sábado, 23 de outubro de 2010

20 Kms de Almeirim



Hoje fui conhecer a "nova" da Corrida dos 20 kms de Almeirim. Fiquei surpreendido, há bastantes anos que já não ia lá e o percurso que fui encontrar era totalmente estranho para mim, não sei há quantos anos tem este traçado, aquilo que sei é que o achei menos enfadonho que aquele que existia anteriormente que nos levava estrada fora sem fim à vista e depois fazíamos o regresso até um não mais chegar. Aquela 1ª volta dentro de Almeirim na distância de 5 kms também foi novidade para mim e gostei imenso de a fazer, mas não estava à espera, e assim foram "cortados" mais 5kms naquelas estradas de perder de vista.
Foi também um regresso, se a memória não me falha, à Estrada que liga até Alpiarça e até à sua bonita Barragem, que eu também não conhecia. Era este o percurso que eu percorri quando lá estive pela 1ª vez, vínhamos depois apanhar a Estrada que vinha de Santarém e terminávamos no mesmo local em Almeirim. Penso que se abandonou este traçado original devido ás cheias que quase todos os anos inundava aquele local, mas foi uma pena pois um prova torna-se bastante monótona quando temos de ir e vir pelo mesmo percurso.
Agora encontrei as coisas melhores neste meu regresso, até a Sopa da Pedra foi uma agradável novidade e que saborosa ela estava, servida num amplo espaço onde todos se poderam sentir à vontade, e o que é mais importante sem confusões. Eu já gostava muito desta prova e só por outros compromissos é que eu estive ausente em edições anteriores, mas espero no futuro não mais faltar por várias razões: Uma prova muito bonita, muito bem organizada, bons abastecimentos de água, gente de apoio muito simpática e a recepção final, um saco com bonitas recordações e o convívio final entre todos e em especial dos amigos que tiveram oportunidade de confraternizar em redor das mesas enquanto saboreavam a excelente Sopa da Pedra e o bom vinho da Regíão, de entre muitas qualidades de bebidas.
Da Corrida tenho a dizer que fiquei muito satisfeito e foi um bom teste para a Maratona do Porto, Tinha falado ao Daniel, meu Genro, que desta vez não correu mas fez-me amavelmente companhia nesta deslocação, que me podia esperar pela 1,45h a 1,50h, e assim foi pois acabei por realizar 1,47,17h para os 20,160kms no meu Garmin com uma média de 5,19m por km.
Para esta melhoria de média muito contribuiu o regresso, quando ainda faltavam 7,5kms para a meta, como havia disponibilidade física aproveitei e foi um regalo ir ultrapassando tantos atletas que no regresso já sentiam maiores dificuldades, coisa rara em mim pois normalmente sou eu que estou naquele estado, para isso também muito contribuiu os amigos que com tantos incentivos só podia dar naquilo, uma excelente prova e a acreditar que a Maratona do Porto poderá correr melhor do que aquilo que eu estava a pensar. Vamos a ver.
Uma palavra final para os amigos, foram tantos os que me falaram durante a corrida, não vou poder dizer todos mas realço alguns das Lebres do Sado, do Narciso, do Parro, que fazia ele ali?, do Mota e Susan, A.Almeida e família, (que alegria qundo vi a Vitória a correr para mim para um grande abraço) do V.Veloso e família, o Venâncio, Mário Lima, o Carlos Coelho (perdeu o cartão para a Sopa, oh Carlos), o Romão e tantos outros, que me desculpem!
Vou tentar mais logo fazer a Corrida do Tejo, se arranjar dorsal estou lá batido.
Segue-se para a semana a Corrida da Ribafria, estou ansioso pois vou voltar a encontrar aquele grande número de amigos que tão simpaticamente nos aplaude (no km11) quando por lá passamos, e eu espero poder retribuir quando por lá passar na 2ª parte da corrida quando viermos de regresso.
Fotos do Daniel e de amigos

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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Corrida do Bicentenário das Linhas de Torres



A Edição da corrida comemorativa do Bicentenário das Linhas de Torres realizada no dia 17 de Outubro que ligou Sobral de Monte Agraço a Torres Vedras foi mais um êxito a juntar a muitos outros que a Autarquia de Torres Vedras leva a efeito no plano Desportivo.
A juntar a este sucesso está naturalmente a Xistarca que no plano organizativo esteve mais uma vez excelente.
A corrida do Bicentenário contou com 194 atletas chegados à meta, podemos considerar que foram poucos, mas se calhar a organização também não pretenderia reunir ali um pelotão muito volumoso já que a intenção era mesmo comemorar esta data histórica.
Com transporte dos atletas até ao local de partida a Autarquia deu uma excelente ajuda na resolução deste problema mas este dado não chegou ao conhecimento dos atletas pelos canais normais de informação, tendo desta forma muitos deles levado as viaturas para o Sobral e depois tiveram por diversos meios de os recuperar no final da prova.
Por sorte (eu e o Daniel) obtivemos a informação na véspera num contacto estabelecido com a Xistarca e fomos directos a Torres Vedras até ao local de concentração.
Na ida para o local de partida o insólito aconteceu, a cerca de 5kms encontrámos uma cancela dos Caminhos de Ferro fechada e com a sinalização a funcionar, esperámos e esperámos, até que comecei a ver os automóveis a contornar as cancelas e a passar, curioso o motorista da Cãmara foi ao local, (estávamos a 100 metros) e foi observar o que se passava e disseram-lhe que aquilo estava avariado!!! e por isso estavam a passar. O seu grau de responsabilidade revelou-se logo ali quando nos disse que também estaria disposto a passar desde que atravessassemos a linha a pé, e assim fizemos, tranquilamente e com todo o cuidado. A linha tem ali duas curvas, uma em cada lado bem próximas e o perigo podia ser eminente mas o descernimento do motorista e a colaboração de todos ajudou a que tudo acabasse em bem e podemos então seguir viagem.
Partimos para a nossa prova de 15kms logo após a passagem da prova oficial, era aquela que concentrava naturalmente todas as atenções da Organização e populares, e porque não também dos atletas presentes nesta corrida do Bicentenário que ali estavam? Exactamente 4 minutos depois saímos nós numa correria louca já que descemos cerca de 2 kms sem encontrar qualquer dificuldades. Mas quem desce muito também sabe que logo a seguir vai apanhar subida pela certa, e ela surgiu logo a seguir a Dois Portos, 2 kms a subir até Caixaria, a meio estava o 1º abastecimento que aproveitei para encher um pequeno cantil pois mais à frente estava com intenções de tomar um Gel e não sabia se os abastecimentos estariam em locais adequados para o efeito. Tinha feito a esta fase da corrida com o Carlos Coelho mas para o final da descida escapei um pouco pois sentia-me bem e é nas descidas que eu habitualmente fraquejo sempre, como disse, no 1º abastecimento bebi e enchi o cantil, parei para conseguir fazer esta operação rápida e logo segui, o Carlos esteve quase a chegar novamente mas como não olhei para trás segui e ele nunca mais conseguiu colar. Depois de Caixaria encontrámos mais uma longa descida até perto de Runa, lembrei-me do Xavier e da Esposa, como eles devem conhecer bem estes caminhos, uma Terra muito bonita e com gentes muito acolhedoras, foram muitos os aplausos e as palavras de incentivo, coisa rara, no entanto esta Terra tão bonita bem merecia uma placa de identificação bem visível para os seus visitantes e não aquela que lá está, pequena e em muito mau estado dificultando a sua leitura para quem não a conhece.
Quando voltámos a passar pela tal cancela já estava a funcionar como deve ser e desta vez já pudemos passar com total segurança.
A partir do último abastecimento foi o cabo dos trabalhos, principalmente pelos 17 kms, o trânsito conseguiu invadir a estrada, esta ainda por cima era estreita e tinha viaturas a circular nos 2 sentidos, fiquei "entalado", junto a um motar da Polícia, atrás de um camião e acossado por outro e ali permaneci quase 1km sem poder ultrapassar e a levar com os gazes queimados daquele monstro, um pouco mais à frente viramos finalmente à esquerda numa estrada que nos levava até Torres e sem mais confusões.
O último km (à boa maneira do Jorge) foi feito totalmente dentro da Cidade de Torres Vedras passando sempre pela zona mais nobre desta bonita Cidade acabando no Parque Central onde estava instalada a meta final.
O Daniel já me esperava, tinha feito uma prova muito interessante face à sua condição física actual (algum atraso na sua preparação) conseguiu a marca de 1,09h controlando sempre nos limites o seu esforço.
Como sempre faço corri confortavelmente sem nunca atingir o limite de esforço, só assim conseguirei alcançar o objectivo de chegar à Maratona do Porto em condições de a realizar e se possível sem sofrimento.
Nesta Prova precisei de 1,21,08h para percorrer os 15,110kms com a média de 5,22m por km.
No próximo Sábado estarei em Almeirim para percorrer os 20 kms, ali sei que vou encontrar novamente muitos amigos, o que é sempre muito agradável.
O que é as Linhas de Torres?

