sábado, 17 de novembro de 2012

Treino Noturno de S.João das Lampas 16 de Novembro de 2012

De novo em S.João das Lampas à noite, foi a 3ª vez em 4 edições organizadas pelo mentor da Meia Maratona de S.João das Lampas que para este efeito utiliza o mesmo percurso para o qual convida os amigos de longa data e todos aqueles que se querem divertir numa noite de invernia mas de intenso são convívio entre todos. Desta vez fui acompanhado de mais 3 amigos do meu Clube, Amigos do Vale do Silêncio, como era de esperar todos eles vieram de lá maravilhados, pelo treino e pelo convívio final e exactamente por isso também eu me senti muito satisfeito pela sua companhia e por os ver bastante agradados com o que viram e sentiram. Por tudo isso só tenho de agradecer ao Fernando Andrade e a todos os amigos que o ajudaram a pôr de pé mais esta excelente iniciativa que formulo vótos para que continue com a mesma vitalidade, engrandecendo não só aquela bonita localidade mas também as suas gentes sempre prontas a ajudar e a bem receber quem os visita.
Para mim o treino deve ter sido excessivo, fiquei com uma dor no pé direito, podia ter parado aos 13kms mas como tinha a companhia do Tigre não quis deixá-lo sozinho, tanto mais que aos 13kms já íamos em último lugar pois todos os que seguiam atrás de nós ficaram logo ali, mal sentimos o carro vassoura atrás de nós tivemos de um pouco mais à frente de entregar a lanterna vermelha a outros, de tal forma que o tempo final ainda deu para baixar em 5 minutos o tempo realizado em Setembro.
 
 
Para nós o percurso teve a distância de 21,290kms, excelente a noite para correr, estava a contar com mais chuva mas aquela que caíu sendo pouca até deu uma boa ajuda, o vento era quase nulo e para quem já fez 25 vezes aquele percurso é sempre com um grande prazer que o faz. Voltaremos sempre, assim tenhamos a oportunidade que tivemos mais uma vez.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

4ºs Trilhos de Casaínhos 2012

Os Trilhos de Casaínhos hoje realizado veio em termos pessoais numa altura excelente porque daqui a duas semanas vou estar nos trilhos dos Amigos da Montanha em Barcelos na distância regulamentar de 60 kms.
Como ainda não estou recuperado totalmente da Maratona do Porto de há duas semanas era previsível que aquilo ia custar um bocado, pensava eu, porque não conhecia foi com surpresa que verifiquei no local e após a minha participação que o percurso é muito acessível, embora aqui e ali a chuva que caíu nos últimos dias tivesse causado algumas dificuldades aos participantes nestes trilhos para vencer aquilo.
Trata-se de facto de percurso muito bom para quem quizer iniciar-se nas provas de Trail, são 15 kms onde se pode correr a maior parte da prova, descidas e subidas com alguma inclinação, muita lama e alguns single-tracks espectaculares, recomendo.
Abdiquei este ano de participar na Meia Maratona da Nazaré para poder estar ali em Casaínhos, fica a pouco mais de 10 kms de onde moro e as informações que tinha sobre esta prova eram muito boas, quer no percurso, quer nas pessoas que organizam esta prova. Então não podia faltar, aproveitei assim para fazer um excelente treino com vista ao compromisso atrás referido. Fui com a Susana e o Daniel e mais 17 Amigos do Vale do Silêncio, 2 deles foram agora praxados por se iniciarem hoje no Trail. Para mim é um regalo vê-los todos ali, alguns ainda denotam muita inesperiência apesar de as suas capacidades físicas serem assinaláveis, os "vícios" da estrada onde estão mais habituados a correr prejudicam-lhes o sentido de orientação, enquanto na estrada existe quase sempre um veículo a abrir-lhes o caminho, ali na Natureza são as balizas marcadas com fitas e outros apetrechos que obrigam a uma atenção redobrada para não haver enganos no caminho a seguir. Apesar disso, com enganos ou não, todos saíram de lá satisfeitos e com a convicção que aprenderam sempre mais lguma coisa.
Alguns dos nossos atletas foram premiados pelas suas excelentes prestações, alguns exemplos:
O Rui Pacheco venceu a prova com o excelente tempo de 1,07h., chegando isolado à meta e sem ter a necessidade de se aplicar a fundo.
A Susana, prosseguindo sempre com muitas limitações (algumas forçadas e outras não) na realização dos seus treinos conseguiu alcançar o 3º lugar da classificação colectiva.
O Paulo Póvoa, no alto da sua já veterania acima dos 45 anos também brilhou ao alcançar o 4º lugar da classificação da geral individual, tendo todos os outros vindo a chegar com excelentes prestaçõs fechando a equipa com a minha chegada em último do grupo com a marca de 1,51h. Uma palavra especial para o João Inocêncio que quando seguia com o Paulo Póvoa na 3ª e 4ª posição se enganou no percurso fdazendo andar seguramente mais de 2 kms a mais, mesmo assim ainda recuperou até à 12ª posição.
Como já vem sendo habitual fui de novo ao tapete, uma curva repentina à direita quando descia a alta velocidade e muita lama à mistura obrigou-me a enrolar no tapete, uns pequenos arranhões e prontamente socorrido pelos Bombeiros de Fanhôes assim que cheguei à meta e depois de um excelente banho de água à temperatura ambiente.
A prova marcou no meu relógio 14,880kms, com o último km a ser nitidamente mais curto.
O convívio final envolvendo o almoço oferecido pela organização foi excelente, indo ao encontro daquilo que me tinham dito, para nós retivemos a boa organização da prova onde a perfeição ainda não foi conseguida, principalmente nas marcações dos percursos, por isso achei de louvar o facto de no final sermos abordados por alguém da organização para opinarmos sobre a prova já que pretendiam ouvir opiniões que nos parecessem que estivesse menos bem, e foi isso que fizemos até pela experiência que vamos adquirindo, para que no futuro possa ser melhorado este segmento desta bonita prova.
 
Fotos

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Maratona do Porto, a minha 14ª

