quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Meia Maratona da Moita, 14/10/2012


Um apoio importante aos 13kms
Já com os olhos postos na Maratona do Porto no próximo dia 28 de Outubro voltei à estrada depois de estar presente na última Corrida do Avante no passado dia 9 de Setembro. Agora foi a Meia Maratona da Moita no passado dia 14 de Outubro, uma prova que faz parte do meu ciclo de provas de estrada que anualmente são programadas para fazer, a juntar a esta estão: 1º de Maio, S.J. das Lampas, Avante, Olivais e as maratonas do Porto, Lisboa e Sevilha. Raramente sairei deste lote, se o fizer será por alguma motivação especial.
A montanha continuará a ser a minha corrida preferida, pelo menos enquanto puder e sinta que não serei um estorvo para os organizadores das respectivas competições, é lá que sinto de facto o prazer de correr e de estar com a Natureza, por isso continuará a ter a minha prioridade independentemente das dificuldades que cada uma delas possa apresentar.
A meia maratona da Moita estava por isso no caminho para preparar a Maratona do Porto, se bem que seja demasiado pouco para isso, mas de há muito que deixei de treinar especificamente para elas uma vez que as provas de montanha por vezes têm-me ocupado em média 5 h. por cada uma a correr/andar dando-me alguma consistência física e de resistência. Na Moita optei por tentar fazer uma prova para 2,15h. mas desde o início logo percebi que o ritmo iria ser mais elevado, parti lento mas ainda via à minha frente 2 AVSs e acelerei um pouco para me juntar a eles, o que consegui perto dos 2kms, ali segui com o nosso Míster Fernando e o Juca até por volta dos 4kms altura em que percebi que o andamento era demasiado para mim, aproveitei um pequeno conflito com o meu relógio e reduzi para o resolver e a partir daí segui isolado no meu ritmo mais confortável.
Aos 5kms ainda passei com 27m e aos 10kms com 55m, a 2ª parte foi mais difícil e não consegui manter o mesmo nível porque o organismo não correspondeu ao que as pernas ainda tinham para dar, o que considero normal, se treino a 6´ o km não posso depois exigir mais do que isso nas provas, não tive outro remédio do que seguir e aproveitar o melhor que a máquina ia deixando. Nos últimos anos a chegada do 1º atleta à meta na Moita corresponde exactamente com a minha passagem naquele local para os últimos 9kms de prova, sinal de que podia apontar para as duas horas de prova se tudo corresse bem dali para a frente. Pouco depois aos 13kms cruzo-me com o meu neto mais novo, o David, tinha ido fazer a caminhada com a mãe até ao Rosário e estava de volta, o pai já lá ia para a frente a acompanhar o primo Filipe e tal como o Hugo iam a fazer o melhor que podiam, para mim as coisas até seguiam muito bem, via por ali alguns atletas com dificuldades, ora físicos ora por cansaço, e era natural que eu seguisse ainda com uma passada solta respeitando sempre as limitações que o organismo me ia impondo já que a nível de força física isto ia muito bem. Parei para idratar bem aos 15 kms, desta vez não levei qualquer suplemento, confiei na organização já que em todas as edições nunca faltou nada aos atletas a nível de apoio com água, mas como habitualmente corro quase sempre junto aos últimos nunca se sabe quando não seremos surpreendidos com uma situação de falha. O dia até estava bom para correr, céu encoberto, ás vezes com pequenas abertas onde o sol aparecia com alguma agressividade, a chover quando eu seguia por volta dos 8kms, mas que durou pouco e foi uma pena, pois a chover é que a gente se entende.
A subida final a partir de Sarilhos Pequenos foi feita com grande à vontade, aí também iam alguns atletas com dificuldades e iam ficando, a descida até à meta foi feita em velocidade sem dificuldade de maior, sentia algum cansaço geral mas as pernas estavam a corresponder bem, sinal que para o Porto as coisas se estão a compôr podendo eu contar com uma marca até ás 4,15h.
Para esta prova com a distância no meu relógio de 21,240kms gastei 2,01,25h. à média de 5,43m por km.
Até considero muito bom este desempenho, há uma semana tinha feito a Serra d`Arga com 45kms e de extrema dureza, com uma semana de recuperação bem difícil e com algumas dores à mistura.
 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Trail da Serra D´Árga



