segunda-feira, 9 de julho de 2012

Trail do Almonda, 8 de JUlho de 2012

Está a concluir-se o ciclo de provas de Trail que tinha estebelecido para esta época, faltam apenas 4 para atingir o objectivo (Trail de Óbidos, Trail Noturno Lebres do Sado, Grande Lago de Alqueva e Serra de Arga em Caminha. Para trás ficaram duas que não consegui fazer por motivos de saúde (Trilhos do Pastor e Trilhos de Almourol). As que concluí estão ali na margem direita do meu Blogue.
Neste fim de semana calhou a vez do Trail do Almonda, tinha falhado o ano anterior, daí não saber o que ia encontrar, na edição do ano passado tinham-me dito que aquilo já fora diferente e que este ano haveria novamente alterações. Fui a esta prova também por grande consideração que me merece o seu responsável máximo, o amigo Aníbal Godinho, e devo dizer desde já que me considero especialmente satisfeito pelo que encontrei e o prazer que me deu fazer aquele percurso. Depois da tareia da Freita era de bom senso parar mais alguns dias antes de me meter noutra mas pelo que estava informado o Trail do Almonda nada teria a ver com a Freita, pelo menos a nível técnico, já que a dureza também esteve lá mas bem disfarçada através de trilhos espectaculares bem tratados e limpos ajudando assim a minimizar os sacrifícios que aqui e ali tivemos de superar. A prova com este novo percurso torna-se muito bonito e todo ele percorrido em plena Natureza, excepção feita a pequenas incursões em aldeias cujo enquadramento pouco difere do resto percorrido.
O entupimento surgido aos 2 kms de prova ainda está por resolver, provavelmente a organização terá de procurar localizar aquela passagem com mais 2/3 percorridos antes de ali chegar, mas eu não me queixo até deu para descansar um pouco porque para ali chegar aquilo é quase sempre a subir e em abono da verdade também não ouvi quem quer que fosse a queixar-se e eram muito os que esperavam a sua vez para descer aquilo. Logo ao fundo na Aldeia comecei a ver aquilo que faltou na Freita, 1ºs socorros, ali era um local de vigilância apertada, logo pouco depois mais bombeiros a quererem dizer que poderíamos estar tranquílos a nível de apoio e 1ºs socorros durante a prova. Face a alguma polémica surgida durante a semana devido à falta de 1ºs socorros na Freita e também ás diversas tomadas de posição de alguns intervenientes e outros, foi óbvio que muitos amigos se interessaram em saber como me encontrava, a resposta dada foi natural, se estava ali era porque me sentia bem e as consequências do que se passou estavam ultrapassadas. Foi, segundo creio, um pouco antes do 1º abastecimento (5 kms) que uma amiga chamada Catarina (ver foto que acompanha esta crónica) se juntou a mim e estabelecemos conversa a versar naturalmente as minhas odisseias e a Freita em particular informando-me ao mesmo tempo que enquanto podesse se iria manter ali comigo até ao fim. Foi a partir dali que ganhei uma nova motivação e o meu cuidado foi verificar sempre se ela vinha bem. Entretanto no 1º abastecimento lá estava presente mais uma ambulância de apoio e uma mesa recheada de líquidos e sólidos, aliás foi assim durante todos os abastecimentos que de 5 em 5 kms a organização colocou à nossa disposição, como sempre apenas ataquei a melancia e a água era o único líquido que ingeria.
 A Serra oferecía-nos agora trilhos espectaculares, mesmo antes de lá chegar ouve ainda tempo para observar a passagem de 2 batedores em motos com transportamdo caixas de 1ºs socorros para apoio imediato em caso de necessidade e um Jipe que ia andando a vigiar e a ver se estava tudo bem. A Catarina ia-se mantendo ali, ora ultrapassávamos ora éramos ultrapassados, mas isso pouco importava levávamos o nosso ritmo e o objectivo era chegar, por isso e talvez devido ao facto de lavar comigo os apoios nas subidas eu avançava um pouco porque me sentia mais forte para depois nas descidas e rectas aguardar um pouco. Foi a partir dos 20 kms (junto ás antenas) que não mais nos separámos, ultrapassámos muitos atletas, de ambos os sexos, chegando com bastantes energias que ainda deu para fazermos um bom sprint final. Cada prova tem a sua história, para além companhia da Catarina realço também, para além da sua simpatia, a sua vontade de aprender a percorrer um trail, andou sempre atrás de mim com o único cuidado de aprender a contornar os obstáculos e fê-lo sempre com o maior dos cuidados, como aprendeu também a gerir a sua prova de modo a que chegasse ao fim ainda com forças para desfrutar daquele final de prova.
Para mim foi um prazer enorme ter voltado ali ao Almonda agora com um renovado percurso que o torna espectacular, eu e os meus amigos viemos muito satifeitos com vontade de voltar. O almoço foi outra coisa que nos agradou, ao fim de 5h. de prova soube bem aquele excelente manjar, bem melhor do que a sandes e uma sopa do último fim de semana e depois de andar 15h. a "pão e água".
Percorri os 29,720 kms em 4,57h. ainda a tempo de almoçar e conviver um pouco com os amigos.
Agora é preparar com algum descanso a Ultra Maratona Melides/Tróia já próximo dia 22 deste Mês.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Ultra trail Serra da Freita, a satisfação de vencer

