segunda-feira, 8 de julho de 2013

Trail do Almonda, 7 de Julho de 2013

Não percebo muito bem, ou quase nada, como é que foi possível fazer provisões de que o Verão este ano não existiria ou estaria adiado lá mais para o fim do ano. Não gosto do calor e nestes dois últimos fins de semana, sem contar com os dias úteis entre eles, ele tem estado insuportável. Pergunto-me se haverá alguém que goste disto, provavelmente até haverá mas isso será por certo outra história.
Para quem como eu escolheu preencher este fim de semana, e já agora também o anterior, para correr não teve muita sorte, a Freita e agora o Trail do Almonda foram terríveis com temperaturas acima dos 40 graus positivos, Almonda chegou mesmo aos 44º!!! É verdade que estávamos avisados e a maioria precaveu-se para amenizar os seus efeitos já que eliminar os seus malefícios durante a competição é impossível. Levei o meu camelback cheio com água gelada na esperança que chegasse até ao fim, contava ainda com os muitos abastecimentos que colocaram à nossa disposição para entretanto saciar a sede de forma mais acentuada.
Na partida deste Trail do Almonda era visível algum nervosismo, mas também muito otimismo, nos rostos dos participantes que iriam fazer o Trail, o calor já era muito ás 9h. quando foi dada a partida, vi lá muitos amigos que tinham estado na Freita comigo na semana anterior, esta prova para muitos deles serviu como um desacelerar de kms e dificuldades acumuladas e por isso gostei imenso de voltar a encontra-los, entre eles estava o campeão da Freita, Luís Mota.
Como sempre faço fiz a minha corrida quase sempre a sós, gosto de correr à vontade e confortável, ás vezes a simples presença de alguém obriga-me a ficar pressionado com o desenvolvimento do meu esforço, normalmente é sempre para mais, mas sempre que é possível gosto de correr acompanhado quando os objetivos são traçados com antecedência e numa entreajuda que seja útil para todos.
O percurso foi ligeiramente alterado na primeira parte do percurso, creio que para bem melhor, e por isso deixámos de ir à nascente do Rio Almonda, acho que não se perdeu nada e evitámos aquela descida infernal logo aos 2 kms de prova onde se chegava a perder cerca de 10 minutos para os mais atrasados, desta vez corremos sempre por trilhos nesta parte inicial onde nos primeiros 12 kms as dificuldades foram mínimas. Os abastecimentos, principalmente o 1º aos 7 kms, foram excelentes onde se destacava para mim a melancia e a água, únicos mantimentos que ingeri ao longo de toda a prova.
Desde início que comecei a presenciar muitas dificuldades de alguns atletas, ainda antes dos 12 kms um atleta lutava contra a fricção nas pernas, corria arqueado, tinha escolhido um equipamento nada adequado a esta prova e com este calor, viria a desistir aos 23 kms. Antes dos 12 kms a Analice passa por mim naquele correr curto mas muito constante, dei-lhe um pouco de água fresca que gostou imenso, levava apenas uma pequena garrafa na mão. Após o abastecimento dos 12 kms inicia-se a 1ª subida à Serra D'Aire que nos levaria até aos 545m de altitude, a meio começo a ter problemas de articulação, as mãos incharam e quase não a consigo fechar, procuro esticar os dedos para ajudar a circulação e melhora um pouco, corria/andava agora a subir num trilho coberto entre arvoredo muito bonito e onde o sol conseguia mesmo assim penetrar e atingir-nos com a sua agressividade constante. O piso dos trilhos era agreste com muita pedra pequena, muitas delas soltas que dificultava a progressão, foi assim durante todo o percurso, os ténis que levei cedo mostraram que não eram os mais adequados, eram moles demais por baixo e ali quer-se um piso de sola bem rijo para amenizar os efeitos malignos nos pés e nas articulações, não levava também os bastões por avaria de um deles antes da partida e o cansaço nas pernas obrigam-me a descer até aos 17 kms com calma e devagar na companhia de um ocasional amigo que me acompanhou até ao abastecimento dos 17kms.
Aqui encontro o Mário Lima, estranhei vê-lo ali porque ele seguia muito à minha frente, abasteço e parto levando comigo o Mário, pouco depois o 1º engano, em vez de sair do estradão e entrar no trilho vou em frente, cerca de 300m, e arrasto alguns 5 comigo, na ausência de fitas voltamos atrás e reentrámos no trilho, o Mário começa aí a dar os primeiros sinais de dificuldades e fico com ele mais um pouco, dizia-me que as férias que teve foram nefastas para esta prova, em determinada altura disse-me para seguir e rapidamente perdi-o de vista, faltariam aí uns 12 kms para terminar, soube depois que desistira por problemas de desidratação, efeitos por certo do tremendo calor que se fazia sentir.
Precioso em dias de calor
Pouco depois atinjo o início da subida da Serra que nos levaria de novo ao topo no seu ponto mais elevado a 668 metros, continuava com problemas graves nas minhas mãos, junto ás articulações dos dedos os inchaços são bem visíveis, não sei se isto tem alguma coisa a ver com o calor e a desidratação ou se é mesmo problema da circulação do sangue devido a altitude, já na Freita sentira o mesmo e as condições de altura e calor eram as mesmas, volta e meia estico os dedos e a coisa melhora um pouco mas continuo com dificuldades em fechar as mãos, é com este problema que me irei debater até chegar à meta. Subo agora a caminho do abastecimento dos 23kms, aos 22 falta-me a água, o calor no planalto era tórrido e sem água temia o pior, facilitei no abastecimento anterior e pensava que tinha mais água no camelback, ia junto de mais 3 atletas e por isso ia mais tranquilo, o abastecimento aparece junto ás antenas um pouco antes de se iniciar a descida final da Serra, ali já se encontravam alguns desistentes, muitos não resistiram e no abastecimento anterior (17kms) já vira lá muitos desistentes pelas mesmas causas. Desço com muito cuidado, já tinha atestado de água e ia mais tranquilo, o trilho é muito técnico, quem chega ali com algumas forças faz a descida bem o que não era o meu caso, ia lento e quase sempre a andar, a meio sou ultrapassado por 2 atletas do meu Clube que tinham optado por fazer uma prova de contenção desde o início e seguiam agora mais decididos, ainda me tentaram levar com eles mas eu já não reunia condições para outros andamentos e fui descendo conforme podia. Aos 23kms novo abastecimento e mais desistentes à espera de serem resgatados, a partir dali apenas teria mais uma dificuldade para ultrapassar, mas o calor era demasiado e a vontade de terminar era enorme pelo que pouco depois prossegui com outro tremendo erro, não abasteci o camelback pensando que tinha ainda bastante água até chegar ao final. Um pouco antes de iniciar a subida final vejo um colega de equipa a desistir, o Fernando Silva trás de volta até ao posto de abastecimento anterior o José Moga por problemas derivados do calor e a consequente desidratação, espero pelo Fernando e seguimos os dois até à meta, a subida e depois a descida deram cabo do resto, as articulações dos joelhos e os pés também não ajudam nada, mais à frente novo engano 300 metros a acrescentar à contabilidade final, faltam 2kms para a meta e nova falta de água, valeu-me ali o Fernando que me cedeu uma garrafa pequena, o ambiente está sufocante, andamos até perto da meta e aproveitamos os últimos metros para encetar uma pequena corrida e cortar a meta já próximos da exaustão. Comi mais uns bocados de melancia e sentei-me um pouco à sombra, depois sigo e meto-me debaixo do chuveiro exterior conforme estava, tiro depois o equipamento e volto ao chuveiro precisando de cerca de meia hora para arrefecer o corpo, visto-me e vou almoçar, líquidos porque a refeição ficou lá, o estomago não aceitava quase nada a não ser líquidos mas a pouco e pouco tudo começou a normalizar, incluindo as mãos que voltaram ao normal pouco depois de chegar. Para o ano contamos ter melhor tempo e permitir desfrutar melhor esta magnífica prova.
No meu registo andei cerca de 31 kms tendo gasto 5,33,20h. depois de corrigido após a chegada.
Parabéns à organização pela excelência do apoio que nos deram indo ao ponto de colocarem um depósito de água por volta dos 26kms no alto da última subida permitindo que nos refrescássemos um pouco numa zona tão crítica para muitos, excelente.



