quarta-feira, 27 de junho de 2012

Trilhos Loucos de Reixida, 24/6/2012

Tal e qual como nos treinos, água a rodos
Para que fique registado aqui neste meu cantinho de encantos e desencantos (felizmente poucos) deixo algumas palavras pela excelente aventura (mais uma) que os amigos de Reixida nos ofereceram com a realização de mais uns Trilhos Loucos de Reixida realizados no ido dia 24 de Junho. Foi a 3ª vez que lá fui e em todas elas me surpreenderam, sempre diferentes e para melhor, quer em bonitas paisagens e percurso quer o adicionar de mais alguma dureza a cada edição que promovem. Depois mantêm aquilo que mais aprecio que é a passagem pela nascente do Rio Liz, desta vez entrámos duas vezes no rio mas para mim se fosse possível faria o percurso na totalidade dos 20 kms ali dentro. Depois o calor que estava também ajudou (na incursão na água) , embora ele só se começasse a sentir mais fortemente lá para o final da prova, mas foi o suficiente para a Organização (e muito bem) se preocupasse e colocasse mais postos de abastecimentos de água durante o percurso. Eu como levava o kamelback não ia muito preocupado mas via por ali muitos que nem pinga de água levavam, coisa que não aconselho a ninguém pois se há coisa que num Trail não pode faltar seja a quem for é a água.
Cascata improvida com banho
Já outros levantaram a questão mas parece-me de absoluta necessidade (creio que para alguns) que +- a meio da prova se colocasse lá um abastecimento sólido em que constasse principalmente fruta fresca tais como: laranja, banana, maçã e ou melancia. Encontrei um abastecimento com água e maçãs mas considero insuficiente pois o esforço dos atletas é muito intenso e justificava-se para quem necessitasse algo mais que ajudasse a repôr as energias entretanto perdidas. No meu caso pessoal vou sempre prevenido com alguns produtos, embora a maior parte das vezes acabo por me esquecer e regresso normalmente com a mochila atestada.
Encontrei uma inovação espectacular a meio do percurso uma cascata improvisada de água  colocada no cimo de umas rochas alimentada por um depósito colocado em cima de camião e manuseada a sua abertura por um elemento da organização á nossa passagem possibilitando a quem o pretendesse refrescar-se lá debaixo afastando por momentos o calor abrasador que nos queimava já as partes menos protegidas do nosso corpo.
Ponto mais alto, estavam a controlar-me lá bem em cima
Desta vez fui acompanhado de mais 4 AVSilêncio (Rui Pacheco, Rui Almeida, Filipe Ramalho e Vitor Pinto), nas vezes anteriores fui sempre sozinho, confirmando-se assim a apetência cada vez maior de mais amigos do nosso Grupo a aderirem a estes eventos na Montanha onde a dureza mais se faz sentir nesta nossa mania de enfrentar sempre novos desafios independentemente das suas dificuldades.
Com algumas queixas apesar de tudo todos gostaram de fazer a prova, queixas essas que nada tem a ver com a organização que foi impecável mas sim por algumas partes do percurso não serem do seu agrado, mas isso é normal numa prova como esta que está sempre a surpreender-nos, o puro Trail estava lá e o nome que lhe foi dado também ou não se chamasse áquilo Trilhos Loucos de Reixida.
A nossa equipa, AVSilêncio
A prova teve 19,500kms de extensão nesta 3ª Edição, a 1ª tinha 16kms e tem condições para continuar a aumentar mas devido à sua dureza era de bom senso manter o que já está, apenas acrescentaria mais algumas centenas de metros à nossa passagem pelo ribeiro evitando-se aquela parte de sair e voltar a entrar.
Concluí com o tempo de 3,13h. e muito confiante para o que se segue no próximo Sábado e principal objectivo desta época, a Serra da Freita.
Classificações

terça-feira, 12 de junho de 2012

Mais um treino de Trail com a Serra da Freita no horizonte, 11/6/2012

Mais um treino a caminho da Serra da Freita, na companhia do Daniel (meu Genro), Rui Pacheco e Nuno Gameiro fizemos mais 34 kms passando pelos Caminhos do Tejo até Alverca fazendo depois uma incursão à Serra logo após a povoação de Arcena em Alverca até chegar perto de Mato da Cruz, depois foi percorrer as serras desde o Cabêço da Rosa, Monte Serves, Eólicas junto à pedreira até chegar à Granja, ali ao lado de Vialonga. Importa nesta fase para além de kms a duração dos treinos, desta feita foram 4,44h. à média de 8,20m por km.
A Serra da Freita tem de extensão para fazer 70 kms, mais de 4 mil metros de acumulado positivo, trilhos manhosos e um rio de sonho para ultrapassar sendo necessários 17,30h. para vencer aquilo dentro dos limites impostos, ou seja à média de 20kms para cada 5 horas. Pode parecer fácil à 1ª vista, até porque dispomos de 21 minutos por km para vencer aquilo mas só para quem não conhece aquilo é que poderá pensar que se faz com uma perna ás costas. É por isso que estou a preparar melhor a minha resistência para tais dificuldades.
Dizia o José Moutinho (organizador da Prova) à 2 anos no pequeno breifing que fez e também já depois de terminada a prova que numa prova com esta dificuldade extrema tem de se treinar também de uma forma afincada a caminhada e é isso que tenho feito, para além de ser mais agradável caminhar, este movimento permite restaurar forças para se correr em locais mais acessíveis e assim possibilitar uma progressão assente em bases mais resistentes.
 Tenho de louvar aqui a paciência que os meus colegas de treinos têm tido comigo ao se manterem sempre por perto já que eu de forma alguma e em circunstâncias normais jamais os poderia acompanhar, tendo eu aproveitado ao máximo a sua companhia procurando mesmo assim contribuir para se tirar o máximo de rendimento do treino de cada um deles.
Falta menos de 3 semanas para a Freita, tendo ainda os Trilhos Loucos de Reichida para fazer no próximo dia 24 de Junho, nesta fase creio que o plano está a ser cumprido com um treino semanal acima dos 30 kms depois de ter concluído com êxito o Ultra Trail de S. Mamede à 3 semanas atrás. Assim creio ser possível desta vez superar as dificuldades que a Freita representa, com já "conheço" a 1º parte espero pelo menos alcançar os 40 kms com 8 horas de prova deixando para os restantes 30 kms as 9,30h seguintes que tenho como limite para terminar aquilo. A partir daqui é a Freita que está no meu pensamento, pelo respeito que lhe tenho e pelo desejo imenso de a vencer.
Mais fotos

