sexta-feira, 24 de outubro de 2014

AXtrail, Trail 42 kms Serra da Lousã em Castanheira de Pera


Era Meia noite e vi-os partir, uma sensação muito estranha pois nunca vira partir uma prova de ultra trail e eu ficar ali pregado ao asfalto a vê-los partir serra acima debaixo de um temporal bem invernoso, limitei-me a desejar boa sorte aos amigos, a conviver um pouco com alguns deles mas com a noção que também deveria estar ali ao lado deles e fazer parte daquela extraordinária aventura que lhes fora oferecida pela excelente equipa que realizou a prova, tirei fotos e realizei um pequeno vídeo da sua passagem do local onde me encontrava, pouco depois vejo-os embrenhar-se pelos trilhos citadinos à procura da mãe natureza situada a poucas centenas de metros na majestosa Serra da Lousã.
Vi nos rostos de cada um a satisfação de poderem partir e ir à procura de realizar mais um desafio  e ultrapassar barreiras do que está para além do imaginável, vencer o receio e o medo, porque não, mas também iam à procura da sua aventura onde o desconhecido era o aliciante principal e a superação das suas capacidades físicas nunca testadas até então, eram estes a maioria dos que partiram. 
Para mim acabava ali o primeiro dia de contacto com esta gente heróica que abalara e me deixara para trás à espera que no dia seguinte os voltasse a encontrar algures em plena Serra numa altura em que já se encontrassem no último terço da prova e onde as suas forças já reduzidas bem necessitavam do nosso apoio para conseguirem concluir com êxito este bonito desafio a que se tinham proposto concluir.
Regresso ao Pavilhão um pouco ansioso para dormir um pouco, no dia seguinte tinha lugar marcado para a partida do trail de 42 kms pelas 09.30h e queria descansar o máximo possível mas a tarefa não foi fácil, do tecto do pavilhão vem um barulho ensurdecedor, a chuva caía copiosamente deixando-nos apreensivos não só com os amigos da Ultra mas também por nós que partiríamos no dia seguinte, e para quem conhece a Serra da Lousã sabe bem que aquilo mesmo sem mau tempo não é uma pêra doce.
O nervosismo de muitos atletas que iam participar no trail depressa e bem cedo se começou a manifestar, ás 4h 5, 6, e 7h era ver a rapaziada a caminho dos balneários fazendo aquele barulho habitual acordando toda a gente, pelas 5h também lá fui e já havia alguém a banhar-se para preparar o corpo para acolher sem impurezas a sagrada água vinda da Natureza quando por lá se encontrasse, tentei ainda depois dormir mais um pouco mas foi impossível e resignei-me a esperar que chegassem as 7h para começar a preparar o que era necessário levar e também a ornamentação pessoal que normalmente também me acompanha.
Pelas 7h começam a chegar os primeiros desistentes do UTAX, eram fundamentalmente atletas já experientes mas que as mazelas adquiridas na prova os forçara a desistir, não era nada de grave
mas que se podia tornar complicado se continuassem em prova, para mim e para os outros do trail que iriam partir ás 9,30h era um mau pronúncio, era um sinal que o percurso a fazer ia estar mesmo muito mau, mesmo assim procurei afastar essas preocupações para bem longe já que estou habituado a apanhar o pior que se pode imaginar e onde é necessário o máximo cuidado e ás vezes alguma perícia, que no meu caso já pouco funciona devido à minha natureza de veterano já de idade avançada.
Na partida dei comigo a pensar que já devia ter quase 10h de montanha, é a 1ª vez que me desloco para um local e não participo na prova principal, uma situação muito estranha para mim, mas aqui eu tinha de ser muito realista, 24h para fazer esta prova era demasiado para mim, com a agravante de existirem dois controlos de eliminação pelo meio quase impossíveis de alcançar, ainda assim a organização decidiu, e bem, dar mais uma hora de tolerância devido ás péssimas condições do terreno e meteorológicas, depressa me concentrei que era esta que tinha pela frente e que sabia pelos relatos dos desistentes que a coisa iria estar muito "preta". 
Gostei de ver por ali muitos amigos e outros que também por o serem me escapam por a minha memória estar sempre a atraiçoar-me, por isso não me canso de lhes pedir desculpa por este defeito que tenho, dou só um pequeno exemplo deste apagão que de vez em quando aparece: no abastecimento de Telesnal, o 1ª deles, dois atletas chegaram e preparam-se para tirar uma foto, eu estava ali e depressa me puxaram para o grupo e para a foto, incluindo os simpáticos voluntários, a meu lado estava a Sónia Dionísio que não reconheci e por quem tenho muita admiração, mais tarde identificaram-me na foto e ela apareceu na minha página do Facebook, é assim lamentável.
A Serra da Lousã desta vez não me surpreendeu, esperava o pior mas depois de a percorrer a partir de Castanheira de Pera tenho a convicção que as 3 versões que conheço da Serra a partir e chegar a Miranda do Corvo é bem mais complicado devido à natureza do terreno e ás condições climatéricas que temos encontrado. Felizmente a organização do AXtrail não limitou a prova de
trail a ninguém, graças ao UTAX, que tinha 24h para se realizar, permitindo assim os atletas participantes a enfrentassem mais descontraídos e sem qualquer tipo de pressão, tanto assim é que pouco passava das 10h de prova chegava o último atleta juntamente com o "vassoura". 
O meu objectivo para esta prova era conseguir chegar ainda de dia, como precaução levei o frontal para precaver qualquer percalço e não conseguir este objectivo, por antecipação a organização também esteve muito bem ao incluir à última da hora o material obrigatório para esta prova de 42 kms, nomeadamente a manta de sobrevivência e o corta vento. A ordem de partida já foi dada com quase meia hora de atraso e isso começou desde logo a complicar as minhas contas, os primeiros metros nos trilhos foram caóticos, caminhos estreitos para tanta gente, filas com escoamento lento (quase que se justificava uma pequena volta pela Povoação para estender um pouco mais o pelotão), por mim estava bem assim, corria-se andava-se e eu também ia descansando as pernas. No ataque à Serra com estradões e trilhos espectaculares a Selecção foi-se fazendo cá atrás, provavelmente na frente também se fazia, mas aí a guerra era outra, a minha não a preocupação de ser o último ou não, era chegar de dia e depressa arranjei o meu ritmo com a ajuda dos bastões e vencer aquela primeira barreira que nos levaria aos 1.005 metros de altitude apenas com 5,700kms de prova