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Meia Maratona da Moita


Boa jornada esta da Moita, corrida e convívio familiar.
A Meia Maratona da Moita, como todas as outras da mesma dimensão nesta altura da época serve para encher em número de kms com o objectivo de chegar à Maratona do Porto na melhor condição possível em termos físicos, ainda não sei se é a melhor opção pois muitas competições, (em tão pouco tempo), com quilometragem a rondar os 20kms ou mais também deixa algum desgaste, o que para a minha idade não abona a meu favor. Mas também sei que não tenho alternativa, pois se também quero estar lá estes passos têm que ser dados.
E a Moita veio dar-me alguma tranquilidade, sem forçar nada deixei-me ir rolando sem grande esforço, 5,30m ao km nos primeiros 10kms, na segunda metade ouve uma pequena quebra que considero normal pois o percurso sofre um pequeno agravamento de dificuldades refletindo-se naturalmente na média final alcançada (5.36m). o curioso é que foi nesta parte final que me senti melhor, tendo inclusivé ultrapassado muita "concorrência" que sentia ali dificuldades acrescidas na sua progressão, (2kms de subida suave).
O dia estava excelente e a espaços difícil, devido ao calor intenso que se fazia sentir sempre que o sol abrasador fazia a sua aparição, desta vez levei abastecimento extra, gel e água, para evitar os erros que tinha feito no Trail do Alqueva na semana passada.
Incrivelmente consegui o objecto para esta corrida que era de duas horas, (Tempo do meu Garmin, 2,00,29 para os 21,320kms do percurso, média de 5,36m km).
Os abastecimentos estavam nos pontos certos, aliás como em todas as edições, em quantidades suficientes e só é pena e ao mesmo tempo desolador observar tanta embalagem vazia de água espalhada ao longo das estradas em todo o percurso da prova, as organizações das provas de estrada têm também elas de começar a consciencializar os atletas que nelas participam da necessidade de acabar com este flagêlo, basta um alerta nos regulamentos e espalhar alguns contentores no km seguinte aos abastecimentos e anula-se ou reduz em muito aquele degradante aspecto que sendo mau para a própria Natureza também o é para a população que localmente se vê de repente invadida por tal poluição e falta de respeito.
Do mesmo modo quase que me atrevia a pedir desculpas a quem se viu prejudicado na sua vida quotidiana e sem o saber viu alterado os hábitos naturais do seu dia a dia. Estou a lembrar-me de uma Senhora vestida de preto que seguia a pé da Moita para o Rosário (3kms) porque durante a corrida foi totalmente cortado o trânsito automóvel e o Autocarro que serve aquela zona não podia circular, a Sra. levava 2 sacos de compras e uns sapatos com um tacão de média altura, corria e praguejava, aproximei-me e na brincadeira disse-lhe que se usasse uns ténis facilitava-lhe a vida, ela aceitou o repto e respondeu-me: "faltou-me a camioneta e tenho de ir fazer o almoço, estou muito zangada com vocês", perante isto só pude responder: olhe isto é só uma vez por ano e amanhã isto volta tudo ao normal, e ela continuou praguejando, remoento a sua mais que razão, quanto a mim segui o meu caminho pensativo tendo voltado a assistir à mesma cena no caminho entre o Rosário e Sarilhos, mas aqui já não me atrevi a meter conversa porque sabia já o que me esperava, de facto aquela passagem por Rosário é muito bonito para nós que corremos mas lá que prejudica muita gente lá isso prejudica.
À tarde fiquei pela Moita, almocei em casa de familiares e foi lá que comecei a recuperação para o que aí vem a seguir, a maioria vai dizendo que é até à Maratona do Porto, eu direi que é até à Maratona de Lisboa, assim as pernas e a ausência de lesões me ajudem.
Foto de Luís Carlos

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

I Trail Terras do Grande Lago em Alqueva


Abro esta minha postagem com um cumprimento muito especial ao Luís Mota pela sua brilante vitória neste 1º Trail de Terras do Grande Lago que se chama Alqueva.
Da mesma forma um grande abraço ao meu colega de Equipa (Amigos do Vale do Silêncio) e amigo João Vaz pelo seu excelente 3º Lugar da classificação da geral individual.
Deixo aqui também os parabéns pelo excelente trabalho realizado pela equipa do Mundo da Corrida que idealizou e realizou esta excelente competição.
Foi uma excelente jornada onde tudo de bom se conjugou, a Natureza, a corrida (competitiva e lúdica) e fundamentalmente o convívio entre todos, amigos e conhecidos. Aliás estas competições têm este condão, a amizade e a solidariedade, e isto deve-se ao grande respeito que todos nutrem uns pelos outros e pela coragem de uns tantos que teimam em estar junto daqueles que admiram e viverem as suas proprias dificuldades para se sentirem também realizados.
É neste quadro que eu me situo, por isso sentir as naturais dificuldades, cada vez maiores, desta minha ousadia. Adorei a prova, principalmente aqueles primeiros 15 kms ao longo da Barragem do Alqueva, mas a partir da Amieira quando penetrámos no Alentejo profundo aí começaram de facto as maiores dificuldades a condizer com a irregularidade do percurso num constante sobe e desce de dificuldade baixa mas que ao longo de 21 kms deixa mossa em qualquer um.
Momentaneamente andei perdido, exactamente no mesmo local que foi fatal para o João Vaz que seguia na frente e isolado, mas depressa retomei ao descobrir outros atletas num trilho diferente e não muit longe. A partir dos 25 kms começou o meu calvário, ao contrário do que é habitual não levei pinga de água comigo e a ajudar à minha imprudência os abastecimentos (suficientes) estavam colocados em desconfirmidade com o desenrolar da corrida, (isto também se deve em parte à inacessibilidade do terreno, o que se compreende) mas a falha foi minha, a partir dos 25kms o organismo começou a ter necessidades ás quais eu não tinha acautelado em devido tempo, valeu-me ali ainda ter um gel e uns cubos de marmelada que ajudaram a atenuar as queixinhas dos rins e também das pernas. Os últimos kms foram feitos muito lentos, ora andando ora correndo um pouco, a partir do último abastecimento, a 2,5kms da chegada, animei um pouco e comecei de novo a correr, o Mário seguia um pouco mais à frente e avisou-me da sua presença, deve ter-se ressentido muito na parte final, mas não consegui chegar até a ele, aliás, ele ainda beneficiou na parte final da ajuda de um diligente polícia que lhe indicou o caminho quando ele já tinha perdido o norte para onde devia ir, e assim se "esgotou" a minha última chance de reduzir o meu défice em relação a ele, por apenas 100m. Consolou-me o grande abraço que trocámos quando lá cheguei, à meta.
Vou voltar, nem tudo foi perfeito mas pequenos arranjos podem melhorar esta bonita prova, melhor sinalização, pelo menos mais visível (pois a Organização tem de contar que nestas provas aparece sempre quem tenha pouca ou nenhuma experiência e a confusão é fácil de instalar, mesmo aos mais experientes isso acontece), os abastecimentos apesar de suficientes estavam pouco uniformes na distência entre si (o 1º estava aos 9 kms quando deveria estar aos 6kms.
A melhorar também todo o processo do almôço, demasiado lento a acrescentar ao demasiado tardiamento do seu início, o que se compreende dado o grande desfazamento entre os primeiros chegados e os últimos. A rever talvez para mais cedo a hora da partida das diferentes provas.
Nunca é demais realçar o convívio habitual da rapaziada amiga no final e durante a refeição, desta vez reforçado pelo nosso campeão luís Mota, título que ele merece inteiramente.
"Fotos de Isabel Almeida"

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Alqueva, eu quero ir !!!!


