domingo, 23 de junho de 2013

4ª Trilhos Loucos de Reichida

A 4ª Edição do Trail Louco de Reixida hoje realizado de forma espetacular merecerá da minha parte uma apreciação mais pormenorizada daqui a uns dias, deixando desde já uma palavra de louvar à organização pela forma muito profissional como conduziram toda a realização da prova e da forma como souberam receber as centenas de atletas e seus familiares.
Estou de passagem por casa, coisa rápida, vou fazer um pequeno "estágio" para Mil Fontes e regresso na véspera de seguir para a Serra da Freita, por isso aqui fica registado esta passagem por Reixida que assinala também a estreia de nova camisola dos Amigos do Vale do Silêncio patrocinada pelo Grupo Volvo ASCENDUM para a nova época.
 
 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Corrida do Sal, Alcochete, 9 de Junho 2013

Corrida do Sal, assim designado por se disputar numa das zonas onde ainda se produz o sal junto do estuário do rio Tejo. Este ano fui até lá, disseram-me que o percurso era todo em terra batida e areal, bem como a ausência de sobe e desce como convém em provas de curta distância, o ideal para continuar a recuperar os meus depauperados joelhos e articulações dos pés, um legado que ainda perdura da Ultra de S. Mamede.
Era um Trilho ainda desconhecido para mim e tinha alguma curiosidade em ver e conhecer as salinas do Samouco já que era novidade para mim observar isto de perto. Ir a Alcochete é somente para quem tem mesmo alguma coisa para fazer, apenas tinha ido lá por curiosidade e para ver uma superfície comercial bem conhecida,
como foi de Inverno para além da chuva que caiu e do frio que se fazia sentir, aliado a uma falta de abrigo coletivo num local que nem cobertura tem que proteja os visitantes no seu passeio pedonal junto ás lojas acabei por de lá sair bastante desiludido e sem vontade de voltar a Alcochete, até ao dia 9/6/2013 para participar na Corrida do Sal.
O dia esteve excelente, céu nublado sem vento e com temperatura amena, o secretariado da prova funcionava de forma simples ali em plena praia céu aberto, duas mesas a servir de suporte aos meios técnicos, distribuição de dorsais e sistema informático, funcionava de forma organizada e competente "despachando" rapidamente todos os que se aproximavam para levantar o seu kit desportivo.
Por ali deambulavam muitas caras conhecidas do Trail, da estrada e de outras iniciativas ligadas à corrida como no areal e ou provas e treinos noturnos. Do meu clube A.V. Silêncio estavam 4 elementos, todos eles já experientes nestas provas até 10 kms mas para mim ia ser mais um momento de algum aperto pois tal representa ritmos e esforço elevados a que normalmente não sou chamado a fazer.
De uma linha imaginária em pleno areal da praia partimos na direção da ponte Vasco da Gama, à direita viam-se os apanhadores de marisco que aproveitavam a maré baixa para tentar a sua sorte, nós indiferentes a isso percorríamos aquele pedaço de areal limpo e húmido com o prazer de podermos desfrutar de um dia tão bonito à descoberta de coisas e novidades ainda para alguns, como era o meu caso.
Parti mesmo no fim do pelotão, como normalmente faço, na companhia da Ana Pereira e assim segui durante as primeiras centenas de metros de praia, como não havia qualquer pacto entre nós aos poucos fui soltando a passada até adquirir um andamento confortável e resistente, foi desta forma que fui ultrapassando com naturalidade muitos atletas que entretanto tinham estabilizado da sua correria inicial.
Pouco depois entrámos no espaço reservado ás salinas do Samouco, creio que na edição anterior não se passou por lá, não sei o motivo, era um dos motivos que me levara a inscrever na prova pois tinha curiosidade em ver aquilo de perto, rapidamente fiquei desiludido pois esperava ir encontrar a cor branca do sal, os aparelhos para a sua extração e os montes formados
de sal tão caraterísticos que os comparo ás pirâmides do Egipto, salvaguardando como é óbvio as devidas proporções, mas não, encontrei sim vastos lagos de água como em qualquer lugar se encontram por ali e arredores, nem sinal de sal, a sua ausência leva-me a pensar que deve estar em maturação???, contudo em contra partida os locais por onde passámos permitiu ver a dimensão daquele espaço enorme, o piso bem tratado estava em excelentes condições para correr salvaguardando os cuidados mínimos para se evitar possíveis lesões . A reentrada no areal da praia dá-se exatamente por baixo da ponte Vasco da Gama com a ida ao Samouco e voltar, creio que já não me cruzei com os que seguiam na frente da corrida, nem isso era importante, eu continuava a forçar mas sem atingir l
imites proibidos, ultrapassava e era ultrapassado e tinha agora apenas os olhos postos na chegada, após a passagem de novo por baixo da ponte voltamos a ver ao longe a silhueta das casas de Alcochete, uma ligeira neblina impedia-me de fixar com clareza o que se via, o areal estendia-se agora à nossa frente, aqui e ali os ténis enterram-se na lama e na areia mais solta, o sol continuava escondido, do lado de lá do Tejo vislumbro muito te nuamente Santa Iria da Azoia, terra onde moro. O prazer desta corrida ia-se esfumando aos poucos na medida em que nos aproximávamos da chegada à meta, o piso de areia molhada e dura permitia rolar a bom ritmo e era uma pena estarmos já tão perto da meta. Na chegada os amigos lá estavam a saudar-nos, um pouco de areia solta e a meta, 58,42minutos depois de partir, para mim foi ótimo se considerar que este tempo foi conseguido ao mesmo tempo que levei a correr os 10,120kms do
percurso.

