sábado, 19 de outubro de 2013

Meia Maratona da Moita 2013

Passado 5 dias vou finalmente escrever umas palavras sobre a Meia Maratona da Moita realizada no passado dia 13 de Outubro. Nem sequer estava inscrito para a prova, andei a hesitar até à última e ás tantas fui para lá sem saber que não tinha dorsal para participar na corrida. Acabei por aproveitar um dorsal de um colega de equipa que desistiu há última hora que amavelmente a organização aceitou fazer a alteração para o meu nome.
Esta decisão de participar há pressa nesta prova tem naturalmente a ver com a Maratona do Porto que aí vem no próximo dia 3 de Novembro e eu estar muito aquém da preparação desejada para participar naquilo. Pode dizer-se que fiz o Ultra Trail Serra D`Arga há 3 semanas na distância de 44 kms e que seria suficiente para não ter grandes preocupações para a Maratona do Porto, mas a coisa não é bem assim, provavelmente daqueles 44 kms apenas devo ter corrido à volta dos 14kms, sim é isso mesmo, por isso muito longe do desejado em nº de kms para aquele efeito. Daí aparecer a Meia da Moita como escape para percorrer kms e minimizar o atraso que tenho na preparação.
Acresce que o tempo de recuperação de umas provas para as outras é agora mais demorado, pelo que a Moita apareceu cedo de mais e ainda muito perto da Serra d`Arga, daí a necessidade de correr a prova ainda em recuperação de esforços anteriores mas já com os olhos postos no Porto, daí que não é de estranhar os cuidados que coloquei quer no ritmo quer na gestão das forças (que eram muito escassas) desde o princípio e até final da prova.
Levei comigo o kamalbeck e por força disso tive de levar uma t-shirt por baixo da camisola do Clube e um lenço ao pescoço para não me ferir com o roçar das correias, escusado será dizer que esta vestimenta e o calor que estava me infernizaram a vida, soube-me bem ter ali sempre água pronta a matar a sede mas as dificuldades cresceram por ter tomado esta opção. Não era importante o tempo final de prova quando chegasse à meta, o importante era mesmo correr kms e adaptar o organismo de forma progressiva até chegar ao grande dia da Maratona, o alcatrão também não tem tido da minha parte grande simpatia por isso não é de estranhar que a partir do meio da Meia Maratona já tivesse "partido" os 2 pés ao meio e as dores tornarem-se num flagelo difícil de suportar. Agora sei que para chegar à Maratona ainda tenho que trabalhar muito e o tempo para lá chegar já é tão pouco.
Parti na companhia do Emílio, um amigo do meu Clube, a média rondava os 5,45m por km até perto dos 5 kms, mas aí ele diz-me que ira ficar e seguiria mais lento, fiquei só e a sua companhia estava a ser excelente, afinal ele estava mesmo com problemas, soube depois que desistira aos 8 kms por problemas que ainda desconheço, ainda há pouco tempo acontecera-me o mesmo com o Mário Lima, ia muito bem comigo e de repente diz-me que se sente cansado e que o motivo foram as férias e que tinha treinado pouco, que piedosa desculpa, soube mais tarde que que sofrera uma completa falência do organismo e fora levado de urgência para o Hospital, felizmente recuperou nos dias seguintes, a estes 2 casos podemos associar o calor que se fazia sentir, na Moita não era tanto, mas temos cada vez mais vigiar o nosso desempenho e a cada momento vigiar como o nosso organismo está a reagir, é por isso que não me importo de transportar os meus próprios abastecimentos, levo 1,5k.a mais? não importa, os meus objectivos não passam por marcas nem por boas classificações mas sim por me sentir bem e concretizar os objectivos iniciais, kms e mais kms.
Aos 12 kms estava a passar junto à meta, a média mantinha-se muito simpática 6´ o km. 1,12h. no total, já muitos atletas tinham cortado a meta e eu estava satisfeito porque ainda conseguia correr sem o recurso habitual à caminhada (muito frequente em provas de montanha), mas aos 13 kms parei pela 1ª vez  para ir beber água a um bebedouro que está ali algures no circuito pedestre junto ás árvores, era fresquinha e animou-me até chegar junto do abastecimento dos 15 kms no Rosário. Desde os 5 kms que corri sempre isolado, aliás como gosto, mas após os 15 kms junto-me a um atleta estrangeiro mas que fala a nossa língua bem fluente que me diz que ia feliz por já ter chegado ali e que estava a fazer a sua estreia na meia maratona. Tinha perdido algum tempo, ou ganho, não sei,  no abastecimento, andei ali um pouco para hidratar bem e abasteci a mochila com mais 3 garrafas para enfrentar aqueles 6 kms finais. Depois encontrei aquele amigo e ao saber a sua satisfação fiz-lhe um pouco de companhia tendo mais à frente  seguido a minha corrida uma vez que me sentia bem e ele ter dificuldades em me acompanhar, embora eu seguisse naquele momento bastante dorido dos pés e dos joelhos. Aos 18 e aos 19 kms ando um pouco, talvez uns 200 metros de cada vez, aproveito para ingerir bastante água, o calor já era muito e prossigo sempre em marcha de corrida o resto do tempo. As camisolas que levava vestido afrontava-me um pouco mas ao mesmo também me refrescava, o suor caía já em bica, o que para mim é uma situação normal e foi assim que atingi a meta, 2,18h. para os cerca de 21,200kms de distância.
Uma ilação tenho que tirar, a Maratona do Porto vai doer, a menos que ainda tenha tempo de recuperar um pouco e consiga acrescentar mais alguns kms até lá chegar. é o que tenho andado a fazer, passaram 5 dias, 35 kms percorridos, muito pouco, muito pouco!!!