Desta vez o Tanque chama-se Barragem do Alqueva, como diz a bonita caricatura do Jorge Branco referindo-se a S.J.Lampas, desta vez ainda sou muito pequenino para tamanho tanque, mas se for lá tudo farei para que a tradição se mantenha, banho pela certa sempre onde for possível. (desta vez ???)
Disse se for lá e bem, ainda estou em dúvida em estar presente. Ontem submeti-me a duas cirurgias e três raspagens nas costas, com vários pontos à mistura.
Não é coisa bonita de ver, mas vou esperar até Sábado para dicidir se vou, e eu quero ir.

Obrigado Jorge por esta boa disposição

sábado, 25 de setembro de 2010

15 kms de Benavente (19/09/2010)

Após uma pequena ausência motivada por questôes técnicas estou de volta.

Para que fique registado, como faço aliás com todas as competições onde entro, embora com algum atraso, aqui ficam algumas palavras acerca da Corrida dos 15 kms de Benavente no passado dia 19 de Setembro em que participei.
O objectivo era "meter" kms e se possível alguma velocidade aproveitando o traçado da prova que nos oferecia algumas dificuldades com subidas não muito difíceis mas com uma constante de assinalar.
Se o primeiro desejo foi conseguido (mais kms) o segundo ficou muito "pobre", 1,24h para 15 kms não se pode dizer que fiquei satisfeito, no entanto também é verdade que fiz a prova sempre muito confortável sem necessidade de recorrer a um esforço demasiado que me prejudicasse, aliás, essa sempre foi a minha preocupação durante a corrida uma vez que as grandes competições vêm aí e eu não podia esquecer isso.
É verdade que levei umas banhadas bem grandes de alguns amigos e aquela que o Luís Mota refere dos tais 2-1 foi fatal e ainda por cima em 8 minutos, mas o Alqueva, já dia 3 de Outubro, é o local ideal para repôr alguma ordem nisto, eheheh.
Estes 15 kms de Benavente é uma prova em que gosto muito de participar, felizmente esta prova atrasou uma semana de S. João das Lampas pois há uns anos era sempre no dia a seguir, assim podemos ter alguns dias de recuperação pois trata-se de uma competição que é feita sempre com muita competência e onde nunca falta o apoio inescedível aos atletas que nela participam, ou não fosse realizada com pessoas profundamente conhecedoras do Atletismo que por cá se vai fazendo.
Muito calor que afectou todos os participantes, o próprio alcatrão também deu uma ajuda à canícola, mas os abastecimentos postos à nossa disposição estavam em locais pré-defenidos e todos poderam fazer a gestão do seu esforço tendo em conta as suas próprias necessidades.
Pena mesmo foi a divulgação dos resultados finais que não condiziam a "bota com a perdigota", principalmente nos escalões dos veteranos e também nos tempos finais atribuídos à maioria dos atletas, a mim foi-me atribuído menos 2 minutos, e a outros foi muito mais. Compreendo a contenção da despeza, a não utilização de chip provoca naturalmente estes inconvenientes, mas a organização conta com a mina compreensão para estas pequenas anomalias e poderão continuar a contar com a minha presença no próximo Ano.
Segue-se agora um bom treino amanhã no Parque das Nações durante a "Meia Maratona do Parque Expo" aproveitando para ir vendo também todos aqueles que optaram em participar.
Por mim tenho muita pena de não ir, mas quando aquilo for de facto a Corrida da Ponte Vasco da Gama então eu estarei lá na partida. (ainda não me explicaram porque é que a partida da prova não é feita junto ás portagens do lado de lá do Tejo e agora evitavam de estar a fazer duas partidas para que os resultados possam ser homologados).

E o Alqueva (34kms) já está aí muito perto.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Meia Maratona de S.João das Lampas.


Isto de levar um GPS para ir de Santa Iria da Azóia até S.João das Lampas é preciso ter muita paciência, como não respeitei o caminho que ele me indicou levou todo o caminho a mandar-me voltar para trás, estava já em S.João das Lampas e ainda ele me estava a indicar o caminho para Lisboa para depois vir pelo caminho que ele queria.
Acabei por chegar ainda com algum tempo disponível, aliás como gosto, a tempo ainda de confraternizar um pouco com a rapaziada amiga. A Susana acompanhou-me e aproveitou para matar saudades de amigos que já a algum tempo não via em virtude da sua paragem devido à sua gravidez.
Do Fernando Andrade quase nada, ao fim de algum tempo apareceu com um monte de papéis debaixo do braço, (ele neste dia não tinha olhos para mais nada nem ningém), a responsabilidade a isso o obrigou, mas depressa desapareceu. Isto é quase como ir a Roma e não ver o Papa. Ainda o ouvi a falar pelo micro a dar indicações mas como as Colunas eram muitas bem podia olhar e de Fernando nada. Mas soube-me bem ouvir aquele incentivo quando o ouvi dizer o meu nome à minha passagem no final da volta pequena. Depois foi um ar que lhe deu, cheguei já com a tenda quase desmontada ao fim de duas horas de prova, seguiu-se o banho e depois uma fresquinha para retemperar forças na companhia de grandes amigos, Almeida e Veloso com as famílias, Filipe Fidalgo, José Pereira, Mário Lima e muitos outros que por ali iam passando. Fez-se noite, ainda olhei para o local onde tudo se tinha passado, a corrida, claro, mas já não se via quase ninguém e desisti de voltar a estar com o Fernando. Mas vamos ter de conversar,
Alqueva espera por nós novamente.

Sobre a prova apenas tenho a dizer que mais uma vez a achei extraordinária, aquilo funciona quase automaticamente, pois ao longo de mais de 20 presenças os passos que foram dados na melhoria constante na organização permitem-nos participar nesta bonita prova quase sem darmos pela sua direcção. O percurso continua lá, é o mesmo, durinho quanto baste. Que bom jeito fazia se a CREL por ali passasse, enquanto isso não acontece vai-nos valendo o excelente apoio que vamos recebendo ao longo da prova, abastecimentos a cada 5 kms, chuveiros para os mais encalorados, (eu sou um deles) e banho no tanque... ali aos 11kms, (desta vez quase tapado de limos) mas é da tradição e a tradição é para respeitar.
Um pormenor muito importante, aos 15 kms faltou a água, momentaneamente, quando lá cheguei já se procedia à limpeza do local e nada de água, um grupo que seguia à minha frente também passou em branco, mas de repente aparece um motar com duas paletes de água e ajudou a resolver ali um sério problema. De louvar a atitude do Motar (da organização) que foi informado que seguiam atletas à frente sem água logo partiu ao seu encontro e foi destribuindo água a quem não a tinha recebido, atitude esta que muito me sensibilizou.
A partir do banho no tanque apanhei boleia de 3 amigas (não sei o seu nome) que me alcançaram naquele momento e com algumas dificuldades consegui ser rebocado por elas até começar a ver a outra parte do Pára, o Comando perto dos 15kms, ele bem tentou a fuga mas aos 16 kms acabou-se-lhe a gasosa. Bem sei que daqui a pouco vou pagar isto bem caro, mas para já temos um empate técnico.
Espectacular aquele abastecimento aos 19kms, ele sempre esteve lá em todas as edições bem como o chuveiro, nós sabemos que ele está lá e permite que naquela zona bem rápida póssamos explorar ainda mais as nossas capacidades de resistência.
Vou lá voltar como sempre, aquela passadeira à chegada é digna de receber tantos atletas, há muito tempo que eu não via tanta gente ali a correr, penso que o papão das "rampas" está a desvanecer-se e mesmo por ser princípio de época esta prova tem tudo para continuar a crescer e merecer a simpatia e opção da nossa presença.
Dentro das minhas possibilides, bem limitadas diga-se, percorri os 21,420kms (GPS) em 2,04,46h. (não oficial).
Segue-se Benavente no dia 19/9.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Corrida e a Festa do Avante

Apelo à Paz na Festa do Avante
A Corrida do Avante continua a ser das provas que terão sempre a minha preferência, pela qualidade da sua organização e pelo significado que tem para os seus promotores que primam em defender um Desporto para todos, dando para isso um exemplo já difícil de encontrar em Competições chamadas de clássicas que é a participação gratuita na corrida e entrada igualmente gratuita no acesso ao recinto da Festa do Avante.
É uma prova que tendencialmente apelidamos de "Reentré" na nova época e por isso a maioria dos participantes está lá para testar as suas qualidades no início de época, eu fui lá pelas duas razões, a Corrida e a Festa, e em qualquer delas considero-me um previlegiado em poder participar.
Este Ano a organização ofereceu-nos um novo percurso da prova e só não está perfeito porque a 600 metros da partida entramos numa Rua muito estreita, agravado ainda pela presença de viaturas estacionadas, tornando muito difícil o escoamento dos atletas que ali ainda se encontram em pelotão muito compacto, levando-os por duas vezes a ter de parar por breves momentos a
sua corrida. Estou convicto que melhorando aquele aspecto do estacionamento este circuito ficará perfeito para aqueles que nesta altura já pretendam testar a sua perfomance aproveitando para isso as excelentes condições que a Corrida do Avante lhes oferece.