Na chegada fomos obsequiados com muita fruta que serviu para retemperar as forças depois daquele esforço que desenvolvemos nesta bonita prova.
Voltarei lá para o ano se tiver disponibilidade pessoal e física, gostei da simpatia das pessoas da organização à qual deixo desde já os meus parabéns na pessoa do seu responsável Fernando  Almeida, saliento também o apoio dado ao longo da prova com vários elementos a ajudar em pontos estratégicos do percurso para que não houvesse qualquer  confusão com enganos ou outros problemas a evitar.
O abastecimento de água no Samouco dado em copos de plástico foi brilhante, sinal que vamos aprendendo com alguns erros que se vão cometendo em provas que envolve a Natureza, ainda
assim alguns apressados não param, levam os copos e depois abandonam-nos espalhados pela praia, temos de continuar a sensibilizar as pessoas para o respeito que temos de ter para com a natureza e para com os outros que obrigatoriamente têm de fazer a limpeza do lixo lá deixado.
Espero que não mudem nada, o percurso é espectacular.
Fotos

terça-feira, 4 de junho de 2013

Corrida do Mirante, 2 de Junho de 2013

Passada que foi aquela semana após a minha desistência no Ultra Trail de Portalegre no dia 18 de Maio regressei agora a Ota para participar em mais uma edição da corrida do Mirante. A semana que antecedeu esta prova foi de algum relaxamento e de teste para ver como estava o tendão do joelho que me atormentara em Portalegre, o fisioterapeuta mais uma vez tinha razão e as mesinhas que me receitou resultaram em pleno (pelo menos até agora) e pude testar nesta prova que o problema surgido poderá estar em vias de cura total. Creio que é uma boa notícia numa altura em que ainda tenho 3 provas para realizar este mês e que visam preparar a última da série (Serra da Freita de 70 kms) no final do presente mês.
Ota é também um local em que regressarei sempre, mesmo que por qualquer motivo não possa correr, os amigos que lá tenho, em especial o Alexandre Beijinha, justificam esta opção mas como já afirmei em ocasiões anteriores Ota é também uma terra que me marcou na minha meninice, batizaram-me lá com 3 anos na Quinta de Ota, um edifício imponente da família do D. Vasco, um aristocrata monarca dono de parte da vasta charneca que se espalha para norte passando pelo Casal do Salgueiral a apenas 3/4 kms onde vi pela 1ª vez a luz do dia, sim porque naquele tempo nascíamos em casa, porque de burro não conseguíamos chegar a tempo a Lisboa!
Hoje sei mais coisas porque em frente do café central da Ota vi lá uns "velhotes" sentados e entendi falar um pouco com eles, perguntei pela minha "tia" Alzira, era assim que a chamava pois na realidade era uma prima mais afastada, que morava ali num dos becos da Vila e disseram-me que já tinha abalado para o além e que os filhos dela, que não conheço, viviam de boa saúde e só um deles ainda andava por ali, depois dizem-me ainda que da Quinta da Ota tudo se mantém igual, excepto a "família real" de então que foi perdendo elementos até aos dias de hoje restando apenas os netos como herdeiros e residentes desta imensidão de propriedade. Tenho a vaga ideia de fazer parte de um grupo de crianças que a pretexto de nos batizarem ali almoçámos num imenso salão que tinha a meio uma enorme mesa onde nos sentaram para comer uma sopa (um caldo verde) não sei se a mesa era grande por eu ser pequeno o que sei é que jamais esqueci aquilo e tinha apenas 3 anos. Da sopa recordo bem até porque eu estava habituado a comer sopa à base de cardos e aquela por ser diferente sobe mesmo bem, não mais a esqueci. Um dia gostaria de lá voltar e visitar aquela Quinta, pode ser que os herdeiros tomem conhecimento deste meu desejo e me convidem a visitar aquela casa que para mim ainda é um mistério gravado desde criança.
Gostava de ter continuado a falar com aqueles "velhotes", conheciam os meus avós maternos e alguns tios que moraram no Salgueiral, eles próprios profundos conhecedores daquela imensidão de terras que a Charneca abarca, a Quinta das Torres onde também morei ainda em pequeno, o Monte Redondo com toda a sua história, a Serra do Ajojo ali ao lado onde um dos meus tios transformava a madeira de azinho em carvão e tirava daí o seu sustento, o Zé Cartaxo e os Carvoeiros eram também filhos da terra, a Quinta do Archine e a Vidigueira eram outros locais que vieram à memória. Ota era e é uma terra pequena mas muito familiar, é talvez por isso que nesta altura se mobilizam para integrar a comissão organizadora desta corrida que anualmente nos recebe. Quanto gostaria de estar ali mais tempo à conversa com aqueles amigos veteranos que vivem e confraternizam nesta bonita terra, a partida para a corrida estava quase a ser dada e por pouco não me esquecia dela.
Encontrei de novo ali muitos amigos, muitos deles estiveram comigo em Portalegre, daí o interesse de muitos em saber se estava ou não já recuperado, claro que sim dizia eu a todos.
Destaco aqui antes da partida a homenagem que a Organização fez à Analice a consagrá-la pelos seus feitos ao longo da carreira como atleta, particularmente pela sua participação em algumas provas míticas onde só os super dotados são capazes de ultrapassar.
A prova era curta, curta demais para testar as minhas limitações do momento, estes 12,750km transformaram-se numa coisa que gosto pouco, velocidade e esforço físico em demasia, mas não tive alternativa e desde o princípio procurei não me atrasar muito porque éramos cerca de 300 à partida e ao fim de 2 kms estávamos a atravessar o rio onde só um de cada vez conseguia passar com a consequente fila de atletas que se formariam quando lá chegássemos, bem dito bem feito, quando lá cheguei até foi bom pois já ia cansado e sempre deu para descansar um pouco e aguardamos depois calmamente a nossa vez de passar mas havia ali um diabinho que paulatinamente ia passando por nós, era a Analice que se foi plantar mesmo à minha frente, tal como os outros não me importei, mas chegados à água a Analice ou não viu os marcos por onde devíamos colocar os pés ou não viu que aquilo era um rio, foi a direito e caiu no rio, teve a destreza de reagir de imediato e segurou-se antes de se espalhar ao comprido,
disse-me depois que não viu a água e para evitar os paralelos foi a direito, depois seguiu paulatinamente serra acima correndo, eu também tentei mas ao fim de 5 metros já estava andando e só a muito custo é que voltei a correr já perto do local onde estava destinado irmos almoçar. Como estava a sentir-me bem aproveitei as subidas sem fazer grande esforço, andava e corria onde isso para mim era possível, foi assim que cheguei perto da Otília, ela era para mim aquele momento uma referência, e assim seguimos até ao abastecimento dos 5 kms, ali encontrava-se já o Luís Miguel e logo aproveitou para me desafiar a concluir os kms que faltavam como se estivéssemos em Portalegre, Então faltavam cerca de 12 kms para chegar aos 100, sim senhor vamos a isto, a Otília alinhou e aí vamos nós encosta abaixo, encosta acima até perto do final onde a minha falta de velocidade não conseguiu acompanhá-los de perto, na rampa final a 200 metros da meta reagrupámos por gentileza deles para comigo, nada fora combinado e adorei correr e chegar na companhia destes dois grandes amigos que ganhei ao longo dos tempos. 
O tempo final registado foi muito bom 1,35,56h. para os 12,750kms do percurso.
Se todos levassem a garrafa na mão evitava-se o espetáculo
degradante deixado no local
Uma nota importante
Espero que todos tenham tomado conhecimento de algumas chamadas de atenção feitas pela Organização devido a algum comportamento menos correto de alguns atletas ao deixarem em vastas zonas do percurso muito lixo e garrafas vazias por ali espalhado, aquilo é um local muito bonito e faz parte da nossa Natureza e deve ser respeitado por todos, não custa nada!!!
Seguiu-se o almoço no Parque de merendas junto ao Mirante, como sempre muito bem organizado a distribuição do Kit alimentar a todos os participantes num ambiente espetacular onde a confraternização foi possível entre muitos amigos que por lá estiveram. A satisfação foi geral ficando a vontade de todos lá voltarem nas próximas edições.
Classificações

