terça-feira, 8 de abril de 2014

Maratona de Trilhos de Almourol

Apetece-me chamar a esta preciosidade de trilhos, do Nabão, do Tejo e de Almourol, poderia ainda acrescentar também do Zêzere mas não o faço porque a visita foi curta e não deixou saudades (adiante explicarei), de resto poderei dizer que ao fim várias participações nesta prova fiquei surpreendido por ver e desfrutar de tanta coisa bonita que ainda estava por descobrir. Ainda bem que há última da hora consegui uma inscrição oferecida pelos amigos do Atletismo Clube de Portalegre para esta prova, tendo a honra de os representar. 
A partida, ao contrário das edições anteriores teve lugar a escassos 500 metros do lado norte do pontão da Barragem de Castelo de Bode, um pelotão compacto com cerca de 350 atletas a chegarem rapidamente aos primeiros obstáculos da prova onde apenas podia passar um atleta de cada vez, aos 3 kms o 1º embaraço, virar à esquerda com passagem junto ao leito do rio Zêzere local pouco técnico mas que gerou logo ali uma fila infindável que chegava quase aos 50 metros no estradão que lhe dava acesso, logo ali foram "queimados cerca de 20 minutos, como se não bastasse à saída deste troço com cerca de 500 metros nova dificuldade e nova fila para subir uma pequena enseada com a ajuda de uma corda onde só podia passar um atleta de cada vez, mais uns minutos queimados e definitivamente por força destes estrangulamentos a prova decorreu sem mais embaraços até chegarmos ás margens do Nabão onde encontrámos de novo um local de difícil transição ultrapassado com a ajuda de uma corda e onde a solidariedade entre os atletas se fez notar com a entreajuda a funcionar extraordinariamente, isto só foi possível porque naquele local a fila também se formou até aos últimos lá chegarem. 
O Nabão era apenas conhecido pela generalidade dos atletas com a passagem em ponte improvisada magistralmente (muito segura) ali junto à foz com o rio Zêzere pelos militares de engenharia sediados em Tancos, mas a organização dicidiu este ano oferecer-nos a contemplação e passagem pela sua margem norte durante alguns kms, muito técnico e difícil, mas eu gostei imenso desta inovação, como de outras que tive oportunidade de verificar, foi ali que encontrei um dos elementos da organização que estava vigilante e a ver se tudo corria bem, pouco antes tínhamos passado um obstáculo difícil com cordas, dando os incentivos a todos, principalmente aos que vinham mais atrasados como era o meu caso. Nesta altura já a organização se penalizava pela confusão gerada ao km 3 e foi ali que o reconhecimento do erro começou a gerar a necessidade de se melhorar aquele traçado em próximas edições, até porque há alternativas no local sem ser necessário mexer no resto da prova.
Em Constância, 21 kms, as dificuldades acumuladas já pesavam bastante nas pernas, os pés, os joelhos e também os rins já começavam a reagir mal àquilo que era preciso fazer, tinha sido bastante duro chegar até ali mas pelo que conhecia do percurso o pior já estava para trás. mas logo a seguir a Constância virámos para junto do leito do rio Tejo, foi mais uma surpresa para mim pois nunca tinha feito aquele trajecto à beira do rio, ( provavelmente devido ás cheias do rio em anos anteriores), eram uns trilhos espectaculares que para além de planos também nos oferecia bonitas paisagens ali junto ás margens que ligam Constância à Praia do Ribatejo passando ainda pelo Castelo de Almourol  cuja passagem é obrigatória pela beleza e esplendor deste bonito monumento nacional e que dá o nome a esta extraordinária prova de trail. A partir daqui o percurso tem novas alterações, principalmente a sua parte final, atravessava agora uma zona a sul da Base Aérea nº3 de Tancos, com sorte, pois consegui observar o lançamento de 2 paraquedistas em queda livre ali mesmo por cima de mim, o arvoredo dificultava um pouco mas mesmo assim pelo que vi levou-me a gratas recordações do passado, da Base, dos aviões que a partir dali nos levavam para o espaço e permitiam realizarmos o sonho de saltar e ganhar um símbolo que nos orgulha para o resto da vida que é a Boina Verde.
Aos 35 kms chego ao penúltimo abastecimento, dali em linha recta consigo ver o Pavilhão onde estava instalada a meta mas dizem-me que ainda faltam cerca de 9 kms para lá chegar, longe estava eu de pensar no que ia ainda encontrar, quando já tinha deixado as serras para trás e via ali ao lado o casario pensava que ia agora pela vázea abaixo até encontrarmos o acesso à ponte ali juntinho ao Pavilhão, foi assim nas edições anteriores, mas não, virar de novo à direita e subir, subir até já não haver mais montanha,
depois inicia-se o calvário de lama e mais lama, nunca na vida tinha encontrado nada igual, mais de mil atletas das 3 provas já ali tinham passado antes de mim, seguíamos o leito de rios onde não era possível desviar, os túneis sob as diversas estradas que servem para a passagem das águas dos rios eram os mesmos que serviram para nós passarmos, de cócoras ou de pé era obrigatório por lá passar, nunca me deu tanto prazer o contacto com água como ali, a lama era tanta até quase aos joelhos que aquilo era um alento enorme no meio de tanta dificuldade, mas era momentâneo, no final de cada túnel a lama voltava de tal forma que só pude libertar-me dela já perto da meta quando atravessei o rio.

Apenas chegaram 17 atletas atrás de mim, ainda ultrapassei muitos destes ao longo do percurso, alguns faziam a prova de trail com esta dimensão pela 1ª vez, daí o excesso enicial mas vi em todos uma grande determinação em concluir, cheguei a ouvir reclamações à organização em Constância que os atletas tinham sido enganados com um percurso diferente do habitual, não levei aquilo muito a sério mas o certo é que muitos foram surpreendidos com a inovação da prova, por mim achei espectacular aquilo que me ofereceram,
trilhos muito bonitos e diversificados quer na mata quer no arvoredo, autênticos túneis de florestas, trilhos cujos nomes estão bem identificados onde apenas consegui decorar um, o da àgua, já conhecia de edições anteriores mas é sempre um prazer enorme observar aquilo. 
O abastecimento fornecido e o apoio em todo o circuito foram excelentes, em todos os locais onde poderia haver algum engano por distracção lá estava alguém a ajudar-nos a seguir o caminho certo ou dos vários perigos que se aproximavam.

