segunda-feira, 6 de maio de 2013

Trilhos da Lampas, S. João das Lampas, 4 de Maio

Por aquilo que tenho lido os trilhos de S. João das Lampas caíram bem fundo daqueles que tiveram a oportunidade de lá ir, bem fundo de satisfação pelo excelente percurso que foram encontrar, por a dificuldade no seu todo ser baixo e pela forma como a organização da prova trata os seus visitantes. No Trail em Portugal creio que ainda não existem as chamadas provas comerciais, embora algumas delas se aproximem perigosamente desse estatuto o que tem bastas vezes levado ao fracasso pela falta de qualidade e a falta de respeito pelos atletas, por isso não têm nem presente nem futuro, outras pelo seu estatuto de reconhecido valor sobrevivem graças à argúcia e inovação que cativa os mais arrojados que têm no seu ego a conquista de novas fronteiras que vão para além do seu imaginário e finalmente aquelas provas que pela sua simplicidade envolvem os mais experientes trailistas e aqueles que não o sendo depressa se apaixonam por aquilo que lhes é oferecido.
Que melhor exemplo que os trilhos de S. João das Lampas para ilustrar isto? Eu tenho o cuidado de enfrentar qualquer tipo de trail ou trilhos completamente "artilhado", nunca sei o que vou encontrar e nada melhor do que me precaver contra qualquer surpresa que possa surgir, não é que não houvesse informação suficiente sobre todos os pormenores da prova e por isso surgiram ali muitos atletas, a maioria atletas da estrada, com o intuito de experimentar pela 1ªvez (alguns) este tipo de competições a que não estavam habituados, notavam-se pelo equipamento que ostentavam ou a falta dele, ténis inapropriados para aquele terreno ou a falta de meios de transporte de abastecimentos  em auto suficiência, porque numa prova de trilhos ou trail tudo pode acontecer e temos de estar salvaguardados contra qualquer surpresa que nos empate contra a nossa vontade tais como um possível acidente ou a perda do caminho certo e o desnorte. Para melhor caraterizar esta prova basta ir ao seu final e verificar que nem um queixume se fez ouvir, a satisfação era total para os mais experientes, iniciantes ou menos experientes, quais sapatos inapropriados e as outras coisas que podem parecer esquisitas, tudo correu bem e isso é um trunfo muito grande da Organização da Meia Maratona de S. João das Lampas e do seu principal obreiro Fernando Andrade.
 Os Trilhos das Lampas são sem dúvida uma magnífica entrada no reino do Trail, muitos dos que lá estiveram vão por certo querer experimentar outros desafios mais ousados, por isso mesmo estes trilhos cumpriram o seu papel e a satisfação no final era notório. Nem a "pobreza" do kit final oferecido aos atletas lhes arrefeceu o ânimo, mérito mais uma vez da organização da prova que privilegiou a verdade desde o início informando dos objetivos da prova e as suas limitações sem nunca pôr em causa a participação de todos os que manifestassem interesse em participar. Estou certo que outros objectivos serão traçados para o próximo ano, esta prova nascida debaixo da capa da Meia Maratona com o mesmo nome, vai com facilidade superá-la e aí vai ser necessário fazer-lhe frente, oxalá exista capacidade organizativa para a enfrentar sem que isso represente prejuízo para qualquer uma delas.
Do Grupo que me acompanhou, Daniel Pinto e Rui Pacheco (Amigos do Vale do Silêncio) ia também a estreante  nestas provas Ana Pereira, amiga que muito prezo e que teve a paciência partilhada comigo de fazermos a prova em colaboração de princípio a fim, creio que pela satisfação demonstrada no final vai querer repetir não só esta para o ano mas outras que se revelem de dificuldade menor que se seguirão até um dia onde a experiência seja já de relevo se possa apresentar num trail com outras exigências físicas e suportáveis.
A distância percorrida foi de 17.950kms. para o tempo gasto de 2,16h.
Venha agora S. Mamede, 100 kms numa aventura de sonho daqui a duas semanas, conto cá estar para depois contar como foi.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Corrida do 1º de Maio 2013

Foto do Parro  Aqui começou a "pica"
Está concluída a 2ª prova de estrada deste ano, a Corrida do 1º de maio é uma prova a que só faltarei se estiver impedido por qualquer problema físico, o 1º de Maio, a do Avante e S. João das Lampas são daquelas que estão no topo das minhas preferências, a Maratona de Lisboa também era mas a ganância capitalista no Atletismo levou a que a riscasse, pelo menos este ano, do lote das que mais gosto, na estrada naturalmente, já que para mim a Montanha e as provas de Trail estão acima de todas elas no que diz respeito ao meio em que se realizam e pelo convívio e amizades que granjeiam.
Foi uma prova interessante para mim, parti com a ideia de "fazer" kms e não durou mais de 1 km que não me tivesse decidido em transformar aquilo num teste ás minhas capacidades atuais em termos de ritmo e velocidade, aqui e ali juntei-me a alguns amigos, fui superando o ritmo a cada momento e pressentia que pela forma que me ia sentindo que era capaz de completar a prova em força esm grande desgaste físico. Os ritmos andavam entre os 5 e os 5,30m o km com ligeiras entradas abaixo dos 5m, estava a ser interessante, como parti quase na cauda do pelotão fiz a pista em passo muito lento e só comecei a correr mais solto perto da Avenida do Brasil e foi aí que me deu o "ginete", depois foi o ultrapassar muita gente até chegar à meta. 
O neto mais novo a ambientar-se pela mão do pai
A Almirante Reis mete sempre respeito, mas chegado ali continuava a sentir-me bem, o ambiente das comemorações da festa dos trabalhadores sindicalizados ou simpatizantes da C.G.T.P. Intersindical Nacional já por ali andavam e faziam-se sentir pelos aplausos de incentivo aos atletas e como é óbvio não somos insensíveis a isso, pelo que as forças conseguem conservar-se e catapultar-nos até chegar ao Areeiro naqueles longos 3 kms de subida. A partir daqui as coisas tornam-se mais fáceis para todos, particularmente aproveitei o facto de levar ali a poucos metros alguns atletas do meu Clube (A.V.S.), faltavam 3 kms para a meta, e esforço-me mais um pouco e chego até eles, com um pouco de brincadeira à mistura passo por eles e sigo o meu ritmo, já que o deles era outro e pré-determinado, entro pouco depois na pista e vejo logo em pleno relvado a minha família, só faltava o Hugo e o Daniel (que havia ultrapassada pouco antes mas que vinha ali a pouco mais de 1m), os 3 netos que tenho ali estavam e foi a 1ª vez que os juntei numa prova de Atletismo, segui para a meta e termino com um registo bem simpático para quem praticamente se esqueceu o que é correr em estrada, 1,19,59h. A distância registada por mim foi de 15,090kms. A média final foi de 5,18m por km, bem menos dos 6 por minuto que tinha pensado inicialmente, concluo que que não é nenhum crime se de vez em quando testarmos melhor as nossas capacidades, por mim acrescento que deve ser só de vez em quando porque não estou minimamente preparado para ritmos desta natureza.
Deixaram-me simpaticamente ultrapassá-los (os azuis) a 1 km da meta
Amanhã teremos o Trail de S. João das Lampas, encaro mais esta prova como treino para a Ultra de S. Mamede 2 semanas depois em Portalegre, aí sim será a hora de enfrentar um dos desafios deste ano de maior respeito, o outro será o Ultra Trail Serra da Freita no final do mês de Junho que me deu água pelas barbas no ano passado.
Algumas fotos tiradas pelo meu neto Tiago

