domingo, 13 de julho de 2014

Trail do Almonda, 6 de Julho de 2014

O Trail do Almonda, do qual sou totalista, conheceu nova alteração no local de partida e chegada mantendo sempre o traçado com pequenas variantes, a Serra D`Aire serve-lhe de principal aliciante com a beleza dos acessos à serra, cujos trilhos são do melhor que tenho encontrado. Uma semana depois da minha desistência na Serra da Freita esta prova serviu para desanuviar um pouco da frustração então sentida, pena o tempo não ajudar muito, estava fresco e com chuva, tal como eu gosto, mas ao mesmo tornou o percurso penoso e algo perigoso, nomeadamente nas zonas mais rochosas e com pedras provocando inúmeras quedas de alguns atletas devido a escorregadelas e tropeções em obstáculos invisíveis e submersos pela imensa água que caiu invadindo os trilhos de passagem.
A prova teve 29,600 kms tendo gasto 3,38h. para a concluir
Como de costume a organização esteve impecável, mudando de local conseguem sempre manter um altíssimo nível organizativo, quer na corrida quer no local do secretariado onde nada faltou, reunindo aquele local de estruturas de apoio aos atletas desde a sua chegada ao local e até à sua partida, excelente. 

Voltarei até me ser possível.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Ultra Trail Serra da Freita 2014

Freita... a sempre apaixonante Freita! Interrompi a caminhada mas não a paixão que sinto por ela, as "armadilhas" que lhe montaram impediram-me os planos de a abraçar quando atingisse o Alto da Mizarela! Fica para mais tarde? Creio que não, já não tenho forças para enfrentar as incríveis barreiras impostas pelo homem numa serra, ou conjunto de serras que são a mina dos meus olhos e sonhos incontidos por realizar.
Eram 5,45h quando partimos, transportando eu a confiança na condição física e mental suficiente para enfrentar a extrema dureza, que sabia eu, iria encontrar em todo o percurso.
Cedo perdi o meu companheiro de prova, o Rui Pacheco, logo no 1º km ficou para trás a programar o meu relógio Garmin com a intenção de pouco depois retomar a meu lado a corrida, perdeu de vista o último atleta e quando chegou ao Alto da Mizarela em vez de cortar à esquerda virou à direita descendo o PR7 no sentido contrário da prova, as fitas que nos levariam à meta já lá estavam colocadas e levaram-no ao engano, nunca mais encontrou o pelotão apesar de andar por ali a correr perto de 25 kms.
Os vassouras iam retirando as fitas na cauda do pelotão dificultando ainda mais a sua orientação acabando por regressar ao ponto de partida, optando por mais tarde voltar ao percurso e dar uma ajuda ao Daniel naqueles infernais kms finais.
Até ao rio Paivô tudo correu muito bem, estavam decorridos 18 kms, levava comigo a Anabela Pacheco mas desde que comecei o percurso do rio ela ficou logo para trás, é natural pois era a 1ª vez que ali entrava e eu já ia para a 4ª presença e conhecedor dos segredos que ele encerra. A chuva que caía tornou aquilo um pesadelo, rochas e pedregulhos muito escorregadias as quedas eram quase constantes, numa delas fiquei de costas pendurado por um pé valendo-me ali um amigo que de imediato me auxiliou puxando-me evitando assim males maiores dada a posição em que ficou o meu pé.