Classificações

terça-feira, 2 de julho de 2013

A "Minha" Freita!

Chego ao Parque de Campismo de Merujal na Serra da Freita a meio da tarde de 28 de Junho, o objetivo era participar no Ultra Trail que estaria no terreno no dia seguinte a partir das 05,30h. Antes tinha estado ainda em casa com todo o cuidado a preparar todo o equipamento e alimentação para não ter problemas durante a realização da minha prova, a máquina fotográfica também ficou a "zeros" e carregada por forma a que pudesse trazer o maior número possível de recordações da Freita, tudo estava a postos e a meio da manhã arranco pelas estradas nacionais a caminho da Freita ajudado pelo GPS que me levaria em poucas horas até ao Merujal.
Após a montagem do meu espaço para dormir e descansar tenho ainda tempo para conviver um pouco com o casal Orlando Duarte e a sua simpática esposa (que tiveram a amabilidade de partilhar o seu jantar comigo). Um pouco antes de sentar à mesa combino com o Orlando irmos levantar o Kit da prova, para isso era preciso mostrar o material obrigatório que teríamos de transportar durante toda a prova, vou à Tenda e qual não é o meu espanto não vejo o Camelbeck, vou de novo ao carro e nada, tendo imediatamente concluído que ficara em casa, entro em parafuso porque sem aquele material não posso entrar na prova, (camelbeck, manta de sobrevivência, corta vento, geles, apito) e para piorar as coisas estava sem dinheiro para eventualmente comprar ali algum material de substituição, o sistema de pagamento automático não funcionava porque não havia rede, então tive de me deslocar cerca de 10 kms até encontrar uma caixa multibanco, consegui reunir o indispensável para levantar o dorsal mas sabia que ia partir fragilizado para a prova, não só porque não transportava alimento suficiente mas também porque o descanso iria ser afetado por este lamentável incidente. Para cúmulo verifico que a máquina fotográfica também ficou em casa, que dia!!!!
A ventania durante a noite era infernal, as árvores largavam um som muito intenso impelidas pelo forte vento deixando-me poucas epóteses de dormir um pouco, pelas 4 da manhã resolvo começar a preparar as coisas por forma a que quando chegasse a hora de partida estivesse tudo em ordem.
Na partida encontro muitos amigos, de entre eles estava o Carlos Coelho que tal como eu ia fazer mais uma tentativa de retornar ao ponto de partida, hoje é que é! trocamos de pensamento com esta ideia fixa de confiança.
Os primeiros kms têm um "mamar doce" a dar a ideia a muitos que aquilo ia ser fácil, e não foi preciso muito para começar a vê-los a entrar em ritmos elevados prevendo-se que mais tarde iriam sofrer consequências devido a essa ousadia, por isso saí mais lento e fiquei confortavelmente no 3º terço do pelotão sem me preocupar muito com o lugar mas sim com o objetivo de alcançar os pontos eliminatórios dentro dos limites impostos. Até ao Rio Paivô (18 kms) ouve poucas alterações ao percurso que foi feito sem dificuldades de maior mas assim que entrámos no rio as coisas modificaram-se logo, durante quase 3 kms foi escolher o melhor caminho, ora seria em cima de rochas ora por dentro da água pejado de pedras soltas de alguma dimensão, (o ano passado saí de lá muito maltratado com várias quedas que me levaram ao Hospital de Arouca para tratamento no final da prova), por isso estava avisado e desta vez fui mais cuidadoso, é ali que me chego ao Carlos Coelho, tinha já caído várias vezes e estava muito dorido, ele reafirma-me a vontade de acabar a prova e então eu sigo, olho para trás e assisto a uma nova queda, ele levanta-se e segue, pouco depois com o contornar do rio perco-o de vista e nunca mais o vejo. Numa das partes bem difícil de contornar as rochas e quando via outros atletas com dificuldades em superar esses obstáculos eu ia pela água a pontos de andar enterrado até ao pescoço. A água estava a uma temperatura excelente, o sol já queimava, aqui e ali bebia daquela água pura e cristalina e voltava a molhar o equipamento para refrescar o corpo, principalmente a cabeça, mais à frente encontro o Moutinho no meio do Rio numa altura em que seguiam atletas pela margem esquerda e outros pela margem direita (era o meu caso) havia ali fitas também mas era o lado errado para seguir, de imediato isso foi corrigido, pouco depois saio do Rio exatamente no mesmo local onde no ano passado caíra, estavam lá dois rapazes não sei se para prevenir, mas por certo estariam ali vigilantes para qualquer eventualidade de acidentes.
O 1º abastecimento ali estava aos 20 kms, água e fruta com fartura e vi também uma coisa que muito me agradou, assistência médica com socorrista e enfermeiro, de resto foi assim em todos os postos de abastecimento e controlo, dando desta forma mais confiança a todos os que fizeram questão de participar nesta prova de resistência física e mental.
A partir deste local a prova começou a endurecer por trilhos espetaculares até chegar a Regufe, uma Aldeia habitada e muito bonita  que atravessámos a caminho da Drave, uma montanha bem difícil de subir com muita pedra solta e com o sol já a castigar com alguma violência, o vento era nulo e quando chego ao cume estou quase a 750 metros de altitude. Dali vejo quase toda a panorâmica onde decorrerá toda a prova nos próximos 15 a 20 kms, é assustador, não é uma imagem nova para mim mas aquilo faz brilhar os olhos de tanta beleza. Fixando melhor a visão consigo visualizar em pontos minúsculos os atletas espalhados ao longo do percurso desenhado pelas encostas e vales daquela Serra, vou agora descendo por um largo estradão passo por um grupo ainda numeroso de caminhantes, ignoraram simplesmente a nossa passagem (pelo menos pela minha) e não raras vezes tinha de me desviar para as bermas para poder passar, a descida é violenta e os joelhos começam a ficar massacrados pelo esforço nas descidas, avistava-se já o local dos 30 kms onde haveria mais um abastecimento, aqui volto a encontrar o grupo dos amigos lá do Norte, Rui Pinto e João Meixedo, de novo a simpatia de quem lá estava, aqui apenas se  disponibilizou o abastecimento de líquidos, por isso a paragem foi rápida e de imediato entrámos de novo no rio, aqui e ali podia-se correr um pouco (10 a 20 m no máximo) as dificuldades iam em crescendo, disseram-me aos 30 kms que agora é que a prova ia começar, sabia que isso iria acontecer a partir do momento que saíssemos do rio para perfazer o trilho dos Aztecas, este rio que iria ligar um pouco mais à frente ao rio Paivô em determinadas alturas fazem-me subir e descer enseadas complicadíssimas de transpor. Observam-se constantemente lagos artificiais que parecem ser de água estagnada mas que com uma observação mais atenta revela que a água circula numa corrente constante por baixo das pedras e rochas alimentando os lagos seguintes tornando-os aos nossos olhos como se fossem de cristais brilhantes. O Azteca aparece e com ele subimos agora uma tremenda parede, vou de novo com os amigos do Norte, um do grupo cai no rio, fica queixoso e leva algum tempo para recuperar e segue serra acima, vou atrás dele observando ao mesmo tempo alguns atletas que já seguiam bem lá no alto tornando ainda psicologicamente as coisas mais difíceis, a água que transporto aquece rapidamente, já sabe mal ingeri-la, o organismo começa a recusar tudo, tento comer umas passas de uvas mas pouco ajudou, lá bem no alto deste trilho está uma nova nascente de água, bem fresca por sinal, substituo a água que levo e inicio a descida de novo até ao rio, arrepia-me o que vejo pela frente no outro lado do rio, estava a 600m de altitude, ia descer até aos 450m para depois voltar a subir até aos 830m. Vejo minúsculas figuras a subir a Garra a partir do rio a caminho do trilho dos Íncas que fica lá bem no alto junto ás antenas, desço pela encosta mas o acesso ao rio é feito de forma muito cautelosa, uma queda ali é fatal correndo-se o risco de se ferir seriamente. Molho de novo a cabeça em pleno rio e tento beber mais água mas o organismo continua a resistir, sigo mais um pouco pelo rio e inicio então a subida à Garra, aquela que seria a derradeira subida e que determinou a minha desistência. Nesta altura estava instalado naquele vale um autêntico forno que se foi acentuando com a subida ao alto da garra, inclinação quase a 35% num descampado e com o sol a bater quase a pique, a progressão começou lenta, a primeira parte da subida por ser tão inclinada não nos deixava os ver atletas que seguiam lá mais para cima, quando eram avistados era o desânimo por estarem tão longe e por desejarmos já lá estar também, rapidamente comecei a ficar enfraquecido e sem forças, era um passo muito lento de cada vez, o calor que vinha de baixo dada a proximidade com o solo e o que vinha do sol transformou aquilo numa autêntica fritadeira, bebia água tentando minimizar os problemas mas a sede não passava e a água parece que vinha fervida a alta temperatura, passo por um rapaz que estava sentado e exausto, dou-lhe uma palavra de alento mas nada, sigo e pouco depois dou com outro de pé em vias de desmaiar, entretanto os amigos do Norte passam todos e é a última vez que os vejo, a cabeça já não tem tino e decido ali não continuar após chegar ao controlo dos 40 kms, faltavam ainda cerca de 3, continuo a subir já não tenho outro objetivo que não seja chegar à Póvoa das Leiras e ficar por lá a recuperar da fadiga que já levo, esta subida já a fiz duas vezes (o ano passado estava fresco e não fazia sol tendo eu conseguido chegar até à Castanheira (65kms), subir 300 m de acumulado positivo em 50 minutos que não tem quase nada de técnico mas apenas a sua dureza pela forte inclinação é demais e revela que não estaria bem para continuar em prova. Já vinha desde os 30 kms sem correr e assim continuei até aos 40. A exaustão, a fadiga e o cansaço determinaram este desfecho, cheguei ainda dentro dos planos que eram as 9h de prova naquele local, restavam-me ainda 7,5h para terminar os outros 30, seria suicídio continuar, bastava apanhar com a "Besta" para acabar com o resto desnecessariamente.
Ficou o sonho mais uma vez adiado, contudo tenho a noção que este objetivo será inalcançável, a menos que se conjuguem uma série de fatores mais favoráveis  para a sua concretização.
Parabéns a toda a organização, depois de há 1 ano ter aqui escrito algumas fazes atribuladas da minha passagem pela Freita apraz-me escrever agora o quanto foram profissionais no apoio aos atletas nesta edição de 2013. Longa vida ao Ultra Trail  Serra da Freita.