Para minha satisfação cheguei ao fim de um ciclo que considero espectacular.
Uma pequena amostra
Com a participação no dia 30 de Junho de 2012 no Ultra Trail da Serra da Freita fechou-se um capítulo de provas de dureza assinalável que fazia parte de um lote cuja ambição de concretizar era um claro objectivo nesta fase da minha condição de trailista cuja ascensão dou como terminada, isto é, de agora em diante ficar-me -ei por provas cuja dimensão não ultrapasse os 50 kms.
O Ultra Trail da Serra da Freita era e foi um objectivo conquistado no passado dia 30 de Junho, foi uma prova extrema, a mais dura que encontrei até hoje, já o sabia antes de a iniciar pois fui lendo nos últimos tempos pequenas dicas que iam deixando na Internet, as fotos entretanto publicadas indiciavam isso mesmo, mesmo assim a vontade de lá estar ultrapassava tudo independentemente das dificuldades criadas para esta Edição de 2012.
Tinha feito a 1ª tentativa em 2010 mas diversos factores aliados à inesperiência e a uma deficiente preparação física fez com que não conseguisse ir para além dos 40 kms por ter excedido o tempo limite imposto pela organização da prova nessa altura (8,30h.).
Conhecedor das dificuldades até pouco mais de meio da prova (excepto as novas alterações) preparei-me excepcionalmente bem para a Edição deste ano, para isso participei em algumas provas de Trail, acompanhado ainda de alguns treinos, com o objectivo de acumular kms e ir ao mesmo tempo vencendo dificuldades que me iriam ajudar a enfrentar esta prova rainha do Trail em Portugal, desde o trilho dos Abutres, Sicó, Penafirme, Ultra trail de Sesimbra, Ultra Trail de S. Mamede, Vale de Barris, Reixida, são alguns exemplos, daí a confiança com que parti a caminho destas magníficas Serras.
Queria terminar, tinha 5 horas para fazer a cada 20 kms e sabia que se tudo corresse bem iria terminar dentro do tempo limite imposto pela organização que são as 17,30h.
Sinto-me feliz por isto
Tinha previsto não fazer a prova sozinho, conversei com alguns amigos em sondagem prévia e não encontrei grande receptividade, algum receio à mistura com ritmos que não podiam acompanhar inviabilizou logo à partida essa possibilidade e como se pode agora concluir após o termo da prova eles tinham razão. Ao fim de 1 km de prova olho para trás e já não vejo quem queria ver e prossigo em frente, não queria ser barrado de novo por exceder o tempo previsto como acontecera há 2 anos ainda que tivesse de assumir alguns riscos para o conseguir. Tinha chovido toda a noite e isso iria representar mais dificuldades à nossa progressão no terreno escorregadio, com muita pedra e rocha bem como os rios com os caudais mais elevados em que era preciso cuidados redobrados, contudo enquanto corremos não pensamos muito nisso, vamos vencendo metro a metro e ultrapassando os obstáculos que nos vão surgindo de forma progressiva e a cada momento com dificuldade maior.
Subindo, uma constante m toda a prova
Até chegar ao Rio Paivô (creio ser assim que se chama), com cerca de 17 kms de prova, o percurso é muito acessível mesmo com as alterações também ali efectuadas que aumentaram o grau de dificuldade após a descida do Trilho dos Íncas. É por esta altura que encontro uma atleta a sangrar abundantemente dos 2 joelhos, estava junto a ela outra atleta a dar-lhe algum apoio, soube mais tarde que foi levada para o Hospital de Arouca por familiares ou amigos!!!
Prossegui e pouco depois na aproximação ao Rio Paivô num trilho com muita pedra solta (percurso novo) dou o 1º trambulhão de costas que me deixou muito maltratado na zona do cocsis (deve ser assim que se escreve) mesmo ao fundo das costas, logo ali pressenti que o resto da prova iria ser doloroso pois os movimentos das pernas e a cada passava as dores eram imensas, tomei consciência de imediato que teria de conviver com aquilo até ao final da prova se a quizesse concluir.
Apesar de ter chovido o caudal do Paivô poucas alterações teve mas as rochas que ladeiam as margens do rio tornaram perigosas e escorregadias ao ponto de eu ter caído pelo menos duas vezes dentro de água sem qualquer consequência física de assinalar.
Uma pausa para a foto
Embora a dor no cocsis me limitasse o andamento e também a reação aos desiquilíbrios constantes consegui sair deste rio sem mais mazelas, contudo foi satisfação por pouco tempo. Ao sair deste rio e com destino ao estradão que passava ali perto com destino ao 1º abastecimento e posto de controlo  desiquilibro-me para trás quando subia uma pequena inclinação, tentei equilibrar-me dando uns passos para trás mas o calcanhar bate numa pedra e a queda é inevitável, enrolei-me todo para tentar evitar grandes estragos já que o local era rochoso e muito irregular, depois de parar e deitado de costas comecei a fazer o exame do que podia estar mal e aparentemente pareceu-me que tudo estava bem, o camelback safou-me as costa e a cabeça protegi-a om o enrolamento que tinha feito, levantei-me e reparo de imediato que do meu braço esquerdo jorra um fio de sangue em resultado de um golpe profundo no antebraço com cerca de 5 cm de extensão, tentei estancar a hemorragia mas sem sucesso, segui e vejo logo ali 2 elementos junto ao rio (não sei se eram da organização) que se preocuparam mais com a sinalização do que com o estado em que eu estava, dizem-me que o apoio estava ali a 1,5km, foi sínica esta atitude pois tinham ali uma viatura a escassos metros onde tinha tido o acidente. Prossigo resignado, o sangue começa a coalhar e pára de escorrer, 10 minutos depois chego ao posto de controlo e abastecimento e não vejo qualquer posto de socorro, nem ambulância nem nenhum socorrista por perto que era suposto estar por ali, as duas pessoas que estavam no apoio dos abastecimentos viram-me e ficaram como não tivessem visto nada, ignoraram pura e simplesmente, foi um atleta que ali estava (José Guimarães a quem mai uma vez muito agradeço) que me socorreu dando-me um pouco de Betadine e uma ligadura para proteger a ferida que estava muito feia, trabalho este feito pela senhora que estava no apoio mas que teve alguma relutância em o fazer, creio que pelo facto de estar cheio de sangue e nem todos estarem preparados para ver aquilo.
A falar com a Analice, ela estava pouco confiante
Isto passou-se no 1º ponto de controlo e abastecimento, deixei recado para comunicarem o meu estado e para que os meios de socorro viessem ao meu encontro porque eu ia prosseguir, como resposta obtive a frustrante comunicação de que ali não havia rede e não era possível comunicar, parti na esperança de ter sido ouvido e que alguma coisa iria ser feito.
Depois de ter atravessado novos trilhos abertos exclusivamente para esta prova e outros mais antigos, atravessado a Drave e outras encostas bastante agrestes e rochosas chego ao abastecimento dos 30 kms que estava colocado na base da subida à Garra, aqui chegado pergunto novamente pelos meios de socorro que tinha pedido anteriormente, informam-me que nada sabem, talvez no próximo abastecimento aos 40 kms dizem-me. A ligadura estava agora enterrada entre 2 inchaço que sobressaíam nos topos da ligadura e comecei a recear o pior, pedi de novo para ligarem a pedir socorro e de novo me dizem que não têm rede telefónica!!!
Embrenho-me rio abaixo à espera de iniciar a subida da Garra mas depressa percebi que também ali o percurso foi alterado, nada que já não estivesse à espera e por isso não me senti surpreendido, estava ali o novo trilho batizado dos aztecas, mal se percebia o trilho a seguir e não fora as fitas bem assinaladas no mato rasteiro seria dificil encontrar o caminho.
A partida ás 8h.
De volta ao rio, que devia estar seco mas com as chuvas da noite tinha um caudal assinalável obrigou-nos a andar pelas bermas subindo e descendo pedregulhos e rochas de alguma dimensão até que nos apareceu finalmente a indicação da subida da Garra que não sendo a mais alta ia deixar mossa, o início foi muito penoso dada a forte inclinação e a inesistência de qualquer trilho por onde passar, foi subir, subir até encontrar o trilho dos Íncas que nos levaria depois até à Póvoa das Leiras onde estava o 2º ponto de controlo e também o abastecimento, cheguei lá com 8,45h. (Foi precisamente ali que há 2 anos desisti da prova juntamente com o Fernando Andrade por termos chegado fora do controlo), desta vez já tinha amealhado 1,15h para o pecúleo final e era já uma enorme esperança que ia conseguir concluir aquilo, registo a chegada ali com o meu chip e de novo pergunto pela assistência que devia estar ali e informam-me que de ambulância nada sabem, passo-me dos carretos e manifesto o meu desagardo e mostro o estado em que tenho o braço, não serviu de nada e de novo peço ajuda e voltam a dizer que ali não existe rede!!! Incrível, como é possível? Peço-lhes para comunicarem com o Moutinho para tomar previdências para me resolverem o problema, irritado volto-lhes as costas e prossigo, logo um elemento (da organização?) veio atrás de mim e obriga-me a mostrar todo o equipamento obrigatório, não fosse o desejo tão grande que me acompanhava em terminar esta prova e tinha ignorado aquela exigência (apesar de estar no regulamento) (o apoio médico também estava!) como sou educado e respeitador das regras deixei para segundo plano o mal que já me tinham feito e parei, voltei atrás e mostrei aquilo que pretendiam, creio que nem um obrigado consegui ouvir mas também não esperava mais do isso, o silêncio.