Pouco depois chego ao abastecimento dos 21 kms com pouco mais de 4h, partindo pouco depois ao encontro da 1ª subida muito técnica e difícil que nos levaria a percorrer a meia encosta por trilhos muito bonitos até chegar a uma Aldeia muito antiga mas habitada, aqui parei para conversar um pouco com um senhor que me perguntou a idade que tinha, ficou muito satisfeito por saber que era do mesmo ano de nascimento que eu, gostou da nossa passagem por ali, pouco depois estava a iniciar a subida da Drave, muito difícil no seu início, mas continuava a sentir-me muito bem, pouco depois chego ao cimo e dá para observar todo o esplendor da Serra da Freita, dali dava para observar quase todos os passos que iríamos dar nos próximos 10 kms, tão pertinho mas tão longe!
No Abastecimento dos 30 kms encontro o Albino Daniel, tinha desistido por causa de uma queda no rio Frades??? um pouco mais abaixo quando seguia nos primeiros lugares da prova, avisa-me que este rio está pior que o Paivô e sigo rio abaixo, eram mais 2 kms muito difíceis. O caudal deste rio não era muito mas o suficiente para termos o máximo cuidado, a chuva era agora muita e as rochas e lages que tínhamos de pisar estavam muito perigosas, no espaço de 5 minutos fui ao chão 3 vezes, uma das quais rebentou-me um lábio ao cair de chapão e de barriga, os sapatos são de pouca aderência e é uma atleta que andava por perto a dar-me uma ajuda para sair dali, ora seguindo à minha frente baixando-se para diminuir o centro de gravidade ou levando-me os bastões onde precisava de utilizar as duas mãos.
As dores nos joelhos começam a dar sinal de alguma fadiga, os constantes saltos e sobe e desce junto ao rio vão deixando sinais preocupantes, é pois com um certo alívio que pouco antes de chegarmos ao Trilho dos Incas cortamos à direita serra acima por um trilho pouco técnico e que serviu para recuperar um pouco as forças e descansar os joelhos. Gosto daquela volta porque no alto deste trilho está uma fonte de água natural que elementos da organização tiveram a feliz ideia de ali colocar um tubo criando um caudal de água muito agradável para beber e refrescarmos, descemos de novo ao rio e vemos ao mesmo tempo ali em frente os atletas mais adiantados a subir já a interminável subida da Garra, mas para eu lá chegar tenho ainda uma longa e perigosa descida até ao rio, principalmente os últimos 200 metros cuja descida e o seu declive nos metem um respeito enorme, foi ali que dei mais uma queda sem consequências, a sorte continuava a acompanhar-me, já tinha visto dois amigos ficarem pelo caminho motivado por quedas e se calhar muitos mais que desconheço, mais tarde vim a saber de muitas mais desistências se verificaram devido a quedas mais aparatosas, que não foi o meu caso, muitas sim mas fui-me sempre safando.
Desta vez O Trilho dos Íncas foi feito com outrs disposição, o ano anterior tinha ido abaixo exactamente ali devido ao muito calor naquele dia, este ano estava mais fresco e algum vento, embora o sol tivesse aparecido mas nada comparado com a edição da prova no ano anterior. Foi cheio de vontade e com as forças a reduzir que cheguei à Póvoa das Leiras com 9,05h de prova, local de controlo de tempo e o 2º abastecimento líquido e sólido, tinha atingido um dos objectivos que era chegar antes das 10h de prova. Parei pouco tempo, como o controlo do material obrigatório era aleatório fui poupado e segui a caminho do desconhecido.
Em 2012 também parti dali com a esperança de chegar à meta, por pouco não o consegui, o nevoeiro travou-me na Aldeia da Castanheira a escassos 5 kms da chegada, dessa vez o caminho percorrido em nada se assemelha ao que agora tinha pela frente, por isso a partir dali ia totalmente ás escuras e receoso, ainda estranhei que o Alcino Serras me tivesse ali dito repetidamente que tinha 7 horas para fazer 25 kms e chegar à Castanheira, também me pareceu acessível e agradeci o apoio dispensado. Mas a tortura iria começar logo ali quando comecei a subir a "Besta", não porque aquilo é de facto difícil, mas pelas câimbras que comecei a sentir logo que comecei a levantar um pouco mais as pernas para fazer face à forte inclinação e à superação que era preciso fazer para ultrapassar aquela montanha de pedras e pedregulhos, aquele km foi um calvário,
a meio da subida a Otília dá-me um pacote de sal e outro de magnésio em pó, melhoro um pouco e vou muito de vagar a 4 patas para poupar, sempre que o lanço da perna é maior fico agarrado e procuro outros pontos de apoio mais curtos, a meio já tinha quase uma hora gasta do pouco tempo que podia desperdiçar, um pouco mais acima mais um casal de amigos se aproxima e têm a amabilidade de me darem mais uma ampola de magnésio chamando-me a atenção que no abastecimento existiam produtos que devia ingerir para evitar o aparecimentos dos problemas de câimbras, aceitei o raspanete pela razão que lhe assistia, a "besta" ainda não terminara mas 1,30h depois atingia o topo daquela subida que me pareceu espectacular debaixo de um arvoredo muito húmido e com água a correr constantemente junto dos nossos pés, não fora as câimbras nas coxas e por certo aquilo tinha sido muito divertido.