2012---4,13,51h.
Está concluída a minha 14ª Maratona de estrada, foram 10 nos últimos 3 anos e em Dezembro farei a 15ª se conseguir comcluir a de Lisboa.
Os Amigos do Vale de Silêncio inscreveram 7 atletas para participarem nesta Maratona do Porto, 2 deles estreantes e que eu tive o prazer de apadrinhar, pena tive eu de não os poder acompanhar do princípio a fim como é de obrigação, mas era pedir demais e assim limitaram-se a partir comigo e depois esperarem por mim no Hotel, ao Henriques e ao Miguel os parabéns por ostentarem agora o título de maratonistas com a bonita marca de 3, 28h. Aos outros: Chinita, J.Gomes, Hernãni e Emílio vão também os meus parabéns, quer pelas provas realizadas quer pela sua companhia neste bonito fim de semana passado na bonita Cidade do Porto.
Aquilo que receava para esta prova de maratona acabou por se verificar, a parte final foi bastante dolorosa, os primeiros 30 kms foram muito bons e sem qualquer esforço para além do desgaste dos kms percorridos, 2,50h marcava o meu relógio mas era já mais que evidente que aquele estado de graça não ia demorar muito tempo. Tinha passado à meia-maratona com 1,56h (menos 5m do que na Meia da Moita há 15 dias), para isso contribuíra a 1ª parte da prova muito favorável onde incluía a descida da Avenida da Boavista durante alguns kms, depois já em Matosinhos apanhei o Pacemaker das 4h. e fui ali durante algum tempo até que verifiquei que o ritmo imposto naquela altura era exgerado e fiquei para trás com o meu ritmo na casa dos 5,30m por km. Levava comigo um jovem amigo que ia fazer a sua estreia, também ele se queixava do ritmo mais elevado que o Guia levava (no caso a prestigiada amiga Conceição Grare), pouco depois olho para trás e também já não vejo, creio que tomou uma boa opção ao ficar e seguir no seu ritmo mais confortável, soube no final que concluiu e se sentiu sempre bem em toda a prova.
2011---4,14,06h.
O vento também apareceu mas em abono da verdade acabou por me favorecer pela fresquidão que proporcionava, contudo a luta para o vencer obrigou a mais algum gasto de energias, desde Matosinhos e até chegar à Ponte D. Luís foi um fartote mas eu ia determinado a tentar chegar por volta das 4h. de prova. Após a Ponte D. Luís a caminho da Afurada, entre os 24 eo 27kms, começo a cruzar-me com muitos amigos, quer do Clube quer muitos outros que vou fazendo por aí, os incentivos não param e tento retribuir conforme posso, as pernas já começam a pesar, considero isso normal pois não treino para maratonas de estrada, é verdade que faço provas mais longas e duras na montanha mas em proporção faço menos kms a correr de forma seguida, daí a dificuldade em manter durante os 42kms uma corrida constante ainda que para além das 4h.
Aos 32kms sou alcançado pelo colega de Clube Joaquim Gomes, trazia o sonho de baixar das 4 horas nesta sua 3ª Maratona, fica ali um pouco comigo mas rapidamente lhe digo para ir embora senão não conseguia alcançar o seu objectivo pretendido, partiu e eu não consegui manter o seu ritmo. No final estava lá sentado quando cheguei desolado por não ter conseguido, 9 segundos a mais e o sonho de -4 tinha ficado adiado. Para mim os 32 kms foram o sinal que não valeria apena forçar mais e tentar chegar ao fim da maratona o melhor possível, em cada bastecimento estava a beber duas garrafas de água, levei 3 géis e foram todos, não ingeri qualquer produto sólido nas bancas (eles estavam lá mas eu nem os vi) e isso também deve ter contribuído para o estado lastimável que se ia apoderando de mim conforme ia chegando o final da prova.
2010---4,23.15h.
Andei um pouco no empedrado junto ao Castelo do Queijo e depois na subida dos 41 kms, aqui nem o incentivo de um amigo das Lebres do Sado me valeu, mas chegado ao alto desta "rampa" a corrida voltou e foi até ao final daquela interminável recta, aqui ainda ouvia muitos incentivos e lá estava a Flor Madureira que mesmo atrás da sua máquina fotográfica ainda teve tempo de me dar uma forçazinha, obrigado. Penso que em corridas nada há de mais satisfação do que passar o risco de meta e quando a avistamos a emoção toma conta de cada um, são uns metros finais que nos compensam por tantos sacrifícios passados para chegar ali, para mim foi a 14ª mas foi como se fosse a 1ª vez, poderia ser uma rotina mas uma maratona representa sempre uma grande conquista e um grande respeito.
Concluí com 4,13,51h. numa distância que o meu cronómetro marcou de 42,450kms.
No Ano de 2011 conseguira fazer a mesma prova em 4,14,06h. isto é uma diferença de apenas 15 segundos.
A equipa dos amigos do Vale do Silêncio presentes na
Maratona do Porto.
Para o ano vou voltar, a inscrição já foi feita logo no início do evento deste ano, agora que esta edição já acabou direi que mais uma vez fiquei altamente satisfeito pela forma muito profissional como foi conduzida a organização desta Maratona que a exemplo das anteriores não me deixa outra alternativa do que voltar e tentar concluir mais uma num ambiente que não deixa ninguém indiferente.
Segue-se agora os trilhos de Casainhos aqui perto da porta e depois mais um duro desafio, desta vez em Barcelos dia 25 de Novembro.
Como dizia um amigo há dias na Net, numa das suas hilariantes paradas, esta de Barcelos é também para alguns "cagões" (desculpem-me a expressão, que é dele) e como eu me revejo nesses cag.. (intrepertando os seus considerandos) por andar mais lento que os primeiros e como tal não devia andar lá feito impecilho por andar muito e correr pouco, e depois ter a mania de contar pela escrita e pelas fotos os meus feitos (que são pessoais e nada mais) devia ser impedido de participar. É um amigo que estimo e lamento tal opinião, limitarem-me a participação porque não consigo correr toda a prova de montanha ou que não consiga pelo menos metade isso não. Por isso dicidi e porque ainda estava em dúvida participar no Trail de Barcelos, mesmo que me limitem os tempos de passagem como este amigo propôe eu esterei lá para participar, não como cag.. mas porque adoro a Natureza e isso é um bem que não pode ser retirado a um velho atleta que gosta de estar junto daqueles que admira num ambiente onde não pode haver restrições para além daquelas que são mais óbvias, nomeadamente a segurança e a dignidade de todos os intervenientes.
Fotos

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Corrida Do Alto de S.João, Lisboa 21/10/2012

Em fim de semana de pausa em treinos e corridas não dispensei dar uma saltada até ao Alto de S.João junto à Praça Paiva Couceiro para assistir à corrida pedestre promovida pela Junta de Freguesia e apoio de várias entidades locais. Há muito que não assistia a um Grande Prémio onde estivessem os escalões mais baixos, pena haver só provas acima de 800 metros pois afasta muitos miúdos de poderem participar e mostrar as suas capacidades actuais rumo ao  futuro, ainda assim foram muitos os que lá estiveram antes de ter início a prova principal na distância de +- 7.800 metros. Ainda assim assinale-se que nas provas de Trail ou de Montanha já se vai olhando para as faixas mais novas dos nossos atletas, o exemplo deixado pelo Carlos Sá na sua organização do Trail Serra d`Arga em incluir já provas para os mais pequenos dando-lhes desde já uma outra dimensão da corrida e outras opções por forma a que os adultos ao preferirem e aderirem a esses eventos possam arranjar também opções para os seus filhos ou familiares mais novos, complementando-se assim os diversos factores de convívio e lazer por parte de familiares e amigos aos fins de semana.
O nosso Clube AVS tem uma grande diversidade de actividades no seu seio e o Atletismo é uma das suas vertentes mais importante e mais numerosa, contudo ainda não conseguimos chegar aos mais novos, não porque não tivessemos vontade, mas a vida de todos nós não permite que tal seja possível, pelo menos por enquanto.
O chuvisco que caía pela manhã à hora da prova foi bastante amiga dos atletas, principalmente daqueles que iam correr a prova mais longa, e pelo que ouvi estavam todos bastante satisfeitos por o calor não os ter afectado. O percurso era muito acessível nos primeiros 2/terços da prova, mas o último terço era duríssimo levando os atletas a um esforço tremendo para conseguir vencer aquele troço que vai de Xabregas até ao Alto de S.João. Saliento os bons resultados alcançados pelos  atletas dos AVS, principalmente a Susana e o Hugo Adelino 1ª e 3º respectivamente da geral femenina e masculina, bem como do João Inocêncio 4º, do Paulo Póvoa e Tiago Silva.
De resto toda a equipa esteve muito bem, estiveram lá 19 atletas no total e eu limitei-me a ver e a tirar algumas fotos para recordar e ficar na história do Clube e da organização da prova.
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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Meia Maratona da Moita, 14/10/2012