Desta vez a magia da Serra D´Árga deu lugar à frustação sentida na 1ª Edição do Trail Maratona de 2011, tínhamos então ficado a meio impedidos de prosseguir devido a terrível tempestade que se abatera nesta bonita Serra e que se estenderia depois por todo o país.
Desta vez tudo saíu perfeito, mas ainda assim a noite ameaçou com alguma chuva fazendo perigar a passagem por alguns trechos do percurso, contudo a manhã apareceu com o céu quase limpo e com boa visibilidade sobre a Serra.
Os Amigos do Vale do Silêncio estiveram representados com 3 atletas e ás 8h. da manhã lá estavam na partida em DEM depois de terem pernoitado no Pavilhão colocado à nossa disposição para o efeito.
Esta prova prometia, estavam lá os melhores trailistas portugueses e nós tínhamos fundadas esperanças no nosso colega de equipa Rui Pacheco, embora as caraterísticas da prova apontassem numa 1ª análise para a extrema dureza do percurso face aos 45kms anunciados e para um desnível acumulado de cerca de 5 mil metros era de prever que a sua prestação não seria tarefa fácil, eu e o meu genro Daniel Pinto íamos tentar fazer a prova num nível aceitável, embora fosse eu o que tinha mais pressão já que se demorasse muito a chegar corria o risco de regressar de Expresso.
A Serra começava logo ali junto à partida, 500 metros depois estávamos já em pleno estradão que nos conduziria ao primeiro muro logo a partir do 1º km. Serra acima fomos ultrapassando pedra sobre pedra, terra era coisa que não havia, aqui e ali apareciam alguns tojos e ervas que era aproveitado para pôr os pés para subirmos com mais segurança e facilidade. Aos 3 kms atingi o topo da 1ª Montanha a 715m de altura com 32 minutos de prova a coincidir com o 1º abastecimento de líquidos. Eu levava o Camelback e água suficiente bem com gel e marmelada para tomar quando visse que era necessário, ainda assim parei e bebi 3 copos de água poupando a que levava.
A descida que tínhamos pela frente era acessível e muito bonita, a irregularidade do terrenos na subida dera agora lugar a um passadiço de pedra quase que moldada em autênticas lages planas que nos permitiam descer com ritmo elevado sem recear possíveis quedas desde que ouvesse o máximo de cuidado, foram 5,5kms de constante descida a saltar de pedra em pedra começando desde logo o colossal massacre que a zona muscular e as articulações sofreriam até final da competição. Como é hábito voltei a correr isolado, aqui e ali tinha companhia mas sempre por pouco tempo pois gosto de gerir o meu esforço sem qualquer pressão de ritmos certos.
Depois de novo abastecimento e passagem por locais espectaculares, nomeadamente belíssimas cascatas e pequenos lagos onde se podia observar a àgua cristalina ali existente tão do meu agrado, (até ali ainda não tinha perdido uma única oportunidade de ir bebendo sempre que ela estava acessível) esqueci de levar um copo mas para a próxima não me esquecerei. Aos 11,5kms subo de novo à Serra, desta vez aos 585 metros, esta foi sem dúvida a mais fácil de todas, iniciando desde logo nova descida, ainda e sempre em cima de rochas e pedra até chegar ao ponto mais baixo de toda a prova que se situou aos 108 metros e quando já levava 17kms de prova.
A partir daqui começou o espectáculo do rio, caminhando sempre nas márgens deste rio com algumas incursões pelo seu leito numa paisagem deslumbrante e por vezes passagens algo perigosas mas sempre na presença de água pura e cristalina que eu aproveitava para ir bebiricando sempre que possível. Foi numa destas vezes que dei um trambulhão daqueles, aproximei-me demasiado de uma queda de água onde o musgo nas rochas era muito para ter o prazer de saborear aquela água e zás! escorregaram os 2 pés ao mesmo tempo e fiquei estendido ao comprido de costas em cima da rocha, estavam ali os bombeiros de prevenção a dois passos e socorreram-me logo, não me feri mas fiquei com uma dorzita no cotovêlo que não me importunou até final da prova. Segui ainda mais algum tempo por ali no rio, sempre com o máximo de cuidado mas com pena de mais à frente ter de o deixar, o sol já começava a aquecer o meio ambiente e ter aquela água por perto era espectacular.
A povoação onde terminámos o ano passado devido à tempestade já estava perto, antes de lá chegar ainda andámos um pouco no alcatrão, olhei para trás e não via ninguém mas sabia que ainda vinha muita gente lá para trás, tão pouco via também os participantes dos 20kms que partiram duas horas depois de mim mas que sabia estarem já por ali perto, finalmente chego lá com 3,33h, aproveito o abastecimento líquido e sólido e parto à conquista de novo muro, este condizia com o ponto mais alto da Serra Dárga 814 metros e onde o nariz quase batia nos joelhos de forma permanente durante quase toda a escalada, para minha satisfação via aparecer quase em toda a Serra  nascentes de água que se ia juntando até perfazer pequenos riachos que me permitiam de vez em quando beber alguma dela. 
A subida manteve-se sempre duríssima e como levava os apoios tinha mais facilidade enquanto ao mesmo tempo ia poupando um pouco as forças, via outros atletas em grande dificuldade, o meu ritmo ainda era bom a subir enquanto via os outros a ficarem, no alto encontramos uma pequena transição que nos permite descansar um pouco, é aqui que se encontram os animais pastando em total liberdade, a água é imensa pois existem nascentes por todo o lado, a verdura e o pasto é muito bonito, é um autêntico prado de verdura e parecia que estávamos no paraíso, em contraste toda a Serra que vínhamos palmilhando quase que não existe uma árvore, apenas tojos e outros arbustos de pequena dimensão e muita pedra e rocha.
Passado este pequeno Oásis continuamos a subir ao ponto mais alto, de novo pedra e rochas, onde podemos observar ao longe tudo o que nos rodeia, vi a Foz do Minho e Vila Praia de Âncora ali à beira do Oceano de entre muitas outrs coisas, marcava ali o meu relógio precisamente os 25kms com 4,45h. de prova. Começava aqui a mais brutal descida desta competição, para além da continuação da pedra e rocha onde apenas corremos aos saltos, o desnível foi tremendo e permanente dos 815m para 390m em apenas 2,5kms, escusado será dizer que as articulações já não têm ponta por onde se pegue, valeu-nos ali uma pequena folga quase em plano que nos levou até ao abastecimento seguinte dos 29kms e com 6h. de prova até então. Quando ali cheguei vi muitos atletas por ali sentados, não cheguei a perceber se estavam a descansar se estavam para desistir, alguns já tinham tirado os "apetrechos" e fiquei com a ideia de terem desistido, era rapaziada nova na sua maioria mas não me admirei muito, talvez a resposta estivesse ali mesmo à vista, é que íamos iniciar uma das mais difíceis subidas deste Trail, não em termos de altitude mas de inclinação, subimos 400m em apenas 2kms (dos 29kms até aos 31kms), brutal, é nesta subida que encontro a Otília, tinha parado para descansar um pouco, depois segui por ali acima saltando de pedra em pedra com a ajuda dos apoios, encontro de novo mais uma nascente já quase no alto de Serra e aproveito para beber, a água saía de um tubo que a estava a captar sei lá de onde, estava fresquinha e isso é que importava, finalmente chego ao alto olho para baixo e vejo a Otília quase a chegar, ela é uma resistente e nada a faz dobrar.
Dali do alto inicío nova descida, em alguns pontos bastante brusca, até aos 36kms onde estava mais um super abastecimento e que marcava ao mesmo tempo a eleminação da prova para quem lá chegasse com mais de 8,5h. mas eu levava uma boa folga com as 6,57h de prova até então e estava descansado. Encontro aqui o João Meixedo, aquele grande amigo lá do norte, tinha-se enganado no percurso e perdeu algum tempo, deviam ir na "paródia e destraíram-se, só pode ser. Parti com ele e outros  para atacar mais uma Serra a 718m de altitude , não se pode dizer que fosse muito difícil mas era longa e os cuidados eram muitos porque nunca víamos o topo das montanhas e íamos sempre desconfiados.
Mal atingimos o topo desta Serra nova descida muito pronunciada e perigosa que nos levaria a um pequeno riacho e logo de seguida outra subida brutal, curta mas dura como cornos, foi a meio que tive a 1ª câimbra, a coxa esqueda agarrou e senti fortes dores que me fizeram parar de imediato, tinha 40kms percorridos e ainda faltavam 5kms muito duros, passado cerca de 2 minutos verifico que a dor passou e dou alguns passos para continuar a escalada e a perna aguenta-se, logo depois apanhamos um estradão e cruzamos a linha da nossa 1º passagem por aquele local aos 12kms.
Para nossa surpresa e quando já esperámos que a última subida fosse mais suave face ao estradão que víamos à nossa frente somos conduzidos para nova parede, dizia um elemento da organização que ali estava que era um muro de 500 (expressão dele) e depois mais 800 metros até à descida final, olhei para cima e assustei-me mas, como é que eu vou subir aquilo? lá bem no alto via alguém, isto é, via os pés de alguém porque o resto do corpo não se via tal era a inclinação, mas tenho de subir não há outra epótese, rochas e mais rochas, as pernas e os braços já doem, chego a meio e olho para trás e vejo a Otília a aproximar-se de novo, não espero porque sei que ela vem melhor do que eu e não tarda está ao pé de mim, chego ao topo e posso finalmente respirar um pouco, estava de novo a 730 metros de altitude e aproximava-se o último abastecimento no alto da serra a 3 kms da meta, chego ali na companhia da Otília e inicio na sua companhia a descida final que correspondia à nossa 1º subida no início da prova, os joelhos e os pés já não aguentam a descida a correr, aquilo era feito aos saltos, vejo a minha companhia abalar sem poder acompanhá-la, páro para tirar algumas pedras de um dos sapatos, mal me sento os gémeos agarraram, levanto-me de novo e volto a tentar mas desta vez são os pés com câimbras volto a levantar e consigo nesta posição tirar o sapato, não que os gémeos não voltassem a agarrar, consigo resolver o problema e ensaio novamente a corrida, ali já tinha regressado ao estradão inicial e estava no último km, corro agora mais animado já me dizem que a meta estava ali a seguir à curva, começo a ouvir emocionado as palmas de quem estava ali a assistir à nossa chegada, vejo a meta e páro após passar a linha, fico um pouco aparvalhado porque fico sem saber para onde ir, nisto vejo o Carlos Sá a meu lado a bater-me no ombro para me dar o prémio de Finisher, um Pólo sem manga, que por ser pequeno não me serve. Não o vou guardar, vai direitinho para o meu neto mais velho, se o quizer, claro!
Ao fim de 8,48h. terminava esta minha Odisseia numa distância que até nem é muito extensa, 44,750kms, mas que a nível de dureza não deixa saudades
Logo de seguida chega o Rui e o Danielao pé de mim, já tínham tomado banho, o Rui tinha efectuado uma prova espectacular, ficou em 6º da geral e 3º do escalão sénior, foi novamente traído pelas câimbras perto dos 40 kms quando seguia em 3º lugar da geral mas não tardará muito que o nosso Trail não conte com mais um elemento de grande valor. O Daniel também fez uma prova espectacular, considerando até a irregularidade dos seus treinos e também das provas em que tem participado, é rijo quanto baste.
Uma palavra para alguns aspectos que me pareceram menos bons, muitos atletas participaram na Maratona sem cumprirem o regulamento obrigatório transportando consigo os materiais de sobrevivência indispensáveis, a ausência de qualquer controlo por parte da organização facilitou esse incumprimento prejudicando outros que em competição saíram claramente prejudicados, é uma situação a rever pois não se pode estar a regulamentar e depois não se dar cumprimento.
Não seria despropositado que à nossa chegada ouvesse um abastecimento suplementar de líquidos e sólidos, chegamos ali desidratados e sabia bem ali um reforço que nos animasse um pouco.
Por fim e isto já começa a ser banal, chego tarde a a más horas ao almoço mas aqui a responsabilidade é minha, a massada tinha acabado e tenho de esperar, não é problema espero, vou buscar uma bebida para acompanhar o almoço e a cerveja tinha acabado, vinho não sei se ouve o certo é que não havia, a água que estava no jarro ficou lá. É muito pouco e os últimos devem ser apoiados como foram os primeiros.
Uma palavra ao Carlos Sá pela enorme simpatia que teve para com todos os atletas durante todo o evento mas principalmente pela sua presença na Meta ao esperar todos os atletas do 1º ao último a chegar e dar a todos pessoalmente o prémio que merecidamente conquistaram, foram muitas horas aguardando que um após outro fosse chegando e sempre com uma palavra de simpatia para todos. A todos os que estiveram no terreno a ajudar o meu obrigado pelo excelente trabalho desenvolvido.
Classificações

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Serra D Árga, faltam apenas 4 dias!!!

Serra Dárga,

Quando partimos em 2011 já víamos ao longe a terrível tempestade que nos esperava, mas partimos dicididos e determinados, ou não fosse esse o espírito que acompanha todos os trailers, a par dessa determinação existe também o grande espírito de aventura e superação onde não existem obstáculos que não tenham de ser vencidos. A Serra Dárga é e será dura de roer mas quem partir no próximo Domingo vai com o sentido de vencer aquela que será sem dúvida a que subirá mais em acumulado numa prova jamais realizada em Portugal, poderá não ser a mais difícil e onde se correm maiores riscos de quedas aparatosas e perigosas (vamos ver) mas é uma prova que suscita grande curiosodade para todos nós.
Os limites impostos de tempo de passagem creio que são acessíveis, assim as condições climatéricas o permitam e estou certo que todos sairemos de lá com a satisfação de mais um desafio vencido, e dos grandes.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Trail do Grande Lago, Alqueva