domingo, 3 de junho de 2012

Corrida do Mirante, um dia especial

O Mirante este ano foi uma prova especial para mim, muito por culpa da minha filha Susana Adelino, foi o seu regresso ao fim de 2 anos e 1 mês a uma competição de pois de fazer uma pausa para ser mãe e trazer a este mundo uma linda criança. Para mim foi um prazer imenso em apadrinhar este seu regresso ainda que um pouco enfurrejada mas dando já sinais de alguma consistência física que com o andar do tempo se vai consolidar por forma a que se torne mais fácil o seu desempenho, seja em provas de Trail ou outras de menor dificuldade.
O Mirante foi a prova ideal para nós, para mim serviu para estabelizar um pouco do empeno que herdei da Serra de S. Mamede e que ainda não está totalmente estabelizado, para a Susana porque a distância era muito "curta" e permitia-lhe ter algum descanso entre as partes mais difíceis e aquelas mais acessíveis.
A corrida esteve sempre muito bem controlada, nas subidas mais acentuadas andávamos a um ritmo mais vivo permitindo dessa forma ir ultrapassando alguns atletas (se bem que isso não tivesse grande importância para nós), no restante percurso conseguimos sempre correr, em especial na parte plana, já que as descidas mais acentuadas eram feitas com alguma prudência devido a alguma perigosidade devido ìnclinação e ao terreno irregular, nomeadamente pedras e buracos. A princípio ainda receei que teria dificuldades em acompanhar a Susana porque levei tempo a ambientar o corpo novamente à corrida, logo que este pormenor ficou sanado pude então ir orientando a nossa corrida, poupando à Susana um esforço maior e aguardando por ela no final das subidas onde acusava maiores dificuldades.
A 2ª parte da prova já foi feita com maior consistência, até com o aproximar até nós de alguns amigos atletas do Mundo da Corrida de entre os quais se encontrava o Mário Lima, dali até ao final fez-nos companhia ao mesmo tempo que ia tirando algumas fotos, algumas delas ilustram este têxto, mas para isso teve de fazer alguns sprintes para a frente para conseguir obter as imagens magníficas a que já nos habituou.
O ritmo médio que conseguimos foi de 7 minutos, numa prova que atingiu o máximo de subida acumulada de 600 metros.
A prova registou 12.100 kms e como o último km foi feito sempre a descer acabou por ser o mais rápido, 4,50m.
O tempo final ficou-se pelas 1,34h. considerando eu uma boa marca dadas as dificuldades encontradas e acusando ainda algum desgaste acumulado de provas anteriores e presentemente dos treinos que continuam duros face ao aproximar de novo desafio, a serra da Freita no próximo dia 30 de Junho.

Uma palavra de parabéns e agradecimento para a Organização que montou impecavelmente esta prova, trilhos bem limpos e bem marcados. Fiquei agradavelmente surprendido com aquela subida ao Mirante quando já vínhamos no regresso um singletrack espectacular.


Fotos
Fotos: De Mário Lima, Anabela, e J.Adelino.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Ultra Trail de S.Mamede, um sonho realizado