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Grande Trail Serra D´arga


Correr numa montanha como a Serra D `Arga requer uma atenção e preparação especial de quem ouse enfrentá-la, e tenho de ser sério para reconhecer que não estava no mínimo de condições para o fazer, mas apesar de todos os contratempos nada me iria impedir de estar presente e atravessar aquelas serras e vales pela 3ª vez consecutiva.
Uns arreliadores problemas físicos surgidos depois do Utra Trail de Óbidos não me têm permitido efetuar uma preparação adequada para esta prova em Caminha, ainda recentemente (há 15 dias) surgiu-me uma inflamação num gémeo da perna esquerda que me levou a desistir no Trail de Ponte de Sor, ainda assim confiei que era possível curar com alguma intensidade a mazela e estar presente na partida.
Quando cheguei ao local onde estava instalado o secretariado da prova na companhia de mais 4 amigos que fizeram a viagem comigo logo procurámos os dorsais e depressa arrumámos esse assunto, pessoalmente tinha um objetivo que ficara escrito à tempos de saudar o Carlos Sá pela sua vitória recente no deserto da Califórnia, mas neste aspecto não fui bem sucedido devido aos afazeres que a sua responsabilidade no evento implicam, ainda me mandou aguardar por melhor oportunidade, mas ela não chegou, pensei que talvez na chegada da prova tivesse essa oportunidade visto que neste momento já era tarde e ainda tínhamos de ir jantar.
A noite esteve muito chuvosa e como sempre quase que não consegui "pregar" olho, a mistura da orquestra dos roncos que se ouvia em toda a sala onde devíamos dormir e a chuva que caía com alguma força na cobertura do pavilhão eram de um efeito devastador para quem queria descansar um pouco, definitivamente ás 3,45h desisti de dormir e aguardei serenamente dentro do saco que chegassem as 6h para começar a arrumar as coisas e preparar-me para a prova.
Logo que chegámos a DEM tive a certeza daquilo que já previra, a serra, visível ali a 2 kms, estava de novo encoberta pelas nuvens tal como estava há 2 anos quando a prova foi suspensa aos 20 kms, mas pelas mensagens sonoras que ia ouvindo não se falava numa possível alterar do percurso pese embora as péssimas condições meteorológicas anunciadas e que eram visíveis pelo observávamos, vento, chuva, neblina e algum frio. Ainda vesti o anorak mas depressa me arrependi e ainda antes da partida tirei-o de novo, à minha volta estava tudo bem resguardado contra o frio e com a chuva mas não me importei, a minha t-shirt de manga curta dava-me algum conforto e seria o suficiente para enfrentar aquele temporal, aliás como se veio depois a confirmar. Antes da partida fiz alguns alongamentos na zona dos gémeos de forma a "esticar" um pouco a região afetada pela inflamação, depois partimos após a cerimónia de 1 minuto de silêncio em homenagem aos bombeiros mortos em combate contra os incêndios criminosos.
A minha prova em si não tem muita história, toda ela estava enredada na interrogação até onde eu conseguiria chegar, não apenas pela recente lesão mas também pela falta de preparação, por isso todo o sentido estava sempre virado para o aparecimento de dores nos lugares suspeitos, e não foi preciso esperar muito que a sensação de dor aparecesse, mas seria apenas sensação? abrandava a marcha (que já era lenta) e parece-me que ficava melhor e prosseguia. A chuva e o vento a partir do meio da 1ª subida (2 kms) começava a fustigar forte e feio, a forte inclinação com muita pedra/rocha e alguma lama ia atrapalhando mas que se conseguia ultrapassar com as dificuldades inerentes, as encostas da serra viradas ao mar eram terríveis de suportar com ventos de rajada muito forte misturas com a chuva castigava em demasia quem por ali andava mais exposto e "mal vestido) como era o meu caso, no outro lado da montanha virada ao Oriente tudo mudava, a chuva mantinha-se mas o vento amainava, assim fui até ao 1º abastecimento que estava pelos 7 kms, ali fiz uma paragem técnica e perdi o controlo de quem ainda vinha atrás de mim, parece que não mas quando andamos sozinhos sabe sempre bem saber se ainda temos alguém atrás de nós, fiz a pergunta mas ninguém me soube responder. Rapidamente, andando e correndo, cheguei ao abastecimento seguinte (11 kms) e sou apanhado pela Analice Silva que rapidamente parte mal tocando no abastecimento ali colocado à nossa disposição, entretanto chegam outros atletas e fico a saber então que ainda vinham muitos atrás de mim, parto e pouco depois apanho a Analice e decido ficar por ali na sua companhia por algum tempo.
Entretanto a chuva continua a cair incessantemente, os trilhos parecem agora rios caminhamos com os pés encharcados e em banho permanente, os obstáculos a ultrapassar vão endurecendo de dificuldade, agora existem rios em tudo o que é vale, na serra observam-se autênticas e magníficas cascatas criadas pela acumulação de água  de fazer deslumbrar a nossa vista, o dia ao mesmo tempo parece noite, na floresta logo a seguir ao abastecimento do Convento havia uma escuridão quase total, logo de seguida prosseguimos ao longo do rio com paisagens muito bonitas causadas pelo leito do rio e pelas cascatas que aqui e ali se iam formando. De vez em quando lembro-me dos gémeos e sinto-os e de imediato caminho até adquirir a confiança necessária para me esforçar mais um pouco.
A Analice ainda segue ali comigo, já tinha decidido não ir embora, era notório algumas dificuldades que ela tinha em transpor alguns obstáculos, nomeadamente a zona rochosa e a descer, porque a subir... que força que ela tem!!! depois com o avolumar da água da chuva que caía e o aparecimento impensável dos rios que se formavam montanha abaixo era necessário uma atenção permanente porque os caudais eram enormes e a corrente muito forte, em duas situações foi problemático fazer a travessia. O frio era muito intenso com o vento muito forte e a chuva a ajudar  fazer a subida em ziguezague até ao ponto mais alto logo a seguir ao abastecimentos 25 kms foi tremendo, no alto tremíamos de frio, os elementos que ali estavam da organização no abastecimentos também tiritavam de frio, rapidamente começámos a descida e com ela a temperatura melhorou e acalmámos um pouco, o pior já ficara para trás e começámos a fazer contas para a previsão de tempo para a nossa chegada, ali ainda acreditámos que as 10h. eram possíveis, mas os problemas vieram depois com os rios que se foram criando nos trilhos por onde passávamos e nos rios de que já mencionei mais atrás, acresce a isto que em determinada altura o nevoeiro também aqui e ali fazia a sua aparição dificultando a visualização das fitas, a nossa sorte é que a organização conhecedora da possibilidade de o nevoeiro aparecer colocou em pontos críticos fitas mais perto uma das outra permitindo uma melhor identificação do rumo a seguir.
O pacto de não agressão feito por mim e a Analice durou pois até à meta final, chegámos ambos em boas condições físicas e havia ainda uma boa comitiva à nossa espera em que os seus aplausos nos encheram de satisfação, recebemos o nosso prémio e terminava ali a nossa participação nesta magnífica prova, lamentando apenas que os nossos nomes não ficassem registados como terminadores da prova, por certo algum problema surgiu com a leitura de chip que transportávamos, terminámos com 10,33h e ouve registos de chip posteriores até quase ás 12 horas de prova.
A esperança de dar o tal abraço ao Carlos Sá também se desvaneceu quando cortei a meta e ele não estava ali, tenho de lhe deixar aqui o recado, devo-lhe um abraço, está prometido e tem de ser cumprido.
Parabéns a toda a organização pela excelente prova que nos ofereceram, não me esqueço de dizer que apesar do mau tempo não deve haver coisa mais bonita do que a Serra D´Arga para fazer Trail, corri lá com prazer e raramente ansiava pela chegada, aquilo foi deslumbrante dando razão á minha paixão em correr com o estado do tempo bastante adverso. Voltarei.
Uma palavra especial também para os meus companheiros de viagem e em particular para o Rui Pacheco do meu clube Amigos do Vale do Silêncio pelo seu excelente 5º lugar da classificação geral e para a Analice que continua ser uma heroína pela sua coragem em enfrentar desafios, sem medos, da qualidade quase extrema que tem por referência esta prova.
Tempo de prova aproximado: 10,33h. para 43,280 kms.
 

Classificações

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Trail do Sor, Ponte de Sor

Foi aqui que desisti, com o apoio do Vitorino
Foi curta a minha participação no Trail do Sor em Ponte de Sor. Era a 1ª edição e pela divulgação feita pela organização da prova tinha imenso gosto em participar, tanto mais que havia ainda a possibilidade de rever muitos amigos que nutram uma grande paixão por provas deste tipo e onde eu também me sinto à vontade. Mas quis o infortúnio provocado por um problema num dos gémeos que eu não completasse a prova e a consequente desistência a cerca dos 2 kms da partida. Quando parti já estava tocado com uma ligeira dor que contraíra no último treino antes da prova (Sexta-feira), mas mesmo assim apresentei-me na partida com os dois companheiros do meu Clube que fizeram a viagem comigo, tinha a noção que podia parar a qualquer momento e logo a partir do 1º km a dor começou a acentuar-se, não pensei duas vezes rolei até um pouco mais à frente e desisti junto de uma ambulância dos Bombeiros e comuniquei ao elemento da organização que ali estava da minha desistência.
Eu e o Míster Fernando a descer para o Rio
Estava nesta altura a pensar já na Serra D`Arga, seguir ia destruir a minha ida a esta prova e isso eu não queria, a inflamação no gémeo não passava disso mesmo e prosseguir era o mesmo que dizer que iria ter uma rutura pela certa, foi a melhor opção. Logo surgiu uma viatura da organização para me resgatar mas não fui, preferi ficar ali e esperar pelos atletas que voltariam a passar ali após os primeiros 10 kms. Depois passados quase duas horas regressei a pé até ao local de chegada acompanhado de um membro da organização e do atleta Rui Ferreira que tinha desistido poucos momentos antes ali naquele local, confidenciou-me depois que não estava nos seus dias mas que na Serra D´Arga já deverá estar a 100%.
Enquanto eu passava ao fundo à direita a Otília mergulhava.
De regresso ao local de partida e já munido da máquina fotográfica fui para as margens do rio e entretive-me a registar a chegada de quase todos os atletas do Trail e alguns da Caminhada, dando assim por concluída a minha participação neste 1º Trail do Sor excelentemente bem organizado e com gente muito simpática.
Voltarei lá para o ano e acabar aquilo que agora não consegui.
Percorri 2,220kms e gastei 16 minutos.
Fotografias

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Corrida da Festa do Avante

Ainda um pouco dorido da corrida do dia anterior na Meia Maratona de S. João das Lampas fui para esta corrida da Festa do Avante com o intuito de participar apenas com o sentido de fazer mais um treino com vista a recuperar alguma forma para enfrentar as duas de Trail que ainda tenho este mês, ou as 3 se decidir ainda ir até ás terras do Grande Lago no Alqueva. A prova manteve-se fiel ao trajeto dos anos anteriores com uma melhoria muito significativa: a alteração do local de partida, é a 4ª que já conheço, mas que me deixou bastante agradado, lembro-me ainda bem da confusão da partida do ano passado onde misturavam mais de 1 milhar de atletas com os habituais visitantes da festa, veículos que circulavam e outros por ali estacionados numa rua de acesso à Festa bem estreita e sem qualquer condições para o efeito. A Organização atenta ao ocorrido ofereceu-nos este ano um amplo espaço de partida que creio veio resolver de vez este eterno problema.
Tinha a minha "pequenota" de novo ali ao pé de mim na partida bem como o Daniel e muitos outros Amigos do Vale do Silêncio, via de novo o João Vaz com vestido com a nossa camisola e a "pequenota" a estrear a sua camisola azul das nossas cores, aos poucos as coisas vão-se recompondo para ela, o "pequenotezinho" já vai dando alguma folga e assim permitiu esta proeza de voltar a uma prova que já venceu.
Eram/foram 11 kms num percurso que é espetacular de ida e volta e nos permite estar dentro da corrida e apreciar aqueles que admiramos que rolam sempre na frente da corrida mesmo que ainda eu siga no km 3 e já esteja a ser cruzado pelos atletas da frente, mas isso pouco importa desde que para nós, e neste caso para mim, nos sintamos bem e a cumprir com os objetivos que traçamos para a nossa corrida. No início ainda fiz uma leve tentativa de fuga à "pequenota" mas de pouco valeu, pouco depois o Daniel trouxe-a de volta e no fim ainda levei com 6 minutos de bitola, tudo bem, o mais importante é que vá participando de vez em quando e a matar a saudade de tempos áureos bem felizes.
A minha prova foi sempre em esforço propositadamente e nos limites, raramente baixava dos 6 minutos ao km mas no final a média foi mesmo essa, pelo que a 1,06 h conseguida corresponde a 11,020kms do percurso traçado e a acabar mesmo no cenário da Festa do Avante.
O resto, bem, foi excelente com a companhia dos 2 "pequenotes" que fizeram a corrida, do meu genro e nora e de mais amigos entrámos na Festa e ficámos por lá, a fazer o quê? Imaginem! 
 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Meia Maratona de S. João das Lampas


