quarta-feira, 17 de setembro de 2014





A Meia Maratona de S. João das Lampas foi disputada este ano sob uma temperatura amena onde o sol esteve ausente para dar lugar a um aglomerado de nuvens tornando o ar quase irrespirável por influência da altíssima humidade e tempo abafado em algumas partes do percurso, principalmente os primeiros 6 kms. Os habituais chuveiros, agora inovados, e os abastecimentos de água tradicionais ajudaram a superar uma prova que em anos anteriores infernizou a vida de muitos atletas pelas elevadas temperaturas que se fizeram sentir. Foi neste clima mais favorável que mais uma vez participei nesta prova, será por certo das que mais vezes repeti e daquelas em que os organizadores a mantêm fiel em termos de traçado desde o seu início (exceptuando as primeiras edições,poucas diga-se. onde a distância era de apenas 20 kms e mais alguns metros), tornando assim possível um melhor conhecimento da prova e das suas dificuldades que de forma muito positiva se vai passando de boca em boca tornando-a pela sua persistência uma das mais antigas do calendário nacional e uma das raras que se vê crescer de ano para ano de forma organizada e também sustentada.
A edição deste ano contou com quase 7 centenas de participantes, só na Meia Maratona, ainda me lembro de lá ir algumas vezes onde o nº de atletas rondavam as 2/3 centenas, muito se alterou desde então, esta prova a par da Corrida do Avante são as que abrem a época para a maioria dos
atletas de estrada, a acrescentar a estes vêm também um vasto nº de atletas que desenvolvem a sua actividade de corrida mais virados para as corridas de montanha ou simplesmente por trilhos que por norma não têm início nem fim de época, ora esta prova tem em muito beneficiado desta nova realidade arrastando por si só e também muitos outros fiéis adeptos desta prova, a simpatia, a excelência da organização e o envolvimento da população em todo o percurso fazem o resto, é por isso que a prova cresce actualmente de forma extraordinária, as dificuldades das rampas existentes que faziam da prova uma barreira para muitos estão finalmente ultrapassadas, o que assistimos hoje é
a curiosidade de ainda existirem atletas que vão lá a 1ª vez para conhecer as dificuldades do que se diz e acabam por gostar e depois voltar. É assim S. João das Lampas que aprendi a gostar ainda na década de 80, uma prova sempre muito bem organizada e orientada por gente conhecedora, altamente responsável e cativante não deixando ninguém indiferente e sempre com vontade de lá voltar, eu serei sempre um deles.

Estou a preparar (com muitas deficiências de preparação) o Alqueva, Serra D`Arga, a Maratona do Porto e agora também AXTRAIL de 19/10 na distância da Maratona, por isso esta prova das Lampas era para reforçar o endurance que tem andado pelas horas da amargura, desde Óbidos que os treinos são muito fracos, não admirando pois que em algumas partes do percurso tivessem que ser efectuados a andar, nomeadamente nas subidas mais a pique e a partir dos 9 kms, nada que já não estivesse à
espera, o que importava mesmo era chegar e tirar o melhor aproveitamento físico possível com vista ao futuro próximo dos meus objectivos pessoais.
21,369 kms de distância percorrida, (o que está a mais se calhar deveu-se ás voltinhas debaixo dos chuveiros) e com a marca de 2,19,39h, a possível e não a que queria.
Parabéns a todos os que lá estiveram e também àqueles que conseguiram cumprir os seus objectivos, e á organização que mais uma vez montou e organizou impecavelmente mais uma edição prestigiando ainda mais a elevada consideração tida por esta já "velhinha" prova.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Corrida da Festa do Avante 2014