(partíramos dos 470 metros de altitude). Foi aqui que começaram a passar por mim os primeiros atletas da mini, partiram pouco depois de nós, fizeram-me companhia durante 2/3 kms até saírem do nosso trilho e virarem noutro com destino à meta. A chuva, o frio e o vento acompanhou-nos durante mais 4 kms até começarmos a descer para o 1º abastecimento que nos esperava em Telesnal, até lá dureza nas descidas, trilhos e estradões com muita pedra solta, lama e pequenos ribeiros, raízes e pedras com muito musgo, assisti a muitas quedas, todas bem sucedidas (até uma atleta chegou a ser surpreendida quando pisava uma lage  com musgo e ficou estendida sem saber o que lhe aconteceu, ia a falar ao telemóvel!!! Tínhamos percorrido até Telesnal o mesmo caminho que os ultra heróis tinham feito, notava-se já a degradação do piso devido também à sua passagem, estávamos agora na parte mais baixa de todo o nosso percurso (243 metros acima do nível do mar), era ali também que a Ultra e os nossos heróis voltariam para a esquerda e iam "visitar" parte do percurso que habitualmente é utilizado pelo Trail dos Abutres que se realiza habitualmente na últimas semanas do m~es de Janeiro de cada ano. 
Perto dos 20 kms de prova começo a encontrar atletas do UTAX, já trazem cerca de 70 kms de prova e vêm com sérias dificuldades, passo por 2 deles que já vêm a passo, provavelmente não
chegaram ao fim, perto dos 24 kms, 2º abastecimento, passo pela amiga Paula Fonseca tira-me uma foto e paro um bocadinho a falar com ela, esperava pelo seu companheiro de vida Carlos Fonseca, a sua expressão era de alguma preocupação pois ele não vinha bem, desejei-lhe sorte e subi aquela enorme escadaria (iria encontrar mais duas entranhadas no interior de aldeias de casas muito antigas e bonitas) até ao local onde estava o abastecimento. Ali já estava o sempre jovem Vitorino Coragem que mais uma vez não receou aquela Serra que tão bem conhece e os 109 kms que a abraçam quase de uma ponta à outra, era o digno e único representante sexagenário presente em prova a merecer da minha parte rasgados elogios, depressa partiu pois faltavam-lhe ainda 35 kms e um controlo de eliminação pela frente, não vacilou e venceu com grande brilho mais esta dura batalha.
Aproveito este 2º abastecimento para comer bem pois vinha uma das partes mais difíceis da prova, estava com 5,20h de prova e a previsão final apontava para chegar ainda de dia à meta. mas depressa começámos a subir para o ponto mais alto da Serra por trilhos muito difíceis, incluindo uma levada espectacular com um diâmetro de caudal de água de 1 metro quadrado, durante mais de 1 km esta levada acompanhou-nos com a água a correr em sentido contrário ao nosso e não raras vezes serviu para beber e refrescar sempre que estava à altura da nossa cintura, depois foi trepar Serra acima até chegar ao alto, a meio desta começa o frio e o vento a fustigar e o nevoeiro já lá está também mais acima, 2 elementos da organização estão ali no estradão onde desembocava o trilho por onde seguíamos, informa que no alto o frio é muito intenso, parei e com a sua ajuda vesti o corta vento mesmo por cima da t,shirt molhada que levava vestida e depressa continuei a
marcha, pouco depois chego ao cimo sem conseguir ver nada em volta, olho para o Garmin e marca-me 1.215 metros de altitude, creio que erradamente pois o registo que tem gravado vai só até aos 1.186 metros, ainda assim foi ao ponto mais alto que alcancei em prova. A partir daqui já levava um companheiro de corrida, chegou numa boa altura, a pouco mais de 2 km tinha outra montanha para escalar, segundo o gráfico que nos acompanhava, mas dali não se via nada pois o nevoeiro escondia tudo o que estava à nossa frente, assim, descemos um pouco para voltar a subir e dar por encerrado este capítulo das subidas que culminava exactamente aos 30 kms de prova, o resto seria a descer. 
O atleta que seguia comigo era inexperiente em provas longas, 30 kms era o seu máximo e seguia com dificuldades evidentes, levava em mente desistir no abastecimento dos 31 kms mas seguindo o
exemplo de quem vai comigo não fica para trás consegui convencê-lo a prosseguir até à meta, incluindo chegar de dia já que ele não tinha frontal para enfrentar a noite se ela entretanto caísse. Foi neste tom de conversa que chegámos ao abastecimento depois daquela tormentosa descida de quase 2 kms de pedra solta e trilho muito estreito mas ao mesmo tempo com uma vista espectacular agora que o nevoeiro eo frio tinham ficado para trás. 
Logo que partimos deste 3º abastecimento para a etapa final e depois de assegurar que este amigo que me acompanhara os últimos kms tinha partido e abandonara de vez a ideia da desistência parti à procura de baixar das 10h de prova e chegar ainda de dia à meta, para isso contei ainda com uma condição física excelente naquele momento que me permitia correr onde era possível a 6 minutos o km, contei ainda com a companhia de um atleta do UTAX  durante alguns kms naquela parte final mas depois fui mesmo embora para chegar o mais rápido possível, valendo aquele cenário espectacular do rio que nos
acompanhou até quase cortar a linha de chegada.
Finalmente depois de andar por ali um pouco ás voltas após a espectacular passagem do rio vislumbro a meta pela mesma rua por onde tínhamos saído à algumas horas atrás, uma sensação muito agradável, excelente recepção por parte de todos os presentes que me sensibilizaram, não mais os vou esquecer.
Terminava assim mais uma prova com intensidade elevada, 42,700kms e o tempo de 9,12,50h. com 12,57 minutos por km.
Apraz-me registar que o amigo que querias desistir acabou por chegar acompanhado do "vassoura" e estava feliz por ter terminado, também eu fiquei feliz por ele.
Espero agora chegar à Maratona do Porto recuperado e fazer um bom desempenho, o qua não será nada fácil, ali são 42 kms corríveis e isso anda pela hora da morte, mas vamos la!!!