Num local da Festa de paragem obrigatória, Cuba

A minha corrida nesta prova foi a esperada, tinha estado em descanso 3 semanas (a zero) e recomecei agora ainda com muitas dificuldades.
Para os 10,600kms gastei 58,07m, abaixo da minha previsão que eram os 60 minutos.
As últimas provas que fiz deixaram alguma mossa, Melides e Óbidos assinalaram o período máximo em que estive em competição em apenas 6 dias e por isso o corpo estava a precisar de algum repouso. Contudo, sabe-se que a recuperação da forma em indivíduos da minha idade é muito mais difícil e prolongada do que a jovialidade da restante rapaziada que tem o gosto pela corrida.

Ao centro o Daniel na fila para a feijoada à transmontana (Restauranta de Vila Real)

Neste início do 2º ciclo deste Ano a "poupança" vai ser sagrada já que a partir de Outubro as coisas vão "endurecer" outra vez.Iniciei com esta corrida a minha ligação aos Amigos do Vale do Silêncio, Grupo de amigos que passarei a representar deixando uma palavra de incentivo ao CCD da Câmara M. Loures e a todos os amigos que lá deixei para que prossigam o caminho trilhado ao longo dos anos marcado pela união, amizade e solidariedade entre todos.

Segue-se S.João das Lampas já no dia 11 de Setembro, já como preparação para a Maratona do Algarve a 10 de Outubro.

Classificações 2010

sábado, 28 de agosto de 2010

De férias e de regresso ao trabalho.



E pronto, acabaram-se as "férias" e como elas foram curtas, 6 dias em plena Natureza, ali em Tengará (Sobrena) ás portas do Cadaval. Uma encosta bem verdejante onde imperava um pereiral bem apetrechado de suculentas peras, (da rocha, claro está, calor até fartar onde a brisa suportável estava ausente entre as 11 e as 16h.
Encosta acima encosta abaixo, ora enchendo ora vazando baldes carregados do precioso fruto que tem por destino a exportação, destas raramente as veremos nas bancas dos Supermercados, que desperdício sermos privados de tanta qualidade. Aqui, pouco falta para que os agricultores tenham ainda de pagar ás grandes superfícies para verem o produto de um intenso ano do seu trabalho ser escoado.
Ainda assim a recompensa, apesar de reduzida, ainda permite sonhar por dias melhores e ver finalmente um dia a recompensa de tanto esforço que um punhado de carolas teima em manter em defesa daquilo que a agricultura lhes permite ali fazer.
Apesar das dezenas de toneladas colhidas, Tengará não vive exclusivamente daquilo, o amigo José Pereira tem aquilo como uma ocupação de tempos livres (bem podia arranjar coisa melhor) mas com a ajuda da simpática mulher e dos 2 filhos consegue extrair daquela terra do melhor que existe em Pera Rocha.
Foi por isso que dicidi (e outros amigos também) gozar 6 dias das minhas "preciosas" férias apanhando peras e desfrutar daquele brazeiro que aqui e ali ia sendo atenuado com uns goles de água bem gelada enquanto não chegava a hora das soculentas refeições que a D. Ana nos preparava para retemperamento de forças.
No final da missão fica-nos a saudade daquele envolvente trabalho e fundamentalmente do convívio ali proporcionado nestes dias, para o Ano haverá mais e agora para mim é o regresso ao "trabalho".
Dia 30/8 é o regresso aos treinos após 3 semanas de pausa, vem aí a Corrida do Avante, S. João das Lampas e o Trail do Grande Lago, no Alqueva.
Ali estou eu a selecionar as melhores peras, o José Pereira e o seu tractor na recolha dos Maloques (penso que é assim que se diz) e o Carlos Gadunhas aproveitando uma pequena sombra ao mesmo tempo que ia fazendo a sua colheita.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Trail Noturno de Óbidos



A nova versão Dia e Noite do Trail Noturno de Óbidos veio melhorar e muito esta magnífica prova que tem de tudo para quem gosta de correr em cenários muito bonitos e em alguns casos espectaculares.
Foi com este espírito de curiosidade que eu e o meu genro Daniel nos fizemos à estrada até Óbidos, não sem antes eu mais uma vez confundir A1 com a A8 como melhor opção para lá chegar.
Quando lá cheguei (17h) já o F.Andrade e o C.Coelho se tinham aviado e aguardavam já a hora de partida, nós após uma curta pausa para conversa regressámos ao local onde tínhamos deixado a viatura, pelo meio encontrámos o José Xavier e a Família que vinham a chegar, ficámo-nos pelos cumprimentos pois ainda faltava fazer muito trabalho e o tempo disponível começava a escassear.
Para esta prova tive o cuidado de planear aquele que seria o mais leve, o cinto com duas botijas pequenas (menos de 10 dl cada, 4 gel e 3 barras e a máquina fotográfica que apenas fez peso pois nem uma foto tirei durante o percurso.
De regresso ao "Campo da Bola" lá bem no alto do Castelo onde iríamos chegar e também onde se iria dar a partida simbólica da prova deu para encontrar muitos amigos e conviver ali um pouco com todos. Alguns ainda a sentirem-se de mazelas da Prova Melides/Tróia, outros de desafios ainda maiores e de extrema dureza, mas com um sentido sempre alegre e despidos de algum vedetismo que por norma sempre aparece alguém. O Carlos Coelho dá nota de pretender fazer a prova sem forçar e manifesto o meu desejo de lhe fazer companhia.
Partimos dali depois de fazermos o habitual controlo de partida e de imediato dou nota que o meu Garmin não funciona, estranhei, estava sem bateria, tinha-o deixado a carregar toda a noite mas devia estar mal ligado, não pensei muito nisso pois como ia fazer a corrida acompanhado iria ter toda a informação na mesma.
Saímos pelas 19,30h +- em conjunto com os atletas que iam fazer a prova mais pequena (22kms) e por isso a confusão no início foi maior pois partiram perto de 300 atletas.
Como já conhecia parte do percurso na fase inicial parti com alguma prudência e sempre com o Carlos Coelho na mira, um pouco mais à frente e já na companhia da Célia Azenha subimos o morro em passo acelerado e conforme as forças permitiam, já no alto decido acompanhar a Célia na esperança que o Carlos conseguisse vir também o que veio a verificar-se, no entanto de vez em quando ele ficava e a dada altura ele informa-me que lhe doía um joelho, aconselhei-o a vir com calma e chegar ao fim sem mazelas, nesta altura nem 10kms tínhamos ainda percorrido. Decido acompanhar então a Célia até onde as forças me permitissem, estava-lhe grata pela ajuda que ela me tinha dado na parte final da UMA e estava na altura de lhe retribuir.
Toda a história do resto da prova tem a ver com a sua companhia, inicialmente íamos apenas os dois e depois aqui e ali tínhamos a companhia de outros amigos,ora vinham ora iam e faziam um poucode companhia, sabíamos que o ritmo ia nos limites e tinhamos um contra, a Célia começara um pouco antes a queixar-se de um joelho e por isso havia cuidados acrescidos, raramente eu passava pela frente para não desestabilizar o andamento e deixava-a marcar o passo de corrida que até era muito bom.
No abastecimento dos 18,5kms passámos com 1,57h, era muito bom pois o percurso também ajudava, ali eu já sentia algum cansaço nas pernas, o que era natural face à empreitada da semana anterior, mas a partir dali acabaram-se as facilidades, areia e Dunas até não mais acabar, conseguimos reunir ali um grupo mais numeroso ao longo das Dunas até chegar ao ponto mais a Sul ao longo do Mar onde se avistava Peniche mais ao longe, Aqui a entreajuda foi muito importante para encontrar o caminho certo que eram sinalizados por pequenos! refletores. O abastecimento sólido aparece aos 25kms eaproveito para tomar um gel pois estava a necessitar de renovar as energias e seguimos de imediato onde a dureza das subidas e das descidas iam causando mossa nas minhas já depaupuradas pernas e onde também já se fazia sentir algumas bolhas nos meus pés.
Durante uma parte do percurso tivemos a companhia da Analice, de vez em quando abalava mas nunca se afastava muito, até que em determinada altura ficou para trás e nunca mais conseguiu recolar.
Do Carlos nada sabia e só comentava com a Célia o desejo de ele nunca ficar sozinho no meio daquela escuridão e ter a fatalidade de se perder.
A Célia já só se preocupava comigo pois via que eu já ia preso por um cordel muito fino, mas nem por isso reduzimos o ritmo e fomos seguindo por sítios que por certo eram muito bonitos e até tive a sorte de encontrar um riacho que atravessava o estradão onde seguíamos que aproveitei para me refrescar um pouco.
Aos 35kms novo abastecimento, água com fartura, despejei 5 copos de água e mais um gel, aqui perdi o contacto com a Célia, ela e mais 2 amigos seguiram enquanto eu descansava um pouco e me hidratava melhor, quando retomei já levava cerca de 100m de atraso, tentei recolar mas não consegui e fui assim durante mais 3 kms, até que me apercebo de uma seta a indicar o caminho para a esquerda mas não vejo sequência, sigo atrás deles e aviso-os, dicidimos continuar , um pouco mais à frente conseguimos retomar o percurso certo e até final fomos sempre juntos não sabendo eu onde é fui arranjar forças para os acompanhar.
A subida ao Castelo foi das coisas mais dificeis mas também a mais desejada e foi com alegria imensa que cruzei aquela porta mítica a condizer com a meta final.
Para a Célia um agradecimento muito grande, a ajuda mútua foi essencial e no final obtive e retribuí um carinhoso beijinho de agradecimento que muito me sensibilizou.
O Daniel também ali estava à minha espera e ficou naturalmente satisfeito por me ver chegar pois prometera-lhe uma seca até ás 6h. de prova.
Ele também estava satisfeito com a sua prova, tinha feito 4,31h e sentira-se sempre bem, a exemplo do ano passado até parece que esta prova é mesmo à sua medida.
Para os 42 kms de prova gastei 5,22h.
Vou voltar em 2011, parabéns à Organização na esperança que em 2011 nas bancas (a meio e no final) esteja ainda a tão desejada melancia que eu e os que atrás de mim seguiam acabaram por quase nem a ver.
Segue-se... um repouso absoluto.