A corrida da Festa do Avante foi a todos os títulos mais uma organização perfeita, este ano sem a oferta da tradicional t,shirt mas com a facilidade de entrada no recinto da Festa de forma gratuita através do Diploma de participante atribuído a cada um no final da prova.
A partida da prova foi a exemplo do ano passado junto à Baía com um percurso muito bonito de ida e volta num total de 10,5 kms. Para mim tratava-se da 3ª prova de estrada deste ano cumprindo assim o plano traçado até a esta data no que se refere a provas a realizar no alcatrão, faltam ainda 3 até final do ano: S. João das Lampas, Maratona do Porto e uma S. Silvestre.
Como de costume fiz a prova muito lenta, os treinos desde a nocturna de Óbidos são poucos e de má qualidade, por isso a prudência imposta, até final do mês em 3 provas vou ter de percorrer mais 105 kms e por isso os treinos serão muito reduzidos de forma a tornar possível concluir o que para já está programado recuperando e treinando regularmente.
O calor apertou um pouco connosco na 2ª metade da prova, disso se fizeram sentir alguns atletas, principalmente os que corriam na frente, já que a maioria iniciava ali a sua época desporitva e não estavam muito virados para a competição, como ia acompanhado por um grupo simpático de amigos forcei um pouco na parte final para os acompanhar mas a 1 km da meta desliguei e fui num passo mais lento até ao final da prova onde já se via muita gente a regressar atrapalhando quem ainda se dirigia para a meta, creio que ali ainda há alguns melhoramentos a fazer pois a confusão instala-se junto ao portão de entrada dos atletas onde aqueles que já entraram procuram por sua vez sair e a passagem é só uma e muito estreita!
Nestes 10,5 kms de prova registei ainda assim 1,03h, demasiado rápido tendo em conta os meus planos iniciais.
Parabéns à Organização da Festa por manter uma prova desta dimensão de há muitos anos a esta parte e sempre com elevado nível, manchada apenas pelo elevado nº de atletas que se inscrevem faltando depois à partida uma elevada percentagem deles, daí resultar algumas alterações na edição deste ano, mantendo-se a inscrição gratuita, mas retirando a atribuição de t,shirts aos atletas.
Até amanha S. João das Lampas.












  

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Ultra Trail Noturna da Lagoa de Óbidos