sábado, 27 de abril de 2013

25 de Abril, Corrida da Liberdade

Amigos do Vale do Silêncio
Corrida da Liberdade comemorativa de mais um aniversário da Revolução do 25 de Abril de 1974, voltei a esta prova onde não participava há cerca de 20 anos, sei de muitos que se mantiveram sempre fieis a esta prova pelo simbolismo e pela história que ela representa, mas neste meio tempo eu sempre corri nesta data comemorativa, a maioria delas em Camarate que por coincidir na data nunca deixei de lá ir. Hoje esta prova de Camarate deixou de realizar-se, foi pena a sua extinção mas os sinais da crise já então ameaçavam quando tomaram a decisão de acabar. Também devo confessar que não constava da minha agenda fazer esta prova e só pelo seu significado é que participei, tal como o farei com a corrida do 1º de Maio.
Solidariedade com a água
Foi a 1ª prova de estrada que fiz este ano e fiquei muito satisfeito porque pude rever muitos amigos que já não via há muito tempo, previamente tinha combinado com alguns amigos fazer a prova em passo mais lento, tenho andado na Montanha e em terrenos sinuosos onde o ritmo de competição é quase nulo, por isso tinha de ser assim mas já no local a data a comemorar e o entusiasmo que via ao meu redor fez-me despertar ainda mais o interesse e decidi fazer um vídeo da partida da prova para o meu álbum de recordações e partilhar com todos esses momentos.
Este vídeo pode ser visto na minha página do Facebook.
Fica-me na retina a corrida entusiasmante daquela criança que saíu dali da assistência e se juntou ao pai numa corrida desenfreada a augurar provavelmente mais tarde alguma apetência para a corrida.
À falta de melhor...
A minha corrida esteve pois condicionada desde o início, mas valeu a pena e deu para ver o prazer com que todos partiram e deixarem expresso a sua alegria de ali estarem, até uma criança de tenra idade que partindo da cauda do pelotão acompanhava o pai naqueles metros iniciais deixando-me deveras emocionado levando-me a registar com mais afinco aquele momento. Depois foi partir do banco de trás e galgar pela estrada a fora à procura dos meus camaradas dos Amigos do Vale do Silêncio, batendo aqui e ali uma "chapa" para mais tarde recordar e também para oferecer aos amigos, corria na perseguição da rapaziada coisa que só consegui alcançar junto do abastecimento a meio da prova, não se pense que foi fácil, não fora a colaboração do nosso Míster Fernando e provavelmente não chegaria, depois foi muito mais divertido mas também rasgadinho pois aquele andamento não é o meu e tive a sorte de os últimos kms serem sempre a descer. O tempo final foi mesmo assim bem simpático:1,00,33h.
O símbolo da Paz, antes da partida
O calor foi excessivo mas não me prejudicou muito, não abasteci a meio da prova porque levava comigo água suficiente caso necessitasse coisa que aconteceu apenas na zona do Campo Pequeno. Após cortar a meta foi desolador aquele tempo de espera para dali sair, a chegada era larga mas depois o funil onde estavam a entregar a t,shirt era demasiado estreito provocando ali um enorme aglomerado de atletas que em certa altura chegou a sufocar, era o calor vindo do sol e o calor libertado de cada um de nós, louvo aqui a Ação dos elementos da organização que ao se aperceberem da situação começaram logo a distribuir água a toda a gente que ali estava, de realçar também o espírito de entreajuda de todos para que não faltasse água a ninguém, um bonito exemplo.
Voltarei a esta prova, não só porque gostei imenso mas também pelo espírito que ela encerra.
Fotos

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Trail de Vale de Barris.

S.Mamede próximo dia 18/19 de Maio, será o seguinte Ultra Trail de Montanha programado para este ano, por isso vou procurando fazer o Circuito de trail, curto e longo, no sentido de treinar as longas distâncias que permitam fazer os 100 kms sem dificuldades de maior, ou pelo menos que em comparação com o ano passado não sinta tantas dificuldades em chegar à meta.
Foi por isso que hoje fiz o Trail de Vale de Barris na distância de 30 kms, dos 4 já realizados creio que falhei um por lesão, (estive lá há 2 anos mas não corri), e creio também que foi o mais duro de todos eles, penso eu e o Paulo Mota também é dessa opinião. Foi uma prova muito bonita confirmando aquilo que os amigos das Lebres do Sado já nos habituaram ao longo destes anos, 4 edições 4 trajectos diferentes, a Serra da Arrábida tem de facto muitos percursos alternativos e torna-se fácil fazer o tracejado para cada edição da prova, a distância têm-se mantido mas a dificuldade para os atletas parece que tem aumentado todos os anos, daí que os meus planos por vezes saem feridos pelo excesso de dureza que vou encontrar e tenho de o vencer.
Estive presente em Vale de Barris com o Diogo Branco do meu Clube, Amigos do Vale do Silêncio, não sei como lhe correu a prova o que sei é quando cheguei ele já tinha ido embora, por calculo que tudo correu bem para ele, para mim aquilo tornou-se penoso a partir dos 20 kms, continuo com muita força nas pernas mas os pés têm fraquejado, dá a sensação que tenho os pés abertos pois doem a meio no seu interior, isto não deve ser alheio ao facto de no último mês e meio ter efectuado duas provas de 30 kms, uma de 42 kms e outra de 52 kms, não contando naturalmente com os treinos que têm sido fraquíssimos, por isso a partir de determinado ponto da prova, a condizer com a ascensão ao ponto mais alto da Serra, as coisas complicaram-se ainda faltava percorrer mais 10 kms. O piso sinuoso de sobe e desce acrescido das sucessivas curvas e contra curvas muito fechadas dentro da mata ajudou a colocar em dificuldades também as articulações dos pés e dos joelhos, nada que eu já não estivesse à espera, as muitas pedras, rochas e muito mato acabaram também por contribuir para me tornar a vida mais difícil, mas eu ia satisfeito apesar de tudo com a minha prova, era treino e nunca me preocupei com os tempos de passagem ao km, desde muito cedo que me apercebi que não ia chegar dentro do limite fixado pela organização (4,30h.).
Aliás assim que me disseram que o percurso ia ser diferente e mais duro previ logo que isso ia acontecer, não havia nada para disputar, todos os atletas corriam integrados em escalão único, isto é, sem divisão de escalões e por isso o importante era palmilhar aquilo e chegar sem mazelas de maior, as mazelas consegui evitar mas à mais pequena subida já me arrastava encostado ao pau (bastão), nas descidas mais bruscas e acentuadas não dispensava também os bastões pois eram um bom apoio para não sacrificar tanto os joelhos. Até aos 2 últimos kms o sobe e desce era a regra, depois foi quase sempre a descer e em bom piso até à meta, ainda tentei na reta da meta baixar da 5h mas por escassos 33 segundos não consegui (1,03h a mais que no ano passado), diferença que não se traduz por ser mais velho 1 ano mas também pela alteração quase total do traçado de então. A prova teve 30,360kms e o tempo final gasto foi de 5,00.33h.
Ainda cheguei a tempo de me juntar a tempo a alguns amigos para almoçar mas a maioria já estava de abalada, uma excelente feijoada justificou que ficasse por lá ainda bastante tempo  em confraternização com grandes amigos que por lá reencontrei.
 
Agradeço as fotos enviadas por alguns amigos

terça-feira, 16 de abril de 2013

Ultra Trail de Sesimbra, 2013

Retirado da Net (Luto)
Hoje estou triste pelo que aconteceu em Boston na prova da Maratona que anualmente se disputa naquela Cidade americana, um ataque bárbaro que matou e deixou diversas pessoas ás portas da morte e outras que ficarão com sequelas para o resto da vida. Utilizar este desporto ou outro qualquer por pura vingança ou represália é inaceitável já que o Desporto existe como factor saudável de unir as pessoas e nunca servir de pretexto para intervenções odiosas e sem sentido.
Queria fazer uma linda história sobre a minha participação no Ultra Trail de Sesimbra mas não estou capaz de o fazer por respeito a quem foi vítima daquele vil ataque, que importância tem para mim por onde andei, se foi difícil ou não, se em vez de areia encontrei dunas bem piores, se fraquejei por não me alimentar, se demorei quase 9h para chegar se, se etç.
Estou triste muito triste e aquelas imagens não me saem da cabeça, a minha modesta solidariedade ás vitimas e aos seus familiares, é tudo o que posso dar.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Maratona trilhos de Almourol.