Fotos de Isabel e Xavier

Fotos Trail de Óbidos

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Rescaldo da UMA (Melides/Tróia)

Melides e Tróia ficam marcados de forma muito profunda no mundo das Odisseias em que me envolvi à apenas 1 ano. Odisseias que apenas vou considerando as que me dão mais prazer de correr, Ultras, Trilhos e Montanhas. A estrada já pouco me cativa, excepção feita a algumas maratonas e também meias-maratonas até final do Ano, o resto é para esquecer ou então para servir de pretexto para algumas paródias e convívios com os amigos, tais como Vialonga e Ribafria.
Já li alguns comentários sobre a grande jornada na Areia e da UMA quer dos participantes (atletas) quer da organização, em qualquer deles parece-me irrelevante os motivos apontados pois com um pouco mais de disponibilidade, empenho e respeito mútuo todos teremos a ganhar. Quanto a mim não haverá muito a alterar, pelo menos no essencial e basta-me traduzir o que já referi mais atrás para que se entenda que uma simples opinião pode ajudar a mudar alguma coisa: a disponibilidade, nada custava que à chegada dos atletas ali estivesse alguém a receber-nos e a guiar-nos para o local de recuperação e não apenas, como aconteceu comigo, alguém que simpaticamente me deu uma garrafa de água e nem mais uma palavra, valeu-me ali o Daniel que me orientou e apoiou naquela fase em que ainda estamos meio grogues. Na zona de recuperação nada custava que os zelosos colaboradores que destribuíam a fruta ao balcão o fizessem directamente nas mesas onde estávamos na fase crítica da nossa recuperação, pois como sabem era sempre um suplício cada vez que nos tínhamos de levantar para repetir mais um ou dois pedaços de fruta. Recordo que em 2009 havia uns tabuleiros onde era servido à mesa aquilo de tanto necessitamos para a nossa recuperação, bastava seguir esse exemplo. Da mesma forma também considero condenável a atitude de alguns, (ainda bastantes, infelizmente) participantes que pediram apoio de transporte de regresso a Melides e depois faltaram à chamada, não se trata apenas de uma despesa extra que podia ser evitada mas sim uma grande falta de respeito dos faltosos pelo enorme esforço que a Organização (Cãmara Municipal de Grândola) fez, colocando no terreno todas as condições condignas para que se tornasse mais cómoda a nossa participação. Penso que é equilibrado o preço que pagamos pela inscrição, compete a todos os envolvidos, atletas e Direcção da Prova, cumprir com a sua missão e com o respeito mútuo que se impôe. Eu vou continuar a ir à UMA, solicitando ou não apoios à Organização, esperando no entanto que os avanços positivos postos à nossa disposição não sofram algum revès causado por uma deficiente análise da situação que depois venha afectar a generalidade dos participantes.
Faço aqui uma rectificação de uma afirmação que deixei na postagem anterior: Afirmei que o Recorde da prova tinha sido batido pelo Eusébio Rosa nesta Edição, tal não corresponde à verdade, segundo o António Almeida este Recorde pertence-lhe de facto mas remonta a 2007 com 2,51h. é obra.
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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Odisseia Melides/Tróia