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Ultra Trail de S.Mamede 2013

Marvão. o trio aos 60 kms.
Apesar da minha desistência no Ultra Trail de S. Mamede aos 90 kms por estranho que pareça (para mim) não fiquei com qualquer trauma ou complexo pelo sucedido, fui aos limites e na última subida (88 kms) já dava 2 passos para a frente e um para trás e o corpo recusava-se em se manter direito, os meus 2 queridos companheiros de "viagem" ali iam à minha frente pachorrentamente a aguardar que os acompanhasse naquela que seria a derradeira tentativa de superar o suplício que estava a atravessar adiando o que seria o inevitável, a desistência.
Mas como foi possível chegar a esta situação? Podia ser evitada? O que é que contribuiu para se iniciar um processo irreversível logo à passagem do km 35? Perguntas que podem ter algumas respostas na apreciação e reflexão que cada um deve fazer a si próprio, mesmo que tudo corresse bem é indispensável que se faça porque nunca há duas provas iguais, mesmo que o trajeto de percurso seja o mesmo ou parecido.
Creio que cometi demasiados erros, não na prévia preparação da prova mas sim já no local e os cuidados a ter para a enfrentar porque para enfrentar uma prova de 100 kms não basta uma boa preparação física e mental, é preciso também não esquecer todos os outros elementos essenciais que parecendo menores têm uma extrema
 
Meia Noite, hora de partida
importância, a começar pela concentração, isto é, por vezes deixamo-nos levar pelos simpáticos comentários de que já somos dos duros, que temos muita experiência, etç, e esquecemos que cada prova tem de merecer o nosso maior respeito, deste modo tenho a sensação que desta vez descurei este pormenor, pese embora o facto de este estado de espírito positivo e descontraído enquanto se aguarda a partida acabe por contagiar os outros que me rodeiam, o que é positivo. A mente e o físico estão bem, penso eu, e o resto? Os ténis que levei eram inapropriados para uma prova com aquela dureza, são de trail é certo mas é para andar em cima de manteiga e não em cima de pedregulhos, mesmo os que tinha em Marvão para uma muda pouco ajudaram e eram equivalentes, por norma em todas as provas procuro minimizar os efeitos da fricção, quer nas virilhas quer nos pés, e o que é que eu fiz? nada e as consequências disso não se fizeram
quase duas mãos cheias de amigos

esperar em pouco tempo (como à frente direi), os calções em provas deste tipo devem ser confortáveis, mais um erro que cometi, levei calção licra até ao joelho e cueca por baixo com resultados dolorosos passado pouco tempo, equipamento muito deficiente face ao demasiado frio que estava e que se mostrou desastroso no alto da Serra com temperaturas negativas, levando-me quase à situação de hipotermia. Tudo isto contribui negativamente para se impedir de alcançar o objetivo da vitória que é chegar quando se parte. E eu não cheguei, não fui capaz, por mais força mental que tivesse o físico desta vez levou a melhor e derrotou-me.
Era Meia Noite de Sexta para Sábado quando partimos, tinha 2 amigos que iam fazer a prova comigo, O Luís Miguel e a estreante na distância Susana Brás, estava fresco e era o ideal para
momento de diversão

correr, a noite estava escura e as nuvens ameaçavam, o ambiente era de ansiedade mas ao mesmo tempo alegre, a nossa estreante estava agora mais descontraída depois de ter passado alguns momentos a sós e em silêncio como forma de se auto motivar perante tão grandioso desafio. Frontais acesos e abalamos, a SIC estava por ali e eu nem me apercebi, como não é hábito fiquei surpreso quando mais tarde vi as imagens que publicaram, fica o meu louvor pela iniciativa que tiveram em estar presente neste grandioso evento desportivo compensando de certa forma o esforço tremendo que as gentes de Portalegre fizeram para pôr de pé esta prova.
Os primeiros kms de prova foram de uma visibilidade espetacular, na ausência de luz solar eram os frontais que sobressaíam naquele emaranhado de curvas e contra curvas desenhados num
Luís Mota vencedor, Campeão

