segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Ultra Trail da Serra D`Arga 2014


A Serra D´Arga é uma espécie de santuário do Trail nacional, profundamente conhecedores desta realidade a organização que levou à prática a realização da 4ª edição obteve um enorme sucesso em todos os seus capítulos, divulgação e apoios, participação elevada de atletas e o seu acompanhamento ao longo de toda a prova. É a 4ª vez que lá fui e continuo encantado com aquelas serras e vales, principalmente o rio com as suas cascatas e o deslizar da água cristalina ali a nossos pés que vem nem sei de onde mas que me faz brilhar a vista sempre que estava por perto. O aperto dos controlos de passagem aos 33 kms e na chegada em termos horários retirou-me parte daquilo que mais gosto do trail: divertir-me na água , molhar-me, beber, refrescar-me e até tomar banho,
aquilo era demasiado desafiador mas a tudo tive de resistir em favor da minha passagem limpa e sem penalizações por esta prova. Isto porque o desafio para mim era enorme, 2.500 metros de altimetria+, percurso pedregoso e muito acentuado onde o impacto de tanto saltitar pela zona rochosa deixava marcas em toda a zona muscular, incluindo os pés, tudo isto num percurso de 52 kms onde eu tinha ainda por cima de vencer duas barreiras de respeito (para mim ,claro) 6,30h aos 33kms e 11h. na meta. Confesso que durante toda a prova sempre duvidei que conseguiria classificar-me, havia de vencer o 1º obstáculo e só depois pensar na 2ª metade da prova, para lá chegar tinha 4 picos montanhosos (e manhosos)  para vencer cuja média entre eles rondam os 750
metros, o último dos quais levou-nos 792 metros e foi também o mais doloroso (não o mais difícil tecnicamente) pela sua extensão, 3 kms. No alto desta bonita e difícil subida atingimos os 28 kms de prova e eu tinha gasto já 5,15h restava-me apenas 1,15h para percorrer mais 5 kms até ao posto de controlo de eliminação, nesta altura ia acompanhado pela Cristina Guerreiro que na planície do alto desta montanha me incentivou a correr até para activar toda a zona das articulações dos pés devido à subida, tentei segui-la mas durou pouco mas consegui ir correndo e andando naquele espectacular prado onde os animais se alimentam e vivem livremente, o meu objectivo era chegar o mais rápido possível ao controlo, conhecia agora o local por onde estávamos a passar, a

enorme descida (4 kms) até à Povoação era muito acessível e fui sempre a correr conseguindo assim chegar com 6,05h, amealhara aqui cerca de 25m para a 2ª metade da prova.

O abastecimento, tal como os anteriores era abundante, como de costume tinha dificuldade em comer, por isso aproveite e comi/bebi aqui uma sopa através de um copo de plástico aconchegando assim o estômago com alguma coisa e parti sem perder mais tempo pois vinha aí Uma das partes mais bonitas do percurso que era o rio e as suas cascatas e a acompanhá-lo uma das partes mais técnicas e difíceis de todo o percurso, fez bem a organização ter retirado algumas passagens por dentro do rio pela sua perigosidade, muitas quedas na edição de 2012, e
optar pelas margens sempre muito perto do percurso da água, ainda assim deu para molhar os pés algumas vezes por vontade própria ou por imposição da organização, foi aqui que descemos ao desnível mais baixo (106m) seguindo-se uma subida de cerca de 6kms (incluindo o rio) mais acessível que nos levaria ao abastecimento dos 44 kms. Aqui chegado com 8,40h de prova tinha agora 2,20h (até ao limite de tempo das 11h) para fazer os restantes 8kms que faltavam até à meta, estava portanto optimista mas preocupado ao mesmo tempo por uma razão muito simples, à minha direita estava a última montanha,730m, a base onde estava era aos 320m e 4 kms a vencer sempre a subir, as forças que restavam eram já poucas mas a vontade de chegar era mais forte, fui gerindo o ritmo e chego ao alto com 10h de prova, estou agora a escassos 3kms da meta e tenho uma hora
para lá chegar, a descida que se segue até à meta é muito difícil e técnica, os pés estão já muito massacrados, uma bolha incomoda-me na planta do pé, os joelhos estão feitos em fanicos, assim procuro descer em passo de corrida onde posso sem colocar em risco alguma possível queda que estragaria tudo, chego ao fundo da serra safo de quedas ou outra maleita qualquer e entro no estradão que dá acesso a DEM, (Povoação que acolheu a partida e chegada da prova), sempre a descer corro quanto posso, entro no alcatrão e 600 metros depois avisto a meta, a passadeira vermelha estendia-se ao meu encontro, piso-a e a 50 metros corto finalmente a linha de chegada, o relógio