Há 3ª foi de vez, finalmente consegui apresentar-me com o mínimo de condições na partida da Maratona de Trail dos trilhos de Almourol. Apenas tinha feito as primeiras edições com a quilometragem mais pequena e que por problemas físicos apenas assisti no local ás últimas duas edições na versão da Maratona.
Não conhecia o atual percurso mas encontrei-o muito diferente e para melhor, sem dificuldades de maior no que diz respeito a altitude e ao piso que encontrámos apesar da chuva que caiu e o facto de aquela região estar sob as águas nas zonas mais baixas, apesar de tudo isto aquilo não foi suficiente para nos criar grandes dificuldades. A organização soube muito bem tornear os problemas criados e ofereceu-nos um percurso muito bom e bonito onde não faltou, para além de muita lama e água espalhada pelos trilhos e estradões, os avisos prévios de aproximação a áreas mais perigosas e arriscadas, tais como cordas de forma a não corrermos qualquer risco, quer em precipícios quer junto à Barragem, muito bem.
Como sempre, parti com uma passada lenta, tinha ainda presente a lesão nos gémeos contraída nos trilhos dos Abutres que me levaram a estar pouco mais de um mês em tratamento e posterior recuperação para voltar a correr com segurança, tinha estado nos Trilhos do Pastor há 15 dias e as coisas tinham corrido bem embora se notasse ainda falta de kms nas pernas, por esse facto este Trail do Almourol tinha de ser visto com especiais cuidados sobre o que iria fazer.
No final do 1º km começaram as dificuldades com o acesso ao matagal e o consequente início do mau estado do percurso, muito escorregadio e com muita lama, as filas de atletas que se formaram de imediato logo ali  também dificultaram a progressão, mas passado pouco tempo os espaços foram-se criando e aos poucos já conseguíamos correr, pelo menos enquanto as forças o permitiam e o piso ia deixando. Ainda no 1º km vi que apenas me seguiam aí meia dúzia de atletas, entre eles estava a Célia Azenha que rapidamente me diz que tinha feito na véspera 60 kms em Trail e que estava um pouco cansada, decido então ficar com ela, também eu pretendia meter travão para não abusar da sorte e a Célia era uma boa companhia a partir dali.
Foi numa passada certa, correndo e andando que traçámos os objetivos, 1º chegar ao posto de controlo com tempo suficiente (4h) colocado aos 22 kms para evitar a eliminação e depois chegar, gerindo da melhor forma as forças que restassem.
Apesar das cheias dos últimos dias, penso que poucas alterações foram feitas ao percurso planeado desde o início, mesmo assim alguns locais estavam espetaculares para a vista e para correr, ficou-me na retina as descargas da Barragem de Castelo de Bode, aquilo mete um enorme respeito, e o trilho das águas que foi muito bem aproveitado com carreiros de um lado e do outro de um ribeiro com um caudal de água bastante abundante, aí ia aproveitando para lavar os ténis do peso da lama que transportava comigo.
Tudo ia correndo bem, a prova estava muito bem marcada com as fitas bem visíveis, contudo devido aos constantes ziguezagues despistei-me 3 vezes, isto é fui em frente, mas a nossa experiência rapidamente dava com os erros, que foram todos eles de pouca monta, (mais ou menos 500 metros no final).
Os abastecimentos e o apoio durante toda a prova foram excelentes, em todos os cruzamentos onde existia trânsito, e não só, estava sempre alguém com uma palavra de simpatia e foi assim que com mais ou menos dificuldades conseguimos chegar ao pavilhão desportivo do Entroncamento, sem pressas mas com um só sentido, chegar. Tinham decorrido 7,22h. desde que saímos de Aldeia do Mato à distância de 42,700 kms.
Foi com enorme satisfação que fiz a prova na companhia da Célia Azenha, uma grande Senhora do Trail, fiquei a par dos seus planos a nível competitivo no imediato, continua muito ambiciosa em correr as longas distâncias, espero que saiba gerir bem esse esforço que lhe vai ser exigido.

Fotos de Mário Lima

quinta-feira, 28 de março de 2013

Trilhos do Pastor, Edição de 2013


2 meses depois voltei ás provas, mais concretamente aos trilhos após aquela arreliadora lesão contraída no Croos da Laminha e depois agravada nos Trilhos dos Abutres que me levou à desistência aos 2,5 kms de prova.
Foi assim que me apresentei nos trilhos do Pastor no passado dia 24 de Março de 2013, completamente recuperado da rutura nos gémios da perna esquerda, nunca tinha tido um problema desta natureza, pequenas mazelas sim e têm sido muitas mas por isso mesmo nem me posso queixar muito já que tenho levado o esqueleto ao extremo ou próximo dele as minhas capacidades físicas. Tem sido interessante esse trajecto levado a cabo por mim, esta quebra no princípio do ano poderá estar ligado a um deficiente programa de descanso que não observei tendo insistido com a mesma intensidade a nova época correndo riscos que eram previsíveis.
Nesta prova em S.Mamede a minha preocupação era testar a perna naquele ambiente e percurso de forma a que ganhasse mais confiança para enfrentar o calendário de provas muito exigente que tracei para este ano, e saí-me bem, pelo menos deu para fazer a prova sem me magoar, quer na perna quer em qualquer outra parte do corpo uma vez que escapei ás dezenas e dezenas de quedas que por lá aconteceram com os outros trailistas. O percurso estava muito complicado para quem pretendia fazer aquilo numa passada mais rápida, ouve quem partisse um braço e muitos outros saíram de com os joelhos e pernas em muito mau estado, eu escapei é verdade mas também arrisquei muito pouco pelas razões atrás apontadas e também diga-se a verdade a forma física ainda não é a melhor. Os meus colegas de equipa, o Rui Pacheco, o Daniel Pinto e o Osvaldo Rodrigues estiveram muito bem e bastante fortes com destaque maior para o Rui que venceu individualmente a corrida.
A prova registou no meu cronómetro 29,950kms com um pequeno engano à mistura, do mesmo modo o tempo que levei para a concluir foi de 4,09,20h.
Estarei agora em Almourol no próximo dia 7 de Abril na distância de 42 kms com um desnível positivo de +- 1000 metros, seguir-se-à Sesimbra, depois... é melhor nem falar!!!
Fotos

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Estou de regresso!!!

Finalmente de volta.
Depois de uma semana (16 a 22/2) com treinos ligeiros e muitos alongamentos com vista a testar a zona afectada nos gémeos após a dupla rutura que fiz na mesma zona no espaço de 15 dias (nos Abutres isto acabou por ceder) , quis hoje testar o meu estado actual num cenário de maior dureza (montanha) e numa distância de 22 kms para ver se concluo esta fase de recuperação e iniciar um plano de treinos que me permita estar nas melhores condições na s próximas provas que tenho idializado: Trilhos do Pastor, Trilhos de Almourol, Ultra Trail de Sesimbra e de Portalegre.
Após este teste de hoje creio que a lesão poderá estar solucionada e dar assim por concluído o tratamento que tenho estado a fazer, foram eficazes as 10 sessões de fisioterapia que fiz numa clínica de um profissional amigo que me socorre sempre que alguma mazela ultrapassa a zona do razoável. Desta vez activei o meu seguro desportivo que tenho através da Associação de Trail Running de Portugal de quem sou associado, tudo funcionou bem aguardando agora eu pelo respectivo reembolso da totalidade do dinheiro gasto a que tenho direito.
 