universo sem fim de vales e montes sem fim que íamos vencendo conforme a progressão. As dificuldades mais sentidas até ao 1º PAC (Posto de Abastecimento e Controlo) foram a passagem pelo leito e margem de um rio que nos obrigou em cerca de 1km a andar em cima de pedras e por vezes dentro de água com as dificuldades inerentes por apenas nos podermos guiar pela luz dos frontais de cada um, a partir daí foi um instante que chegámos ao 1º controlo. Partimos de imediato e pouco depois estávamos já em Alegrete, 2º Posto e o 1º onde se começou a tirar tempos de passagem dos atletas com publicação de imediato na Net. Nada de anormal se passou até aqui e seguíamos inseparáveis no ataque à subida ao ponto mais alto da Serra de S. Mamede, as Antenas, foi aqui que comecei a ficar desconfortável e com um frio terrível, levava apenas duas t-shirts, uma delas muito fina e manga comprida, parei e vesti o corta
momentos de concentração

vento mas continuava gelado e o vento já cortava com o frio à mistura, estávamos em plena subida e não dava para correr, eram 9 kms seguidos até chegar a um primeiro cume a 900 metros de altitude, optámos por caminhar e depois de atingir o alto voltamos a descer para depois atingir o ponto mais alto a 1000metros, são 3 kms brutais, para além da subida muito acentuada tínhamos ainda o forte vento que nos batia do lado direito, o frio começava a fazer efeito, 1º foram as mãos ficaram geladas e nada podia fazer porque precisava dos apoios para conseguir subir aquilo, depois foram os pés que começaram a ficar dormentes e com dores, o corta vento pouco ou nada protegia. Aqui começo a reconhecer o quanto fui negligente na preparação do equipamento, tinha deixado as luvas no carro por esquecimento, valeu-me já quase no final depois de praguejar quanto baste o Tiago Martins que levava umas suplentes e me as
concentrados para a partida

emprestou, pouco depois estávamos a chegar ao alto, os meus companheiros de aventura vinham logo ali por perto e por certo as dificuldades também era sentidas, começava aqui também para mim um dilema difícil de ultrapassar, tinha-me esquecido de colocar um pouco de vaselina nas partes que geram mais fricção e já ia com dificuldades . Chagámos ao PAC3 e era impossível estar ali muito tempo, via elementos da organização enrolados em mantas para se protegerem, mais à frente uma fogueira fui até lá e aqueci um pouco os pés, as luvas protegiam já as mãos mas a ponta dos dedos doem e ainda vão levar algum tempo a normalizar. Partimos ao encontro do próximo Posto, a descida que se segue é bastante técnica requerendo cuidados especiais não havendo qualquer problema até chegar à estrada, aqui quando me preparava dar os últimos passos escorreguei e fui por ali abaixo uns 2 metros, umas mazelas
J. Adelino, Luís Miguel, Pedro Quina, Susana Brás
sem importância que poderiam ser evitadas com a ajuda de colaboradores que ali estavam, bastava ternos desviado um pouco e com certeza não haveria ali quedas, pouco depois a luz do frontal começa a dar a vez à luz solar. Aos 35 kms quando iniciamos uma brutal subida (500m) sinto uma dor, ainda que ligeira na parte de dentro do joelho esquerdo, não ligo muito, até porque durante uma corrida todos sentimos pequenas coisas que depois se vão esvaindo sem darmos conta, vou subindo e a dor não sai e cada vez que levanto a perna esquerda ela acentua-se, quando cheguei ao alto acredito que na descida a dor vai embora, mas não foi e como vi que não era impeditiva prossegui até ao PAC4, nesta altura não quis alarmar os meus amigos que iam ali comigo. PAC4, 40kms dirigi-me aos bombeiros que ali estavam e peço para me colocarem um pouco de gelo no joelho e assim fazem com o melhor da sua boa vontade, surge então o Carlos, fisioterapeuta da organização que por sorte estava ali, identificou o problema, um tendão inflamado, digo-lhe que quero chegar a Portalegre e não queria sair de prova, ele entendeu e enrolou-me uma fita à volta
Prontos para o arranque
da perna logo abaixo do joelho pressionando o tendão contra a estrutura óssea permitindo-me assim prosseguir com menos sofrimento., fiquei agradecido e prosseguimos com a promessa de ele estar de novo à minha espera no PAC5 para ver a evolução disto. Os meus amigos com maior ou menor dificuldade ali vêm, a Susana já denotava algum cansaço e o Miguel iniciava uma fase com uma pequena dor num tornozelo, coisa passageira, era ele o motor deste grupo e não podia dar-se ao luxo de falhar, como não falhou ao longo de toda a prova. Foi neste intervalo que tive de me despojar de algo que me afrontava há muitos kms atrás tendo apenas ficado com o calção licra vestido da cintura para baixo, pensava eu que a atroz fricção que sentia ficava resolvida, passado pouco tempo estava bem pior mas como não havia nada a fazer a solução foi seguir tentando ignorar tão mal estar. No PAC5 lá estava o Fisioterapeuta à minha espera,
Susana Brás
disse-lhe que aquilo estava a resultar doía mas dava para correr, então ele fez novo reforço e continuei na esperança que isto aguentasse até ao fim. Pouco depois surge Marvão local onde estava o PAC6 a condizer com o km 60, foi muito difícil lá chegar, a subida de acesso ao Castelo é terrível eu já a conhecia do ano passado mas nem isso ajudou muito porque tive de a subir de novo e nada foi mudado desde então. Aproveitei esta paragem (42m) para mudar de roupa e de ténis que foram para ali transportados previamente pela organização, comi um sopa e pouco mais e abalámos serra abaixo por uma calçada interminável (2kms) até sermos um pouco mais à frete para uma Serra que não conhecia na passagem do ano anterior que nos conduziria ao PAC7, à nossa espera estava uma bátega de água que depressa se transformou em granizo, a nossa sorte é que estávamos a chegar e podemos abrigar-nos debaixo
Luís Miguel
dos toldo que a organização ali tinha montado, pouco depois abalámos já alimentados dentro do possível, para mim nesta fase (70 kms) o estômago custa a aceitar alimentos e só a muito custo é que consigo contrariar, começamos agora uma fase de ascensão durante 4 kms onde a calçada é de novo o piso tortuoso, agora com mais incidência em blocos de pedra pouco ou nada trabalhados mas que castiga muito, o meu joelho já se arrasta sempre que dobro a perna sinto uma dor muito incómoda e impeditiva, a fricção nas coxas está insuportável  mas temos de prosseguir, sigo quase sempre na frente do grupo, chegamos ao alto e avistamos Castelo de Vide, uma Vila muito bonita, descemos um pouco e rodeamos o morro onde está situada a Capela da Penha sempre com a Vila ali a nossos pés. O PAC8 estava ali (77kms) , mas um pouco antes nova carga de granizo cai sobre nós, ficámos gelados, a situação já
Pedro Quina
não era boa e agora com a quase impossibilidade de correr jamais iria aquecer. Devido à garga de água que caiu fomos impedidos de subir à Capela e descer pelas cordas por cima de uma zona rochosa, as cordas estavam molhadas e era muito perigoso descer.