marcava 10,46h, (cerca de 15m por kms nos 3 kms finais e sempre a descer!!!) ali estava ainda para me receber, tal como aconteceu com todos) o Carlos Sá, mentor e organizador desta magnífica prova de trail. Escusado seria dizer que fiquei feliz e muito satisfeito por conseguir o objectivo de terminar a prova dentro dos limites horários impostos pela organização, alguns (poucos) não o conseguiram, outros acabaram por desistir não resistindo à sua dureza mas de certeza que uns e outros aprenderam muito com esta experiência e voltarão a esta montanha, um dos locais mais bonitos do nosso Portugal. 

Eu voltarei se não continuarem a espremer os tempos limite de prova, este ano deu para o próximo já não sei, mas a vontade é grande para continuar a alimentar a vista, a mente e fundamentalmente a saúde.
Obrigado ao Daniel Pinto e Rui Pacheco pela companhia nesta aventura e muitos parabéns pelas suas magníficas provas.
Vem aí o UTAX (42kms) já dia 18/10, a recuperação está a ser lenta! vamos a ver! 




quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Trail do Grande Lago do Alqueva.


Ao km 6 (Aldeia de Alqueva) venho a fechar o pequeno pelotão (57 atletas chegados) na companhia da grande campeã Analice Silva quando nos deparamos com os participantes da caminhada que tinham partido à breves momentos com destino à Aldeia do Amieiro a cerca de 15 kms, este breve encontro foi pretexto para os numerosos caminheiros aplaudirem de forma efusiva esta grande Sra. Aplausos merecidos mas que ela não quis capitalizar sozinha, um pouco mais à frente fez questão de os partilhar comigo, "ouve cá, eu quero partilhar contigo metade daqueles aplausos e apoio que as pessoas me deram, isto porque você também merece", vindo da Analice não me surpreende mas que fiquei engalinhado isso fiquei. Esta enorme satisfação pessoal viria a ser ensombrada de tristeza para mim pela desclassificação desta Senhora porque no final da prova enganou-se no percurso e fez menos 400 metros de prova, isto num percurso com 42 kms de extensão, rigor a mais? creio que sim pois seria a última atleta a chegar e concorria nos escalão mais de 60 anos sózinha, descuido da Analice? creio também que sim pois bastaria voltar atrás aqueles 400 metros após ser avisada por um agente da autoridade e retomar a prova e correr o último km de prova.
O Trail de Alqueva deste fim de semana (21/9) ficou assim assinalado para mim por sensações estranhas ainda que relacionadas com a corrida mas que nos marcam de forma surpreendente, pela satisfação como as coisas correram bem para mim e pela tristeza por ter saído de Portel sem saber de nada e posteriormente vir a tomar conhecimento do desenlace do final da prova da Analice da sua desclassificação pela Internet.
A prova de Trail do Alqueva tinha para mim o objectivo de meter kms nas pernas com vista a chegar melhor preparado à Serra D`Arga no próximo Domingo dia 28 de Setembro onde me esperam cerca de 53 kms muito duros e exigentes quanto ás metas impostas em termos horários para terminar aquilo.
Cedo fiquei para trás, à saída da Aldeia do Alqueva a Analice partiu ficando eu apenas com o Iko que nesta prova exercia a função de "vassoura", nesta posição da corrida apenas tinha um
objectivo, terminar, por isso desde aquele momento a minha preocupação era fazer a prova dentro das minhas melhores possibilidades e disso dei conhecimento ao  Iko que de imediato me pôs à vontade. outra das minhas preocupações passava por não me atrasar muito dos atletas que seguiam à minha frente, parece-me que não consegui este objectivo, mas ficava a cada momento incomodado por saber que a partir dali os postos de abastecimento apenas estavam montados em toda a sua amplitude enquanto eu lá não chegasse, sei que fiz o melhor que era capaz. 
Quero agradecer ao Iko o apoio que me deu e o espaço que me concedeu não me pressionando e à sua companhia que nos kms finais fez questão de fazer ao meu lado.
À organização e a todos os amigos que ao longo da prova, principalmente nos abastecimentos pelas palavras simpáticas que tiveram sempre comigo, em todas as mesas, procurei estar um pouco com todos, mas foi sempre breve essas paragens pois eu era o último e não podia esquecer que estava em prova e mais à frente havia muitos mais amigos à minha espera para me receber e desarmar as "tendas".
Agradeço também a companhia do meu filho Hugo Adelino que se estreou na distância da
Maratona mas na versão de Trail, com resultados aceitáveis considerando que a distância em prova nunca ter ultrapassado a meia maratona. Tem futuro se insistir mais algumas vezes em vencer mais algumas montanhas.
Não sendo o mais imortante, embora a considere como um sinal, consegui superar estes 42 kms em 6,37h,
Este valor é o suficiente, retirando-lhe apenas os 7m para poder superar a 1ª parte da Ultra da Serra 
D Àrga (33kms) no próximo Domingo, mas a dureza desta Serra vai ditar as suas leis e vai ser necessário muito empenho para a poder superar.