Trail do Grande Lago, Alqueva
A equipa de Trail dos Amigos do Vale do Silêncio
Estava a ver que se repetia o mesmo que há um ano no Trail Serra Dárga com o violento temporal a chegar de novo no dia da prova e depois de uma prolongada temporada de canícola. Daquela vez a Organização viu-se forçada a interronper a prova quando ela ia mais ou menos a meio, desta vez felizmente deu para percorrer aquele magnífico trajecto, não sem que tivéssemos levado com uma tromba de água durante quase toda a prova, alturas ouve que os trovões e raios me preocuparam um pouco, levava os bastões de alumínio e não sabia até que ponto não poderiam atrair o perigo até mim, fora isto e aquela chuva a cair com aquela dureza para mim foi espectacular, o vento era quase nulo e apesar da intensidade da chuva sentia-se o ar abafado, sinal de que o sol continuava abrasador e influenciava o meio ambiente onde nos encontrávamos. Há um ano tínhamos tido um calor tórrido a rondar os 40º levando a muitas desistências e a causar imensos problemas a quem conseguiu concluir, da  minha parte prefiro a chuva ainda que em alguns locais dos infindáveis estradões que temos de percorrer existissem autênticos lagos que atravessei a eito e sem preocupação de molhar os pés (para os arrefecer porque molhados já eles iam). Quando partimos ainda não chovia mas passados poucos minutos caía torrencialmente, levava os bastões porque conhecia o percurso das duas edições anteriores e estava confiante numa boa prova para isso contribuía não só a manhã fresca mas também o facto de desta vez estar um pouco melhor preparado, não me preocupei com o ritmo nem com aqueles que por ali estavam do meu escalão, era apenas para correr sempre de forma confortável, para isso fiz o que custume fazer, correr em solitário e com a ajuda dos bastões. Muitos devem ter estranhado que numa prova daquelas levar os bastões mas por certo durante a prova devem ter percebido porquê, não raras vezes me pediam (na brincadeira, claro) para lhes emprestar pelo menos um dos bastões, achava que tinha feito uma boa opção, não que aquilo tivesse grandes dificuldades mas sim porque tinha muitas pequenas dificuldades, conseguia correr mesmo nas subidas mais difíceis mas para isso também é preciso alguma técnica (para isso servem os treinos).
O Rui Pacheco a receber o Troféu como vencedor Sénior
Encontrava-me agora em pela corrida, já não havia muitos atletas atrás de mim quando atingi os 10kms de corrida, a chuva torrencial não parava olhei o relógio e marcava 1,02h. sentia-me muito bem e ainda sem forçar nada mas também sabia que a próxima dezena de kms levaria muito mais tempo a ultrapassar, Amieira estava próximo e era a partir dali que aquilo ia começar a doer. Os 15kms foram ultrapassados sempre em passo de corrida, apenas tinha parado no 2º abastecimento para beber água e comer uns quartitos de marmelada mas a partir do 15º kms comecei a poupar o esforço nas subidas que embora correndo fazia-o muito devagar e assim poupava um pouco as pernas. É aqui que começo a sentir dor nas costas na zona onde se fixava o camalbeck na parte de baixo, de tanto roçar aquilo já estava em ferida na região dos rins de uma ponta à outra, a única solução era deitar aquilo fora mas preferi seguir com ele e ter a garantia que a água não me iria faltar. Os 20 kms são alcançados com 2,16h. mais 14m que os primeiros 10kms tal como previra devido ás dificuldades acrescidas que o percurso nos oferecia, para trás tinha ficado uma pequena alteração no percurso de edições anteriores, creio que veio melhorar o anterior, um pouco mais de dureza na subida mas mais bonito de transpôr, levou-nos ao ribeiro e durante algumas centenas de metros percorremos o seu leito até que subimos pouco depois ao alto da serra onde estava o abastecimento dos 22kms. Pouco depois encontro em pleno estradão uma Cabra doente e caída no chão, pela sua posição e pelo ténuo berro que ia soltando indiciava que já não teria muito tempo de vida, mas chocou-me por nada poder fazer e a chuva continuava a cair...
Amigos do Vale do Silêncio, vencedor colectivo
Nesta altura há muito que os meus companheiros de Clube seguiam lá bem na frente, eu era o último e não vira até ali nunhum deles, sinal que tudo seguia bem, ia-me lembrando da minha filha Susana que também lá ia sabe-se lá como, os treinos que conseguiu realizar eram insuficientes para aquilo e só a sua força de vontade em fazer a prova é que deram o impulso final para partir e chegar, por isso estava tranquilo na minha marcha até final e apenas tinha de me preocupar em os seguir e chegar onde eles chegaram.
Atinjo os 30kms com 3,46h e começo a acreditar numa marca bem inferior há do ano passado (4,45h.), continuo a estar muito bem embora me senti um pouco cansado e com as costas em estado lastimável (o camalbeck tem os dias contados) mas em contra partida não sentia dores musculares nem os joelhos me incomodaram daí ter feito muito bem a descida final entre os 29/31kms) , coisa que no ano anterior não tinha sido capaz. Após o último abastecimento penei a bom penar para percorrer aquele estradão de gravilha preta sempre a subir ainda que ligeiramente, era curva e mais curva até que após uma pequena subida vemos aparecer finalmente os acessos ao local de chegada, sempre a subir para não variar.
Com a minha chegada marcava o relógio: 35,220kms com a marca de 4,21,11h. (Oficialmente foi-me atribuído a marca de 4,22,09h. ??), 24 minutos a menos que o ano anterior, a diferença entre o calor de então e a chuva de agora, creio eu.
Os meus rapazes e pais do meu neto David
Envio por aqui um bravo a todos os membros da minha equipa Amigos do Vale do Silêncio, em especial ao Rui Pacheco pelo seu 1º lugar no escalão de séniores e pelo 4º lugar da classificação geral que desta forma contribuiu decisivamente para a vitória colectiva que o nosso Clube alcançou.
Para a organização vai também uma palavra de simpatia e parabéns pela excelência como destribuiu os abastecimentos e toda a logística colocada à nossa disposição para a efectivação da prova.
Esperamos e desejamos que na próxima edição a cerimónia de destribuição dos prémios seja feita com mais celeridade, poupando assim os atletas a uma longa espera e em simultâneo a participação de mais atletas evitando-se assim a ausência de muitos no pódio para receber o seu prémio.
Daqui a duas semanas teremos pela frente uma das provas mais duras e bonitas do nosso calendário de Trail, a Serra Dárga em Caminha, serão 45kms de Montanha com 5 mil metros de desnível positivo, depois da Freita com mais de 4 mil de desnível realizada a 30 de Junho deste ano esta será aquela onde as dificuldades também serão tremendas, resta saber se será mais suave ou não, dia 7 de Outubro já saberemos. Classificações
Fotos da Cerimónia entrega de prémios

domingo, 16 de setembro de 2012

Corrida da Festa do Avante, 9 de Setembro de 2012

Depois de S.J.das Lampas a Corrida da Festa do Avante realizada no passado dia 9 de Setembro completou o ciclo de provas de estrada que previra até final de Setembro, apenas 4, incluindo aqui as que faltam assinalar como a Maratona de Sevilha em Fevereiro e a Corrida do 1º de Maio.
São 4 provas que dificilmente deixo para trás até pelo carisma e significado que têm para mim, até final do ano terei mais 5 ou 6 para fazer em estrada, incluíndo aqui as maratonas de Porto e Lisboa e ainda as Meias Maratonas da Moita e Nazaré. Dicididamente a montanha e as provas de trail enraizaram e é em torno delas que realizo esta ambição de correr e de andar independentemente da distância e das dificuldades acumuladas que cada uma encerra, tem sido assim e assim vai continuar.
Como era previsível a Corrida da Festa do Avante acabou por ser aquilo que pretendia: participar, quer na Corrida quer depois na Festa. Tendo em conta que na véspera, apenas 12 h. antes, tinha participado na Meia Maratona de S.J.das Lampas esta prova tinha mesmo de ser feita com muita prudência e num ritmo que me permitisse descansar um pouco, para isso parti na cauda do pelotão na companhia do clâ Dinis de Sousa na esperança que o ritmo fosse a condizer com as minhas necessidades, depressa concluí que não iria ser assim, partimos no fundo mas rapidamente começámos a ultrapassar muitos atletas, sinal que aquilo ia piorar lá mais para o fim da prova.
Quando virámos até nem vinha muita gente atrás de nós mas a partir dali a coisa começou a apertar mais e rapidamente atingimos os 10kms com 58,45m., estava demasiado rápido para mim, a média de 6´era a ideal mas depressa concluí que o ritmo estava lançado e não era agora que ia mudar, coloquei-me junto à frente do grupo para contribuir que o ritmo se mantivesse até final da prova, creio que pelo resultado final 11,500kms de distância correspondendo a 1,06,11h. o ritmo foi excelente mas deixou-me algo cansado pois durante toda a semana o corpo teve dificuldades em recuperar deste acumulado de esforço do fim de semana.
Dou os meus parabéns aos meus amigos do Clube do Vale do Silêncio pelo seu empenho e pelo seu esforço tendo obtido o honroso 7º lugar colectivo.
Parabéns também para a Organização da prova, lamentado eu aqui mais uma vez que se "permitisse" a entrada no funil de chegada de pessoas que não fizeram a corrida e oportunisticamente obtiveram uma t,shirt e entrada gratuita na Festa em desfavor de outros que a tendo concluído não a receberam por se terem esgotado. Lamentável e a merecer mais vigilância e controlo em próximas edições.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Meia Maratona de S.J.das Lampas