Na condição de totalista esta era uma prova que não podia perder, depois de partir teria que chegar, nem sempre as coisas correm da maneira conforme desejamos mas esta tinha tudo para que tudo corresse bem, melhorias no percurso que habitualmente utilizamos a torná-lo menos monótono, e sempre com novidades para além da luz que o nosso frontal pode alcançar, pouco se inventou, e mesmo aí foi importante as alterações efectuadas pelo seu grau de dificuldades obrigando-nos a redobradas cautelas numa altura em que o cansaço e alguma falta de discernimento já tomava conta de nós, principalmente naqueles 2 kms finais e a "tomada" do Castelo.
Para mim tudo seria brilhante não fosse aos 20 kms ter metido o pé direito num buraco escondido debaixo de alguma vegetação, torceu e tive de parar para recuperar um pouco voltando à corrida aos poucos até "esquecer" que tinha ali um problema. Até ali tudo corria bem, a partida foi dada já com a noite a cair mas permitiu que os primeiros kms fossem ultrapassados ainda à luz do dia por caminhos nunca antes percorridos provando-se assim que são inesgotáveis as opções em provas de trilhos como é o exemplo de Óbidos, 6ª Edição e sempre por caminhos diferentes, e para o ano concerteza haverá mais novidades, ui aqueles 2 kms finais!!!
Por volta dos 10 kms já estava a ser ultrapassado pelos atletas dos 26 kms, a sua volta até me alcançarem tinha quase 5 kms a menos, foi o que me ganharam em apenas uma hora, o problema é que me alcançaram numa zona onde apenas havia um trilho muito estreito e na base de uma parede incrível, tinha de estar constantemente a olhar para trás e a sair do trilho para os deixar passar, e se a luta deles ia apertadinha! Até chegar à separação das provas, 16 kms, foi vê-los passar, aos 12,5 kms sou alcançado pelo meu genro Daniel que ia tentar as 3h. de prova e seguia a bom ritmo, foi ali que soube que o caminho deles tinha sido diferente até chegar ali. 
De repente fiquei sozinho, a separação das provas levou aqueles que iam por perto para o trail curto e eu segui o rumo do trail longo, pouco depois vejo aproximar-se a luz de mais frontais, ainda há atletas que correm à minha rectaguarda, pouco depois dá-se o primeiro incidente com o meu pé direito, dali até ao abastecimento dos 23 kms tive de reduzir ainda mais o meu ritmo (que por natureza já é lento) para chegar e ver como poderia prosseguir sem problemas de maior. Este abastecimento já foi a "sério", (os anteriores apenas tinham líquidos, água, isotónico e coca-cola), havia de tudo mas atirei-me à melancia e melão sem esquecer o tomate cru com sal, (lembrei-me da Freita e da Besta, na Póvoa das Leiras ignorei o tomate e o sal, para castigo levei mais de 1,30h para subir aquilo e se não fossem os amigos com a cedência de "aditivos" dificilmente sairia de lá).
Quando parti dos 23 kms levava já pilhas novas mas o tornozelo doía bastante por ter arrefecido obrigando-me a andar um pouco no início pelas dunas que teríamos agora pela frente durante 9 kms. Aqui corri sempre acompanhado com outros atletas, e é conveniente que assim seja, embora os ritmos sejam diferentes e o esforço a desenvolver ser maior é preferível a ficar sozinho, as marcações do percurso são baixas e muitos olhos vêm mais que apenas 2.
A meio das dunas encontrámos um novo bairro, saímos até à estrada para mais uns metros à frente entrarmos de novo nas areias das dunas, mas antes existe um pequeno passeio que pisei e logo procuro o rumo a seguir sem parar e ZÁS um buraco na calçada e nova torção no mesmo pé, ia acompanhado e contive-me de dizer os palavrões que me apetecia largar, as dores agora eram demasiadas e receei não poder continuar, experimentei correr e era suportável, a areia era muito mole e solta e assim o impacto não era tão violento, seguimos e fomos ao longo do percurso até ao abastecimento dos 34 kms percorrendo as enseadas e dunas de rara beleza (mesmo de noite) lamentando eu o facto de não o poder fazer nas melhores condições físicas.
Novo abastecimento e de novo a mesa recheada, tudo do melhor que obviamente aproveitei, muitos amigos ainda por ali estavam, do abastecimento e de atletas, areia fora dos sapatos, um pouco de conversa e sigo, faltavam ainda 18 kms e o pé parecia ficar melhor. No km 38 sou obrigado a parar de correr, até ali corria 800 metros e andava 200, a articulação tinha cedido e as dores já eram insuportáveis, caminho andando até passar o pantanal, 40 kms,(este ano melhorado atravessando o caniçal), aí paro e tomo um Brufene que levava na esperança de pouco depois poder correr de novo, já seguia muito só, atrás e à frente já não via ninguém, apenas os distantes frontais, tinha recebido um telefonema do meu genro e informei-o do que se estava a passar mas que iria chegar. Até ao abastecimento dos 43 kms sempre a andar e mais 2 atletas chegam ao pé de mim e seguem, sigo no meu ritmo a aguardar que os efeitos do Brufene actuem. Neste abastecimento já se notava a passagem dos atletas da prova dos 26 kms, rabisquei pequenos pedaços de melancia que lá havia, e do resto apenas restava para aqueles que ainda ali não tinham passado, apesar disso a boa disposição reinava, o que era bom para o que restava da prova. No estado em que eu tinha o pé ainda perguntei se não havia um plano B para a descida que estava ali a 100 metros, respondem-me que estava lá uma corda para ajudar, resignado lá fui com o cuidado redobrado que se impunha.
Pouco depois iniciei uma pequena corrida e verifico que o tornozelo volta a tolerar o que dele peço conseguindo assim ir alternando de novo a corrida com o andar, até que nova torção no mesmo pé ocorre aos 50 kms, aqui deixo de sentir o pé (a não ser a dor) mas consigo ainda andar e não paro, por coincidência é aqui que a prova apresenta um grau de dificuldade maior, não fora as dores e aquilo tinha sido muito agradável de fazer, oxalá a organização mantenha aquele amontoado de buracos e buraquinhos, as curvas e contra curvas, o matagal e as cordas que dão muito jeito para subir as partes mais difíceis, e quando pensava que ainda ia passar pelo alto daquela imensa escadaria eis-me na base da mesma e com o Castelo a dois passos. O resto é o que toda a gente sabe, a conquista de um Castelo tem sempre um grau de dificuldade elevado e desta vez nova abordagem, bonita diga-se de passagem, mas tormentosa para mim dado que a progressão na sua ascensão era desfavorável para a lesão que levava no pé direito. 
9,19h. depois estava a chegar (em 2013 fizera 9,25h.) com um total de 51,900 kms. percorridos, ainda a tempo de saudar na alvorada de novo dia aqueles resistentes que nos aguardavam cujo sentimento de respeito para com todos ali ficou bem destacado, obrigado.
Parabéns à Organização e a todos os colaboradores pela excelente prova e apoios que nos ofereceram, quero estar lá para o ano.