José Guimarães que me socorreu
Parti à procura de atravessar o ponto mais alto do percurso, creio que a subida das leiras, embora seja a Serra mais alta, a mais de 1.100 metros de altitude, foi aquela que menos me custou a fazer, o trilho era feito de pedra e na maior parte dava gosto caminhar por ali, foi uma longa subida até chegar ás Eólicas, depois foi descer até chegar aos 50 kms onde estava situado mais um abastecimento, apenas estavam duas pessoas e uma mesa de apoio onde estavam alguns produtos para comer e beber. Perguntei de novo informações sobre os meios de socorro que de há muito venho pedindo, obtive a resposta já esperada, nada sabiam. Disse o meu nome e apelei para que contactassem o Moutinho para ter os meios indispensáveis para me socorrer à minha chegada, nesta altura já não pedia para irem ao meu encontro mas sim que esperassem por mim e me levassem ao Hospital quando chegasse.
Abasteço o camelback e prossigo à procura de chegar ao ponto de controlo seguinte que estava nos 60 kms de prova, ultrapassei encostas e vales, rios com água cristalina que bebia apesar de levar a camelback cheia, mas aquilo dava-me um prazer enorme, esquecia por vezes as dores no cocsis e ignorava o estado em que se encontrava o meu braço, queria era chegar mas novo adversário se aproximava, a noite.
Chego aos 60 kms já de noite mas ainda em condições de ver onde punha os pés, o frontal de pouco valia ali pois os sinais luminosos estavam colocados apenas para lá dos 60 kms. Estava com um avanço de +- de1,30h. em relação ao fecho do controlo de passagem naquele local, o suficiente para me sentir feliz por conseguir chegar ali e sonhar com a chegada. Desisti de procurar pelos  bombeiros e peço novamente apoio para a chegada, ali informam-me que vão fazer o que podem, como uma sopa e sigo com mais 3 amigos que tiveram a gentileza de esperar por mim para atacar mais uma Serra de extrema dureza até ao planalto a mais de mil metros de altitude, antes visto o corta vento para me proteger do muito frio que fazia e finalmente coloco o frontal.
Hugo Santos, autor de algumas fotos
Partimos para o ataque a mais uma brutal subida mas depressa concluí que não tinha andamento para os acompanhar e fui ficando aos poucos para trás, achei bem que tivessem seguido pois estava tranquilo e sabia que eles não deixariam de ir dando uma olhadela a ver se eu por lá vinha. Esta subida, tal como as outras foi brutal ainda por cima debaixo de uma escuridão total, a certa altura aponto o frontal para a minha direita e dou conta que caminho ao lado de um temível precipício, redobro os cuidados a ter mas as forças já não são muitas, procuro caminhar por locais mais seguros mas tenho de seguir os pontos luminosos que ficam mesmo à beira do abismo, aquilo deve ser bonito para quem lá passou de dia mas à noite aquilo é medonho. À frente vejo os meus companheiros e são um bom ponto de referência, atrás já vejo alguém ao fundo a subir a Serra e fico mais tranquilo, ao fim de mais de 3 kms chego ao planalto da Serra, agora com nova ameaça, o nevoeiro estava a tomar conta do alto da Serra tornando inoperacional o frontal na descoberta dos sinais luminosos indispensáveis á minha progressão, receei o pior pois não via nada nem sabia por onde prosseguir, não existia sequer um trilho que me conduzisse e o pouco que existia deixava-me baralhado, procurava não perder a orientação ia e vinha e assim fui descobrindo caminho até começar a descer para a povoação onde estava situada o controlo dos 65 kms. Mal avisto a Aldeia a emoção tomou conta de mim, dali já podia ver o alto da Mizarela, local de chegada e apesar de ainda estar a 5 kms de distância, mas a satisfação era enorme, à cerca de 15 kms que não fazia outra coisa que andar, andar sempre, queria era chegar ali.
Aos 60 kms, com a noite a cair
Mal entro na povoação vejo o José Moutinho vir ao meu encontro (responsável máximo da prova e por quem tenho muito apreço) a informar-me que tinha tido conhecimento do meu problema e que nada pode fazer na altura, mas não era isto que eu queria ouvir e fiquei muito desiludido, mais desiludido fiquei quando ele me informa que a prova tinha sido interrompida naquele local à alguns minutos devido ao nevoeiro e à perigosidade daquele troço final com a descida e depois a subida do PR7, ainda insisti inocentemente para me deixarem prosseguir mas ele foi inflexível e informou-nos que seríamos todos classificados, faltavam 5 kms e ainda tinha um crédito de 2,30h para alcançar o meu sonho, em circunstâncias normais têlo-ia conseguido, por isso fiquei feliz por ali ter chegado e concluído com sucesso este meu grande objectivo. Fomos logo encaminhados (eu e os 3 colegas que seguiam à minha frente) para o local da meta onde já se encontravam de alerta os bombeiros de Arouca que já tinham sido alertados para o meu problema, logo fizeram o prognóstico e concuíram que tinha de passar pelo Hospital dada a gravidade da lesão e o estado em que também já estava o braço em torno da ferida devido à ligadura que protegia a ferida, foi tomar um banho e comer uma sopa no companhia do Luís Mota, brilhante vencedor desta magnífica prova.
Impressionante
Fui bem tratado no Hospital apesar de agora a recuperação poder não ser total devido à morte de muitas células na parte que se separou e devido ás muitas horas (15 no total) que estive sem receber assistência, ficará lá possivelmente um buraco e uma cicatriz a assinalar a minha passagem e conquista da  Freita. Agradeço também com uma palavra de muito apreço aos bombeiros que me levaram ao Hospital e de mim tomaram conta até voltar de novo ao Parque de Campismo da Mizarela onde estava acampado.
Deixo aqui também uma palavra de profundo desagrado pela falta de assistência nos locais onde não deveriam ter faltado, existe um regulamente em que se compromete a assistência médiaca aos atletas em prova, nós confiamos na organização quando partimos confiantes  que em caso de necessidade os meios estão lá espalhados pelo terreno, o que se passou pode ser considerado um crime e a organização no terreno não se pode eximir de responsabilidades, ninguém no terreno estava em condições de apoiar fosse o que fosse, não se viu um responsável sequer em todo o percurso a acompanhar os atletas e a saber se estava tudo a correr bem, e como se sabe é ali que precisamos desse apoio e não na meta para nos saudar e dar os parabéns. Imensos atletas chegaram feridos com maior ou menor gravidade ao primeiro posto de controlo logo a seguir ao Rio Paivô, é de uma imensa irresponsabilidade a ausência de apoio médico naquele local, mas esta irresponsabilidade estendeu-se a toda a prova sem que alguém da organização tomasse medidas para resolver o problema, confiaram na sorte abandonando quem por ventura neles confiara.
Sálvio Nora, o mentor desta magnífica prova
Esta crónica que faço não tem como objectivo denegrir a imagem seja de quem for, respeito demasiado esta prova e nas pessoas que com competência a têm realizado, as chamadas de atenção que faço ao pormenor pretendem que seja uma lição para quem tem a responsabilidade de conduzir um processo desta envergadura e que envolvem a vida de muitas pessoas pois os riscos que se correm são elevadíssimos e quem participa tem de ter a garantia que os mínimos (já para não falar nos máximos) de assitência estarão salvaguardados.
Deixo claro que não fiquei traumatizado, adorei explorar aquelas imensas serras que envolvem toda a Freita, sabia ao que ia e os perigos envolventes e voltaria a fazer tudo de novo mas chegou a altura de parar um pouco e refletir, atingi nesta altura aquilo que pretendia, vou continuar porque não prescindo de tantos e bons amigos que tenho encontrado e que estimo mas de forma mais moderada, dificilmente farei provas acima dos 50 kms e assim de forma progressiva vou ao encontro do que se impõe a um homem a entrar daqui a pouco na casa dos 65 anos, até lá estarei sempre onde estiverem os meus amigos.

