segunda-feira, 8 de novembro de 2010

7ª Maratona do Porto, (A minha 8ª Maratona)


Completei no Porto a 8ª Maratona em estrada no passado dia 7 de Novembro de 2010, a 4ª no último ano, depois de um interregno de 16 anos. Devo confessar que me emocionei quando ao virar aquela curva à esquerda vi a poucos metros aquela passadeira vermelha que me esperava para os momentos finais de mais uma odisseia que estava prestes a concluir, mas consegui controlar-me a tempo e rejubilar pelo facto de ali ter chegado sem mazelas e em boas condições físicas para além das naturais consequências normais que advêm do elevado esforço a que sujeitamos todo o nosso organismo em toda a sua amplitude.
Não foi uma prova fácil, nunca é quando se trata de uma Maratona, e ela diverge de indivíduo para indivíduo mesmo que o trajecto de ano para ano seja o mesmo, basta que qualquer um discore um pouco a necessária preparação, ou o mais aproximado possível, para que as coisas descambem para a dificuldade precoce e o inevitável sofrimento crescente conforme o número de kms forem aumentando a caminho do seu final.
Penso que foi neste quadro que me situei e vivi durante toda a prova, tinha como ambição (embora relativa) de me aproximar da marca do ano passado a rondar as 4 horas, e tinha a convicção que poderia consegui-la, apesar de à 15 dias andar envolvido no combate a uma pequena dor logo acima dos gémeos da perna esquerda, tendo por causa disso evitado excessos que numa situação normal nunca aconteceria.
Quem pode ficar incensível ver alguém "impedido" de fazer aquilo que gosta?
Um grande abraço de solidariedade, António
Quando parti tive o cuidado de avançar com prudência pois o aquecimento tinha sido muito deficiente e estava algum frio, ainda por cima a poucos metros situava-se a subida mais complicada de toda a corrida, não porque fosse difícil mas porque era a 1ª e tinha uma forte inclinação. Mas depressa esqueci essas cautelas, na Av. da Boavista ultrapassei pelo ritmo que levava rapaziada amiga aproveitando aquela longa descida, mas sabia que mais à frente iria dar-se a inversão destas posições, a Otília chega-se a mim e consigo ir ali um pouco a par dela, mas foi sol de pouca dura, em menos de nada desapareceu da minha vista (ela progrediu muito nos últimos tempos) e eu já não consigo acompanhá-la. Aos 10 kms tinha 53m de tempo de prova, demasiado rápido, mas aceitável pelo facto de ter beneficiado das descidas que o percurso tinha até ali, e foi ali que comecei a sentir o aparecimento de pequenas dores nos calcanhares, atribuí isso ás descidas onde os calcanhares estão sujeitos a um esforço maior, e não me enganei pois um pouco mais à frente deixei de sentir qualquer dor.
Quando entrei na Ponte D. Luís, cerca dos 17 kms, já o Luís Mota estava a cruzar comigo vindo da Afurada, já me levava 8kms de avanço. Aqui ainda eu me sentia bem e ia dentro dos objectivos secretamente ambicionados, mas aquela volta de ir à Afurada e voltar é tramada, torna-se monótona e não fora o incentivo que vamos recebendo e devolvendo aos amigos que por nós se vão cruzando e aquilo custaria certamente muito pior. Após a passagem da Ponte da Arrábida encontro o António Almeida ali no passeio a apoiar-nos juntamente com a sua família, não estranhei ali a sua presença, pois sabia da