Havia um alerta laranja, para não dizer vermelho, deixado pelo Joaquim Antunes (Decano Ultra daquelas paragens) que sabiamente e em tempo oportuno nos avisara das péssimas condições que o percurso da UMA se apresentava nesta edição.
Confesso que não levei muito a sério o aviso, não pelas sábias intruções que ele ia deixando no (Fórum Mundo da Corrida), mas pelo que eu conhecia da edição de 2009 confiado que estava que pior que aquilo não saberia o que era, agora já sei e confesso que fiquei "aterrorizado" quando ia observando os kms a passar e aquilo não melhorava...
Como já aqui tinha dito optei por levar calçado umas meias Neoprene nos primeiros kms da prova até ultrapassar aqueles 6kms iniciais (tinham sido os que me deram mais dores de cabeça em 2009) e depois calçaria os ténis que levava presos ao Camelbak, estranhei não ver ali mais ninguém com a mesma ideia do que eu, nada de especial pensei eu, de repente dou comigo rodeado de uma câmara de filmar a registar o meu chip (tive de substituir o fixador) e então reparam nas meias e vai de entrevista, pensei para comigo que o dia até nem estava a correr mal, vi por ali o Carlos Lopes, (o grande Campeão) e pensei logo na sua Maratona e o fiasco que ela deu e também na falta de informação quanto à devolução dos 20€? que paguei, ficaria mais feliz de o ver ali apenas na sua condição de grande campeão mas infelizmente aquela ferida sobrepôs-se a esta.
O meu grande amigo e genro Daniel acompanhou-me nesta jornada, pois na edição anterior esteve lá a apoiar-me com a minha filha e logo prometeu que este ano aquilo era para fazer, se o disse assim o fez, vi logo ali muitos amigos e outros conhecidos de jornadas anteriores, e pelas "conversas e picardias" nos dias anteriores vi logo que aquilo ia estar animado pois havia contas a ajustar do ano anterior (e estavam lá todos).
A habitual eficácia da organização da prova permitiu que o programa fosse cumprido até ser dado o tiro de partida, via-se por ali muito boa disposição, não sei se para disfarçar o nervosismo ou se aquilo para a maioria era considerado como favas já contadas. Para mim era uma incógnita, ia correr descalço, só tinha feito 2 treinos com meias normais no total de 25kms, mas estava confiante que assim eu iria sentir-me mais confortável quando me atirasse para o trilho das ondas.
Estranhei ver o vencedor da edição de 2008 ali na linha de partida (Eusébio Rosa) como se fosse fazer uma prova de 5 mil metros, nem uma pinga de água tinha consigo, apenas a camisola, calções e sapatilhas, pensei que fosse apenas fazer um treino, até lhe tirei uma foto para certificar mais tarde se era verdade o que eu estava a ver.
Dada a partida procuro logo a linha de água, a manhã estava fresquinha e o céu estava encoberto, o Sobral alvitrou que iríamos ter pelo menos duas horas de céu encoberto, e não se enganou, mal chego à água verifico que as ondas estão um pouco ariscas e a maré ainda está muito cheia obrigando-nos a correr muito acima daquilo que seria o ideal onde a areia se encontrava muito solta, quer a seca quer a molhada, de imediato entro na água e começo a enfrentar as ondas na zona de rebentação, pois era ali que ainda ia encontrando algum piso mais acessível para correr, na mesma linha que eu havia poucos que corressem tão perto das ondas, via o Parro minha frente e o F.Andrade ali logo à sua direita mas por pouco tempo pois depressa se foi embora e nunca mais o vi.
Depressa verifiquei que iria ter problemas com as Neoprene, não porque me dessem mau correr ou me magoassem os pés, o problema surgiu porque o número da meia era superior ao meu pé e inevitavelmente a meia ia escorregando para dentro conforme se ia apresentado a inclinação da areia, levando-me a parar de vez em quando para corrigir o enrolamento e retirar ao mesmo tempo a água que se ia acomulando lá dentro. Ainda assim preferi continuar a correr com as meias em detrimento dos ténis face à dificuldade que o piso apresentava, continuando assim com o plano traçado até ultrapassar aquela primeira dificuldade!!!
Ao contrário do ano Anterior aqueles 5 primeiros kms estavam a parecer-me mais fáceis de ultrapassar, pelo menos tinham desaparecido as lombas constantes e dava para correr cortando o desfazer das ondas, desta forma ia poupando forças para quando chegasse a parte mais fácil poder correr mais folgadamente, cheguei aos 5,5kms ainda com o mesmo tempo +- do ano passado, mas ia algo apreensivo, ali naquele local na edição de 2009 já se podia correr em areia molhada mas mais dura e a maré estava já muito baixa, desta vez a maré mantinha-se muito alta e a corrida decorria num plano demasiadamente inclinado ao mesmo tempo que a areia se mantinha muito solta, passei neste 1º controlo na esperança que aquilo viesse a melhorar. A corrida tornou-se penosa, via muitos atletas cada vez com mais dificuldades e a ficarem para trás, havia outros que penosamente lá conseguiam passar por mim mas que rapidamente começavam a fraquejar, continuo a observar o Parro ali à minha frente mas entendi não forçar para chegar até ele, volto a parar para tirar a água das meias, pois o pé já dança lá dentro e antes que começasse a fazer fricção tinha que esvaziá-las (não sei por onde é que a água entrava, mas estava satisfeito pois a areia não conseguia lá entrar). Entretanto antes dos 20 kms alcanso o Parro e o Carlos Coelho e a partir dali os encontros são frequentos, ora sigo eu ora seguem eles, pois ali o importante é chegar e se vermos que os nossos amigos vão progredindo dentro das suas possibilidades, mas bem, então cada um deve dosear o seu esforço apenas com o objectivo de chegar.
Já tinha perdido a esperança de ainda ver o A.Almeida e o F.Andrade lá mais paraa frente pois torna-se cada vez mais doloroso a progressão, a maré já devia estar mais baixa mas mantinha-se na mesma elevada e só via à minha direita um permanente monte de areia com inclinação acentuada e que ia desembocar na rebentação das ondas, lembrei-me do Mário Lima, não sabia se estava para trás, mas era o mais certo face à dificuldade que aquilo estava a ter.
De repente aos 22 kms dou com o Daniel a caminhar à minha frente, tinha começado a andar 2 kms mais atrás e ia desistir disse-me ele, estava incapaz de correr, as ancas e os pés estavam insuportáveis e negou-se a continuar com aquele suplício, ainda tentei demovê-lo a acompanhar-me mas não consegui, seguiu ainda até aos 28,5 kms e apanhou boleia para o local de chegada. Apesar de estar com os mesmos sintomas que o Daniel e ainda com dores na zona dos rins não desanimei e prossegui, o piso ia ficando cada vez pior e sempre que a areia ia ficando demasiado mole eu tinha de andar, sempre dentro da rebentação e ainda com as Neoprene calçadas, tinha planeado tirá-las por volta dos 10 kms e agora tinha de alterar a ideia inicial, mas já estava a tornar-se insuportável a sua manutenção, não pelas meias mas sim pelas dores que já ia sentindo nos pés pela permanente inclinação da areia, (parecia que os dois pés estavam abertos ou como se diz com fratura de esforço) mas decido levá-las até ao único abastecimento que estava aos 28,5 kms. Perdi a noção do tempo gasto até chegar aqui, (levava o Garmin e desinteressei-me totalmente dele) mas sabia que o objectivo inicial das 6 horas estava em causa.
Mal cheguei deram-me logo duas garrafas 0,5l de água, aquela que transportara desde Melides estava a esgotar-se, enfiei com uma para para o depósito e bebi metade da outra, a restante guardei-a e supliquei por mais uma, não, disse-me logo o diligente colaborador o regulamento não permite excepções, resignado aceitei a decisão e tinha de fazer pela vida. Calcei os ténis e logo outro à vontade e alívio senti de imediato, tomei um gel e segui na peugada do Parro e do Carlos Coelho, do Mário nada. Ainda ouço dizer que o primeiro já ali levava 11 minutos do que aquele que seguia em 2º lugar, recebo também a notícia que mais 4 kms à frente o piso irá melhorar um pouco. Esperançado nesta nova situação vou avançando com a maré já a encher (ela nunca chegou a vazar) e por isso tinha a minha tarefa ainda mais complicada, agora de ténis evito correr e andar na água, alcanso novamente o Carlos e o Parro ainda vou um pouco com eles mas ficam definitivamente para trás. Finalmente aos 33 kms o piso apresentava-se excelente, já podia correr, mas onde é que estavam agora as forças para poder correr? Vi ali à minha frente a Célia Azenha que me tinha passado um pouco antes e ia a juntar um pequeno grupo de entreajuda até chegar ao final, iam a andar, fiz um pouco de esforço e corri até chegar a eles, eram 4, mal lá chego recebo um bem vindo da simpática Célia mas de imediato começam de novo a correr, fiquei pregado, andei mais um pouco e voltei a tentar, alcancei-os de novo e agora consegui ficar lá, a cada km andávamos um pouco e assim chegámos aos 40 kms. Nesta altura o inevitável aconteceu, acabou-se-me a água, como estava perto fiquei tranquilo, no entanto a Célia logo se prontificou a ceder-me alguma e aceitei de boa vontade.
Dali até à meta seguimos juntos mas no último km deixei-me ficar um pouco para trás, segui mais lento pois havia muita gente na praia e já me custava contorná-las.
Mal chego a 150m da meta recebo logo um grande incentivo e cumprimento do "Tigre", um abraço do Daniel que me acompanha ainda alguns metros, do Sobral, da família Mota, do António e da Isabel, do V.Veloso, da esposa do C.Fonseca, ali mesmo à beirinha da meta, e outros que o descernimento não ajudou a decorar, receber este carinho ali ao cortar a meta por si só já nos sentimos recompensados.
Tempo final: 6,54,23h. para os 43,660kms. (mais 1,50h. que em 2009)
O Daniel já conhecia os cantos à casa e depressa me encaminhou para os locais mais apropriados para a minha recuperação, tinha partido ás 9h da manhã e eram agora 16 horas, a fome e a desidratação estavam nos limites, a condição física era ainda razoável, ausência de câimbras e dores mosculares, pior estavam os pés. Sentei-me num cadeirão, ali mesmo ao lado do Decano da UMA, enquanto ia comendo tudo o que o Daniel ia trazendo (melancia, melão e uvas) ia dando um dedo de conversa com o Joaquim Antunes sobre a sua profecia desta edição da prova tendo confirmado que esteve ao nível das dificuldades da edição dse 2006.
De seguida fui dar um mergulho mas rapidamente saí da água, tinha comido muita fruta e a água estava muito fria tendo-me dirigido de imediato para os chuveiros para limpeza geral.
Já não tive coragem e força de vontade para voltar para junto da meta e apontei de imediato para o barco.
Custou-me muito fazê-lo pois estavam lá tantos amigos e mereciam um pouco mais de atenção da minha parte, mas eu estava de rastos, nem sei como lhes pedir desculpa.
Um abraço a todos, aos que concluíram, áqueles que não o tendo conseguido tudo fizeram para resistir até ao fim, à organização pela excelência e competência na realização de mais uma edição da prova.
Uma saudação especial ao vencedor da prova, Eusébio Rosa, que nas condições terríveis do percurso e sem transportar uma pinga de água venceu a prova folgadamente e com um novo recorde.
Voltarei para o ano, com a esperança que desta vez a maré quando vazar esteja mesmo vazia.