A grande moldura humana representada pelos atletas presentes na Meia Maratona de S. João das Lampas compensou-me de certa maneira pela fraca prestação individual nesta prova, ainda assim retirei cerca de 10 minutos à prova do ano passado, também ela fraquinha. Gostei de ver tantos atletas presentes e a participar nesta 37ª edição da prova, é um prémio recompensador para quem tanto tem persistido em a manter viva ao longo de tantos anos, falo obviamente do Fernando Andrade.
A feliz ideia de avançar para outras ideias desportivas ao longo do ano ligadas a esta Meia Maratona poderá estar ligada a este sucesso, estive em duas dessas iniciativas: a Meia Maratona noturna que se realiza em Novembro na versão de treino com convívio final e o 1º Trail de S. João das Lampas realizado também ao fim da tarde/noite no 1º semestre deste ano, por isso a minha convicção que a divulgação da prova realizada neste fim de semana representar um grande sucesso pelo seu organizador. É certo que a amizade e simpatia que une um número elevado de atletas a esta prova e aos seus organizadores também contribui para o sucesso mas ele de nada vale se não existir um carisma forte por quem tudo dá para bem receber os amigos e todos aqueles que os visitam pela primeira vez.
Finalmente começa a esbater-se este papão das "rampas", na 37ª edição bate-se o recorde de presenças, o facto de se realizar na 1ª semana de Setembro não esmoreceu a fidelidade de uns quantos (creio que a maioria) e dos outros que quiseram finalmente conhecer a prova e vencer alguns fantasmas de que tanto se falava, como gostei de ouvir dizer a tantos que era a sua estreia na prova e no final pelo que ainda fui a tempo de observar que estavam satisfeitos pelo sucesso da prova.
A grande adesão provocou como é óbvio alguns desajustos no terreno organizativo, prevê-se que a prova ainda irá crescer muito mais, o que irá provocar maiores dores de cabeça à simpática organização desta velhinha competição, pequenos nadas a corrigir e por certo teremos para o ano mais uma edição espetacular. 
Desde o dia 4 de Agosto Ultra Trail noturno de Óbidos que não treinava, fiz algumas fogazes tentativas sem grande sucesso, já que o esqueleto não permitia mais devido a mazelas então deixadas, por isso corri a meia maratona com muita cautela tentando não afectar a zona da coluna ainda dorida, só a partir dos 15 kms é que comecei a ganhar mais confiança e a acreditar que podia forçar um pouco mais até chegar à meta. Ao contrário de anos anteriores o tempo estava excelente, algum vento e pouco calor, ainda assim a organização e os proprietários de algumas casas proporcionaram-nos um número elevado de chuveiros (mais do que o habitual) espalhados por diversas ruas de todas as aldeias que atravessámos, como é habitual não falhei nenhum, o tanque lá estava de novo e à falta do balde e do calor abrasador habitual limitei-me a umas baldadas de água com o boné que me acompanhava e assim prossegui mais fresco com a vontade renovada em prosseguir até ao fim.
Voltei a encontrar muitos amigos por lá mas ouve um que não consegui encontrar e ele estava ali por perto, se calhar a menos de 10 metros, veio da Holanda e é um grande amigo ainda assim a sua esposa conseguiu descobrir-me e matei saudades, mas o Xavier é que nada, ainda fiquei por lá até tarde mas não sabia da churrascada onde estava e vim embora. Talvez na Maratona do Porto volte a tentar encontra-lo.
Não sendo o mais importante acabei por fazer 2,11,21h nos 21,280kms que o meu cronómetro registou.
Fotos de: A.M.M.A.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Ultra Trail Noturno da Lagoa de Óbidos