A partir daqui até ao PAC9 eram 10 kms a descer e em terreno plano e mais 3 em montanha, mas as forças já eram quase nulas devidos aos diversos fatores que se vieram a desenvolver durante a corrida, não bastou muito tempo para eu de novo parar e cortar com uma navalha a parte interior do calção que vestira em Marvão, mas tal como na situação anterior não resultou, agora não tinha defesas nenhumas e as nádegas começaram a ser o flagelo seguinte. Andámos, andámos onde devíamos correr, eu via a situação do joelho a agravar-se, a dor já descia pela perna, o pé direito de tanto
A Vitorina sempre muito atenta a tudo

suportar o esforço que deveria ser partilhado pelos 2 pés começa também a ceder na zona da articulação, valeu-me que aqueles 10 kms eram planos e minoraram as dificuldades de progressão. Estava já a viver um drama que os meus companheiros nem sequer se apercebiam, chegamos por fim à base de nova subida com 3 kms que dava acesso ao PAC 9 (90kms), desde logo verifiquei que não conseguiria subir aquilo, para além da forte inclinação (já com os meus amigos à minha frente) eu dava 2 passos para a frente e 1 para trás, subia agora apenas com a perna direita à frente a outra ia por arrastamento pois já não a conseguia dobrar, foi assim que cheguei ao alto antes de iniciar a descida até Posto, lá no alto os meus colegas esperavam por mim e de imediato lhes disse para continuarem que eu ia ficar no PAC9 quando lá chegasse. Não foi fácil convencê-los mas a decisão foi a melhor para os 3, fiquei feliz por terem conseguido o objetivo e eu feliz fiquei por ter conseguido chegar até ali depois de tantos tormentos passados.
Com o amigo Isaque Lucena 
Direi finalmente que esta história pouco tem a ver com os meus objetivos iniciais, a partir de certa altura deixa-se de ter prazer na corrida e entra-se numa fase penosa que nada tem a ver com aquilo que pretendemos. Desistir logo seria mais sensato? Creio que não, nunca saberia até onde os limites nos permitem suportar a dor, de outra forma ou com outra atitude se eu o fizesse então não fazia sentido andar (porque gosto) junto daqueles a quem admiro muito, só assim os posso valorizar sentindo também na pele as agruras porque passam os campeões.
Parabéns ao Luís Miguel e à Susana Brás pelo sucesso e grande coragem que tiveram ao longo do percurso, eu era o único que o conhecia por isso na minha consideração são uns heróis, obrigado pela companhia e ajuda que recebi de vós. Enalteço aquele gesto da Susana, quando fiquei para trás aos 88kms, ao me deixar 2 figos e umas dúzias de
A aguardar a partida

passas de figo para me alimentar até chegar ao local onde ia desistir (PAC9) emocionou-me e revela também o seu enorme e sensível coração pela sua espontânea ação .
Foram muitos os fatores negativos, creio que aprendi muito com esta experiência, podemos estar muito bem preparados física e mentalmente mas também podemos ser derrotados por coisas tão simples e evitáveis, creio que esta é a melhor conclusão, aprender, aprender sempre, e nunca cometer os mesmos erros, e já agora nem outros! 
 
Parabéns a toda a organização, saí daí todo torcido mas tenho de matar o "borrego" deixado intacto este ano, para o ano volto.
 
FOTOS

Percurso até aos 90 kms , os primeiros 60kms (Marvão) com leitura Garmin do Luís Miguel e a partir daí começou a funcionar o meu até ao PAC9, onde desisti.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Trilhos da Lampas, S. João das Lampas, 4 de Maio