No planalto e já na descida para Manhouce falta-me a água, por ali não havia nascentes tendo eu encontrado mais água quando descemos à base da serra onde se encontrava mais um riacho de água de nascente vindo da montanha. Os 50 kms estavam mesmo ali junto a um edifício abandonado e com escritos para venda ou aluguer que me pareceu uma escola, por certo se trata de mais um acto criminoso do "nosso" governo nesta ânsia desmesurada de encerrar escolas para poupar mais alguns cobres e colocar mais funcionários no desemprego. Encontrava-me bem aproveitei o abastecimento e cuidei melhor das minhas necessidades, nomeadamente o sal e açúcar e segui de novo à procura dos 10 kms seguintes que eram uma incógnita. Tinha sido informado que não passaríamos pelo rio mas passado pouco tempo somos encaminhados para ele sem apelo nem agravo, resigno-me e sigo conforme determinado, longa descida  e breve passagem pelas margem sem irmos à água, conforme se desce também se sobe, e de novo a brutal subida que é feita a passo muito lento,
os joelhos já doem de forma permanente e é com bastante sacrifício que vou progredindo, até que chegado a um ponto já bastante elevado e quando pensava que já íamos a caminho da Lomba viramos à esquerda e pouco depois nova descida ao rio por caminhos muito sinuosos e técnicos, desço agarrado ás árvores para auxiliar e poupar um pouco mais os joelhos, levava os bastões mas só me estorvavam pois precisava das duas mãos, ia ainda acompanhado de um amigo que por ali ficou perto de mim mas também sentia sérias dificuldades, mais abaixo cruzo-me com um atleta que vem subindo muito queixoso, tinha caído e vinha acompanhado de um elemento da organização até chegar à próxima Aldeia, a 2kms, pois de outra forma não conseguiria sair dali, mais abaixo as dificuldades aumentaram para mim com o aparecimento de cordas face ao perigo que representava descer naquele local, para agravar ainda mais aquilo o chão estava muito escorregadio e as cordas untadas com lama, era uma dança constante em cerca de algumas centenas de metros por ali abaixo.
No fundo da descida lá estava de novo o rio, aqui esperavam-nos 2 elementos em cima de duas rochas para nos ajudar a passar de uns pedregulhos para os outros, se estivéssemos sozinhos não sei se conseguiríamos passar por ali. Cheguei ali já destroçado, sem forças e muito dorido, devia já ter deixado para trás cerca de 55 kms, comecei então a fazer contas e cheguei à conclusão que não conseguiria chegar à Lomba com 15 horas de prova, dali até lá era uma serra com uma subida brutal onde os socalcos eram permanentes e difíceis de subir, o meu companheiro de prova abalou logo a seguir ao rio e palmilhei aquilo por ali acima com a esperança de a qualquer momento avistar a Lomba, quando isso acontece já tinha tomado a decisão de desistir, agora só queria ali chegar mas começo a ver que as fitas me levam de novo para baixo por caminhos muito tortuosos até chegar a outro ribeiro, aqui paro e sento-me um pouco na rocha e refresco-me, já pouco importa o tempo que falta, só quero é chegar à Lomba, mas para lá chegar mais um longa subida tive de enfrentar, agora mais suave é certo mas a inclinação continua brutal, por meio de escadarias e muitas hortas consigo finalmente chegar ao alcatrão e pouco depois ao abastecimento.
Estava esgotado e cheio de frio, 16,15h para chegar ali, tinha ainda 3,30h para fazer 10 kms até à meta, mas para isso tinha de gastar apenas 45 minutos para chegar à Castanheira (5kms) com 3 kms de subida brutal até chegar ao planalto, tarefa impossível daí a desistência logo ali porque avançar até à Castanheira seria um esforço inglório que não serviria para nada, a eleminação ás 17h era mais que certa. Na Lomba tive logo apoio do pessoal que lá estava, uma manta de pano e a minha manta de sobrevivência foram suficientes contra o frio, comi pouco porque já lá estava uma carrinho para nos levar para o local de chegada, comigo foram mais 9 e por certo que outros que vinham mais atrás também me seguiram as pisadas. Queria muito acabar aquela prova mas na parte final fui caindo na realidade e conformei-me aos pouco conforme ia enfrentando as dificuldades, A Freita é aquilo tudo mas é também aquilo que o homem quer que ela seja, para o bem e para o mal.
Obrigado ao Daniel e ao Rui pela companhia e apoio que me deram, à Susana , minha filhota por de vez em quando me despertar em plena serra, ao míster Fernando por o sentir bem perto através do toques que ia ouvinho alertando-me para a existência de mais um empurranzinho a caminho da meta, aos organizadores e apoiantes pela simpatia demonstrada. A apreciação global da prova no que diz respeito ao trajecto não o faço, fica para mim, agradecendo a todos os que me felicitaram e apoiaram pelo esforço despendido.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Trilhos Loucos de Reixida, 22 de Junho de 2014