existência de um arreliador problema que o impediu de participar na Maratona, ainda assim fiquei muito feliz por os encontrar ali. Um pouco mais à frente era o retorno e onde estava situado o controlo da passagem da Meia Maratona, 1,58h. já vinha em quebra (2 m) a mais do que o ano passado e tinha perdido alguns minutos que trazia de caução desde a 1ªdezena de kms. Aos 25kms percebi que chegar ao final ia ser um autêntico tormento, aproveitei o abastecimento de água e fruta para andar um pouco e fazer aquela pequena subida da Ponte D.Luís tendo logo de imediato retomado a corrida, do lado de lá vinha já o Vitor Veloso, o Filipe Fidalgo e um pouco mais atrás o Fernando Andrade, de entre outros, que grande corrida eles vinham a fazer, nomeadamente o Vitor e o Filipe que estavam a fazer a sua estreia na Maratona. Sorri para eles e deixei os incentivos necessários nestas ocasiões e segui já a caminho da Ponte do Freixo (retorno) penosamente sem dar a perceber das dificuldades que já sentia. Antes do Freixo vejo passar a Dina em boa companhia no seu passinho sempre certo e bem disciplinado e eu apenas me limitei a segui-la com o olhar e com pena de não a acompanhar. No retorno, cerca dos 18 kms vejo aproximar-se já o grupo que tinha ultrapassado lá mais atrás (de entre eles estava o Parro) e não tardou que em pouco tempo se colassem e se fossem embora, eu seguia conforme podia e resistia a todo o momento da vontade de começar a andar, desciplinei a minha corrida, correr entre abastecimentos e andar enquanto idratava e comia alguma coisa, a partir dos 35 kms as coisas complicaram-se, os rins e as cólicas nos intestinos queriam pregar-me a partida, resisti e aos 37,5kms tomei o último Gel que levava, as coisas melhoraram um pouco andando ali um pouco aproveitando uma pequena subida e estrada de paralelos que ali existia. A partir dali eu sabia que ia chegar, correndo devagar era aquilo que eu era capaz de fazer, fazia muito vento naquela zona mas como o meu ritmo também era lento o fresco da forte aragem até me ajudava a levar o enorme peso que já sentia em todo o corpo e que as pobres pernas tinham já à muito tempo dificuldade em suportar. Quando cheguei aos 40kms em Matosinhos aproveitei o último abastecimento para recuperar um pouco e parti com a convicção que só pararia depois de atravessar a meta da Maratona, nem a subida da Av. da Boavista me amedrontou, penoso foi quando avistei os painéis de chegada e puxar pelas últimas reservas que tinha para conseguir lá chegar, apesar de poucos os aplausos são um grande apoio e foi assim que cortei a meta, num misto de grande satisfação e emoção por ainda ser capaz de fazer e completar uma Maratona.
Marca final: (no meu Garmin) 4,22,59h. para os 42,710kms??? (4,23,35 oficial)
Há 20 anos fiz a 1ª e a emoção continua a dominar tal como nessa altura, assim espero continuar.
Aos amigos que comigo confraternizaram neste fim de Semana no Porto, muito obrigado.
Uma palavra final de parabéns para a runporto na pessoa do seu responsável máximo Jorge Teixeira, que mesmo sofrendo de descriminação em relação a outros vai desenvolvendo e progredindo a corrida em Portugal com grande sucesso, tendo como exemplo esta extraordinária prova da Maratona, edição de 2010, que a todos nos deixa encantados.
Classificações