Um apoio importante aos 13kms
Já com os olhos postos na Maratona do Porto no próximo dia 28 de Outubro voltei à estrada depois de estar presente na última Corrida do Avante no passado dia 9 de Setembro. Agora foi a Meia Maratona da Moita no passado dia 14 de Outubro, uma prova que faz parte do meu ciclo de provas de estrada que anualmente são programadas para fazer, a juntar a esta estão: 1º de Maio, S.J. das Lampas, Avante, Olivais e as maratonas do Porto, Lisboa e Sevilha. Raramente sairei deste lote, se o fizer será por alguma motivação especial.
A montanha continuará a ser a minha corrida preferida, pelo menos enquanto puder e sinta que não serei um estorvo para os organizadores das respectivas competições, é lá que sinto de facto o prazer de correr e de estar com a Natureza, por isso continuará a ter a minha prioridade independentemente das dificuldades que cada uma delas possa apresentar.
A meia maratona da Moita estava por isso no caminho para preparar a Maratona do Porto, se bem que seja demasiado pouco para isso, mas de há muito que deixei de treinar especificamente para elas uma vez que as provas de montanha por vezes têm-me ocupado em média 5 h. por cada uma a correr/andar dando-me alguma consistência física e de resistência. Na Moita optei por tentar fazer uma prova para 2,15h. mas desde o início logo percebi que o ritmo iria ser mais elevado, parti lento mas ainda via à minha frente 2 AVSs e acelerei um pouco para me juntar a eles, o que consegui perto dos 2kms, ali segui com o nosso Míster Fernando e o Juca até por volta dos 4kms altura em que percebi que o andamento era demasiado para mim, aproveitei um pequeno conflito com o meu relógio e reduzi para o resolver e a partir daí segui isolado no meu ritmo mais confortável.
Aos 5kms ainda passei com 27m e aos 10kms com 55m, a 2ª parte foi mais difícil e não consegui manter o mesmo nível porque o organismo não correspondeu ao que as pernas ainda tinham para dar, o que considero normal, se treino a 6´ o km não posso depois exigir mais do que isso nas provas, não tive outro remédio do que seguir e aproveitar o melhor que a máquina ia deixando. Nos últimos anos a chegada do 1º atleta à meta na Moita corresponde exactamente com a minha passagem naquele local para os últimos 9kms de prova, sinal de que podia apontar para as duas horas de prova se tudo corresse bem dali para a frente. Pouco depois aos 13kms cruzo-me com o meu neto mais novo, o David, tinha ido fazer a caminhada com a mãe até ao Rosário e estava de volta, o pai já lá ia para a frente a acompanhar o primo Filipe e tal como o Hugo iam a fazer o melhor que podiam, para mim as coisas até seguiam muito bem, via por ali alguns atletas com dificuldades, ora físicos ora por cansaço, e era natural que eu seguisse ainda com uma passada solta respeitando sempre as limitações que o organismo me ia impondo já que a nível de força física isto ia muito bem. Parei para idratar bem aos 15 kms, desta vez não levei qualquer suplemento, confiei na organização já que em todas as edições nunca faltou nada aos atletas a nível de apoio com água, mas como habitualmente corro quase sempre junto aos últimos nunca se sabe quando não seremos surpreendidos com uma situação de falha. O dia até estava bom para correr, céu encoberto, ás vezes com pequenas abertas onde o sol aparecia com alguma agressividade, a chover quando eu seguia por volta dos 8kms, mas que durou pouco e foi uma pena, pois a chover é que a gente se entende.
A subida final a partir de Sarilhos Pequenos foi feita com grande à vontade, aí também iam alguns atletas com dificuldades e iam ficando, a descida até à meta foi feita em velocidade sem dificuldade de maior, sentia algum cansaço geral mas as pernas estavam a corresponder bem, sinal que para o Porto as coisas se estão a compôr podendo eu contar com uma marca até ás 4,15h.
Para esta prova com a distância no meu relógio de 21,240kms gastei 2,01,25h. à média de 5,43m por km.
Até considero muito bom este desempenho, há uma semana tinha feito a Serra d`Arga com 45kms e de extrema dureza, com uma semana de recuperação bem difícil e com algumas dores à mistura.
 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Trail da Serra D´Árga