Estava curioso para ver e conhecer o novo percurso que o Ultra Trail de Óbidos nos oferecia desta vez, falava-se de novidades  e que a prova iria ser feita em sentido contrário ao dos anos anteriores, agora que a conheço confesso que fiquei surpreendido pois esperava ir encontrar uma prova mais suave e acessível, e provavelmente até seria se trilhássemos o mesmo caminho do ano passado em sentido contrário. Perdi o conto ás vezes que caí mas devo dizer também que o Luís Miguel (o Tigre), que me acompanhou durante toda a prova, deve ter caído mais do dobro do que eu, aliás caía porque ele seguia quase sempre na minha frente e foi por isso que eu me livrei de cair no Ribeiro, ele caiu de chapão e até parece que gostou porque até ficou um bocado lá sentado a apreciar aquela água barrenta e mal cheirosa.
Mas ainda a poucos minutos da partida lembro-me que ainda não tinha comido nada, vem-me logo à memória que o primeiro abastecimento de sólidos está no 2º  posto de apoio aos 21 kms, estava tramado pois seriam mais 3 h. sem comer o que não ajudaria nada ao meu desempenho, comi de imediato uma barra de chocolate e baunilha e não tenho tempo para mais, entretanto partimos simbolicamente junto das muralhas onde umas horas depois regressaríamos.
A noite já chegava quando partimos, os frontais davam luz e cor ao espetáculo, o tempo estava excelente, fresco e sem vento agressivo o que possibilitou um desempenho muito melhor, os primeiros kms foram corríveis mas a certa altura começaram as dificuldades naqueles montes e vales com desníveis muito acentuados, as primeiras quedas deram-se aí, as descidas eram feitas com muito cuidado mas mesmo assim o traseiro de vez em quando lá tinha que saltitar, nem os bastões que levava me valeram ali muito. Continuámos os 2 sempre com o objectivo de correr onde era possível mas após aquela parte inicial mais favorável começámos a encontrar o areal ainda longe da costa marítima. Como era de prever sentia-me fraco, o abastecimento dos 9 kms apenas tinha líquidos e aproveitei bebi água e mais nada e seguimos num misto de corre/anda devido ao piso muito incerto de areia e terra batida.
Com 3h de prova chegamos ao 2º abastecimento que surge já junto à costa, espetacular variedade de coisas à nossa disposição, bolos e bolachas diversas, fruta e bebidas diversas, eu como estava com fome e muito apetite (o que não é normal) apenas comi muita melancia e melão, estive para me a mandar também ao tomate mas neste dia não estava para ali virado, atestei o camelbeck que ainda tinha gelo e sigo com o Tigre dunas acima, eram mais 9 kms de areia encaixada em dunas traiçoeiras (caí mais umas vezes) fazendo-nos andar num constante sobe e desce, ali raramente corremos e a própria progressão era dificultada pela forte ventania que corria de Norte para Sul, precisamente ao contrário da nossa marcha. Aos 30 kms e 5h de prova chegámos ao abastecimento seguinte junto à Foz do Arelho, paro ali e volto a comer de novo o conteúdo da receita anterior, mais água para o reservatório, tiro a areia dos ténis e seguimos já muito massacrados (pelo menos eu) dos pés e um dos joelhos a dar de si. Mesmo assim consigo correr quase sempre até chegar ao Pantanal e aí é que foi brutal, seguimos o caminho indicado e começámos a atravessar, de repente não vemos os pontos luminosos e estamos no meio do caniçal, aquilo é estreito e procuramos o caminho certo, mas nada, encontramos água e voltamos para o caniçal, à frente vemos as luzes de candeeiros que iluminam a estrada, vamos furando o caniçal, eu vou na frente a derrubar tudo o que me aparecia à frente, não vejo as silvas e fico agarrado várias vezes, os joelhos já sangram mas tínhamos de seguir até chegar à estrada, atrás de nós já vinham mais atletas que aproveitavam a abertura que íamos fazendo. Tanta dificuldade e ali ao lado mais a Sul passava a estrada mas regulamento é regulamento, até ver!
Passado este contratempo lançámo-nos em busca do 4º abastecimento que estava aos 40 kms, agora já andava mais do que corria, as dunas tinham deixado mossa e os pés continuavam muito doridos na parte plantar mas nada que me impedisse de continuar, a ideia e objetivo estava  agora a apenas 10 kms e por isso não demorámos muito a sair dali depois de abastecermos a barriga e os reservatórios, aquele era o último abastecimento e por isso estávamos agora por nossa conta. A cada km que passava era uma vitória mas os tormentos começaram a surgir logo após os 45 kms, (foi nesta altura que estranhámos a presença ali pelo nosso lado esquerdo de um numeroso grupo de pessoas com frontais acesos, iam num trilho diferente, portanto não podia ser pessoal do Trail, soube depois que eram da Caminhada e andavam perdidos), pouco depois perdemo-nos no meio de um pereiral por um estradão quando deveríamos cortar à esquerda por um terreno baldio na direção das serras
que nos aguardavam, foi mais 1 km desperdiçado, voltámos atrás e retomámos o trilho certo, demos por ali mais umas voltas sem sabermos onde é que andávamos quando a meta deveria estar a apenas 2 kms dali. De repente avistámos Óbidos, ali estava imponente quase ao esticar de um braço, iniciámos aquela descida infernal para os meus joelhos, o Tigre ainda desce bem mas eu fiquei um pouco mais lento ali, para nos dificultar mais a tarefa o dia já tinha clareado o suficiente à algum tempo ao ponto de termos extremas dificuldades em ver os pontos luminosos, pensávamos que já não existiriam mais problemas e eis que nos perdemos de novo, não encontrámos o túnel, na altura não sabíamos que havia ali um túnel, o certo é que chegámos ao cimo do estradão e damos com uma quinta, havia ali do lado direito um trilho  e seguimos por ele, pontos luminosos nem vê-los, voltámos atrás várias vezes e nada (ver o nosso track e está lá registado as voltas que demos), o dia não deixava ver a parte luminosa e o sol já estava quase a bater-nos na cabeça.
Andavam por ali mais de meia dúzia à procura do mesmo, eu e o Miguel decidimos seguir em frente até à povoação onde tínhamos passado no dia anterior e retomar mais à frente o trilho certo, ultrapassáramos o famoso túnel sem sabermos, quando voltámos a encontrar alguns que vinham do túnel verificámos logo que aquilo não tinha sido do agrado deles, pouco depois novo engano, pontos nem vê-los, virámos à direita quando devíamos subir mesmo até ao alto do estradão e depois subir a escadaria, o pessoal lá em cima gritava para nos orientar mas era difícil perceber, finalmente encontramos os metros finais, a escadaria até nem custou muito depois foi a recta final, o Jorge Pereira ali estava a incentivar e fez-me correr aqueles metros finais que eu pensava já não ser capaz, lá estava também a minha filha Susana que aguentou ali toda a noite à minha espera e o Rui Pacheco, atleta do meu Clube que desistira aos 40 kms por uma indisposição devido a ter ingerido uma bebida que desconhecia num dos postos de abastecimento e que lhe caíra mal
Obrigado mais uma vez ao Luís Miguel pela sua inseparável companhia durante toda a prova, se ele não estivesse ali a meu lado se calhar ainda por lá andava, ele sabe muito e tem muita experiência, a seu lado estamos sempre muito à vontade. Aos restantes os meus agradecimentos pela companhia e apoio que me deram.
Acabámos por fazer 52,920kms, num tempo oficial de 9,25,02h. (Que grande jornada de trabalho)
Um agradecimento à Organização pela atenção prestada e os parabéns pela excelência de mais uma vez nos oferecerem uma prova de Trail  bem traçada onde a dificuldade esteve ao nível  da sua dimensão.
Deixava apenas uma sugestão: aqueles 5 kms finais deveriam ser assinalados pelos pontos luminosos (como já o são) e para os mais atrasados, os tais que como eu já chegam de dia, deveriam ser colocadas também algumas fitas pois como se sabe os pontos luminosos são ótimos mas para quem anda de noite.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Ultra Maratona da Areia, Melides/Troia

Andava aqui ás voltas a ver como começaria esta minha crónica sobre a minha participação na Ultra Maratona da Areia Melides/Troia e eis que caiem duas respostas a um comentário que fiz no Blogue da Ultra Maratona pertença da Câmara Municipal de Grândola, que me deixaram um pouco aborrecido por não ter sido exato com a opinião que dei em ambas as situações, uma desclassificação e uma data que não estava certa. Sobre a data dou de barato, até porque o anónimo (medroso) que publicou foi pouco simpático no que disse e nem sequer merece resposta da minha parte, exatamente por ser medroso. Sobre a desclassificação de uma atleta, para o caso a vencedora das duas últimas edições e recordista da prova, tenho de pedir desculpa à Organização da prova e também à própria atleta por ter afirmado que fora desclassificada pela Organização por conduta anti desportiva. Ora tal não corresponde à verdade, conforme recebi a informação de um amigo assim a publiquei no Blogue da Organização como certa, o que lamento, a atleta em questão ao fim de duas horas de prova desistiu por falta de água, para não cometer uma falta que levaria à sua desclassificação e também por não subverter o espírito da prova optou por desistir. Uma atitude irrepreensível que se saúda e que devia ser seguida e interpretada por todos, um grande exemplo.
E por falar em água muito pensei eu durante a semana como é que haveria de levar água suficiente por forma a que chegasse ainda "vivo" aos 28,5 kms de prova onde seria dado o único abastecimento de água em todo o percurso, as experiências recentes da Freita e do Almonda sobre as altas temperaturas que nos castigaram fortemente serviram como alerta para esta prova com as caraterísticas únicas que tem, pensei e resolvi congelar durante 3 dias a água do recipiente do camelbek (1,5l) e mais duas garrafas pequenas, conforme o gelo ia derretendo ia bebericando e assim consegui chegar ao abastecimento ainda com gelo para derreter, acrescentado o litro que me deram não tive mais preocupações até final da prova.
Chovia quando cheguei ao barco em Setúbal, eram 5,30h, logo pensei que iriamos ter um dia em cheio para correr, muitas nuvens e o vento era praticamente nulo, mas a chuva foi de pouca dura e ao partirmos para Troia não mais tivemos a sua visita até ao final do dia.
Ás 7,30 estávamos a chegar a Melides e rapidamente tratei de levantar o kit, antes de lá chegar um prego (creio que era o único que ali estava) destruiu-me um dos ténis deixando-me os dedos à vista, por sorte salvaram-se os dedos e pude fazer a prova sem mais problemas.
O campioníssimo Carlos Lopes marcou presença novamente, quer na partida quer na chegada, mas ao contrário dos outros a sua presença não me suscita grandes entusiasmos (e fui dos que estive noite dentro a assistir àquela sua brilhante vitória nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 1984) e a razão é simples: enquanto não me devolverem o preço da inscrição da última Maratona que teve o seu nome e a cancelaram vou olhar sempre com algum desagrado a sua presença, não é pelo valor em dívida mas sim pelo gesto sem que se preocupassem a explicar a razão de tal atitude. Pode ser um dia ele explique isso muito bem explicadinho.
Já me tinha soado que o piso no areal estava muito diferente em relação à última edição, todos nós sabemos, (pelo menos aqueles que são mais assíduos) que de ano para ano o mar transforma aquilo a seu belo prazer e por isso nunca sabermos o que vamos encontrar, desta vez essa realidade voltou a impor-se desde os primeiros metros logo a seguir à partida, por norma aquelas dificuldades iniciais até aos 5/6 kms são já do nosso conhecimento e raras vezes se altera mas aquilo que fomos encontrar creio que nunca tinha acontecido e as dificuldades iniciais transformaram-se numa distância até perto dos 20 kms, brutal, é assim que se poderá catalogar tão difícil progressão.
Em 2010 a baixa mar quase que não existiu e tivemos de correr bem acima até perto dos 30 kms, este ano para além da baixa mar ter ficado 1 metro acima do nível mínimo ainda tivemos o areal com forte inclinação muito solto e ondulado junto à rebentação dificultando a vida a todos os atletas que procuravam diversas vias para poderem correr ou andar ao longo da praia.
Aos 4 kms fui enrolado por uma onda num dos socalcos mais baixos que chegavam a ter pelo menos 1 metro de desnível, a água entrava e numa das vezes fui apanhado em cheio, fiquei de cabeça para baixo mas sem correr qualquer riscos, depois segui sempre ora junto à água ora por cima da areia seca onde era quase impossível correr, pelo menos para mim.
Com duas horas de prova tinha 11 kms percorridos, muito pouco para quem tinha de perfazer os 43 finais até ás 8 horas impostas pela organização, isto atestava as dificuldades que o percurso estava a ter na progressão dos atletas, creio que todos se lamentavam pelas mesmas razões e no final não raras vezes ouvia os queixumes de muitos a dizer que pelo menos uma hora tinham perdido em relação ao ano anterior!
Chego aos 28,5 kms com 4,45h e começo a ficar descansado quanto ao tempo final, parei só o tempo suficiente para abastecer o depósito com 1 litro de água que me deram, manifestamente pouco e que teria de gerir até final, ainda conservava comigo uma garrafa de 2,5 dl. cheia, pelo que parti tranquilo para o que restava da prova, fisicamente estava bem, apenas os rins me doíam quando forçava mais um pouco quando corria, a temperatura do ar estava muito boa, o sol era filtrado pelas dispersas nuvens que permanentemente iam sobrevoando lá bem no alto, o vento era fraco mas aparecia de sudoeste nada ajudando a refrescar um pouco a temperatura do corpo, as ondas eram muito agressivas não permitindo grandes veleidades a quem optava por correr perto da rebentação, de vez em quando descia até à água e refrescava os pés, era uma sensação muito boa e parecia que rejuvenescia a cada instante, a areia por sua vez ia enchendo os espaços livres existentes nos ténis obrigando-me a parar para vazar e deixar os pés livres de novo, ao longe vou avistando a Serra da Arrábida
conforme a neblina matinal se vai desfazendo, em frente vejo um fio interminável de areia que circundava pela esquerda num nunca mais acabar, aqui e ali tenho uma ou mais companhia, de curta duração porque cada um de nós procurava sempre a melhor via para superar tanta dificuldade. A parte mais ocidental da Serra da Arrábida surge agora bem à nossa esquerda mas conforme vamos andando ela está sempre ali no mesmo sítio e parece que nós não andamos nada, de frente já se vê bem o monte onde tantas vezes já pisei nas provas de trail organizadas pelos amigos das Lebres do Sado, começa a delinear-se visualmente o fim do areal, puro engano, chegado lá ainda falta percorrer mais 7 kms até à meta, é um serpentear constante de praias a partir de Soltroia e era também ali que estava o último posto de controlo. Os 40 kms surgem ainda nem se avistava o Pórtico da chegada, tinha esgotado ali o tempo que levara a fazer toda a prova o ano passado, mas isso pouco importava, neste ponto ia na companhia da Dina Mota e mais alguns atletas que tentei, sem êxito, acompanhar até à meta ali a 3 kms. Confesso que nesse momento só queria chegar e antes de cortar a meta dar 1º um mergulho e depois então seguir calmamente para o risco de chegada, mas não sei como a Dina conseguiu dissuadir-me deste intento cortando sozinho a meta e com imensa satisfação por o ter conseguido. O banho no mar ficou adiado para o ano seguinte, se conseguir lá chegar.
A receção foi excelente, consegui fazer aquela parte final a correr, aquilo custa pois trata-se areia muito solta e já não somos capazes de grandes proezas quando ali chegamos mas aquele risco mágico da chegada e à muito desejado dá-nos alento para correr aqueles 200 metros finais.
O salão ao ar livre e bem coberto onde permitiram que fizéssemos a nossa recuperação era excelente, bebidas à descrição fruta com muita fartura, com uvas, melancia, melão e outras iguarias foi do melhor que há para ajudar-nos a recuperar daquela maratona de areia, foi a 4ª vez que me sentei ali e espero ter forças e saúde para sentar uma 5ª vez, depois logo se vê!
7,11,49h (tempo oficial) para a distância no meu cronómetro de 43,740km, média de 9,53m. por km.
Correndo-se à beira mar talvez custe a acreditar mas no final tinha um desnível acumulado de 142 metros (68+74-), os imensos e constantes socalcos (bem visíveis no arquivo do Google) ao longo da costa pelo track registado nesta prova).