Por aquilo que tenho lido os trilhos de S. João das Lampas caíram bem fundo daqueles que tiveram a oportunidade de lá ir, bem fundo de satisfação pelo excelente percurso que foram encontrar, por a dificuldade no seu todo ser baixo e pela forma como a organização da prova trata os seus visitantes. No Trail em Portugal creio que ainda não existem as chamadas provas comerciais, embora algumas delas se aproximem perigosamente desse estatuto o que tem bastas vezes levado ao fracasso pela falta de qualidade e a falta de respeito pelos atletas, por isso não têm nem presente nem futuro, outras pelo seu estatuto de reconhecido valor sobrevivem graças à argúcia e inovação que cativa os mais arrojados que têm no seu ego a conquista de novas fronteiras que vão para além do seu imaginário e finalmente aquelas provas que pela sua simplicidade envolvem os mais experientes trailistas e aqueles que não o sendo depressa se apaixonam por aquilo que lhes é oferecido.
Que melhor exemplo que os trilhos de S. João das Lampas para ilustrar isto? Eu tenho o cuidado de enfrentar qualquer tipo de trail ou trilhos completamente "artilhado", nunca sei o que vou encontrar e nada melhor do que me precaver contra qualquer surpresa que possa surgir, não é que não houvesse informação suficiente sobre todos os pormenores da prova e por isso surgiram ali muitos atletas, a maioria atletas da estrada, com o intuito de experimentar pela 1ªvez (alguns) este tipo de competições a que não estavam habituados, notavam-se pelo equipamento que ostentavam ou a falta dele, ténis inapropriados para aquele terreno ou a falta de meios de transporte de abastecimentos  em auto suficiência, porque numa prova de trilhos ou trail tudo pode acontecer e temos de estar salvaguardados contra qualquer surpresa que nos empate contra a nossa vontade tais como um possível acidente ou a perda do caminho certo e o desnorte. Para melhor caraterizar esta prova basta ir ao seu final e verificar que nem um queixume se fez ouvir, a satisfação era total para os mais experientes, iniciantes ou menos experientes, quais sapatos inapropriados e as outras coisas que podem parecer esquisitas, tudo correu bem e isso é um trunfo muito grande da Organização da Meia Maratona de S. João das Lampas e do seu principal obreiro Fernando Andrade.
 Os Trilhos das Lampas são sem dúvida uma magnífica entrada no reino do Trail, muitos dos que lá estiveram vão por certo querer experimentar outros desafios mais ousados, por isso mesmo estes trilhos cumpriram o seu papel e a satisfação no final era notório. Nem a "pobreza" do kit final oferecido aos atletas lhes arrefeceu o ânimo, mérito mais uma vez da organização da prova que privilegiou a verdade desde o início informando dos objetivos da prova e as suas limitações sem nunca pôr em causa a participação de todos os que manifestassem interesse em participar. Estou certo que outros objectivos serão traçados para o próximo ano, esta prova nascida debaixo da capa da Meia Maratona com o mesmo nome, vai com facilidade superá-la e aí vai ser necessário fazer-lhe frente, oxalá exista capacidade organizativa para a enfrentar sem que isso represente prejuízo para qualquer uma delas.
Do Grupo que me acompanhou, Daniel Pinto e Rui Pacheco (Amigos do Vale do Silêncio) ia também a estreante  nestas provas Ana Pereira, amiga que muito prezo e que teve a paciência partilhada comigo de fazermos a prova em colaboração de princípio a fim, creio que pela satisfação demonstrada no final vai querer repetir não só esta para o ano mas outras que se revelem de dificuldade menor que se seguirão até um dia onde a experiência seja já de relevo se possa apresentar num trail com outras exigências físicas e suportáveis.
A distância percorrida foi de 17.950kms. para o tempo gasto de 2,16h.
Venha agora S. Mamede, 100 kms numa aventura de sonho daqui a duas semanas, conto cá estar para depois contar como foi.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Corrida do 1º de Maio 2013

Foto do Parro  Aqui começou a "pica"
Está concluída a 2ª prova de estrada deste ano, a Corrida do 1º de maio é uma prova a que só faltarei se estiver impedido por qualquer problema físico, o 1º de Maio, a do Avante e S. João das Lampas são daquelas que estão no topo das minhas preferências, a Maratona de Lisboa também era mas a ganância capitalista no Atletismo levou a que a riscasse, pelo menos este ano, do lote das que mais gosto, na estrada naturalmente, já que para mim a Montanha e as provas de Trail estão acima de todas elas no que diz respeito ao meio em que se realizam e pelo convívio e amizades que granjeiam.
Foi uma prova interessante para mim, parti com a ideia de "fazer" kms e não durou mais de 1 km que não me tivesse decidido em transformar aquilo num teste ás minhas capacidades atuais em termos de ritmo e velocidade, aqui e ali juntei-me a alguns amigos, fui superando o ritmo a cada momento e pressentia que pela forma que me ia sentindo que era capaz de completar a prova em força esm grande desgaste físico. Os ritmos andavam entre os 5 e os 5,30m o km com ligeiras entradas abaixo dos 5m, estava a ser interessante, como parti quase na cauda do pelotão fiz a pista em passo muito lento e só comecei a correr mais solto perto da Avenida do Brasil e foi aí que me deu o "ginete", depois foi o ultrapassar muita gente até chegar à meta. 
O neto mais novo a ambientar-se pela mão do pai
A Almirante Reis mete sempre respeito, mas chegado ali continuava a sentir-me bem, o ambiente das comemorações da festa dos trabalhadores sindicalizados ou simpatizantes da C.G.T.P. Intersindical Nacional já por ali andavam e faziam-se sentir pelos aplausos de incentivo aos atletas e como é óbvio não somos insensíveis a isso, pelo que as forças conseguem conservar-se e catapultar-nos até chegar ao Areeiro naqueles longos 3 kms de subida. A partir daqui as coisas tornam-se mais fáceis para todos, particularmente aproveitei o facto de levar ali a poucos metros alguns atletas do meu Clube (A.V.S.), faltavam 3 kms para a meta, e esforço-me mais um pouco e chego até eles, com um pouco de brincadeira à mistura passo por eles e sigo o meu ritmo, já que o deles era outro e pré-determinado, entro pouco depois na pista e vejo logo em pleno relvado a minha família, só faltava o Hugo e o Daniel (que havia ultrapassada pouco antes mas que vinha ali a pouco mais de 1m), os 3 netos que tenho ali estavam e foi a 1ª vez que os juntei numa prova de Atletismo, segui para a meta e termino com um registo bem simpático para quem praticamente se esqueceu o que é correr em estrada, 1,19,59h. A distância registada por mim foi de 15,090kms. A média final foi de 5,18m por km, bem menos dos 6 por minuto que tinha pensado inicialmente, concluo que que não é nenhum crime se de vez em quando testarmos melhor as nossas capacidades, por mim acrescento que deve ser só de vez em quando porque não estou minimamente preparado para ritmos desta natureza.
Deixaram-me simpaticamente ultrapassá-los (os azuis) a 1 km da meta
Amanhã teremos o Trail de S. João das Lampas, encaro mais esta prova como treino para a Ultra de S. Mamede 2 semanas depois em Portalegre, aí sim será a hora de enfrentar um dos desafios deste ano de maior respeito, o outro será o Ultra Trail Serra da Freita no final do mês de Junho que me deu água pelas barbas no ano passado.
Algumas fotos tiradas pelo meu neto Tiago