A maior satisfação que tive nesta minha participação na Meia Maratonsa de S.J.das Lampas foi no final ouvir do Fernando Andrade que tinham terminado a prova 529 atletas. É um número de atletas espectacular, lembro-me que em muitos anos os números raramente ultrapassaram as 300 pessoas e nem foi isso que por um segundo sequer se pensou em desistir, hoje estamos na 36ª Edição e aí estão os resultados, S.J.das Lampas difinitivamente deixou de ser um papão de dificuldades anunciadas e passou a ser uma prova apreciada e ao mesmo tempo elogiada, quer pelo espectacular traçado quer pela excelente organização e carinho com que todos são recebidos e tratados.
Depois saliento também o caracter envolvente  em que me empenhei em conjunto com um grupo de amigos que de uma forma ou de outra têm contribuído com a sua envolvência num verdadeiro estado de espírito saudável de amizade que a mim pessoalmente me deixa imprecionado, por modestamente fazer parte desse grupo dicidi integrar a caravana a que foi dado o simpático nome de TGV, não com o sentido de mostrar os galões mas sim porque estava na presença de amigos e saber que uma prova com aquelas dimensões e algo pesada poderia ser ultrapassada com menores dificuldades com algum divertimento e distração de permeio.
Claro que o compromisso era relativo, mas mesmo assim se conseguiu uma união de esforços até perto dos 15 kms, altura em que o António Pinho começou a quebrar, antes já tinha abalado o Jorge Branco, aos 5 kms envolveu-se com aquela subida de tal maneira que quando chegou aos 6kms já levava algum avanço, ainda balouçou algumas vezes na estrada (vêm não vêm?) até que dicidiu partir para não mais o vermos, o Rui dicide ficar na meta aos 13kms e acho que fez muito bem, na próxima não vai ter a mesma sorte terá que ir conosco até ao fim. A partir dos 10 kms começo a sentir a necessidade de soltar um pouco e aproveito algumas subidas para forçar um pouco até ao alto para pouco depois retornar ao seio do grupo que se mantinha fiel desde o início. Aos 15kms já só ia eu, o Carlos Coelho e a Ana Pereira, tinha ficado um pouco para trás para trazer o Pinto mas logo me incentivou a seguir e assim fiz, perto dos 16kms consigo encostar de novo à Ana e ao Carlos mas o andamento já estava a ficar mais solto e forte, sentia-se que a Ana Pereira estava forte e queria testar a sua capacidade de sacrifício a partir dali. 
O Carlos diz-me que já está com dificuldades em continuar e para levar a Ana, à nossa frente seguiam duas atletas e começou logo ali a ser o nosso alvo, vou para a frente e moderadamento começo a forçar o andamento, vou olhando pelo canto do olho e vejo que a Ana consegue acompanhar, pouco depois alcançamos as duas atletas e encetamos a perseguição a outras que se avistavam já no nosso horizonte, o ritmo já era forte, tínhamos partido com o objectivo de fazer as 2,30h. com média prevista de 7m, nesta altura o ritmo já baixara dos 6m e numa fase em que apenas faltavam 4 kms para acabar, sentia-me solto e sentia-me satisfeito por a Ana conseguir palmilhar aqueles kms finais com grande determinação e querer cortando a meta com uma satisfação enorme pelo à vontade com que o fez. Nos últimos 6kms retirámos 8m ao resultado final previsto que era de 2,30h, tendo o nosso cronómetro marcado 2,22,11h. Com as voltinhas do vai e vem ainda percorri 21,560kms.
Tive ainda a agradável companhia da minha filhota que quis conhecer esta prova e participar nela, embora inicialmente estivesse prevista a sua participação no TGV ela optou por seguir à procura da aventura pois sabia das dificuldades que aquilo tinha e dicidiu descobrir isso sozinha, acho que fez bem, conseguiu ainda, apesar de algumas limitação nos treinos, alcançar o 5º lugar no seu escalão de séniores conquistando um bonito troféu.
A organização como sempre esteve bem, os atletas já estão habituados e conhecem todos os rituais do princípio a fim e não precisam  de mais nada do que aquilo que conhecem, eles sabem que as coisas estão lá, 3 abastecimentos, diversos tanques e chuveiros que permitem ir refrescando o corpo durante a prova e no final a recepção onde não falta a melancia e outros produtos a condizer. O tempo esteve excelente como poucas vezes vejo, sol encoberto e alguma brisa a ajudar.
Agradeço aos autores das fotos a amabilidade da sua cedência

domingo, 2 de setembro de 2012

Trail Noturno Vale de Barris, Palmela

O regresso após uma curta pausa mais uma vez em Vale de Barris, Palmela, é já considerado um ponto de referência numa espécie de início de época, sim porque se não fosse essa curta pausa isto tinha ido de seguida e ficaria sem saber quando foi o início e muito menos quando seria o fim. Desde o dia 4 de Agosto (Ultra Trail de Óbidos) que vinha a repousar, fiz entretanto 10 treinos ligeiros e de curta duração e 0 de provas e por isso não sabia como iria correr a prova de hoje na Noturna da Arrábida organizada pela simpática Colectividade das Lebres do Sado que escolheu Vale de Barris como Sede do evento e que teve como de custume as faldas da Serra da Arrábida como cenário.
Não foram criados muitos problemas aos corredores no traçado que nos ofereceram, evitou-se os single tracks e os trilhos e estradões por onde passámos estavam em muito bom estado, o que diga-se como convém para início de época para muitos dos que lá estiveram, a altimetria também foi dada em dose aceitável, apenas 468 metros de acumulado positivo  foi o suficiente para começarmos a sentir já a adrenalina para o que aí vem até ao fim do ano.
A noite estava espectacular, sem vento e o ambiente sentia-se um pouco abafado, levei a minha camelback e um litro de água, sabia que ia haver um abastecimento de água aos 6 kms e que depois só haveria mais apoio quando chegássemos à meta, o que diga-se era demasiado considerando a noite que estava perante nós. Por isso me fez alguma confusão ver a maioria dos atletas sem qualquer abastecimento numa prova que sendo de Trail arrasta sempre dificuldades acrescidas a que devemos dar maior atenção, acrescente-se ainda que devido à ausência de chuva a passagem dos atletas por aqueles estradões e trilhos levantavam autênticas núvens de pó levando a que alguns de nós em pouco tempo ficassemos com algumas dificuldades respiratórias exactamente devido à ausência de transporte de água que imprudentemente a maioria deles negligenciou.
Como sempre acontece mais uma vez corri isolado, aqui e ali juntava-me a um grupo que seguia à minha frente sempre que a dificuldade do percurso impunham maiores cuidados, mas logo que as condições melhoravam voltava a ficar só, não que não pudesse ir mas porque queria fazer aquilo confortável, o percurso era excelente para se correr, nas subidas mais íngremes aproveitava para andar e repousar um pouco, desta vez não levava os apoios e em nenhuma ocasião me arrependi, a luz do meu frontal desta vez esteve melhor e isso permitiu que fizesse uma corrida muito mais segura, os ténis também foram os adequados pois levei os da pesada e assim consegui passar as dificuldades maiores sem tropeçar, escorrergar e muito menos torcer os pés (o que acontece com mais frequência), à minha frente seguiam atletas que corriam com ténis de estrada, constantemente iam aos tropeções e nalguns casos sucediam-se as quedas, ou por obstáculos um pouco mais elevados ou por escorregadelas devido à falta de cuidado e inesperiência ou ainda devido à inclinação acentuada em algumas partes do percurso.
Quando passei pelo abastecimento líquido não parei, ainda tinha muita água comigo mas foi visível verificar que muitos atletas tiveram de se dissedentar com mais profundidade por forma a que conseguissem ultrapassar o restante do percurso já que não haveria mais qualquer abastecimento, aliás esta informação constava do Regulamento e estávamos todos avisados que assim seria.
O percurso para a parte final era já meu conhecido mas confesso que andei por ali perdido em relação ao Norte, via à minha direita um imenso casario mas não sabia se aquilo era na parte Sul ou da parte Norte da Serra, seria Setúbal? ou os bairros a norte? não via Tróia e isso ainda criou mais dificuldades, mas como as marcações do percurso estavam muito bem feitas e visíveis através de fitas luminosas ia descansado pois sabia que eles iriam conduzir-me até chegar à meta. Contudo ainda apanhei um susto, o frontal abriu e fiquei sem luz, por sorte nenhuma das pilhas chegou a cair, sem luz não vemos os pontos luminosos flurescentes e seria um pesadêlo se isso acontecesse, depois de resolver o problema segui mas com o pensamento agora mais preocupado por causa deste pormenor.
A parte final do percurso a partir dos 12 kms é em alcatrão e estradões e quase sempre a descer até Vale de Barris onde estava a meta, por isso e porque me sentia muito bem embalei, o organismo suportou bem o esforço, as pernas obedeceram sempre e na descida as articulações responderam bem, creio que isto estará no caminho certo com vista ao Ultra Trail da Serra D´arga em Outubro e o que aí vem até lá será feito de forma progressiva em kms e em esforço.
No final o cronómetro marcava 1,53,55h. para os 14,990 kms do percurso, média de 7,36m por km. 
No final foi servida uma apetitosa sopa de caldo verde onde não faltou algumas rodelas de um apetitoso chouriço, uma sandes com chouriço assado e um excelente vinho a acompanhar.
Parabéns a toda a Organização pela excelente prova e apoio que nos ofereceram, como aliás é habitual.