Os Trilhos Loucos de Reixida levaram-me de novo a uma prova que corresponde àquilo que gosto de percorrer, muita serra, com dificuldades moderadas e onde se pode correr alguma coisa, dentro das minhas capacidades, claro, porque para os outros as dificuldades sentidas por mim aquilo não é nada. Voltar a subir aquele pico enorme e bem acentuado e no final pisar as águas daqueles ribeiros quando toda a estrutura dos músculos bem precisam de se refrescar compensam bem do esforço que é feito para terminar uma prova que bem cedo aprendi a gostar, esta 4ª edição com a minha presença bem augura uma 5ª vez para o próximo ano, Obrigado à organização pela excelente apoio no terreno e a todos os colaboradores que a ela estiveram ligados.



quarta-feira, 18 de junho de 2014

Trail Glória do Ribatejo, 8 de Junho 2014

2 dias antes convidam-me a participar neste trail na condição de convidado, eu e mais 3 AVSilêncio aproveitámos a oferta de última hora e abalámos, só que a coisa foi mal trabalhada e lá chegados tivemos de pagar os 7€ de inscrição e sem direito a t,shirt nem qualquer espécie de brinde, claro que recusei de imediato em participar, nova conversa com o nosso porta voz e o organizador lá anuiu em conceder-nos a t,shirt e o direito a todos os prémios em disputa. Assim nestes termos alinhei com os meus colegas na prova que tinha a distância de 26,600 kms por trilhos e estradões bem corríveis permitindo-me assim desenvolver a corrida neste tipo de provas, coisa que dificilmente consigo. O Rui Pacheco ganhou a prova e os restantes Amigos obtiveram excelentes posições.
Para mim foi mais um excelente "treino" bem picado que não estava previsto mas que aceitei uma vez que ia estar 3 semanas sem provas de trail, o que era demasiado. O tempo gasto de 3,30h. foi conseguido num percurso com poucas dificuldades de altimetria, com um ganho de elevação de apenas 400 metros +.
Segue-se já este Domingo dia 22/6 e na semana seguinte a mágica Serra da Freita. Por agora fico por aqui, dia 29 logo se verá o rescaldo do encontro com o Rio, a Drave, a Garra e as duas "bestas" que nos puseram à frente, meditaremos então qual vai ser o futuro!




segunda-feira, 9 de junho de 2014

Corrida do Mirante, 1 de Junho de 2014

De volta a Ota, terra da minha meninice agora transformada para mim como local de ida obrigatório anualmente com o intuito de participar em mais uma edição da Corrida do Mirante, uma prova de trail bem suave que convida aos mais conservadores em participar e abrir novos caminhos a quem ainda pensa que este tipo de provas é só para os duros e desmaiolados.  Ouve alguma inovação no percurso, aumentou a distância mas as dificuldades/facilidades ficaram salvaguardadas, principalmente para aquelas que fazem apimentar a curiosidade daqueles que lá vão pela 1ª vez. Da minha parte gostei de tudo o que encontrei, até da companhia que se formou desde o início com o Juca, o L. Miguel e o Nuno que nos levou de princípio ao fim a fazer uma corrida pausada em recuperação de "coças" anteriores. o tempo final para os 14,850kms. foi de 2,23h dentro das expectativas pretendidas, já que na véspera tinha participado na Meia-maratona da Areia e encontrava-me ainda um pouco pesadão das pernas. O convívio que se seguiu foi excelente com a realização do piquenique e os grelhados que a organização colocou à nossa disposição num local muito acolhedor junto ao Mirante que deu nome à prova.
À organização e apoiantes os meus parabéns, tudo estava à altura do prestígio que a prova já possui, deixando todos os que lá foram bastante satisfeitos. Espero voltar de novo para o ano.