Eis o local onde terminou a minha corrida aos 65 kms e o vídeo a mostrar o fascinante local  da descida e a subida do PR7 que terminava com a meta ali a 1km.
Veja aqui as classificações

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Trilhos Loucos de Reixida, 24/6/2012

Tal e qual como nos treinos, água a rodos
Para que fique registado aqui neste meu cantinho de encantos e desencantos (felizmente poucos) deixo algumas palavras pela excelente aventura (mais uma) que os amigos de Reixida nos ofereceram com a realização de mais uns Trilhos Loucos de Reixida realizados no ido dia 24 de Junho. Foi a 3ª vez que lá fui e em todas elas me surpreenderam, sempre diferentes e para melhor, quer em bonitas paisagens e percurso quer o adicionar de mais alguma dureza a cada edição que promovem. Depois mantêm aquilo que mais aprecio que é a passagem pela nascente do Rio Liz, desta vez entrámos duas vezes no rio mas para mim se fosse possível faria o percurso na totalidade dos 20 kms ali dentro. Depois o calor que estava também ajudou (na incursão na água) , embora ele só se começasse a sentir mais fortemente lá para o final da prova, mas foi o suficiente para a Organização (e muito bem) se preocupasse e colocasse mais postos de abastecimentos de água durante o percurso. Eu como levava o kamelback não ia muito preocupado mas via por ali muitos que nem pinga de água levavam, coisa que não aconselho a ninguém pois se há coisa que num Trail não pode faltar seja a quem for é a água.
Cascata improvida com banho
Já outros levantaram a questão mas parece-me de absoluta necessidade (creio que para alguns) que +- a meio da prova se colocasse lá um abastecimento sólido em que constasse principalmente fruta fresca tais como: laranja, banana, maçã e ou melancia. Encontrei um abastecimento com água e maçãs mas considero insuficiente pois o esforço dos atletas é muito intenso e justificava-se para quem necessitasse algo mais que ajudasse a repôr as energias entretanto perdidas. No meu caso pessoal vou sempre prevenido com alguns produtos, embora a maior parte das vezes acabo por me esquecer e regresso normalmente com a mochila atestada.
Encontrei uma inovação espectacular a meio do percurso uma cascata improvisada de água  colocada no cimo de umas rochas alimentada por um depósito colocado em cima de camião e manuseada a sua abertura por um elemento da organização á nossa passagem possibilitando a quem o pretendesse refrescar-se lá debaixo afastando por momentos o calor abrasador que nos queimava já as partes menos protegidas do nosso corpo.
Ponto mais alto, estavam a controlar-me lá bem em cima
Desta vez fui acompanhado de mais 4 AVSilêncio (Rui Pacheco, Rui Almeida, Filipe Ramalho e Vitor Pinto), nas vezes anteriores fui sempre sozinho, confirmando-se assim a apetência cada vez maior de mais amigos do nosso Grupo a aderirem a estes eventos na Montanha onde a dureza mais se faz sentir nesta nossa mania de enfrentar sempre novos desafios independentemente das suas dificuldades.
Com algumas queixas apesar de tudo todos gostaram de fazer a prova, queixas essas que nada tem a ver com a organização que foi impecável mas sim por algumas partes do percurso não serem do seu agrado, mas isso é normal numa prova como esta que está sempre a surpreender-nos, o puro Trail estava lá e o nome que lhe foi dado também ou não se chamasse áquilo Trilhos Loucos de Reixida.
A nossa equipa, AVSilêncio
A prova teve 19,500kms de extensão nesta 3ª Edição, a 1ª tinha 16kms e tem condições para continuar a aumentar mas devido à sua dureza era de bom senso manter o que já está, apenas acrescentaria mais algumas centenas de metros à nossa passagem pelo ribeiro evitando-se aquela parte de sair e voltar a entrar.
Concluí com o tempo de 3,13h. e muito confiante para o que se segue no próximo Sábado e principal objectivo desta época, a Serra da Freita.
Classificações

terça-feira, 12 de junho de 2012

Mais um treino de Trail com a Serra da Freita no horizonte, 11/6/2012

Mais um treino a caminho da Serra da Freita, na companhia do Daniel (meu Genro), Rui Pacheco e Nuno Gameiro fizemos mais 34 kms passando pelos Caminhos do Tejo até Alverca fazendo depois uma incursão à Serra logo após a povoação de Arcena em Alverca até chegar perto de Mato da Cruz, depois foi percorrer as serras desde o Cabêço da Rosa, Monte Serves, Eólicas junto à pedreira até chegar à Granja, ali ao lado de Vialonga. Importa nesta fase para além de kms a duração dos treinos, desta feita foram 4,44h. à média de 8,20m por km.
A Serra da Freita tem de extensão para fazer 70 kms, mais de 4 mil metros de acumulado positivo, trilhos manhosos e um rio de sonho para ultrapassar sendo necessários 17,30h. para vencer aquilo dentro dos limites impostos, ou seja à média de 20kms para cada 5 horas. Pode parecer fácil à 1ª vista, até porque dispomos de 21 minutos por km para vencer aquilo mas só para quem não conhece aquilo é que poderá pensar que se faz com uma perna ás costas. É por isso que estou a preparar melhor a minha resistência para tais dificuldades.
Dizia o José Moutinho (organizador da Prova) à 2 anos no pequeno breifing que fez e também já depois de terminada a prova que numa prova com esta dificuldade extrema tem de se treinar também de uma forma afincada a caminhada e é isso que tenho feito, para além de ser mais agradável caminhar, este movimento permite restaurar forças para se correr em locais mais acessíveis e assim possibilitar uma progressão assente em bases mais resistentes.
 Tenho de louvar aqui a paciência que os meus colegas de treinos têm tido comigo ao se manterem sempre por perto já que eu de forma alguma e em circunstâncias normais jamais os poderia acompanhar, tendo eu aproveitado ao máximo a sua companhia procurando mesmo assim contribuir para se tirar o máximo de rendimento do treino de cada um deles.
Falta menos de 3 semanas para a Freita, tendo ainda os Trilhos Loucos de Reichida para fazer no próximo dia 24 de Junho, nesta fase creio que o plano está a ser cumprido com um treino semanal acima dos 30 kms depois de ter concluído com êxito o Ultra Trail de S. Mamede à 3 semanas atrás. Assim creio ser possível desta vez superar as dificuldades que a Freita representa, com já "conheço" a 1º parte espero pelo menos alcançar os 40 kms com 8 horas de prova deixando para os restantes 30 kms as 9,30h seguintes que tenho como limite para terminar aquilo. A partir daqui é a Freita que está no meu pensamento, pelo respeito que lhe tenho e pelo desejo imenso de a vencer.
Mais fotos

domingo, 3 de junho de 2012

Corrida do Mirante, um dia especial

O Mirante este ano foi uma prova especial para mim, muito por culpa da minha filha Susana Adelino, foi o seu regresso ao fim de 2 anos e 1 mês a uma competição de pois de fazer uma pausa para ser mãe e trazer a este mundo uma linda criança. Para mim foi um prazer imenso em apadrinhar este seu regresso ainda que um pouco enfurrejada mas dando já sinais de alguma consistência física que com o andar do tempo se vai consolidar por forma a que se torne mais fácil o seu desempenho, seja em provas de Trail ou outras de menor dificuldade.
O Mirante foi a prova ideal para nós, para mim serviu para estabelizar um pouco do empeno que herdei da Serra de S. Mamede e que ainda não está totalmente estabelizado, para a Susana porque a distância era muito "curta" e permitia-lhe ter algum descanso entre as partes mais difíceis e aquelas mais acessíveis.
A corrida esteve sempre muito bem controlada, nas subidas mais acentuadas andávamos a um ritmo mais vivo permitindo dessa forma ir ultrapassando alguns atletas (se bem que isso não tivesse grande importância para nós), no restante percurso conseguimos sempre correr, em especial na parte plana, já que as descidas mais acentuadas eram feitas com alguma prudência devido a alguma perigosidade devido ìnclinação e ao terreno irregular, nomeadamente pedras e buracos. A princípio ainda receei que teria dificuldades em acompanhar a Susana porque levei tempo a ambientar o corpo novamente à corrida, logo que este pormenor ficou sanado pude então ir orientando a nossa corrida, poupando à Susana um esforço maior e aguardando por ela no final das subidas onde acusava maiores dificuldades.
A 2ª parte da prova já foi feita com maior consistência, até com o aproximar até nós de alguns amigos atletas do Mundo da Corrida de entre os quais se encontrava o Mário Lima, dali até ao final fez-nos companhia ao mesmo tempo que ia tirando algumas fotos, algumas delas ilustram este têxto, mas para isso teve de fazer alguns sprintes para a frente para conseguir obter as imagens magníficas a que já nos habituou.
O ritmo médio que conseguimos foi de 7 minutos, numa prova que atingiu o máximo de subida acumulada de 600 metros.
A prova registou 12.100 kms e como o último km foi feito sempre a descer acabou por ser o mais rápido, 4,50m.
O tempo final ficou-se pelas 1,34h. considerando eu uma boa marca dadas as dificuldades encontradas e acusando ainda algum desgaste acumulado de provas anteriores e presentemente dos treinos que continuam duros face ao aproximar de novo desafio, a serra da Freita no próximo dia 30 de Junho.

Uma palavra de parabéns e agradecimento para a Organização que montou impecavelmente esta prova, trilhos bem limpos e bem marcados. Fiquei agradavelmente surprendido com aquela subida ao Mirante quando já vínhamos no regresso um singletrack espectacular.