domingo, 5 de agosto de 2012

Ultra Trail Noturno de Lagoa de Óbidos, 2012

4ª Edição do Ultra Trail Lagoa de Óbidos concluída com êxito
Óbidos veio pôr termo a esta primeira fase de provas que previa no meu calendário para este ano de 2012, ainda falta muito para concluir até ao fim do ano, com duas maratonas de estrada ainda por fazer (Porto e Lisboa) e o Ultra Trail da Serra D,Arga em Caminha, de permeio ainda existem duas meias maratonas e algumas provas mais "pequenas" para concluir. Atingi já os 589 kms nesta 1ª fase no conjunto de todas as provas realizadas em 2012, tendo ficado por realizar 3 das provas programadas que por motivos de saúde não foi possível concretizar, (no total de 87kms)
O Ultra Trail Noturno de Óbidos aparece assim para concluir esta fase, segue-se agora duas semanas de descanso total para voltar nas duas últimas semanas deste mês para preparar para já a Noturna na Serra da Arrábida no dia 1 de Setembro e logo de seguida a Meia Maratona de S.J. das Lampas (8 de Setembro) e a Corrida da Festa do Avante (9 de Setembro).
Este Ultra Trail Noturno de Óbidos tem pouca história a não ser a que a envolve, uma excelente organização que para além da logística com bons abastecimentos em locais cruciais consegue sempre inovar alguma coisa no trajecto do percurso fazendo-nos quebrar alguma monotonia que por vezes se apodera de nós já que se trata de uma prova onde se pode correr quase sempre.
Outro aspecto que também muito me agradou foi a presença da minha filha Susana que estando ainda numa fase de preparação bastante atrasada não deixou de estar presente com a sua participação na prova de 26kms. Igualmente de salientar a presença de mais 2 atletas do meu Clube (Amigos do Vale do Silência) na Ultra Maratona o Daniel Pinto (meu Genro) e o Rui Pachego, sendo a 1ª vez que concluímos a prova com 3 atletas.
A minha prova foi a possível onde a partir dos 25kms, a condizer com o aparecimento da praia da Foz do Arelho e das Dunas que nos levaram para sul, as dificuldades começaram a aparecer, primeiro foram os pés que começaram a ficar muito duridos em resultado do piso irregular e muito duro em alguns locais, depois tive de enfrentar algum desconforto nas ancas (penso que devido à Ultra de Melides/Tróia) e finalmente as pernas também já acusavam algum cansaço. 
A prova tinha tido início ás 21h, já com a noite ali à beira da esquina, por isso parti logo com o frontal aceso, o que foi um erro, pois não tardou muito que fiquei com uma luz muito fraquinha até final da prova, vi e abracei muitos amigos, entre os quais estava o José Xavier, emigrante na Holanda, que aproveitando as suas férias quis estar presente no TNLÓ, o Vitorino Coragem e o José Morgado que recentemente estiveram no Hhumilak de 166kms no País Basco, aliás, na fase mais crítica da prova tive o prazer de correr a seu lado e o Luís Miguel (o tigre) que tinha tomado a iniciativa durante a semana de me convidar a fazer a prova com ele tendo honrado esse compromisso do 1º ao último metro da prova ao ponto de termos cortado a linha de chegada abraçados em mútuo reconhecimento pela colaboração em toda a prova. Lá estava também a Otília e o Brito bem como o Luís Mota  e a Suzi, o Mário Lima e tantos outros. Para a Otíla tenho uma palavra de simpatia por ter dado um apoio extraordinário à minha filha Susana, nunca a tendo deixado para trás em alturas de estrema dificuldade em que ela se encontrava e também para o Brito pois tive conhecimento que após terminar a sua prova teve um momento de indisposição mas que rápidamente recuperou.
Para a organização deixo também uma palavra de agradecimento pelos motivos que conhecem e também pela forma como cunduziram toda a Organização desta excelente prova, garantindo desde já que para o ano lá estarei para vos visitar de novo.
O meu registo na prova contabilizou 50,050kms com o tempo de 8,13, 51h. à média de 10,03m por km.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Ultra Maratona da Areia Melides Tróia

Para a próxima já vai correr a meu lado
Esta edição da Ultra Maratona de Melides a Tróia ontem realizada tinha tudo para eu conseguir fazer finalmente uma prova onde não encontrasse nada de relevante a que obstasse  a que fosse bem conseguida, mas isso nós nunca vamos conseguir saber sem partir e conhecê-la por dentro, podemos estar muito bem, com a moral altíssima, com a temperatura ambiente excelente, tudo é imprevisível por isso para a maioria de nós as respostas começam a aparecer logo que começamos a dar as primeiras passadas, para outros, iludidos pela esperança de bons resultados aventuram~se à procura da sua sorte mas rapidamente tomam consciência da dura realidade sobre o que representa uma prova duríssima como aquela.
Descobrir que uma prova para ser dura não precisa de andar a correr por vales e montanhas basta participar nesta prova, ali encontra tudo: areia seca e solta mas também molhada e mais consistente, plano inclinado sempre para o lado esquerdo, sol abrasador, vento de Norte (desta vez arrastanto consigo o calor sufocante), auto-suficiência de líquidos (até aos 28,5kms) e sólidos para todo o trajecto de 43kms é, diga-se pôr à prova a resistência humana, é por isso que muitos são traídos pelo seu voluntarismo e muito cedo tomam consciência que as coisas não são tão fáceis como parecem. Esta prova está a crescer tendo 365 atletas terminado este ano, muitos deles provavelmente nem sequer leram os regulamentos e por isso desconheciam, ou não tomaram as devidas previdências sobre os avisos e as restrições que a Organização foi lançando durante a preparação da prova. Foi triste ir vendo de vez em quando lixo, muito lixo, pela praia fora: garrafas de plástico e pacotes de gel vazios eram deixados naquele extenso e bonito areal que compôe toda a costa de Melides a Tróia, resta-me a esperança que quem emporcalhou aquilo faça um exame de consciência e perceber que não está a fazer uma prova de estrada onde tudo é permitido, este espaço é de jurisdição marítima e tal como na montanha temos de o preservar sob pena de num futuro próximo ser-nos interditada.
Tal como previa esta prova para mim foi um suplício, desde a partida vi logo que aquilo ia doer, levei 4 gels e 4 nugats para comer e 2 litros de água (meio litro ia numa farrafa), havia quem levasse bananas, maçãs, sandes, bolos e muitas outras coisas, mas eu achei que era suficiente o que levava para ir enganando o estõmago ao longo da viagem, levava ainda os ténis pendurados no camelback pois optara por correr novamente com meias neoprene. Logo que partimos optei por correr na areia seca e solta e evitei aproximar-me da água, as neoprene são muito eficazes na areia mas quando fazem incursão pela água vão enchendo até que de vez em quando tenho de me deitar, levantar a perna e esvaziar a água, fui durante os primeiros kms ali por cima mas depois comecei a observar que quase todos os outros andavam lá por baixo e aproximei-me, vi então a autêntica auto-estrada que a maré quase vazia nos oferecia, nem exitei pois nunca tinha visto nas edições anteriores que participei tão boas condições para correr. Nesta fase já tinha a confirmação que não podia esperar muito do meu desempenho, algo de estranho se passava, as pernas estavam bem mas não recebiam do restante organismo o correspondente impulso, arrastava-me e com uma pista daquelas as coisas deveriam ser diferentes, o meu pensamento levava-me a Portalegre e à Freita e a outras de menor dimensão mas que foram acumulando algum esforço dispendido e também algum cansaço, na Freita caí pelo menos 10 vezes, em duas delas deixaram mossa que me impuseram cerca de 3 semanas quase sem treinar, por isso não era de estranhar as dificuldades que já ia sentindo quando cheguei ao 1º posto de controlo, estavam decorridos 5,5kms de prova com o tempo de 43m, nada mau mesmo assim, mas eu sabia que lá mais para a frente isto iria piorar. Alcanço o Carlos Coelho e deixo-me ir ali com ele algum tempo, é então que começo a perceber que tinha de enfrentar a realidade e vejo-o ir embora novamente e decido meter um ritmo muito lento de forma aque consiga chegar dentro do horário limite imposto pela organização. Aos 20 kms tenho já gasto 3,02h, estava razoável e estava a beneficiar com as boas condições na areia que se mantinham e se prolongariam até ao Carvalhal, local onde assinalava os 28,5km e se encontrava o 1º e único abastecimento do percurso (só um litro de água por atleta), cheguei aqui com 4,02h e já tinha ultrapassado de novo o Carlos que vinha já em grandes dificuldades.
Descansei durante 10m, neste meio tempo atestei o camelback com 1 litro de água que me deram, tirei as neoprene (os pés começavam a ficar duridos por baixo) e calcei as meias de compressão e os ténis que levava ás costas, a diferença foi notória pois os pés ficaram mais confortáveis mas mesmo assim acho que fiz uma boa opção, já por ali via muitos a transportar os ténis nas mãos e a correrem descalços. Depois parti novamente com esperança que aquela paragem tivesse contribuído para recuperar um pouco as forças que de há muito vinham a faltar, foi ilusão de pouca dura, depois com a agravante de a maré já estar a encher e por consequência a auto-estrada também acabou e a progressão fazia-se agora em areia mais solta, o calor era abrasador, falava-se em 34 graus, o vento que vinha de frente era moderado e arrastava consigo uma aragem muito quente, as meias de compressão e os ténis tornavam agora os pés muito quentes, o estômago já custava a aceitar os gels, apenas ingeri 2 e os nogats enrolavam já na boca seca, a desidratação já impedia a existência de saliva e esta é indispensável à dissolvição e encaminhamento dos alimentos até ao estômago. Aos 30kms dicidi molhar os ténis, era já insuportável o calor que sentia nos pés e comecei a caminhar, terminava ali a minha corrida não valia a pena tentar contra o impossível, lembrei-me nesta altura do Fernando Andrade que tinha bloqueado há 2 anos mais ou menos naquele local e apenas arranjou forças para prosseguir caminhando. Aos 35 kms já levo 5,25h de prova e aos 39kms falta-me a água, já tinha consumido 2,5L. ela já estava muito quente mas havia agora começavam as preocupações, lembro-me então que ainda levava de reserva 0,5L dentro do camelback, tiro-a e logo verifico que aquilo era capaz de dar para coser algumas batatas, mas era melhor do que nada, sempre que queria beber um pouco descia até à água do mar refrescava-a um pouco, perdia ali 2/3 minutos, repeti a cena mais 4 ou 5 vezes mas pouco importava, não queria era prolongar para além do suportável as dificuldades em que já ia. Finalmente avisto a meta a menos de 1 km, a praia esta pejada de gente, procuro passar pelo meio ou espaços que tenho de procurar, aqui e ali um incentivo mas a maioria ignora, inicio uma breve corrida 200m no máximo e volto a andar para de novo já em linha de reta para a meta voltar a correr, baixo a cabeça a areia está seca e mole, ouço chamar olho e vejo a minha pérola mais recente, o David estava ali, olhava-me estranhamente mas logo me estente os braços pego nele e procuro levá-lo comigo até à meta, com ele ao colo tento dar mais uns passos de corrida, tinha a meta a 50 metros,  mas desisto não tenho mais forças entrego-o de novo à mãe e sigo para a meta, para a próxima não vou perder nova oportunidade, nem que vá de rastos até lá chegar. Finalmente atingi a meta ao fim de 6, 48,37h para perfazer os cerca de 43,600kms que o meu cronómetro marcou.
Já se escreveu e eu também já li, fortes críticas (creio que construtivas) quanto ao fornecimento de água pela organização, aceito as regras impostas mas a organização terá de ponderar, e poderá salvaguardar no Regulamento essa possibilidade, de reforçar a dose de água que dá aos atletas ao km 28,5 em dias onde o calor se faz sentir de forma quase extrema. Trata-se de uma prova aberta a todos que põe como única condição a sua conclusão em 8 horas. A esmagadora maioria faz aquilo até ás 4,5h mas os restantes podem estender-se até ao limite de tempo, isto levanta um problema grave de saúde que é a falta de ingerir líquidos quando deles mais precisa, as horas de mais calor vão incidir a apartir das 4,5h de prova e nas actuais condições estamos a brincar com a nossa saúde. Vou voltar a Melides e gostava que a Organização fosse sensível a este apêlo, partimos normalmente com 1,5l de água no camelback, bastava no abastecimento do Carvalhal abastecerem-nos na mesma proporção de água, isto é, 1,5L de água numa só garrafa, quem quisesse levaria o 1,5L nos recipientes que transportam e acabaria  assim desta forma o abandono de garradas que se encontram espalhadas pela praia por gente incapaz de contribuir para a manutenção de um ambiente limpo e saudável. Se assim não for vou preparar um garrafão de 5 litros para levar ás costas e dispensarei ajuda no Carvalhal, há 2 anos implorei por mais água e foi-me negada com o protexto do Regulamento, aos 40kms esgotou-se a que levava e não gostei!!!
Agora é tempo de descansar activamente pois no início de Agosto vamos ter nova guerra, agora em Óbidos.
Classificações