Na chegada à meta já muito cansado e com pouca reacção do corpo ao fim de 8,33h. soube-me bem a reacção e aplauso de quem ainda ali estava mo Pavilhão, principalmente da Organização, foram muito simpáticos. Vinha receoso com a eliminação, tinha 7h. para concluir mas cedo concluí que não era capaz, a prova teve 44kms, mas mesmo com estes 2kms a mais da maratona e o tempo de espera nos pontos negros se não existissem
o resultado não seria diferente, também aqui a Organização esteve muito bem ao classificar todos aqueles que chegaram mantendo de pé toda a estrutura montada para o efeito dentro do Pavilhão, um gesto que demonstra muito respeito por todos, pelos que chegaram na frente e pelos que chegaram no fim deixando uma imagem muito agradável a todos os que lá estiveram.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Trilhos do Pastor, S. Mamede.

Frio e muita chuva acompanhou-nos quase sempre durante toda a prova, mesmo assim os atletas da frente conseguiram boas marcas, abaixo das 2,30h para os 31 kms do percurso. O percurso bastante escorregadio, principalmente nas zonas mais pedregosas, e já depois na parte final quando a chuva já caía com mais intensidade. Ouve inovação no percurso, quanto a mim para muito melhor, centrando a organização as maiores dificuldades para o último terço da prova e já depois do único abastecimento sólido atribuído aos atletas, ao contrário de edições anteriores o acesso ao Reguengo do Fetal foi feito em terreno mais acessível e quase plano, tendo em contrapartida introduzido a enorme subida depois da passagem da lindíssima pista de cordas ao km 25. Aos 26,5 kms atingimos  as eólicas debaixo de forte chuvada e com temperaturas muito baixas levando a que muitos atletas tivessem de vestir de novo os corta-ventos, eu seguia confortável com duas camisolas, uma delas técnica, mantendo sempre o corpo bem aquecido. A partir dali as dificuldades até chegar à meta são mínimas embora a chuva castigasse bastante e cada vez com mais intensidade.
Gostei imenso de voltar a passar por locais que gosto muito, as grutas de Moeda, os moínhos, os marcos no alto das serras, Pia do Urso (por sinal muito perigoso todo o circuito por ter chovido tornando o piso em troncos muito escorregadio), toda a zona envolvente do Reguengo do Fetal, a subida íngreme até chegar à misteriosa gruta ali talhada na escarpa da montanha e aquela descida sempre excitante de cordas numa paisagem sem igual onde observávamos do lado de lá do vale em plena subida e quase a poder tocar-lhes os atletas que ligeiramente seguiam à nossa frente. 
Com uma paragem técnica e um engano no percurso que me custou cerca de 500 metros no total posso dizer que fiquei bem satisfeito com a minha participação, o engano foi da minha
responsabilidade, perto dos 12 kms numa subida algo inclinada não reparei numa curva à direita o caminho a seguir, no alto não vi as fitas e segui mais um pouco confirmando que estava errado, voltei a descer a rampa e lá vi então o caminho certo, creio que errei ali devido à excelência da marcação do percurso e de tão à vontade que vamos acabamos por nos distrair embrenhados ás vezes em pensamentos que nada têm a ver com aquilo que vamos a fazer! Antes do abastecimento de sólidos (24 kms), bem atestado diga-se) passei por dois abastecimentos de água onde não fiz qualquer paragem, levava comigo a que precisava mas atrevia-me a sugerir que antecipassem um pouco antes este abastecimento de sólidos ou em alternativa a introdução de um 2º abastecimento, se o custo da inscrição não permitir então que se ajuste melhor o seu valor de forma a que os atletas possam contar com um reforço energético durante o seu esforço. Por mim não tem problema, vou sempre atestado embora a maior parte das vezes chegue à meta com o mesmo material com que parti mas nem todos são assim, ainda ontem vi atletas a partir sem quase nada, alguns levavam nas mãos geles, barras e tabletes, água nem vê-la, o que confrangedor, depois é ver
durante o percurso o abandono dos invólucros um pouco por todo o lado. No 2º abastecimento de água os elementos da organização tinham que andar a apanhar os copos de plástico quase a 300 metros de distância, pode dizer-se que não é tão grave porque não estamos em locais onde a Natureza é mais pura, mas não é pura porque não se respeita por onde andamos nem onde vivemos, seja onde for o lixo tem sempre um local onde o depositar e não será certamente onde ainda alguns criminosamente o vão deixando.

Parabéns a todos os que organizaram e apoiaram esta competição, muito profissional como sempre, fiz quase sempre a prova em solitário mas senti-me sempre muito seguro no local onde me encontrava, tal como estavam as marcações mais tarde ou mais cedo haveria de chegar, a simpatia também foi enorme durante e depois da prova acabar. Voltarei sempre que possa. 
Tempo final: 4,50,45h. 31 kms de prova. 

segunda-feira, 24 de março de 2014

Trilho das Lampas, (Reconhecimento) 23/3/2014

A 10 de Maio estarei mais uma vez em S. João das Lampas a participar na 2ª edição dos Trilhos das Lampas. Para testar a preparação da prova o seu responsável Fernando Andrade "convocou" os amigos (como quem diz: todos os atletas) para o treino matinal que entendeu organizar e juntar a rapaziada para o ajudar numa apreciação global do que vai ser mais um êxito nesta que é a 2ª edição da prova depois do sucesso que foi a edição do ano passado. De bom grado lá fui, ainda tentei levar comigo algumas boas vontades, mas foi só isso boas vontades já que os compromissos de muitos dos meus amigos os impediam de me acompanhar. 
Quase uma centena esteve presente, alguns pela 1ª vez e outros com pouca experiência, e para estes nada melhor que um percurso como aquele para darem os 1ºs passos em provas deste tipo,
muito espaço corrível, algumas subidas sem grande dificuldade, descidas suaves e sem grandes dificuldades. A juntar a tudo isto quase que parecia que estávamos a fazer uma prova a valer, o percurso estava marcado com fitas e isso permitiu que cada um fizesse o treino ao seu jeito, também aqui aquilo parecia uma prova a sério já que desde o início o valor atlético de cada um se fizesse sentir ao abalarem para aquilo que parecia ser o melhor para eles, por mim parece-me que também fiz o mesmo, o melhor que pude, até para ver como estava a coisa depois de alguns "intermitentes) que me chatearam durante algum tempo. Fiz o treino em modo isolado, aliás como gosto, mas em determinada altura já pelos 17 kms, junto à Ponte Romana chegou-se a mim um atleta que andou sempre por perto mas que nesta altura
achou que valia a pena um pouco de conversa e podem crer que gostei imenso. Dizia o amigo que vinha atrás de mim desde quase o início porque verificou que era aquela a roda que devia seguir, estava no 2º trail que fazia e a experiência era ainda muito curta por isso decidiu ficar por ali, fiquei sensibilizado como é óbvio e para dar um pouco mais de conforto ao seu pensamento enquanto fazíamos aquela subida seguinte fui-lhe contando algumas das minhas peripécias (sem qualquer vaidade, diga-se) no trail tentando ainda mais motivá-lo para as suas aventuras seguintes nesta provas, depois seguimos até à meta sem que antes de lá chegar tivéssemos a impressão que o percurso nos tinha pregado uma partida, mas o recurso ao telemóvel com o Fernando Andrade confirmou que estávamos bem e era só seguir que a meta estava perto. 