Desta vez a magia da Serra D´Árga deu lugar à frustação sentida na 1ª Edição do Trail Maratona de 2011, tínhamos então ficado a meio impedidos de prosseguir devido a terrível tempestade que se abatera nesta bonita Serra e que se estenderia depois por todo o país.
Desta vez tudo saíu perfeito, mas ainda assim a noite ameaçou com alguma chuva fazendo perigar a passagem por alguns trechos do percurso, contudo a manhã apareceu com o céu quase limpo e com boa visibilidade sobre a Serra.
Os Amigos do Vale do Silêncio estiveram representados com 3 atletas e ás 8h. da manhã lá estavam na partida em DEM depois de terem pernoitado no Pavilhão colocado à nossa disposição para o efeito.
Esta prova prometia, estavam lá os melhores trailistas portugueses e nós tínhamos fundadas esperanças no nosso colega de equipa Rui Pacheco, embora as caraterísticas da prova apontassem numa 1ª análise para a extrema dureza do percurso face aos 45kms anunciados e para um desnível acumulado de cerca de 5 mil metros era de prever que a sua prestação não seria tarefa fácil, eu e o meu genro Daniel Pinto íamos tentar fazer a prova num nível aceitável, embora fosse eu o que tinha mais pressão já que se demorasse muito a chegar corria o risco de regressar de Expresso.
A Serra começava logo ali junto à partida, 500 metros depois estávamos já em pleno estradão que nos conduziria ao primeiro muro logo a partir do 1º km. Serra acima fomos ultrapassando pedra sobre pedra, terra era coisa que não havia, aqui e ali apareciam alguns tojos e ervas que era aproveitado para pôr os pés para subirmos com mais segurança e facilidade. Aos 3 kms atingi o topo da 1ª Montanha a 715m de altura com 32 minutos de prova a coincidir com o 1º abastecimento de líquidos. Eu levava o Camelback e água suficiente bem com gel e marmelada para tomar quando visse que era necessário, ainda assim parei e bebi 3 copos de água poupando a que levava.
A descida que tínhamos pela frente era acessível e muito bonita, a irregularidade do terrenos na subida dera agora lugar a um passadiço de pedra quase que moldada em autênticas lages planas que nos permitiam descer com ritmo elevado sem recear possíveis quedas desde que ouvesse o máximo de cuidado, foram 5,5kms de constante descida a saltar de pedra em pedra começando desde logo o colossal massacre que a zona muscular e as articulações sofreriam até final da competição. Como é hábito voltei a correr isolado, aqui e ali tinha companhia mas sempre por pouco tempo pois gosto de gerir o meu esforço sem qualquer pressão de ritmos certos.
Depois de novo abastecimento e passagem por locais espectaculares, nomeadamente belíssimas cascatas e pequenos lagos onde se podia observar a àgua cristalina ali existente tão do meu agrado, (até ali ainda não tinha perdido uma única oportunidade de ir bebendo sempre que ela estava acessível) esqueci de levar um copo mas para a próxima não me esquecerei. Aos 11,5kms subo de novo à Serra, desta vez aos 585 metros, esta foi sem dúvida a mais fácil de todas, iniciando desde logo nova descida, ainda e sempre em cima de rochas e pedra até chegar ao ponto mais baixo de toda a prova que se situou aos 108 metros e quando já levava 17kms de prova.
A partir daqui começou o espectáculo do rio, caminhando sempre nas márgens deste rio com algumas incursões pelo seu leito numa paisagem deslumbrante e por vezes passagens algo perigosas mas sempre na presença de água pura e cristalina que eu aproveitava para ir bebiricando sempre que possível. Foi numa destas vezes que dei um trambulhão daqueles, aproximei-me demasiado de uma queda de água onde o musgo nas rochas era muito para ter o prazer de saborear aquela água e zás! escorregaram os 2 pés ao mesmo tempo e fiquei estendido ao comprido de costas em cima da rocha, estavam ali os bombeiros de prevenção a dois passos e socorreram-me logo, não me feri mas fiquei com uma dorzita no cotovêlo que não me importunou até final da prova. Segui ainda mais algum tempo por ali no rio, sempre com o máximo de cuidado mas com pena de mais à frente ter de o deixar, o sol já começava a aquecer o meio ambiente e ter aquela água por perto era espectacular.
A povoação onde terminámos o ano passado devido à tempestade já estava perto, antes de lá chegar ainda andámos um pouco no alcatrão, olhei para trás e não via ninguém mas sabia que ainda vinha muita gente lá para trás, tão pouco via também os participantes dos 20kms que partiram duas horas depois de mim mas que sabia estarem já por ali perto, finalmente chego lá com 3,33h, aproveito o abastecimento líquido e sólido e parto à conquista de novo muro, este condizia com o ponto mais alto da Serra Dárga 814 metros e onde o nariz quase batia nos joelhos de forma permanente durante quase toda a escalada, para minha satisfação via aparecer quase em toda a Serra  nascentes de água que se ia juntando até perfazer pequenos riachos que me permitiam de vez em quando beber alguma dela. 
A subida manteve-se sempre duríssima e como levava os apoios tinha mais facilidade enquanto ao mesmo tempo ia poupando um pouco as forças, via outros atletas em grande dificuldade, o meu ritmo ainda era bom a subir enquanto via os outros a ficarem, no alto encontramos uma pequena transição que nos permite descansar um pouco, é aqui que se encontram os animais pastando em total liberdade, a água é imensa pois existem nascentes por todo o lado, a verdura e o pasto é muito bonito, é um autêntico prado de verdura e parecia que estávamos no paraíso, em contraste toda a Serra que vínhamos palmilhando quase que não existe uma árvore, apenas tojos e outros arbustos de pequena dimensão e muita pedra e rocha.
Passado este pequeno Oásis continuamos a subir ao ponto mais alto, de novo pedra e rochas, onde podemos observar ao longe tudo o que nos rodeia, vi a Foz do Minho e Vila Praia de Âncora ali à beira do Oceano de entre muitas outrs coisas, marcava ali o meu relógio precisamente os 25kms com 4,45h. de prova. Começava aqui a mais brutal descida desta competição, para além da continuação da pedra e rocha onde apenas corremos aos saltos, o desnível foi tremendo e permanente dos 815m para 390m em apenas 2,5kms, escusado será dizer que as articulações já não têm ponta por onde se pegue, valeu-nos ali uma pequena folga quase em plano que nos levou até ao abastecimento seguinte dos 29kms e com 6h. de prova até então. Quando ali cheguei vi muitos atletas por ali sentados, não cheguei a perceber se estavam a descansar se estavam para desistir, alguns já tinham tirado os "apetrechos" e fiquei com a ideia de terem desistido, era rapaziada nova na sua maioria mas não me admirei muito, talvez a resposta estivesse ali mesmo à vista, é que íamos iniciar uma das mais difíceis subidas deste Trail, não em termos de altitude mas de inclinação, subimos 400m em apenas 2kms (dos 29kms até aos 31kms), brutal, é nesta subida que encontro a Otília, tinha parado para descansar um pouco, depois segui por ali acima saltando de pedra em pedra com a ajuda dos apoios, encontro de novo mais uma nascente já quase no alto de Serra e aproveito para beber, a água saía de um tubo que a estava a captar sei lá de onde, estava fresquinha e isso é que importava, finalmente chego ao alto olho para baixo e vejo a Otília quase a chegar, ela é uma resistente e nada a faz dobrar.
Dali do alto inicío nova descida, em alguns pontos bastante brusca, até aos 36kms onde estava mais um super abastecimento e que marcava ao mesmo tempo a eleminação da prova para quem lá chegasse com mais de 8,5h. mas eu levava uma boa folga com as 6,57h de prova até então e estava descansado. Encontro aqui o João Meixedo, aquele grande amigo lá do norte, tinha-se enganado no percurso e perdeu algum tempo, deviam ir na "paródia e destraíram-se, só pode ser. Parti com ele e outros  para atacar mais uma Serra a 718m de altitude , não se pode dizer que fosse muito difícil mas era longa e os cuidados eram muitos porque nunca víamos o topo das montanhas e íamos sempre desconfiados.
Mal atingimos o topo desta Serra nova descida muito pronunciada e perigosa que nos levaria a um pequeno riacho e logo de seguida outra subida brutal, curta mas dura como cornos, foi a meio que tive a 1ª câimbra, a coxa esqueda agarrou e senti fortes dores que me fizeram parar de imediato, tinha 40kms percorridos e ainda faltavam 5kms muito duros, passado cerca de 2 minutos verifico que a dor passou e dou alguns passos para continuar a escalada e a perna aguenta-se, logo depois apanhamos um estradão e cruzamos a linha da nossa 1º passagem por aquele local aos 12kms.
Para nossa surpresa e quando já esperámos que a última subida fosse mais suave face ao estradão que víamos à nossa frente somos conduzidos para nova parede, dizia um elemento da organização que ali estava que era um muro de 500 (expressão dele) e depois mais 800 metros até à descida final, olhei para cima e assustei-me mas, como é que eu vou subir aquilo? lá bem no alto via alguém, isto é, via os pés de alguém porque o resto do corpo não se via tal era a inclinação, mas tenho de subir não há outra epótese, rochas e mais rochas, as pernas e os braços já doem, chego a meio e olho para trás e vejo a Otília a aproximar-se de novo, não espero porque sei que ela vem melhor do que eu e não tarda está ao pé de mim, chego ao topo e posso finalmente respirar um pouco, estava de novo a 730 metros de altitude e aproximava-se o último abastecimento no alto da serra a 3 kms da meta, chego ali na companhia da Otília e inicio na sua companhia a descida final que correspondia à nossa 1º subida no início da prova, os joelhos e os pés já não aguentam a descida a correr, aquilo era feito aos saltos, vejo a minha companhia abalar sem poder acompanhá-la, páro para tirar algumas pedras de um dos sapatos, mal me sento os gémeos agarraram, levanto-me de novo e volto a tentar mas desta vez são os pés com câimbras volto a levantar e consigo nesta posição tirar o sapato, não que os gémeos não voltassem a agarrar, consigo resolver o problema e ensaio novamente a corrida, ali já tinha regressado ao estradão inicial e estava no último km, corro agora mais animado já me dizem que a meta estava ali a seguir à curva, começo a ouvir emocionado as palmas de quem estava ali a assistir à nossa chegada, vejo a meta e páro após passar a linha, fico um pouco aparvalhado porque fico sem saber para onde ir, nisto vejo o Carlos Sá a meu lado a bater-me no ombro para me dar o prémio de Finisher, um Pólo sem manga, que por ser pequeno não me serve. Não o vou guardar, vai direitinho para o meu neto mais velho, se o quizer, claro!
Ao fim de 8,48h. terminava esta minha Odisseia numa distância que até nem é muito extensa, 44,750kms, mas que a nível de dureza não deixa saudades
Logo de seguida chega o Rui e o Danielao pé de mim, já tínham tomado banho, o Rui tinha efectuado uma prova espectacular, ficou em 6º da geral e 3º do escalão sénior, foi novamente traído pelas câimbras perto dos 40 kms quando seguia em 3º lugar da geral mas não tardará muito que o nosso Trail não conte com mais um elemento de grande valor. O Daniel também fez uma prova espectacular, considerando até a irregularidade dos seus treinos e também das provas em que tem participado, é rijo quanto baste.
Uma palavra para alguns aspectos que me pareceram menos bons, muitos atletas participaram na Maratona sem cumprirem o regulamento obrigatório transportando consigo os materiais de sobrevivência indispensáveis, a ausência de qualquer controlo por parte da organização facilitou esse incumprimento prejudicando outros que em competição saíram claramente prejudicados, é uma situação a rever pois não se pode estar a regulamentar e depois não se dar cumprimento.
Não seria despropositado que à nossa chegada ouvesse um abastecimento suplementar de líquidos e sólidos, chegamos ali desidratados e sabia bem ali um reforço que nos animasse um pouco.
Por fim e isto já começa a ser banal, chego tarde a a más horas ao almoço mas aqui a responsabilidade é minha, a massada tinha acabado e tenho de esperar, não é problema espero, vou buscar uma bebida para acompanhar o almoço e a cerveja tinha acabado, vinho não sei se ouve o certo é que não havia, a água que estava no jarro ficou lá. É muito pouco e os últimos devem ser apoiados como foram os primeiros.
Uma palavra ao Carlos Sá pela enorme simpatia que teve para com todos os atletas durante todo o evento mas principalmente pela sua presença na Meta ao esperar todos os atletas do 1º ao último a chegar e dar a todos pessoalmente o prémio que merecidamente conquistaram, foram muitas horas aguardando que um após outro fosse chegando e sempre com uma palavra de simpatia para todos. A todos os que estiveram no terreno a ajudar o meu obrigado pelo excelente trabalho desenvolvido.
Classificações

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Serra D Árga, faltam apenas 4 dias!!!