Foto UTSM
Parece estranho, mas ainda não consigo valorizar este feito de atingir a marca dos 100 kms (105 para a organização) sem descolar da admiração que tenho por tantos amigos que já atingiram marcas semelhantes e superiores, muito superiores áquilo que agora consegui concretizar. Ainda está por explicar que tipo de impulso me levou em Janeiro? a inscrever-me nesta prova, só sei que o teria de fazer e de uma vez por todas entrar na pele daqueles que o vão tentando e conseguido furar esta barreira psicológica.
Fui dos que respondi ao questionário e também apoiei a bitola dos 100 kms de S.Mamede nesta sua 1ª edição que a organização gentilmente colocou à nossa apreciação, daí até ao impulso de avançar foi um ápice, e nunca me arrependi mesmo numa fase em que as lesões me carregaram de tal forma que em algumas alturas me questionei se não era melhor tirar isto da ideia.
E eis chegado o momento da Verdade,
Foto oferecida pelo Paulo Pires
Ás 4 da madrugada estava preparadíssimo para partir mas a ansiedade era muita, a meu lado tinha o Rui Pacheco, também do AVS que dicidira participar nesta prova com o intuito de experimentar a distância e ganhar mais experiência com vista a futuros objectivos. A noite tinha sido em alerta permanente ali mesmo ao lado, a habitual orquestra desta vez esteve mais silenciosa, fruto se calhar da proximidade da partida e também pelo respeito que a prova impunha a todos e que os inibiu de descançar como deve ser. A noite esteve chuvosa mas quando partimos estava tudo calmo e a temperatura estava excelente para se correr, 4 horas antes tinha-se iniciado as 24h. a correr naquela magnífica pista de Atletismo, mais tarde também partilhada pelos atletas do Trail e Ultra Trail à sua chegada à meta. Mal partimos começa a chover e da grossa e ao mesmo tempo fria, mas nada nos podia demover, a Organização traçou nos 1ºs kms um percurso mais acessível para nos irmos preparando para o assalto final à Serra. Este assalto iria ser duro e bastante longo mas isso era segredo, conhecíamos apenas no papel os 9 ou 10 picos que iríamos visitar, por agora era a chuva que nos castigava, ás vezes com bastante intensidade mas para mim ela é sempre bem vinda mesmo que seja ás 4 horas da madrugada.
Ao contrário do que é hábito desta vez coloquei-me vem cedo a meio do pelotão e por lá me mantive durante bastante tempo havendo alturas que olhando para trás me assustava ao ver ainda muita gente atrás de mim, interrogava-me se não estaria a andar demasiado depressa para as minhas possibilidades. Seguia na companhia do António Almeida que se via grego para progredir devido há intensa chuva que lhe dificultava a visão, ele usa óculos e se os tirar o resultado é desastroso, por isso optou por ir com mais calma e isso possibilitou ter a companhia dele até perto dos 80 kms. Entretanto e conforme a corrida se ia desenvolvendo fui compartilhando a companhia com vários grupos dos quais destaco o da Otília e da Célia, o caminho era acessível e as dificuldades começaram a surgir com o aproximar da subida ás antenas no PAC3, para trás ficara já 2 postos de controlo e abastecimento, deu para ver e tranquilizar para o resto do percurso que iríamos ser bem apoiados a nivel de abastecimento, havia muita coisa e em abundância. A 1ª grande dificuldade apareceu com a subida ás antenas, tinha ouvido na véspera junto ao Secretariado o Vitor Cordeiro a relatar que em tempos não muito longínquos que conseguia subir aquilo tudo sempre a correr mas agora já o tinha tentado e o mais que conseguiu foi chegar a meio. Pois bem, quando vi aquilo assustei-me e não vi tudo pois o nevoeiro só me deixava ver a pouca distância, levava os meus bastôes e foi o que me valeu, a cada curva ou conforme o nevoeiro se ia esfumando à nossa frente verificava que a subida não acabava e a sua inclinação parece que cada vez se acentuava mais, até que surgiu o topo a corresponder com o 3º abastecimento da prova. Se foi dificil subir não o foi menos a descer, pelo menos para mim, pois desde o início que vinha a poupar os joelhos nos embates mais violentos que fazemos ao descer. Entretando a Otília já tinha ficado com outros atletas e eu seguia ainda perto do António e da Célia. Ao longe consigo descortinar o Brito, ia a passo, páro ao lado dele e informa-me que está com problemas num joelho e que vai desistir, desejo-lhe boa sorte pois o próximo controlo ainda estaria longe, ainda assim quando lá cheguei dei a notícia e disseram-me que iam chamar uma viatura para fazer a evacoação, o que se passou depois não sei, vim a saber no final que se confirmara a sua desistência o que lamento pois sei o quanto ele trabalhou para se apresentar ali em boas condições. Pensei na Otília, sua companheira, que vinha ali perto e como reagearia ao vê-lo em dificulades, ficaria com ele? seguiria? agora tenho a resposta, corajosamente prosseguiu em busca do seu sonho, possivelmente com o coração despedaçado, mas são assim os grandes campeões, temperados na dura luta que travam em busca dos seus sonhos e objectivos.
Foto de Isabel
Marvão aproxima-se, as dficuldades de progressão vão aumentando, após uma enorme descida e muito acentuada chego à beira do Riacho virando a Sul e de novo a Norte pouco depois, o objectivo da organização é fazernos passar por dentro do Rio e refrescar um pouco os pés, creio que ninguém gostou daquilo (penso eu) até meio ainda havia pedras mas depois tivemos de ir mesmo a banhos, (foi a partir daqui que começo a receber mensagens no telemóvel, não podia atender mas conforme iam chegando eu entendia como mais um estímulo, mais tarde verifiquei que o nosso míster e muitos outros à distancia iam acompanhando a minha prova e a do Rui Pacheco, também os meus filhos me iam de vez em quando informando do andamento da prova através do Site colocado à disposição pela Organização da prova onde se podia ir acompanhando a evolução dos atletas via NET sempre que passavam nos 9 PAC espalhados ao longo do percurso). A longa subida levarnos-ia  até à bonita Vila de Marvão, km60, que sofrimento para a atingir, calçada e mais calçada, autênticas paredes que foram indo superadas com grande sacrifício. Aqui a 1ª grande frustração ao descermos novamente quando já estávamos quase a atingir as muralhas bem lá no alto do monte, descemos na direção Oeste para de novo voltar a subir até ás muralhas contornando-as depois de novo a Norte para finalmente atacar a subida final até entrarmos por aquela porta mágica com centenas ou milhares de anos de histórias por contar. Creio que esgotei ali as reservas físicas que tinha para fazer o resto até final e com o menor sofrimento possível. Foi ali também que mudei todo o equipamento que levava, os ténis eram agora mais leves e a roupa enxuta davam agora um melhor conforto e bem estar e foi assim que ataquei de seguida uma sopa bem quentinha e muito saborosa, bem como alguns produtos postos à nossa disposição. Conforme a subida, a descida também não deixou saudades, pedra e mais pedra, os pés raiavam o insuportával e os joelhos iam aguentando nem eu sei explicar, a Célia passa por mim que nem uma flecha, nunca mais a vi até final da prova. Nesta descida junta-se a mim um amigo do Sardoal que já ia em grandes dificuldades por causa dos joelhos, faz questão de ir comigo e durante longos kms fomos juntos.
No 7º PAC km67 estava a grande surpresa, o Jorge Branco mandara-me via Net uma mensagem de apoio e incentivo e pedira à organização para me a transmitir, mal sou identificado a cerca de 100m o Helder, que recebera a mensagem, vem a correr ao meu encontro e dá-me a boa notícia bem como outras que iam caindo de apoio quer a mim quer ao Rui, fiquei feliz apesar do empeno já ser enorme mas recompensado por ter amigos que não se esquecem de nós nas horas mais difíceis que passamos neste desporto de eleição.
Foto UTSM