domingo, 12 de outubro de 2014

Meia Maratona da Moita, 2014


Levanto-me ás 08,30h e verifico que está a chover, já de noite tinha dado conta que que ela caía com alguma intensidade mas isso não me incomodou porque até gosto de ouvir o ruído da água a bater nos vidros ou nos estores, é sinal de vida e a Natureza soberanamente a exercer o seu papel neste já depauperado Planeta, mas aquilo que me interessava estava por decidir, tinha de treinar, se possível em estrada, exitava em fazê-lo aqui perto de casa ou ir até à Moita onde se realizaria a Meia Maratona anual neste Domingo, não estava inscrito e não gosto de correr infiltrado, respeito o suficiente quem organiza as provas para me aproveitar e usufruir dos apoios que disponibilizam aos atletas que se inscreveram e pagaram para terem o direito de participarem na corrida com todos os direitos e regalias. Ás 9,15h decido ir até à Moita, vou pela Ponte Vasco da Gama e é rápido a chegada à Moita, a chuva continua a cair e estava fresco, o meu genro Vítor Pinto está inscrito (bem como o meu Sobrinho Filipe Torres e o seu irmão Marco),
durante a semana desafiara-me a fazer esta Meia Maratona devido ao facto de eu ir à Maratona do Porto a 2 de Novembro, mas como ainda tenho de ir ao UTAX versão 42kms já no dia 18 (próximo Sábado) antes da Maratona estava exitante, mas ao chegar à Moita depressa ganhei alento para fazer a prova, faltava meia hora para o início e logo ali encontrei um amigo que tinha um dorsal a mais, a chuva a cair e a temperatura a condizer ajudaram à decisão, agarrei em 5€ e dei-lhe, tendo aceite apesar de alguma resistência, mas é assim que eu gosto, depois fui legalizar a minha participação com o meu próprio nome e o do meu clube, Amigos do Vale do Silêncio.
Ia preparado com equipamento para treinar e foi assim que parti, t,shirt e calção preto, ténis misto de trail e terra batida, boné laranja já muito usado e o meu Garmin 305, se tivesse planeado a
prova com tempo lá teria levado os amuletos todos e também o camelback me teria feito companhia, assim nada como voltar ás origens das minhas provas de estrada, não que tenha saudades, mas que por necessidade do calendário não pude fugir.
No início da corrida vem o Tozé de trás a ralhar comigo porque tinha começado muito depressa, apanha-me e lentamente vai embora, nunca mais o vi, a não ser quando já eu vinha a chegar à meta a 5´ao km o vi perdido na Moita a procurar o seu carro, com tanta volta na prova acabara por perder o Norte e eu lá o conduzi ao sítio certo pois vinha de Norte para Sul e ele recuperou do seu desnorte. Um pouco mais à frente chega-se a mim o José Pedro e o Pedro Ferreira, com a chegada deles considerei que ia mesmo depressa demais, por certo estes 2 amigos iam ali mas tinham em mente o seu familiar e meu amigo Joaquim Ferreira que estava prestes a chegar a Fátima numa
peregrinação que empreendera à alguns dias com o intuito de lá chegar no dia de hoje, por isso a sua tranquilidade porque ele atingira esse objectivo a que se propora, mas desde logo  seguiram na peugada do Tozé e eu fiquei no intuito de manter um ritmo que me permitisse fazer a corrida sem quebras e sem paragens. Perto dos 5 kms de prova cai a primeira carrada de água, vinha tocada a vento mas é assim que eu gosto dela e creio que ninguém ficou chateado com a sua visita, até final ainda tive a sorte de levar mais algumas pazadas dela de lado, de frente e de trás para não variar, mas que foi sempre bem vinda
Aos 10 kms passo com uma hora e alguns segundos e aos 12 kms 1,12h, é excelente, a média vem nos 6m km, um dos gémeos da perna esquerda começa a incomodar-me e a partir dali até final vou muito atento e procuro correr na estrada onde não haja inclinação para a esquerda. Estava assim até ao momento a conseguir correr até esta