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Memorial Francisco Lázaro, Lisboa 15/7/2012

Um fim de semana em que estive muito empenhado em acompanhar a grande Odisseia de 13 bravos guerreiros portugueses que no país basco se empenharam em vencer o duríssimo ultra Trail do Ehunmilak, deu ainda para eu iniciar os treinos, coisa que não fazia há duas semanas, e ainda para acompanhar as provas dos meus "rapazes", nomeadamente o Hugo, a Susana e o Daniel.
Optei por acompanhar o Hugo na corrida que comemorava o grande maratonista Francisco Lázaro realizada em Lisboa uma vez que já assumido compromisso nesse sentido e acompanharia o meu neto mais velho (que expressão mais inadequada) que desta vez dicidira acompanhar o pai.
A Susana iria de novo voltar a correr, desta vez em Almargem do Bispo onde acabaria por alcançar o 3º lugar femenino e 2º do seu escalão sénior, acabando por açambarcar mais 2 troféus para a sua coleção.
O Hugo está de novo a voltar à boa forma depois daquele incidente com a fratura de um dedo do pé e estar impedido de treinar durante 2 meses. Obteve o 5º lugar da classificação geral e 1º lugar no seu escalão + de 35 anos.
Gostei de voltar à estrada, não para correr pois estava ainda impedido de o fazer, mas ver e cumprimentar muitos amigos que há muito não via e trocar muitas opiniões sobre a nossa actividade e compromissos futuros.
Aproveitei ainda e tirei um conjunto de fotos que podem ser vistas clicando o link que deixo no rodapé desta crónica.
No próximo fim de semana mais desafio vai ter de ser cumprido, desafio este bem duro de roer mas que é um dos principais que estabeleci para este ano, Melides/Tróia mete respeito mas a exemplo de outros desafios recentemente vencidos este também será alcançado, assim o espero.
FOTOS AQUI

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Trail do Almonda, 8 de JUlho de 2012

Está a concluir-se o ciclo de provas de Trail que tinha estebelecido para esta época, faltam apenas 4 para atingir o objectivo (Trail de Óbidos, Trail Noturno Lebres do Sado, Grande Lago de Alqueva e Serra de Arga em Caminha. Para trás ficaram duas que não consegui fazer por motivos de saúde (Trilhos do Pastor e Trilhos de Almourol). As que concluí estão ali na margem direita do meu Blogue.
Neste fim de semana calhou a vez do Trail do Almonda, tinha falhado o ano anterior, daí não saber o que ia encontrar, na edição do ano passado tinham-me dito que aquilo já fora diferente e que este ano haveria novamente alterações. Fui a esta prova também por grande consideração que me merece o seu responsável máximo, o amigo Aníbal Godinho, e devo dizer desde já que me considero especialmente satisfeito pelo que encontrei e o prazer que me deu fazer aquele percurso. Depois da tareia da Freita era de bom senso parar mais alguns dias antes de me meter noutra mas pelo que estava informado o Trail do Almonda nada teria a ver com a Freita, pelo menos a nível técnico, já que a dureza também esteve lá mas bem disfarçada através de trilhos espectaculares bem tratados e limpos ajudando assim a minimizar os sacrifícios que aqui e ali tivemos de superar. A prova com este novo percurso torna-se muito bonito e todo ele percorrido em plena Natureza, excepção feita a pequenas incursões em aldeias cujo enquadramento pouco difere do resto percorrido.
O entupimento surgido aos 2 kms de prova ainda está por resolver, provavelmente a organização terá de procurar localizar aquela passagem com mais 2/3 percorridos antes de ali chegar, mas eu não me queixo até deu para descansar um pouco porque para ali chegar aquilo é quase sempre a subir e em abono da verdade também não ouvi quem quer que fosse a queixar-se e eram muito os que esperavam a sua vez para descer aquilo. Logo ao fundo na Aldeia comecei a ver aquilo que faltou na Freita, 1ºs socorros, ali era um local de vigilância apertada, logo pouco depois mais bombeiros a quererem dizer que poderíamos estar tranquílos a nível de apoio e 1ºs socorros durante a prova. Face a alguma polémica surgida durante a semana devido à falta de 1ºs socorros na Freita e também ás diversas tomadas de posição de alguns intervenientes e outros, foi óbvio que muitos amigos se interessaram em saber como me encontrava, a resposta dada foi natural, se estava ali era porque me sentia bem e as consequências do que se passou estavam ultrapassadas. Foi, segundo creio, um pouco antes do 1º abastecimento (5 kms) que uma amiga chamada Catarina (ver foto que acompanha esta crónica) se juntou a mim e estabelecemos conversa a versar naturalmente as minhas odisseias e a Freita em particular informando-me ao mesmo tempo que enquanto podesse se iria manter ali comigo até ao fim. Foi a partir dali que ganhei uma nova motivação e o meu cuidado foi verificar sempre se ela vinha bem. Entretanto no 1º abastecimento lá estava presente mais uma ambulância de apoio e uma mesa recheada de líquidos e sólidos, aliás foi assim durante todos os abastecimentos que de 5 em 5 kms a organização colocou à nossa disposição, como sempre apenas ataquei a melancia e a água era o único líquido que ingeria.
 A Serra oferecía-nos agora trilhos espectaculares, mesmo antes de lá chegar ouve ainda tempo para observar a passagem de 2 batedores em motos com transportamdo caixas de 1ºs socorros para apoio imediato em caso de necessidade e um Jipe que ia andando a vigiar e a ver se estava tudo bem. A Catarina ia-se mantendo ali, ora ultrapassávamos ora éramos ultrapassados, mas isso pouco importava levávamos o nosso ritmo e o objectivo era chegar, por isso e talvez devido ao facto de lavar comigo os apoios nas subidas eu avançava um pouco porque me sentia mais forte para depois nas descidas e rectas aguardar um pouco. Foi a partir dos 20 kms (junto ás antenas) que não mais nos separámos, ultrapassámos muitos atletas, de ambos os sexos, chegando com bastantes energias que ainda deu para fazermos um bom sprint final. Cada prova tem a sua história, para além companhia da Catarina realço também, para além da sua simpatia, a sua vontade de aprender a percorrer um trail, andou sempre atrás de mim com o único cuidado de aprender a contornar os obstáculos e fê-lo sempre com o maior dos cuidados, como aprendeu também a gerir a sua prova de modo a que chegasse ao fim ainda com forças para desfrutar daquele final de prova.
Para mim foi um prazer enorme ter voltado ali ao Almonda agora com um renovado percurso que o torna espectacular, eu e os meus amigos viemos muito satifeitos com vontade de voltar. O almoço foi outra coisa que nos agradou, ao fim de 5h. de prova soube bem aquele excelente manjar, bem melhor do que a sandes e uma sopa do último fim de semana e depois de andar 15h. a "pão e água".
Percorri os 29,720 kms em 4,57h. ainda a tempo de almoçar e conviver um pouco com os amigos.
Agora é preparar com algum descanso a Ultra Maratona Melides/Tróia já próximo dia 22 deste Mês.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Ultra trail Serra da Freita, a satisfação de vencer