É ali que recebi a notícia da desistência do Rui Pacheco aos 88 kms, fiquei triste pela sua incapacidade física de prosseguir mas muito feliz pela sua proeza ao atingir tão elevada quantidade de kms e quando seguia na 3ª posição da geral. Foi um resultado animador que permitirá concerteza para ele tirar ilações quanto ao futuro nesta difícil desciplina de Trail. Dali prosseguimos para Castelo de Vide, o meu companheiro do Sardoal deverá ter-se sentido bem melhor e começou a soltar-se e foi embora. ao mesmo tempo o António Almeida volta a alcançar-me com mais 3 amigos e seguimos juntos até Castelo de Vide, PAC8 km74. Aqui chegados vislumbro uma coisa que jamais esquecerei, a bonita Vila? de Castelo de Vide vista do alto daquilo que me pareceu uma Capela, tinha a máquina fotográfica comigo mas eu já nem paciência tive de a tirar do lugar onde estava para registar esse momento, pode ser que haja por aí alguém que o tivesse feito e faça o favor de me enviar. Contorno a Capela? e de seguida outra surpresa, descida em rapel, até gostei de ver aquilo mas como descer? as forças eram poucas as mãos ocupadas com os bastões e uma turba de pedragulhos para descer, e pronto aconteceu o trambulhão sem consequências nenhumas a não ser um momento de boa disposição entre todos os que ali estavam. Seguimos os 5 em busca do PAC9 e último posto de controlo, foi aqui que encontrámos algum espaço para correr mas já não havia condições para tal, ainda assim e à vez cada um ia lá à frente puchar um pouco pela carroça e a coisa ia seguindo de acordo com as nossas possibilidades em correr, eu agarrava-me com unhas e dentes para não descolar pois a noite aproximava-se, é aqui que começam os garmins a desligar com cerca de 13,30h. de utilização, a partir dali ficámos sem qualquer orientação, a não ser aquela que a organização montou e que permitiu desde o início uma impecável marcação com fitas e também com sinais luminosos. O António entretanto abalou e fez bem, sentia-se melhor que nós e era um desperdício manter-se ali, para além de castigador nada justificava aquele sacrifício. Seguia eu agora na cauda do grupo se eles corriam eu procurava acompanhar até que fiquei mesmo para trás uns 100 metros mas depressa reagi voltando a integrar o grupo para pouco depois os deixar para trás, eles já não aguentaram mais e foram seguindo conforme as possibilidades, pouco depois olho para trás e nunca mais os vejo.
Um pouco à frente encontram-se 2 jovéns com água e cerveja aproveito e abasteço o Camalback e sou informado que o PAC9 estava a 4 kms, passo por uma festa numa pequena povoação, sou convidado a comer uma febra mas declino o convite, já ia em grandes dificuldades e só queria chegar ao controlo seguinte, páro e volto a colocar o frontal, a noite tinha chegado e prossigo, finalmente encontro o local onde supostamente deveria estar o abastecimento e o PAC9 mas não, estava lá um senhor a mandar subir a Serra, pergunto pelo abastecimento e responde-me que estava a 4 kms!!! gelei completamente, teriam me enganado lá atrás? teria sido ali que que a prova se viu aumentada mais 5 kms do que o inicialmente indicado? o certo é que subi, subi para de novo voltar a descer até quase ao local onde iniciara a subida, lá atrás não me enganaram o PAC estava mesmo a 4 kms, então porque surgira aquela horrível subida antes de lá chegar? Foi ali que o Rui desistiu, pudera, pois a descida é muito castigadora e acabou com a sua resistência muscular. Neste PAC desabafo, mas só isso, os limites já estavam a ser atingidos e digo mesmo ao responsável que ali estava que percebia agora porque é que aquela prova valia 3 pontos  a cada atleta que a concluísse para participar no Ultra Trail do Mont Blanc em França num total acumulado de 6 pontos em duas provas, havia que encontrar montanha que totalizasse os 3.300m de acumulado positivo de altimetria correspondente para aceitação ( pode não ter sido assim mas esta explicação serve e eu aceito-a)  . Mal sabia eu o que ainda me esperava e atrevi-me mesmo a perguntar ao que recebi por resposta, "quer mesmo saber?" vai ter aí à sua frente uma subida igual à que acabou de fazer e depois mais duas "rampas pequenas" até final. Pouco depois voltei a subir, a corrida tinha acabado e agora só caminhava, a noite estava muito escura, o arvoredo tapava alguma réstia de claridade que pudesse existir, a inclinação levava-me quase a tocar com o nariz no chão (passe o exagero) os refletores extraordinariamente bem colocados iam indicando ao longe Serra a cima por onde havia de passar, ouvia-se aqui e ali o chilrear da passarada, eu que não tenho receio de caminhar na noite escura lembrava-me de outros que vinham atrás que poderiam não ter a mesma segurança, chego ao alto e continuo a subir, mesmo até ao último pedaço de pedra existente no alto da Serra para de seguida voltar a descer mesmo até à parte mais baixa de Portalegre, pedras e mais pedras, sem exgerar pelo menos 6 vezes ia mergulhando no chão, tão irregular que ele era, mas finalmente chego ao alcatrão e começo a ouvir a música que chegava algures em Portalegre, mesmo ali a meu lado.
Sigo agora pela estrada mas por pouco tempo, de novo a indicação para subir pela Serra por supostos trilhos que não existiam, procurava com o frontal a erva pisada deixada pelos da frente, pouco depois encontro nova estrada e sigo bastante tempo na esperança de finalmente chegar, puro engano, volto a subir em direção a um bairro para de novo descer e continuar no alcatrão, começo a ouvir ao longe a voz do Spyker no Estádio e a música um pouco intervalada, a esperança renasce e procuro moralizar-me, chamo interiormente quase todos os nomes impróprios a quem delineou aquele traçado final, acredito que de dia até seja giro, mas à noite? quando já pensava descer a caminho do estádio surge nova incursão  ao monte afastando-me ainda mais da tão desejada pista, caminho já esgotado de paciência e começo a notar um desiquilíbrio do meu corpo para a esquerda, tendo de corrigir várias vezes a minha tragetória. subo e subo e nunca mais vejo o fim dos sinais luminosos, ali 400 metros já representam o dobro ou o triplo, finalmente (pensava eu) chegara ao fim da última subida, vou descendo até atravessar vários becos num bairro prosseguindo depois por estrada alcatroada em direção à tão ansiada pista. Já visualizo a pista está mesmo ali a meus pés, a cada momento espero encontrar a sinalização para lá, mas nada!!! afasto-me de novo alcatrão a fora, a pista começa a ficar para trás, fico sem jeito, as dores são muitas já quase não sinto os pés, os joelhos já dão pouca segurança para me manter de pé e eu a fastar-me cada vez mais, finalmente aparece com ar garrafal em letras bem gordas "Último Km" emocionei-me, estava prestes a concluir uma coisa que me parecia impossível, mas o tormento ia continuar, mal saio da estrada nova investida a um monte agreste que ao chegar me interroguei como é que naquelas condições conseguiria passar aquilo, mal entrei espalhei-me ao comprido, fiquei ali a pensar como é que me iria levantar, duas, três tentativas e voltava à mesma posição, valeu-me uma rocha onde me encostara e com a ajuda dos bastões e consegui manter-me de pé novamente, dali tinha uma vista fantástica mas só para quem lá chegou de dia, agora à noite? estava a pouco mais de 500 metros da chegada e a descida foi de loucos, por sorte não voltei a cair de novo, ao fundo estava um senhor da organização a indicar-me o caminho para a pista, olho para trás e começo a ver mais atletas a chegarem, por ironia do destino andei mais de 20 kms sozinho e só agora é que estavam a chegar por perto, chego à entrada do Estádio num misto de satisfação mas também completamente destroçado, um dos responsáveis colocou-se a meu lado e eu sem saber como consegui fazer toda a  pista a correr a seu lado até finalmente visualizar a 100 metros a tão almejada meta, tinha iniciado a corrida ali ás 4 da madrugada e ao fim de 19,20h estava de regresso depois de ter percorrido os 105 kms confirmados pela Organização. Depois de terminar verifiquei o estado em que estava, valeu-me ali o Ricardo Batista que me amparou e conduziu para o interior onde estava o abastecimento final e o local de massagens. Mas eu não liguei a nada daquilo, e por incrível que pareça nem áquele grande amigo eu dei a devida atenção, afastei-me sozinho e silencioso fui ao meu carro vesti o meu fato de treino depois de me desevencilhar de tudo o que tinha vestido dirigi-me ao Pavilhão estendi a esteira, abri o saco cama e ali fiquei até à manhã do dia seguinte, comigo tinha unicamente a medalha, de cortiça, aquela em que tenho mais orgulho de ter conquistado.