Belas fotos tiradas neste bonito local integrado na Serra de Ota.

domingo, 1 de junho de 2014

Meia Maratona da Areia

Integrado na preparação para a UMA, Ultra Maratona da Areia, a Meia Maratona da Areia realizada no dia 31 de Maio na Costa da Caparica veio ao encontro da necessidade de percorrer alguns kms em areia de praia por forma a minorar os efeitos devastadores que aquela prova sempre provoca a quem ousa enfrentá-la. Serviu também para estabilizar o organismo depois da tareia de S. Mamede corrigindo assim a falta de treinos que os últimos dias vinha acusando motivado por um excesso de saturação que se vinha acumulando logo após a realização da Ultra de S. Mamede.
Assim esta prova tinha várias finalidades acabando todas elas por se concretizarem e deixarem uma boa impressão para o que aí vem no decorrer deste mês, nomeadamente a Freita.
O percurso em toda a sua dimensão estava excelente para correr mas é desolador ver a Praia da Costa naquele estado em que o mau tempo de Inverno a deixou, por entre os pontões a ausência de areia é total sempre a maré enche, a sul da praia nova as coisas melhoram mas é notório a ausência de areia disfarçada aqui e ali pela existência das dunas que a suportam, mas até quando?
A manhã fresca depressa deu lugar ao calor, a existência de algum vento pelas costas ajudou à progressão dos atletas até ao ponto de retorno logo após a Fonte da Telha, aproveitando a maré baixa, ou a baixar, aquilo era uma autêntica auto-estrada ajudando a que muitos atletas conseguissem ali excelentes marcas para esta distância.
O retorno já foi mais penoso para a maioria dos atletas devido ao vento e à subida da temperatura, para mim estava excelente, aquele vento agradável apesar de forte vinha fresco e isso ajudou em muito a minha prova. O tempo final também revela a regularidade da corrida tendo em conta que o ritmo actual anda muito pelas horas da amargura, 6,42m por km, o que me deixa ao mesmo tempo muito satisfeito considerando que em Montanha raramente corro mais de 5 km seguidos.
O tempo final de 2,21h. corresponde mais ou menos a metade ao tempo gasto para cada um dos lados do percurso com apenas uma paragem no abastecimento junto ao retorno na Fonte da Telha, à excepção deste não parei em mais nenhum abastecimento, levei o camelback e água suficiente para toda a prova, este é um pequeno pormenor que tenho sempre em conta quando preparo as provas seguintes, o peso e os abastecimentos necessários, mesmo que não os utilize, fazem sempre parte do treino considerando provas como a Freita ou Melides/Tróia.
Parabéns à Organização e a todos os seus colaboradores.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Ultra Trail de S. Mamede