distância sem ter a necessidade de andar para descansar um pouco, é verdade que o tempo fresco e a chuva estavam a ajudar mas as pernas também estavam a dar sinais muitos bons, decido então fazer a prova sem paragens no restante que faltava e assim verificar como estão as coisas para enfrentar a Maratona do Porto daqui a 3 semanas. O último km, (sempre a descer) embalo e rolo +- a 5´km, o Daniel já me esperava a meio, tinha terminado com o tempo de 1,39h, coloca-se a meu lado e reboca-me até à meta, digo-lhe que gostava de baixar das 2,10h e acabei por conseguir as 2,09,34h a uma média de 6,04 ao km (menos 9 minutos que a edição de 2013) para 21,380km percorridos, não que fosse um objectivo final mas forcei para amenizar a quebra da 2ª parte da prova, que foi mínima diga-se.
Terminei cansado e com as pernas bem pesadas, fizera 4 treinos de 12 kms esta semana que
passou, o último dos quais na 6ª feira sem saber ainda que ia fazer esta meia maratona, se soubesse as coisas se calhar tinham sido diferentes mas passado estas 3 horas de intervalo até agora acho que optei bem em estar na linha de partida desta prova, prova em que há vários anos sou assíduo e me deixa sempre muito satisfeito pela excelente organização que é colocada no terreno em apoio dos atletas desde os abastecimentos até à vigilância em todos os cruzamentos e entroncamentos, rapidez de processos antes e depois da partida, Uma normalidade que nos apraz sempre de registar.
Segue-se agora no Sábado o UTAX (42kms) e aguardar mais duas semanas pelo Porto para uma das maratonas que mais gosto de fazer, será a 18ª.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Ultra Trail da Serra D`Arga 2014


A Serra D´Arga é uma espécie de santuário do Trail nacional, profundamente conhecedores desta realidade a organização que levou à prática a realização da 4ª edição obteve um enorme sucesso em todos os seus capítulos, divulgação e apoios, participação elevada de atletas e o seu acompanhamento ao longo de toda a prova. É a 4ª vez que lá fui e continuo encantado com aquelas serras e vales, principalmente o rio com as suas cascatas e o deslizar da água cristalina ali a nossos pés que vem nem sei de onde mas que me faz brilhar a vista sempre que estava por perto. O aperto dos controlos de passagem aos 33 kms e na chegada em termos horários retirou-me parte daquilo que mais gosto do trail: divertir-me na água , molhar-me, beber, refrescar-me e até tomar banho,
aquilo era demasiado desafiador mas a tudo tive de resistir em favor da minha passagem limpa e sem penalizações por esta prova. Isto porque o desafio para mim era enorme, 2.500 metros de altimetria+, percurso pedregoso e muito acentuado onde o impacto de tanto saltitar pela zona rochosa deixava marcas em toda a zona muscular, incluindo os pés, tudo isto num percurso de 52 kms onde eu tinha ainda por cima de vencer duas barreiras de respeito (para mim ,claro) 6,30h aos 33kms e 11h. na meta. Confesso que durante toda a prova sempre duvidei que conseguiria classificar-me, havia de vencer o 1º obstáculo e só depois pensar na 2ª metade da prova, para lá chegar tinha 4 picos montanhosos (e manhosos)  para vencer cuja média entre eles rondam os 750
metros, o último dos quais levou-nos 792 metros e foi também o mais doloroso (não o mais difícil tecnicamente) pela sua extensão, 3 kms. No alto desta bonita e difícil subida atingimos os 28 kms de prova e eu tinha gasto já 5,15h restava-me apenas 1,15h para percorrer mais 5 kms até ao posto de controlo de eliminação, nesta altura ia acompanhado pela Cristina Guerreiro que na planície do alto desta montanha me incentivou a correr até para activar toda a zona das articulações dos pés devido à subida, tentei segui-la mas durou pouco mas consegui ir correndo e andando naquele espectacular prado onde os animais se alimentam e vivem livremente, o meu objectivo era chegar o mais rápido possível ao controlo, conhecia agora o local por onde estávamos a passar, a

enorme descida (4 kms) até à Povoação era muito acessível e fui sempre a correr conseguindo assim chegar com 6,05h, amealhara aqui cerca de 25m para a 2ª metade da prova.