O Trac sinaliza a passagem por alguns locais de dificil progressão e os níveis de inclinação em alguns locais bem acentuada. Mostra também alguma pausas para os necessários alongamentos. no início, a meio e no fim. São estes alongamentos os causadores de fortes dores que sinto nos pés na parte de cima de tanto forçar os gémeos a esticar. 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Ultra Trail dos Abutres.

Rui Pacheco, 5º da Geral
Daniel, no Penedo dos Corvos
Trilhos dos Abutres, começar e não acabar, ou por outra começar e acabar mais cedo. Bastou apenas 2,600kms para concluir que não estava em condições para prosseguir, parti mas a moínha estava lá no gémeo esquerdo, acreditei que poderia transpôr as dificuldades que a Serra nos reservara mas ao chegar ao Rio pouco depois da partida veio uma forte dor aguda e fiquei ali pregado a ver passar os restantes atletas que ainda seguiam atrás de mim. Neste meio tempo penso incessantemente o que devia fazer, prosseguir com dores e ver o que aquilo ia dar? Fiz nova tentativa e verifiquei de vez que o meu destino nesta prova acabava ali, volto para trás desolado mas com a garantia que a lesão não se agravou a ponto de tornar mais difícil a recuperação. Pouco depois estava a chegar de novo ao Pavilhão de Miranda de onde tínhamos partido à pouco tempo e informo a organização da minha desistência.
Amigos do Vale do Silêncio
Procuro agora a forma de passar o tempo até à chegada dos atletas, tinha lá na prova 3 atletas do meu Clube, o Rui Pacheco, o Daniel Pinto e o Diogo Branco e estava disposto a esperar o que fosse preciso até chegarem. Pedi uma t,shirt à organização para vestir e vesti o corta-vento que levava na camalbeck e fui até quase a Espinho em caminhada passando por dentro de uma floresta cujos trilhos estavam em muito mau estado, logo ali comecei a perceber o que os atletas iriam sofrer nos trilhos da Serra, entretanto a perna começada a dar sinais de estar de novo no limite e decido voltar para trás por forma a chegar a horas de quando começassem a chegar os primeiros eu já estar perto da chegada e dar o apoio possível a quem dele necessitasse.
Dramático, o 5º (Rui Pacheco) a defender o seu lugar no final
Pouco depois do meio dia começam a chegar os atletas da prova da Mini (23kms), nesta altura já estava eu a 200 metros da chegada e num ponto crítico num alto de uma subida, curta mas muito violenta onde todos praguejavam pela sua dureza. Era aqui que eu senti que devia estar, vi muitos atletas chegarem a meio e caírem com as forças completamente esgotadas e outros com problemas complicados ao nível das câimbras, sempre que um caía eu descia e trazia-o para cima.
A grande Analice, já de noite no Penedo dos Corvos
Com a chegada dos atletas da Ultra (47,5kms) a situação agravou-se tendo inclusivamente 2 deles procurado caminhos alternativos ali ao lado para coneguirem chegar à meta (a 200 metros dali).
Na disputa dos primeiros lugares é dramático assistir à disputa de um lugar quando 2 ou mais atletas ali chegam sem forças e incapazes de lutar pela conquista de mais um lugar na frente, escorregam, desesperam por não conseguirem dar mais um passo, gatinham por ali acima procurando com os braços aquilo que já não conseguem só com as pernas, emociona ver aquele espírito de conquista e lealdade entre todos eles, se eu já os respeitava e depois de ver um espectáculo daqueles falta-me as palavras para descrever o que sinto.

Um vídeo de Joaquim Sousa, (recomento baixar o som)

Chegavam sujos de lama por tudo quanto era sítio, creio que não escapou nenhum ás enevitáveis quedas, vi alguns com golpes na cabeça e ensanguentados por não terem conseguido evitar alguns obstáculos mais altos, mas em todos eles via no seu rosto a imensa satisfação por terem conseguido vencer este duríssimo obstáculo que a Associação Abútrica montou para oferecer a estes voluntariosos heróis que por ali passaram, senti-me orgulhoso por ali estar e sobretudo por ser também um deles.
Obrigado querida amiga Sónia pelo bolo que me esperava no Penedo dos Corvos, quis a ironia do destino que após a minha desistência fosse o meu genro Daniel Pinto que por lá passou acabou por comer o bocado que me estava destinado. Voltarei.
O esforço levado ao extremo (4º classificado da geral)



 
Parabéns a todos, especialmente aos meus amigos do Clube destacando naturalmente o Rui Pacheco pelo seu 5º lugar na classificação geral e também ao Daniel e Diogo pelo espírito de sacrifício demonstrado até cortarem a linha de chegada.
Classificações provisórias Fotos

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Corta Mato de S.João da Talha, 20/01/2013

No passado Domingo foi dia de dar uma pequena ajuda na organização do Corta-Mato de S.João da Talha, herdeira do Grande prémio de Vale de figueira. A contas ainda com uma lesão no gémio esquerdo trazida do Cross da Laminha no dia 13 de janeiro, foi agradável e motivante esta minha pequena contribuição junto de um conjunto vasto de amigos que em tempos tive a oportunidade de ganhar. Foi uma prova muito bonita, decorreu num cenário espectacular em que se transformou um pedaço de terreno abandonado num Parque Ecológico edealizado com a única finalidade de o colocar ao serviço das populações para ocupação dos seus tempos livres.
Num verde muito bem tratado rodeado de árvores próprias que ajudam a embelezar o local foi possível desenhar um circuito com aproximadamente 1.800m e a partir daí separar todos os atletas pelos respectivos escalões. Disputou-se também o Olímpico Jóvem da Associação de Atletismo de Lisboa, por este motivo a direção técnica das partidas e chegadas foi da sua responsabilidade, ficando o resto do percurso sob a supervisão dos muitos voluntários que colaboraram com a organização. Esta prova teve no Jorge Robalo o seu patrono maior ao estar presente quer nas partidas quer depois na destribuição final dos prémios onde acabaria por ser homenageado pela sua ligação ao Clube de Atletismo de Vale de Figueira e ao qual acabaria por ficar ligado ao sagrar-se Campeão Nacional de Juvenis de Corta-Mato em 1996 na Cidade de Marvão, no Alentejo.
À organização agradeço a oportunidade de ter podido dar o meu modesto contributo nesta prova e regressar ao convívio de tantos e tantos amigos.
Esta foi a volta desenhada (1ª, 2,150m), que num total de 3 perfez os 5,5kms para as provas principais. Falta ali apenas 2 arranjos num total de 200m que não aparecem nesta gravação do garmin.
Fotos