É verdade, voltei a S. Mamede, Portalegre com o intuito de terminar aquilo que iniciei em 2013 e não fui capaz de terminar, o Ultra Trail de 100 kms de distância. Pese embora o facto de em 2012 ter completado a prova ficaria sempre um amargo na memória se isto não seria obra do acaso ou fruto de um qualquer voluntarismo excessivo que permitira chegar nesse ano à meta. Por via das dúvidas decidira voltar a 3ª vez consecutiva decidido a completar a prova e deste modo terminar um ciclo a que me propus durante estes 3 últimos anos, totalizando quase 300 kms em 53 horas com uma desistência pelo meio.
Desta vez estava ciente das dificuldades que iria ter pela frente, não tanto como pensava, mas num circuito como aquele é de esperar sempre o pior, as alterações introduzidas, pelos menos 5, vieram causar imensos problemas a muita gente pelo grau de dificuldade encontrado, principalmente aos menos experientes e estreantes nesta distância. Para os repetentes, como é o meu caso, estas alterações são sempre bem vindas, mesmo que mais duras, porque se assim não fosse todo o percurso seria previsível e consequentemente muito monótono. Ainda assim...
A noite estava espectacular para a prova, fresca e pouco vento, o Luar estava meio envergonhado não ajudando em nada a encontrar o local onde pôr os pés, à partida perto de 700 atletas ou participantes como era o meu caso. Em ambiente de grande festa partimos à Meia-noite, eu tinha a noção que só voltaria ali à meia noite do dia seguinte, iriam ser muitas horas a correr e a andar. não dormira qualquer hora neste dia e o corpo mesmo antes de começar já dava sinais de alguma moleza. Tudo se esquece quando a organização nos manda embora e ir à nossa vida, a concentração está agora no máximo, já que partiram todos sonham em chegar, a esmagadora maioria leva como único objectivo fazer a aventura da sua vida e chegar em condições de se orgulhar dos seus feitos e superação e ainda poder depois contar a sua odisseia.
Logo no início da prova a organização tentou arranjar uma alteração ao percurso de anos anteriores para permitir um fluxo maior aos atletas na fase inicial, penso que foi um objectivo falhado já que as filas ficaram enormes e andar era muito penoso com tanto tempo de espera para se dar um passo, mais à frente nova dificuldade no rio pelas mesmas razões. Logo que retomámos o caminho normal não existiram mais problemas de entupimento de atletas, sendo atingido o 1º e 2º abastecimento sem mais constrangimentos. Aqui em Alegrete (17kms)começam os meus problemas de barriga, aproveitei as instalações ali existentes e tentei comer alguma coisa, o estômago começava também a ter a sua autonomia e a dizer que tivesse cuidado com o que metia lá para dentro, empurrei a banana, uns pedaços de bolo regional e marmelada e parti à conquista do alto da Serra de S. Mamede, eram agora 13 kms e quase sempre a subir, mas a 2ª alteração ao
percurso estava ali em plena ascensão, do meio da serra para cima aquilo tornou-se brutal, vi um amigo em grandes dificuldades que seguia à minha frente, o filho acompanhava-o, no alto este informa-me que o pai desistira após a 1ª leva de dificuldade, à 2ª já não estava em condições e ficou ali. Subi sempre motivado, os bastões davam-me bastante energia através dos braços e ia sempre ultrapassando outros participantes mas era notório que o cansaço se ia acumulando, quando se chega ao alto e logo a seguir encontro o 3º abastecimento é um grande alívio, era uma confusão enorme, as tendas tinham muita gente, já por ali havia muitos desistentes que ocupavam quase todos os espaços, procurei uma cadeira para me sentar um pouco e não havia, os meus pés já ardiam e necessitava de me descalçar e descansar um pouco, um atleta adormece ali com um café entre mãos, já não o deixam seguir, um colega da minha equipa estava ali em grandes dificuldades
deitado na tenda mas eu não sabia, acabaria por desistir, o Carlos Coelho chega entretanto e informa-me que fica por ali, acarinhei-o com nome que não gostou, fui insensível e magoei-o, peço desculpa pá!!! Mesmo em dificuldades vou à mesa e tento comer um pedaço de banana, não consigo, o mesmo acontece com os outros alimentos e começo a ficar preocupado pois faltavam ainda 70 kms e o organismo não iria resistir. Atesto de água e parto, o dia estava a amanhecer e pouco depois desligo o frontal, dali até ao km 40 é quase sempre a descer por um novo percurso idealizado até ao km 50, aproveito para correr um pouco, o sol começa a castigar o vento era quase nulo, com o estômago sem nada dentro a desidratação instala-se, ingerir a água só aos pequenos goles e a boca de 5 em 5 minutos secava, esta foi uma constante ao longo dos kms que faltavam até à meta, os desvios "técnicos" à mata eram mais frequentes, contei 7, mas pouco efeito fazia. Aos 40 kms (PAC4) sento-me um pouco mas nada ingeri de alimentos, apenas água e pouco depois parti rumo a nova escalada montanhosa, o alto da montanha estava a 970 metros de altitude, vários kms sempre a subir, no alto percorremos o planalto durante alguns momentos em território espanhol, até pensei que a ida
a Espanha seria por algum motivo de cortesia por sermos visinhos, mas não, nem vivalma. Tem razão de ser o ditado "de Espanha nem bons ventos nem bons casamentos" mas que a vista ali do alto para o lado espanhol era bonito lá isso era. O sol ia apertando de intensidade e raramente se apanhava uma sombra para protecção, a descida até ao PAC5) permitiu que corresse mais um pouco mas os pés continuavam o seu processo de degradação. Neste abastecimento nada de novo, mudo a água por estar muito quente e sigo para Marvão, estava ali por perto mas as voltinhas que tínhamos de dar totalizavam mais 11 kms. Corria agora sozinho, aliás nunca tive um sólido companheiro durante toda a prova, apenas de ocasião, e foi assim que iniciei a subida a Marvão debaixo já de um sol tórrido, a calçada inicial vai aos poucos dando lugar a uma inclinação brutal a caminho da entrada no Castelo, quase no topo existe uma fonte de água de nascente, parei um bom bocado e molhei tudo o que era sítio, bebi e abasteci apesar de lá dizer que a água não era controlada, (acho estranho, mas pronto!) Até entrar na porta do ladrão foi um autêntico suplício com aquela subida final a dar cabo do resto. Chego ao PAC6 com 12 h e pouco mas pouco