domingo, 30 de junho de 2013

A grande Freita...

Em 2012
A Serra da Freita dita "leis", atreve-se a desafiar a fina flor dos nossos trailistas para aquele que é sem dúvida o mais duro Trail que se efectua no Continente e convida os outros, que sonhando, conseguem superar-se e mostrar que face ás dificuldades impostas caminham com o seu contributo heroico para confirmar que o Trail em Portugal está bem enraizado desde que lhes deem as condições mínimas de participação.
 O Ultra Trail da Serra da Freita ontem realizado superou tudo o que de rudeza e dificuldades é imposto aos atletas, ontem viu-se a magia da Freita e todos os que lá estiveram a participar poderam viver ao vivo o que é um Trail de extrema dureza só superado pelos melhores mas que estejam também embebidos de grande espírito de sacrifício e mental, quem não tiver estes condimentos é melhor nem pensar em pôr lá os pés. Não estou sequer a falar pela experiência vivida por mim que findou quando atingi os 40 kms e que contarei mais à frente, mas sim daquilo que vi na zona da meta, depois do meu resgate, com a chegada dos sobreviventes desta extraordinária aventura. Dos cerca de 240 atletas que partiram mais de 100 ficaram pelo caminho (entre os quais me incluo), daqui se poderão tirar algumas ilações que não têm só a ver com o aumento do grau de dificuldade, especialmente a partir dos 40 kms, mas também da temperatura do ar que era elevadíssima e que se fez sentir, principalmente para a 2ª metade dos atletas presentes que por demorarem mais tempo estiveram mais sujeitos ao inferno abrasador que se sentiu nos vales e encostas da Serra. Este é um fenómeno incontrolável e que nenhuma Organização deseja, fizeram o seu trabalho e no briefing da véspera da prova todos os alertas foram feitos, todos assimilaram os riscos, incluindo a extrema dureza do percurso com riscos elevados mas controlados e o problema do calor, exceptuando raras ocorrências em determinadas zonas do percurso todos se fizeram acompanhar dos meios indispensáveis à sua aventura.
Era notório o nervosismo de muitos estreantes nesta prova, quer na véspera quer na linha de partida, não raras vezes ouvia alguns a comentar que o máximo de treino que fizeram não ultrapassara os 35 kms muito pouco para uma Freita pujante e em crescendo, e era nestes que residia a maior preocupação da Organização e rapidamente isso ficou bem patente logo que foi dada a partida esquecendo-se muitos deles que tinham 70 kms pela frente e uma montanha mágica e cruel que iria ser fatal inapelavelmente para a maioria deles face à sua ousadia inicial.
A extraordinária organização colocada no terreno para apoiar os atletas foi de tal modo gigante e determinante para o sucesso da prova, socorristas, enfermeiros, médicos foi uma constante em todos os postos de abastecimento e em zonas móveis que careciam de maior vigilância, dando assim tranquilidade a quem dificilmente ia conseguindo superar os brutais obstáculos que lhes aparecia pela frente, tudo estava quase perfeito, só algo estranho à organização poderia impedir que todos os que partiram não chegassem à linha de meta. Então porque é que desistiram mais de 100 atletas? O calor foi determinante, apesar dos abastecimentos colocados no terreno pela organização em quantidade suficiente e da muita água pura e cristalina que encontrámos constantemente nos rios que percorremos não foi suficiente para amenizar os efeitos do sol, com a agravante de uma deficiente preparação para uma prova de elevada dureza, quase a raiar o extremo, como é a Freita. A Organização teve de responder, a meu ver muito bem, face ás características da Serra da Freita, no resgate dos atletas desistentes, alguns deles logo aos 20 kms, aos 30, aos 40 (aqui foram muitas dezenas, onde estou eu também), aos 50, 60 e 65 kms(último controlo eliminatório). Foi necessário uma gigantesca operação para fazer frente a isto, felizmente a Organização previu os malefícios que o calor iria provocar aos atletas em prova na Ultra quando se encontrassem em plena serra e muniu-se de meios para acudir e resgatar de quem precisasse de ajuda. Era cerca da uma hora da manhã quando concluíram o resgate de todos os atletas, ainda assim ouve um que ficou por lá perto dos 55 kms que desistindo, deu conta disso por interposta pessoa, cometeu um pecado terrível em Trail que saindo da rota da prova dificulta ao máximo a sua recuperação, acabou por regressar pelos seus próprios meios ao ponto de partida, uma lição a tirar para muitos e para todos!
A Freita é isto, é espetacular, o resto são os atletas que têm de fazer o espetáculo, todos têm a obrigação de se auto avaliar se reúnem condições para ali estarem, para muitos só o calor não é explicação, a isso alia-se também a condição física deficiente e na Freita com o actual traçado é dramático para as aspirações de alguns que é chegar ao ponto de partida (também me incluo neste sonho).
A gestão do esforço tem de ser feita desde os primeiros metros, a Freita é brutal com os seus 4,200 metros de desnível + as grandes dificuldades começam a aparecer só a partir dos 22/23 kms, (a mim disseram aos 30 kms que a prova ia começar a partir dali), a nossa função e empenho é correr e desfrutar daquilo que colocam à nossa disposição em plena Natureza, por isso não é demais lembrar o que representa para a Organização (neste caso a da Freita) uma atitude menos pensada quando decidimos participar numa aventura extrema como esta sem estarmos nas melhores condições.
Renovo aqui os meus parabéns à Organização nas pessoas do Moutinho e da Flor Madureira e a todos os que estiveram sempre mais perto de nós do terreno, só não voltarei se não sentir capacidades físicas suficientes para partir e chegar à meta.
Deixo aqui também uma palavra para os heróis, e foram muitos, desde o Luís Mota que ganhou até ao último que chegou já para além da meia noite. A Freita atingiu um grau de dificuldade este ano como nunca tinha tido nas edições anteriores, não adianta desabafar como já li uma frase que diz muito mas de forma enviesada , "Dureza estupidamente extrema", este ano a Organização foi extremamente profissional naquilo que fez em relação à prova, não se discute se era fácil ou difícil, uma prova de Trail com as características da Freita não pode ter um figurino único senão perde o seu encanto, a superação das capacidades de cada atleta passa por isso mesmo, é sempre um desafio permanente.