O abastecimento, tal como os anteriores era abundante, como de costume tinha dificuldade em comer, por isso aproveite e comi/bebi aqui uma sopa através de um copo de plástico aconchegando assim o estômago com alguma coisa e parti sem perder mais tempo pois vinha aí Uma das partes mais bonitas do percurso que era o rio e as suas cascatas e a acompanhá-lo uma das partes mais técnicas e difíceis de todo o percurso, fez bem a organização ter retirado algumas passagens por dentro do rio pela sua perigosidade, muitas quedas na edição de 2012, e
optar pelas margens sempre muito perto do percurso da água, ainda assim deu para molhar os pés algumas vezes por vontade própria ou por imposição da organização, foi aqui que descemos ao desnível mais baixo (106m) seguindo-se uma subida de cerca de 6kms (incluindo o rio) mais acessível que nos levaria ao abastecimento dos 44 kms. Aqui chegado com 8,40h de prova tinha agora 2,20h (até ao limite de tempo das 11h) para fazer os restantes 8kms que faltavam até à meta, estava portanto optimista mas preocupado ao mesmo tempo por uma razão muito simples, à minha direita estava a última montanha,730m, a base onde estava era aos 320m e 4 kms a vencer sempre a subir, as forças que restavam eram já poucas mas a vontade de chegar era mais forte, fui gerindo o ritmo e chego ao alto com 10h de prova, estou agora a escassos 3kms da meta e tenho uma hora
para lá chegar, a descida que se segue até à meta é muito difícil e técnica, os pés estão já muito massacrados, uma bolha incomoda-me na planta do pé, os joelhos estão feitos em fanicos, assim procuro descer em passo de corrida onde posso sem colocar em risco alguma possível queda que estragaria tudo, chego ao fundo da serra safo de quedas ou outra maleita qualquer e entro no estradão que dá acesso a DEM, (Povoação que acolheu a partida e chegada da prova), sempre a descer corro quanto posso, entro no alcatrão e 600 metros depois avisto a meta, a passadeira vermelha estendia-se ao meu encontro, piso-a e a 50 metros corto finalmente a linha de chegada, o relógio

marcava 10,46h, (cerca de 15m por kms nos 3 kms finais e sempre a descer!!!) ali estava ainda para me receber, tal como aconteceu com todos) o Carlos Sá, mentor e organizador desta magnífica prova de trail. Escusado seria dizer que fiquei feliz e muito satisfeito por conseguir o objectivo de terminar a prova dentro dos limites horários impostos pela organização, alguns (poucos) não o conseguiram, outros acabaram por desistir não resistindo à sua dureza mas de certeza que uns e outros aprenderam muito com esta experiência e voltarão a esta montanha, um dos locais mais bonitos do nosso Portugal. 

Eu voltarei se não continuarem a espremer os tempos limite de prova, este ano deu para o próximo já não sei, mas a vontade é grande para continuar a alimentar a vista, a mente e fundamentalmente a saúde.
Obrigado ao Daniel Pinto e Rui Pacheco pela companhia nesta aventura e muitos parabéns pelas suas magníficas provas.
Vem aí o UTAX (42kms) já dia 18/10, a recuperação está a ser lenta! vamos a ver! 




quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Trail do Grande Lago do Alqueva.