Para minha satisfação cheguei ao fim de um ciclo que considero espectacular.
Uma pequena amostra
Com a participação no dia 30 de Junho de 2012 no Ultra Trail da Serra da Freita fechou-se um capítulo de provas de dureza assinalável que fazia parte de um lote cuja ambição de concretizar era um claro objectivo nesta fase da minha condição de trailista cuja ascensão dou como terminada, isto é, de agora em diante ficar-me -ei por provas cuja dimensão não ultrapasse os 50 kms.
O Ultra Trail da Serra da Freita era e foi um objectivo conquistado no passado dia 30 de Junho, foi uma prova extrema, a mais dura que encontrei até hoje, já o sabia antes de a iniciar pois fui lendo nos últimos tempos pequenas dicas que iam deixando na Internet, as fotos entretanto publicadas indiciavam isso mesmo, mesmo assim a vontade de lá estar ultrapassava tudo independentemente das dificuldades criadas para esta Edição de 2012.
Tinha feito a 1ª tentativa em 2010 mas diversos factores aliados à inesperiência e a uma deficiente preparação física fez com que não conseguisse ir para além dos 40 kms por ter excedido o tempo limite imposto pela organização da prova nessa altura (8,30h.).
Conhecedor das dificuldades até pouco mais de meio da prova (excepto as novas alterações) preparei-me excepcionalmente bem para a Edição deste ano, para isso participei em algumas provas de Trail, acompanhado ainda de alguns treinos, com o objectivo de acumular kms e ir ao mesmo tempo vencendo dificuldades que me iriam ajudar a enfrentar esta prova rainha do Trail em Portugal, desde o trilho dos Abutres, Sicó, Penafirme, Ultra trail de Sesimbra, Ultra Trail de S. Mamede, Vale de Barris, Reixida, são alguns exemplos, daí a confiança com que parti a caminho destas magníficas Serras.
Queria terminar, tinha 5 horas para fazer a cada 20 kms e sabia que se tudo corresse bem iria terminar dentro do tempo limite imposto pela organização que são as 17,30h.
Sinto-me feliz por isto
Tinha previsto não fazer a prova sozinho, conversei com alguns amigos em sondagem prévia e não encontrei grande receptividade, algum receio à mistura com ritmos que não podiam acompanhar inviabilizou logo à partida essa possibilidade e como se pode agora concluir após o termo da prova eles tinham razão. Ao fim de 1 km de prova olho para trás e já não vejo quem queria ver e prossigo em frente, não queria ser barrado de novo por exceder o tempo previsto como acontecera há 2 anos ainda que tivesse de assumir alguns riscos para o conseguir. Tinha chovido toda a noite e isso iria representar mais dificuldades à nossa progressão no terreno escorregadio, com muita pedra e rocha bem como os rios com os caudais mais elevados em que era preciso cuidados redobrados, contudo enquanto corremos não pensamos muito nisso, vamos vencendo metro a metro e ultrapassando os obstáculos que nos vão surgindo de forma progressiva e a cada momento com dificuldade maior.
Subindo, uma constante m toda a prova
Até chegar ao Rio Paivô (creio ser assim que se chama), com cerca de 17 kms de prova, o percurso é muito acessível mesmo com as alterações também ali efectuadas que aumentaram o grau de dificuldade após a descida do Trilho dos Íncas. É por esta altura que encontro uma atleta a sangrar abundantemente dos 2 joelhos, estava junto a ela outra atleta a dar-lhe algum apoio, soube mais tarde que foi levada para o Hospital de Arouca por familiares ou amigos!!!
Prossegui e pouco depois na aproximação ao Rio Paivô num trilho com muita pedra solta (percurso novo) dou o 1º trambulhão de costas que me deixou muito maltratado na zona do cocsis (deve ser assim que se escreve) mesmo ao fundo das costas, logo ali pressenti que o resto da prova iria ser doloroso pois os movimentos das pernas e a cada passava as dores eram imensas, tomei consciência de imediato que teria de conviver com aquilo até ao final da prova se a quizesse concluir.
Apesar de ter chovido o caudal do Paivô poucas alterações teve mas as rochas que ladeiam as margens do rio tornaram perigosas e escorregadias ao ponto de eu ter caído pelo menos duas vezes dentro de água sem qualquer consequência física de assinalar.
Uma pausa para a foto
Embora a dor no cocsis me limitasse o andamento e também a reação aos desiquilíbrios constantes consegui sair deste rio sem mais mazelas, contudo foi satisfação por pouco tempo. Ao sair deste rio e com destino ao estradão que passava ali perto com destino ao 1º abastecimento e posto de controlo  desiquilibro-me para trás quando subia uma pequena inclinação, tentei equilibrar-me dando uns passos para trás mas o calcanhar bate numa pedra e a queda é inevitável, enrolei-me todo para tentar evitar grandes estragos já que o local era rochoso e muito irregular, depois de parar e deitado de costas comecei a fazer o exame do que podia estar mal e aparentemente pareceu-me que tudo estava bem, o camelback safou-me as costa e a cabeça protegi-a om o enrolamento que tinha feito, levantei-me e reparo de imediato que do meu braço esquerdo jorra um fio de sangue em resultado de um golpe profundo no antebraço com cerca de 5 cm de extensão, tentei estancar a hemorragia mas sem sucesso, segui e vejo logo ali 2 elementos junto ao rio (não sei se eram da organização) que se preocuparam mais com a sinalização do que com o estado em que eu estava, dizem-me que o apoio estava ali a 1,5km, foi sínica esta atitude pois tinham ali uma viatura a escassos metros onde tinha tido o acidente. Prossigo resignado, o sangue começa a coalhar e pára de escorrer, 10 minutos depois chego ao posto de controlo e abastecimento e não vejo qualquer posto de socorro, nem ambulância nem nenhum socorrista por perto que era suposto estar por ali, as duas pessoas que estavam no apoio dos abastecimentos viram-me e ficaram como não tivessem visto nada, ignoraram pura e simplesmente, foi um atleta que ali estava (José Guimarães a quem mai uma vez muito agradeço) que me socorreu dando-me um pouco de Betadine e uma ligadura para proteger a ferida que estava muito feia, trabalho este feito pela senhora que estava no apoio mas que teve alguma relutância em o fazer, creio que pelo facto de estar cheio de sangue e nem todos estarem preparados para ver aquilo.
A falar com a Analice, ela estava pouco confiante
Isto passou-se no 1º ponto de controlo e abastecimento, deixei recado para comunicarem o meu estado e para que os meios de socorro viessem ao meu encontro porque eu ia prosseguir, como resposta obtive a frustrante comunicação de que ali não havia rede e não era possível comunicar, parti na esperança de ter sido ouvido e que alguma coisa iria ser feito.
Depois de ter atravessado novos trilhos abertos exclusivamente para esta prova e outros mais antigos, atravessado a Drave e outras encostas bastante agrestes e rochosas chego ao abastecimento dos 30 kms que estava colocado na base da subida à Garra, aqui chegado pergunto novamente pelos meios de socorro que tinha pedido anteriormente, informam-me que nada sabem, talvez no próximo abastecimento aos 40 kms dizem-me. A ligadura estava agora enterrada entre 2 inchaço que sobressaíam nos topos da ligadura e comecei a recear o pior, pedi de novo para ligarem a pedir socorro e de novo me dizem que não têm rede telefónica!!!
Embrenho-me rio abaixo à espera de iniciar a subida da Garra mas depressa percebi que também ali o percurso foi alterado, nada que já não estivesse à espera e por isso não me senti surpreendido, estava ali o novo trilho batizado dos aztecas, mal se percebia o trilho a seguir e não fora as fitas bem assinaladas no mato rasteiro seria dificil encontrar o caminho.
A partida ás 8h.
De volta ao rio, que devia estar seco mas com as chuvas da noite tinha um caudal assinalável obrigou-nos a andar pelas bermas subindo e descendo pedregulhos e rochas de alguma dimensão até que nos apareceu finalmente a indicação da subida da Garra que não sendo a mais alta ia deixar mossa, o início foi muito penoso dada a forte inclinação e a inesistência de qualquer trilho por onde passar, foi subir, subir até encontrar o trilho dos Íncas que nos levaria depois até à Póvoa das Leiras onde estava o 2º ponto de controlo e também o abastecimento, cheguei lá com 8,45h. (Foi precisamente ali que há 2 anos desisti da prova juntamente com o Fernando Andrade por termos chegado fora do controlo), desta vez já tinha amealhado 1,15h para o pecúleo final e era já uma enorme esperança que ia conseguir concluir aquilo, registo a chegada ali com o meu chip e de novo pergunto pela assistência que devia estar ali e informam-me que de ambulância nada sabem, passo-me dos carretos e manifesto o meu desagardo e mostro o estado em que tenho o braço, não serviu de nada e de novo peço ajuda e voltam a dizer que ali não existe rede!!! Incrível, como é possível? Peço-lhes para comunicarem com o Moutinho para tomar previdências para me resolverem o problema, irritado volto-lhes as costas e prossigo, logo um elemento (da organização?) veio atrás de mim e obriga-me a mostrar todo o equipamento obrigatório, não fosse o desejo tão grande que me acompanhava em terminar esta prova e tinha ignorado aquela exigência (apesar de estar no regulamento) (o apoio médico também estava!) como sou educado e respeitador das regras deixei para segundo plano o mal que já me tinham feito e parei, voltei atrás e mostrei aquilo que pretendiam, creio que nem um obrigado consegui ouvir mas também não esperava mais do isso, o silêncio.