20 comentários:

Carlos Lopes disse...

Os meus parabéns nosso pára. Deve ser uma experiência muito agradável, fazer uma maratona.. para o ano inicio essa etapa

luis mota disse...

Olá Joaquim!
Excelente crónica de mais um boa participação.
Aproveito para o felicitar bem como a todos os amigos que estiveram no Porto.
Domingo lá nos encontraremos na Nazaré.
Uma boa semana para si,
Luís Mota

MPaiva disse...

Joaquim,

Muitos, muitos parabéns pela invejável forma que nos mostra, provando que há homens que são como o vinho do Porto: com o andar do tempo vão refinando as suas qualidades!
Gostava de dizer que foi uma grande satisfação termos podido conviver um pouco no sábado, momentos em que, mais uma vez, constatei o seu lado amigo e de profunda humanidade.


abraço
MPaiva

Luis Parro disse...

Amigo Adelino,
Parabéns pela 8ª Maratona de Estrada concluida com um sorriso nos lábios.
A 9ª está aí à espreita.
Gostei de ler o relato histórico da mesma.
Bons treinos
Luis Parro

Fabi disse...

8°maratona??? Parabéns um dia eu chego lá =)

Bons Kms
Fabi =)

Leonel Neves disse...

Muitos parabéns pela prova e pela excelente narração da mesma, verdadeira odisseia.
Um abraço

José Xavier disse...

Grande Joaquim Adelino;

Esta crónica, é demonstração de muita felicidade, emoção, e os cuidados de terminar uma prova desta natureza.

Que continue assim com essa coragem e que venham muitas mais maratonas!!

Um abraço amigo
dos Xavier's

Vitor Veloso disse...

Pára que não Pára,
Parabéns Joaquim concluiu mais uma maratona.
Obrigado pela referência no seu espaço, pelo incentivo demonstrado e pelas conselhos.
Vemo-nos na Nazaré.
Grande abraço e bjs
Vitor e meninas

Filipe Fidalgo disse...

Amigo, Adelino.
Parabéns pelo terminus de mais uma maratona, tenha sido sofrida ou não a marca está alcançada.
Obrigado pela referência á minha corrida mas também pela boa disposição, incentivo, dedicação, amizade e desportivismo com que nos brinda com a sua presença.

Um grande abraço,
Filipe Fidalgo

BritoRunner disse...

Esta já está Adelino, agora é recuperar e traçar novos objectivos.

Como alguém diz a mente manda e o corpo obdece.

Grande Adelino, obrigado por todo o apoio nos últimos tempos.

Beijos à Susana

Ricardo Baptista disse...

Grande Joaquim,
Parabéns por esta maratona.
Espero encontrá-lo numa próxima para mais conversa.
Um abraço.

Jorge Branco disse...

Apenas duas palavras!
PARABÉNS CAMPEÃO!

Anónimo disse...

Companheiro
apenas uma palavra: parabéns.
Com admiração,
seu amigo corredor.

José Alberto disse...

Olá Joaquim,

Parabéns por mais uma maratona concluída.

Continuação de bons treinos e provas com a mesma alegria e determinação.

Abraço

José Alberto

José Alberto disse...

Olá Joaquim,

Parabéns por mais uma maratona concluída.

Continuação de bons treinos e provas com a mesma alegria e determinação.

Abraço

José Alberto

Flechinhas disse...

Parabéns Joaquim!
Fiz questão de lá estar para dar apoio a toda a gente e que tão preciso é nestas batalhas. Por ter feito no fim-de-semana a Maratona de Atenas, não pude participar nesta prova que tanto estimo, já que estive na sua 1.ª edição. Contudo muitos parabéns pela sua grande perseverança!
Tomei a liberdade de o adicionar à nossa lista de preferências.
Cumprimentos desportivos
Duarte Silva/Os Flechinhas

Mário Lima disse...

Joaquim

Mais uma Maratona (esta bem sofrida) mas levada a bom porto.

Estás com muitos km's nas pernas e é natural ressentires-te. Mas uma semana de descanso e uma caldeirada na Nazaré vão-te pôr como novo.

:)

Este ano não te fiz companhia e não será em Lisboa que tb me terás a teu lado, está decidido voltar à Maratona, daqui a um ano contigo e com os amigos na Cidade Invícta. Vou "vingar" o António pois a um homem como ele, não se pode privar daquilo que ele tanto gosta... Correr. Eu sou um homem do norte e não perdoo o que fazem aos meus amigos.

Abraços

Fábio Pio Dias disse...

Parabéns amigo Joaquim!

Mais uma Maratona para acrescentar ao brilhante e vasto currículo, é para afirmar, que O Para não pará NUNCA!

Um bom descanso e boa recuperação!

Otília disse...

Parabéns Adelino, esta já está!
Obrigada pelos seus elogios mas eu não noto grandes melhoras, mas gostei na mesma. Como sempre foi um prazer acompanhá-lo durante algum tempo devia ter seguido consigo mais tempo, teria sido melhor para mim no final, mas é mais uma experiência!
Boa recuperação e em Sevilha lá estaremos para mais uma.

Ana Paula Pinto disse...

Ainda não tinha deixado aqui uma "marca", mas já tinha "visto" tudo ou quase sobre a prova:-))

Um grande beijinho de parabéns a este Senhor Pára Imparável!