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Cross da Laminha,13/1/2013

O Cross da Laminha desta vez fez jus ao seu nome, tenho apanhado algumas tareias em trilhos com pisos muito enlameados mas não tanto como este, é o 3º ano que lá vou e finalmente encontrei aquilo que procurava. Já calculava que iria ser assim, a semana tinha sido chuvosa e no próprio dia choveu bastante, à chegada falo com o Vitor Ferreira, o organizador da prova, e confirma que o percurso está muito instável e escorregadio, a chuva entretanto parara mas já tinha feito o seu papel, pertencia agora a nós desmpenharmos o nosso. Levei uns ténis de trail pesados, achei que para aquele terreno seriam os melhores e não me enganei conforme fui verificando ao longo da prova. Fui acompanhado de mais 7 trailistas do meu Clube, Amigos do Vale do Silêncio, todos eles já com alguma experiência em provas deste tipo, a exemplo do que já sucedera o ano passado em que estivemos representados com 7.
Pela 1ªvez a prova atingiu os 15kms de extensão e eu sabia, porque a conheço, que estes 15kms iria representar mais uns tantos devido ao lamaçal que iria ter pela frente e era fácil perceber porquê! Quando entrássemos nos trilhos ao fim de 1,5km estariam já à minha frente mais de 200 atletas devido à minha lentidão para lá chegar, e não me enganei. Era um autêntico campo de terra lavrada e escorregadia, os primeiros passaram bem mas do meio para trás foi o cabo dos trabalhos.
Quando entrei no trilho ainda trazia muitos atrás de mim mas como sempre isso para mim tinha pouco significado, queria era sair dali bem e sem problemas e pelas dificuldades dos primeiros kms não ia ser fácil, o traçado é todo desenhado num raio muito pequeno de terreno onde raramente somos capazes de correr mais de 20 metros sem encontrar uma curva ora no meio do mato ora no meio do arvoredo, o ritmo é naturalmente afectado porque estamos constantemente a travar e a arrancar juntando ainda a isto o piso altamente escorregadio e perigoso a ameaçar a cada instante com quedas. Deverá ter sido por isto que perto dos 4kms de prova começa a doer-me o gémeo esquerdo, é um problema que já tem alguns meses mas que ultimamente tem andado sossegado voltando agora devido provavelmente ao treino Noturno Pirata de Almada 2 dias antes desta prova. Ainda pensei que fosse coisa passageira mas com o andar dos kms vi logo que iria passar mal, aquele constante curva e contra curva, o sobe e desce, o contornar invariavelmente de árvores atrás de árvores, subir e descer muros, saltar buracos e valas agravou subtancialmente a lesão que a partir dos 7 kms já mal conseguia correr, agora andava mais do que corria, no meio do arvoredo agarrava-me aos troncos e era assim que subia, nas descidas as dores eram mais fortes e assim fui avançando. A meio da prova não consegui fazer uma curva e fui parar em cima de uns arbustos muito secos que me fizeram alguns arranhões nas pernas ficando a sangrar, recompuz-me e segui esquecendo por momentos as dores no gémeo.
 Perto dos 12/13kms começa de novo a chover agravando ainda mais o lamaçal tornando-o mais escorregadio, isso pouco me incomodou, os ténis estavam a portar-se muito bem apesar de já irem atafolhados de lama, ali perto iam outros atletas com dificuldades em prosseguir, talvez devido ao calçado, não sei, por isso ia com muita pena de a perna não me deixar correr como queria, tinha força e vontade mas quebrava logo assim que tentava dar mais vida áquilo. Quando saímos da mata e entrámos no alcatrão a meta estava ali a 600 metros mas para isso ainda tínhamos que subir a rampa final que só de olhar até cansa. Chegara ao fim, ouve uma altura que pensei em desistir mas a vontade de acabar a prova foi mais forte e agora estou com um problema mais complicado pois a dor mantem-se e tenho de a eleminar porque daqui a 15 dias tenho de fazer o Ultra Trail dos Abutres na Serra da Lousã.
No final tivemos o abastecimento prometido mas não era de todo despropositado se a meio tivessem dado uma garrafinha de água, creio que se justifica já, a prova aumentou uns kms e muitos vão para lá a pensar que poderá haver um pequeno abastecimento durante o percurso, contudo não ouvi ninguém a queixar-se, sinal de que estavam todos avisados para levarem consigo aquilo que precisassem.
Como estava todo arranhado fui até à Ambulância que ali estava na chegada a ver se me desinfectavam as feridas, levei como resposta que não estavam autorizados a desinfectar fosse o que fosse, um Decreto-lei qualquer proíbe-os de fazer tratamentos e a única coisa que podem utilizar é Soro, como aquilo não me iria fazer nada agradeci e fui embora à procura do local onde poderia tomar banho e assim à mistura com a água ainda poderia encontrar alguma subtância que ajudasse a desinfetar aqueles arranhões.
Acabei por fazer 2,13,45h. no percurso que o meu relógio gravou de 15,300kms.
No final a confraternização não faltou acompanhada de um excelente almoço seguido da destribuição dos prémios bem vistosos e com qualidade.
Uma palavra também para os meus colegas do Clube pelo seu comportamento desportivo e de camaradagem, particularmente o Rui Pacheco pelo seu desempenho na prova conseguindo obter o 2º lugar da classificação colectiva, o que muito nos honrou.
Fotos

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

S, Silvestre do Olivais, 30/12/2012

Todo o Grupo, ainda lá faltava alguns.
E pronto, encerrado o ano no que diz respeito ás corridas após concluir  S.Silvestre dos Olivais que teve lugar hoje em Lisboa. No meu programa para este ano incluía ainda mais 3 provas: Almourol, Pastor e Lezírias que por dificuldades físicas tive de abdicar com muita pena minha, principalmente a de Almourol e os Trilhos do Pastor, ainda assim consegui bater o meu recorde de kms em competição num só ano em mais de 60kms, fixando-o agora nos 920kms. Como dizia um amigo meu, Armando Almeida, que hoje teve a gentileza de correr a meu lado para apandrinhar comigo a proeza de ter ultrapassado as 9 centenas de kms este ano, a prova de hoje não sendo a mais difícil é daquelas que mais me custa a fazer, por certo muito curtinha e por me obrigar a andar a ritmos a que não estou habituado (5,40m no dia de hoje!), ainda por cima tenho andado com um pequeno problema no gémio esquerdo que não me tem deixado treinar como queria.
Hoje usei uma meia elástica para atenuar a lesão no gémio esquerdo, creio que resultou mas durante toda a prova senti outros problemas na mesma perna, 1º começou na canela e depois passou para a côxa superior, creio que não foi alheio o facto desta meia elástica ser muito apertada e ter pressionado em demasia os tendões provocando problemas extras que podia ter evitado.
A noite esteve excelente para correr, faltou, como em edições anteriores, um pouco de chuva para nos refrescar durante a prova, ainda assim esteve muito bom e o único abastecimento de água oferecido durante a corrida aos 5kms foi suficiente, no final registe-se ainda a oferta em copo de um isotónico muito apreciado pelos atletas que iam chegando, pelos menos todos aceitavam, eu como não bebo dessas bebidas dispensei.
Armando Almeida, a minha companhia de hoje na prova
O percurso delineado respeitou o do ano passado, creio que está muito bom, pessoalmente dispensava aquele subida interminável logo a seguir ao 1ºkm, mas como todos têm de lá passar e o Bairro dos Olivais é para ser conhecido por toda a gente não fazia sentido que sendo o nosso Clube (Amigos do Vale do Silêncio) criado e batizado neste Bairro não o visitasse na companhia daquele pelotão numeroso que levou animação e côr ás bonitas ruas ali existentes onde aqui e ali o público se juntou para nos saudar. 
A companhia do Armando Almeida, aqui lhe deixo o agradecimento, (ainda com mazelas de uma queda que dera há 3 dias atrás) foi muito boa para mim, embora isso tivesse exigido de mim mais aplicação obrigando-me a andar a ritmos perto dos 5,30m até perto dos 7kms, ora eu apenas treino para ritmos de 6m ao km, logo sei que alguma coisa há-de faltar até cortar a linha de meta, mas também é certo que aquela franqueza da companhia do Armando não me podia transformar em "salta pocinhas" e ir hibernando até chegar por isso esforcei-me para que ele sentisse que eu estava a colaborar e tivesse ao mesmo tempo o menos prejuizo possível, sei que se fizesse a sua prova conseguiria baixar dos 45m, assim finalizou a meu lado com a marca de 58,20m para os 10,310kms que marcou o meu cronómetro, a média ficou-se nos 5,40m por km, nada mau para mim, digo eu.
O nosso Prasidente Sr. Silva, com o 2º lugar da nossa Equipa
Deixo também uma palavra para todos o Amigos do Vale do Silêncio que compareceram em grande número a esta prova e pelo significado que ela teve, por ser a última de quase todos nós este ano e por aproveitarmos para a sua despedida com votos que o novo nos traga coisas melhores a fazer esquecer as sombras que nos ameaçam.
Classificações

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Meia Maratona de Sevilha 2012