Até nos abastecimentos, quer a meio quer no fim podemos verificar que nada ficou ao acaso, o treino serviu de teste mas a organização não deixou de nos agradecer oferecendo-nos o conforto e apoio necessário para que no mínimo nos sentíssemos recompensados e úteis para a causa para que fôramos requisitados.
Foi uma bonita jornada de convívio que juntámos  a tantas outras vinda dos lados de S. João das Lampas, eu voltarei sempre.
As fotos são de amigos que retirei e faço questão de aqui as reproduzir, obrigado a todos.

sábado, 8 de março de 2014

Ultra trail de Sicó,

Finalmente umas palavras sobre o Ultra Trail de Sicó, até hoje andei a tentar perceber o que aconteceu comigo nesta última aventura, não o fiz há mais tempo porque quis evitar justificações esfarrapadas para as dificuldades sentidas e inesperadas. Hoje poderei ter algumas respostas que a ajudem a esclarecer-me porque é que precisei de onze horas e meia para fazer aquela prova e por ter sido o último (sem vergonha de o ser) a chegar e ainda por cima com mais uma hora e doze minutos que o antepenúltimo atleta a chegar (o penúltimo chegou comigo). Aos 10 kms de prova já parecia que tinha feito os 50 kms, imagine-se agora como é que foram transpostos os 40 que se seguiram.
A falência de forças foi abrupta e o cansaço apoderou-se sempre que ensaiava um pouco de corrida, bem sei que nos últimos 10 dias antes da prova ouve ausência total de treinos, mas mesmo assim não justificava aquele estado físico que desde o início da prova se vinha agravando, um dos rins, o esquerdo, apresentava um mal estar sempre que o pé esquerdo batia no chão, a coluna também não estava bem, tudo junto era demais mas nunca me vi a ficar pelo caminho e a solicitar evacuação para a meta desistindo da prova.
Aos 12 kms na subida ao "teleférico" tive de parar várias vezes para conseguir chegar lá acima, o ritmo cardíaco aumentava e as forças vinham por aí abaixo, daí subir com a calma necessária para poder prosseguir sem pôr em causa o objectivo final que era chegar, atrás de mim já poucos atletas restavam, o vassoura e caro amigo João Martins acompanhava já a última atleta e logo a seguir ali ia eu isolado, à frente e para trás já não via ninguém por isso ia mantendo a esperança das coisas ainda virem a melhorar para mim conforme fosse decorrendo a prova. quando comecei a descer um pouco vi logo que nem era capaz de manter um passo de corrida que permitisse recuperar algum tempo perdido nas subidas bem difíceis que tinha pela frente, corria e andava mesmo a descer. As dores nas costas desapareceram mas a fadiga mantinha-se e cada vez mais acentuada, mais à frente junto-me ao Otávio Melo, um amigo que veio dos Açores com fundadas aspirações em fazer uma excelente prova dando continuidade à sua preparação para fazer o MIUT muito brevemente, quis a pouca sorte que se lesionasse uns dias antes na zona do joelho esquerdo e como tinha tudo tratado a nível de transporte e alojamento não quis perder a oportunidade de estar presente mas a lesão agravou-se logo nos primeiros kms e manteve-se por ali nas últimas posições, até final da
prova encostámos muitas vezes, ele subia bem, a andar claro, mas descia em grande sofrimento, eu subia mal e nas descidas conseguia acompanha-lo, até que abalou perto dos 20 kms e só voltei a juntar-me aos 40 kms. Até aos 30 kms segui sozinho mas já a ver a pouca distância o vassoura e o último atleta que o acompanhava, sabia que estava por pouco a sua chegada até ao pé de mim, aqui e ali tentei correr um pouco, nomeadamente antes de chegar ao abastecimento num longo caminho de terra batida antes de chegar ao abastecimento, mas era por períodos muito curtos, definitivamente desisti de correr a partir dali. Faltavam ainda 20 kms e tinha a noção que a coisa não ia ser fácil, passados mais 2 kms e eis que o vassoura chega, vinha sozinho, a sua acompanhante decidira desistir no abastecimento e ele embalou por ali abaixo até chegar ao pé de mim, aqui e ali ainda ensaiava pequenas corridas para tornar menos monótono o nosso andamento mas o próprio percurso também não ajudava muito, ora subia ora descia e por vezes o piso também não ajudava muito. A chegada do vassoura também me tranquilizou, aliás o seu trabalho foi excelente, sem pressões nem impaciência coisa que por vezes observamos muito, ali existiu sempre muito respeito e um grande apoio com o objectivo de terminarmos sem pressas mas com segurança. No abastecimento dos 40 kms encontro de novo o Otávio, ainda era dia, vi por lá um burro aparelhado e ainda perguntei se me o alugavam mas não obtive resposta de ninguém,
abastecemos bem com o apoio daquela excelente equipa que ali estava a dar-nos apoio, louvo também todos os outros apoios, nomeadamente aqueles que para o final mais sofreram com a nossa demora e nos esperavam pese embora o imenso frio que a partir de determinada altura se agravou e muito. O último abastecimento estava a escassos 4 kms da chegada e a partir dali os bombeiros voluntários não mais nos largaram, a noite tinha caído há muito e o seu apoio foi muito importante naqueles kms finais. Creio que ao todo estiveram 4 corporações de bombeiros de concelhos diferentes, nunca vi tamanho apoio em quantidade em tantos anos que levo de trail, sei que ali e em todo o lado eles fazem o melhor que podem por nós e pela nossa segurança, desta vez pude testemunhar porque vinha a fechar a prova o cuidado que eles punham em não deixar ninguém ficar para trás sozinho ou dando indicações precisas sobre os perigos a contornar, bem hajam.
Aqueles 12 kms finais foram palmilhados quase sempre de noite, inevitavelmente encontrámos um rio seco mas muito pedregoso, mesmo com os frontais acesos foi difícil ultrapassar aquilo, as dores já eram mais que muitas, os joelhos, a planta dos pés, as virilhas, a massa muscular das coxas, as mãos que já calejadas continuam a transportar os bastões, etç. De repente vemos a vedação da escola junto ao Pavilhão, entrámos em Condeixa quase sem dar por isso, já trazíamos mais de 41 kms nas pernas, seriam perto de 43 no final, impacientemente alguns resistentes ainda esperavam por nós, muito se arrumara já, não vimos o pódio e a distribuição dos prémios, não sabíamos quem eram os vencedores, quase nada, mas a minha vitória estava ali com a minha chegada, não importava o estado deplorável em que me encontrava e estava imensamente satisfeito, os 42 kms e as 11,28h. deixaram-me como nunca tinha acontecido, mas as saudações dos resistentes recompensaram-me bem com a nossa chegada, lá estava o pessoal do Mundo da Corrida, o Orlando e esposa e também o meu genro Daniel Pinto que tinha chegado há pelo menos 3,30h. e ali estava a receber-me.
Termino com comecei: porquê tanto sacrifício e tantas dificuldades sentidas? Na Segunda feira seguinte um dos vasos sanguíneos rebentou-me no nariz (exactamente como na Geira Romana há uns anos atrás), na Terça e Quarta feira sucedeu o mesmo e à noite fui de urgência para Santa Maria, o diagnóstico veio esclarecer muita coisa que entretanto vinha acontecendo, hipertensão elevada, não só provocou a rutura nasal como também me criou e explicou todos aqueles problemas que passei em Sicó. Um pico mais elevado da tensão levou à rutura, dizem os médicos que se fosse um pouco mais acima seria o cabo dos trabalhos, escusado será dizer que todos os alertas estão agora mais vincados para que não se repita tal estado, a vigilância é permanente e o controlo do problema surgido, que não é novo, tem motivado a regularização da situação de forma a que o mais depressa
possível possa voltar à actividade e cumprir com os objectivos definidos, para já o Pastor e mais tarde S. Mamede.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Trail de Bucelas, 2/2014