quarta-feira, 17 de setembro de 2014





A Meia Maratona de S. João das Lampas foi disputada este ano sob uma temperatura amena onde o sol esteve ausente para dar lugar a um aglomerado de nuvens tornando o ar quase irrespirável por influência da altíssima humidade e tempo abafado em algumas partes do percurso, principalmente os primeiros 6 kms. Os habituais chuveiros, agora inovados, e os abastecimentos de água tradicionais ajudaram a superar uma prova que em anos anteriores infernizou a vida de muitos atletas pelas elevadas temperaturas que se fizeram sentir. Foi neste clima mais favorável que mais uma vez participei nesta prova, será por certo das que mais vezes repeti e daquelas em que os organizadores a mantêm fiel em termos de traçado desde o seu início (exceptuando as primeiras edições,poucas diga-se. onde a distância era de apenas 20 kms e mais alguns metros), tornando assim possível um melhor conhecimento da prova e das suas dificuldades que de forma muito positiva se vai passando de boca em boca tornando-a pela sua persistência uma das mais antigas do calendário nacional e uma das raras que se vê crescer de ano para ano de forma organizada e também sustentada.
A edição deste ano contou com quase 7 centenas de participantes, só na Meia Maratona, ainda me lembro de lá ir algumas vezes onde o nº de atletas rondavam as 2/3 centenas, muito se alterou desde então, esta prova a par da Corrida do Avante são as que abrem a época para a maioria dos
atletas de estrada, a acrescentar a estes vêm também um vasto nº de atletas que desenvolvem a sua actividade de corrida mais virados para as corridas de montanha ou simplesmente por trilhos que por norma não têm início nem fim de época, ora esta prova tem em muito beneficiado desta nova realidade arrastando por si só e também muitos outros fiéis adeptos desta prova, a simpatia, a excelência da organização e o envolvimento da população em todo o percurso fazem o resto, é por isso que a prova cresce actualmente de forma extraordinária, as dificuldades das rampas existentes que faziam da prova uma barreira para muitos estão finalmente ultrapassadas, o que assistimos hoje é
a curiosidade de ainda existirem atletas que vão lá a 1ª vez para conhecer as dificuldades do que se diz e acabam por gostar e depois voltar. É assim S. João das Lampas que aprendi a gostar ainda na década de 80, uma prova sempre muito bem organizada e orientada por gente conhecedora, altamente responsável e cativante não deixando ninguém indiferente e sempre com vontade de lá voltar, eu serei sempre um deles.

Estou a preparar (com muitas deficiências de preparação) o Alqueva, Serra D`Arga, a Maratona do Porto e agora também AXTRAIL de 19/10 na distância da Maratona, por isso esta prova das Lampas era para reforçar o endurance que tem andado pelas horas da amargura, desde Óbidos que os treinos são muito fracos, não admirando pois que em algumas partes do percurso tivessem que ser efectuados a andar, nomeadamente nas subidas mais a pique e a partir dos 9 kms, nada que já não estivesse à
espera, o que importava mesmo era chegar e tirar o melhor aproveitamento físico possível com vista ao futuro próximo dos meus objectivos pessoais.
21,369 kms de distância percorrida, (o que está a mais se calhar deveu-se ás voltinhas debaixo dos chuveiros) e com a marca de 2,19,39h, a possível e não a que queria.
Parabéns a todos os que lá estiveram e também àqueles que conseguiram cumprir os seus objectivos, e á organização que mais uma vez montou e organizou impecavelmente mais uma edição prestigiando ainda mais a elevada consideração tida por esta já "velhinha" prova.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Corrida da Festa do Avante 2014