sábado, 24 de julho de 2010

Almoço de Confraternização Amigos do Vale Silêncio

O almoço de confraternização fim de época dos Amigos Vale do Silêncio realizou-se hoje no Quintanilho ali à beira de Vialonga. Do programa constava também uma partida de futebol de Sala (5 para cada lado) na parte da manhã e sob um sol tórrido e escaldante que facilmente fez esgotar uma pipa de água, já que estavam proibidos de consumir qualquer outro tipo de líquidos. Participaram cerca de 20 atletas que desta vez se divertiram aos pontapés na bola, os quais também não tiveram muita dificuldade em encontrar o caminho da baliza e do golo, uma cabazada para cada um, nada manos de que 8 para cada lado.
Depois do retemperador banho no Parque Urbano de Santa Iria teve lugar o almoço num espaço de um ami,go que cedeu as suas instalações ali no Quintanilho, para ali nos juntarmos à mesma mesa e confraternizarmos perante uma excelente ementa: queijo de cabra de Portel, sardinhas assadas, entrecosto, entremeada e um excelente vinho tinto, de Aveiras de Cima... de onde mais podia ser ?
Foi um excelente dia, passado no seio de um grupo de amigos que é cada vez mais o meu grupo também, brevemente farei a integração plena neste grupo de amigos que tudo têm feito para criar um ambiente familiar entre todos os que têm a oportunidade e o carácter de o integrar.
Foi um almoço formal de fim de época, mas eu ainda estou longe de fazer férias desportivas, faltam apenas 7 dias para a UMA (Melides/Tróia) na distância de 43kms em Areia.
6 dias depois estarei em Óbidos no Trail Noturno com distância de 42,200kms, vamos ver como é que me vou sair desta empreitada. Só depois é que vou tirar pelo menos 15 dias a esta lufa lufa.
mais fotos aqui

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Trilhos do Almonda, mais um exemplo a seguir.



O Trilho do Almonda em Torres Novas permitiu que fosse conhecer melhor uma Região que apesar de perto desconhecia quase na totalidade.
O próprio nome dado à Prova era outra curiosidade, a princípio desconhecia que era um Rio, (na Geografia que aprendi na escola não me lembro que constasse lá esse Rio e nesse tempo tínhamos de aprender muito bem todos esses pormenores), pelo seu caudal em Torres Novas, junto ás piscinas e toda aquela área muito bonita, pareceu-me que a sua origem provinha de muitas nascentes, mas não, a nascente é mesmo no Almonda e só tive pena de termos partido de lá para a competição e eu não ter visto a sua nascente, (ou então estava distraído) por certo a organização da prova para a próxima edição não se esquecerá deste pormenor. Depois também tinha a garantia que a 1ª Edição desta prova de Trilhos em Montanha iria ser uma excelente iniciativa ou não fosse ela organizada por um dos muitos apaixonados pelas provas de Montanha. O Aníbal Godinho conseguiu montar ali uma prova de sonho onde todos ficaram encantados com aquilo em que tiveram a oportunidade de participar. Voltei a encontrar ali antes da partida muitos amigos, alguns deles só os conheço das provas de Trilhos de Montanha, sinal de que com alguma regularidade tenho participado, e eles também, em algumas provas mais emblemáticas do nosso calendário neste tipo de competições.
Não admira pois que a cada realização ou a cada nova prova criada o sucesso esteja à partida assegurado, ali estavam todos eles, Aníbal Godinho, Carlos Fonseca, José Brito, José Moutinho, Vitor ferreira, Vitorino Coragem, outros amigos também ligados ao trilho dos Barris, dos Trilhos do Pastor, entre outros. Todos estavam ali para participar e para aprender mais sobre esta maravilhosa actividade de Corridas de Montanha.
E eu só tenho de aplaudir todos aqueles que têm a coragem de investir com os seus conhecimentos nestas provas que como todos sabem tem um elevedo grau de dificuldades na sua montagem, principalmente financeiro, humano e logístico.
Os Trilhos do Almonda, pelo menos aqueles que tive oportunidade de percorrer, e outros que ajudei agora a criar com a nossa passagem, são espectaculares, principalmente aquela subida íngreme a partir dos 6 kms iniciais, muito inclinada durante 2 kms bem aviados e bem difícil de fazer, valeu-nos ali as ótimas sombras que o arvoredo bem fechado nos proporcionava.
Já li como sugestão, que a partida da prova devia ser mais distanciada daquela 1ª subida, a mim pouco me incomoda pois dali ou de mais longe o meu ritmo é o mesmo e aquilo ali nem dá mesmo para correr, penso eu.
Acredito que chegados ao alto da Serra de Aire a vista à sua volta seja muito bonita, mas confesso que quando lá cheguei apenas soube apreciar aquela brisa de vento fresco que vinha do lado Norte da Serra, até ali era apenas calor e mais calor. Depois quando iniciamos a abertura de um novo trilho em direção ás antenas num terrenos muito irregular (a que dão o nome de alguma tecnicidade) também não temos mais olhos para outras coisas que não seja olhar para onde devemos colocar os pés com alguma segurança.
Todo o percurso é muito equilibrado e se não ouver os devidos cuidados pode existir em alguns locais alguma perigosidade, nomeadamente quedas. É notória a minha dificuldade em descer (a subir então é melhor nem falar) e a queda em determinada altura esteve para acontecer comigo, ainda nem sei como é que me safei daquilo, a agilidade que tenho hoje não é a mesma de à uns anos atrás, o que sei é que embalei por entre pedregulhos e mato e sem saber como consegui travar e evitar a queda, que há acontecer traria por certo sérias consequências. Retenho ainda a imagem do Pedro Pires com as mãos na cabeça que seguia atrás de mim e da Célia Azenha que seguia à frente e ao olhar para tràs também se assustou.
Um pouco mais à frente foi a Célia, uma raiz de árvore um pouco exposta e um tralho daqueles valentes, o que vale é que o chão ali era um pouco mole, ainda assim o bronze ficou um pouco riscado na zona dos joelhos e uma câmbria num gémeo que foi protamente resolvida. Pouco depois o Pedro chega-se a nós e diz que também deu um trambulhão no mesmo local. Provavelmente a cena repetiu-se também para outros, o que é muito desolador pois ali a gente já vem muito massacrados com as dificuldades inerentes à descida da Serra com todo aquele empedrado solto e irregular e por consequência uma dificuldade a acrescentar aquelas que ainda tínhamos pela frente.
Aqueles 10 kms finais foram infernais por causa do calor, o amigo José Pereira que é daquela Região e foi meu companheiro de viagem a partir de Santa Iria, já me tinha prevenido para este problema, ele que em tempos palmilhava toda aquela Região de bicicleta em busca de amores perdidos pelas serras ou de um cantinho que fosse na busca do pão de cada dia, e nesse tempo a canícula já era assim, é da montanha diz ele, é muito alta e tapa a passagem do vento fresco de Norte, eu acredito e o Aníbal antes da partida teve o cuidado de salientar isso e chamar a atenção para este pormenor do calor durante a prova.
O grande respeito pelos participantes e o conhecimento duma prova desta natureza feita em pleno Verão com temperaturas altíssimas fez com que a organização fosse posta à prova para salvaguardar a integridade física dos atletas e participantes nesta prova, e que dizer? alguns chamam-lhe 5***** eu chamo-lhe uma maravilha, nunca tinha tido um rol de abastecimentos ao nível deste, e já lá vão 23 anos, 6 no total e todos com água fresca e bastante fruta, onde sobressaía a melancia e outras frutas sempre bem fresquinhas. Foi uma grande ajuda, ainda assim levei comigo a Camelback e sempre que necessitava fui atestando ao longo do percurso nos abastecimentos, sempre com simpatia e amabilidade dos imensos colaboradores que ajudaram a engradecer esta bonita iniciativa.
Devo acrescentar que me caiu fundo o facto de à minha chegada, e provavelmente também dos outros, ter ali na linha de chegada o Aníbal Godinho a receber-me na sua qualidade de responsável máximo da prova a saudar a minha chegada e a inteirar-se se tudo tinha corrido bem, um gesto muito bonito que se saúda.
Para os 29,320kms gastei 4,09,52, pelas minhas contas.
O almoço convívio que se seguiu também foi muito original e simples, depois da barrigada da Serra e do calor o apetite também nunca é muito, duas sandes de carne assada e muita bebida para todos os gostos foi o suficiente para juntar os amigos durante mais alguns momentos, o António, o Veloso e famílias, o Luís Mota, de quem já tinha algumas saudades, e muitos outros que vamos encontrando aí um pouco por todo o lado.
A partir de agora as atenções estão só viradas para a Ultra Maratona da Areia Melídes/Tróia no próximo dia 1 de Agosto de 2010. Sei que ainda existem alguns com exitações, não participando nem sabe o que vai perder, no Ano passado também fui receoso, o que é natural, mas concluí e este Ano vou repetir, agora já com a experiência de a ter vivido.
Fotos de Pedro Caetano (Abutres)

terça-feira, 6 de julho de 2010

1ºs Trilhos do Almonda, 30 kms (11/7/2010)