Agora segue-se uma "pequena" recuperação da lesão e depois Setembro tem muitas histórias para contar.
Boas férias a todos.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

1º Trilho dos Moínhos Saloios

Como se vê foi pouco utilizada
Desta vez aceitei o convite que a organização me fez para seguir na cauda do pelotão e ter a missão de trazer todos os atletas até à linha de chegada. Para o efeito tive a ajuda preciosa do Juca Jacob, colega de equipa, que desde cedo se prontificou acompanhar-me nesta missão, o que muito lhe agradeço. 
As parecenças aproximam-se
Pode parecer insignificante mas esta tarefa é muito importante não só para a organização que assim tem mais facilmente todo o controlo de quem está em prova mas também para os próprios atletas que se sentem apoiados de perto e mais seguros quando as dificuldades começam a apertar.
A juntar a esta função juntámos outra, apanhar as fitas que serviram de guia aos atletas de forma



A prova teve a distância de 20 kms, tendo fechado com a entrada dos "vassouras" com o tempo de 3,35h.
Últimos a chegar
a que rapidamente o percurso ficasse limpo e sem vestígios visíveis de por ali ter passado centenas de atletas em competição preservando-se assim a defesa do meio ambiente, apanágio e ponto de honra para todas as organizações de provas de trail acompanhados de um cada vez maior consciencialização de todos os participantes nestas provas de trilhos.
Até aos 10 kms nós os "vassouras" andamos sós na rectaguarda, porque isto de cortar as fitas, a maior parte delas presas em silvas, não é tarefa fácil, a cada 20 metros uma fita e isto representava sempre uma paragem na corrida,
por esse facto perdemos por momentos a cauda do pelotão que voltaríamos a encontrar no alto do Moínho por volta dos 12 kms. Aqui já tínhamos
deixado de apanhar as fitas devido aos caminheiros que a partir dos 10 kms ocuparam também o percurso da prova principal.
A partir dali reocupámos o nosso lugar na cauda do pelotão fazendo sempre o acompanhamento dos últimos atletas em competição incentivando-os sempre quando as dificuldades começaram a aparecer.

Gostei desta missão e agradeço à organização terem-me dado esta oportunidade, já em algumas provas tinha tido o previlégio de ser eu ajudado pela prestimosa ajuda dos amigos que em todas as provas de trail têm esta missão,
A distinção
pela experiência positiva estarei de novo ao dispor para o ano seguinte se para isso for convidado.
Decidiu também a Organização prestar uma singela homenagem, quer a mim, quer à Analice Silva pelo modesto contributo dado na divulgação das provas de trail entre nós,
pela minha parte agradeço aqui publicamente essa iniciativa sentindo como é óbvio honrado por essa distinção.
Parabéns a toda a organização pelo excelente trabalho realizado,
nas marcações...ufff, na presença de muita gente espalhada no percurso para que nada falhasse, nos abastecimentos com muita fartura de fruta e outras iguarias muito úteis aos atletas e por último o excelente convívio na Colectividade onde foi serviço um farto e  saboroso almoço.
Até para o ano.

domingo, 13 de julho de 2014

Trail do Almonda, 6 de Julho de 2014

O Trail do Almonda, do qual sou totalista, conheceu nova alteração no local de partida e chegada mantendo sempre o traçado com pequenas variantes, a Serra D`Aire serve-lhe de principal aliciante com a beleza dos acessos à serra, cujos trilhos são do melhor que tenho encontrado. Uma semana depois da minha desistência na Serra da Freita esta prova serviu para desanuviar um pouco da frustração então sentida, pena o tempo não ajudar muito, estava fresco e com chuva, tal como eu gosto, mas ao mesmo tornou o percurso penoso e algo perigoso, nomeadamente nas zonas mais rochosas e com pedras provocando inúmeras quedas de alguns atletas devido a escorregadelas e tropeções em obstáculos invisíveis e submersos pela imensa água que caiu invadindo os trilhos de passagem.
A prova teve 29,600 kms tendo gasto 3,38h. para a concluir
Como de costume a organização esteve impecável, mudando de local conseguem sempre manter um altíssimo nível organizativo, quer na corrida quer no local do secretariado onde nada faltou, reunindo aquele local de estruturas de apoio aos atletas desde a sua chegada ao local e até à sua partida, excelente. 