A corrida da Festa do Avante foi a todos os títulos mais uma organização perfeita, este ano sem a oferta da tradicional t,shirt mas com a facilidade de entrada no recinto da Festa de forma gratuita através do Diploma de participante atribuído a cada um no final da prova.
A partida da prova foi a exemplo do ano passado junto à Baía com um percurso muito bonito de ida e volta num total de 10,5 kms. Para mim tratava-se da 3ª prova de estrada deste ano cumprindo assim o plano traçado até a esta data no que se refere a provas a realizar no alcatrão, faltam ainda 3 até final do ano: S. João das Lampas, Maratona do Porto e uma S. Silvestre.
Como de costume fiz a prova muito lenta, os treinos desde a nocturna de Óbidos são poucos e de má qualidade, por isso a prudência imposta, até final do mês em 3 provas vou ter de percorrer mais 105 kms e por isso os treinos serão muito reduzidos de forma a tornar possível concluir o que para já está programado recuperando e treinando regularmente.
O calor apertou um pouco connosco na 2ª metade da prova, disso se fizeram sentir alguns atletas, principalmente os que corriam na frente, já que a maioria iniciava ali a sua época desporitva e não estavam muito virados para a competição, como ia acompanhado por um grupo simpático de amigos forcei um pouco na parte final para os acompanhar mas a 1 km da meta desliguei e fui num passo mais lento até ao final da prova onde já se via muita gente a regressar atrapalhando quem ainda se dirigia para a meta, creio que ali ainda há alguns melhoramentos a fazer pois a confusão instala-se junto ao portão de entrada dos atletas onde aqueles que já entraram procuram por sua vez sair e a passagem é só uma e muito estreita!
Nestes 10,5 kms de prova registei ainda assim 1,03h, demasiado rápido tendo em conta os meus planos iniciais.
Parabéns à Organização da Festa por manter uma prova desta dimensão de há muitos anos a esta parte e sempre com elevado nível, manchada apenas pelo elevado nº de atletas que se inscrevem faltando depois à partida uma elevada percentagem deles, daí resultar algumas alterações na edição deste ano, mantendo-se a inscrição gratuita, mas retirando a atribuição de t,shirts aos atletas.
Até amanha S. João das Lampas.












  

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Ultra Trail Noturna da Lagoa de Óbidos