Serra Dárga,

Quando partimos em 2011 já víamos ao longe a terrível tempestade que nos esperava, mas partimos dicididos e determinados, ou não fosse esse o espírito que acompanha todos os trailers, a par dessa determinação existe também o grande espírito de aventura e superação onde não existem obstáculos que não tenham de ser vencidos. A Serra Dárga é e será dura de roer mas quem partir no próximo Domingo vai com o sentido de vencer aquela que será sem dúvida a que subirá mais em acumulado numa prova jamais realizada em Portugal, poderá não ser a mais difícil e onde se correm maiores riscos de quedas aparatosas e perigosas (vamos ver) mas é uma prova que suscita grande curiosodade para todos nós.
Os limites impostos de tempo de passagem creio que são acessíveis, assim as condições climatéricas o permitam e estou certo que todos sairemos de lá com a satisfação de mais um desafio vencido, e dos grandes.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Trail do Grande Lago, Alqueva

Trail do Grande Lago, Alqueva
A equipa de Trail dos Amigos do Vale do Silêncio
Estava a ver que se repetia o mesmo que há um ano no Trail Serra Dárga com o violento temporal a chegar de novo no dia da prova e depois de uma prolongada temporada de canícola. Daquela vez a Organização viu-se forçada a interronper a prova quando ela ia mais ou menos a meio, desta vez felizmente deu para percorrer aquele magnífico trajecto, não sem que tivéssemos levado com uma tromba de água durante quase toda a prova, alturas ouve que os trovões e raios me preocuparam um pouco, levava os bastões de alumínio e não sabia até que ponto não poderiam atrair o perigo até mim, fora isto e aquela chuva a cair com aquela dureza para mim foi espectacular, o vento era quase nulo e apesar da intensidade da chuva sentia-se o ar abafado, sinal de que o sol continuava abrasador e influenciava o meio ambiente onde nos encontrávamos. Há um ano tínhamos tido um calor tórrido a rondar os 40º levando a muitas desistências e a causar imensos problemas a quem conseguiu concluir, da  minha parte prefiro a chuva ainda que em alguns locais dos infindáveis estradões que temos de percorrer existissem autênticos lagos que atravessei a eito e sem preocupação de molhar os pés (para os arrefecer porque molhados já eles iam). Quando partimos ainda não chovia mas passados poucos minutos caía torrencialmente, levava os bastões porque conhecia o percurso das duas edições anteriores e estava confiante numa boa prova para isso contribuía não só a manhã fresca mas também o facto de desta vez estar um pouco melhor preparado, não me preocupei com o ritmo nem com aqueles que por ali estavam do meu escalão, era apenas para correr sempre de forma confortável, para isso fiz o que custume fazer, correr em solitário e com a ajuda dos bastões. Muitos devem ter estranhado que numa prova daquelas levar os bastões mas por certo durante a prova devem ter percebido porquê, não raras vezes me pediam (na brincadeira, claro) para lhes emprestar pelo menos um dos bastões, achava que tinha feito uma boa opção, não que aquilo tivesse grandes dificuldades mas sim porque tinha muitas pequenas dificuldades, conseguia correr mesmo nas subidas mais difíceis mas para isso também é preciso alguma técnica (para isso servem os treinos).
O Rui Pacheco a receber o Troféu como vencedor Sénior
Encontrava-me agora em pela corrida, já não havia muitos atletas atrás de mim quando atingi os 10kms de corrida, a chuva torrencial não parava olhei o relógio e marcava 1,02h. sentia-me muito bem e ainda sem forçar nada mas também sabia que a próxima dezena de kms levaria muito mais tempo a ultrapassar, Amieira estava próximo e era a partir dali que aquilo ia começar a doer. Os 15kms foram ultrapassados sempre em passo de corrida, apenas tinha parado no 2º abastecimento para beber água e comer uns quartitos de marmelada mas a partir do 15º kms comecei a poupar o esforço nas subidas que embora correndo fazia-o muito devagar e assim poupava um pouco as pernas. É aqui que começo a sentir dor nas costas na zona onde se fixava o camalbeck na parte de baixo, de tanto roçar aquilo já estava em ferida na região dos rins de uma ponta à outra, a única solução era deitar aquilo fora mas preferi seguir com ele e ter a garantia que a água não me iria faltar. Os 20 kms são alcançados com 2,16h. mais 14m que os primeiros 10kms tal como previra devido ás dificuldades acrescidas que o percurso nos oferecia, para trás tinha ficado uma pequena alteração no percurso de edições anteriores, creio que veio melhorar o anterior, um pouco mais de dureza na subida mas mais bonito de transpôr, levou-nos ao ribeiro e durante algumas centenas de metros percorremos o seu leito até que subimos pouco depois ao alto da serra onde estava o abastecimento dos 22kms. Pouco depois encontro em pleno estradão uma Cabra doente e caída no chão, pela sua posição e pelo ténuo berro que ia soltando indiciava que já não teria muito tempo de vida, mas chocou-me por nada poder fazer e a chuva continuava a cair...
Amigos do Vale do Silêncio, vencedor colectivo
Nesta altura há muito que os meus companheiros de Clube seguiam lá bem na frente, eu era o último e não vira até ali nunhum deles, sinal que tudo seguia bem, ia-me lembrando da minha filha Susana que também lá ia sabe-se lá como, os treinos que conseguiu realizar eram insuficientes para aquilo e só a sua força de vontade em fazer a prova é que deram o impulso final para partir e chegar, por isso estava tranquilo na minha marcha até final e apenas tinha de me preocupar em os seguir e chegar onde eles chegaram.
Atinjo os 30kms com 3,46h e começo a acreditar numa marca bem inferior há do ano passado (4,45h.), continuo a estar muito bem embora me senti um pouco cansado e com as costas em estado lastimável (o camalbeck tem os dias contados) mas em contra partida não sentia dores musculares nem os joelhos me incomodaram daí ter feito muito bem a descida final entre os 29/31kms) , coisa que no ano anterior não tinha sido capaz. Após o último abastecimento penei a bom penar para percorrer aquele estradão de gravilha preta sempre a subir ainda que ligeiramente, era curva e mais curva até que após uma pequena subida vemos aparecer finalmente os acessos ao local de chegada, sempre a subir para não variar.
Com a minha chegada marcava o relógio: 35,220kms com a marca de 4,21,11h. (Oficialmente foi-me atribuído a marca de 4,22,09h. ??), 24 minutos a menos que o ano anterior, a diferença entre o calor de então e a chuva de agora, creio eu.
Os meus rapazes e pais do meu neto David
Envio por aqui um bravo a todos os membros da minha equipa Amigos do Vale do Silêncio, em especial ao Rui Pacheco pelo seu 1º lugar no escalão de séniores e pelo 4º lugar da classificação geral que desta forma contribuiu decisivamente para a vitória colectiva que o nosso Clube alcançou.
Para a organização vai também uma palavra de simpatia e parabéns pela excelência como destribuiu os abastecimentos e toda a logística colocada à nossa disposição para a efectivação da prova.
Esperamos e desejamos que na próxima edição a cerimónia de destribuição dos prémios seja feita com mais celeridade, poupando assim os atletas a uma longa espera e em simultâneo a participação de mais atletas evitando-se assim a ausência de muitos no pódio para receber o seu prémio.
Daqui a duas semanas teremos pela frente uma das provas mais duras e bonitas do nosso calendário de Trail, a Serra Dárga em Caminha, serão 45kms de Montanha com 5 mil metros de desnível positivo, depois da Freita com mais de 4 mil de desnível realizada a 30 de Junho deste ano esta será aquela onde as dificuldades também serão tremendas, resta saber se será mais suave ou não, dia 7 de Outubro já saberemos. Classificações
Fotos da Cerimónia entrega de prémios