CONTINUAÇÃO...

domingo, 23 de junho de 2013

4ª Trilhos Loucos de Reichida

A 4ª Edição do Trail Louco de Reixida hoje realizado de forma espetacular merecerá da minha parte uma apreciação mais pormenorizada daqui a uns dias, deixando desde já uma palavra de louvar à organização pela forma muito profissional como conduziram toda a realização da prova e da forma como souberam receber as centenas de atletas e seus familiares.
Estou de passagem por casa, coisa rápida, vou fazer um pequeno "estágio" para Mil Fontes e regresso na véspera de seguir para a Serra da Freita, por isso aqui fica registado esta passagem por Reixida que assinala também a estreia de nova camisola dos Amigos do Vale do Silêncio patrocinada pelo Grupo Volvo ASCENDUM para a nova época.
 
 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Corrida do Sal, Alcochete, 9 de Junho 2013

Corrida do Sal, assim designado por se disputar numa das zonas onde ainda se produz o sal junto do estuário do rio Tejo. Este ano fui até lá, disseram-me que o percurso era todo em terra batida e areal, bem como a ausência de sobe e desce como convém em provas de curta distância, o ideal para continuar a recuperar os meus depauperados joelhos e articulações dos pés, um legado que ainda perdura da Ultra de S. Mamede.
Era um Trilho ainda desconhecido para mim e tinha alguma curiosidade em ver e conhecer as salinas do Samouco já que era novidade para mim observar isto de perto. Ir a Alcochete é somente para quem tem mesmo alguma coisa para fazer, apenas tinha ido lá por curiosidade e para ver uma superfície comercial bem conhecida,
como foi de Inverno para além da chuva que caiu e do frio que se fazia sentir, aliado a uma falta de abrigo coletivo num local que nem cobertura tem que proteja os visitantes no seu passeio pedonal junto ás lojas acabei por de lá sair bastante desiludido e sem vontade de voltar a Alcochete, até ao dia 9/6/2013 para participar na Corrida do Sal.
O dia esteve excelente, céu nublado sem vento e com temperatura amena, o secretariado da prova funcionava de forma simples ali em plena praia céu aberto, duas mesas a servir de suporte aos meios técnicos, distribuição de dorsais e sistema informático, funcionava de forma organizada e competente "despachando" rapidamente todos os que se aproximavam para levantar o seu kit desportivo.
Por ali deambulavam muitas caras conhecidas do Trail, da estrada e de outras iniciativas ligadas à corrida como no areal e ou provas e treinos noturnos. Do meu clube A.V. Silêncio estavam 4 elementos, todos eles já experientes nestas provas até 10 kms mas para mim ia ser mais um momento de algum aperto pois tal representa ritmos e esforço elevados a que normalmente não sou chamado a fazer.
De uma linha imaginária em pleno areal da praia partimos na direção da ponte Vasco da Gama, à direita viam-se os apanhadores de marisco que aproveitavam a maré baixa para tentar a sua sorte, nós indiferentes a isso percorríamos aquele pedaço de areal limpo e húmido com o prazer de podermos desfrutar de um dia tão bonito à descoberta de coisas e novidades ainda para alguns, como era o meu caso.
Parti mesmo no fim do pelotão, como normalmente faço, na companhia da Ana Pereira e assim segui durante as primeiras centenas de metros de praia, como não havia qualquer pacto entre nós aos poucos fui soltando a passada até adquirir um andamento confortável e resistente, foi desta forma que fui ultrapassando com naturalidade muitos atletas que entretanto tinham estabilizado da sua correria inicial.
Pouco depois entrámos no espaço reservado ás salinas do Samouco, creio que na edição anterior não se passou por lá, não sei o motivo, era um dos motivos que me levara a inscrever na prova pois tinha curiosidade em ver aquilo de perto, rapidamente fiquei desiludido pois esperava ir encontrar a cor branca do sal, os aparelhos para a sua extração e os montes formados
de sal tão caraterísticos que os comparo ás pirâmides do Egipto, salvaguardando como é óbvio as devidas proporções, mas não, encontrei sim vastos lagos de água como em qualquer lugar se encontram por ali e arredores, nem sinal de sal, a sua ausência leva-me a pensar que deve estar em maturação???, contudo em contra partida os locais por onde passámos permitiu ver a dimensão daquele espaço enorme, o piso bem tratado estava em excelentes condições para correr salvaguardando os cuidados mínimos para se evitar possíveis lesões . A reentrada no areal da praia dá-se exatamente por baixo da ponte Vasco da Gama com a ida ao Samouco e voltar, creio que já não me cruzei com os que seguiam na frente da corrida, nem isso era importante, eu continuava a forçar mas sem atingir l
imites proibidos, ultrapassava e era ultrapassado e tinha agora apenas os olhos postos na chegada, após a passagem de novo por baixo da ponte voltamos a ver ao longe a silhueta das casas de Alcochete, uma ligeira neblina impedia-me de fixar com clareza o que se via, o areal estendia-se agora à nossa frente, aqui e ali os ténis enterram-se na lama e na areia mais solta, o sol continuava escondido, do lado de lá do Tejo vislumbro muito te nuamente Santa Iria da Azoia, terra onde moro. O prazer desta corrida ia-se esfumando aos poucos na medida em que nos aproximávamos da chegada à meta, o piso de areia molhada e dura permitia rolar a bom ritmo e era uma pena estarmos já tão perto da meta. Na chegada os amigos lá estavam a saudar-nos, um pouco de areia solta e a meta, 58,42minutos depois de partir, para mim foi ótimo se considerar que este tempo foi conseguido ao mesmo tempo que levei a correr os 10,120kms do
percurso.

Na chegada fomos obsequiados com muita fruta que serviu para retemperar as forças depois daquele esforço que desenvolvemos nesta bonita prova.
Voltarei lá para o ano se tiver disponibilidade pessoal e física, gostei da simpatia das pessoas da organização à qual deixo desde já os meus parabéns na pessoa do seu responsável Fernando  Almeida, saliento também o apoio dado ao longo da prova com vários elementos a ajudar em pontos estratégicos do percurso para que não houvesse qualquer  confusão com enganos ou outros problemas a evitar.
O abastecimento de água no Samouco dado em copos de plástico foi brilhante, sinal que vamos aprendendo com alguns erros que se vão cometendo em provas que envolve a Natureza, ainda
assim alguns apressados não param, levam os copos e depois abandonam-nos espalhados pela praia, temos de continuar a sensibilizar as pessoas para o respeito que temos de ter para com a natureza e para com os outros que obrigatoriamente têm de fazer a limpeza do lixo lá deixado.
Espero que não mudem nada, o percurso é espectacular.
Fotos