Uma semana depois da Serra da Lousã foram as serras que circundam a bonita Vila de Bucelas a dar continuidade ao caminho que tenho de percorrer até chegar em Maio à Serra de S. Mamede em Portalegre.
Há cerca de 1 ano ficara a observar no local desenrolar da prova por estar com um problema nos gémeos que me levaram a desistir na prova dos Abutres, mas este ano não podia perder esta oportunidade pois havia uma grande expectativa nesta prova até pelo número de atletas inscritos.
Conhecendo eu bem a região optei por calçar uns ténis de trail mais leves e macios já que o percurso é em terra batida e com pouca rocha ou pedras soltas, porém o traçado da prova levou-nos a percorreralguns trilhos improvisados e outros em perfeitas condições dentro de vinhas e encostas onde a lama nos dificultava permanentemente a progressão. 
Aos 9 kms estava o 1º abastecimento numa quinta onde era visível alguns depósitos em inox que deduzi estarem cheios de vinho da região e integrarem a região demarcada do Arinto tão afamada nesta região, não parei neste abastecimento mas pela quantidade de atletas ali parados o manjar devia estar muito bom, a prova estava a ser percorrida ao contrário do ano anterior por isso a 1ª subida a sério apareceu cerca dos 12 kms, a mesma que há 1 ano foi a última e levava os atletas até à meta, o terreno estava muito enlameado e dificultou-nos muito naturalmente a subida, para além da lama tem também uma forte inclinação, aqui tive a ajuda preciosa dos meus bastões, que não dispenso sempre que tenho de enfrentar uma prova de trail. Neste ponto vinha já na companhia do Orlando Duarte em plena cavaqueira, quis ficar ali uns momentos comigo para me fazer companhia mas um pouco antes de chegarmos ao topo disse para se ir embora pois a sua prova acabava aos 15 kms e eu ainda tinha mais 10 para a concluir.
Tal como a subida também a descida era difícil de fazer, a lama, os trilhos estreitos e atletas mais cuidadosos complicavam ainda mais as coisas, pedindo licença fui passando alguns mas ao passar no local onde se fazia a separação do trail com a mini percebi o porquê de tanto cuidado, eram quase todos para os 15 kms, então fiquei sozinho e prossegui à procura de ultrapassar os últimos 12 kms. O abastecimento seguinte junto ao rio Tranção apenas tinha água e voltei a não parar, bebi rapidamente 1 copo de água e segui para passar de seguida por um túnel debaixo da CREL, a subida ao ponto mais alto da prova começa aqui, circundamos a serra em caracol até chegar ao topo e por lá andámos nos kms que se seguiram. Aos 20 kms tivemos novo abastecimento e controlo de passagem (era o 2º), aproveito agora para comer 2 ou 3 bolos que me souberam muito bem e feito à base de açúcar, bebi água e atestei o camelbak, sim ele fez-me também companhia, pensava eu que a parte mais difícil da prova estava superada mas rapidamente tive de me conformar que assim não era, ao descer de novo a montanha já na
direcção da meta encontramos de novo um trilho em péssimo estado, não havia arvoredo nem vegetação onde se agarrar, a mim valeram os bastões que evitaram as quedas, à frente e atrás as quedas de outros atletas eram constantes, mas ninguém se aleijou e podemos chegar todos bem ao final da prova. Dali até final foi excelente, até a passagem do rio Trancão foi divertida que até deu para limpar um pouco os ténis e os pés da lama que vínhamos arrastando, no final o merecido aplauso dos amigos que ainda lá estavam, principalmente os do meu Clube Amigos do Vale do Silêncio. Sentia-me bem e esse era o objectivo principal depois da tareia da Lousã, tinha percorrido 25,170 kms para o tempo de 3,52,14 h, tempo oficial.
Venha agora Terras de Sicó e alguns treinos matreiros que tenho de fazer de permeio. 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Ultra Trail dos Abutres, 2014