Agradeço a simpatia dos amigos que me enviaram as fotos aqui publicadas e à A.M.M.A. da qual aqui publico uma das suas fotos que registaram â minha chegada à meta.
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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Trail do Almonda, 7 de Julho de 2013

Não percebo muito bem, ou quase nada, como é que foi possível fazer provisões de que o Verão este ano não existiria ou estaria adiado lá mais para o fim do ano. Não gosto do calor e nestes dois últimos fins de semana, sem contar com os dias úteis entre eles, ele tem estado insuportável. Pergunto-me se haverá alguém que goste disto, provavelmente até haverá mas isso será por certo outra história.
Para quem como eu escolheu preencher este fim de semana, e já agora também o anterior, para correr não teve muita sorte, a Freita e agora o Trail do Almonda foram terríveis com temperaturas acima dos 40 graus positivos, Almonda chegou mesmo aos 44º!!! É verdade que estávamos avisados e a maioria precaveu-se para amenizar os seus efeitos já que eliminar os seus malefícios durante a competição é impossível. Levei o meu camelback cheio com água gelada na esperança que chegasse até ao fim, contava ainda com os muitos abastecimentos que colocaram à nossa disposição para entretanto saciar a sede de forma mais acentuada.
Na partida deste Trail do Almonda era visível algum nervosismo, mas também muito otimismo, nos rostos dos participantes que iriam fazer o Trail, o calor já era muito ás 9h. quando foi dada a partida, vi lá muitos amigos que tinham estado na Freita comigo na semana anterior, esta prova para muitos deles serviu como um desacelerar de kms e dificuldades acumuladas e por isso gostei imenso de voltar a encontra-los, entre eles estava o campeão da Freita, Luís Mota.
Como sempre faço fiz a minha corrida quase sempre a sós, gosto de correr à vontade e confortável, ás vezes a simples presença de alguém obriga-me a ficar pressionado com o desenvolvimento do meu esforço, normalmente é sempre para mais, mas sempre que é possível gosto de correr acompanhado quando os objetivos são traçados com antecedência e numa entreajuda que seja útil para todos.
O percurso foi ligeiramente alterado na primeira parte do percurso, creio que para bem melhor, e por isso deixámos de ir à nascente do Rio Almonda, acho que não se perdeu nada e evitámos aquela descida infernal logo aos 2 kms de prova onde se chegava a perder cerca de 10 minutos para os mais atrasados, desta vez corremos sempre por trilhos nesta parte inicial onde nos primeiros 12 kms as dificuldades foram mínimas. Os abastecimentos, principalmente o 1º aos 7 kms, foram excelentes onde se destacava para mim a melancia e a água, únicos mantimentos que ingeri ao longo de toda a prova.
Desde início que comecei a presenciar muitas dificuldades de alguns atletas, ainda antes dos 12 kms um atleta lutava contra a fricção nas pernas, corria arqueado, tinha escolhido um equipamento nada adequado a esta prova e com este calor, viria a desistir aos 23 kms. Antes dos 12 kms a Analice passa por mim naquele correr curto mas muito constante, dei-lhe um pouco de água fresca que gostou imenso, levava apenas uma pequena garrafa na mão. Após o abastecimento dos 12 kms inicia-se a 1ª subida à Serra D'Aire que nos levaria até aos 545m de altitude, a meio começo a ter problemas de articulação, as mãos incharam e quase não a consigo fechar, procuro esticar os dedos para ajudar a circulação e melhora um pouco, corria/andava agora a subir num trilho coberto entre arvoredo muito bonito e onde o sol conseguia mesmo assim penetrar e atingir-nos com a sua agressividade constante. O piso dos trilhos era agreste com muita pedra pequena, muitas delas soltas que dificultava a progressão, foi assim durante todo o percurso, os ténis que levei cedo mostraram que não eram os mais adequados, eram moles demais por baixo e ali quer-se um piso de sola bem rijo para amenizar os efeitos malignos nos pés e nas articulações, não levava também os bastões por avaria de um deles antes da partida e o cansaço nas pernas obrigam-me a descer até aos 17 kms com calma e devagar na companhia de um ocasional amigo que me acompanhou até ao abastecimento dos 17kms.
Aqui encontro o Mário Lima, estranhei vê-lo ali porque ele seguia muito à minha frente, abasteço e parto levando comigo o Mário, pouco depois o 1º engano, em vez de sair do estradão e entrar no trilho vou em frente, cerca de 300m, e arrasto alguns 5 comigo, na ausência de fitas voltamos atrás e reentrámos no trilho, o Mário começa aí a dar os primeiros sinais de dificuldades e fico com ele mais um pouco, dizia-me que as férias que teve foram nefastas para esta prova, em determinada altura disse-me para seguir e rapidamente perdi-o de vista, faltariam aí uns 12 kms para terminar, soube depois que desistira por problemas de desidratação, efeitos por certo do tremendo calor que se fazia sentir.
Precioso em dias de calor
Pouco depois atinjo o início da subida da Serra que nos levaria de novo ao topo no seu ponto mais elevado a 668 metros, continuava com problemas graves nas minhas mãos, junto ás articulações dos dedos os inchaços são bem visíveis, não sei se isto tem alguma coisa a ver com o calor e a desidratação ou se é mesmo problema da circulação do sangue devido a altitude, já na Freita sentira o mesmo e as condições de altura e calor eram as mesmas, volta e meia estico os dedos e a coisa melhora um pouco mas continuo com dificuldades em fechar as mãos, é com este problema que me irei debater até chegar à meta. Subo agora a caminho do abastecimento dos 23kms, aos 22 falta-me a água, o calor no planalto era tórrido e sem água temia o pior, facilitei no abastecimento anterior e pensava que tinha mais água no camelback, ia junto de mais 3 atletas e por isso ia mais tranquilo, o abastecimento aparece junto ás antenas um pouco antes de se iniciar a descida final da Serra, ali já se encontravam alguns desistentes, muitos não resistiram e no abastecimento anterior (17kms) já vira lá muitos desistentes pelas mesmas causas. Desço com muito cuidado, já tinha atestado de água e ia mais tranquilo, o trilho é muito técnico, quem chega ali com algumas forças faz a descida bem o que não era o meu caso, ia lento e quase sempre a andar, a meio sou ultrapassado por 2 atletas do meu Clube que tinham optado por fazer uma prova de contenção desde o início e seguiam agora mais decididos, ainda me tentaram levar com eles mas eu já não reunia condições para outros andamentos e fui descendo conforme podia. Aos 23kms novo abastecimento e mais desistentes à espera de serem resgatados, a partir dali apenas teria mais uma dificuldade para ultrapassar, mas o calor era demasiado e a vontade de terminar era enorme pelo que pouco depois prossegui com outro tremendo erro, não abasteci o camelback pensando que tinha ainda bastante água até chegar ao final. Um pouco antes de iniciar a subida final vejo um colega de equipa a desistir, o Fernando Silva trás de volta até ao posto de abastecimento anterior o José Moga por problemas derivados do calor e a consequente desidratação, espero pelo Fernando e seguimos os dois até à meta, a subida e depois a descida deram cabo do resto, as articulações dos joelhos e os pés também não ajudam nada, mais à frente novo engano 300 metros a acrescentar à contabilidade final, faltam 2kms para a meta e nova falta de água, valeu-me ali o Fernando que me cedeu uma garrafa pequena, o ambiente está sufocante, andamos até perto da meta e aproveitamos os últimos metros para encetar uma pequena corrida e cortar a meta já próximos da exaustão. Comi mais uns bocados de melancia e sentei-me um pouco à sombra, depois sigo e meto-me debaixo do chuveiro exterior conforme estava, tiro depois o equipamento e volto ao chuveiro precisando de cerca de meia hora para arrefecer o corpo, visto-me e vou almoçar, líquidos porque a refeição ficou lá, o estomago não aceitava quase nada a não ser líquidos mas a pouco e pouco tudo começou a normalizar, incluindo as mãos que voltaram ao normal pouco depois de chegar. Para o ano contamos ter melhor tempo e permitir desfrutar melhor esta magnífica prova.
No meu registo andei cerca de 31 kms tendo gasto 5,33,20h. depois de corrigido após a chegada.
Parabéns à organização pela excelência do apoio que nos deram indo ao ponto de colocarem um depósito de água por volta dos 26kms no alto da última subida permitindo que nos refrescássemos um pouco numa zona tão crítica para muitos, excelente.



