disse...

• Provas de Montanha vs. Provas de Trilhos
• Caros Amigos,
Não sei se com este texto de opinião vou ajudar ou se vou baralhar a questão. Todavia, deixo-lhes aqui algumas dicas do que se me oferece dizer sobre as possíveis diferenças entre provas de montanha e as provas de trilhos em Portugal...
A exemplo da meia maratona da Nazaré que é considerada a “mãe” das meias na estrada, o Ultra Trail da Serra da Freita – Memorial Sálvio Nora, também poderá ser considerada a “mãe” do Trail em Portugal. Mas será que antes não havia provas de montanha em Portugal? Claro que havia. Porém, para quem não saiba, e do meu ponto de vista e modéstia opinião, há uma ligeira diferença entre provas de montanha e trailes. Basicamente a prova de montanha tem um perfil mais curto e sempre ou quase sempre a subir que exige do atleta um grande esforço em regime anaeróbico e que não dá tempo para se apreciar a natureza ou se desfrutar dela. Essas provas apareceram há muitos anos por cá: exemplos como as célebres provas de Manteigas Penhas Douradas, TransEstrela, Sintra Montanha Verde, Corrida do Monge, Escalada do Mendro, Subida do Vale de Sameiro, Subida ao Caramulo etc. etc.…
Todavia, estas provas nunca tiveram uma grande adesão porque dantes havia um grande estigma com as subidas. Aliás, há trinta anos, nos folhetos de apresentação das provas de estrada, o facto do seu perfil ser plano era um dado relevante e a ser altamente salientado. Prova que tivesse uma ligeira subida que fosse, estava sujeita ao fracasso… Veja-se o que penou a excelente Meia maratona de São João das Lampas com a célebre frase das “rampas”….
Contudo, não há mal que sempre dure… no passado ano de 2006, João Moutinho, que tinha sido um grande estradista e ultramaratonista, onde se pode destacar a Volta a Portugal a correr, influenciado pelo nosso grande amigo e falecido Sálvio Nora, vai até à Serra da Freita e fica deslumbrado com os trilhos que o amigo Sálvio lhe apresenta. Aliado a isso há o facto de ter tomado conhecimento que na vizinha Espanha já se desenvolviam provas na montanha designadas de trailes que, cujo perfil, tinham a diferença das provas de montanha por serem ondulantes, com maior quilometragem, mas com estimulantes subidas a planaltos com vistas altamente panorâmicas e introduções ao âmago da natureza onde raramente se não vêem cascatas, lagos, ribeiros e, sobretudo, não há grandes ritmos de sofrimento anaeróbico, face às distâncias maiores que as provas de montanha, e onde prevalece as capacidades de resistência e resiliência.
João Moutinho acreditou nesta diferença, reúne-se com um grupo de amigos da zona de Arouca, pede apoio às autoridades locais e, como entretanto há o falecimento prematuro do nosso amigo Sálvio Nora, decide arrancar com o I Ultra Trail Serra da Freita – Memorial Sálvio Nora – em sua memória e homenagem. Porém, para além da novidade daquela vertente na montanha, há a questão da distância: 50 km… Ainda assim, inscrevem-se 47 “aventureiros”, dos quais, brilhantemente finalizam a prova 45 participantes, entre as quais 3 mulheres: Glória Serrazina, Margarida Pinto e Célia Azenha! Simultaneamente, há uma prova mais curta, da qual fiz parte, mas, paradoxalmente, há menos inscritos (pouco mais de 30) e, consequentemente, finalizadores!...

Continua…

Anónimo disse...

…Naturalmente que esta primeira edição não correu nas melhores condições, mas a esmagadora maioria dos participantes ficaram deslumbrados com o que viram e sentiram e, rapidamente, duma forma quase boca a boca, se propagou a outros atletas e a outras organizações. De tal modo que, passados meia dúzia de anos, para além de aparecerem excelentes praticantes desta modalidade, casos como, por exemplo, Alcino Serras, Armando Teixeira, e o expoente máximo que é esse fenómeno do Carlos Sá, paulatinamente apareceram centenas de participantes e dezenas de outras organizações um pouco por todo o país, cuja qualidade de percursos, de segurança, de abastecimentos, de simpatia e tudo o mais sempre se pautou por uma gama bastante elevada.