Fotos
Fotos: De Mário Lima, Anabela, e J.Adelino.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Ultra Trail de S.Mamede, um sonho realizado

Foto UTSM
Parece estranho, mas ainda não consigo valorizar este feito de atingir a marca dos 100 kms (105 para a organização) sem descolar da admiração que tenho por tantos amigos que já atingiram marcas semelhantes e superiores, muito superiores áquilo que agora consegui concretizar. Ainda está por explicar que tipo de impulso me levou em Janeiro? a inscrever-me nesta prova, só sei que o teria de fazer e de uma vez por todas entrar na pele daqueles que o vão tentando e conseguido furar esta barreira psicológica.
Fui dos que respondi ao questionário e também apoiei a bitola dos 100 kms de S.Mamede nesta sua 1ª edição que a organização gentilmente colocou à nossa apreciação, daí até ao impulso de avançar foi um ápice, e nunca me arrependi mesmo numa fase em que as lesões me carregaram de tal forma que em algumas alturas me questionei se não era melhor tirar isto da ideia.
E eis chegado o momento da Verdade,
Foto oferecida pelo Paulo Pires
Ás 4 da madrugada estava preparadíssimo para partir mas a ansiedade era muita, a meu lado tinha o Rui Pacheco, também do AVS que dicidira participar nesta prova com o intuito de experimentar a distância e ganhar mais experiência com vista a futuros objectivos. A noite tinha sido em alerta permanente ali mesmo ao lado, a habitual orquestra desta vez esteve mais silenciosa, fruto se calhar da proximidade da partida e também pelo respeito que a prova impunha a todos e que os inibiu de descançar como deve ser. A noite esteve chuvosa mas quando partimos estava tudo calmo e a temperatura estava excelente para se correr, 4 horas antes tinha-se iniciado as 24h. a correr naquela magnífica pista de Atletismo, mais tarde também partilhada pelos atletas do Trail e Ultra Trail à sua chegada à meta. Mal partimos começa a chover e da grossa e ao mesmo tempo fria, mas nada nos podia demover, a Organização traçou nos 1ºs kms um percurso mais acessível para nos irmos preparando para o assalto final à Serra. Este assalto iria ser duro e bastante longo mas isso era segredo, conhecíamos apenas no papel os 9 ou 10 picos que iríamos visitar, por agora era a chuva que nos castigava, ás vezes com bastante intensidade mas para mim ela é sempre bem vinda mesmo que seja ás 4 horas da madrugada.
Ao contrário do que é hábito desta vez coloquei-me vem cedo a meio do pelotão e por lá me mantive durante bastante tempo havendo alturas que olhando para trás me assustava ao ver ainda muita gente atrás de mim, interrogava-me se não estaria a andar demasiado depressa para as minhas possibilidades. Seguia na companhia do António Almeida que se via grego para progredir devido há intensa chuva que lhe dificultava a visão, ele usa óculos e se os tirar o resultado é desastroso, por isso optou por ir com mais calma e isso possibilitou ter a companhia dele até perto dos 80 kms. Entretanto e conforme a corrida se ia desenvolvendo fui compartilhando a companhia com vários grupos dos quais destaco o da Otília e da Célia, o caminho era acessível e as dificuldades começaram a surgir com o aproximar da subida ás antenas no PAC3, para trás ficara já 2 postos de controlo e abastecimento, deu para ver e tranquilizar para o resto do percurso que iríamos ser bem apoiados a nivel de abastecimento, havia muita coisa e em abundância. A 1ª grande dificuldade apareceu com a subida ás antenas, tinha ouvido na véspera junto ao Secretariado o Vitor Cordeiro a relatar que em tempos não muito longínquos que conseguia subir aquilo tudo sempre a correr mas agora já o tinha tentado e o mais que conseguiu foi chegar a meio. Pois bem, quando vi aquilo assustei-me e não vi tudo pois o nevoeiro só me deixava ver a pouca distância, levava os meus bastôes e foi o que me valeu, a cada curva ou conforme o nevoeiro se ia esfumando à nossa frente verificava que a subida não acabava e a sua inclinação parece que cada vez se acentuava mais, até que surgiu o topo a corresponder com o 3º abastecimento da prova. Se foi dificil subir não o foi menos a descer, pelo menos para mim, pois desde o início que vinha a poupar os joelhos nos embates mais violentos que fazemos ao descer. Entretando a Otília já tinha ficado com outros atletas e eu seguia ainda perto do António e da Célia. Ao longe consigo descortinar o Brito, ia a passo, páro ao lado dele e informa-me que está com problemas num joelho e que vai desistir, desejo-lhe boa sorte pois o próximo controlo ainda estaria longe, ainda assim quando lá cheguei dei a notícia e disseram-me que iam chamar uma viatura para fazer a evacoação, o que se passou depois não sei, vim a saber no final que se confirmara a sua desistência o que lamento pois sei o quanto ele trabalhou para se apresentar ali em boas condições. Pensei na Otília, sua companheira, que vinha ali perto e como reagearia ao vê-lo em dificulades, ficaria com ele? seguiria? agora tenho a resposta, corajosamente prosseguiu em busca do seu sonho, possivelmente com o coração despedaçado, mas são assim os grandes campeões, temperados na dura luta que travam em busca dos seus sonhos e objectivos.
Foto de Isabel
Marvão aproxima-se, as dficuldades de progressão vão aumentando, após uma enorme descida e muito acentuada chego à beira do Riacho virando a Sul e de novo a Norte pouco depois, o objectivo da organização é fazernos passar por dentro do Rio e refrescar um pouco os pés, creio que ninguém gostou daquilo (penso eu) até meio ainda havia pedras mas depois tivemos de ir mesmo a banhos, (foi a partir daqui que começo a receber mensagens no telemóvel, não podia atender mas conforme iam chegando eu entendia como mais um estímulo, mais tarde verifiquei que o nosso míster e muitos outros à distancia iam acompanhando a minha prova e a do Rui Pacheco, também os meus filhos me iam de vez em quando informando do andamento da prova através do Site colocado à disposição pela Organização da prova onde se podia ir acompanhando a evolução dos atletas via NET sempre que passavam nos 9 PAC espalhados ao longo do percurso). A longa subida levarnos-ia  até à bonita Vila de Marvão, km60, que sofrimento para a atingir, calçada e mais calçada, autênticas paredes que foram indo superadas com grande sacrifício. Aqui a 1ª grande frustração ao descermos novamente quando já estávamos quase a atingir as muralhas bem lá no alto do monte, descemos na direção Oeste para de novo voltar a subir até ás muralhas contornando-as depois de novo a Norte para finalmente atacar a subida final até entrarmos por aquela porta mágica com centenas ou milhares de anos de histórias por contar. Creio que esgotei ali as reservas físicas que tinha para fazer o resto até final e com o menor sofrimento possível. Foi ali também que mudei todo o equipamento que levava, os ténis eram agora mais leves e a roupa enxuta davam agora um melhor conforto e bem estar e foi assim que ataquei de seguida uma sopa bem quentinha e muito saborosa, bem como alguns produtos postos à nossa disposição. Conforme a subida, a descida também não deixou saudades, pedra e mais pedra, os pés raiavam o insuportával e os joelhos iam aguentando nem eu sei explicar, a Célia passa por mim que nem uma flecha, nunca mais a vi até final da prova. Nesta descida junta-se a mim um amigo do Sardoal que já ia em grandes dificuldades por causa dos joelhos, faz questão de ir comigo e durante longos kms fomos juntos.
No 7º PAC km67 estava a grande surpresa, o Jorge Branco mandara-me via Net uma mensagem de apoio e incentivo e pedira à organização para me a transmitir, mal sou identificado a cerca de 100m o Helder, que recebera a mensagem, vem a correr ao meu encontro e dá-me a boa notícia bem como outras que iam caindo de apoio quer a mim quer ao Rui, fiquei feliz apesar do empeno já ser enorme mas recompensado por ter amigos que não se esquecem de nós nas horas mais difíceis que passamos neste desporto de eleição.
Foto UTSM