domingo, 16 de setembro de 2012

Corrida da Festa do Avante, 9 de Setembro de 2012

Depois de S.J.das Lampas a Corrida da Festa do Avante realizada no passado dia 9 de Setembro completou o ciclo de provas de estrada que previra até final de Setembro, apenas 4, incluindo aqui as que faltam assinalar como a Maratona de Sevilha em Fevereiro e a Corrida do 1º de Maio.
São 4 provas que dificilmente deixo para trás até pelo carisma e significado que têm para mim, até final do ano terei mais 5 ou 6 para fazer em estrada, incluíndo aqui as maratonas de Porto e Lisboa e ainda as Meias Maratonas da Moita e Nazaré. Dicididamente a montanha e as provas de trail enraizaram e é em torno delas que realizo esta ambição de correr e de andar independentemente da distância e das dificuldades acumuladas que cada uma encerra, tem sido assim e assim vai continuar.
Como era previsível a Corrida da Festa do Avante acabou por ser aquilo que pretendia: participar, quer na Corrida quer depois na Festa. Tendo em conta que na véspera, apenas 12 h. antes, tinha participado na Meia Maratona de S.J.das Lampas esta prova tinha mesmo de ser feita com muita prudência e num ritmo que me permitisse descansar um pouco, para isso parti na cauda do pelotão na companhia do clâ Dinis de Sousa na esperança que o ritmo fosse a condizer com as minhas necessidades, depressa concluí que não iria ser assim, partimos no fundo mas rapidamente começámos a ultrapassar muitos atletas, sinal que aquilo ia piorar lá mais para o fim da prova.
Quando virámos até nem vinha muita gente atrás de nós mas a partir dali a coisa começou a apertar mais e rapidamente atingimos os 10kms com 58,45m., estava demasiado rápido para mim, a média de 6´era a ideal mas depressa concluí que o ritmo estava lançado e não era agora que ia mudar, coloquei-me junto à frente do grupo para contribuir que o ritmo se mantivesse até final da prova, creio que pelo resultado final 11,500kms de distância correspondendo a 1,06,11h. o ritmo foi excelente mas deixou-me algo cansado pois durante toda a semana o corpo teve dificuldades em recuperar deste acumulado de esforço do fim de semana.
Dou os meus parabéns aos meus amigos do Clube do Vale do Silêncio pelo seu empenho e pelo seu esforço tendo obtido o honroso 7º lugar colectivo.
Parabéns também para a Organização da prova, lamentado eu aqui mais uma vez que se "permitisse" a entrada no funil de chegada de pessoas que não fizeram a corrida e oportunisticamente obtiveram uma t,shirt e entrada gratuita na Festa em desfavor de outros que a tendo concluído não a receberam por se terem esgotado. Lamentável e a merecer mais vigilância e controlo em próximas edições.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Meia Maratona de S.J.das Lampas


A maior satisfação que tive nesta minha participação na Meia Maratonsa de S.J.das Lampas foi no final ouvir do Fernando Andrade que tinham terminado a prova 529 atletas. É um número de atletas espectacular, lembro-me que em muitos anos os números raramente ultrapassaram as 300 pessoas e nem foi isso que por um segundo sequer se pensou em desistir, hoje estamos na 36ª Edição e aí estão os resultados, S.J.das Lampas difinitivamente deixou de ser um papão de dificuldades anunciadas e passou a ser uma prova apreciada e ao mesmo tempo elogiada, quer pelo espectacular traçado quer pela excelente organização e carinho com que todos são recebidos e tratados.
Depois saliento também o caracter envolvente  em que me empenhei em conjunto com um grupo de amigos que de uma forma ou de outra têm contribuído com a sua envolvência num verdadeiro estado de espírito saudável de amizade que a mim pessoalmente me deixa imprecionado, por modestamente fazer parte desse grupo dicidi integrar a caravana a que foi dado o simpático nome de TGV, não com o sentido de mostrar os galões mas sim porque estava na presença de amigos e saber que uma prova com aquelas dimensões e algo pesada poderia ser ultrapassada com menores dificuldades com algum divertimento e distração de permeio.
Claro que o compromisso era relativo, mas mesmo assim se conseguiu uma união de esforços até perto dos 15 kms, altura em que o António Pinho começou a quebrar, antes já tinha abalado o Jorge Branco, aos 5 kms envolveu-se com aquela subida de tal maneira que quando chegou aos 6kms já levava algum avanço, ainda balouçou algumas vezes na estrada (vêm não vêm?) até que dicidiu partir para não mais o vermos, o Rui dicide ficar na meta aos 13kms e acho que fez muito bem, na próxima não vai ter a mesma sorte terá que ir conosco até ao fim. A partir dos 10 kms começo a sentir a necessidade de soltar um pouco e aproveito algumas subidas para forçar um pouco até ao alto para pouco depois retornar ao seio do grupo que se mantinha fiel desde o início. Aos 15kms já só ia eu, o Carlos Coelho e a Ana Pereira, tinha ficado um pouco para trás para trazer o Pinto mas logo me incentivou a seguir e assim fiz, perto dos 16kms consigo encostar de novo à Ana e ao Carlos mas o andamento já estava a ficar mais solto e forte, sentia-se que a Ana Pereira estava forte e queria testar a sua capacidade de sacrifício a partir dali. 
O Carlos diz-me que já está com dificuldades em continuar e para levar a Ana, à nossa frente seguiam duas atletas e começou logo ali a ser o nosso alvo, vou para a frente e moderadamento começo a forçar o andamento, vou olhando pelo canto do olho e vejo que a Ana consegue acompanhar, pouco depois alcançamos as duas atletas e encetamos a perseguição a outras que se avistavam já no nosso horizonte, o ritmo já era forte, tínhamos partido com o objectivo de fazer as 2,30h. com média prevista de 7m, nesta altura o ritmo já baixara dos 6m e numa fase em que apenas faltavam 4 kms para acabar, sentia-me solto e sentia-me satisfeito por a Ana conseguir palmilhar aqueles kms finais com grande determinação e querer cortando a meta com uma satisfação enorme pelo à vontade com que o fez. Nos últimos 6kms retirámos 8m ao resultado final previsto que era de 2,30h, tendo o nosso cronómetro marcado 2,22,11h. Com as voltinhas do vai e vem ainda percorri 21,560kms.
Tive ainda a agradável companhia da minha filhota que quis conhecer esta prova e participar nela, embora inicialmente estivesse prevista a sua participação no TGV ela optou por seguir à procura da aventura pois sabia das dificuldades que aquilo tinha e dicidiu descobrir isso sozinha, acho que fez bem, conseguiu ainda, apesar de algumas limitação nos treinos, alcançar o 5º lugar no seu escalão de séniores conquistando um bonito troféu.
A organização como sempre esteve bem, os atletas já estão habituados e conhecem todos os rituais do princípio a fim e não precisam  de mais nada do que aquilo que conhecem, eles sabem que as coisas estão lá, 3 abastecimentos, diversos tanques e chuveiros que permitem ir refrescando o corpo durante a prova e no final a recepção onde não falta a melancia e outros produtos a condizer. O tempo esteve excelente como poucas vezes vejo, sol encoberto e alguma brisa a ajudar.
Agradeço aos autores das fotos a amabilidade da sua cedência