Classificações

terça-feira, 15 de maio de 2012

Ultra Trail de S. Mamede 19/20 de Maio 2012

A 3 dias desta grande aventura, a ansiedade vai aumentando mas tudo passará com o tiro de partida.

Aqui pode acompanhar em tempo real toda a prova (inédito entre nós): https://docs.google.com/spreadsheet/ccc?key=0Au4OtMUmiBvedGgzeU5lbTlLRlZFZ21odU8zOGJIbEE


GPSies.com GPS - corrida - trilho - caminhada - Imprimir percurso UTSM - 7300-065 Portalegre, Portalegre

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Com os BTTistas, um treino e convívio diferente.

Ao contrário da minha vontade este ano tive de abdicar de algumas provas que gosto de fazer, umas por problemas físicos (Lezírias, Pastor e Almourol) e agora a Meia Maratona da Areia, esta por opção devido à preparação para S. Mamede que se efectua daqui a duas semanas e era a última oportunidade para fazer mais kms em ambiente parecido áquele que vou encontrar em Portalegre. Contudo fiquei triste por ler em comentários o lamento da Costa da Caparica por esta prova não merecer a presença de alguns "amigos" habituais apelidandos de "coitados" por aquilo que perderam.
Eu conheço a prova e participei duas vezes, precisamente as duas primeiras, e conheço a competência mais que provada dos amigos do Mundo da Corrida que colocam todo o seu empenho em todas as iniciativas que levam a cabo, daí regeitar o mimo de coitado por não reconhecer veleidade a quem se exprimiu desta forma minurando o direito de cada um optar por aquilo que possa servir os seus interesses.
4 Amigos do Vale do Silêncio participámos numa prova de BTT na distância de 35kms aqui bem perto da porta, foi na Granja perto de Vialonga, porque o trajecto e algum grau de dificuldade me interessava inscrevemo-nos na prova mas como trailistas, o que foi prontamente aceite pela organização explicados que foram os nossos objectivos. Eu e o Rui Pacheco vamos a S. Mamede participar na prova dos 100 kms e os outros 2 ( o Filipe e o Hernâni) tiveram a gentileza de nos acompanhar e ajudar a atingir aquele objectivo. Saímos ás 7 horas da manhã, (só o Rui é que saíu por volta das 9h. juntamente com os BTTistas), com o pensamento de tentarmos chegar ainda antes de terminar o banquete colocado à nossa disposição no final deste salutar convívio. Este objectivo foi conseguido pois por volta das 1130h estávamos a chegar dando ainda tempo para ir ao chuveiro e pôr tudo em ordem.
O Rui chegaria cerca de 20 minutos depois revelando uma excelente condição física e a prometer muito para S.Mamede. Este Local e toda a logística que foi possível instalar no terreno é muito capaz de no futuro fazer alguma surpresa na área do Trail, o tempo o dirá.
Até S.Mamede vou tentar recuperar a perna esquerda de forma a que consiga fazer todo o circuito sem problemas de maior, a partir de agora sendo o próximo objectivo já não penso noutra coisa.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Dia Mundial dos Trabalhadores, a esperança não morre!

Chamem-lhe agora o Lince Ribatejano
Este ano o 1º de maio foi comemorado por mim com mais uma participação na corrida tradicional organizada pela CGTP. Uma prova que todos os anos tem conseguido manter-se de pé  reunindo desta vez à sua volta quase 1500 participantes, conseguindo assim mais uma vez bater o recorde de participações relativamente a edições anteriores.
Participei exactamente para estar junto dos amigos e camaradas que há muito não via e que se mantêm firmes nas diversas frentes de luta que os trabalhadores portugueses se encontram envolvidos na luta pela defesa da sua dignidade de vida, pelo direito ao trabalho e pelo progresso do nosso país.

O Vale do Silêncio
Tive a felicidade de fazer a minha prova em companhia do Jorge Branco, a velha raposa manca, que retornou ao local que lhe deu esta simpática alcunha. Foram perto de 12 kms de boa companhia como há muito não acontecia, foi também muito benéfico para mim pois consegui desta forma cumprir os objectivos que pretendia, fazer kms e tentar proteger a minha perna o mais possível do impacto no alcatrão. Isto foi conseguido até ao final da Rua do Ouro altura em que a velha raposa dicidiu mostrar que está de volta e pronta para atacar o tempo perdido. Dali até à meta foi um regálo vê-lo a correr, passo sempre certo e firme levando a que a cada metro estivéssemos a ultrapassar outros participantes que ousaram desafiar aquela distância e estavam agora a pagar a ousadia do seu voluntarismo.
Um bonito cenário
A minha admiração por esta simpática figura cresceu ainda mais quando em plena Alameda D. Afonso Henriques observo-o a gritar a plenos pulmões enquanto corria CGTP, CGTP,CGTP numa repetição que durou até sairmos para enfrentarmos o Evereste (expressão do Jorge) que estava ali logo a seguir. Foi um gesto bonito que eu não estava à espera e que me surpreendeu pela vivacidade com que o fez apesar de já ir muito cansado.
Terminámos aqueles quase 15kms com o tempo de 1,30.40h. (tempo de garmin).
Agora uma pequena pausa nas "minhas competições", treino, treino e treino, dia 19 estarei de volta para a grande incógnica que será S.Mamede, serão perto de 24 horas que auguro de prazer e satisfação pois só assim concebo realizar uma loucura destas com muita confiança.
Enfrentamos o infinito mas com confiança
Fotos de Isabel Almeida e J.Adelino
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terça-feira, 24 de abril de 2012

Raid Vale de Barris, 22/04/2012

Tinha estado o ano passado em Vale de Barris como convidado da organização para acompanhar por dentro o desenrolar da prova uma vez que um problema de saúde me tinha impedido de participar na corrida. Este ano não falhei mas isto esteve preso por arames, não só a lesão na perna esquerda que tarda em abalar mas também um rebentamento de um vaso no nariz, logo que me levantei, que esteve quase a pôr em causa a minha presença na corrida. Lembrei-me logo do Trail da Geira Romana de há 2 anos em que me desloquei 400 kms para a partir de Espanha participar e ao fim de 100 metros estava a desistir!!! Mas desta vez tive sorte, cheguei a Vale de Barris, participei e vim embora e nada aconteceu, mas fiquei preocupado, lá isso fiquei.
Como habitualmente muitos amigos fui encontrar, outros justificadamente estiveram ausentes por estarem noutras provas que coincidiram com esta, Maratona de Madrid e Meia Maratona de Albuquerque, ambas em Espanha e que mereceram a adesão de muitos portugueses.
Esta era uma das provas que constavam no meu plano traçado até chegar a S. Mamede, creio que pelo traçado delineado e pelas dificuldades encontradas corresponde áquilo que é necessário ir treinando para enfrentar as dificuldades maiores que mais à frente teremos pela frente. Não tenho os dados do meu garmin, pois uma falha técnica bloqueou-me o acesso ao computador, agora nem recebo nem ele aceita qualquer dado, manias, mesmo assim valendo-me da informação à chegada ele marcava-me 3,58h. a organização atribui-me simpaticamente 3,57,26h. para os 30 kms do percurso.
Como não choveu o percurso da prova estava excelente, o mesmo não diria se tivesse caído alguma chuva, a forte inclinação em alguns locais quer a subir quer a descer onde o barro e a terra facilmente se transformaia em lama por certo iria criar-nos muitos problemas, desta vez não caí, o mesmo já não o poderão dizer muitos tais eram as dificuldades em locais mais difíceis de ultrapassar. As dores na perna surgiram de modo mais ameno só a partir dos 15kms por isso pude correr mais solto incluíndo as descidas que é onde tenho sempre mais dificuldades por causa dos joelhos e agora também por causa da perna.
Com2,40h de corrida, a coincidir com a distância da meia maratona estava um abastecimento surpresa, cerveja bem fresquinha, estava a meio da Serra de S. Luís,? junto à antiga pedreira e quando subíamos para o ponto mais alto da Serra. Não contávamos com nada daquilo pois a prova é em auto-suficiência onde temos de transportar os líquidos e sólidos para nos alimentarmos durante toda a corrida, mas soube muito bem até porque o tempo estava excelente e ajudou a assentar melhor aquela benesse caída sei lá de onde.
Os 10 kms finais foram muito bons, a coincidir também com a parte mais técnica da prova, como eu me sentia bem deixei-me ir roçando ás vezes o perigo de quedas, principalmente as descidas onde por norma tenho mais cuidado, mas desta vez sei que exagerei mas como me saí bem acabei por fazer este último terço da prova a ultrapassar muitos outros atletas que já seguiam em grandes dificuldades.
Realço aqui também o convívio proporcionado a todos durante o almoço onde foi realizado também a distribuição dos prémios que integrou uma homenagem pública à atleta Chantal Chervel, madrinha deste Raid de Vale de Barris edição de 2012.Agradeço ao Jorge Pereira, à Otília, ao Mário Lima e ao Carlos Coelho a companhia que em algumas partes do percurso partilharam comigo a boa disposição pelo menos até o folego o permitir.
Segue-se um pequeno descanso, voltarei no 1º de Maio, dia mundial dos trabalhadores.

sábado, 21 de abril de 2012

1ª prova de Trail que fiz para além dos 50 kms.