É ali que recebi a notícia da desistência do Rui Pacheco aos 88 kms, fiquei triste pela sua incapacidade física de prosseguir mas muito feliz pela sua proeza ao atingir tão elevada quantidade de kms e quando seguia na 3ª posição da geral. Foi um resultado animador que permitirá concerteza para ele tirar ilações quanto ao futuro nesta difícil desciplina de Trail. Dali prosseguimos para Castelo de Vide, o meu companheiro do Sardoal deverá ter-se sentido bem melhor e começou a soltar-se e foi embora. ao mesmo tempo o António Almeida volta a alcançar-me com mais 3 amigos e seguimos juntos até Castelo de Vide, PAC8 km74. Aqui chegados vislumbro uma coisa que jamais esquecerei, a bonita Vila? de Castelo de Vide vista do alto daquilo que me pareceu uma Capela, tinha a máquina fotográfica comigo mas eu já nem paciência tive de a tirar do lugar onde estava para registar esse momento, pode ser que haja por aí alguém que o tivesse feito e faça o favor de me enviar. Contorno a Capela? e de seguida outra surpresa, descida em rapel, até gostei de ver aquilo mas como descer? as forças eram poucas as mãos ocupadas com os bastões e uma turba de pedragulhos para descer, e pronto aconteceu o trambulhão sem consequências nenhumas a não ser um momento de boa disposição entre todos os que ali estavam. Seguimos os 5 em busca do PAC9 e último posto de controlo, foi aqui que encontrámos algum espaço para correr mas já não havia condições para tal, ainda assim e à vez cada um ia lá à frente puchar um pouco pela carroça e a coisa ia seguindo de acordo com as nossas possibilidades em correr, eu agarrava-me com unhas e dentes para não descolar pois a noite aproximava-se, é aqui que começam os garmins a desligar com cerca de 13,30h. de utilização, a partir dali ficámos sem qualquer orientação, a não ser aquela que a organização montou e que permitiu desde o início uma impecável marcação com fitas e também com sinais luminosos. O António entretanto abalou e fez bem, sentia-se melhor que nós e era um desperdício manter-se ali, para além de castigador nada justificava aquele sacrifício. Seguia eu agora na cauda do grupo se eles corriam eu procurava acompanhar até que fiquei mesmo para trás uns 100 metros mas depressa reagi voltando a integrar o grupo para pouco depois os deixar para trás, eles já não aguentaram mais e foram seguindo conforme as possibilidades, pouco depois olho para trás e nunca mais os vejo.
Um pouco à frente encontram-se 2 jovéns com água e cerveja aproveito e abasteço o Camalback e sou informado que o PAC9 estava a 4 kms, passo por uma festa numa pequena povoação, sou convidado a comer uma febra mas declino o convite, já ia em grandes dificuldades e só queria chegar ao controlo seguinte, páro e volto a colocar o frontal, a noite tinha chegado e prossigo, finalmente encontro o local onde supostamente deveria estar o abastecimento e o PAC9 mas não, estava lá um senhor a mandar subir a Serra, pergunto pelo abastecimento e responde-me que estava a 4 kms!!! gelei completamente, teriam me enganado lá atrás? teria sido ali que que a prova se viu aumentada mais 5 kms do que o inicialmente indicado? o certo é que subi, subi para de novo voltar a descer até quase ao local onde iniciara a subida, lá atrás não me enganaram o PAC estava mesmo a 4 kms, então porque surgira aquela horrível subida antes de lá chegar? Foi ali que o Rui desistiu, pudera, pois a descida é muito castigadora e acabou com a sua resistência muscular. Neste PAC desabafo, mas só isso, os limites já estavam a ser atingidos e digo mesmo ao responsável que ali estava que percebia agora porque é que aquela prova valia 3 pontos  a cada atleta que a concluísse para participar no Ultra Trail do Mont Blanc em França num total acumulado de 6 pontos em duas provas, havia que encontrar montanha que totalizasse os 3.300m de acumulado positivo de altimetria correspondente para aceitação ( pode não ter sido assim mas esta explicação serve e eu aceito-a)  . Mal sabia eu o que ainda me esperava e atrevi-me mesmo a perguntar ao que recebi por resposta, "quer mesmo saber?" vai ter aí à sua frente uma subida igual à que acabou de fazer e depois mais duas "rampas pequenas" até final. Pouco depois voltei a subir, a corrida tinha acabado e agora só caminhava, a noite estava muito escura, o arvoredo tapava alguma réstia de claridade que pudesse existir, a inclinação levava-me quase a tocar com o nariz no chão (passe o exagero) os refletores extraordinariamente bem colocados iam indicando ao longe Serra a cima por onde havia de passar, ouvia-se aqui e ali o chilrear da passarada, eu que não tenho receio de caminhar na noite escura lembrava-me de outros que vinham atrás que poderiam não ter a mesma segurança, chego ao alto e continuo a subir, mesmo até ao último pedaço de pedra existente no alto da Serra para de seguida voltar a descer mesmo até à parte mais baixa de Portalegre, pedras e mais pedras, sem exgerar pelo menos 6 vezes ia mergulhando no chão, tão irregular que ele era, mas finalmente chego ao alcatrão e começo a ouvir a música que chegava algures em Portalegre, mesmo ali a meu lado.
Sigo agora pela estrada mas por pouco tempo, de novo a indicação para subir pela Serra por supostos trilhos que não existiam, procurava com o frontal a erva pisada deixada pelos da frente, pouco depois encontro nova estrada e sigo bastante tempo na esperança de finalmente chegar, puro engano, volto a subir em direção a um bairro para de novo descer e continuar no alcatrão, começo a ouvir ao longe a voz do Spyker no Estádio e a música um pouco intervalada, a esperança renasce e procuro moralizar-me, chamo interiormente quase todos os nomes impróprios a quem delineou aquele traçado final, acredito que de dia até seja giro, mas à noite? quando já pensava descer a caminho do estádio surge nova incursão  ao monte afastando-me ainda mais da tão desejada pista, caminho já esgotado de paciência e começo a notar um desiquilíbrio do meu corpo para a esquerda, tendo de corrigir várias vezes a minha tragetória. subo e subo e nunca mais vejo o fim dos sinais luminosos, ali 400 metros já representam o dobro ou o triplo, finalmente (pensava eu) chegara ao fim da última subida, vou descendo até atravessar vários becos num bairro prosseguindo depois por estrada alcatroada em direção à tão ansiada pista. Já visualizo a pista está mesmo ali a meus pés, a cada momento espero encontrar a sinalização para lá, mas nada!!! afasto-me de novo alcatrão a fora, a pista começa a ficar para trás, fico sem jeito, as dores são muitas já quase não sinto os pés, os joelhos já dão pouca segurança para me manter de pé e eu a fastar-me cada vez mais, finalmente aparece com ar garrafal em letras bem gordas "Último Km" emocionei-me, estava prestes a concluir uma coisa que me parecia impossível, mas o tormento ia continuar, mal saio da estrada nova investida a um monte agreste que ao chegar me interroguei como é que naquelas condições conseguiria passar aquilo, mal entrei espalhei-me ao comprido, fiquei ali a pensar como é que me iria levantar, duas, três tentativas e voltava à mesma posição, valeu-me uma rocha onde me encostara e com a ajuda dos bastões e consegui manter-me de pé novamente, dali tinha uma vista fantástica mas só para quem lá chegou de dia, agora à noite? estava a pouco mais de 500 metros da chegada e a descida foi de loucos, por sorte não voltei a cair de novo, ao fundo estava um senhor da organização a indicar-me o caminho para a pista, olho para trás e começo a ver mais atletas a chegarem, por ironia do destino andei mais de 20 kms sozinho e só agora é que estavam a chegar por perto, chego à entrada do Estádio num misto de satisfação mas também completamente destroçado, um dos responsáveis colocou-se a meu lado e eu sem saber como consegui fazer toda a  pista a correr a seu lado até finalmente visualizar a 100 metros a tão almejada meta, tinha iniciado a corrida ali ás 4 da madrugada e ao fim de 19,20h estava de regresso depois de ter percorrido os 105 kms confirmados pela Organização. Depois de terminar verifiquei o estado em que estava, valeu-me ali o Ricardo Batista que me amparou e conduziu para o interior onde estava o abastecimento final e o local de massagens. Mas eu não liguei a nada daquilo, e por incrível que pareça nem áquele grande amigo eu dei a devida atenção, afastei-me sozinho e silencioso fui ao meu carro vesti o meu fato de treino depois de me desevencilhar de tudo o que tinha vestido dirigi-me ao Pavilhão estendi a esteira, abri o saco cama e ali fiquei até à manhã do dia seguinte, comigo tinha unicamente a medalha, de cortiça, aquela em que tenho mais orgulho de ter conquistado.