Está finalizada a penúltima prova programada para 2012, a Meia Maratona de Sevilha realizada no passado Domingo dia 16 de Dezembro veio pôr termo também a provas com alguma distância considerável realizadas este ano.
Sevilha, e esta prova em particular, já me mereceram  7 deslocações nos últimos 10 anos e parece-me que este ciclo acabou aqui, não que esta Meia Maratona tivesse perdido qualidades ao nível organizativo (excepto a organização do local de chegada) mas porque a distância a percorrer para se chegar até lá desde Santa Iria da Azóia é saturante e o envolvimento final na chegada de apoio aos atletas já deixa muito a desejar, talvez os sinais de crise também estejam a chegar a esta prova que sempre nos presenteou muito bem ao longo das 6 edições anteriores em que participámos.
Nesta 34ª edição a prova esteve igual a si própria sem alterar nada daquilo que já se conhece, excepto os abastecimentos, mas aqui o problema continua a ser meu, chego demasiado tarde à meta, as 2 horas que levo para fazer a distância já não chegam para garantir à chegada o necessário apoio sólido, banana e laranja (era o que havia), atrás de mim muitos outros chegaram e não gostaram tal como eu da inexistência desse apoio indispensável após percorrer aqueles 21 kms bem difíceis.
Bem podiam partir as bananas em 2/3 bocados nos abastecimentos ao longo dos 5 postos, mas não, eram bananas inteiras, e muitas delas estavam espalhadas pelo chão, que podiam ser incaminhadas para a meta e apoiar aí os últimos classificados. Depois existem também os ganaciosos que ao chegarem nem sequer se lembram que existem outros a chegar e que precisam também de se alimentar, aqui a responsabilidade também é da organização ao permitir o acesso dos atletas já chegados de voltarem a uma zona de chegada para repetir e repetir até ficarem empanturrados, para eles os outros que se lixem!!! Apanhei uma água, devolvi o chip e saí dali para fora com a ideia de não mais voltar!
A prova até me correu muito bem, (até deu para aos 19kms beber uma imperial que me iria estragar o resto dia, mas isso é outra história), bem como aos meus 3 Amigos do Vale do Silêncio que me acompanharam, o Rui Pacheco, O Luis Santos e o Hernâni Monteiro, aos 15kms ainda ia dentro do objectivo traçado para esta prova, as 2h. mas aos 17 já levava 1minuto de atraso e decidi por incapacidade física não forçar nada e terminar a prova em condições aceitáveis.
Os 2,27minutos para além das 2 horas representa ainda assim alguma estabelidade nesta distância, recordo que na Maratona de Lisboa a 1ª parte foi feita exactamente com o mesmo tempo começando depois a partir dessa distância a quebra que se acentuaria até ao seu final.
Tempo final: 2,02,27h. distância 21,095kms.
Até ao Ultra Trail dos Abutres em Janeiro irei tentar recuperar um pouco, poupando-me, ainda que tenha até lá o treino/convívio noturno de Monsanto no dia 21, a S.Silvestre dos Olivais e o Cross da Laminha para fazer.
Prevejo um ano de 2013 bem engraçado!!!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Maratona de Lisboa, 2012

Ao concluir a 15ª Maratona tenho de concluir que de história pouco tem, a não ser pelo bonito número que já atingi, 11 das quais nos últimos 3 anos. Creio que desta vez ultrapassei aquela barreira de correr por prazer e entrar em larga escala numa situação dolorosa que de todo procuro sempre evitar. Mas ao iniciar sabia perfeitamento que mais km menos km esta fase viria a acontecer, até porque tinha a experiência da Maratona do Porto no final de Outubro, por sinal bem sofrida, em que os antecedentes à sua preparação foram exactamente iguais e daí poder extrair esta comparação entre ambas e saber o que me esperava durante e até ao final da Maratona de Lisboa.
Existe uma explicação para ter ultrapassado aquela barreira do prazer de correr e chama-se teimosia, há duas semanas estive no Ultra Trail dos Amigos da Montanha na distância de 60kms e como é evidente o tempo de recuperação é muito exíguo, mas mesmo assim acreditei que era possível fazer a Maratona dentro dos moldes habituais sem exceder aquele ponto de honra de correr confortavelmente, já no Porto pelas mesmas razões cheguei ao fim muito apertado e ultrapassando os limites, tal como agora, justificando-se talvez aí o Ultra Trail da Serra d`Árga de 45kms que fizera 3 semanas antes.
A 1ª metade da prova foi feita muito confortável e à meia maratona tinha 2,03h, aqui já excedia o tempo previsto das 2h. sentindo já algumas dores nas pernas que se traduziam num cansaço crescente, estava um tempo fresco e sem vento, o que era o ideal para se correr, não levei nada comigo desta vez, nem geles nem água mas não creio que o colapso a partir dos 25kms fosse derivado a isso. Aliás, aos 25kms havia um abastecimento com fruta e aproveitei para aconchegar o estômago, mas de pouco serviu.
Ao virar em Algés perto dos 28kms tive a noção que aquilo ia doer se quizesse chegar ao fim, antes de chegar ali áquele ponto de retorno tinha cruzado com muitos amigo que habitualmente encontro nos Trails e via nos seus rostos a marca do grande esforço que iam a fazer, daí saber o que me estava à espera, é a partir daqui que decido ir numa passada mais lenta porque ia sentindo a perca da sensibilidade nas pernas. Aos 30 kms tinha 3h. de prova mas a condição física era muito débil, vejo ali a Ana Pereira que esperava o testemunho da sua colega de equipa para o levar até à meta, incentiva-me com a promessa de pouco depois me alcançar, como já ia com pouco "gáz" não fazia a ideia que ela tinha o objectivo de me acompanhar, possivelmente até à meta.
É pouco depois de  Alcântara que ela me apanha e decide ficar ali comigo, reconheço que animei um pouco e aproveitei para aumentar um pouco o ritmo até chegar ao abastecimento dos 35kms, um pouco antes tinha encontrado um dos atletas estrangeiros que nos visitaram completamente agarrado e fortes dores nos gémeos que não conseguia sequer dar um passo, deitei-o no chão e ajudei durante alguns minutos até que se sentiu melhor, aconselhei-o a caminhar durante algum tempo e fui embora. Ao chegar aos 35kms disse à Ana para seguir que eu ia parar ali um pouco para comer alguma coisa e hidratar por forma a recuperar se fosse possível alguma coisa, nem lhe agradeci mas fica aqui o registo pelo seu gesto, simples mas que muito me valeu. A partir dos 35kms já ninguém desiste numa Maratona, pelos menos aqueles que correm com o objectivo de a terminar e sem qualquer outra preocupação, mas é a partir daquela distância que começamos a ver as dificuldades que muitos sentem em avançar, por nós conseguimos ver os outros e não falta da parte de quase todos uma palavra de incentivo, senti isso na Avenida Almirante Reis, foi ali que comecei a andar por períodos de 50/100 metros até voltar a sentir as pernas com alguma energia e voltar a correr, aqueles 3 kms até chegar ao Areeiro pareceram-me infindáveis.
Aqui chegado volto a hidratar-me com água e abalo com o objectivo de já não andar até chegar à meta, mas mal entro na Avenida de Roma vou de novo abaixo mas resisto ao ver ali perto a marca dos 41kms, decido então quando lá chegar caminhar um pouco ali já que aquele ponto coincide com uma pequena subida, mas é nesta altura que surge o meu colega de equipa João Inocêncio que veio ao meu encontro e me levou quase ao "colo" até à entrada do Estádio do Inatel onde me aguardava uma forte comitiva dos Amigos do Vale do Silêncio, uns tinham terminado já a Maratona e os outros tinham também concluído a meia maratona com grande sucesso. Só me resta agradecer a todos o apoio que recebi.
Deixo aqui uma saudação a 2 Amigos do Vale do Silêncio que se estrearam na Maratona de Lisboa: o Paulo Duarte (3,35h.) e o Fernando Avelino /3,43h.)e ainda o Juca Jacob que ao fazer a sua 2ª Maratona melhorou o seu recorde pessoal em 10m com a marca de 3,44h.
Passado este dia de 2ªfeira já quase completamente recuperado, com o treino também hoje efectuado e sem mazelas de maior, contudo sei que os limites estão a ser ultrapassados em termos físicos, mas era este o calendário que escolhi fazer e só por força maior é que não cumprirei os objectivos a que me propuz, falta ainda para completar o ano a Meia Maratona de Sevilha e a S.Silvestre dos Olivais, depois regresso para o Cross da Laminha e o Ultra Trail dos Abutres. A partir daqui recomeça tudo de novo, não sei se repetirei algumas provas das mais duras que fiz este ano, uma coisa eu sei, vai ser difícil repetir os 900kms que já fiz  este ano só em provas, uma marca difícil de repetir.
Para os 42,390kms que o meu relógio marcou gastei 4.27,21h. a um ritmo de 6,19m por km. (320m de altimetria de acumulado positivo) e uma pausa/parado de 5 minutos em todo o percurso.
O sentido já está em Sevilha no próximo fim de semana! Agradeço as fotos enviadas por alguns amigos.