Voltarei até me ser possível.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Ultra Trail Serra da Freita 2014

Freita... a sempre apaixonante Freita! Interrompi a caminhada mas não a paixão que sinto por ela, as "armadilhas" que lhe montaram impediram-me os planos de a abraçar quando atingisse o Alto da Mizarela! Fica para mais tarde? Creio que não, já não tenho forças para enfrentar as incríveis barreiras impostas pelo homem numa serra, ou conjunto de serras que são a mina dos meus olhos e sonhos incontidos por realizar.
Eram 5,45h quando partimos, transportando eu a confiança na condição física e mental suficiente para enfrentar a extrema dureza, que sabia eu, iria encontrar em todo o percurso.
Cedo perdi o meu companheiro de prova, o Rui Pacheco, logo no 1º km ficou para trás a programar o meu relógio Garmin com a intenção de pouco depois retomar a meu lado a corrida, perdeu de vista o último atleta e quando chegou ao Alto da Mizarela em vez de cortar à esquerda virou à direita descendo o PR7 no sentido contrário da prova, as fitas que nos levariam à meta já lá estavam colocadas e levaram-no ao engano, nunca mais encontrou o pelotão apesar de andar por ali a correr perto de 25 kms.
Os vassouras iam retirando as fitas na cauda do pelotão dificultando ainda mais a sua orientação acabando por regressar ao ponto de partida, optando por mais tarde voltar ao percurso e dar uma ajuda ao Daniel naqueles infernais kms finais.
Até ao rio Paivô tudo correu muito bem, estavam decorridos 18 kms, levava comigo a Anabela Pacheco mas desde que comecei o percurso do rio ela ficou logo para trás, é natural pois era a 1ª vez que ali entrava e eu já ia para a 4ª presença e conhecedor dos segredos que ele encerra. A chuva que caía tornou aquilo um pesadelo, rochas e pedregulhos muito escorregadias as quedas eram quase constantes, numa delas fiquei de costas pendurado por um pé valendo-me ali um amigo que de imediato me auxiliou puxando-me evitando assim males maiores dada a posição em que ficou o meu pé.