Ao km 6 (Aldeia de Alqueva) venho a fechar o pequeno pelotão (57 atletas chegados) na companhia da grande campeã Analice Silva quando nos deparamos com os participantes da caminhada que tinham partido à breves momentos com destino à Aldeia do Amieiro a cerca de 15 kms, este breve encontro foi pretexto para os numerosos caminheiros aplaudirem de forma efusiva esta grande Sra. Aplausos merecidos mas que ela não quis capitalizar sozinha, um pouco mais à frente fez questão de os partilhar comigo, "ouve cá, eu quero partilhar contigo metade daqueles aplausos e apoio que as pessoas me deram, isto porque você também merece", vindo da Analice não me surpreende mas que fiquei engalinhado isso fiquei. Esta enorme satisfação pessoal viria a ser ensombrada de tristeza para mim pela desclassificação desta Senhora porque no final da prova enganou-se no percurso e fez menos 400 metros de prova, isto num percurso com 42 kms de extensão, rigor a mais? creio que sim pois seria a última atleta a chegar e concorria nos escalão mais de 60 anos sózinha, descuido da Analice? creio também que sim pois bastaria voltar atrás aqueles 400 metros após ser avisada por um agente da autoridade e retomar a prova e correr o último km de prova.
O Trail de Alqueva deste fim de semana (21/9) ficou assim assinalado para mim por sensações estranhas ainda que relacionadas com a corrida mas que nos marcam de forma surpreendente, pela satisfação como as coisas correram bem para mim e pela tristeza por ter saído de Portel sem saber de nada e posteriormente vir a tomar conhecimento do desenlace do final da prova da Analice da sua desclassificação pela Internet.
A prova de Trail do Alqueva tinha para mim o objectivo de meter kms nas pernas com vista a chegar melhor preparado à Serra D`Arga no próximo Domingo dia 28 de Setembro onde me esperam cerca de 53 kms muito duros e exigentes quanto ás metas impostas em termos horários para terminar aquilo.
Cedo fiquei para trás, à saída da Aldeia do Alqueva a Analice partiu ficando eu apenas com o Iko que nesta prova exercia a função de "vassoura", nesta posição da corrida apenas tinha um
objectivo, terminar, por isso desde aquele momento a minha preocupação era fazer a prova dentro das minhas melhores possibilidades e disso dei conhecimento ao  Iko que de imediato me pôs à vontade. outra das minhas preocupações passava por não me atrasar muito dos atletas que seguiam à minha frente, parece-me que não consegui este objectivo, mas ficava a cada momento incomodado por saber que a partir dali os postos de abastecimento apenas estavam montados em toda a sua amplitude enquanto eu lá não chegasse, sei que fiz o melhor que era capaz. 
Quero agradecer ao Iko o apoio que me deu e o espaço que me concedeu não me pressionando e à sua companhia que nos kms finais fez questão de fazer ao meu lado.
À organização e a todos os amigos que ao longo da prova, principalmente nos abastecimentos pelas palavras simpáticas que tiveram sempre comigo, em todas as mesas, procurei estar um pouco com todos, mas foi sempre breve essas paragens pois eu era o último e não podia esquecer que estava em prova e mais à frente havia muitos mais amigos à minha espera para me receber e desarmar as "tendas".
Agradeço também a companhia do meu filho Hugo Adelino que se estreou na distância da
Maratona mas na versão de Trail, com resultados aceitáveis considerando que a distância em prova nunca ter ultrapassado a meia maratona. Tem futuro se insistir mais algumas vezes em vencer mais algumas montanhas.
Não sendo o mais imortante, embora a considere como um sinal, consegui superar estes 42 kms em 6,37h,
Este valor é o suficiente, retirando-lhe apenas os 7m para poder superar a 1ª parte da Ultra da Serra 
D Àrga (33kms) no próximo Domingo, mas a dureza desta Serra vai ditar as suas leis e vai ser necessário muito empenho para a poder superar.








quarta-feira, 17 de setembro de 2014





A Meia Maratona de S. João das Lampas foi disputada este ano sob uma temperatura amena onde o sol esteve ausente para dar lugar a um aglomerado de nuvens tornando o ar quase irrespirável por influência da altíssima humidade e tempo abafado em algumas partes do percurso, principalmente os primeiros 6 kms. Os habituais chuveiros, agora inovados, e os abastecimentos de água tradicionais ajudaram a superar uma prova que em anos anteriores infernizou a vida de muitos atletas pelas elevadas temperaturas que se fizeram sentir. Foi neste clima mais favorável que mais uma vez participei nesta prova, será por certo das que mais vezes repeti e daquelas em que os organizadores a mantêm fiel em termos de traçado desde o seu início (exceptuando as primeiras edições,poucas diga-se. onde a distância era de apenas 20 kms e mais alguns metros), tornando assim possível um melhor conhecimento da prova e das suas dificuldades que de forma muito positiva se vai passando de boca em boca tornando-a pela sua persistência uma das mais antigas do calendário nacional e uma das raras que se vê crescer de ano para ano de forma organizada e também sustentada.
A edição deste ano contou com quase 7 centenas de participantes, só na Meia Maratona, ainda me lembro de lá ir algumas vezes onde o nº de atletas rondavam as 2/3 centenas, muito se alterou desde então, esta prova a par da Corrida do Avante são as que abrem a época para a maioria dos
atletas de estrada, a acrescentar a estes vêm também um vasto nº de atletas que desenvolvem a sua actividade de corrida mais virados para as corridas de montanha ou simplesmente por trilhos que por norma não têm início nem fim de época, ora esta prova tem em muito beneficiado desta nova realidade arrastando por si só e também muitos outros fiéis adeptos desta prova, a simpatia, a excelência da organização e o envolvimento da população em todo o percurso fazem o resto, é por isso que a prova cresce actualmente de forma extraordinária, as dificuldades das rampas existentes que faziam da prova uma barreira para muitos estão finalmente ultrapassadas, o que assistimos hoje é
a curiosidade de ainda existirem atletas que vão lá a 1ª vez para conhecer as dificuldades do que se diz e acabam por gostar e depois voltar. É assim S. João das Lampas que aprendi a gostar ainda na década de 80, uma prova sempre muito bem organizada e orientada por gente conhecedora, altamente responsável e cativante não deixando ninguém indiferente e sempre com vontade de lá voltar, eu serei sempre um deles.