domingo, 2 de setembro de 2012

Trail Noturno Vale de Barris, Palmela

O regresso após uma curta pausa mais uma vez em Vale de Barris, Palmela, é já considerado um ponto de referência numa espécie de início de época, sim porque se não fosse essa curta pausa isto tinha ido de seguida e ficaria sem saber quando foi o início e muito menos quando seria o fim. Desde o dia 4 de Agosto (Ultra Trail de Óbidos) que vinha a repousar, fiz entretanto 10 treinos ligeiros e de curta duração e 0 de provas e por isso não sabia como iria correr a prova de hoje na Noturna da Arrábida organizada pela simpática Colectividade das Lebres do Sado que escolheu Vale de Barris como Sede do evento e que teve como de custume as faldas da Serra da Arrábida como cenário.
Não foram criados muitos problemas aos corredores no traçado que nos ofereceram, evitou-se os single tracks e os trilhos e estradões por onde passámos estavam em muito bom estado, o que diga-se como convém para início de época para muitos dos que lá estiveram, a altimetria também foi dada em dose aceitável, apenas 468 metros de acumulado positivo  foi o suficiente para começarmos a sentir já a adrenalina para o que aí vem até ao fim do ano.
A noite estava espectacular, sem vento e o ambiente sentia-se um pouco abafado, levei a minha camelback e um litro de água, sabia que ia haver um abastecimento de água aos 6 kms e que depois só haveria mais apoio quando chegássemos à meta, o que diga-se era demasiado considerando a noite que estava perante nós. Por isso me fez alguma confusão ver a maioria dos atletas sem qualquer abastecimento numa prova que sendo de Trail arrasta sempre dificuldades acrescidas a que devemos dar maior atenção, acrescente-se ainda que devido à ausência de chuva a passagem dos atletas por aqueles estradões e trilhos levantavam autênticas núvens de pó levando a que alguns de nós em pouco tempo ficassemos com algumas dificuldades respiratórias exactamente devido à ausência de transporte de água que imprudentemente a maioria deles negligenciou.
Como sempre acontece mais uma vez corri isolado, aqui e ali juntava-me a um grupo que seguia à minha frente sempre que a dificuldade do percurso impunham maiores cuidados, mas logo que as condições melhoravam voltava a ficar só, não que não pudesse ir mas porque queria fazer aquilo confortável, o percurso era excelente para se correr, nas subidas mais íngremes aproveitava para andar e repousar um pouco, desta vez não levava os apoios e em nenhuma ocasião me arrependi, a luz do meu frontal desta vez esteve melhor e isso permitiu que fizesse uma corrida muito mais segura, os ténis também foram os adequados pois levei os da pesada e assim consegui passar as dificuldades maiores sem tropeçar, escorrergar e muito menos torcer os pés (o que acontece com mais frequência), à minha frente seguiam atletas que corriam com ténis de estrada, constantemente iam aos tropeções e nalguns casos sucediam-se as quedas, ou por obstáculos um pouco mais elevados ou por escorregadelas devido à falta de cuidado e inesperiência ou ainda devido à inclinação acentuada em algumas partes do percurso.
Quando passei pelo abastecimento líquido não parei, ainda tinha muita água comigo mas foi visível verificar que muitos atletas tiveram de se dissedentar com mais profundidade por forma a que conseguissem ultrapassar o restante do percurso já que não haveria mais qualquer abastecimento, aliás esta informação constava do Regulamento e estávamos todos avisados que assim seria.
O percurso para a parte final era já meu conhecido mas confesso que andei por ali perdido em relação ao Norte, via à minha direita um imenso casario mas não sabia se aquilo era na parte Sul ou da parte Norte da Serra, seria Setúbal? ou os bairros a norte? não via Tróia e isso ainda criou mais dificuldades, mas como as marcações do percurso estavam muito bem feitas e visíveis através de fitas luminosas ia descansado pois sabia que eles iriam conduzir-me até chegar à meta. Contudo ainda apanhei um susto, o frontal abriu e fiquei sem luz, por sorte nenhuma das pilhas chegou a cair, sem luz não vemos os pontos luminosos flurescentes e seria um pesadêlo se isso acontecesse, depois de resolver o problema segui mas com o pensamento agora mais preocupado por causa deste pormenor.
A parte final do percurso a partir dos 12 kms é em alcatrão e estradões e quase sempre a descer até Vale de Barris onde estava a meta, por isso e porque me sentia muito bem embalei, o organismo suportou bem o esforço, as pernas obedeceram sempre e na descida as articulações responderam bem, creio que isto estará no caminho certo com vista ao Ultra Trail da Serra D´arga em Outubro e o que aí vem até lá será feito de forma progressiva em kms e em esforço.
No final o cronómetro marcava 1,53,55h. para os 14,990 kms do percurso, média de 7,36m por km. 
No final foi servida uma apetitosa sopa de caldo verde onde não faltou algumas rodelas de um apetitoso chouriço, uma sandes com chouriço assado e um excelente vinho a acompanhar.
Parabéns a toda a Organização pela excelente prova e apoio que nos ofereceram, como aliás é habitual.

domingo, 5 de agosto de 2012

Ultra Trail Noturno de Lagoa de Óbidos, 2012

4ª Edição do Ultra Trail Lagoa de Óbidos concluída com êxito
Óbidos veio pôr termo a esta primeira fase de provas que previa no meu calendário para este ano de 2012, ainda falta muito para concluir até ao fim do ano, com duas maratonas de estrada ainda por fazer (Porto e Lisboa) e o Ultra Trail da Serra D,Arga em Caminha, de permeio ainda existem duas meias maratonas e algumas provas mais "pequenas" para concluir. Atingi já os 589 kms nesta 1ª fase no conjunto de todas as provas realizadas em 2012, tendo ficado por realizar 3 das provas programadas que por motivos de saúde não foi possível concretizar, (no total de 87kms)
O Ultra Trail Noturno de Óbidos aparece assim para concluir esta fase, segue-se agora duas semanas de descanso total para voltar nas duas últimas semanas deste mês para preparar para já a Noturna na Serra da Arrábida no dia 1 de Setembro e logo de seguida a Meia Maratona de S.J. das Lampas (8 de Setembro) e a Corrida da Festa do Avante (9 de Setembro).
Este Ultra Trail Noturno de Óbidos tem pouca história a não ser a que a envolve, uma excelente organização que para além da logística com bons abastecimentos em locais cruciais consegue sempre inovar alguma coisa no trajecto do percurso fazendo-nos quebrar alguma monotonia que por vezes se apodera de nós já que se trata de uma prova onde se pode correr quase sempre.
Outro aspecto que também muito me agradou foi a presença da minha filha Susana que estando ainda numa fase de preparação bastante atrasada não deixou de estar presente com a sua participação na prova de 26kms. Igualmente de salientar a presença de mais 2 atletas do meu Clube (Amigos do Vale do Silência) na Ultra Maratona o Daniel Pinto (meu Genro) e o Rui Pachego, sendo a 1ª vez que concluímos a prova com 3 atletas.
A minha prova foi a possível onde a partir dos 25kms, a condizer com o aparecimento da praia da Foz do Arelho e das Dunas que nos levaram para sul, as dificuldades começaram a aparecer, primeiro foram os pés que começaram a ficar muito duridos em resultado do piso irregular e muito duro em alguns locais, depois tive de enfrentar algum desconforto nas ancas (penso que devido à Ultra de Melides/Tróia) e finalmente as pernas também já acusavam algum cansaço. 
A prova tinha tido início ás 21h, já com a noite ali à beira da esquina, por isso parti logo com o frontal aceso, o que foi um erro, pois não tardou muito que fiquei com uma luz muito fraquinha até final da prova, vi e abracei muitos amigos, entre os quais estava o José Xavier, emigrante na Holanda, que aproveitando as suas férias quis estar presente no TNLÓ, o Vitorino Coragem e o José Morgado que recentemente estiveram no Hhumilak de 166kms no País Basco, aliás, na fase mais crítica da prova tive o prazer de correr a seu lado e o Luís Miguel (o tigre) que tinha tomado a iniciativa durante a semana de me convidar a fazer a prova com ele tendo honrado esse compromisso do 1º ao último metro da prova ao ponto de termos cortado a linha de chegada abraçados em mútuo reconhecimento pela colaboração em toda a prova. Lá estava também a Otília e o Brito bem como o Luís Mota  e a Suzi, o Mário Lima e tantos outros. Para a Otíla tenho uma palavra de simpatia por ter dado um apoio extraordinário à minha filha Susana, nunca a tendo deixado para trás em alturas de estrema dificuldade em que ela se encontrava e também para o Brito pois tive conhecimento que após terminar a sua prova teve um momento de indisposição mas que rápidamente recuperou.
Para a organização deixo também uma palavra de agradecimento pelos motivos que conhecem e também pela forma como cunduziram toda a Organização desta excelente prova, garantindo desde já que para o ano lá estarei para vos visitar de novo.
O meu registo na prova contabilizou 50,050kms com o tempo de 8,13, 51h. à média de 10,03m por km.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Ultra Maratona da Areia Melides Tróia