Quando eu era criança ia a uma mina buscar água para beber e para todas as necessidades em casa, naquele tempo não havia água canalizada, hoje já homem vou à mesma mina e já lá não consigo entrar porque entretanto cresci. Isto vem a propósito da edição 2014 do Ultra Trail dos Abutres ontem realizado, totalista nas edições anteriores (com uma desistência), desde a 1ª edição a Ultra tem vindo sempre a crescer em número de kms e dificuldades e eu no mesmo período tenho vindo sempre a decrescer mas sentindo sempre o aumento das dificuldades e com e cada vez mais problemas para lhe fazer frente, resumindo: a mina está lá intocável como sempre e a serra não alterou em nada a sua forma inicial, eu é que cresci, vivi e nesta fase do ocaso olho e vejo que a natureza é igual a ela própria, só temos é de desfrutar dela e deixar que as coisas aconteçam.
Os Trilhos dos Abutres foram sempre de alta dificuldade em transpor, a serra, seja qual o ângulo que seja traçado, é e será sempre de uma beleza extrema, chova ou faça sol as dificuldades para nós nunca abrandam, antes pelo contrário, a tendência normal é torna-la aliciante e deste modo desafiar a capacidade física humana a partilha-la nos seus múltiplos obstáculos quase virgens que ainda conserva.
Para mim, que sempre gostei de desfrutar esta prova, este ano ultrapassei em demasia essa barreira, entrando mesmo em estado de alguma ansiedade devido aos limites impostos pela organização (e bem) nos tempos de passagem em alguns pontos de controlo, contudo, bem longe estava eu de pensar que em apenas 2 anos o traçado da prova mudaria tão radicalmente, pelo menos no 2º terço do trail, isto é, depois da 1ª subida ao alto quase tudo mudou, e foram estas alterações que me surpreenderam e deixaram em maus lençóis, tinha 5h para chegar aos 25 kms e não consegui por 20m, (o vencedor da prova já tinha chegado à meta com 4,44h), valeu-me que a organização estendeu em mais uma hora os 2 controlos (25 e 35 kms) dando-nos um pouco mais de fôlego mas mantendo a rigidez do tempo final nas 12 h.
Eu estava ali com o Daniel, o meu genro, tal como no ano anterior na semana que antecedeu a prova choveu muito e deixou a serra pejada de rios e ribeiros e o terreno muito mole que se transformaria muito facilmente em lama assim que os primeiros começassem a passar, não chovia quando partimos e o céu estava encoberto, o vento era praticamente nulo mas tínhamos tido um aviso que no alto da serra fazia muito vento e frio, e a acrescentar a isto digo eu também que em toda a serra a partir logo do início o nevoeiro era muito intenso e que por vezes dificultava a visão sobre as fitas que nos guiavam, os primeiros 9 kms até ao abastecimento foram um bom aperitivo (ajudaram por certo a que os primeiros a chegar fizessem tempos canhão, juntando aqui também os 6 kms finais quase planos), o certo é que aos 3 kms de prova já eu vinha em último, bem atrás do atleta que fazia de "vassoura" o meu grande amigo e camarada paraquedista José Carlos Fernandes, tinha feito uma paragem "técnica" e ninguém se apercebeu, contudo mais à frente reentrei no grupo de trás e ali fui mais algum tempo até que tive a necessidade de tirar os bastões do kamelbeck e começar a utiliza-los contrariando as ideias que tinha de os usar só lá mais para o alto da serra face à necessidade de ter as mãos libertas para melhor enfrentar os diversos obstáculos e quedas que iriam surgir, ora esta operação motivou novo atraso e comigo ficou o "vassoura", entrámos no abastecimento dos 9 kms em último mas ainda lá estavam alguns atletas a abastecerem-se. Para além de um pedacito de banana e um cubo de marmelada nada mais ingeri, despeço-me do "vassoura" e sigo, até final nunca mais o vi mas tinha sempre a informação nos PACs que os últimos vinham com ele e dentro dos limites horários, alguns deles bem conhecidos e amigos. 
Até ao alto da Serra (km 14) nada de novo, muita água, pontes improvisadas com troncos, lama e pedras e rochas escorregadias, Há 2 anos não choveu a água daqueles ribeiros era cristalina, desta vez estava barrenta e de todas as vezes que já lá fui esta foi a única em que não bebi do ribeiro mas a tentação foi grande. A partir do alto da serra foi descer até à represa por um caminho, também novo para mim, cheio de água e lama onde o cuidado imperava para evitar as quedas, de resto nada de novo até chegar aos 17 kms onde estava o 2º abastecimento. A partir daqui o único pensamento eram os 25 kms e as 5 horas impostas para lá chegar, a Susana Brás ainda me interroga se chegaremos a tempo a este controlo e eu naturalmente tranquilizei-a dizendo-lhe o pior já estava para trás, a partir dali prossegui sozinho mas passado pouco tempo começo a aperceber-me que o percurso tinha sido alterado até chegar ao topo da montanha (890m), melhor é certo mas o pior estava ainda para vir, em 2012 descemos por pistas de ciclo-cross, socalcos enormes e um corta fogo a descer que era difícil travar e logo de seguida subir de novo ao topo sem dificuldades de maior, nesta edição descemos por uns socalcos bem mais pequenos e depois sempre a descer vertiginosamente a serra aos ziguezagues até encontramos de novo outro rio e as mesmas dificuldades já conhecidas na 1º subida. Este rio levou-nos de novo até ao fundo da serra onde estava instalado o 3º abastecimento e o controlo dos 25 kms (este local já conhecia de anos anteriores), esforcei-me ao máximo para chegar ali dentro co controlo, as 5h de prova mas não consegui, foram precisos mais 20 minutos. 
Esperava já o pior com a eliminação, o meu estado físico era já muito débil e por isso qualquer decisão era aceitável, não sei porquê a organização decidira dar mais uma hora, creio que por algum atraso na partida e também face ao estado do terreno nos tivessem facilitado a vida, seguramente se assim não fosse perto de 20 atletas não teriam prosseguido em prova. Do mesmo modo sou informado que em Gondramaz seria também cedido mais uma hora para lá chegar, passariam a 10h. Pouco nada comi ali, o estomago como é habitual chega a uma altura pouco tolera em relação a alimentos, mesmo assim forço a banana, laranja e marmelada, muito pouco para as necessidades mas foi o que consegui. Encho de novo o kamelback e sigo viagem, pensando eu que iria encontrar o caminho mais fácil até chegar ao ponto mais alto deste trail (aliás como acontecera em 2012), mas não, novo rio e as mesmas dificuldades, o nevoeiro continuava, a visibilidade era agora mais difícil, o arvoredo era imenso, o caudal deste rio era forte e as pontes improvisadas serviam de passagem de um lado para o outro por forma a permitir a nossa progressão serra acima, as fitas de sinalização cor de tijolo nada ajudam, passam quase despercebidas, valeu-nos algumas vezes as autênticas avenidas que os atletas da frente iam deixando com a sua passagem, agora já percebia porque é que a organização nos concedeu 4 h para fazer apenas 12 kms de prova, ouve alturas de tanto serpentear com subidas e descidas íngremes, com quedas à mistura, uma delas de cabeça a baixo, me sentia sem forças para continuar mas ali não havia espaço para parar, trazia por perto mais dois atletas e isso deu-me alguma confiança quanto aos riscos que íamos correndo a cada instante, as cascatas impressionantes iam aparecendo, isto representava mais um esforço suplementar para prosseguir mas aquilo que os nossos olhos viam sempre nos dava outro alento para vencer aquela batalha,