Classificações

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Ultra Trail dos Amigos da Montanha, Barcelos.

O Ultra Trail dos Amigos da Montanha  realizado no dia 25 de Novembro em Barcelos é uma daquelas provas que se faz uma vez e que por uma razão qualquer queremos sempre lá voltar. Queremos voltar porque existe sempre alguma coisa que ficou por fazer e a mim aconteceram várias que quero melhorar, não é o tempo final que me importa mas coisas simples de mais que me complicaram a vida e fez deste Trail um dos que mais me custaram a fazer, mas eu conto...
Já o ano passado tinha pensado muito em fazer esta prova mas a desilusão da Serra D`árga e o facto de ser também no Alto Minho resfreou um pouco a vontade de ir, por isso aproveitando a simpatia do amigo Carlos Coelho em me dar boleia inscrevi-me este ano ainda com a esperança de 2 Amigos do Vale do Silêncio me fazerem companhia, coisa que não iria acontecer.
Até à hora da partida contei sempre com a companhia dos amigos do Mundo da Corrida, foi ao almoço, ao jantar e até no Albergue (cedido gratuitamente pela organização) estava bem acompanhado por eles, agradeço-lhes com gratidão toda a simpatia que me dedicaram.
A prova tinha a distância prevista de 57,500kms e tinha uma condicionante extremamente importante, se quizessemos chegar à meta tínhamos de chegar ao Rio Cávado até ás 16,45h ao fim de 51kms para podermos atravessar de Kayak até à margem contrária, se assim não fosse ficaríamos de imediato eleminados.
A partida foi dada junto à Igreja e ao sinal da 8ª badalada, não éramos muitos, a organização falava em 190 inscritos e por isso a partida fez-se sem qualquer sobressalto e sem pressas, adivinhava-se já as dificuldades que cada um ia encontrar. Tal como eu havia por ali alguns atletas optaram por levar os bastões como auxiliares na progressão quer nas subidas quer nas descidas e ainda na manutenção do equilibrio para evitar as quedas já que o caminho para além de sinuoso tinha também muita lama e era também escorregadio. Desde cedo fiquei para os últimos lugares, bem perto vinha o Carlos Coelho e a Analice bem como outros atletas que com prudência partiram mais lentos. Rapidamente concluí que a decisão de levar os bastões foi muito acertada porque a partir dos 2 kms iniciais feitos no asfalto começou a dança do sobe e desce, com pequenos percursos de recuperação, que nos levaria a pisar os picos daquele amontoado de serras com inclinações muitos acentuadas quer a subir quer a descer. A 1ª parte da prova foi muito exigente e obrigou a que tivesse um desgaste tremendo de energias devido ás dificuldades que íamos encontrando, nesta altura já ia a poupar os joelhos devido ás fortes inclinações, principalmente nas descidas, mas também as subidas deixavam mossa, isto devido a uma forte dor no pé direito que já vinha sentindo a algum tempo atrás e que me acompanharia até final da prova. Foi agradável de ver por ali um grupo numeroso de BTTistas a fazer o mesmo percurso que nós, mas nas subidas mais agrestes nem um conseguia fazer aquilo a pedalar, alguns ainda me fizeram companhia na conversa enquanto rebocavam a bicicleta montanha acima.
Nesta fase corri quase sempre sozinho, por vezes levava a companhia da Célia Azenha, do António e do Jorge do Mundo da Corrida e também em alguns períodos da Otília Leal, mas variavelmente acabava por ficar para trás para mais à frente apanhá-los de novo e assim sucessivamente. Por volta dos 27 kms encontro a Otília numa descida agarrada à perna esquerda, estava com uma câimbra mas após uma pequena ajuda logo ficou em condições de posseguir e manteve-se ali perto de mim para o caso de voltar a ter problemas.
Pouco depois surge um dos locais já esperados, atravessar o Rio de Slide, desde o serviço militar nunca mais tinha feito aquilo e nesta altura a minha idade e a falta de exercícios nesta área muscular dos braços era o bastante para ter alguma apreensão, a Otília passou primeiro, não sem antes ir um pouco a arrojar antes de saltar para o Rio, rapidamente ajudada foi colocada de novo em pé e lá saltou como deve ser e o Slida a levou para o outro lado da margem. De seguida fui eu, como levava os bastões e tinha de segurar nas correias de segurança tinha de fazer isto com cuidado, saltei e quando fiquei suspenso até parecia que o corpo se ia separar dos braços e doeu mas depressa recuperei, ali um pouco mais à frente estava o abastecimento dos 30 kms mas para lá chegar era preciso vencer agora um traçado que metia muito rochedo e o caudal muito forte do Rio que corria ali a nossos pés, as cascatas sucediam-se numa beleza extraordinária lembrando e superando do muito que já vi nos imenso Trails em que tenho participado. O cuidado agora tinha que ser redobrado, a Otília segue ainda na minha frente salta de uma rocha para a outra com uma extensão de +- 1 metro passando um forte caudal de água pelo meio e passa sem qualquer problema, quando lá chego alguns segundos depois tento fazer o mesmo, que raio já tantos tinham passado por lá, mas não consegui, mal coloco o pé no lado de lá desiquilibro-me para trás e caí no Rio, fico debaixo de água apenas com o braço esquerdo de fora para salvar o telemóvel que levava, bati com o braço numa pedra sem consequências mas doeu, estive ali um pouco para perceber o que aconteceu e não foi fácil sair de lá porque as rochas no fundo eram escorregadias e a cada movimento voltava a cair, os bastões já boiavam mas não saíram dali apesar da forte corrente, ninguém gosta de cair mas devo confessar que depoi de lá estar dentro da água, que estava fria, até me soube muito bem pois arrefeceu-me o corpo e principalmente os gémeos que já vinham a tremer que nem varas verdes.
50 metros depois estava o abastecimento, pego num copo e fui a uma nascente beber da água que escorria da serra, comi ums bananas e marmelada e atesto o kamalbeck, depois tirei o ar para não ir a chocalhar, o telemóvel cai e coloco-o em cima da mesa, depois vou embora com a Otília, o António e o Jorge ficam ainda no Abastecimento, mais à frente aí a 500 metros lembro-me que o telemóvel ficou lá e decido continuar pois com um pouco de sorte ainda o vou recuperar quando chegar à meta.
O caminho era agora feita na margem esquerda do Rio subindo e descendo enseadas, caminhando sobre grandes rochas e pedregulhos mas sempre com grande segurança garantida pela organização ao colocarem cordas nas partes mais difíceis e perigosas, aqui lembrei-me da Freita onde o risco é muito superior e onde temos de nos desenvencilhar sozinhos e sem qualquer tipo de ajuda.