terça-feira, 4 de junho de 2013

Corrida do Mirante, 2 de Junho de 2013

Passada que foi aquela semana após a minha desistência no Ultra Trail de Portalegre no dia 18 de Maio regressei agora a Ota para participar em mais uma edição da corrida do Mirante. A semana que antecedeu esta prova foi de algum relaxamento e de teste para ver como estava o tendão do joelho que me atormentara em Portalegre, o fisioterapeuta mais uma vez tinha razão e as mesinhas que me receitou resultaram em pleno (pelo menos até agora) e pude testar nesta prova que o problema surgido poderá estar em vias de cura total. Creio que é uma boa notícia numa altura em que ainda tenho 3 provas para realizar este mês e que visam preparar a última da série (Serra da Freita de 70 kms) no final do presente mês.
Ota é também um local em que regressarei sempre, mesmo que por qualquer motivo não possa correr, os amigos que lá tenho, em especial o Alexandre Beijinha, justificam esta opção mas como já afirmei em ocasiões anteriores Ota é também uma terra que me marcou na minha meninice, batizaram-me lá com 3 anos na Quinta de Ota, um edifício imponente da família do D. Vasco, um aristocrata monarca dono de parte da vasta charneca que se espalha para norte passando pelo Casal do Salgueiral a apenas 3/4 kms onde vi pela 1ª vez a luz do dia, sim porque naquele tempo nascíamos em casa, porque de burro não conseguíamos chegar a tempo a Lisboa!
Hoje sei mais coisas porque em frente do café central da Ota vi lá uns "velhotes" sentados e entendi falar um pouco com eles, perguntei pela minha "tia" Alzira, era assim que a chamava pois na realidade era uma prima mais afastada, que morava ali num dos becos da Vila e disseram-me que já tinha abalado para o além e que os filhos dela, que não conheço, viviam de boa saúde e só um deles ainda andava por ali, depois dizem-me ainda que da Quinta da Ota tudo se mantém igual, excepto a "família real" de então que foi perdendo elementos até aos dias de hoje restando apenas os netos como herdeiros e residentes desta imensidão de propriedade. Tenho a vaga ideia de fazer parte de um grupo de crianças que a pretexto de nos batizarem ali almoçámos num imenso salão que tinha a meio uma enorme mesa onde nos sentaram para comer uma sopa (um caldo verde) não sei se a mesa era grande por eu ser pequeno o que sei é que jamais esqueci aquilo e tinha apenas 3 anos. Da sopa recordo bem até porque eu estava habituado a comer sopa à base de cardos e aquela por ser diferente sobe mesmo bem, não mais a esqueci. Um dia gostaria de lá voltar e visitar aquela Quinta, pode ser que os herdeiros tomem conhecimento deste meu desejo e me convidem a visitar aquela casa que para mim ainda é um mistério gravado desde criança.
Gostava de ter continuado a falar com aqueles "velhotes", conheciam os meus avós maternos e alguns tios que moraram no Salgueiral, eles próprios profundos conhecedores daquela imensidão de terras que a Charneca abarca, a Quinta das Torres onde também morei ainda em pequeno, o Monte Redondo com toda a sua história, a Serra do Ajojo ali ao lado onde um dos meus tios transformava a madeira de azinho em carvão e tirava daí o seu sustento, o Zé Cartaxo e os Carvoeiros eram também filhos da terra, a Quinta do Archine e a Vidigueira eram outros locais que vieram à memória. Ota era e é uma terra pequena mas muito familiar, é talvez por isso que nesta altura se mobilizam para integrar a comissão organizadora desta corrida que anualmente nos recebe. Quanto gostaria de estar ali mais tempo à conversa com aqueles amigos veteranos que vivem e confraternizam nesta bonita terra, a partida para a corrida estava quase a ser dada e por pouco não me esquecia dela.
Encontrei de novo ali muitos amigos, muitos deles estiveram comigo em Portalegre, daí o interesse de muitos em saber se estava ou não já recuperado, claro que sim dizia eu a todos.
Destaco aqui antes da partida a homenagem que a Organização fez à Analice a consagrá-la pelos seus feitos ao longo da carreira como atleta, particularmente pela sua participação em algumas provas míticas onde só os super dotados são capazes de ultrapassar.
A prova era curta, curta demais para testar as minhas limitações do momento, estes 12,750km transformaram-se numa coisa que gosto pouco, velocidade e esforço físico em demasia, mas não tive alternativa e desde o princípio procurei não me atrasar muito porque éramos cerca de 300 à partida e ao fim de 2 kms estávamos a atravessar o rio onde só um de cada vez conseguia passar com a consequente fila de atletas que se formariam quando lá chegássemos, bem dito bem feito, quando lá cheguei até foi bom pois já ia cansado e sempre deu para descansar um pouco e aguardamos depois calmamente a nossa vez de passar mas havia ali um diabinho que paulatinamente ia passando por nós, era a Analice que se foi plantar mesmo à minha frente, tal como os outros não me importei, mas chegados à água a Analice ou não viu os marcos por onde devíamos colocar os pés ou não viu que aquilo era um rio, foi a direito e caiu no rio, teve a destreza de reagir de imediato e segurou-se antes de se espalhar ao comprido,
disse-me depois que não viu a água e para evitar os paralelos foi a direito, depois seguiu paulatinamente serra acima correndo, eu também tentei mas ao fim de 5 metros já estava andando e só a muito custo é que voltei a correr já perto do local onde estava destinado irmos almoçar. Como estava a sentir-me bem aproveitei as subidas sem fazer grande esforço, andava e corria onde isso para mim era possível, foi assim que cheguei perto da Otília, ela era para mim aquele momento uma referência, e assim seguimos até ao abastecimento dos 5 kms, ali encontrava-se já o Luís Miguel e logo aproveitou para me desafiar a concluir os kms que faltavam como se estivéssemos em Portalegre, Então faltavam cerca de 12 kms para chegar aos 100, sim senhor vamos a isto, a Otília alinhou e aí vamos nós encosta abaixo, encosta acima até perto do final onde a minha falta de velocidade não conseguiu acompanhá-los de perto, na rampa final a 200 metros da meta reagrupámos por gentileza deles para comigo, nada fora combinado e adorei correr e chegar na companhia destes dois grandes amigos que ganhei ao longo dos tempos. 
O tempo final registado foi muito bom 1,35,56h. para os 12,750kms do percurso.
Se todos levassem a garrafa na mão evitava-se o espetáculo
degradante deixado no local
Uma nota importante
Espero que todos tenham tomado conhecimento de algumas chamadas de atenção feitas pela Organização devido a algum comportamento menos correto de alguns atletas ao deixarem em vastas zonas do percurso muito lixo e garrafas vazias por ali espalhado, aquilo é um local muito bonito e faz parte da nossa Natureza e deve ser respeitado por todos, não custa nada!!!
Seguiu-se o almoço no Parque de merendas junto ao Mirante, como sempre muito bem organizado a distribuição do Kit alimentar a todos os participantes num ambiente espetacular onde a confraternização foi possível entre muitos amigos que por lá estiveram. A satisfação foi geral ficando a vontade de todos lá voltarem nas próximas edições.
Classificações

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Ultra Trail de S.Mamede 2013

Marvão. o trio aos 60 kms.
Apesar da minha desistência no Ultra Trail de S. Mamede aos 90 kms por estranho que pareça (para mim) não fiquei com qualquer trauma ou complexo pelo sucedido, fui aos limites e na última subida (88 kms) já dava 2 passos para a frente e um para trás e o corpo recusava-se em se manter direito, os meus 2 queridos companheiros de "viagem" ali iam à minha frente pachorrentamente a aguardar que os acompanhasse naquela que seria a derradeira tentativa de superar o suplício que estava a atravessar adiando o que seria o inevitável, a desistência.
Mas como foi possível chegar a esta situação? Podia ser evitada? O que é que contribuiu para se iniciar um processo irreversível logo à passagem do km 35? Perguntas que podem ter algumas respostas na apreciação e reflexão que cada um deve fazer a si próprio, mesmo que tudo corresse bem é indispensável que se faça porque nunca há duas provas iguais, mesmo que o trajeto de percurso seja o mesmo ou parecido.
Creio que cometi demasiados erros, não na prévia preparação da prova mas sim já no local e os cuidados a ter para a enfrentar porque para enfrentar uma prova de 100 kms não basta uma boa preparação física e mental, é preciso também não esquecer todos os outros elementos essenciais que parecendo menores têm uma extrema
 