sábado, 27 de abril de 2013

25 de Abril, Corrida da Liberdade

Amigos do Vale do Silêncio
Corrida da Liberdade comemorativa de mais um aniversário da Revolução do 25 de Abril de 1974, voltei a esta prova onde não participava há cerca de 20 anos, sei de muitos que se mantiveram sempre fieis a esta prova pelo simbolismo e pela história que ela representa, mas neste meio tempo eu sempre corri nesta data comemorativa, a maioria delas em Camarate que por coincidir na data nunca deixei de lá ir. Hoje esta prova de Camarate deixou de realizar-se, foi pena a sua extinção mas os sinais da crise já então ameaçavam quando tomaram a decisão de acabar. Também devo confessar que não constava da minha agenda fazer esta prova e só pelo seu significado é que participei, tal como o farei com a corrida do 1º de Maio.
Solidariedade com a água
Foi a 1ª prova de estrada que fiz este ano e fiquei muito satisfeito porque pude rever muitos amigos que já não via há muito tempo, previamente tinha combinado com alguns amigos fazer a prova em passo mais lento, tenho andado na Montanha e em terrenos sinuosos onde o ritmo de competição é quase nulo, por isso tinha de ser assim mas já no local a data a comemorar e o entusiasmo que via ao meu redor fez-me despertar ainda mais o interesse e decidi fazer um vídeo da partida da prova para o meu álbum de recordações e partilhar com todos esses momentos.
Este vídeo pode ser visto na minha página do Facebook.
Fica-me na retina a corrida entusiasmante daquela criança que saíu dali da assistência e se juntou ao pai numa corrida desenfreada a augurar provavelmente mais tarde alguma apetência para a corrida.
À falta de melhor...
A minha corrida esteve pois condicionada desde o início, mas valeu a pena e deu para ver o prazer com que todos partiram e deixarem expresso a sua alegria de ali estarem, até uma criança de tenra idade que partindo da cauda do pelotão acompanhava o pai naqueles metros iniciais deixando-me deveras emocionado levando-me a registar com mais afinco aquele momento. Depois foi partir do banco de trás e galgar pela estrada a fora à procura dos meus camaradas dos Amigos do Vale do Silêncio, batendo aqui e ali uma "chapa" para mais tarde recordar e também para oferecer aos amigos, corria na perseguição da rapaziada coisa que só consegui alcançar junto do abastecimento a meio da prova, não se pense que foi fácil, não fora a colaboração do nosso Míster Fernando e provavelmente não chegaria, depois foi muito mais divertido mas também rasgadinho pois aquele andamento não é o meu e tive a sorte de os últimos kms serem sempre a descer. O tempo final foi mesmo assim bem simpático:1,00,33h.
O símbolo da Paz, antes da partida
O calor foi excessivo mas não me prejudicou muito, não abasteci a meio da prova porque levava comigo água suficiente caso necessitasse coisa que aconteceu apenas na zona do Campo Pequeno. Após cortar a meta foi desolador aquele tempo de espera para dali sair, a chegada era larga mas depois o funil onde estavam a entregar a t,shirt era demasiado estreito provocando ali um enorme aglomerado de atletas que em certa altura chegou a sufocar, era o calor vindo do sol e o calor libertado de cada um de nós, louvo aqui a Ação dos elementos da organização que ao se aperceberem da situação começaram logo a distribuir água a toda a gente que ali estava, de realçar também o espírito de entreajuda de todos para que não faltasse água a ninguém, um bonito exemplo.
Voltarei a esta prova, não só porque gostei imenso mas também pelo espírito que ela encerra.
Fotos

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Trail de Vale de Barris.

S.Mamede próximo dia 18/19 de Maio, será o seguinte Ultra Trail de Montanha programado para este ano, por isso vou procurando fazer o Circuito de trail, curto e longo, no sentido de treinar as longas distâncias que permitam fazer os 100 kms sem dificuldades de maior, ou pelo menos que em comparação com o ano passado não sinta tantas dificuldades em chegar à meta.
Foi por isso que hoje fiz o Trail de Vale de Barris na distância de 30 kms, dos 4 já realizados creio que falhei um por lesão, (estive lá há 2 anos mas não corri), e creio também que foi o mais duro de todos eles, penso eu e o Paulo Mota também é dessa opinião. Foi uma prova muito bonita confirmando aquilo que os amigos das Lebres do Sado já nos habituaram ao longo destes anos, 4 edições 4 trajectos diferentes, a Serra da Arrábida tem de facto muitos percursos alternativos e torna-se fácil fazer o tracejado para cada edição da prova, a distância têm-se mantido mas a dificuldade para os atletas parece que tem aumentado todos os anos, daí que os meus planos por vezes saem feridos pelo excesso de dureza que vou encontrar e tenho de o vencer.
Estive presente em Vale de Barris com o Diogo Branco do meu Clube, Amigos do Vale do Silêncio, não sei como lhe correu a prova o que sei é quando cheguei ele já tinha ido embora, por calculo que tudo correu bem para ele, para mim aquilo tornou-se penoso a partir dos 20 kms, continuo com muita força nas pernas mas os pés têm fraquejado, dá a sensação que tenho os pés abertos pois doem a meio no seu interior, isto não deve ser alheio ao facto de no último mês e meio ter efectuado duas provas de 30 kms, uma de 42 kms e outra de 52 kms, não contando naturalmente com os treinos que têm sido fraquíssimos, por isso a partir de determinado ponto da prova, a condizer com a ascensão ao ponto mais alto da Serra, as coisas complicaram-se ainda faltava percorrer mais 10 kms. O piso sinuoso de sobe e desce acrescido das sucessivas curvas e contra curvas muito fechadas dentro da mata ajudou a colocar em dificuldades também as articulações dos pés e dos joelhos, nada que eu já não estivesse à espera, as muitas pedras, rochas e muito mato acabaram também por contribuir para me tornar a vida mais difícil, mas eu ia satisfeito apesar de tudo com a minha prova, era treino e nunca me preocupei com os tempos de passagem ao km, desde muito cedo que me apercebi que não ia chegar dentro do limite fixado pela organização (4,30h.).
Aliás assim que me disseram que o percurso ia ser diferente e mais duro previ logo que isso ia acontecer, não havia nada para disputar, todos os atletas corriam integrados em escalão único, isto é, sem divisão de escalões e por isso o importante era palmilhar aquilo e chegar sem mazelas de maior, as mazelas consegui evitar mas à mais pequena subida já me arrastava encostado ao pau (bastão), nas descidas mais bruscas e acentuadas não dispensava também os bastões pois eram um bom apoio para não sacrificar tanto os joelhos. Até aos 2 últimos kms o sobe e desce era a regra, depois foi quase sempre a descer e em bom piso até à meta, ainda tentei na reta da meta baixar da 5h mas por escassos 33 segundos não consegui (1,03h a mais que no ano passado), diferença que não se traduz por ser mais velho 1 ano mas também pela alteração quase total do traçado de então. A prova teve 30,360kms e o tempo final gasto foi de 5,00.33h.
Ainda cheguei a tempo de me juntar a tempo a alguns amigos para almoçar mas a maioria já estava de abalada, uma excelente feijoada justificou que ficasse por lá ainda bastante tempo  em confraternização com grandes amigos que por lá reencontrei.
 