Classificações

terça-feira, 15 de maio de 2012

Ultra Trail de S. Mamede 19/20 de Maio 2012

A 3 dias desta grande aventura, a ansiedade vai aumentando mas tudo passará com o tiro de partida.

Aqui pode acompanhar em tempo real toda a prova (inédito entre nós): https://docs.google.com/spreadsheet/ccc?key=0Au4OtMUmiBvedGgzeU5lbTlLRlZFZ21odU8zOGJIbEE


GPSies.com GPS - corrida - trilho - caminhada - Imprimir percurso UTSM - 7300-065 Portalegre, Portalegre

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Com os BTTistas, um treino e convívio diferente.

Ao contrário da minha vontade este ano tive de abdicar de algumas provas que gosto de fazer, umas por problemas físicos (Lezírias, Pastor e Almourol) e agora a Meia Maratona da Areia, esta por opção devido à preparação para S. Mamede que se efectua daqui a duas semanas e era a última oportunidade para fazer mais kms em ambiente parecido áquele que vou encontrar em Portalegre. Contudo fiquei triste por ler em comentários o lamento da Costa da Caparica por esta prova não merecer a presença de alguns "amigos" habituais apelidandos de "coitados" por aquilo que perderam.
Eu conheço a prova e participei duas vezes, precisamente as duas primeiras, e conheço a competência mais que provada dos amigos do Mundo da Corrida que colocam todo o seu empenho em todas as iniciativas que levam a cabo, daí regeitar o mimo de coitado por não reconhecer veleidade a quem se exprimiu desta forma minurando o direito de cada um optar por aquilo que possa servir os seus interesses.
4 Amigos do Vale do Silêncio participámos numa prova de BTT na distância de 35kms aqui bem perto da porta, foi na Granja perto de Vialonga, porque o trajecto e algum grau de dificuldade me interessava inscrevemo-nos na prova mas como trailistas, o que foi prontamente aceite pela organização explicados que foram os nossos objectivos. Eu e o Rui Pacheco vamos a S. Mamede participar na prova dos 100 kms e os outros 2 ( o Filipe e o Hernâni) tiveram a gentileza de nos acompanhar e ajudar a atingir aquele objectivo. Saímos ás 7 horas da manhã, (só o Rui é que saíu por volta das 9h. juntamente com os BTTistas), com o pensamento de tentarmos chegar ainda antes de terminar o banquete colocado à nossa disposição no final deste salutar convívio. Este objectivo foi conseguido pois por volta das 1130h estávamos a chegar dando ainda tempo para ir ao chuveiro e pôr tudo em ordem.
O Rui chegaria cerca de 20 minutos depois revelando uma excelente condição física e a prometer muito para S.Mamede. Este Local e toda a logística que foi possível instalar no terreno é muito capaz de no futuro fazer alguma surpresa na área do Trail, o tempo o dirá.
Até S.Mamede vou tentar recuperar a perna esquerda de forma a que consiga fazer todo o circuito sem problemas de maior, a partir de agora sendo o próximo objectivo já não penso noutra coisa.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Dia Mundial dos Trabalhadores, a esperança não morre!

Chamem-lhe agora o Lince Ribatejano
Este ano o 1º de maio foi comemorado por mim com mais uma participação na corrida tradicional organizada pela CGTP. Uma prova que todos os anos tem conseguido manter-se de pé  reunindo desta vez à sua volta quase 1500 participantes, conseguindo assim mais uma vez bater o recorde de participações relativamente a edições anteriores.
Participei exactamente para estar junto dos amigos e camaradas que há muito não via e que se mantêm firmes nas diversas frentes de luta que os trabalhadores portugueses se encontram envolvidos na luta pela defesa da sua dignidade de vida, pelo direito ao trabalho e pelo progresso do nosso país.

O Vale do Silêncio
Tive a felicidade de fazer a minha prova em companhia do Jorge Branco, a velha raposa manca, que retornou ao local que lhe deu esta simpática alcunha. Foram perto de 12 kms de boa companhia como há muito não acontecia, foi também muito benéfico para mim pois consegui desta forma cumprir os objectivos que pretendia, fazer kms e tentar proteger a minha perna o mais possível do impacto no alcatrão. Isto foi conseguido até ao final da Rua do Ouro altura em que a velha raposa dicidiu mostrar que está de volta e pronta para atacar o tempo perdido. Dali até à meta foi um regálo vê-lo a correr, passo sempre certo e firme levando a que a cada metro estivéssemos a ultrapassar outros participantes que ousaram desafiar aquela distância e estavam agora a pagar a ousadia do seu voluntarismo.
Um bonito cenário
A minha admiração por esta simpática figura cresceu ainda mais quando em plena Alameda D. Afonso Henriques observo-o a gritar a plenos pulmões enquanto corria CGTP, CGTP,CGTP numa repetição que durou até sairmos para enfrentarmos o Evereste (expressão do Jorge) que estava ali logo a seguir. Foi um gesto bonito que eu não estava à espera e que me surpreendeu pela vivacidade com que o fez apesar de já ir muito cansado.
Terminámos aqueles quase 15kms com o tempo de 1,30.40h. (tempo de garmin).
Agora uma pequena pausa nas "minhas competições", treino, treino e treino, dia 19 estarei de volta para a grande incógnica que será S.Mamede, serão perto de 24 horas que auguro de prazer e satisfação pois só assim concebo realizar uma loucura destas com muita confiança.
Enfrentamos o infinito mas com confiança
Fotos de Isabel Almeida e J.Adelino
Ver fotos Classificações

terça-feira, 24 de abril de 2012

Raid Vale de Barris, 22/04/2012

Tinha estado o ano passado em Vale de Barris como convidado da organização para acompanhar por dentro o desenrolar da prova uma vez que um problema de saúde me tinha impedido de participar na corrida. Este ano não falhei mas isto esteve preso por arames, não só a lesão na perna esquerda que tarda em abalar mas também um rebentamento de um vaso no nariz, logo que me levantei, que esteve quase a pôr em causa a minha presença na corrida. Lembrei-me logo do Trail da Geira Romana de há 2 anos em que me desloquei 400 kms para a partir de Espanha participar e ao fim de 100 metros estava a desistir!!! Mas desta vez tive sorte, cheguei a Vale de Barris, participei e vim embora e nada aconteceu, mas fiquei preocupado, lá isso fiquei.
Como habitualmente muitos amigos fui encontrar, outros justificadamente estiveram ausentes por estarem noutras provas que coincidiram com esta, Maratona de Madrid e Meia Maratona de Albuquerque, ambas em Espanha e que mereceram a adesão de muitos portugueses.
Esta era uma das provas que constavam no meu plano traçado até chegar a S. Mamede, creio que pelo traçado delineado e pelas dificuldades encontradas corresponde áquilo que é necessário ir treinando para enfrentar as dificuldades maiores que mais à frente teremos pela frente. Não tenho os dados do meu garmin, pois uma falha técnica bloqueou-me o acesso ao computador, agora nem recebo nem ele aceita qualquer dado, manias, mesmo assim valendo-me da informação à chegada ele marcava-me 3,58h. a organização atribui-me simpaticamente 3,57,26h. para os 30 kms do percurso.
Como não choveu o percurso da prova estava excelente, o mesmo não diria se tivesse caído alguma chuva, a forte inclinação em alguns locais quer a subir quer a descer onde o barro e a terra facilmente se transformaia em lama por certo iria criar-nos muitos problemas, desta vez não caí, o mesmo já não o poderão dizer muitos tais eram as dificuldades em locais mais difíceis de ultrapassar. As dores na perna surgiram de modo mais ameno só a partir dos 15kms por isso pude correr mais solto incluíndo as descidas que é onde tenho sempre mais dificuldades por causa dos joelhos e agora também por causa da perna.
Com2,40h de corrida, a coincidir com a distância da meia maratona estava um abastecimento surpresa, cerveja bem fresquinha, estava a meio da Serra de S. Luís,? junto à antiga pedreira e quando subíamos para o ponto mais alto da Serra. Não contávamos com nada daquilo pois a prova é em auto-suficiência onde temos de transportar os líquidos e sólidos para nos alimentarmos durante toda a corrida, mas soube muito bem até porque o tempo estava excelente e ajudou a assentar melhor aquela benesse caída sei lá de onde.
Os 10 kms finais foram muito bons, a coincidir também com a parte mais técnica da prova, como eu me sentia bem deixei-me ir roçando ás vezes o perigo de quedas, principalmente as descidas onde por norma tenho mais cuidado, mas desta vez sei que exagerei mas como me saí bem acabei por fazer este último terço da prova a ultrapassar muitos outros atletas que já seguiam em grandes dificuldades.
Realço aqui também o convívio proporcionado a todos durante o almoço onde foi realizado também a distribuição dos prémios que integrou uma homenagem pública à atleta Chantal Chervel, madrinha deste Raid de Vale de Barris edição de 2012.Agradeço ao Jorge Pereira, à Otília, ao Mário Lima e ao Carlos Coelho a companhia que em algumas partes do percurso partilharam comigo a boa disposição pelo menos até o folego o permitir.
Segue-se um pequeno descanso, voltarei no 1º de Maio, dia mundial dos trabalhadores.