Na condição de totalista esta era uma prova que não podia perder, depois de partir teria que chegar, nem sempre as coisas correm da maneira conforme desejamos mas esta tinha tudo para que tudo corresse bem, melhorias no percurso que habitualmente utilizamos a torná-lo menos monótono, e sempre com novidades para além da luz que o nosso frontal pode alcançar, pouco se inventou, e mesmo aí foi importante as alterações efectuadas pelo seu grau de dificuldades obrigando-nos a redobradas cautelas numa altura em que o cansaço e alguma falta de discernimento já tomava conta de nós, principalmente naqueles 2 kms finais e a "tomada" do Castelo.
Para mim tudo seria brilhante não fosse aos 20 kms ter metido o pé direito num buraco escondido debaixo de alguma vegetação, torceu e tive de parar para recuperar um pouco voltando à corrida aos poucos até "esquecer" que tinha ali um problema. Até ali tudo corria bem, a partida foi dada já com a noite a cair mas permitiu que os primeiros kms fossem ultrapassados ainda à luz do dia por caminhos nunca antes percorridos provando-se assim que são inesgotáveis as opções em provas de trilhos como é o exemplo de Óbidos, 6ª Edição e sempre por caminhos diferentes, e para o ano concerteza haverá mais novidades, ui aqueles 2 kms finais!!!
Por volta dos 10 kms já estava a ser ultrapassado pelos atletas dos 26 kms, a sua volta até me alcançarem tinha quase 5 kms a menos, foi o que me ganharam em apenas uma hora, o problema é que me alcançaram numa zona onde apenas havia um trilho muito estreito e na base de uma parede incrível, tinha de estar constantemente a olhar para trás e a sair do trilho para os deixar passar, e se a luta deles ia apertadinha! Até chegar à separação das provas, 16 kms, foi vê-los passar, aos 12,5 kms sou alcançado pelo meu genro Daniel que ia tentar as 3h. de prova e seguia a bom ritmo, foi ali que soube que o caminho deles tinha sido diferente até chegar ali. 
De repente fiquei sozinho, a separação das provas levou aqueles que iam por perto para o trail curto e eu segui o rumo do trail longo, pouco depois vejo aproximar-se a luz de mais frontais, ainda há atletas que correm à minha rectaguarda, pouco depois dá-se o primeiro incidente com o meu pé direito, dali até ao abastecimento dos 23 kms tive de reduzir ainda mais o meu ritmo (que por natureza já é lento) para chegar e ver como poderia prosseguir sem problemas de maior. Este abastecimento já foi a "sério", (os anteriores apenas tinham líquidos, água, isotónico e coca-cola), havia de tudo mas atirei-me à melancia e melão sem esquecer o tomate cru com sal, (lembrei-me da Freita e da Besta, na Póvoa das Leiras ignorei o tomate e o sal, para castigo levei mais de 1,30h para subir aquilo e se não fossem os amigos com a cedência de "aditivos" dificilmente sairia de lá).
Quando parti dos 23 kms levava já pilhas novas mas o tornozelo doía bastante por ter arrefecido obrigando-me a andar um pouco no início pelas dunas que teríamos agora pela frente durante 9 kms. Aqui corri sempre acompanhado com outros atletas, e é conveniente que assim seja, embora os ritmos sejam diferentes e o esforço a desenvolver ser maior é preferível a ficar sozinho, as marcações do percurso são baixas e muitos olhos vêm mais que apenas 2.
A meio das dunas encontrámos um novo bairro, saímos até à estrada para mais uns metros à frente entrarmos de novo nas areias das dunas, mas antes existe um pequeno passeio que pisei e logo procuro o rumo a seguir sem parar e ZÁS um buraco na calçada e nova torção no mesmo pé, ia acompanhado e contive-me de dizer os palavrões que me apetecia largar, as dores agora eram demasiadas e receei não poder continuar, experimentei correr e era suportável, a areia era muito mole e solta e assim o impacto não era tão violento, seguimos e fomos ao longo do percurso até ao abastecimento dos 34 kms percorrendo as enseadas e dunas de rara beleza (mesmo de noite) lamentando eu o facto de não o poder fazer nas melhores condições físicas.
Novo abastecimento e de novo a mesa recheada, tudo do melhor que obviamente aproveitei, muitos amigos ainda por ali estavam, do abastecimento e de atletas, areia fora dos sapatos, um pouco de conversa e sigo, faltavam ainda 18 kms e o pé parecia ficar melhor. No km 38 sou obrigado a parar de correr, até ali corria 800 metros e andava 200, a articulação tinha cedido e as dores já eram insuportáveis, caminho andando até passar o pantanal, 40 kms,(este ano melhorado atravessando o caniçal), aí paro e tomo um Brufene que levava na esperança de pouco depois poder correr de novo, já seguia muito só, atrás e à frente já não via ninguém, apenas os distantes frontais, tinha recebido um telefonema do meu genro e informei-o do que se estava a passar mas que iria chegar. Até ao abastecimento dos 43 kms sempre a andar e mais 2 atletas chegam ao pé de mim e seguem, sigo no meu ritmo a aguardar que os efeitos do Brufene actuem. Neste abastecimento já se notava a passagem dos atletas da prova dos 26 kms, rabisquei pequenos pedaços de melancia que lá havia, e do resto apenas restava para aqueles que ainda ali não tinham passado, apesar disso a boa disposição reinava, o que era bom para o que restava da prova. No estado em que eu tinha o pé ainda perguntei se não havia um plano B para a descida que estava ali a 100 metros, respondem-me que estava lá uma corda para ajudar, resignado lá fui com o cuidado redobrado que se impunha.
Pouco depois iniciei uma pequena corrida e verifico que o tornozelo volta a tolerar o que dele peço conseguindo assim ir alternando de novo a corrida com o andar, até que nova torção no mesmo pé ocorre aos 50 kms, aqui deixo de sentir o pé (a não ser a dor) mas consigo ainda andar e não paro, por coincidência é aqui que a prova apresenta um grau de dificuldade maior, não fora as dores e aquilo tinha sido muito agradável de fazer, oxalá a organização mantenha aquele amontoado de buracos e buraquinhos, as curvas e contra curvas, o matagal e as cordas que dão muito jeito para subir as partes mais difíceis, e quando pensava que ainda ia passar pelo alto daquela imensa escadaria eis-me na base da mesma e com o Castelo a dois passos. O resto é o que toda a gente sabe, a conquista de um Castelo tem sempre um grau de dificuldade elevado e desta vez nova abordagem, bonita diga-se de passagem, mas tormentosa para mim dado que a progressão na sua ascensão era desfavorável para a lesão que levava no pé direito. 
9,19h. depois estava a chegar (em 2013 fizera 9,25h.) com um total de 51,900 kms. percorridos, ainda a tempo de saudar na alvorada de novo dia aqueles resistentes que nos aguardavam cujo sentimento de respeito para com todos ali ficou bem destacado, obrigado.
Parabéns à Organização e a todos os colaboradores pela excelente prova e apoios que nos ofereceram, quero estar lá para o ano.