Após abandonar este local muito bonito e espectacular, depois de ter recuperado o meu telemóvel que o António troxe de volta, e já na companhia também do Jorge iniciámos a subida para a penúltima montanha, dou conta que a água do meu Kamalbeck vai a chocalhar muito e faz barulho, páro e digo-lhes para avançarem, depois tiro o ar e coloco-o de novo ás costas, pouco depois verifico que estava na mesma então volto a parar e vejo então que aquilo estava mal apertado, faço tudo de novo e abalo serra acima a ver se ainda os apanho, tinha perdido mais de 5 minutos e ainda por cima a serra era muito a pique e nunca mais os vejo. Chego ao cimo da serra e caminho agora mais preocupado em chegar ao Rio Cávado, a pressão começa a aumentar e fico sem folga para descansar um pouco e tenho de correr muito para recuperar algum tempo, o problema é que as forças já eram poucas, começo a descer de novo sem saber que já me tinha perdido, devia ter atalhado um pouco antes à esquerda mas não vi a indicação, na minha frente continuavam a aparecer fitas mas não eram as dos Amigos da Montanha mas sim duma prova de motos que se estava a realizar no mesmo cenário, ainda por cima eram da mesma cor, continuo no engano e vou dar ao caminho que percorrera na 1ª parte do percurso, corria agora o risco de regressar ao local de partida pelo caminho que já tinha percorrido, encontro um entroncamento com fitas para a direita e para a esquerda tendo eu optado por ir pela esquerda voltando a subir a serra até que vejo lá mais à frente outros atletas a descer que vinham muito atrás de mim, é aqui que me apercebo que algo não estava bem, digo-lhes que me tinha enganado e dizem-me para seguir com eles, como não gosto de fazer as coisas mal voltei para trás aí uns duzentos metros e fui confirmar as fitas que estava a seguir, não eram as nossas e retornei ao local certo onde tinham passado aqueles 3 amigos. Tinha feito perto de 1,5km a mais e fiquei revoltado comigo mesmo, o tempo esgotava-se...
Na aproximação aos 40kms novo engano e ainda por cima pelo mesmo motivo, atravesso uma estrada de alcatrão localizada perto de uma povoação onde estão 2 elementos da organização, passo com segurança e apanho a rua principal, a cerca de 500 +- devia cortar à esquerda conforme indicação de uma seta instalada numa rede e até estava bem visível, mas como eu ia encostado na berma direita da estrada não a vi e continuei a acompanhar as fitas que surgiam à minha frente do lado direito e que eram de novo das motos, 100 metros mais à frente volto à direita e apanho a estrada de alcatrão e vou dar de novo com os 2 elementos que encontrara pouco antes, agora sim explicaram onde devia cortar mas que devia ir encostado à esquerda para ver melhor as marcações. Assim fiz e pouco depois encontrei o caminho certo, seguramente foi mais 1km que andei ali perdido sem saber, pouco depois chego ao abastecimento dos 40 kms, abatido mas com vontade de tudo fazer para chegar a tempo antes de fecharem a travessia do rio.
Neste abastecimento encontro 2 amigos que ainda lá estão, um deles diz-me que eu já o tinha passado duas vezes no percurso, então explico o que se passou e pouco depois parto de novo mas agora com mais preocupação, o meu relógio já dava mais 3kms do que as marcações que ia encontrando da organização, isto é no meu relógio faltavam 8 kms para chegar ao rio e na marcação de kms da organização faltavam 11kms, isto estava a ficar bonito, apenas tinha 1,12h para chegar e sabia já que não ia conseguir. Mas não desisti, consegui apanhar um dos atletas que estava no abastecimento anterior e sigo com ele, pouco depois chega o outro e entreajudamos os 3 para tentar chegar, sigo na frente dos 3 até que avistamos o rio Cávado, um deles dá um grito de júbilo e corre que nem um doido e leva o outro atrás, mais uma vez fico só porque não consigo correr mais, fico com a esperança de dizerem quando chegarem que estou por perto pois o tempo imposto pela organização já estava perto de ter expirado, levaria ainda 40 minutos a chegar desde que avistámos o rio e até chegar ao local de travessia, isto é 30 minutos depois da hora estabelecida e de compromisso com quem nos estava a levar para o lado de lá. A 500 metros do local dos kayakes passam mais 2 atletas por  mim, também iam em grandes dificuldades, vão correndo aproveitando agora uma descida, eu sem saber como corro atrás deles na esperança de ainda haver epótese de passar e digo-lhes para esperarem por mim se ainda conseguirem passar, pouco depois avisto o local de embarque e o desalento apodera-se de mim, os kayakes já estão fora de água e amontoados prontos para serem levados dali, os dois amigos que tinham acabado de chegar tinham sido informados que já não podiam passar e aparentemente aceitaram bem a ordem dada, estavam agora na parte do abastecimento a alimentarem-se, chego e sou informado do mesmo, vejo a moto d´água ainda dentro de água e peço ao responsável da organização para nos deixar passar falando-lhe ao coração de quem emocionado tinha feito 51kms para ali chegar e ver desmorenar de repente tanto sacrifíco para o conseguir. Não tenho palavras para agradecer mas quase de noite aqueles nobres rapazes colocaram-nos no lado de lá apesar da pressão que sofriam por um dos elementos da organização que estava do lado de lá e que se mostrava mais incensível (e de maus modos) a este gesto. A partir dali na outra margem a calma voltou, agora era só chegar, tinha ainda 6 kms para percorrer mas as forças tinham acabado, andava o mais depressa que podia, a noite tinha chegado e o caminho agora era muito irregular, ora nas margens do rio ora atravessando as hortas ou ainda subindo e descendo pequenas inclinações, mas agora não tinha pressa, sabia que vinham ainda 2 amigos mais atrás, nada sabia do Carlos Coelho, soube depois que vinha ali a 5 minutos de mim e não conseguiu passar passar o rio, o mesmo tendo acontecido à Analice, fiquei muito triste por eles.
Já na última aproximação ao rio perto da chegada nova queda mas sem qualquer consequência, pouco depois subo a escadaria de acesso à ponte para atravessar de novo o rio Cávado para o lado de lá, subo a estrada empedrada ao longo do Castelo até ao centro da Cidade, aqui encontro a rua principal muito bonita e com algum movimento de pessoas, eu corria agora, ainda com o frontal aceso mas para quem por ali andava era como se nada se passase fora do normal da sua vivência, pouco depois avisto o local que tanta ansiara desde a partida ao fim de 10,30h, mas a desilusão depressa se apoderou de mim (também não poderia esperar outra coisa) todo o teatro estava quase desmontado, estava lá um pórtico, o controlo de chegada, uma mesa já um pouco pobre de abastecimento e um aplauso bem forte de quem ainda por ali estava à nossa espera. Pouco depois chegam os 2 últimos amigos encerrando-se assim a participação de atletas chegados à meta, tinha sido o 162º num total de 164 finalistas.
Fui o último a chegar dos atletas com mais de 60 anos, mesmo assim ainda fiquei no 3º lugar do pódio do meu escalão e gostaria que o meu troféu chegasse até mim já que no local nada soube e por isso não o solicitei.
A distância exacta, incluíndo os enganos foi de 59,240kms com o tempo de 10,31,07h.
Era para colocar aqui algumas considerações sobre a prova mas não o faço, até porque considero que tudo o que me correu mal é da minha inteira responsabilidade, devo aliás agradecer tudo o que fizeram para que tudo nos corresse o melhor possível e com total segurança, estendo os meus agradecimentos a todos os que estiveram no terreno durante tantas horas e num dia em que a temperatura não era das melhores. Parabéns à organização por esta extraordinária competição e pelos apoios que nos foram concedidos, antes e depois da prova. Espero regressar.
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