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terça-feira, 2 de julho de 2013

A "Minha" Freita!

Chego ao Parque de Campismo de Merujal na Serra da Freita a meio da tarde de 28 de Junho, o objetivo era participar no Ultra Trail que estaria no terreno no dia seguinte a partir das 05,30h. Antes tinha estado ainda em casa com todo o cuidado a preparar todo o equipamento e alimentação para não ter problemas durante a realização da minha prova, a máquina fotográfica também ficou a "zeros" e carregada por forma a que pudesse trazer o maior número possível de recordações da Freita, tudo estava a postos e a meio da manhã arranco pelas estradas nacionais a caminho da Freita ajudado pelo GPS que me levaria em poucas horas até ao Merujal.
Após a montagem do meu espaço para dormir e descansar tenho ainda tempo para conviver um pouco com o casal Orlando Duarte e a sua simpática esposa (que tiveram a amabilidade de partilhar o seu jantar comigo). Um pouco antes de sentar à mesa combino com o Orlando irmos levantar o Kit da prova, para isso era preciso mostrar o material obrigatório que teríamos de transportar durante toda a prova, vou à Tenda e qual não é o meu espanto não vejo o Camelbeck, vou de novo ao carro e nada, tendo imediatamente concluído que ficara em casa, entro em parafuso porque sem aquele material não posso entrar na prova, (camelbeck, manta de sobrevivência, corta vento, geles, apito) e para piorar as coisas estava sem dinheiro para eventualmente comprar ali algum material de substituição, o sistema de pagamento automático não funcionava porque não havia rede, então tive de me deslocar cerca de 10 kms até encontrar uma caixa multibanco, consegui reunir o indispensável para levantar o dorsal mas sabia que ia partir fragilizado para a prova, não só porque não transportava alimento suficiente mas também porque o descanso iria ser afetado por este lamentável incidente. Para cúmulo verifico que a máquina fotográfica também ficou em casa, que dia!!!!
A ventania durante a noite era infernal, as árvores largavam um som muito intenso impelidas pelo forte vento deixando-me poucas epóteses de dormir um pouco, pelas 4 da manhã resolvo começar a preparar as coisas por forma a que quando chegasse a hora de partida estivesse tudo em ordem.
Na partida encontro muitos amigos, de entre eles estava o Carlos Coelho que tal como eu ia fazer mais uma tentativa de retornar ao ponto de partida, hoje é que é! trocamos de pensamento com esta ideia fixa de confiança.
Os primeiros kms têm um "mamar doce" a dar a ideia a muitos que aquilo ia ser fácil, e não foi preciso muito para começar a vê-los a entrar em ritmos elevados prevendo-se que mais tarde iriam sofrer consequências devido a essa ousadia, por isso saí mais lento e fiquei confortavelmente no 3º terço do pelotão sem me preocupar muito com o lugar mas sim com o objetivo de alcançar os pontos eliminatórios dentro dos limites impostos. Até ao Rio Paivô (18 kms) ouve poucas alterações ao percurso que foi feito sem dificuldades de maior mas assim que entrámos no rio as coisas modificaram-se logo, durante quase 3 kms foi escolher o melhor caminho, ora seria em cima de rochas ora por dentro da água pejado de pedras soltas de alguma dimensão, (o ano passado saí de lá muito maltratado com várias quedas que me levaram ao Hospital de Arouca para tratamento no final da prova), por isso estava avisado e desta vez fui mais cuidadoso, é ali que me chego ao Carlos Coelho, tinha já caído várias vezes e estava muito dorido, ele reafirma-me a vontade de acabar a prova e então eu sigo, olho para trás e assisto a uma nova queda, ele levanta-se e segue, pouco depois com o contornar do rio perco-o de vista e nunca mais o vejo. Numa das partes bem difícil de contornar as rochas e quando via outros atletas com dificuldades em superar esses obstáculos eu ia pela água a pontos de andar enterrado até ao pescoço. A água estava a uma temperatura excelente, o sol já queimava, aqui e ali bebia daquela água pura e cristalina e voltava a molhar o equipamento para refrescar o corpo, principalmente a cabeça, mais à frente encontro o Moutinho no meio do Rio numa altura em que seguiam atletas pela margem esquerda e outros pela margem direita (era o meu caso) havia ali fitas também mas era o lado errado para seguir, de imediato isso foi corrigido, pouco depois saio do Rio exatamente no mesmo local onde no ano passado caíra, estavam lá dois rapazes não sei se para prevenir, mas por certo estariam ali vigilantes para qualquer eventualidade de acidentes.
O 1º abastecimento ali estava aos 20 kms, água e fruta com fartura e vi também uma coisa que muito me agradou, assistência médica com socorrista e enfermeiro, de resto foi assim em todos os postos de abastecimento e controlo, dando desta forma mais confiança a todos os que fizeram questão de participar nesta prova de resistência física e mental.
A partir deste local a prova começou a endurecer por trilhos espetaculares até chegar a Regufe, uma Aldeia habitada e muito bonita  que atravessámos a caminho da Drave, uma montanha bem difícil de subir com muita pedra solta e com o sol já a castigar com alguma violência, o vento era nulo e quando chego ao cume estou quase a 750 metros de altitude. Dali vejo quase toda a panorâmica onde decorrerá toda a prova nos próximos 15 a 20 kms, é assustador, não é uma imagem nova para mim mas aquilo faz brilhar os olhos de tanta beleza. Fixando melhor a visão consigo visualizar em pontos minúsculos os atletas espalhados ao longo do percurso desenhado pelas encostas e vales daquela Serra, vou agora descendo por um largo estradão passo por um grupo ainda numeroso de caminhantes, ignoraram simplesmente a nossa passagem (pelo menos pela minha) e não raras vezes tinha de me desviar para as bermas para poder passar, a descida é violenta e os joelhos começam a ficar massacrados pelo esforço nas descidas, avistava-se já o local dos 30 kms onde haveria mais um abastecimento, aqui volto a encontrar o grupo dos amigos lá do Norte, Rui Pinto e João Meixedo, de novo a simpatia de quem lá estava, aqui apenas se  disponibilizou o abastecimento de líquidos, por isso a paragem foi rápida e de imediato entrámos de novo no rio, aqui e ali podia-se correr um pouco (10 a 20 m no máximo) as dificuldades iam em crescendo, disseram-me aos 30 kms que agora é que a prova ia começar, sabia que isso iria acontecer a partir do momento que saíssemos do rio para perfazer o trilho dos Aztecas, este rio que iria ligar um pouco mais à frente ao rio Paivô em determinadas alturas fazem-me subir e descer enseadas complicadíssimas de transpor. Observam-se constantemente lagos artificiais que parecem ser de água estagnada mas que com uma observação mais atenta revela que a água circula numa corrente constante por baixo das pedras e rochas alimentando os lagos seguintes tornando-os aos nossos olhos como se fossem de cristais brilhantes. O Azteca aparece e com ele subimos agora uma tremenda parede, vou de novo com os amigos do Norte, um do grupo cai no rio, fica queixoso e leva algum tempo para recuperar e segue serra acima, vou atrás dele observando ao mesmo tempo alguns atletas que já seguiam bem lá no alto tornando ainda psicologicamente as coisas mais difíceis, a água que transporto aquece rapidamente, já sabe mal ingeri-la, o organismo começa a recusar tudo, tento comer umas passas de uvas mas pouco ajudou, lá bem no alto deste trilho está uma nova nascente de água, bem fresca por sinal, substituo a água que levo e inicio a descida de novo até ao rio, arrepia-me o que vejo pela frente no outro lado do rio, estava a 600m de altitude, ia descer até aos 450m para depois voltar a subir até aos 830m. Vejo minúsculas figuras a subir a Garra a partir do rio a caminho do trilho dos Íncas que fica lá bem no alto junto ás antenas, desço pela encosta mas o acesso ao rio é feito de forma muito cautelosa, uma queda ali é fatal correndo-se o risco de se ferir seriamente. Molho de novo a cabeça em pleno rio e tento beber mais água mas o organismo continua a resistir, sigo mais um pouco pelo rio e inicio então a subida à Garra, aquela que seria a derradeira subida e que determinou a minha desistência. Nesta altura estava instalado naquele vale um autêntico forno que se foi acentuando com a subida ao alto da garra, inclinação quase a 35% num descampado e com o sol a bater quase a pique, a progressão começou lenta, a primeira parte da subida por ser tão inclinada não nos deixava os ver atletas que seguiam lá mais para cima, quando eram avistados era o desânimo por estarem tão longe e por desejarmos já lá estar também, rapidamente comecei a ficar enfraquecido e sem forças, era um passo muito lento de cada vez, o calor que vinha de baixo dada a proximidade com o solo e o que vinha do sol transformou aquilo numa autêntica fritadeira, bebia água tentando minimizar os problemas mas a sede não passava e a água parece que vinha fervida a alta temperatura, passo por um rapaz que estava sentado e exausto, dou-lhe uma palavra de alento mas nada, sigo e pouco depois dou com outro de pé em vias de desmaiar, entretanto os amigos do Norte passam todos e é a última vez que os vejo, a cabeça já não tem tino e decido ali não continuar após chegar ao controlo dos 40 kms, faltavam ainda cerca de 3, continuo a subir já não tenho outro objetivo que não seja chegar à Póvoa das Leiras e ficar por lá a recuperar da fadiga que já levo, esta subida já a fiz duas vezes (o ano passado estava fresco e não fazia sol tendo eu conseguido chegar até à Castanheira (65kms), subir 300 m de acumulado positivo em 50 minutos que não tem quase nada de técnico mas apenas a sua dureza pela forte inclinação é demais e revela que não estaria bem para continuar em prova. Já vinha desde os 30 kms sem correr e assim continuei até aos 40. A exaustão, a fadiga e o cansaço determinaram este desfecho, cheguei ainda dentro dos planos que eram as 9h de prova naquele local, restavam-me ainda 7,5h para terminar os outros 30, seria suicídio continuar, bastava apanhar com a "Besta" para acabar com o resto desnecessariamente.
Ficou o sonho mais uma vez adiado, contudo tenho a noção que este objetivo será inalcançável, a menos que se conjuguem uma série de fatores mais favoráveis  para a sua concretização.
Parabéns a toda a organização, depois de há 1 ano ter aqui escrito algumas fazes atribuladas da minha passagem pela Freita apraz-me escrever agora o quanto foram profissionais no apoio aos atletas nesta edição de 2013. Longa vida ao Ultra Trail  Serra da Freita.