convicto que iria conseguir chegar à meta dentro de um tempo que considerara razoável, mas isso agora pouco importava, depois de chegar vou directamente buscar a muda de roupa que lá tinha e desfaço-me de tudo o que levava, deito-me no chão frio da sala em cima de uma toalha a recuperar as forças que perdera naquela subida final, estava também muito frágil por  não conseguir alimentar-me, tinha comigo umas barras, umas passas de uva, uns amendoins com açúcar e amêndoas de cajú com sal, nada disto conseguia comer, fui recuperando aos poucos na posição de deitado, queria dormir mas não podia e questionei-me bastante se não ficaria já ali, ao fim de uma hora visto o resto do equipamento, os pés agora já pouco doem com a muda dos ténis, largo tudo o que pode fazer peso e desço à procura de comer qualquer coisa. Havia sopa e comi duas tigelas cheias que me caíram muito bem neste estômago já tão depauperado, preparo tudo e parto mas ainda
queria beber mais um copo de água e bebi, valia mais que tivesse batido com a cabeça num toro qualquer, mal a água entrou em contacto com a sopa esta saíu logo em repelão boca fora, inconscientemente fizera asneira e a única comida que conseguira ingerir até ali estava agora no bidon, sentei-me de novo para recuperar da ansiedade e começo a sentir-me muito bem, limpara o estômago e agora estava em condições de comer mais alguma coisa, fui de novo à sopa e esta aguentou-se lá mas tive de abster-me de beber água durante algum tempo.A partir de Marvão acabara-se para mim a corrida, saíra de lá com 13,45h de prova, tinha agora 10 horas para fazer 40 kms até chegar à meta, na descida de Marvão pela estrada medieval sentia a parte muscular superior a ficar fragilizada e não quis arriscar, era possível mesmo num andamento mais rápido fazer 5 kms por cada hora ficando ainda algum tempo para curtas paragens em locais sagrados para mim, ribeiros,
charcos corrente e nascentes. Depois de passar pelo PAC7 (70kms) onde outro colega da minha equipa tinha posto fim à sua odisseia por problemas nos pés, segui para a etapa seguinte em Castelo de Vide, o sol continuava a não dar tréguas, a subida em pedra torturava ainda mais os pés, onde havia animais a pastar sabia que havia pequenos ribeiros de água de nascente, parava, refrescava e bebia, agora só ansiava que o sol descesse um pouco, até à Capela da Penha somos protegidos pelas sombras das árvores tornando mais fácil a progressão até lá. Chegara finalmente ao ponto mais distante da meta, 80 kms já estavam para trás e estava mais certo de ir conseguir chegar apesar das dores nos pés serem muitas e o estômago continuar com graves problema, neste PAC8 apenas bebo coca-cola, experimento e o estômago aceita, bebo mais 2 copos daquilo e fico à espera de alguma reacção negativa, mas não, aguentou-se. Depois de uns 15m de descanso parto para a etapa mais longa de 13 kms até ao próximo posto de controlo. Tinha os meus filhos em contacto comigo que por sua vez iam acompanhando a prova via Internet, tenho de lhes agradecer porque foi uma ajuda importante, assim soube sempre o que tinha pela frente, o Rui Pacheco , também dos A.V.Silêncio depois de conseguir o seu 4º lugar na corrida também me liga
Gentilmente oferecido pelo Rui Pacheco ( O seu 4º lugar)
e informa-me que aquele trajecto final também tinha sido alterado, mas quando lá passei vi que esta alteração veio de facto valorizar ainda mais a prova tirando-a da várzea e das estradas de alcatrão. Em contrapartida ficou mais difícil mas com muitas linhas de água tão do meu agrado. A noite foi apanhar-me perto do km 90, paro e sento-me para tirar o frontal e colocá-lo, vêm ali perto alguns atletas que passam por mim mas um deles pára a olhar para mim, pergunto se era o vassoura e ele responde que sim, levei as mãos à cabeça e sinto que acabara o meu sossego. Rapidamente apanhamos os outros que seguiam à nossa frente, com uma passada forte sigo para a frente descendo agora para o Convento onde estava instalado o PAC9, fora aqui que eu desistira o ano passado mas este ano estava determinado em prosseguir mas sabia que ainda ia encontrar um osso duro de roer com a passagem na Ermida cuja escadaria possui mais de 270 degraus. A Coca-coça
Rui Pacheco
continuou a ser a única ingestão que o organismo consentia, quer no Convento quer na Ermida. Na Ermida ainda alcancei mais atletas bem como no caminho até à meta. 00,40h estava a entrar na pista, muito debilitado ensaiei uma corrida ao iniciar a volta, mas pouco depois estava de novo a andar, o José Sousa veio a correr ter comigo e a meu lado incentivou-me a correr até à meta e assim fiz. Estava concluída, vou até ao sintético e deito-me, seria melhor que aquilo fosse relva mas depressa me levanto, o José o Miguel e a Yolanda levam-me rapidamente dali para um banho retemperador, depois descansar em solo duro no Pavilhão escolar, comi uma maçã e de imediato para dentro saco, até de madrugada. Nada tenho a reclamar, as marcações estavam impecáveis e pequenos enganos verificados são normais, gente muito simpática que encontrando, parabéns pelo sucesso na informação que disponibilizaram em cima do acontecimento permitindo que a família mais chegada estivesse sempre perto de nós. A toda a organização um muito obrigada. 

