Pela 6ª vez participei na Meia Maratona de Sevilha, assim chamada mas na verdade de Sevilha tem muito pouco, já que saímos a 6 kms de Sevilha seguindo ainda mais para Sul até chegarmos a Los Palácios & Vila Franca a cerca de 18 kms.
Mas é uma prova que considero espectacular desde a 1ª vez que lá fui há cerca de 10 anos. Desta vez segui com com mais 6 Amigos do Vale do Silêncio em transporte particular, claro que não é tão cómodo como ir de Autocarro, mas como em tempos de crise anda toda a gente a cortar não nos resta outra opção do que fazer mais alguns sacrifícios para podermos estar onde gostamos e também onde somos respeitados e bem tratados.
Estive ausente nos 2 últimos anos desta prova e ao regressar notei algumas alterações, não no percurso que estava intacto e igual ás edições anteriores, os abastecimentos deixaram de ser a cada 2,5kms e passaram a ser de 3,5kms, nada a que cada um não se adapte rapidamente, menos gente (ou estavam mal destribuidos) nas mesas colocadas ao longo do percurso a dar a água ou a facilitar que a mesma estivesse ao alcance dos atletas, aqui e ali alguma confusão, eu pelo menos de tive de parar duas vezes e voltar atrás para receber a minha água. A outra novidade foi o local da chegada, desta vez mais bem organizada já que toda a assistência aos atletas após a chegada foi feita em linha e não como anteriormente que causava estrangulamentos e uma perda de tempo enorme stressante numa altura em que os atletas mais necessitam é de algum descanço e não de confusão.
O dia estava excelente, algum frio até antes de partirmos (11h. de Espanha), mais uma do que aqui em Portugal, o sol apareceu muito cedo e quando partimos já era muito agradável o meio ambiente. Estavam reunidas todas as condições para todos fazerem uma excelente prova desde que para isso estivessem preparados e também motivados. Foi com esse espírito que parti mas sem saber até onde poderia ir a minha vontade de fazer uma boa prova, sim porque eu não ia percorrer quase mil kms. e fazer depois aquilo que custumo fazer, que é partir e chegar sem me sacrificar muito, não, eu estava ali para fazer mais qualquer coisa. Tanto assim foi que me posicionei um pouco mais à frente do que é habitual mas por enesperiência na frente antes da partida encostei-me um pouco ás grades e por consequência ia sendo atirado para cima delas, valeu-nos, porque havia mais, que do outro lado das grades um grupo de pessoas conseguiu suster a avalanche impedindo estas de caírem o que iria provocar alguns danos em muita gente. Ainda mal refeito do susto e instintivamente imprimi um ritmo bem forte, para as minhas possibilidades está claro, aos 5 kms levava 25,6m gastos e não se pense que esta fase é fácil pois no 1º km temos cerca de 600 metros sempre a subir e com o restante um pouco mais ou menos plano. A grande dificuldade estava entre o 6º e o 7º km, uma subida de 300 metros onde se via já alguns atletas a andar para superar aquele pedaço de percurso. A partir dali eu sabia que o terreno ia ser muito irregular, trata-se de um percurso com um falso plano pois quando sentíamos as dificuldades é que sabíamos que estávamos a subir, e como eram longas essas subidas. Aos 51 minutos estava a atingir
os 10 kms, nesta altura achei que lá mais para a frente iria penar bastante, mas não me importei demasiado com isso, pois levava ainda na mente que na Maratona de Lisboa realizada há 15 dias tinha passado os 10 kms com 56 minutos, aí sim era para me assustar. Como é habitual corria mais uma vez isolado pois não gosto da pressão quando se corre em grupo e procurava agora não perder muito o ritmo que trazia até aos 10 kms mas sentia que estava a perder algumas capacidades. Com os abastecimentos vou recuperando alguma energia, até que chega os 15 kms onde existia novo abastecimento com água e laranja, levo uma garrafa e um pedaço de laranja que logo deito fora por custar a degerir, prefiro tirar um Gel que levava comigo e ingeri-lo logo ali aproveitando para recuperar um pouco as forças. Esta passagem aos 15 kms permitem-me começar a tirar alguma ilações da corrida que estava a fazer, estava com 1,20h. de corrida e se para a parte final se a quebra não fosse muito grande poderia melhorar a minha melhor marca deste ano. Aos 18 kms à entrada de Los Palácios sinto a necessidade de ingerir mais um Gel, o que faço junto ao último abastecimento fornecido, mas rapidamente concluo que pouco efeito veio trazer ás grandes dificuldades que já trazia. Em contra partida foi a partir dali que a energia renovada surgiu fruto da gigantesca mola humana que se apinhava nos passeios durante aqueles 3 últimos kms finais, ás forças que já faltavam juntou-se aquele apoio humano à vontade férrea que levava em não me deixar cair e lutar sempre até à linha de Meta por uma boa marca, para mim claro está.
Aquela ponta final da prova, principalmente o último km, foi dolorosa em termos físicos parecia que estava a subir uma montanha, o certo é que aquilo é plano e não fosse o facto de quase sermos levados em braços por aquela imensa muitidão e as coisas teriam sido mais difíceis. No final olhei para o meu Garmin e registava 1,54,08h. para os 21,170kms. marcados. 6 minutos a menos em média do que na Moita, Almeirim e Nazaré e apenas 4 minutos do que tinha feito a meio na Maratona de Lisboa. As dificuldades na parte final devem.se por certo da prova da Maratona e também ao facto de em 15 dias ter feito apenas 6 treinos e sem qualquer expressão em termos quilométricos.
Vim de lá satisfeito, por mim e pelos meus colegas, 2 deles bateram recordes pessoais: O Luís Pedro com 1,17,06h. e o Filipe Ramalho com 1,39,40h. O Rui Pacheco realizou a excelente marca de 1,13,19h. conseguindo a 19ª posição da classificação geral e 6º do escalão sénior. Os restantes 2 Amigos realizaram as suas provas dentro daquilo que já nos habituaram: Hernâni Monteiro 1,43,15h. e o José Rebocho 2,08,16h.
Uma referência ainda para o nosso Amigo João Vaz por ter conseguido a 6ª posição na classificação geral e vencido o seu escalão + de 40 anos com a marca de 1,10,26h.
Se a crise nos deixar pode ser que para o ano póssamos voltar.
Classificações