Estou a preparar (com muitas deficiências de preparação) o Alqueva, Serra D`Arga, a Maratona do Porto e agora também AXTRAIL de 19/10 na distância da Maratona, por isso esta prova das Lampas era para reforçar o endurance que tem andado pelas horas da amargura, desde Óbidos que os treinos são muito fracos, não admirando pois que em algumas partes do percurso tivessem que ser efectuados a andar, nomeadamente nas subidas mais a pique e a partir dos 9 kms, nada que já não estivesse à
espera, o que importava mesmo era chegar e tirar o melhor aproveitamento físico possível com vista ao futuro próximo dos meus objectivos pessoais.
21,369 kms de distância percorrida, (o que está a mais se calhar deveu-se ás voltinhas debaixo dos chuveiros) e com a marca de 2,19,39h, a possível e não a que queria.
Parabéns a todos os que lá estiveram e também àqueles que conseguiram cumprir os seus objectivos, e á organização que mais uma vez montou e organizou impecavelmente mais uma edição prestigiando ainda mais a elevada consideração tida por esta já "velhinha" prova.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Corrida da Festa do Avante 2014

A corrida da Festa do Avante foi a todos os títulos mais uma organização perfeita, este ano sem a oferta da tradicional t,shirt mas com a facilidade de entrada no recinto da Festa de forma gratuita através do Diploma de participante atribuído a cada um no final da prova.
A partida da prova foi a exemplo do ano passado junto à Baía com um percurso muito bonito de ida e volta num total de 10,5 kms. Para mim tratava-se da 3ª prova de estrada deste ano cumprindo assim o plano traçado até a esta data no que se refere a provas a realizar no alcatrão, faltam ainda 3 até final do ano: S. João das Lampas, Maratona do Porto e uma S. Silvestre.
Como de costume fiz a prova muito lenta, os treinos desde a nocturna de Óbidos são poucos e de má qualidade, por isso a prudência imposta, até final do mês em 3 provas vou ter de percorrer mais 105 kms e por isso os treinos serão muito reduzidos de forma a tornar possível concluir o que para já está programado recuperando e treinando regularmente.
O calor apertou um pouco connosco na 2ª metade da prova, disso se fizeram sentir alguns atletas, principalmente os que corriam na frente, já que a maioria iniciava ali a sua época desporitva e não estavam muito virados para a competição, como ia acompanhado por um grupo simpático de amigos forcei um pouco na parte final para os acompanhar mas a 1 km da meta desliguei e fui num passo mais lento até ao final da prova onde já se via muita gente a regressar atrapalhando quem ainda se dirigia para a meta, creio que ali ainda há alguns melhoramentos a fazer pois a confusão instala-se junto ao portão de entrada dos atletas onde aqueles que já entraram procuram por sua vez sair e a passagem é só uma e muito estreita!
Nestes 10,5 kms de prova registei ainda assim 1,03h, demasiado rápido tendo em conta os meus planos iniciais.
Parabéns à Organização da Festa por manter uma prova desta dimensão de há muitos anos a esta parte e sempre com elevado nível, manchada apenas pelo elevado nº de atletas que se inscrevem faltando depois à partida uma elevada percentagem deles, daí resultar algumas alterações na edição deste ano, mantendo-se a inscrição gratuita, mas retirando a atribuição de t,shirts aos atletas.
Até amanha S. João das Lampas.












  

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Ultra Trail Noturna da Lagoa de Óbidos