sábado, 21 de abril de 2012

1ª prova de Trail que fiz para além dos 50 kms.

Para registo aqui fica a 1ª prova de Trail que fiz para além dos 50 kms. Foi duro, não apenas devido à lesão que venho padecendo na perna esquerda mas também pela dureza do percurso em quase toda a sua extensão, muito tácnico em alguns locais, escarpas, descidas e subidas que parecem paredes autênticas, areal de praia, de tudo encontramos num cenário de rara beleza. Foi um bom teste ás capacidades de cada um e particularmente ás minhas devido ao desafio que representa os 100 kms de S.Mamede em Portalegre no próximo dia 19 e 20 de Maio. Até lá ainda tenho outros testes pela frente, veremos como vou lá chegar na certeza que a vontade desta vez comandará a mente pois a preparação actual é muito deficiente para enfrentar tal desafio, mas existe confiança suficiente para vencer mais este desafio.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Ultra Trail de Sesimbra 15/4/2012

A chegada
Aí está, vencido mais um obstáculo que era a superação da meia centena de kms em provas de Trail, Sesimbra era o objectivo para o conseguir, há precisamente um ano atrás estava nos meus planos conseguir ultrapassar essa barreira mas um arreliador problema de saúde deitou por terra essa ambição, por isso foi com reservado otimismo que me apresentei neste dia no risco de partida já que a preparação para esta prova não tinha sido das melhores devido a um problema de circulação sanguínea e dor da canelite na perna esquerda (arranjado em Sicó devido a uma queda e torção do pé) mas que tudo indicava me iria permitir fazer a prova sem problemas de maior, mas não foi bem assim...
Dói, mas alegra a vista

Depois de estar equipado observei que poucos tinham em seu poder os bastões para o auxiliar em locais onde o esforço solicitado seria mais exigente, então cometi o erro ao deixá-los no carro pensando que a prova não seria tão exigente assim, quem olha para Sesimbra não vê razões para se assustar e ver ali coisas parecidas à Serra da Lousâ ou mesmo a Serra D´Arga, tudo lhe parece mais plano, por isso a ousadia de ir na "conversa" dos outros saiu mais cara em termos de poupança de esforço .
Os primeiros 25kms foram brutais mas lindíssimos ora se sobe como se desce logo a seguir por trilhos muito técnicos onde a dificuldades era extrema em alguns locais onde se subia com percentagens de inclinação muito elevadas. De vez em quando dava uma espreitadela para a minha esquerda e também para a minha frente, não para ver este ou aquele que ia à minha frente, mas para ver as lindíssimas paisagens que aquelas serras e arribas da Arrábida nos proporcionavam, daí perceber agora o plano de restrições que impuseram para defesa daquele local (embora aqui e ali não devessem ir tão longe nas suas regras como é o caso das actividades lúdicas dos pescadores a pé que estão proibidas).
Corri quase sempre isolado, aliás como gosto, e só a partir dos 17,5kms é que tive a companhia da Célia Azenha que durou até cerca dos 23kms, depois foi-se embora e bastou eu ter ficado a beber mais um copo de água para nunca mais a alcançar. Aos 26 kms descemos até ao areal que nos levaria até ao aldeamento da Praia do Meco, foram 3 kms bem duros na areia solta e seca (o mar estava com rebentação forte e não dava para descer até à areia molhada e mais dura para se poder correr melhor), o vento estava muito forte e foi nesta altura que caíram alguns pingos de água que tocada a vento pareciam pedaços de pedra que nos atingia, como se torna evidente que este pedaço de percurso foi feito a andar, porque não dava para mais.
No pódio com o  vencedor no meu escalão, José Guia
Aos29kms novo abastecimento e controlo electrónico de passagem, aí o Diez informa-me que agora o percurso é rápido e só na parte final e acesso ao Castelo é que as dificuldades pioram de novo, mas as minhas dificuldades começaram logo ali, não porque o percurso o fosse mas porque começo a sentir dores na perna onde tinha tido o problema anterior, começou na articulação do pé e depois foi subindo até se situar na canela (perónio), faltavam 20kms, como a dor foi subindo de intensidade mas lenta e gradualmente conforme os kms iam decorrendo deixei-me ir, nas descidas o sacrifício era maior mas suportável e dava para chegar, ia pensando eu. Aos 42kms atingimos a pedreira, e que pedreira, tanta vez que já fui a Sesimbra e desconhecia a existência de um monstro daqueles ali, por terra é pouco visível e como nunca me abeirei nem pelo ar nem pelo mar desconhecia a sua existência, por isso fiquei triste mal entrei naquele enorme buraco que ali criaram, de um lado e do outro nota-se a excelência da beleza da Serra e das arribas, no meio aquela tristeza a céu aberto de um manto de branco onde deveria estar o verde natural da vegetação colocada lá pela Natureza e que deveria estar interdita à vontade e voracidade humana.
E o meu prémio individual
Aos 48kms chego finalmente ao Castelo, também é a 1ª vez que passo por lá, pouco vejo pois já ia em estado deplorável, ali estava mais um abastecimento, o último, já tinha acabado a água do meu camalbak e depois daquela subida ao Castelo bem precisava, antes de lá chegar ainda passámos por algumas vivendas que ficavam no vale e ia observando a ver se via alguém a quem podesse pedir uma pouca de água, mas nem vivalma, também ali se percebe o recato das pessoas pois os dias de hoje estão dificeis e é natural este seu isolamento. No Castelo pouco vi, penso que nem ás ruínas passei, passei sim ao lado da Capela e logo desci para o trilho que me levaria até Sesimbra. Foi dolorosa esta descida, os joelhos e a perna condicionaram e muito aquela descida de perto de 2kms, em circunstâncias normais esta descida é espectacular, sempre pelo meio do arvoredo e em trilhos que é um regalo percorrer, contudo fi-los sempre em passo de corrida até chegar à estrada que liga o centro da Vila(?) àté à Lota.
Na t,shirt e caneca gravado a nossa odisseia de Sesimbra.
Com uma curta incursão de novo pela Praia chego à meta instalada no Hotel Sesimbra Spa ali mesmo em frente à bonita baía de Sesimbra.
À minha espera lá estava o grande Comando (Mário Lima) conforme prometera e que registou em fotos a minha chegada, a quem agradeço, e que servem para ilustrar esta minha crónica, pedindo a sua compreensão para o facto.
Para os 50,940kms registados no meu Garmin precisei de quase um dia de trabalho: 7,55,20h. Modestamente acho que mereci o investimento que realizei.
Agora espero recuperar nestes dias que se seguem para poder estar em Vale de Barris na próxima semana.
Fotos cedidas pelo Mário Lima



Classificação Ultra Trail