Meia Noite, hora de partida
importância, a começar pela concentração, isto é, por vezes deixamo-nos levar pelos simpáticos comentários de que já somos dos duros, que temos muita experiência, etç, e esquecemos que cada prova tem de merecer o nosso maior respeito, deste modo tenho a sensação que desta vez descurei este pormenor, pese embora o facto de este estado de espírito positivo e descontraído enquanto se aguarda a partida acabe por contagiar os outros que me rodeiam, o que é positivo. A mente e o físico estão bem, penso eu, e o resto? Os ténis que levei eram inapropriados para uma prova com aquela dureza, são de trail é certo mas é para andar em cima de manteiga e não em cima de pedregulhos, mesmo os que tinha em Marvão para uma muda pouco ajudaram e eram equivalentes, por norma em todas as provas procuro minimizar os efeitos da fricção, quer nas virilhas quer nos pés, e o que é que eu fiz? nada e as consequências disso não se fizeram
quase duas mãos cheias de amigos

esperar em pouco tempo (como à frente direi), os calções em provas deste tipo devem ser confortáveis, mais um erro que cometi, levei calção licra até ao joelho e cueca por baixo com resultados dolorosos passado pouco tempo, equipamento muito deficiente face ao demasiado frio que estava e que se mostrou desastroso no alto da Serra com temperaturas negativas, levando-me quase à situação de hipotermia. Tudo isto contribui negativamente para se impedir de alcançar o objetivo da vitória que é chegar quando se parte. E eu não cheguei, não fui capaz, por mais força mental que tivesse o físico desta vez levou a melhor e derrotou-me.
Era Meia Noite de Sexta para Sábado quando partimos, tinha 2 amigos que iam fazer a prova comigo, O Luís Miguel e a estreante na distância Susana Brás, estava fresco e era o ideal para
momento de diversão

correr, a noite estava escura e as nuvens ameaçavam, o ambiente era de ansiedade mas ao mesmo tempo alegre, a nossa estreante estava agora mais descontraída depois de ter passado alguns momentos a sós e em silêncio como forma de se auto motivar perante tão grandioso desafio. Frontais acesos e abalamos, a SIC estava por ali e eu nem me apercebi, como não é hábito fiquei surpreso quando mais tarde vi as imagens que publicaram, fica o meu louvor pela iniciativa que tiveram em estar presente neste grandioso evento desportivo compensando de certa forma o esforço tremendo que as gentes de Portalegre fizeram para pôr de pé esta prova.
Os primeiros kms de prova foram de uma visibilidade espetacular, na ausência de luz solar eram os frontais que sobressaíam naquele emaranhado de curvas e contra curvas desenhados num
Luís Mota vencedor, Campeão

universo sem fim de vales e montes sem fim que íamos vencendo conforme a progressão. As dificuldades mais sentidas até ao 1º PAC (Posto de Abastecimento e Controlo) foram a passagem pelo leito e margem de um rio que nos obrigou em cerca de 1km a andar em cima de pedras e por vezes dentro de água com as dificuldades inerentes por apenas nos podermos guiar pela luz dos frontais de cada um, a partir daí foi um instante que chegámos ao 1º controlo. Partimos de imediato e pouco depois estávamos já em Alegrete, 2º Posto e o 1º onde se começou a tirar tempos de passagem dos atletas com publicação de imediato na Net. Nada de anormal se passou até aqui e seguíamos inseparáveis no ataque à subida ao ponto mais alto da Serra de S. Mamede, as Antenas, foi aqui que comecei a ficar desconfortável e com um frio terrível, levava apenas duas t-shirts, uma delas muito fina e manga comprida, parei e vesti o corta
momentos de concentração

vento mas continuava gelado e o vento já cortava com o frio à mistura, estávamos em plena subida e não dava para correr, eram 9 kms seguidos até chegar a um primeiro cume a 900 metros de altitude, optámos por caminhar e depois de atingir o alto voltamos a descer para depois atingir o ponto mais alto a 1000metros, são 3 kms brutais, para além da subida muito acentuada tínhamos ainda o forte vento que nos batia do lado direito, o frio começava a fazer efeito, 1º foram as mãos ficaram geladas e nada podia fazer porque precisava dos apoios para conseguir subir aquilo, depois foram os pés que começaram a ficar dormentes e com dores, o corta vento pouco ou nada protegia. Aqui começo a reconhecer o quanto fui negligente na preparação do equipamento, tinha deixado as luvas no carro por esquecimento, valeu-me já quase no final depois de praguejar quanto baste o Tiago Martins que levava umas suplentes e me as
concentrados para a partida

emprestou, pouco depois estávamos a chegar ao alto, os meus companheiros de aventura vinham logo ali por perto e por certo as dificuldades também era sentidas, começava aqui também para mim um dilema difícil de ultrapassar, tinha-me esquecido de colocar um pouco de vaselina nas partes que geram mais fricção e já ia com dificuldades . Chagámos ao PAC3 e era impossível estar ali muito tempo, via elementos da organização enrolados em mantas para se protegerem, mais à frente uma fogueira fui até lá e aqueci um pouco os pés, as luvas protegiam já as mãos mas a ponta dos dedos doem e ainda vão levar algum tempo a normalizar. Partimos ao encontro do próximo Posto, a descida que se segue é bastante técnica requerendo cuidados especiais não havendo qualquer problema até chegar à estrada, aqui quando me preparava dar os últimos passos escorreguei e fui por ali abaixo uns 2 metros, umas mazelas
J. Adelino, Luís Miguel, Pedro Quina, Susana Brás
sem importância que poderiam ser evitadas com a ajuda de colaboradores que ali estavam, bastava ternos desviado um pouco e com certeza não haveria ali quedas, pouco depois a luz do frontal começa a dar a vez à luz solar. Aos 35 kms quando iniciamos uma brutal subida (500m) sinto uma dor, ainda que ligeira na parte de dentro do joelho esquerdo, não ligo muito, até porque durante uma corrida todos sentimos pequenas coisas que depois se vão esvaindo sem darmos conta, vou subindo e a dor não sai e cada vez que levanto a perna esquerda ela acentua-se, quando cheguei ao alto acredito que na descida a dor vai embora, mas não foi e como vi que não era impeditiva prossegui até ao PAC4, nesta altura não quis alarmar os meus amigos que iam ali comigo. PAC4, 40kms dirigi-me aos bombeiros que ali estavam e peço para me colocarem um pouco de gelo no joelho e assim fazem com o melhor da sua boa vontade, surge então o Carlos, fisioterapeuta da organização que por sorte estava ali, identificou o problema, um tendão inflamado, digo-lhe que quero chegar a Portalegre e não queria sair de prova, ele entendeu e enrolou-me uma fita à volta
Prontos para o arranque
da perna logo abaixo do joelho pressionando o tendão contra a estrutura óssea permitindo-me assim prosseguir com menos sofrimento., fiquei agradecido e prosseguimos com a promessa de ele estar de novo à minha espera no PAC5 para ver a evolução disto. Os meus amigos com maior ou menor dificuldade ali vêm, a Susana já denotava algum cansaço e o Miguel iniciava uma fase com uma pequena dor num tornozelo, coisa passageira, era ele o motor deste grupo e não podia dar-se ao luxo de falhar, como não falhou ao longo de toda a prova. Foi neste intervalo que tive de me despojar de algo que me afrontava há muitos kms atrás tendo apenas ficado com o calção licra vestido da cintura para baixo, pensava eu que a atroz fricção que sentia ficava resolvida, passado pouco tempo estava bem pior mas como não havia nada a fazer a solução foi seguir tentando ignorar tão mal estar. No PAC5 lá estava o Fisioterapeuta à minha espera,
Susana Brás
disse-lhe que aquilo estava a resultar doía mas dava para correr, então ele fez novo reforço e continuei na esperança que isto aguentasse até ao fim. Pouco depois surge Marvão local onde estava o PAC6 a condizer com o km 60, foi muito difícil lá chegar, a subida de acesso ao Castelo é terrível eu já a conhecia do ano passado mas nem isso ajudou muito porque tive de a subir de novo e nada foi mudado desde então. Aproveitei esta paragem (42m) para mudar de roupa e de ténis que foram para ali transportados previamente pela organização, comi um sopa e pouco mais e abalámos serra abaixo por uma calçada interminável (2kms) até sermos um pouco mais à frete para uma Serra que não conhecia na passagem do ano anterior que nos conduziria ao PAC7, à nossa espera estava uma bátega de água que depressa se transformou em granizo, a nossa sorte é que estávamos a chegar e podemos abrigar-nos debaixo
Luís Miguel
dos toldo que a organização ali tinha montado, pouco depois abalámos já alimentados dentro do possível, para mim nesta fase (70 kms) o estômago custa a aceitar alimentos e só a muito custo é que consigo contrariar, começamos agora uma fase de ascensão durante 4 kms onde a calçada é de novo o piso tortuoso, agora com mais incidência em blocos de pedra pouco ou nada trabalhados mas que castiga muito, o meu joelho já se arrasta sempre que dobro a perna sinto uma dor muito incómoda e impeditiva, a fricção nas coxas está insuportável  mas temos de prosseguir, sigo quase sempre na frente do grupo, chegamos ao alto e avistamos Castelo de Vide, uma Vila muito bonita, descemos um pouco e rodeamos o morro onde está situada a Capela da Penha sempre com a Vila ali a nossos pés. O PAC8 estava ali (77kms) , mas um pouco antes nova carga de granizo cai sobre nós, ficámos gelados, a situação já
Pedro Quina
não era boa e agora com a quase impossibilidade de correr jamais iria aquecer. Devido à garga de água que caiu fomos impedidos de subir à Capela e descer pelas cordas por cima de uma zona rochosa, as cordas estavam molhadas e era muito perigoso descer.