José Guimarães que me socorreu
Parti à procura de atravessar o ponto mais alto do percurso, creio que a subida das leiras, embora seja a Serra mais alta, a mais de 1.100 metros de altitude, foi aquela que menos me custou a fazer, o trilho era feito de pedra e na maior parte dava gosto caminhar por ali, foi uma longa subida até chegar ás Eólicas, depois foi descer até chegar aos 50 kms onde estava situado mais um abastecimento, apenas estavam duas pessoas e uma mesa de apoio onde estavam alguns produtos para comer e beber. Perguntei de novo informações sobre os meios de socorro que de há muito venho pedindo, obtive a resposta já esperada, nada sabiam. Disse o meu nome e apelei para que contactassem o Moutinho para ter os meios indispensáveis para me socorrer à minha chegada, nesta altura já não pedia para irem ao meu encontro mas sim que esperassem por mim e me levassem ao Hospital quando chegasse.
Abasteço o camelback e prossigo à procura de chegar ao ponto de controlo seguinte que estava nos 60 kms de prova, ultrapassei encostas e vales, rios com água cristalina que bebia apesar de levar a camelback cheia, mas aquilo dava-me um prazer enorme, esquecia por vezes as dores no cocsis e ignorava o estado em que se encontrava o meu braço, queria era chegar mas novo adversário se aproximava, a noite.
Chego aos 60 kms já de noite mas ainda em condições de ver onde punha os pés, o frontal de pouco valia ali pois os sinais luminosos estavam colocados apenas para lá dos 60 kms. Estava com um avanço de +- de1,30h. em relação ao fecho do controlo de passagem naquele local, o suficiente para me sentir feliz por conseguir chegar ali e sonhar com a chegada. Desisti de procurar pelos  bombeiros e peço novamente apoio para a chegada, ali informam-me que vão fazer o que podem, como uma sopa e sigo com mais 3 amigos que tiveram a gentileza de esperar por mim para atacar mais uma Serra de extrema dureza até ao planalto a mais de mil metros de altitude, antes visto o corta vento para me proteger do muito frio que fazia e finalmente coloco o frontal.
Hugo Santos, autor de algumas fotos
Partimos para o ataque a mais uma brutal subida mas depressa concluí que não tinha andamento para os acompanhar e fui ficando aos poucos para trás, achei bem que tivessem seguido pois estava tranquilo e sabia que eles não deixariam de ir dando uma olhadela a ver se eu por lá vinha. Esta subida, tal como as outras foi brutal ainda por cima debaixo de uma escuridão total, a certa altura aponto o frontal para a minha direita e dou conta que caminho ao lado de um temível precipício, redobro os cuidados a ter mas as forças já não são muitas, procuro caminhar por locais mais seguros mas tenho de seguir os pontos luminosos que ficam mesmo à beira do abismo, aquilo deve ser bonito para quem lá passou de dia mas à noite aquilo é medonho. À frente vejo os meus companheiros e são um bom ponto de referência, atrás já vejo alguém ao fundo a subir a Serra e fico mais tranquilo, ao fim de mais de 3 kms chego ao planalto da Serra, agora com nova ameaça, o nevoeiro estava a tomar conta do alto da Serra tornando inoperacional o frontal na descoberta dos sinais luminosos indispensáveis á minha progressão, receei o pior pois não via nada nem sabia por onde prosseguir, não existia sequer um trilho que me conduzisse e o pouco que existia deixava-me baralhado, procurava não perder a orientação ia e vinha e assim fui descobrindo caminho até começar a descer para a povoação onde estava situada o controlo dos 65 kms. Mal avisto a Aldeia a emoção tomou conta de mim, dali já podia ver o alto da Mizarela, local de chegada e apesar de ainda estar a 5 kms de distância, mas a satisfação era enorme, à cerca de 15 kms que não fazia outra coisa que andar, andar sempre, queria era chegar ali.
Aos 60 kms, com a noite a cair
Mal entro na povoação vejo o José Moutinho vir ao meu encontro (responsável máximo da prova e por quem tenho muito apreço) a informar-me que tinha tido conhecimento do meu problema e que nada pode fazer na altura, mas não era isto que eu queria ouvir e fiquei muito desiludido, mais desiludido fiquei quando ele me informa que a prova tinha sido interrompida naquele local à alguns minutos devido ao nevoeiro e à perigosidade daquele troço final com a descida e depois a subida do PR7, ainda insisti inocentemente para me deixarem prosseguir mas ele foi inflexível e informou-nos que seríamos todos classificados, faltavam 5 kms e ainda tinha um crédito de 2,30h para alcançar o meu sonho, em circunstâncias normais têlo-ia conseguido, por isso fiquei feliz por ali ter chegado e concluído com sucesso este meu grande objectivo. Fomos logo encaminhados (eu e os 3 colegas que seguiam à minha frente) para o local da meta onde já se encontravam de alerta os bombeiros de Arouca que já tinham sido alertados para o meu problema, logo fizeram o prognóstico e concuíram que tinha de passar pelo Hospital dada a gravidade da lesão e o estado em que também já estava o braço em torno da ferida devido à ligadura que protegia a ferida, foi tomar um banho e comer uma sopa no companhia do Luís Mota, brilhante vencedor desta magnífica prova.
Impressionante
Fui bem tratado no Hospital apesar de agora a recuperação poder não ser total devido à morte de muitas células na parte que se separou e devido ás muitas horas (15 no total) que estive sem receber assistência, ficará lá possivelmente um buraco e uma cicatriz a assinalar a minha passagem e conquista da  Freita. Agradeço também com uma palavra de muito apreço aos bombeiros que me levaram ao Hospital e de mim tomaram conta até voltar de novo ao Parque de Campismo da Mizarela onde estava acampado.
Deixo aqui também uma palavra de profundo desagrado pela falta de assistência nos locais onde não deveriam ter faltado, existe um regulamente em que se compromete a assistência médiaca aos atletas em prova, nós confiamos na organização quando partimos confiantes  que em caso de necessidade os meios estão lá espalhados pelo terreno, o que se passou pode ser considerado um crime e a organização no terreno não se pode eximir de responsabilidades, ninguém no terreno estava em condições de apoiar fosse o que fosse, não se viu um responsável sequer em todo o percurso a acompanhar os atletas e a saber se estava tudo a correr bem, e como se sabe é ali que precisamos desse apoio e não na meta para nos saudar e dar os parabéns. Imensos atletas chegaram feridos com maior ou menor gravidade ao primeiro posto de controlo logo a seguir ao Rio Paivô, é de uma imensa irresponsabilidade a ausência de apoio médico naquele local, mas esta irresponsabilidade estendeu-se a toda a prova sem que alguém da organização tomasse medidas para resolver o problema, confiaram na sorte abandonando quem por ventura neles confiara.
Sálvio Nora, o mentor desta magnífica prova
Esta crónica que faço não tem como objectivo denegrir a imagem seja de quem for, respeito demasiado esta prova e nas pessoas que com competência a têm realizado, as chamadas de atenção que faço ao pormenor pretendem que seja uma lição para quem tem a responsabilidade de conduzir um processo desta envergadura e que envolvem a vida de muitas pessoas pois os riscos que se correm são elevadíssimos e quem participa tem de ter a garantia que os mínimos (já para não falar nos máximos) de assitência estarão salvaguardados.
Deixo claro que não fiquei traumatizado, adorei explorar aquelas imensas serras que envolvem toda a Freita, sabia ao que ia e os perigos envolventes e voltaria a fazer tudo de novo mas chegou a altura de parar um pouco e refletir, atingi nesta altura aquilo que pretendia, vou continuar porque não prescindo de tantos e bons amigos que tenho encontrado e que estimo mas de forma mais moderada, dificilmente farei provas acima dos 50 kms e assim de forma progressiva vou ao encontro do que se impõe a um homem a entrar daqui a pouco na casa dos 65 anos, até lá estarei sempre onde estiverem os meus amigos.

Eis o local onde terminou a minha corrida aos 65 kms e o vídeo a mostrar o fascinante local  da descida e a subida do PR7 que terminava com a meta ali a 1km.
Veja aqui as classificações