Pouco depois chego ao abastecimento dos 21 kms com pouco mais de 4h, partindo pouco depois ao encontro da 1ª subida muito técnica e difícil que nos levaria a percorrer a meia encosta por trilhos muito bonitos até chegar a uma Aldeia muito antiga mas habitada, aqui parei para conversar um pouco com um senhor que me perguntou a idade que tinha, ficou muito satisfeito por saber que era do mesmo ano de nascimento que eu, gostou da nossa passagem por ali, pouco depois estava a iniciar a subida da Drave, muito difícil no seu início, mas continuava a sentir-me muito bem, pouco depois chego ao cimo e dá para observar todo o esplendor da Serra da Freita, dali dava para observar quase todos os passos que iríamos dar nos próximos 10 kms, tão pertinho mas tão longe!
No Abastecimento dos 30 kms encontro o Albino Daniel, tinha desistido por causa de uma queda no rio Frades??? um pouco mais abaixo quando seguia nos primeiros lugares da prova, avisa-me que este rio está pior que o Paivô e sigo rio abaixo, eram mais 2 kms muito difíceis. O caudal deste rio não era muito mas o suficiente para termos o máximo cuidado, a chuva era agora muita e as rochas e lages que tínhamos de pisar estavam muito perigosas, no espaço de 5 minutos fui ao chão 3 vezes, uma das quais rebentou-me um lábio ao cair de chapão e de barriga, os sapatos são de pouca aderência e é uma atleta que andava por perto a dar-me uma ajuda para sair dali, ora seguindo à minha frente baixando-se para diminuir o centro de gravidade ou levando-me os bastões onde precisava de utilizar as duas mãos.
As dores nos joelhos começam a dar sinal de alguma fadiga, os constantes saltos e sobe e desce junto ao rio vão deixando sinais preocupantes, é pois com um certo alívio que pouco antes de chegarmos ao Trilho dos Incas cortamos à direita serra acima por um trilho pouco técnico e que serviu para recuperar um pouco as forças e descansar os joelhos. Gosto daquela volta porque no alto deste trilho está uma fonte de água natural que elementos da organização tiveram a feliz ideia de ali colocar um tubo criando um caudal de água muito agradável para beber e refrescarmos, descemos de novo ao rio e vemos ao mesmo tempo ali em frente os atletas mais adiantados a subir já a interminável subida da Garra, mas para eu lá chegar tenho ainda uma longa e perigosa descida até ao rio, principalmente os últimos 200 metros cuja descida e o seu declive nos metem um respeito enorme, foi ali que dei mais uma queda sem consequências, a sorte continuava a acompanhar-me, já tinha visto dois amigos ficarem pelo caminho motivado por quedas e se calhar muitos mais que desconheço, mais tarde vim a saber de muitas mais desistências se verificaram devido a quedas mais aparatosas, que não foi o meu caso, muitas sim mas fui-me sempre safando.
Desta vez O Trilho dos Íncas foi feito com outrs disposição, o ano anterior tinha ido abaixo exactamente ali devido ao muito calor naquele dia, este ano estava mais fresco e algum vento, embora o sol tivesse aparecido mas nada comparado com a edição da prova no ano anterior. Foi cheio de vontade e com as forças a reduzir que cheguei à Póvoa das Leiras com 9,05h de prova, local de controlo de tempo e o 2º abastecimento líquido e sólido, tinha atingido um dos objectivos que era chegar antes das 10h de prova. Parei pouco tempo, como o controlo do material obrigatório era aleatório fui poupado e segui a caminho do desconhecido.
Em 2012 também parti dali com a esperança de chegar à meta, por pouco não o consegui, o nevoeiro travou-me na Aldeia da Castanheira a escassos 5 kms da chegada, dessa vez o caminho percorrido em nada se assemelha ao que agora tinha pela frente, por isso a partir dali ia totalmente ás escuras e receoso, ainda estranhei que o Alcino Serras me tivesse ali dito repetidamente que tinha 7 horas para fazer 25 kms e chegar à Castanheira, também me pareceu acessível e agradeci o apoio dispensado. Mas a tortura iria começar logo ali quando comecei a subir a "Besta", não porque aquilo é de facto difícil, mas pelas câimbras que comecei a sentir logo que comecei a levantar um pouco mais as pernas para fazer face à forte inclinação e à superação que era preciso fazer para ultrapassar aquela montanha de pedras e pedregulhos, aquele km foi um calvário,
a meio da subida a Otília dá-me um pacote de sal e outro de magnésio em pó, melhoro um pouco e vou muito de vagar a 4 patas para poupar, sempre que o lanço da perna é maior fico agarrado e procuro outros pontos de apoio mais curtos, a meio já tinha quase uma hora gasta do pouco tempo que podia desperdiçar, um pouco mais acima mais um casal de amigos se aproxima e têm a amabilidade de me darem mais uma ampola de magnésio chamando-me a atenção que no abastecimento existiam produtos que devia ingerir para evitar o aparecimentos dos problemas de câimbras, aceitei o raspanete pela razão que lhe assistia, a "besta" ainda não terminara mas 1,30h depois atingia o topo daquela subida que me pareceu espectacular debaixo de um arvoredo muito húmido e com água a correr constantemente junto dos nossos pés, não fora as câimbras nas coxas e por certo aquilo tinha sido muito divertido.
