| Um pouco empenados após a chegada |
É por isso que voltei lá mais uma vez e voltarei se nos próximos anos tiver saúde e me sentir em condições de continuara fazer a distância da maratona. Não me vejo a fazer outra maratona fora do nosso país, embora pense que Sevilha estando num nível muito elevado haverá por certo outras que estarão ao mesmo nível ou superiores, a juntar a isto está também o excelente convívio que se consegue num fim de semana na companhia de muitos amigos, quer na viagem quer durante a estadiA.
Para esta Maratona fui acompanhado de muitos amigos cuja organização de toda a logística foi da responsabilidade da Associação do Mundo sa Corrida cujos resultados se podem considerar um sucesso, aliás como é apanágio das suas realizações cabendo aqui uma palavra de agradecimento à Margarida Henriques e ao Eduardo Santos do modo agradável como as coisas decorreram.
Os Amigos do Vale do Silêncio levaram uma equipa de 5 atletas, 3 deles eram estreantes na Maratona e quero deixar aqui uma palavra de apreço pela coragem demonstrada e por sem exitações terem cumprido desde a primeira hora o desafio a que se propuseram e ás 9,30h. lá estavam eles na partida no estádio olímpico de Sevilha, nervosos é certo mas com a confiança necessária para vencer aquele desafio.
Parti na companhia do Juca, era um dos estreantes e quis ir comigo para se sentir mais à vontade e fazer os primeiros Kms de forma controlada, marcámos o objectivo das 4 horas e para tal desde cedo que a média foi estabelecida nos 5,30m por km, o Hernâni e o Filipe ficaram juntos e o Joaquim Gomes ficou só e fez a sua prova tal como há 1 ano atrás. Os 10kms foram ultrapassados com 56m, bem dentro dos objectivos traçados, os abastecimentos estavam a cada 2,5kms entre si o que ajudava a uma boa hidratação, pelos 15 kms somos alcançados pelo Filipe e pelo Hernâni naquilo a que posso chamar de alguma surpresa pois imaginava-os lá mais para a frente, mas conforme chegaram depressa se puseram a andar, o Juca estava danadinho para ir com eles mas conseguiu conter-se e continuar comigo, penso que tomou a decisão certa pois ainda faltava muitos kms para o fim e pela forma como os nossos amigos chegaram e seguiram era arriscado demais para ele, do Joaquim não sabia nada nesta altura. Entretanto atingimos a meia maratona com 1,58h, já com pelo menos 2 minutos abaixo do nosso objectivo, mas sabia que era muito curto para o objectivo final das 4 horas.
Entretanto comecei a aperceber-me que algo não corria bem com os nossos estreantes que nos tinham ultrapassado aos 15kms, seguiam agora a cerca de 150 metros á nossa frente, não tentámos forçar para chegar até a eles pois isso poderia ser-nos fatal para o resto da prova e optámos por respeitar os tempos de passagem a cada km para atingir o objectivo fina, até aos 25/26 kms seguimos com eles à vista. Seguíamos ainda confortavelmente, até ali o Juca provavelmente para me agradecer pela prova que estava a fazer e o à vontade que seguia em toda a prova já percorrida prestou-me um excelente apoio durante os abastecimentos transportando até mim a água que recolhia em todos os postos que íamos alcançando, evitando assim que eu descordenasse o meu andamento e prejudicasse a nossa média. Aos 28 kms o Juca apercebe-se que eu começava já a ter algumas dificuldades de manter o ritmo que trazíamos e simpaticamente faz-me sinal que vai prosseguir sozinho, depressa dei o "meu consentimento" pois sabia que mais nada podia fazer para o ajudar pois encontrava-me dentro dos meus limites e ele ali já não fazia nada e partiu à procura do desconhecido e da glória final com a entrada em pleno Estádio Olímpico. A partir dali procuro manter o meu andamento pois encontrava-me ainda dentro do objectivo final, bastava-me manter o ritmo abaixo dos 6m e não fazer paragens junto dos abastecimentos como acontecera no ano anterior, com grande sacrifício ia conseguindo palmilhar os kms até que avisto o Filipe a andar a cerca de 200 metros, vi logo que as suspeitas que eu tinha estavam certas e tento aproximar-me mais para ver o que se passa, pouco depois voltou a correr para aos 38 voltar a andar, nesta altura colo-me a ele e ele diz-me que tem muitas dores e estava a tentar chegar, digo-lhe umas palavras de encorojamento e sigo sem saber da gravidade da lesão e aquilo que tinha sofrido até chegar ali. Aos 40 kms sou alcançado pelo Joaquim Gomes, ainda ia tentar chegar antes das 4 horas e convida-me a seguir com ele mas recuso pois o meu ritmo ia já nos limites e um pouco acima dos 6m. e só queria era chegar. Tento não perder esta referência do Joaquim e faço um esforço final e tal como no ano anterior entro no Estádio com uma sensação enorme dentro de mim por ter conseguido completar mais uma Maratona, desta vez sempre em passo de corrida contrariando a tendência das últimas que tenho feito. Termino com 4,01,30h, menos 12 minutos que a edição anterior e menos 36 minutos que a recente Maratona de Lisboa.
3 minutos depois chega o Filipe, dou-lhe um abraço tal como fiz aos outros, é então que fico a saber do sofrimento que teve de enfrentar para ali chegar, chegou mesmo a ser aconselhado palas equipas médicas de apoio a desistir para não agravar a lesão que trazia no pé, mas galhardamente voltou à estrada a chorar pois só queria era completar a maratona. Até final foi-se arrastando acabando por afectar também a outra perna por tanto ter procurado defender o pé da perna afectada, foi um herói revelador de um grande espírito de sacrifício tornando-o num verdadeiro maratonista cujo valor é merecedor de todos os elogios. Renovo-lhe daqui as rápidas melhoras com a certeza que voltará para vencer este desafio agora de forma mais confortável como sei que ele é capaz, o seu tempo final foi de 4,04h. Voltará para pulverizar esta marca, não tenho dúvidas.
O Hernâni fez também quase toda a prova com problemas físicos ao nível do joelho e acompanhou o Filipe enquanto ainda podecorrer, depois seguiu e conseguiu chegar com a marca de 3,54h. O Juca, que aparentemente seria aquele que estaria com a preparação mais atrasada devido a problemas físicos ainda conseguiu chegar com 3,56h. Finalmente o Joaquim Gomes com a sua corrida "solitária" conseguiria a marca de 4h, 1 minuto abaixo do alcançado no ano anterior nesta mesma maratona. Envio-lhes daqui os meus repetidos parabéns pelo feito na certeza que a partir daqui tudo será diferente para eles no que diz respeito ás corridas, ao superarem a prova rainha da estrada atingem um objectivo sonhado por todos os corredores, para eles nada mais será como antes.
Voltaremos para o ano, essa foi a vontade demonstrada por todos, esperamos aumentar o número de AVS para a próxima edição, ali existem todas as condições para o êxito de quem queira "atacar" esta mítica prova, ficam todos convidados.
Classificações Classificações diversas
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