finalmente aproximo-me do cume da serra de forma mais suave, o vento já é forte e o frio muito intenso e quanto mais cima pior vão ficando as coisas, não levo corta vento vestido, apenas uma camisola térmica e outra de alças, muito pouco para aquelas condições climatéricas. Um pouco antes de chegar ao topo os 2 atletas que vinham atrás de mim já seguiam à minha frente e encontram um atleta caído, falam com ele sem parar mas seguem sem prestar qualquer auxílio, não gostei da acção os regulamentos do trail impõem que caso encontremos um atletas impossibilitado de prosseguir se deve dar assistência até o próximo atleta chegar e assim sucessivamente, como já aconteceu anteriormente eu não preciso de regulamentos para assistir e ajudar quem precisa e foi o que fiz, aquele amigo estava com uma forte cãibra na coxa da perna esquerda e não conseguia sequer andar, deitei-o e forcei-lhe a ponta do pé com a perna esticada até ele sentir a dor, com mais 2 repetições levantei-o e lá seguiu andando atrás de mim, passado cerca de 1 km vinha perto e pergunto-lhe se está bem e faz sinal que sim. Aos 31 km novo abastecimento, mesmo no topo mais alto da serra, o frio era intenso e parecia que me entrava pelo corpo a dentro, nevoeiro com queda de cacimbo e vento forte fizeram com que abalasse depressa dali, avisei que vinha um atleta por perto em dificuldades e prossigo. Agora era a descer mas enquanto não saímos daquele alto despido de arvoredo o frio e o vento forte não nos abandonada, aqui as forças ainda eram escassas face à subida de 6 km que acabara de fazer, por isso corria de forma lenta mas constante até encontrar o refúgio da mata e do arvoredo dando quase a sensação que acabáramos de entrar numa estufa de ar quente, como ia molhado o frio nunca me abandonou. 
O objectivo seguinte era o Penedo dos Corvos, descia agora a montanha e voltava a encontrar novo ribeiro com as mesmas dificuldades já conhecidas, aos 35km inicio a subida ao Penedo dos Corvos, estava curioso como chegaria a Gondramaz passando primeiro pelos penedos, há 2 anos fizera a entrada em Gondramaz por cima e depois descia os penedos, não sei porquê mas com 35 km em cima aquilo feito a subir é bonito mas bastante complicado, foi 1,5km com as costas viradas para a chegada e com entrada em Gondramaz por um sítio que não conhecia, depois foi descer até Espinho pelo mesmo caminho de então. Em Gondramaz tínhamos uma forte falange de apoio através dos amigos bombeiros a quem agradeço vivamente na pessoa da Sónia Antunes, minha amiga desde a 1ª edição, pelo fantástico trabalho que tiveram em toda a extensão da prova, por perto das dificuldades maiores da prova lá estavam eles, sem interferir mas sempre interessados no nosso bem estar, Ali em Gongramaz, fantástica aldeia entranhada em plena serra, estava o último controlo de tempo de passagem, precisamente aos 36,500kms, levei 9,25h para lá chegar, o limite eram as 10h de prova, entretanto estava preocupado com quem ainda vinha lá mais para trás pois sabia que alguns deles vinham com cerca meia hora de distância. Bebi uma mini e aconcheguei o estômago com duas tigelas de sopa, agradeci pessoalmente à Sónia Antunes e ao Sapador Bombeiro colega da minha filha dos sapadores de Lisboa que esteve sempre presente em toda a prova a apoiar os atletas e abalei serra abaixo já com a noite a cair. 
Não tardou muito que tivesse de ligar o frontal, foi junto a uma ponte onde estavam 2 bombeiros, há 2 anos estavam lá outros e partilharam comigo um pouco do chouriço assado que estavam a comer, desta vez vi logo que não havia nada para partilhar, acendi o frontal e lá fui rio abaixo. Quem lá passou de dia sabe bem aquilo que vamos encontrar, imagine-se agora de noite! Por sorte quase colado a mim vinha um atleta que por ali ficou até chegarmos a Espinho com 41 kms de competição permitindo assim para mim e para ele maior tranquilidade naquela imensa escuridão e com tantos perigos à espreita. Havia partes desta descida para Espinho que andei ás arenhas, a noite não deixava ver as fitas, a cor de tijolo não ajudava nada, o branco ou o vermelho era o mais indicado, mas mesmo assim era de pensar colocarem naquele espaço entre Gondramaz e Espinho uns sinais luminosos bem visíveis para ajudar quem já ali chega de noite.
Em Espinho a preocupação já era outra, chegar antes do tempo da desclassificação, tinha 1,10h para fazer aqueles 6 kms finais e chegar antes das 12 h de prova, corri quase sempre até Miranda do Corvo, excepto junto à Levada, entretanto o meu Garmin já assinalava a bateria fraca e por isso já via mal os algarismos tapados com o aviso na horizontal, perto do jardim central um elemento da organização aparece ali a dizer que faltavam 3 minutos, pensei que era para as 12h, forço ainda mais o andamento pois ainda estava distante cerca de 500 metros, subo a rampa final num andamento mais rápido e entro no pavilhão de forma emocionada, corto a meta e vejo logo o Daniel junto à linha de chegada, o speaker anuncia o meu tempo 11,46h, tranquilizei, afinal faltava 3m para a meta e não para o limite de tempo, dobrei-me sobre os bastões para disfarçar a emoção do momento e recordar muito rapidamente as peripécias sofridas para chegar ali. Esta narrativa pode ocasionalmente ser inexata em alguns pontos de referência mas certamente não andarão muito longe da realidade.
Há alguns amigos a quem não posso deixar sem uma palavra de agradecimento, felizmente tenho muitos amigos ligados ao trail espalhados pelo país fora, ali em Miranda do Corvo não é excepção, eles andavam no terreno e eram tantos mas alguns nomes eu não consigo fixar, deixo um abraço de amizade a todos nas pessoas do  Pedro Caetano, do João Lamas e da Sónia Antunes pela simpatia e apoio que deram. Eles estavam lá, mesmo que nada dissessem só a sua presença amiga e conhecida era o suficiente para aumentar a nossa auto confiança. Não esqueço também o trabalho dos voluntários, que simpatia, um muito obrigado.
    