No planalto e já na descida para Manhouce falta-me a água, por ali não havia nascentes tendo eu encontrado mais água quando descemos à base da serra onde se encontrava mais um riacho de água de nascente vindo da montanha. Os 50 kms estavam mesmo ali junto a um edifício abandonado e com escritos para venda ou aluguer que me pareceu uma escola, por certo se trata de mais um acto criminoso do "nosso" governo nesta ânsia desmesurada de encerrar escolas para poupar mais alguns cobres e colocar mais funcionários no desemprego. Encontrava-me bem aproveitei o abastecimento e cuidei melhor das minhas necessidades, nomeadamente o sal e açúcar e segui de novo à procura dos 10 kms seguintes que eram uma incógnita. Tinha sido informado que não passaríamos pelo rio mas passado pouco tempo somos encaminhados para ele sem apelo nem agravo, resigno-me e sigo conforme determinado, longa descida  e breve passagem pelas margem sem irmos à água, conforme se desce também se sobe, e de novo a brutal subida que é feita a passo muito lento,
os joelhos já doem de forma permanente e é com bastante sacrifício que vou progredindo, até que chegado a um ponto já bastante elevado e quando pensava que já íamos a caminho da Lomba viramos à esquerda e pouco depois nova descida ao rio por caminhos muito sinuosos e técnicos, desço agarrado ás árvores para auxiliar e poupar um pouco mais os joelhos, levava os bastões mas só me estorvavam pois precisava das duas mãos, ia ainda acompanhado de um amigo que por ali ficou perto de mim mas também sentia sérias dificuldades, mais abaixo cruzo-me com um atleta que vem subindo muito queixoso, tinha caído e vinha acompanhado de um elemento da organização até chegar à próxima Aldeia, a 2kms, pois de outra forma não conseguiria sair dali, mais abaixo as dificuldades aumentaram para mim com o aparecimento de cordas face ao perigo que representava descer naquele local, para agravar ainda mais aquilo o chão estava muito escorregadio e as cordas untadas com lama, era uma dança constante em cerca de algumas centenas de metros por ali abaixo.
No fundo da descida lá estava de novo o rio, aqui esperavam-nos 2 elementos em cima de duas rochas para nos ajudar a passar de uns pedregulhos para os outros, se estivéssemos sozinhos não sei se conseguiríamos passar por ali. Cheguei ali já destroçado, sem forças e muito dorido, devia já ter deixado para trás cerca de 55 kms, comecei então a fazer contas e cheguei à conclusão que não conseguiria chegar à Lomba com 15 horas de prova, dali até lá era uma serra com uma subida brutal onde os socalcos eram permanentes e difíceis de subir, o meu companheiro de prova abalou logo a seguir ao rio e palmilhei aquilo por ali acima com a esperança de a qualquer momento avistar a Lomba, quando isso acontece já tinha tomado a decisão de desistir, agora só queria ali chegar mas começo a ver que as fitas me levam de novo para baixo por caminhos muito tortuosos até chegar a outro ribeiro, aqui paro e sento-me um pouco na rocha e refresco-me, já pouco importa o tempo que falta, só quero é chegar à Lomba, mas para lá chegar mais um longa subida tive de enfrentar, agora mais suave é certo mas a inclinação continua brutal, por meio de escadarias e muitas hortas consigo finalmente chegar ao alcatrão e pouco depois ao abastecimento.
Estava esgotado e cheio de frio, 16,15h para chegar ali, tinha ainda 3,30h para fazer 10 kms até à meta, mas para isso tinha de gastar apenas 45 minutos para chegar à Castanheira (5kms) com 3 kms de subida brutal até chegar ao planalto, tarefa impossível daí a desistência logo ali porque avançar até à Castanheira seria um esforço inglório que não serviria para nada, a eleminação ás 17h era mais que certa. Na Lomba tive logo apoio do pessoal que lá estava, uma manta de pano e a minha manta de sobrevivência foram suficientes contra o frio, comi pouco porque já lá estava uma carrinho para nos levar para o local de chegada, comigo foram mais 9 e por certo que outros que vinham mais atrás também me seguiram as pisadas. Queria muito acabar aquela prova mas na parte final fui caindo na realidade e conformei-me aos pouco conforme ia enfrentando as dificuldades, A Freita é aquilo tudo mas é também aquilo que o homem quer que ela seja, para o bem e para o mal.
Obrigado ao Daniel e ao Rui pela companhia e apoio que me deram, à Susana , minha filhota por de vez em quando me despertar em plena serra, ao míster Fernando por o sentir bem perto através do toques que ia ouvinho alertando-me para a existência de mais um empurranzinho a caminho da meta, aos organizadores e apoiantes pela simpatia demonstrada. A apreciação global da prova no que diz respeito ao trajecto não o faço, fica para mim, agradecendo a todos os que me felicitaram e apoiaram pelo esforço despendido.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Trilhos Loucos de Reixida, 22 de Junho de 2014

Os Trilhos Loucos de Reixida levaram-me de novo a uma prova que corresponde àquilo que gosto de percorrer, muita serra, com dificuldades moderadas e onde se pode correr alguma coisa, dentro das minhas capacidades, claro, porque para os outros as dificuldades sentidas por mim aquilo não é nada. Voltar a subir aquele pico enorme e bem acentuado e no final pisar as águas daqueles ribeiros quando toda a estrutura dos músculos bem precisam de se refrescar compensam bem do esforço que é feito para terminar uma prova que bem cedo aprendi a gostar, esta 4ª edição com a minha presença bem augura uma 5ª vez para o próximo ano, Obrigado à organização pela excelente apoio no terreno e a todos os colaboradores que a ela estiveram ligados.