Para a próxima já vai correr a meu lado
Esta edição da Ultra Maratona de Melides a Tróia ontem realizada tinha tudo para eu conseguir fazer finalmente uma prova onde não encontrasse nada de relevante a que obstasse  a que fosse bem conseguida, mas isso nós nunca vamos conseguir saber sem partir e conhecê-la por dentro, podemos estar muito bem, com a moral altíssima, com a temperatura ambiente excelente, tudo é imprevisível por isso para a maioria de nós as respostas começam a aparecer logo que começamos a dar as primeiras passadas, para outros, iludidos pela esperança de bons resultados aventuram~se à procura da sua sorte mas rapidamente tomam consciência da dura realidade sobre o que representa uma prova duríssima como aquela.
Descobrir que uma prova para ser dura não precisa de andar a correr por vales e montanhas basta participar nesta prova, ali encontra tudo: areia seca e solta mas também molhada e mais consistente, plano inclinado sempre para o lado esquerdo, sol abrasador, vento de Norte (desta vez arrastanto consigo o calor sufocante), auto-suficiência de líquidos (até aos 28,5kms) e sólidos para todo o trajecto de 43kms é, diga-se pôr à prova a resistência humana, é por isso que muitos são traídos pelo seu voluntarismo e muito cedo tomam consciência que as coisas não são tão fáceis como parecem. Esta prova está a crescer tendo 365 atletas terminado este ano, muitos deles provavelmente nem sequer leram os regulamentos e por isso desconheciam, ou não tomaram as devidas previdências sobre os avisos e as restrições que a Organização foi lançando durante a preparação da prova. Foi triste ir vendo de vez em quando lixo, muito lixo, pela praia fora: garrafas de plástico e pacotes de gel vazios eram deixados naquele extenso e bonito areal que compôe toda a costa de Melides a Tróia, resta-me a esperança que quem emporcalhou aquilo faça um exame de consciência e perceber que não está a fazer uma prova de estrada onde tudo é permitido, este espaço é de jurisdição marítima e tal como na montanha temos de o preservar sob pena de num futuro próximo ser-nos interditada.
Tal como previa esta prova para mim foi um suplício, desde a partida vi logo que aquilo ia doer, levei 4 gels e 4 nugats para comer e 2 litros de água (meio litro ia numa farrafa), havia quem levasse bananas, maçãs, sandes, bolos e muitas outras coisas, mas eu achei que era suficiente o que levava para ir enganando o estõmago ao longo da viagem, levava ainda os ténis pendurados no camelback pois optara por correr novamente com meias neoprene. Logo que partimos optei por correr na areia seca e solta e evitei aproximar-me da água, as neoprene são muito eficazes na areia mas quando fazem incursão pela água vão enchendo até que de vez em quando tenho de me deitar, levantar a perna e esvaziar a água, fui durante os primeiros kms ali por cima mas depois comecei a observar que quase todos os outros andavam lá por baixo e aproximei-me, vi então a autêntica auto-estrada que a maré quase vazia nos oferecia, nem exitei pois nunca tinha visto nas edições anteriores que participei tão boas condições para correr. Nesta fase já tinha a confirmação que não podia esperar muito do meu desempenho, algo de estranho se passava, as pernas estavam bem mas não recebiam do restante organismo o correspondente impulso, arrastava-me e com uma pista daquelas as coisas deveriam ser diferentes, o meu pensamento levava-me a Portalegre e à Freita e a outras de menor dimensão mas que foram acumulando algum esforço dispendido e também algum cansaço, na Freita caí pelo menos 10 vezes, em duas delas deixaram mossa que me impuseram cerca de 3 semanas quase sem treinar, por isso não era de estranhar as dificuldades que já ia sentindo quando cheguei ao 1º posto de controlo, estavam decorridos 5,5kms de prova com o tempo de 43m, nada mau mesmo assim, mas eu sabia que lá mais para a frente isto iria piorar. Alcanço o Carlos Coelho e deixo-me ir ali com ele algum tempo, é então que começo a perceber que tinha de enfrentar a realidade e vejo-o ir embora novamente e decido meter um ritmo muito lento de forma aque consiga chegar dentro do horário limite imposto pela organização. Aos 20 kms tenho já gasto 3,02h, estava razoável e estava a beneficiar com as boas condições na areia que se mantinham e se prolongariam até ao Carvalhal, local onde assinalava os 28,5km e se encontrava o 1º e único abastecimento do percurso (só um litro de água por atleta), cheguei aqui com 4,02h e já tinha ultrapassado de novo o Carlos que vinha já em grandes dificuldades.
Descansei durante 10m, neste meio tempo atestei o camelback com 1 litro de água que me deram, tirei as neoprene (os pés começavam a ficar duridos por baixo) e calcei as meias de compressão e os ténis que levava ás costas, a diferença foi notória pois os pés ficaram mais confortáveis mas mesmo assim acho que fiz uma boa opção, já por ali via muitos a transportar os ténis nas mãos e a correrem descalços. Depois parti novamente com esperança que aquela paragem tivesse contribuído para recuperar um pouco as forças que de há muito vinham a faltar, foi ilusão de pouca dura, depois com a agravante de a maré já estar a encher e por consequência a auto-estrada também acabou e a progressão fazia-se agora em areia mais solta, o calor era abrasador, falava-se em 34 graus, o vento que vinha de frente era moderado e arrastava consigo uma aragem muito quente, as meias de compressão e os ténis tornavam agora os pés muito quentes, o estômago já custava a aceitar os gels, apenas ingeri 2 e os nogats enrolavam já na boca seca, a desidratação já impedia a existência de saliva e esta é indispensável à dissolvição e encaminhamento dos alimentos até ao estômago. Aos 30kms dicidi molhar os ténis, era já insuportável o calor que sentia nos pés e comecei a caminhar, terminava ali a minha corrida não valia a pena tentar contra o impossível, lembrei-me nesta altura do Fernando Andrade que tinha bloqueado há 2 anos mais ou menos naquele local e apenas arranjou forças para prosseguir caminhando. Aos 35 kms já levo 5,25h de prova e aos 39kms falta-me a água, já tinha consumido 2,5L. ela já estava muito quente mas havia agora começavam as preocupações, lembro-me então que ainda levava de reserva 0,5L dentro do camelback, tiro-a e logo verifico que aquilo era capaz de dar para coser algumas batatas, mas era melhor do que nada, sempre que queria beber um pouco descia até à água do mar refrescava-a um pouco, perdia ali 2/3 minutos, repeti a cena mais 4 ou 5 vezes mas pouco importava, não queria era prolongar para além do suportável as dificuldades em que já ia. Finalmente avisto a meta a menos de 1 km, a praia esta pejada de gente, procuro passar pelo meio ou espaços que tenho de procurar, aqui e ali um incentivo mas a maioria ignora, inicio uma breve corrida 200m no máximo e volto a andar para de novo já em linha de reta para a meta voltar a correr, baixo a cabeça a areia está seca e mole, ouço chamar olho e vejo a minha pérola mais recente, o David estava ali, olhava-me estranhamente mas logo me estente os braços pego nele e procuro levá-lo comigo até à meta, com ele ao colo tento dar mais uns passos de corrida, tinha a meta a 50 metros,  mas desisto não tenho mais forças entrego-o de novo à mãe e sigo para a meta, para a próxima não vou perder nova oportunidade, nem que vá de rastos até lá chegar. Finalmente atingi a meta ao fim de 6, 48,37h para perfazer os cerca de 43,600kms que o meu cronómetro marcou.
Já se escreveu e eu também já li, fortes críticas (creio que construtivas) quanto ao fornecimento de água pela organização, aceito as regras impostas mas a organização terá de ponderar, e poderá salvaguardar no Regulamento essa possibilidade, de reforçar a dose de água que dá aos atletas ao km 28,5 em dias onde o calor se faz sentir de forma quase extrema. Trata-se de uma prova aberta a todos que põe como única condição a sua conclusão em 8 horas. A esmagadora maioria faz aquilo até ás 4,5h mas os restantes podem estender-se até ao limite de tempo, isto levanta um problema grave de saúde que é a falta de ingerir líquidos quando deles mais precisa, as horas de mais calor vão incidir a apartir das 4,5h de prova e nas actuais condições estamos a brincar com a nossa saúde. Vou voltar a Melides e gostava que a Organização fosse sensível a este apêlo, partimos normalmente com 1,5l de água no camelback, bastava no abastecimento do Carvalhal abastecerem-nos na mesma proporção de água, isto é, 1,5L de água numa só garrafa, quem quisesse levaria o 1,5L nos recipientes que transportam e acabaria  assim desta forma o abandono de garradas que se encontram espalhadas pela praia por gente incapaz de contribuir para a manutenção de um ambiente limpo e saudável. Se assim não for vou preparar um garrafão de 5 litros para levar ás costas e dispensarei ajuda no Carvalhal, há 2 anos implorei por mais água e foi-me negada com o protexto do Regulamento, aos 40kms esgotou-se a que levava e não gostei!!!
Agora é tempo de descansar activamente pois no início de Agosto vamos ter nova guerra, agora em Óbidos.
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