domingo, 30 de junho de 2013

A grande Freita...

Em 2012
A Serra da Freita dita "leis", atreve-se a desafiar a fina flor dos nossos trailistas para aquele que é sem dúvida o mais duro Trail que se efectua no Continente e convida os outros, que sonhando, conseguem superar-se e mostrar que face ás dificuldades impostas caminham com o seu contributo heroico para confirmar que o Trail em Portugal está bem enraizado desde que lhes deem as condições mínimas de participação.
 O Ultra Trail da Serra da Freita ontem realizado superou tudo o que de rudeza e dificuldades é imposto aos atletas, ontem viu-se a magia da Freita e todos os que lá estiveram a participar poderam viver ao vivo o que é um Trail de extrema dureza só superado pelos melhores mas que estejam também embebidos de grande espírito de sacrifício e mental, quem não tiver estes condimentos é melhor nem pensar em pôr lá os pés. Não estou sequer a falar pela experiência vivida por mim que findou quando atingi os 40 kms e que contarei mais à frente, mas sim daquilo que vi na zona da meta, depois do meu resgate, com a chegada dos sobreviventes desta extraordinária aventura. Dos cerca de 240 atletas que partiram mais de 100 ficaram pelo caminho (entre os quais me incluo), daqui se poderão tirar algumas ilações que não têm só a ver com o aumento do grau de dificuldade, especialmente a partir dos 40 kms, mas também da temperatura do ar que era elevadíssima e que se fez sentir, principalmente para a 2ª metade dos atletas presentes que por demorarem mais tempo estiveram mais sujeitos ao inferno abrasador que se sentiu nos vales e encostas da Serra. Este é um fenómeno incontrolável e que nenhuma Organização deseja, fizeram o seu trabalho e no briefing da véspera da prova todos os alertas foram feitos, todos assimilaram os riscos, incluindo a extrema dureza do percurso com riscos elevados mas controlados e o problema do calor, exceptuando raras ocorrências em determinadas zonas do percurso todos se fizeram acompanhar dos meios indispensáveis à sua aventura.
Era notório o nervosismo de muitos estreantes nesta prova, quer na véspera quer na linha de partida, não raras vezes ouvia alguns a comentar que o máximo de treino que fizeram não ultrapassara os 35 kms muito pouco para uma Freita pujante e em crescendo, e era nestes que residia a maior preocupação da Organização e rapidamente isso ficou bem patente logo que foi dada a partida esquecendo-se muitos deles que tinham 70 kms pela frente e uma montanha mágica e cruel que iria ser fatal inapelavelmente para a maioria deles face à sua ousadia inicial.
A extraordinária organização colocada no terreno para apoiar os atletas foi de tal modo gigante e determinante para o sucesso da prova, socorristas, enfermeiros, médicos foi uma constante em todos os postos de abastecimento e em zonas móveis que careciam de maior vigilância, dando assim tranquilidade a quem dificilmente ia conseguindo superar os brutais obstáculos que lhes aparecia pela frente, tudo estava quase perfeito, só algo estranho à organização poderia impedir que todos os que partiram não chegassem à linha de meta. Então porque é que desistiram mais de 100 atletas? O calor foi determinante, apesar dos abastecimentos colocados no terreno pela organização em quantidade suficiente e da muita água pura e cristalina que encontrámos constantemente nos rios que percorremos não foi suficiente para amenizar os efeitos do sol, com a agravante de uma deficiente preparação para uma prova de elevada dureza, quase a raiar o extremo, como é a Freita. A Organização teve de responder, a meu ver muito bem, face ás características da Serra da Freita, no resgate dos atletas desistentes, alguns deles logo aos 20 kms, aos 30, aos 40 (aqui foram muitas dezenas, onde estou eu também), aos 50, 60 e 65 kms(último controlo eliminatório). Foi necessário uma gigantesca operação para fazer frente a isto, felizmente a Organização previu os malefícios que o calor iria provocar aos atletas em prova na Ultra quando se encontrassem em plena serra e muniu-se de meios para acudir e resgatar de quem precisasse de ajuda. Era cerca da uma hora da manhã quando concluíram o resgate de todos os atletas, ainda assim ouve um que ficou por lá perto dos 55 kms que desistindo, deu conta disso por interposta pessoa, cometeu um pecado terrível em Trail que saindo da rota da prova dificulta ao máximo a sua recuperação, acabou por regressar pelos seus próprios meios ao ponto de partida, uma lição a tirar para muitos e para todos!
A Freita é isto, é espetacular, o resto são os atletas que têm de fazer o espetáculo, todos têm a obrigação de se auto avaliar se reúnem condições para ali estarem, para muitos só o calor não é explicação, a isso alia-se também a condição física deficiente e na Freita com o actual traçado é dramático para as aspirações de alguns que é chegar ao ponto de partida (também me incluo neste sonho).
A gestão do esforço tem de ser feita desde os primeiros metros, a Freita é brutal com os seus 4,200 metros de desnível + as grandes dificuldades começam a aparecer só a partir dos 22/23 kms, (a mim disseram aos 30 kms que a prova ia começar a partir dali), a nossa função e empenho é correr e desfrutar daquilo que colocam à nossa disposição em plena Natureza, por isso não é demais lembrar o que representa para a Organização (neste caso a da Freita) uma atitude menos pensada quando decidimos participar numa aventura extrema como esta sem estarmos nas melhores condições.
Renovo aqui os meus parabéns à Organização nas pessoas do Moutinho e da Flor Madureira e a todos os que estiveram sempre mais perto de nós do terreno, só não voltarei se não sentir capacidades físicas suficientes para partir e chegar à meta.
Deixo aqui também uma palavra para os heróis, e foram muitos, desde o Luís Mota que ganhou até ao último que chegou já para além da meia noite. A Freita atingiu um grau de dificuldade este ano como nunca tinha tido nas edições anteriores, não adianta desabafar como já li uma frase que diz muito mas de forma enviesada , "Dureza estupidamente extrema", este ano a Organização foi extremamente profissional naquilo que fez em relação à prova, não se discute se era fácil ou difícil, uma prova de Trail com as características da Freita não pode ter um figurino único senão perde o seu encanto, a superação das capacidades de cada atleta passa por isso mesmo, é sempre um desafio permanente.