Para registo aqui fica a 1ª prova de Trail que fiz para além dos 50 kms. Foi duro, não apenas devido à lesão que venho padecendo na perna esquerda mas também pela dureza do percurso em quase toda a sua extensão, muito tácnico em alguns locais, escarpas, descidas e subidas que parecem paredes autênticas, areal de praia, de tudo encontramos num cenário de rara beleza. Foi um bom teste ás capacidades de cada um e particularmente ás minhas devido ao desafio que representa os 100 kms de S.Mamede em Portalegre no próximo dia 19 e 20 de Maio. Até lá ainda tenho outros testes pela frente, veremos como vou lá chegar na certeza que a vontade desta vez comandará a mente pois a preparação actual é muito deficiente para enfrentar tal desafio, mas existe confiança suficiente para vencer mais este desafio.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Ultra Trail de Sesimbra 15/4/2012

A chegada
Aí está, vencido mais um obstáculo que era a superação da meia centena de kms em provas de Trail, Sesimbra era o objectivo para o conseguir, há precisamente um ano atrás estava nos meus planos conseguir ultrapassar essa barreira mas um arreliador problema de saúde deitou por terra essa ambição, por isso foi com reservado otimismo que me apresentei neste dia no risco de partida já que a preparação para esta prova não tinha sido das melhores devido a um problema de circulação sanguínea e dor da canelite na perna esquerda (arranjado em Sicó devido a uma queda e torção do pé) mas que tudo indicava me iria permitir fazer a prova sem problemas de maior, mas não foi bem assim...
Dói, mas alegra a vista

Depois de estar equipado observei que poucos tinham em seu poder os bastões para o auxiliar em locais onde o esforço solicitado seria mais exigente, então cometi o erro ao deixá-los no carro pensando que a prova não seria tão exigente assim, quem olha para Sesimbra não vê razões para se assustar e ver ali coisas parecidas à Serra da Lousâ ou mesmo a Serra D´Arga, tudo lhe parece mais plano, por isso a ousadia de ir na "conversa" dos outros saiu mais cara em termos de poupança de esforço .
Os primeiros 25kms foram brutais mas lindíssimos ora se sobe como se desce logo a seguir por trilhos muito técnicos onde a dificuldades era extrema em alguns locais onde se subia com percentagens de inclinação muito elevadas. De vez em quando dava uma espreitadela para a minha esquerda e também para a minha frente, não para ver este ou aquele que ia à minha frente, mas para ver as lindíssimas paisagens que aquelas serras e arribas da Arrábida nos proporcionavam, daí perceber agora o plano de restrições que impuseram para defesa daquele local (embora aqui e ali não devessem ir tão longe nas suas regras como é o caso das actividades lúdicas dos pescadores a pé que estão proibidas).
Corri quase sempre isolado, aliás como gosto, e só a partir dos 17,5kms é que tive a companhia da Célia Azenha que durou até cerca dos 23kms, depois foi-se embora e bastou eu ter ficado a beber mais um copo de água para nunca mais a alcançar. Aos 26 kms descemos até ao areal que nos levaria até ao aldeamento da Praia do Meco, foram 3 kms bem duros na areia solta e seca (o mar estava com rebentação forte e não dava para descer até à areia molhada e mais dura para se poder correr melhor), o vento estava muito forte e foi nesta altura que caíram alguns pingos de água que tocada a vento pareciam pedaços de pedra que nos atingia, como se torna evidente que este pedaço de percurso foi feito a andar, porque não dava para mais.
No pódio com o  vencedor no meu escalão, José Guia
Aos29kms novo abastecimento e controlo electrónico de passagem, aí o Diez informa-me que agora o percurso é rápido e só na parte final e acesso ao Castelo é que as dificuldades pioram de novo, mas as minhas dificuldades começaram logo ali, não porque o percurso o fosse mas porque começo a sentir dores na perna onde tinha tido o problema anterior, começou na articulação do pé e depois foi subindo até se situar na canela (perónio), faltavam 20kms, como a dor foi subindo de intensidade mas lenta e gradualmente conforme os kms iam decorrendo deixei-me ir, nas descidas o sacrifício era maior mas suportável e dava para chegar, ia pensando eu. Aos 42kms atingimos a pedreira, e que pedreira, tanta vez que já fui a Sesimbra e desconhecia a existência de um monstro daqueles ali, por terra é pouco visível e como nunca me abeirei nem pelo ar nem pelo mar desconhecia a sua existência, por isso fiquei triste mal entrei naquele enorme buraco que ali criaram, de um lado e do outro nota-se a excelência da beleza da Serra e das arribas, no meio aquela tristeza a céu aberto de um manto de branco onde deveria estar o verde natural da vegetação colocada lá pela Natureza e que deveria estar interdita à vontade e voracidade humana.
E o meu prémio individual
Aos 48kms chego finalmente ao Castelo, também é a 1ª vez que passo por lá, pouco vejo pois já ia em estado deplorável, ali estava mais um abastecimento, o último, já tinha acabado a água do meu camalbak e depois daquela subida ao Castelo bem precisava, antes de lá chegar ainda passámos por algumas vivendas que ficavam no vale e ia observando a ver se via alguém a quem podesse pedir uma pouca de água, mas nem vivalma, também ali se percebe o recato das pessoas pois os dias de hoje estão dificeis e é natural este seu isolamento. No Castelo pouco vi, penso que nem ás ruínas passei, passei sim ao lado da Capela e logo desci para o trilho que me levaria até Sesimbra. Foi dolorosa esta descida, os joelhos e a perna condicionaram e muito aquela descida de perto de 2kms, em circunstâncias normais esta descida é espectacular, sempre pelo meio do arvoredo e em trilhos que é um regalo percorrer, contudo fi-los sempre em passo de corrida até chegar à estrada que liga o centro da Vila(?) àté à Lota.
Na t,shirt e caneca gravado a nossa odisseia de Sesimbra.
Com uma curta incursão de novo pela Praia chego à meta instalada no Hotel Sesimbra Spa ali mesmo em frente à bonita baía de Sesimbra.
À minha espera lá estava o grande Comando (Mário Lima) conforme prometera e que registou em fotos a minha chegada, a quem agradeço, e que servem para ilustrar esta minha crónica, pedindo a sua compreensão para o facto.
Para os 50,940kms registados no meu Garmin precisei de quase um dia de trabalho: 7,55,20h. Modestamente acho que mereci o investimento que realizei.
Agora espero recuperar nestes dias que se seguem para poder estar em Vale de Barris na próxima semana.
Fotos cedidas pelo Mário Lima