Inexplicavelmente, ou talvez não, o estigma das subidas desaparece e, bem pelo contrário, aparece uma corrente totalmente antagónica, mas contagiante, que acha que se deve aumentar, não só as distâncias, como também o grau de dificuldade e de obstáculos que leva o Ultra Trail Serra da Freita a subir para 70 km e para um desnível muito mais elevado, surgem provas de mais de 100 km nas serras da Estrela e de São Mamede, e um conjunto de mais de 30 provas de várias distâncias e feitios ao longo do país, das quais se podem destacar, entre outras, os Trilhos dos Abutres, na Serra da lousã, e o Trail Nocturno da Lagoa de Óbidos que esgotam os seus limites de inscrição em pouco menos dum mês, e o Grande Trail Serra d’Arga, que nas suas três vertentes de participação, e ainda só na sua 2ª edição, obteve cerca de 1000 classificados!

E assim se evoluiu das provas de montanha com pouca quilometragem e perfis muito íngremes, para a primeira prova ondulante designada de Trail, já com 45km, e dos cerca de cem participantes no conjunto das provas do I Trail da Serra da Freita em Julho de 2006, até às cerca de 30/35 organizações de provas de Trail, e aos recentes 1000 participantes no conjunto de provas no 2º Grande Trail Serra d’Arga em Outubro de 2012.

Orlando Duarte

joaquim adelino disse...

Bem esclarecedor amigo Orlando, não sou do tempo da realização dessas provas de montanha enquanto atleta, cedo embarquei nas provas de estrada e por lá fiquei por muitos anos, bem se pode dizer que segui os passos da maioria sob a batuta do Prof. Mário Machado, Fernando Andrade, Jorge Teixeira e tantos outros. Sempre me fascinaram as provas de montanha sem que algum dia desse um passo para lá chegar e não creio que fosse por causa da altimetria que agora tanto se fala, pelo menos quando se confrontam entre si os muitos organizadores destas provas, a Trans Estrela, Malcata e muitas outras faziam parte do meu imaginário mas nenhuma delas me chegou a cativar a ponto de um dia dar o primeiro passo. Entretanto as coisas alteraram-se, deram um passo em frente e de certa forma já poucos atletas se deslocam muitos kms para defrontar as pequenas distâncias que eram apanágio os campeonatos de montanha de então. A Malcata era um desafio que já puxava por mim antes de iniciar as provas de Trail e Ultra Trail, mas as últimas duas tentativas para a realizar saíram goradas por causas ligadas à defesa do meio ambiente (diziam) ou por falta das autorizações necessárias com o tempo devido para a organização que as solicitava, neste caso "O Mundo da Corrida". A evolução das coisa advém disso mesmo, o arrojo de alguns e em boa hora deram o pontapé que nos trouxeram até aos dias de hoje e com isso a descoberta de grandes valores para a modalidade de Trail em Portugal. Em ambos os casos honra seja feita a quem trilhou este caminho e abriu horizontes desconhecidos a muitos dos amantes desta modalidade levando-os a superarem-se dando um novo fôlego à sua vida desportiva. Abraço amigo orlando e obrigado pelo excelente texto que nos deixou.

Carlos Cardoso disse...

Obrigado Joaquim, com este texto ajudou-me a tomar uma decisão que andava a adiar. No próximo dia 12 vou fazer o Ultra Trail da Geira Romana - é a minha estreia nestas distâncias. Como tem muitos abastecimentos, andava a magicar se deveria levar a mochila "cheia" ou apenas o indispensável - é que fiz o Trail de St.Luzia (33kms) em Fevereiro, e levava uns 3 ou 4kgs às costas enquanto que a maioria levava pouco ou nada...tá decidido...vai "cheia".
Aquele abraço e desde já uns excelentes "100kms" de S.Mamede - um dia tb quero chegar a estas distâncias.