Na condição de totalista esta era uma prova que não podia perder, depois de partir teria que chegar, nem sempre as coisas correm da maneira conforme desejamos mas esta tinha tudo para que tudo corresse bem, melhorias no percurso que habitualmente utilizamos a torná-lo menos monótono, e sempre com novidades para além da luz que o nosso frontal pode alcançar, pouco se inventou, e mesmo aí foi importante as alterações efectuadas pelo seu grau de dificuldades obrigando-nos a redobradas cautelas numa altura em que o cansaço e alguma falta de discernimento já tomava conta de nós, principalmente naqueles 2 kms finais e a "tomada" do Castelo.
Para mim tudo seria brilhante não fosse aos 20 kms ter metido o pé direito num buraco escondido debaixo de alguma vegetação, torceu e tive de parar para recuperar um pouco voltando à corrida aos poucos até "esquecer" que tinha ali um problema. Até ali tudo corria bem, a partida foi dada já com a noite a cair mas permitiu que os primeiros kms fossem ultrapassados ainda à luz do dia por caminhos nunca antes percorridos provando-se assim que são inesgotáveis as opções em provas de trilhos como é o exemplo de Óbidos, 6ª Edição e sempre por caminhos diferentes, e para o ano concerteza haverá mais novidades, ui aqueles 2 kms finais!!!
Por volta dos 10 kms já estava a ser ultrapassado pelos atletas dos 26 kms, a sua volta até me alcançarem tinha quase 5 kms a menos, foi o que me ganharam em apenas uma hora, o problema é que me alcançaram numa zona onde apenas havia um trilho muito estreito e na base de uma parede incrível, tinha de estar constantemente a olhar para trás e a sair do trilho para os deixar passar, e se a luta deles ia apertadinha! Até chegar à separação das provas, 16 kms, foi vê-los passar, aos 12,5 kms sou alcançado pelo meu genro Daniel que ia tentar as 3h. de prova e seguia a bom ritmo, foi ali que soube que o caminho deles tinha sido diferente até chegar ali. 
De repente fiquei sozinho, a separação das provas levou aqueles que iam por perto para o trail curto e eu segui o rumo do trail longo, pouco depois vejo aproximar-se a luz de mais frontais, ainda há atletas que correm à minha rectaguarda, pouco depois dá-se o primeiro incidente com o meu pé direito, dali até ao abastecimento dos 23 kms tive de reduzir ainda mais o meu ritmo (que por natureza já é lento) para chegar e ver como poderia prosseguir sem problemas de maior. Este abastecimento já foi a "sério", (os anteriores apenas tinham líquidos, água, isotónico e coca-cola), havia de tudo mas atirei-me à melancia e melão sem esquecer o tomate cru com sal, (lembrei-me da Freita e da Besta, na Póvoa das Leiras ignorei o tomate e o sal, para castigo levei mais de 1,30h para subir aquilo e se não fossem os amigos com a cedência de "aditivos" dificilmente sairia de lá).
Quando parti dos 23 kms levava já pilhas novas mas o tornozelo doía bastante por ter arrefecido obrigando-me a andar um pouco no início pelas dunas que teríamos agora pela frente durante 9 kms. Aqui corri sempre acompanhado com outros atletas, e é conveniente que assim seja, embora os ritmos sejam diferentes e o esforço a desenvolver ser maior é preferível a ficar sozinho, as marcações do percurso são baixas e muitos olhos vêm mais que apenas 2.
A meio das dunas encontrámos um novo bairro, saímos até à estrada para mais uns metros à frente entrarmos de novo nas areias das dunas, mas antes existe um pequeno passeio que pisei e logo procuro o rumo a seguir sem parar e ZÁS um buraco na calçada e nova torção no mesmo pé, ia acompanhado e contive-me de dizer os palavrões que me apetecia largar, as dores agora eram demasiadas e receei não poder continuar, experimentei correr e era suportável, a areia era muito mole e solta e assim o impacto não era tão violento, seguimos e fomos ao longo do percurso até ao abastecimento dos 34 kms percorrendo as enseadas e dunas de rara beleza (mesmo de noite) lamentando eu o facto de não o poder fazer nas melhores condições físicas.
Novo abastecimento e de novo a mesa recheada, tudo do melhor que obviamente aproveitei, muitos amigos ainda por ali estavam, do abastecimento e de atletas, areia fora dos sapatos, um pouco de conversa e sigo, faltavam ainda 18 kms e o pé parecia ficar melhor. No km 38 sou obrigado a parar de correr, até ali corria 800 metros e andava 200, a articulação tinha cedido e as dores já eram insuportáveis, caminho andando até passar o pantanal, 40 kms,(este ano melhorado atravessando o caniçal), aí paro e tomo um Brufene que levava na esperança de pouco depois poder correr de novo, já seguia muito só, atrás e à frente já não via ninguém, apenas os distantes frontais, tinha recebido um telefonema do meu genro e informei-o do que se estava a passar mas que iria chegar. Até ao abastecimento dos 43 kms sempre a andar e mais 2 atletas chegam ao pé de mim e seguem, sigo no meu ritmo a aguardar que os efeitos do Brufene actuem. Neste abastecimento já se notava a passagem dos atletas da prova dos 26 kms, rabisquei pequenos pedaços de melancia que lá havia, e do resto apenas restava para aqueles que ainda ali não tinham passado, apesar disso a boa disposição reinava, o que era bom para o que restava da prova. No estado em que eu tinha o pé ainda perguntei se não havia um plano B para a descida que estava ali a 100 metros, respondem-me que estava lá uma corda para ajudar, resignado lá fui com o cuidado redobrado que se impunha.
Pouco depois iniciei uma pequena corrida e verifico que o tornozelo volta a tolerar o que dele peço conseguindo assim ir alternando de novo a corrida com o andar, até que nova torção no mesmo pé ocorre aos 50 kms, aqui deixo de sentir o pé (a não ser a dor) mas consigo ainda andar e não paro, por coincidência é aqui que a prova apresenta um grau de dificuldade maior, não fora as dores e aquilo tinha sido muito agradável de fazer, oxalá a organização mantenha aquele amontoado de buracos e buraquinhos, as curvas e contra curvas, o matagal e as cordas que dão muito jeito para subir as partes mais difíceis, e quando pensava que ainda ia passar pelo alto daquela imensa escadaria eis-me na base da mesma e com o Castelo a dois passos. O resto é o que toda a gente sabe, a conquista de um Castelo tem sempre um grau de dificuldade elevado e desta vez nova abordagem, bonita diga-se de passagem, mas tormentosa para mim dado que a progressão na sua ascensão era desfavorável para a lesão que levava no pé direito. 
9,19h. depois estava a chegar (em 2013 fizera 9,25h.) com um total de 51,900 kms. percorridos, ainda a tempo de saudar na alvorada de novo dia aqueles resistentes que nos aguardavam cujo sentimento de respeito para com todos ali ficou bem destacado, obrigado.
Parabéns à Organização e a todos os colaboradores pela excelente prova e apoios que nos ofereceram, quero estar lá para o ano.

Agora segue-se uma "pequena" recuperação da lesão e depois Setembro tem muitas histórias para contar.
Boas férias a todos.