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Cross da Laminha 12 de Janeiro de 2014



1ª prova realizada em 2014, o Cross/trail da Laminha é como habitualmente o início do ano em provas em que participo em cada ano, já tinha estado em Almada no treino noturno pirata na distãncia de 15 kms no dia 3 de Janeiro e daí para cá parei de correr devido a uma gripe que me impedia sequer de sair à rua. 2/3 dias antes da Laminha já podia treinar um pouco mas decidi não fazer nada e aguardar o que a corrida me iria fazer.
Pelas informações que iam chegando do local da prova tudo apontava para que existissem as condições ideais e normais que já conhecemos da prova para que ela fosse mais um êxito. Todos os participantes e foram mais de 400 já sabiam ao que iam e foi com grande satisfação que enfrentaram a prova e todas as incidências que iam encontrando ao longo do percurso, dada a proximidade em que corremos ao pé uns dos outros, já que aquilo é um autêntico labirinto era possível ouvir a festa que se ia desenrolando à frente, ao lado ou mais atrás, era o lamaçal e os lençóis de água que cada um ia ultrapassando que servia para cada um se expressar à sua maneira, mas sempre da boa disposição. Pode parecer que correr naquelas condições é agradável mas não é, o frio era intenso e os pés gelavam mas por nenhum momento vi atletas a tentar arranjar caminhos alternativos para fugir, não, iam a direito, até porque se fugiam de um logo ali mais à frente logo aparecia outro obstáculo pior que o anterior, isto claro sem falar dos autênticos ziguezagues que nos apareciam na mata e no matagal não permitindo grandes ritmos, mesmo para os mais fortes, porque sempre se corria o risco de despiste e com as consequências de quedas e arranhões inevitáveis. 
A prova para mim foi a que melhor idealizei, sem treinos e conhecedor do nº de atletas inscritos sabia que partindo de trás faria uma prova tranquila, encontrei até metade da prova filas provocadas por pontos mais difíceis de ultrapassar e onde havia ajuntamento, dava para descansar e recuperar algumas forças mas era notório a falta de preparação, como as subidas são muito curtas e o desnível é reduzido deu para fazer a prova no tempo previsível previsto, ali nunca andamos sozinhos, à frente ou atrás vem gente, por ali perto ouvem-se muitos atletas a conversar sem os vermos, as marcações estão impecáveis a juntar aos carreiros deixados pelos atletas da frente que são inconfundíveis, as mensagens escritas deixadas por ali espalhadas no terreno dão-nos aqui e ali vontade de rir, outras avisam-nos da presença de vários perigos que vamos encontrando e assim todos íamos avançando com a noção exata daquilo que cada momento íamos ultrapassando, para outros o inevitável também acontecia, as quedas eram uma constante pois o terreno e a parte rochosa era escorregadia e nem sempre era possível evitar a queda.
Os lagos artificiais e os rios que íamos superando dava-nos uma certa satisfação, por mim isso foi relativo até que caí enrolado dentro de um lago cheio de água lamacenta, andei de gatas para perceber o que me aconteceu, depois levantei-me e vi que não tinha qualquer ferimento, limpei-me como pude pois havia mais lama do que água e não dava para ficar limpinho, logo atrás de mim uma amiga seguiu-me as pisadas e foi provar o mesmo chão que eu e saiu de lá tão fresca quanto eu, uma risada geral. Eu aguardava pela passagem num túnel mas confesso que nunca o vi, pelo menos era esse a indicação que havia mas aos 13 kms calculei logo que não ia haver túnel, foi pena pois estava à espera dele para uma 1ª lavagem ao estado em que eu ia, apareceu-me sim um pequeno riacho onde tive de percorrer aí uns 5/6 metros com água a quase a chegar ás misérias mas também ia muito barrenta fiquei na mesma quanto a limpezas. Pouco depois começa a desenhar-se a saída da mata para dar lugar àquela rampa final que fiz a andar para não variar, a 50 metros do final da subida arranjei força e corri até à meta, altura em que começa a chover, que pena, era lá na mata que eu gostava que ela caísse, era certo que ia complicar o piso mas perdoava-lhe pelo bem que ia saber.
No final percorremos 14,030kms contra os 15kms anunciados pela organização, se calhar o Vitor Ferreira cansou-se de andar atrás do coelho e acabou por deixar o túnel para trás, resultado foi um km a menos. o tempo final foi melhor que o previsto: 2,13,49h. mais 4 segundos do que o realizado o ano passado, mas pelos meus registos de então a prova deu-me 15,330kms, não sei onde cortámos desta vez.

Classificações

domingo, 5 de janeiro de 2014

Final de ano com a S. Silvestre dos Olivais.

Terminou o ano de 2013 com mais um balanço satisfatório, alguns objetivos traçados ficaram por concluir, Abutres (desistência aos 2,5kms, S. Mamede (desistência aos 90 kms, Serra da Freita (desistência aos 39 kms. Estas eram a s emblemáticas mas ouve outras que não pude participar por problemas de saúde que acabaram por afetar toda a época, incluindo as desistências.
Fechou-se o ano com a participação na S. Silvestre dos Olivais, uma prova que há longos anos faço questão de fazer, uma prova que me levou 57 minutos da minha vida a percorrer, foi dura porque a organização decidiu e bem alterar o percurso uma vez que as fronteiras da Freguesia dos Olivais foram alteradas por força da criação da Junta do Oriente, assim a dureza da prova aumentou dando-lhe outra visão que desconhecíamos numa freguesia muito bonita.
Para culminar um ano bastante intenso aproveitei uma iniciativa dos Amigos do Parque da Paz em Almada no dia 3 de Janeiro para um treino à noite tipo pirata que tinha como pretexto o convívio de tantos amigos que fomos acompanhando ao longo do ano. A exemplo da S. Silvestre pirata de Monsanto realizada no final de Dezembro esta é também uma iniciativa louvável que permite mais uma vez estreitar laços de amizade que de outra forma não seria possível.
Retomarei as provas de trail já no próximo dia 12 com o Laminha e depois a 26 com a prova dos Abutres, que espero desta vez me corra pelo melhor.
Boas provas e um bom ano para todos.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Ultra Trail Amigos da Montanha 2013