CONTINUAÇÃO...

domingo, 23 de junho de 2013

4ª Trilhos Loucos de Reichida

A 4ª Edição do Trail Louco de Reixida hoje realizado de forma espetacular merecerá da minha parte uma apreciação mais pormenorizada daqui a uns dias, deixando desde já uma palavra de louvar à organização pela forma muito profissional como conduziram toda a realização da prova e da forma como souberam receber as centenas de atletas e seus familiares.
Estou de passagem por casa, coisa rápida, vou fazer um pequeno "estágio" para Mil Fontes e regresso na véspera de seguir para a Serra da Freita, por isso aqui fica registado esta passagem por Reixida que assinala também a estreia de nova camisola dos Amigos do Vale do Silêncio patrocinada pelo Grupo Volvo ASCENDUM para a nova época.
 
 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Corrida do Sal, Alcochete, 9 de Junho 2013

Corrida do Sal, assim designado por se disputar numa das zonas onde ainda se produz o sal junto do estuário do rio Tejo. Este ano fui até lá, disseram-me que o percurso era todo em terra batida e areal, bem como a ausência de sobe e desce como convém em provas de curta distância, o ideal para continuar a recuperar os meus depauperados joelhos e articulações dos pés, um legado que ainda perdura da Ultra de S. Mamede.
Era um Trilho ainda desconhecido para mim e tinha alguma curiosidade em ver e conhecer as salinas do Samouco já que era novidade para mim observar isto de perto. Ir a Alcochete é somente para quem tem mesmo alguma coisa para fazer, apenas tinha ido lá por curiosidade e para ver uma superfície comercial bem conhecida,
como foi de Inverno para além da chuva que caiu e do frio que se fazia sentir, aliado a uma falta de abrigo coletivo num local que nem cobertura tem que proteja os visitantes no seu passeio pedonal junto ás lojas acabei por de lá sair bastante desiludido e sem vontade de voltar a Alcochete, até ao dia 9/6/2013 para participar na Corrida do Sal.
O dia esteve excelente, céu nublado sem vento e com temperatura amena, o secretariado da prova funcionava de forma simples ali em plena praia céu aberto, duas mesas a servir de suporte aos meios técnicos, distribuição de dorsais e sistema informático, funcionava de forma organizada e competente "despachando" rapidamente todos os que se aproximavam para levantar o seu kit desportivo.
Por ali deambulavam muitas caras conhecidas do Trail, da estrada e de outras iniciativas ligadas à corrida como no areal e ou provas e treinos noturnos. Do meu clube A.V. Silêncio estavam 4 elementos, todos eles já experientes nestas provas até 10 kms mas para mim ia ser mais um momento de algum aperto pois tal representa ritmos e esforço elevados a que normalmente não sou chamado a fazer.
De uma linha imaginária em pleno areal da praia partimos na direção da ponte Vasco da Gama, à direita viam-se os apanhadores de marisco que aproveitavam a maré baixa para tentar a sua sorte, nós indiferentes a isso percorríamos aquele pedaço de areal limpo e húmido com o prazer de podermos desfrutar de um dia tão bonito à descoberta de coisas e novidades ainda para alguns, como era o meu caso.
Parti mesmo no fim do pelotão, como normalmente faço, na companhia da Ana Pereira e assim segui durante as primeiras centenas de metros de praia, como não havia qualquer pacto entre nós aos poucos fui soltando a passada até adquirir um andamento confortável e resistente, foi desta forma que fui ultrapassando com naturalidade muitos atletas que entretanto tinham estabilizado da sua correria inicial.
Pouco depois entrámos no espaço reservado ás salinas do Samouco, creio que na edição anterior não se passou por lá, não sei o motivo, era um dos motivos que me levara a inscrever na prova pois tinha curiosidade em ver aquilo de perto, rapidamente fiquei desiludido pois esperava ir encontrar a cor branca do sal, os aparelhos para a sua extração e os montes formados
de sal tão caraterísticos que os comparo ás pirâmides do Egipto, salvaguardando como é óbvio as devidas proporções, mas não, encontrei sim vastos lagos de água como em qualquer lugar se encontram por ali e arredores, nem sinal de sal, a sua ausência leva-me a pensar que deve estar em maturação???, contudo em contra partida os locais por onde passámos permitiu ver a dimensão daquele espaço enorme, o piso bem tratado estava em excelentes condições para correr salvaguardando os cuidados mínimos para se evitar possíveis lesões . A reentrada no areal da praia dá-se exatamente por baixo da ponte Vasco da Gama com a ida ao Samouco e voltar, creio que já não me cruzei com os que seguiam na frente da corrida, nem isso era importante, eu continuava a forçar mas sem atingir l
imites proibidos, ultrapassava e era ultrapassado e tinha agora apenas os olhos postos na chegada, após a passagem de novo por baixo da ponte voltamos a ver ao longe a silhueta das casas de Alcochete, uma ligeira neblina impedia-me de fixar com clareza o que se via, o areal estendia-se agora à nossa frente, aqui e ali os ténis enterram-se na lama e na areia mais solta, o sol continuava escondido, do lado de lá do Tejo vislumbro muito te nuamente Santa Iria da Azoia, terra onde moro. O prazer desta corrida ia-se esfumando aos poucos na medida em que nos aproximávamos da chegada à meta, o piso de areia molhada e dura permitia rolar a bom ritmo e era uma pena estarmos já tão perto da meta. Na chegada os amigos lá estavam a saudar-nos, um pouco de areia solta e a meta, 58,42minutos depois de partir, para mim foi ótimo se considerar que este tempo foi conseguido ao mesmo tempo que levei a correr os 10,120kms do
percurso.

Na chegada fomos obsequiados com muita fruta que serviu para retemperar as forças depois daquele esforço que desenvolvemos nesta bonita prova.
Voltarei lá para o ano se tiver disponibilidade pessoal e física, gostei da simpatia das pessoas da organização à qual deixo desde já os meus parabéns na pessoa do seu responsável Fernando  Almeida, saliento também o apoio dado ao longo da prova com vários elementos a ajudar em pontos estratégicos do percurso para que não houvesse qualquer  confusão com enganos ou outros problemas a evitar.
O abastecimento de água no Samouco dado em copos de plástico foi brilhante, sinal que vamos aprendendo com alguns erros que se vão cometendo em provas que envolve a Natureza, ainda
assim alguns apressados não param, levam os copos e depois abandonam-nos espalhados pela praia, temos de continuar a sensibilizar as pessoas para o respeito que temos de ter para com a natureza e para com os outros que obrigatoriamente têm de fazer a limpeza do lixo lá deixado.
Espero que não mudem nada, o percurso é espectacular.
Fotos