A partir daqui até ao PAC9 eram 10 kms a descer e em terreno plano e mais 3 em montanha, mas as forças já eram quase nulas devidos aos diversos fatores que se vieram a desenvolver durante a corrida, não bastou muito tempo para eu de novo parar e cortar com uma navalha a parte interior do calção que vestira em Marvão, mas tal como na situação anterior não resultou, agora não tinha defesas nenhumas e as nádegas começaram a ser o flagelo seguinte. Andámos, andámos onde devíamos correr, eu via a situação do joelho a agravar-se, a dor já descia pela perna, o pé direito de tanto
A Vitorina sempre muito atenta a tudo

suportar o esforço que deveria ser partilhado pelos 2 pés começa também a ceder na zona da articulação, valeu-me que aqueles 10 kms eram planos e minoraram as dificuldades de progressão. Estava já a viver um drama que os meus companheiros nem sequer se apercebiam, chegamos por fim à base de nova subida com 3 kms que dava acesso ao PAC 9 (90kms), desde logo verifiquei que não conseguiria subir aquilo, para além da forte inclinação (já com os meus amigos à minha frente) eu dava 2 passos para a frente e 1 para trás, subia agora apenas com a perna direita à frente a outra ia por arrastamento pois já não a conseguia dobrar, foi assim que cheguei ao alto antes de iniciar a descida até Posto, lá no alto os meus colegas esperavam por mim e de imediato lhes disse para continuarem que eu ia ficar no PAC9 quando lá chegasse. Não foi fácil convencê-los mas a decisão foi a melhor para os 3, fiquei feliz por terem conseguido o objetivo e eu feliz fiquei por ter conseguido chegar até ali depois de tantos tormentos passados.
Com o amigo Isaque Lucena 
Direi finalmente que esta história pouco tem a ver com os meus objetivos iniciais, a partir de certa altura deixa-se de ter prazer na corrida e entra-se numa fase penosa que nada tem a ver com aquilo que pretendemos. Desistir logo seria mais sensato? Creio que não, nunca saberia até onde os limites nos permitem suportar a dor, de outra forma ou com outra atitude se eu o fizesse então não fazia sentido andar (porque gosto) junto daqueles a quem admiro muito, só assim os posso valorizar sentindo também na pele as agruras porque passam os campeões.
Parabéns ao Luís Miguel e à Susana Brás pelo sucesso e grande coragem que tiveram ao longo do percurso, eu era o único que o conhecia por isso na minha consideração são uns heróis, obrigado pela companhia e ajuda que recebi de vós. Enalteço aquele gesto da Susana, quando fiquei para trás aos 88kms, ao me deixar 2 figos e umas dúzias de
A aguardar a partida

passas de figo para me alimentar até chegar ao local onde ia desistir (PAC9) emocionou-me e revela também o seu enorme e sensível coração pela sua espontânea ação .
Foram muitos os fatores negativos, creio que aprendi muito com esta experiência, podemos estar muito bem preparados física e mentalmente mas também podemos ser derrotados por coisas tão simples e evitáveis, creio que esta é a melhor conclusão, aprender, aprender sempre, e nunca cometer os mesmos erros, e já agora nem outros! 
 
Parabéns a toda a organização, saí daí todo torcido mas tenho de matar o "borrego" deixado intacto este ano, para o ano volto.
 
FOTOS

Percurso até aos 90 kms , os primeiros 60kms (Marvão) com leitura Garmin do Luís Miguel e a partir daí começou a funcionar o meu até ao PAC9, onde desisti.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Trilhos da Lampas, S. João das Lampas, 4 de Maio

Por aquilo que tenho lido os trilhos de S. João das Lampas caíram bem fundo daqueles que tiveram a oportunidade de lá ir, bem fundo de satisfação pelo excelente percurso que foram encontrar, por a dificuldade no seu todo ser baixo e pela forma como a organização da prova trata os seus visitantes. No Trail em Portugal creio que ainda não existem as chamadas provas comerciais, embora algumas delas se aproximem perigosamente desse estatuto o que tem bastas vezes levado ao fracasso pela falta de qualidade e a falta de respeito pelos atletas, por isso não têm nem presente nem futuro, outras pelo seu estatuto de reconhecido valor sobrevivem graças à argúcia e inovação que cativa os mais arrojados que têm no seu ego a conquista de novas fronteiras que vão para além do seu imaginário e finalmente aquelas provas que pela sua simplicidade envolvem os mais experientes trailistas e aqueles que não o sendo depressa se apaixonam por aquilo que lhes é oferecido.
Que melhor exemplo que os trilhos de S. João das Lampas para ilustrar isto? Eu tenho o cuidado de enfrentar qualquer tipo de trail ou trilhos completamente "artilhado", nunca sei o que vou encontrar e nada melhor do que me precaver contra qualquer surpresa que possa surgir, não é que não houvesse informação suficiente sobre todos os pormenores da prova e por isso surgiram ali muitos atletas, a maioria atletas da estrada, com o intuito de experimentar pela 1ªvez (alguns) este tipo de competições a que não estavam habituados, notavam-se pelo equipamento que ostentavam ou a falta dele, ténis inapropriados para aquele terreno ou a falta de meios de transporte de abastecimentos  em auto suficiência, porque numa prova de trilhos ou trail tudo pode acontecer e temos de estar salvaguardados contra qualquer surpresa que nos empate contra a nossa vontade tais como um possível acidente ou a perda do caminho certo e o desnorte. Para melhor caraterizar esta prova basta ir ao seu final e verificar que nem um queixume se fez ouvir, a satisfação era total para os mais experientes, iniciantes ou menos experientes, quais sapatos inapropriados e as outras coisas que podem parecer esquisitas, tudo correu bem e isso é um trunfo muito grande da Organização da Meia Maratona de S. João das Lampas e do seu principal obreiro Fernando Andrade.
 Os Trilhos das Lampas são sem dúvida uma magnífica entrada no reino do Trail, muitos dos que lá estiveram vão por certo querer experimentar outros desafios mais ousados, por isso mesmo estes trilhos cumpriram o seu papel e a satisfação no final era notório. Nem a "pobreza" do kit final oferecido aos atletas lhes arrefeceu o ânimo, mérito mais uma vez da organização da prova que privilegiou a verdade desde o início informando dos objetivos da prova e as suas limitações sem nunca pôr em causa a participação de todos os que manifestassem interesse em participar. Estou certo que outros objectivos serão traçados para o próximo ano, esta prova nascida debaixo da capa da Meia Maratona com o mesmo nome, vai com facilidade superá-la e aí vai ser necessário fazer-lhe frente, oxalá exista capacidade organizativa para a enfrentar sem que isso represente prejuízo para qualquer uma delas.
Do Grupo que me acompanhou, Daniel Pinto e Rui Pacheco (Amigos do Vale do Silêncio) ia também a estreante  nestas provas Ana Pereira, amiga que muito prezo e que teve a paciência partilhada comigo de fazermos a prova em colaboração de princípio a fim, creio que pela satisfação demonstrada no final vai querer repetir não só esta para o ano mas outras que se revelem de dificuldade menor que se seguirão até um dia onde a experiência seja já de relevo se possa apresentar num trail com outras exigências físicas e suportáveis.
A distância percorrida foi de 17.950kms. para o tempo gasto de 2,16h.
Venha agora S. Mamede, 100 kms numa aventura de sonho daqui a duas semanas, conto cá estar para depois contar como foi.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Corrida do 1º de Maio 2013