Conforme prometera voltei a Barcelos passados que foi 1 ano depois daquela magnífica experiência que foi o Ultra Trail do ano passado. Tinha contas a ajustar comigo mesmo, em boa verdade só concluí essa prova devido à boa vontade dos elementos da organização que me permitiram passar para o lado de lá do Cávado em mota de água devido ao facto de os kayaks já estarem fora do Rio. na crónica que então fiz neste meu Blogue:  
assinalava alguns erros que cometi durante o percurso e que no final levaram a que tivesse muitas dificuldades em concluir aquilo.
Em 2013 tudo foi diferente, estava confiante que iria superar todas as dificuldades e conseguir chegar ao 1º dos objetivos desta prova, o Rio Cávado, excetuando os ligeiros enganos de então (2 kms) e a cena da passagem do Rio de mota de água, tudo foi igual na edição de 2013. A organização atenta ao que alguns atletas escreveram então decidiu e bem adiantar uma hora na partida da prova principal, passando das 8h para 7h indo assim ao encontro de solicitações de atletas, entre os quais me encontrava eu, que de outra forma mantendo-se tudo na mesma me inviabilizaria lá voltar este ano. Melhorou ainda encurtando em 2 kms a aproximação aos kayaks a partir do momento que chegamos à margem do Rio Cávado permitindo assim mais a poupança de alguns minutos para quem vem no final e com tremendas dificuldades para ali chegar.
É claro que a maioria dos atletas dispensava bem estas alterações, mas também sei que estes mesmos atletas são solidários com aqueles que têm mais limitações em conseguir os mesmos objetivos, ou por via da idade ou porque a sua preparação não lhes permite superar as marcas necessárias para conseguir os mesmos resultados, daí parecer-me justíssimo e de grande alcance as alterações introduzidas permitindo assim muitos atletas terem conseguido superar a prova e voltarem a Barcelos com a certeza da garantia de poderem melhorar os seus resultados, agora com a garantia de a conhecerem melhor e assim poderem entretanto melhorar também a sua condição física para a enfrentarem.
Pela 1ª vez tive de dividir uma prova em duas, 1ª chegar aos 50 kms e depois então pensar no final até aos 62 kms. isto porque de nada importava pensar no final da prova se entretanto fosse eliminado aos 50 e foi esse sempre o meu pensamento desde a partida. Os treinos realizados foram exatamente com esse objetivo, correndo e andando a um ritmo a rondar os 8 minutos o km, sabia bem que se conseguisse fazer isto chegaria aos 50 kms com relativa folga fugindo assim ao risco da eliminação, por isso desde a partida o controlo horário das passagens a cada 10 kms era muito importante para o resultado final. Foi tudo perfeito até aos 43 kms onde estava mais um posto de abastecimento, a partir dali as coisas começaram a complicar-se, não porque não tivesse ainda tempo disponível para chegar ao Rio mas sim porque as dificuldades que ainda faltavam foram para além daquilo que ainda tinha em mente desde o ano passado, os 9 kms naquela serra após aquele abastecimento até chegar ao Rio veio deitar por terra o meu pensamento que o pior já ficara para trás, e se calhar até estava, mas foi um tormento e via a esfumar-se em pouco tempo aquilo que tinha conseguido amealhar até chegar ali.
Mas estava determinado, chegado ao último monte já tinha a certeza de chegar a tempo e horas, começo finalmente a descida para o Rio e com isto acontece também a 1ªqueda, a inclinação era brutal e deixei-me cair para trás quando vejo que a queda é inevitável, para além da sujidade nada mais me aconteceu, pouco depois estava a atravessar o km 50 recebo um telefonema da minha filhota Susana a informar-me que o meu genro Daniel já tinha terminado a sua prova (8,34h), animei mais um pouco, ia sozinho no meio da serra e sabe sempre bem termos a companhia de alguém e se for a filha ainda melhor. Prossegui na esperança de rapidamente chegar ao Rio, tinham-me informado que a passagem do Rio tinha sido encurtada em 2 kms, (o ano passado corremos 3 kms na margem do Rio para chegar aos barcos) e assim foi, passo por uns pescadores que ali estavam a cerca 200 metros e logo de seguida estava o abastecimento dos 52 kms e no Rio os kayaks ao lado uns dos outros à nossa espera.




Estava finalmente aliviado, conseguira o principal objetivo que era chegar ali por uns folgados "25 minutos", podia agora começar a pensar nos restantes 10 kms que ainda faltavam para chegar à meta em Barcelos. Vejo ali o meu amigo Miguel que o ano passado me permitira chegar à meta depois de ali ter chegado com 45 minutos de atraso levando-me para o outro lado do Rio de Mota de água e quando a noite já estava perto da escuridão. Desta vez tudo foi diferente, daí a minha grande satisfação, cumprimento o Miguel e ingeri qualquer coisa, de imediato me enfiam um colete de salvação e mandam-me para dentro do kayak, aviso que nunca andei naquilo mas de nada valeu, dão-me o remo e empurram o barco, vejo-me a navegar e mandam-me ir para a outra margem, o sol já estava muito baixo e não vejo a outra margem, o kayak vai aos ziguezagues conforme eu dava a remada, ora para a esquerda ora para a direita,
mas por incrível que pareça vou a gostar daquilo, vejo uma mota de água a aproximar-se de mim, creio que era o Miguel com um cameramen, faço um esforço para que consiga fazer aquilo bem mas em vão e lá vou seguindo sem saber onde era o ponto de chegada, sigo um kayak que segue um pouco mais à frente e que leva 2 atletas, que sorte a deles, consigo aproximar-me mas começa a doer-me os rins, não sabia que aquele movimento a remar afetaria os rins, de repente vem-me à ideia aqueles atletas que praticam aquele desporto e que a mim me parece muito bonito todos os movimentos que eles fazem e com aquela rapidez que é necessária para se ser um bom atleta, finalmente as árvores já tapam o sol e começo a ver claramente para onde tenho de ir, levo o barco até à margem e rapidamente inicio a corrida para concretizar os 10 kms finais.
Pouco depois o sol começa a esconder-se mas ainda consigo ir até aos 57 kms sem que fosse necessário ligar o frontal, é nesta altura que a Susana volta a telefonar e informa-me que o Daniel tinha o registo de 62 kms de prova, assim fiquei mais tranquilo ainda sabia agora com exatidão o tempo que faltava, a noite entretanto caíra, já de frontal vou na companhia de mais 3 amigos, a progressão faz-se agora andando na direção da margem do Rio já em Barcelos, uma última descida e nova queda e de novo sem consequências, uns metros mais à frente avistamos a ponte que liga Barcelinhos a Barcelos, continuamos juntos, sabemos que ainda vêm 6 atletas atrás de nós e que conseguiram chegar ao Rio a tempo de passar, os últimos 400 metros para a meta são feitos a correr, o Daniel lá estava à minha espera cheio de frio mas por certo satisfeito por me ver chegar e sem qualquer mazela que me afetasse.

Tal como ano passado a tenda já estava quase desarmada, nada de novo, apenas responsabilidade minha, ainda assim feliz por ter chegado e estarem à nossa espera.
Foi um empeno daqueles que de há muito não apanhava, ainda hoje ando um pouco dorida das pernas e braços (os bastões também castigam bastante) mas pronto para enfrentar novos desafios.
Se já gostava desta prova pela sua extraordinária beleza, quer nas serras quer nos rios e cascatas, ou ainda pela excelente organização e apoio que sempre tivemos ao longo de toda a prova, pela magnífica marcação e sinalização ao longo de todo o percurso (um pequeno senão com a sinalização luminosa depois de passar o Rio e já em plena noite com má visibilidade pelo facto dos autocolantes estarem colados nas fitas e a sua posição nem sempre condizerem com o sentido da nossa corrida, situação esta que passou quase despercebida pelo facto das fitas sinalizadoras estarem muito perto uma das outras), os abastecimentos, apesar de correr na cauda do pelotão estavam excelentes, algumas coisas que vi em fotos já não estarem lá quando passei mas como um atleta prevenido vale por 2 eu estava bem artilhado e se fosse necessário recorria à minha artilharia.
Não sei ainda a minha classificação, nem isso é muito importante para mim, sei que na minha idade (mais de 60 anos) não somos mais de 5 ou 6 a fazer estas distâncias, pelo que me disseram no local teria sido o 2º. (Acabei em 4º lugar)
Distância final: 62,080 kms. Tempo final: 11,17,56h(média 10,55m/km. Calorias gastas: 4000 Temperatura 4ºc.
Em 2012, 57,500kms, 10,31h. (10,31m/km, Total andado 2012: 59,240 kms.  
 
A receber do grande Vitorino o Troféu do 2º lugar da ATRP 2013 
Classificações