Agradeço as fotos enviadas por alguns amigos

terça-feira, 16 de abril de 2013

Ultra Trail de Sesimbra, 2013

Retirado da Net (Luto)
Hoje estou triste pelo que aconteceu em Boston na prova da Maratona que anualmente se disputa naquela Cidade americana, um ataque bárbaro que matou e deixou diversas pessoas ás portas da morte e outras que ficarão com sequelas para o resto da vida. Utilizar este desporto ou outro qualquer por pura vingança ou represália é inaceitável já que o Desporto existe como factor saudável de unir as pessoas e nunca servir de pretexto para intervenções odiosas e sem sentido.
Queria fazer uma linda história sobre a minha participação no Ultra Trail de Sesimbra mas não estou capaz de o fazer por respeito a quem foi vítima daquele vil ataque, que importância tem para mim por onde andei, se foi difícil ou não, se em vez de areia encontrei dunas bem piores, se fraquejei por não me alimentar, se demorei quase 9h para chegar se, se etç.
Estou triste muito triste e aquelas imagens não me saem da cabeça, a minha modesta solidariedade ás vitimas e aos seus familiares, é tudo o que posso dar.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Maratona trilhos de Almourol.

Há 3ª foi de vez, finalmente consegui apresentar-me com o mínimo de condições na partida da Maratona de Trail dos trilhos de Almourol. Apenas tinha feito as primeiras edições com a quilometragem mais pequena e que por problemas físicos apenas assisti no local ás últimas duas edições na versão da Maratona.
Não conhecia o atual percurso mas encontrei-o muito diferente e para melhor, sem dificuldades de maior no que diz respeito a altitude e ao piso que encontrámos apesar da chuva que caiu e o facto de aquela região estar sob as águas nas zonas mais baixas, apesar de tudo isto aquilo não foi suficiente para nos criar grandes dificuldades. A organização soube muito bem tornear os problemas criados e ofereceu-nos um percurso muito bom e bonito onde não faltou, para além de muita lama e água espalhada pelos trilhos e estradões, os avisos prévios de aproximação a áreas mais perigosas e arriscadas, tais como cordas de forma a não corrermos qualquer risco, quer em precipícios quer junto à Barragem, muito bem.
Como sempre, parti com uma passada lenta, tinha ainda presente a lesão nos gémeos contraída nos trilhos dos Abutres que me levaram a estar pouco mais de um mês em tratamento e posterior recuperação para voltar a correr com segurança, tinha estado nos Trilhos do Pastor há 15 dias e as coisas tinham corrido bem embora se notasse ainda falta de kms nas pernas, por esse facto este Trail do Almourol tinha de ser visto com especiais cuidados sobre o que iria fazer.
No final do 1º km começaram as dificuldades com o acesso ao matagal e o consequente início do mau estado do percurso, muito escorregadio e com muita lama, as filas de atletas que se formaram de imediato logo ali  também dificultaram a progressão, mas passado pouco tempo os espaços foram-se criando e aos poucos já conseguíamos correr, pelo menos enquanto as forças o permitiam e o piso ia deixando. Ainda no 1º km vi que apenas me seguiam aí meia dúzia de atletas, entre eles estava a Célia Azenha que rapidamente me diz que tinha feito na véspera 60 kms em Trail e que estava um pouco cansada, decido então ficar com ela, também eu pretendia meter travão para não abusar da sorte e a Célia era uma boa companhia a partir dali.
Foi numa passada certa, correndo e andando que traçámos os objetivos, 1º chegar ao posto de controlo com tempo suficiente (4h) colocado aos 22 kms para evitar a eliminação e depois chegar, gerindo da melhor forma as forças que restassem.
Apesar das cheias dos últimos dias, penso que poucas alterações foram feitas ao percurso planeado desde o início, mesmo assim alguns locais estavam espetaculares para a vista e para correr, ficou-me na retina as descargas da Barragem de Castelo de Bode, aquilo mete um enorme respeito, e o trilho das águas que foi muito bem aproveitado com carreiros de um lado e do outro de um ribeiro com um caudal de água bastante abundante, aí ia aproveitando para lavar os ténis do peso da lama que transportava comigo.
Tudo ia correndo bem, a prova estava muito bem marcada com as fitas bem visíveis, contudo devido aos constantes ziguezagues despistei-me 3 vezes, isto é fui em frente, mas a nossa experiência rapidamente dava com os erros, que foram todos eles de pouca monta, (mais ou menos 500 metros no final).
Os abastecimentos e o apoio durante toda a prova foram excelentes, em todos os cruzamentos onde existia trânsito, e não só, estava sempre alguém com uma palavra de simpatia e foi assim que com mais ou menos dificuldades conseguimos chegar ao pavilhão desportivo do Entroncamento, sem pressas mas com um só sentido, chegar. Tinham decorrido 7,22h. desde que saímos de Aldeia do Mato à distância de 42,700 kms.
Foi com enorme satisfação que fiz a prova na companhia da Célia Azenha, uma grande Senhora do Trail, fiquei a par dos seus planos a nível competitivo no imediato, continua muito ambiciosa em correr as longas distâncias, espero que saiba gerir bem esse esforço que lhe vai ser exigido.

Fotos de Mário Lima