Classificação Ultra Trail

terça-feira, 10 de abril de 2012

Ultra Trail de Sesimbra, o regresso

Após alguns treinos depois da lesão na perna esquerda que me afastou quase 1 mês das corridas, isto é após os trilhos das Terras de Sicó realizado em 25 de fevereiro,  posso concluir hoje que estou em condições de enfrentar o maior desafio que já fiz em termos de distância a pecorrer numa só prova

O Ultra Trail de Sesimbra na distância de 50 kms

15 de Abril de 2012



As paisagens deste local por certo irão ajudar a ultrapassar não só a grande quantidade de kms que temos de percorrer mas também as dificuldades que uma prova deste tipo sempre tem. É pois com alguma expectativa que me apresentarei na partida, a lesão recente e os treinos que pecam por escassos serão a minha maior preocupação, espero que as 10 horas que a organização me concede sejam suficientes para regressar e terminar de bem para comigo e para com a minha saúde.

Sesimbra aí vou eu


A caminho da Serra de S. Mamede a 19 e 20 de Maio de 2012

quarta-feira, 28 de março de 2012

Treino acompanhado com a inspiração de um amigo

Sozinho, mas a imagem do Melro estava ali atrás da câmara
Com o Melro no pensamento hoje de manhã novo treino, o mesmo cenário de sempre, o Parque Urbano de Santa Iria da Azóia, dizia a Ana à dias num comentário que deixou no meu blogue que ele estava cada vez mais bonito e eu confirmo, é uma alegria para todos nós quando vemos que ele está a ser bem tratado. Uma brigada C.M.Loures de limpeza e corte de matagal está a deixá-lo impecável, esperando nós que todo o recinto tenha o mesmo tratamento para bem dos nossos visitantes e de todos os aproveitam aquele magnífico espaço para ocupação dos seus tempos livres, correndo ou passeando.
No isolamento da nossa corrida, e neste caso da minha, deixamo-nos envolver pelos pensamentos que fervilham na nossa mente enquanto metódica e mecanicamente vamos dando liberdade aos nossos movimentos em passo de corrida por forma a que a distância a percorrer se torne o menos monótona possível, neste caso veio-me à mente o nosso querido amigo Melro, o fotógrafo que nos habituámos a ver em tantos locais do nosso país permitindo assim a todos nós que colecionássemos em fotos as recordações que perpectuam a nossa passagem por esta coisa bonita que é correr ou caminhar pelo nosso bem estar ou para satisfação de objectivos traçados na nossa vida desportiva.
Melro aqui estou à tua espera, até já
As entrelinhas das últimas postagens da Ana, da nossa querida amiga Ana, davam um sinal claro que algo não ia bem, não cometerei nenhuma inconfidência que fale aqui do seu pai e de um grande amigo que encontrei e que está a viver momentos difíceis ao nível da sua saúde, o seu coração tarda em dar-lhe o devido descanso que tanto merece, ele por certo saberá superar mais esta fase contando para isso com a sua grande força  de vontade e voltar  a estar conosco e com a sua família em paz e com saúde. 
Hoje o treino foi inteirinho a pensar nele, o exame a que se estava a sugeitar decorria praticamente à mesma hora ou perto disso e a emoção por vezes visitava-me, mas sei que ele é forte e que tudo iria correr da melhor forma. Aproveitei este 3º treino para prolongar mais um pouco o tempo de duração na esperança que a lesão não se fizesse sentir, uma hora era o objectivo mas ali chegado e porque as coisas estavam a correr bem acabei por fazer mais 10 minutos, 1,10h. para os 10,5kms finais. Creio que se tudo continuar assim poderei pensar em recuperar algumas provas que já considerava perdidas.
Agora está assim, bonito e à nossa espera.
Domingo não irei aos Trilhos de Almourol, com muita pena minha, quero agradecer o amável convite que o José Brito me fez para estar presente e acompanhá-lo durante toda a corrida, a exemplo aliás do que já tinha feito o ano passado, mas é muito penoso para mim estar lá e não poder correr, por isso deixo aqui os votos de sucesso para a Organização e para todos os atletas que participarem.

terça-feira, 27 de março de 2012

Recomeçar, a esperança volta de novo

Hoje devia estar aqui a escrever mais uma crónica das minhas aventuras de fim de semana, desta vez seria os Trilhos do Pastor, realizado ontem dia 25 de Março. Pouco sei dessa prova, os meus colegas de Clube foram até lá mas ainda não li nada sobre a sua participação, contudo duas coisas já me chegaram, o Rui Pacheco que foi ocupar a minha vaga, deixada em aberto devido a lesão, teve um comportamente excelente, ficou em 3º lugar da geral e 1º no escalão sénior, foi extraordinário porque este terreno não é o dele, não é mas poderá vir a ser pois tem excelentes condições para vir a ser um grande campeão. A outra notícia é que o Hernâni se perdeu no percurso e apareceu na meta do lado contrário do sentido da prova. Ele já não é um novato no Trail e a organização já deu provas em anos anteriores pelas excelentes marcações em todo aquele percurso. Mas compreende-se uma pequena distração e o que está determinado é que em 200 metros sem fitas o melhor é voltar atrás e recomeçar. Mas vou esperar pelo relato lá no nosso blogue para saber o que se passou.
É verdade, devia estar a escrever a minha crónica sobre esta corrida, ao invés disso escrevo com um otimismo moderado sobre o 1º treino que efectuei hoje após a paragem forçada devido ao problema que me surgiu na perna esquerda e que já dura desde os Trilhos de Sicó há precisamente 1 mês. Entrei muito receoso neste treino e à espera de a qualquer momento ter de parar de novo como acontecera em vezes anteriores, desta vez segui as instruções dadas pelo fisioterapeuta que me andou a tratar, correr até sentir a dor, depois parar e gêlo para cima. Não foi preciso uma parte desta recomendação já que durante os 30 minutos que corri não senti nada na perna, parei porque achei que já era suficiente, depois do banho passei a zona dorida com o gêlo e neste momento sinto isto em condições de amanhã repetir a dose.
A má circulação e e as dores do peróneo mesmo junto à articulação do pé poderão estar em vias de resolução para isso tenho de continuar a ser paciente e criar as condições de regressar aos trails sem receio de me magoar novamente. Os trilhos de Almourol vão ficar por fazer, talvez aproveite o convite do Brito para ir até lá e poder ajudar em alguma coisa que for preciso, mas devo dizer que me custa muito estar lá e não poder participar como aconteceu na Edição anterior, não sei...

segunda-feira, 19 de março de 2012

Trail de Penafirme, Uma bonita prova manchada por erros evitáveis.