Agora segue-se uma "pequena" recuperação da lesão e depois Setembro tem muitas histórias para contar.
Boas férias a todos.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

1º Trilho dos Moínhos Saloios

Como se vê foi pouco utilizada
Desta vez aceitei o convite que a organização me fez para seguir na cauda do pelotão e ter a missão de trazer todos os atletas até à linha de chegada. Para o efeito tive a ajuda preciosa do Juca Jacob, colega de equipa, que desde cedo se prontificou acompanhar-me nesta missão, o que muito lhe agradeço. 
As parecenças aproximam-se
Pode parecer insignificante mas esta tarefa é muito importante não só para a organização que assim tem mais facilmente todo o controlo de quem está em prova mas também para os próprios atletas que se sentem apoiados de perto e mais seguros quando as dificuldades começam a apertar.
A juntar a esta função juntámos outra, apanhar as fitas que serviram de guia aos atletas de forma



A prova teve a distância de 20 kms, tendo fechado com a entrada dos "vassouras" com o tempo de 3,35h.
Últimos a chegar
a que rapidamente o percurso ficasse limpo e sem vestígios visíveis de por ali ter passado centenas de atletas em competição preservando-se assim a defesa do meio ambiente, apanágio e ponto de honra para todas as organizações de provas de trail acompanhados de um cada vez maior consciencialização de todos os participantes nestas provas de trilhos.
Até aos 10 kms nós os "vassouras" andamos sós na rectaguarda, porque isto de cortar as fitas, a maior parte delas presas em silvas, não é tarefa fácil, a cada 20 metros uma fita e isto representava sempre uma paragem na corrida,
por esse facto perdemos por momentos a cauda do pelotão que voltaríamos a encontrar no alto do Moínho por volta dos 12 kms. Aqui já tínhamos
deixado de apanhar as fitas devido aos caminheiros que a partir dos 10 kms ocuparam também o percurso da prova principal.
A partir dali reocupámos o nosso lugar na cauda do pelotão fazendo sempre o acompanhamento dos últimos atletas em competição incentivando-os sempre quando as dificuldades começaram a aparecer.

Gostei desta missão e agradeço à organização terem-me dado esta oportunidade, já em algumas provas tinha tido o previlégio de ser eu ajudado pela prestimosa ajuda dos amigos que em todas as provas de trail têm esta missão,
A distinção
pela experiência positiva estarei de novo ao dispor para o ano seguinte se para isso for convidado.
Decidiu também a Organização prestar uma singela homenagem, quer a mim, quer à Analice Silva pelo modesto contributo dado na divulgação das provas de trail entre nós,
pela minha parte agradeço aqui publicamente essa iniciativa sentindo como é óbvio honrado por essa distinção.
Parabéns a toda a organização pelo excelente trabalho realizado,
nas marcações...ufff, na presença de muita gente espalhada no percurso para que nada falhasse, nos abastecimentos com muita fartura de fruta e outras iguarias muito úteis aos atletas e por último o excelente convívio na Colectividade onde foi serviço um farto e  saboroso almoço.
Até para o ano.