Foto do Parro  Aqui começou a "pica"
Está concluída a 2ª prova de estrada deste ano, a Corrida do 1º de maio é uma prova a que só faltarei se estiver impedido por qualquer problema físico, o 1º de Maio, a do Avante e S. João das Lampas são daquelas que estão no topo das minhas preferências, a Maratona de Lisboa também era mas a ganância capitalista no Atletismo levou a que a riscasse, pelo menos este ano, do lote das que mais gosto, na estrada naturalmente, já que para mim a Montanha e as provas de Trail estão acima de todas elas no que diz respeito ao meio em que se realizam e pelo convívio e amizades que granjeiam.
Foi uma prova interessante para mim, parti com a ideia de "fazer" kms e não durou mais de 1 km que não me tivesse decidido em transformar aquilo num teste ás minhas capacidades atuais em termos de ritmo e velocidade, aqui e ali juntei-me a alguns amigos, fui superando o ritmo a cada momento e pressentia que pela forma que me ia sentindo que era capaz de completar a prova em força esm grande desgaste físico. Os ritmos andavam entre os 5 e os 5,30m o km com ligeiras entradas abaixo dos 5m, estava a ser interessante, como parti quase na cauda do pelotão fiz a pista em passo muito lento e só comecei a correr mais solto perto da Avenida do Brasil e foi aí que me deu o "ginete", depois foi o ultrapassar muita gente até chegar à meta. 
O neto mais novo a ambientar-se pela mão do pai
A Almirante Reis mete sempre respeito, mas chegado ali continuava a sentir-me bem, o ambiente das comemorações da festa dos trabalhadores sindicalizados ou simpatizantes da C.G.T.P. Intersindical Nacional já por ali andavam e faziam-se sentir pelos aplausos de incentivo aos atletas e como é óbvio não somos insensíveis a isso, pelo que as forças conseguem conservar-se e catapultar-nos até chegar ao Areeiro naqueles longos 3 kms de subida. A partir daqui as coisas tornam-se mais fáceis para todos, particularmente aproveitei o facto de levar ali a poucos metros alguns atletas do meu Clube (A.V.S.), faltavam 3 kms para a meta, e esforço-me mais um pouco e chego até eles, com um pouco de brincadeira à mistura passo por eles e sigo o meu ritmo, já que o deles era outro e pré-determinado, entro pouco depois na pista e vejo logo em pleno relvado a minha família, só faltava o Hugo e o Daniel (que havia ultrapassada pouco antes mas que vinha ali a pouco mais de 1m), os 3 netos que tenho ali estavam e foi a 1ª vez que os juntei numa prova de Atletismo, segui para a meta e termino com um registo bem simpático para quem praticamente se esqueceu o que é correr em estrada, 1,19,59h. A distância registada por mim foi de 15,090kms. A média final foi de 5,18m por km, bem menos dos 6 por minuto que tinha pensado inicialmente, concluo que que não é nenhum crime se de vez em quando testarmos melhor as nossas capacidades, por mim acrescento que deve ser só de vez em quando porque não estou minimamente preparado para ritmos desta natureza.
Deixaram-me simpaticamente ultrapassá-los (os azuis) a 1 km da meta
Amanhã teremos o Trail de S. João das Lampas, encaro mais esta prova como treino para a Ultra de S. Mamede 2 semanas depois em Portalegre, aí sim será a hora de enfrentar um dos desafios deste ano de maior respeito, o outro será o Ultra Trail Serra da Freita no final do mês de Junho que me deu água pelas barbas no ano passado.
Algumas fotos tiradas pelo meu neto Tiago

sábado, 27 de abril de 2013

25 de Abril, Corrida da Liberdade

Amigos do Vale do Silêncio
Corrida da Liberdade comemorativa de mais um aniversário da Revolução do 25 de Abril de 1974, voltei a esta prova onde não participava há cerca de 20 anos, sei de muitos que se mantiveram sempre fieis a esta prova pelo simbolismo e pela história que ela representa, mas neste meio tempo eu sempre corri nesta data comemorativa, a maioria delas em Camarate que por coincidir na data nunca deixei de lá ir. Hoje esta prova de Camarate deixou de realizar-se, foi pena a sua extinção mas os sinais da crise já então ameaçavam quando tomaram a decisão de acabar. Também devo confessar que não constava da minha agenda fazer esta prova e só pelo seu significado é que participei, tal como o farei com a corrida do 1º de Maio.
Solidariedade com a água
Foi a 1ª prova de estrada que fiz este ano e fiquei muito satisfeito porque pude rever muitos amigos que já não via há muito tempo, previamente tinha combinado com alguns amigos fazer a prova em passo mais lento, tenho andado na Montanha e em terrenos sinuosos onde o ritmo de competição é quase nulo, por isso tinha de ser assim mas já no local a data a comemorar e o entusiasmo que via ao meu redor fez-me despertar ainda mais o interesse e decidi fazer um vídeo da partida da prova para o meu álbum de recordações e partilhar com todos esses momentos.
Este vídeo pode ser visto na minha página do Facebook.
Fica-me na retina a corrida entusiasmante daquela criança que saíu dali da assistência e se juntou ao pai numa corrida desenfreada a augurar provavelmente mais tarde alguma apetência para a corrida.
À falta de melhor...
A minha corrida esteve pois condicionada desde o início, mas valeu a pena e deu para ver o prazer com que todos partiram e deixarem expresso a sua alegria de ali estarem, até uma criança de tenra idade que partindo da cauda do pelotão acompanhava o pai naqueles metros iniciais deixando-me deveras emocionado levando-me a registar com mais afinco aquele momento. Depois foi partir do banco de trás e galgar pela estrada a fora à procura dos meus camaradas dos Amigos do Vale do Silêncio, batendo aqui e ali uma "chapa" para mais tarde recordar e também para oferecer aos amigos, corria na perseguição da rapaziada coisa que só consegui alcançar junto do abastecimento a meio da prova, não se pense que foi fácil, não fora a colaboração do nosso Míster Fernando e provavelmente não chegaria, depois foi muito mais divertido mas também rasgadinho pois aquele andamento não é o meu e tive a sorte de os últimos kms serem sempre a descer. O tempo final foi mesmo assim bem simpático:1,00,33h.
O símbolo da Paz, antes da partida
O calor foi excessivo mas não me prejudicou muito, não abasteci a meio da prova porque levava comigo água suficiente caso necessitasse coisa que aconteceu apenas na zona do Campo Pequeno. Após cortar a meta foi desolador aquele tempo de espera para dali sair, a chegada era larga mas depois o funil onde estavam a entregar a t,shirt era demasiado estreito provocando ali um enorme aglomerado de atletas que em certa altura chegou a sufocar, era o calor vindo do sol e o calor libertado de cada um de nós, louvo aqui a Ação dos elementos da organização que ao se aperceberem da situação começaram logo a distribuir água a toda a gente que ali estava, de realçar também o espírito de entreajuda de todos para que não faltasse água a ninguém, um bonito exemplo.
Voltarei a esta prova, não só porque gostei imenso mas também pelo espírito que ela encerra.
Fotos