Tocado ainda com um problema na canela a que se custuma chamar de Canelite fui fazer ontem o 1º Trail  de Penafirme, ali um pouco a norte de Santa Cruz na Região de Torres Vedras na distância de 30 kms.
Escusado será dizer que fiz asneira mas quando parti sentia que a lesão podia ser gerida conforme a corrida se ia desenvolvendo, só que "esqueci" que ia fazer trail com terrenos agrestes onde não faltou muita pedra solta, rochas, mata, asfalto, areia e muito sobe e desce. Ao fim de 2 kms de prova começo a sentir a canela com dores ainda que ligeiras, nesta altura seguíamos pelas arribas junto ao mar na direcção Norte, seguia já nas últimas posições com 2 amigos, Mário Lima e Carlos Coelho. Quando passo de novo junto ao local de partida pelos 4kms tinha duas opções, ou ficava ali e aliviava a dor que já era intensa ou seguiria e iria passar as tormentas até chegar ao final, optei por seguir.
No 1º abastecimento  perco de vista os meus companheiros e ganho também a certeza que até ao final vou sofrer e a valer. Consigo juntar-me a outro grupo onde seguia a Dina Mota (a contas com problemas numa perna mas em vias de recuperação) e o António Pinho, por volta do 6º kms erro no percurso, devíamos ter virado à esquerda e fomos em frente gerando-se aí grande confusão, começámos a ver os atletas da frente ao nosso encontro (junto ás Termas), já tinham dado uma volta e tornaram ali ao fim de 12 kms  para seguir o seu percurso, como vimos as fitas pensámos que íamos bem mas não era assim, estávamos agora num dilema, por onde seguir? é que ali naquele local havia fitas para 4 lados diferentes e não havia ali ninguém da organização para ajudar, soube depois que muitos atletas acabaram por fazer menos 4/5 kms e falharam 1 ou mais controlos num total de 4. Quando a organização se apercebeu do problema ainda destacou para lá alguém ainda a tempo de evitar males maiores.
O meu grupo andou por ali para trás e para a frente até que optámos por ir pela estrada de alcatrão na direcção do Vimeiro mas continuávamos a não ver as fitas, até que ao fim de 1 kms começámos de novo as ver as fitas ao mesmo tempo que vemos surgir da esquerda da estrada uma atleta que vinha pelo caminho certo e que deveria ser também o nosso caso não nos tivéssemos perdido. Agora seguíamos com a certeza que a rota era a correta, a Dina vai-se embora e eu fico com o Pinho e a Margarida, aquela que surgiu ali da esquerda e que optou por ficar conosco, era a sua primeira prova para além dos 21kms e estreante em provas de Trail, acho que fez bem e as suas fragelidades depressa se começaram a notar, a juntar ás suas juntaram-se as minhas devido à canelite e também ao Pinho que resolveu levar sapatos justinhos ao pé e que ainda faltava espaço para a meia, o resultado foi desastroso, a juntar a isto estava também com um problema na coluna, que rico trio.
Depois de contornarmos aquela volta (Km12) chegámos de novo ao local da confusão anterior, descíamos uma Serra e quando chegámos ás Termas já seguíamos em frente, é quando um elemento da organização nos manda virar logo à esquerda, se antes e após a passagem dos primeiros clkassificados lá estivessem muita coisa podia ser evitada, agora percebo porque se deu a confusão é que o local onde nos mandaram virar à esquerda vemos mais 2 percursos de fitas e por onde havemos de passar depois desta volta que íamos agora iniciar. Ao fim de mais 4 kms descemos de novo uma Serra retornamos ali ás Termas para logo de seguida apanhar outro trilho que nos conduziria para a parte Sul da prova. Creio que poderia ser evitada aquela confusão criada aos atletas abrindo um pouco mais o espaço de proximidade entre os atletas evitando o contacto visual das fitas em circuitos diferentes.
 Conforme o gráfico que o Garmin demonstra o sobe e desce foi sempre constante, a parte mais alta estava a pouco mais de 100 metros mas quando descíamos o plano regista perto de 10 metros acima do nível do mar pelo que o total acumulado pouco passou dos 700 metros positivos, bastante acessível este Trail tornou-se doloroso por causa da lesão, seguia agora bastante devagar e muito inconstante, descia mal pois a perna doía cada vez mais, aproveitava as subidas para aliviar um pouco mas logo os meus companheiros se atrasavam, até que por força de terminar o mais rápido possível com as minhas tormentas, dicidi com muita pena, ir-me embora e evitar o prolongamento daquele soplício, mas fi-lo apenas nos 8 kms finais e numa altura em que já nos abeiravamos do mar. Para mim foi um alívio enorme quando comecei a correr em cima de areia e tive pena que aqueles 5 kms finais não tivessem sido feitos sempre em cima de areia já que ao passarmos pela arriba ali havia de tudo, muita pedra e rocha  tornando dolorosa a progressão.
Fui-me arrastando e quando cheguei ao areal junto ao Hotel de apoio senti um alívio enorme, faltava cerca de 1,5km que são feitos sempre em passo de corrida até cortar a linha de meta, tendo ainda antes de lá chegar percorrido a pista de corrida de cavalos com cerca de 400 metros de diâmetro.
Após a chegada fui prontamente assistido pelos Bombeiros (a quem desde já agradeço a simpatia e dedicação) que ali estavam a dar assistência aos atletas. Ao fim de 10 minutos de gêlo segui a caminho do "almoço", aqui os parênteses justificam-se porque naquele momento senti muitas saudades daquilo a que estamos habituados, e quem lá almoçou compreenderá aquilo que quero dizer.
Creio que a prova tem muito a melhorar no que diz respeito ao seu percurso, existe demasiado asfalto que é percorrido, as partes do verdadeiro trail devem manter-se pois está espectacular, existe Serra suficiente para criar novos trilhos evitando-se aquelas curvinhas que nada trazem de novo, a subida e passagem pelo túnel foi de sonho bem como vistas extraordinárias que fomos tendo ao longo do percurso, recomendo a quem queira experimentar esta prova, eu voltarei sem qualquer dúvida pois sei que aquilo que fizeram em apoio aos atletas foi exemplar, trilhos bem limpos, outros nem tanto como convém, nas subidas agrestes aqui e ali não deixaram de abrir alguns degraus, creio que o pessoal do trail dispensaria essa atenção, mas pronto esta bom e isso é que interessa.
Não sei qual a decisão final da organização quanto à classificação geral, mais de metade (ouvi falar em 80%) dos atletas não passaram em todos os controlos por sucesivos erros de orientação, sendo por isso desclassificados. Eu, conforme o gráfico que anexo fiz todo o percurso, excepto o erro ao 6ºkm mas retomado o percurso pouco depois e tenho assinalado no meu dorsal os 4 controlos feitos pela organização. A culpa principal pelo ocorrido é dos atletas, correm sem olhar por onde devem ir no entanto qualquer organização deve acautelar com nitidez os cruzamentos que os atletas devem percorrer e assim precaver possiveis erros que podem ser evitados. Se a prova for anulada eu compreendo mas custa-me aceitar porque fiz todo o percurso e não tenho culpa dos erros dos outros.
Os meus dados estão no Gráfico: 29,750kms e o tempo de 4,55,20h.

Ver fotos aqui