terça-feira, 13 de maio de 2014

II Trilhos das Lampas 10 Maio 2014


Os Trilhos das Lampas vieram provar mais uma vez que na Região de Lisboa também se pode realizar excelentes provas na variante de Trail. Participei na 1ª Edição e também no treino de adaptação ao terreno nesta 2ª Edição realizado no dia 23 de Março: Treino trilhos das lampas.  Este treino veio antecipar aquilo que já se esperava irmos encontrar no passado dia 10 de Maio, uma grande realização de uma equipa que ainda anda a tentar encontrar os passos certos para que sejam eliminados pequenos erros que se notam por serem precisamente pequenos. Os Trilhos das Lampas vieram na altura e
hora certa tendo em conta os meus objectivos para a Ultra de S. Mamede em Portalegre, tive ainda a sorte de ter a companhia do Alexandre Duarte nesta prova, grande amigo e companheiro que tive a felicidade de conhecer mais de perto também num treino nocturno realizado há 2 anos em S. João da Lampas em homenagem à Meia Maratona com o mesmo nome e da responsabilidade do Fernando Andrade. Nada vou acrescentar ao que já li em torno desta prova, para mim ela foi mais um hino à nossa liberdade de podermos correr e desfrutar de um sítio extremamente bonito e acolhedor, bonito pelos campos e arribas percorridos
e acolhedor pela simpatia e apoio dispensados a todos pelos colaboradores espalhados ao longo de todo o percurso. Tirei o melhor aproveitamento possível para o que pretendia, nem as diversas entorses que tive, uma delas mais a sério, me amedrontaram ao pequeno teste a que me propuz. Passados 2 dias e estou de volta aos treinos e sem mazelas aguardando com alguma ansiedade responsável pela próxima sexta-feira.

Voltarei sempre que seja convocado, é uma forma pessoalmente de agradecimento pelo grande empenho que o Fernando e a sua equipa de trabalho põe naquilo que faz
para receber os amigos, o seu empenho é também o nosso e só assim conseguiremos chegar senão à perfeição pelo menos a níveis razoáveis a roçar o melhor que sempre ambicionamos.
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