Aí estão os trilhos do Almonda em torres Novas, vão ser 30 kms de pura Natureza que me darão muito prazer de fazer.
É já no próximo Domingo dia 11 de Julho.
Vai ser também um excelente treino para Melides, desde que não abuse.



segunda-feira, 5 de julho de 2010

Corrida da Santa Casa da Mesiricórdia, Lisboa 4/7/2010


A Corrida da Santa Casa no último Domingo em Lisboa serviu para voltar ao asfalto e ás distâncias mais "pequenas", serviu também para rever muitos amigos que há muito tempo não via. Só na Sexta Feira soube que estava inscrito pelos Amigos do Vale Silêncio e não regeitei o convite.
Contudo tinha ainda de fazer um treino na véspera de 30 Kms na Caparica na companhia de alguns amigos. Face ás dificuldades no areal (aquela Costa cada vez está pior) e devido à maré cheia a 1ª parte do treino foi um tormento e decidi fazer apenas os 20 kms, com o regresso a correr descalço.
Na Corrida da Santa Casa para além de encontrar muitos amigos dicidi, ju
ntamente com o Carlos Coelho, fazermos a prova com muita prudência devido à forte carga que tínhamos metido na Costa no dia anterior. Tínhamos também um contra, o forte calor também começava a ameaçar-nos conforme se veio a provar a partir o meio da prova, felizmente a organização dicidiu colocar vários abastecimentos ao longo do percurso amenizando assim a canícula que se abateu sobre nós.
Como eu previa o ritmo que consegui colocar na corrida foi aquele que eu sabia que não conseguiria superar (média de 5,30h.), se quizesse forçar abafava logo. Devido ás provas que tenho feito o ritmo é muito baixo e nos treinos nada tenho feito para alterar isso.
Senti-me sempre bem, e era esse o objectivo, até dá para perdoar aquele sprint final do Carlos Coelho que me surpreendeu quando eu procurava a Susana para me tirar a respectiva foto, e foi por pouco que ficava de fora.
Parabéns à Organização em todos os aspectos, boas ofertas para todos e excelente apoio aos atletas.
Que pena aquela fila no final para receber o prémio de presença debaixo de uma temperatura asfixiante, um aspecto a melhorar.
Acabei por fazer os 9,820km. do percurso em 54,06m.
Ver aqui algumas fótos de Lisboa

Ver aqui algumas fóto da Serra da Freita de 27/7/2010s

terça-feira, 29 de junho de 2010

Ultra Trail Serra da Freita, Um sonho adiado?


Dia 27 de Junho, eram 5 horas da manhâ no Marujal, ali mesmo à porta do Parque de Campismo quando foi dada a partida da Ultra Trail da Serra da Freita na distância de 70 kms.
Eram cerca de 180 participantes e o ambiente era excelente entre todos onde era manifesto a boa disposição e o incentivo que era trocado entre os amigos.
Tinha feito a viagem na véspera com o Fernando Andrade mas a noite foi penosa pois por falta de alojamento tive de descansar dentro da viatura até ás 3 horas da manhâ, altura em que comecei a preparar as coisas para ás 5h. me apresentar no local de partida.
Partimos de uma altitude de 909 metros ainda noite e com os frontais acesos pois a noite estava a findar mas a escuridão ainda era muito intensa, levava bastante abastecimento líquido e sólido para me precaver e fazer face ás cerca de 15 horas (previsão) que iria ter pela frente. Tínhamos também a indicação que o Sol iria estar fortíssimo, principalmente quando nos encontrássemos já em plena Serra.
Aos 6 kms atingimos a cota de 1035 metros de altitude, quase sempre em corrida mais lenta ou andando onde as subidas eram de maior inclinação, a partir daqui foi sempre a descer até chegarmos à cota mínima de altitude em toda a prova (250 metros), nem sempre se podia correr nesta longa descida, a vista era deslumbrante e o trilho por onde seguíamos também era muito perigoso a merecer grande atenção. É assim que chegamos ao Rio com 17 kms percorridos e onde o calor já era muito incómodo, aproveitei para logo ali me refrescar e beber água, que por sinal até estava muito fresquinha, até ali tinha partilhado quase sempre da companhia da Otília e a partir dali quase sempre com o Fernando Andrade. Percorri 3 kms por dentro e pela orla do Rio num traçado muito técnico onde permanentemente subíamos e descíamos pedras e pedregulhos e por pequenos carreiros muito traiçoeiros que levou muita gente a cair ao Rio com consequências físicas para alguns deles (ver relatos no Fórum O Mundo da Corrida). Eu caí lá duas vezes mas sem qualquer consequência, a sorte estava comigo. Ali neste local começava já a pressão para atingirmos o primeiro controlo de tempo de passagem que estava aos 20 kms em 4 horas, creio que todos os que partiram conseguiram ultrapassar aquele 1º controlo.
Ainda no Rio aproveitei para tirar algumas fotos e conviver com alguns amigos que dicidiram ali mesmo tomar banho num local de passagem obrigatória com água a chegar ao umbigo, como sempre a Analice viu-se em apuros para passar aquilo, aqui foi o F.Andrade que lhe valeu.
No controlo dos 20 kms tinha 3,30h de prova, procurei a assistência dos Bombeiros, trazia os pés numa lástima pela travessia do Rio, bolhas nos dois pés e algum mal estar do traumatismo que tinha no pé direito devido ao "futebol", foi uma paragem de mais ou menos 20 minutos onde fui muito bem tratado pelo bombeiro que me assistiu. Sem o saber ainda a corrida praticamente acabava ali, começava o verdadeiro Trail, já tinha perdido a companhia da Otília ainda no Rio e o Fernando estava para trás, logo de seguida subimos até aos 750 metros com 26,5kms de prova, nesta altura o Fernando alcançou-me e fizemos uma pequena pausa para comer e beber alguns líquidos, como estava muito calor depressa arranquei, encosta abaixo até alcançar o 2º abastecimento líquido aos 30,5 kms, para fazer estes últimos 10 kms precisei de 2,40h e tinha já um acumulado de 6,10h de prova quando ainda restavam 9 kms par atingir o próximo controlo, este já a eleminar se chegasse para além das 9h. de prova.
No abastecimento dos 30 kms conto novamente com a companhia do Fernando Andrade que chega bastante desgastado , eu próprio também não estava melhor, ouve ali um amigo que nos deu um pouco de sal refinado que nos fez reactivar novamente os índeces de motivação para prosseguir, segui com o Fernando prontos para enfrentar mais uma montanha que estava logo ali à nossa frente que até doía a vista só de olhar lá para cima, dali conseguíamos ver alguns atletas que já iam lá no cimo, pareciam formigas, mas a nossa motivação ainda estava em alta, antes de começar a subir ainda descemos mais um pouco ao longo de mais um Rio de água quase cristalina onde o Fernando aproveitou para se refrescar mais um pouco, eu segui e comecei a subir aquela montanha sem saber como é que o iria conseguir, (em 1.800m. subimos dos 600m para os 1.100m. de altitude), o Sol estava escaldante, de frente para nós enquanto subíamos, não havia trilhos, o percurso era balizado por pequenas fitas que nos íam guiando, por vezes era um pé à frente e outro atrás, as forças já eram poucas, os pés escaldavam e doíam, é nesta fase que recebo uma chamada providêncial da minha filha Susana, eu quase que não podia falar tal era o cansaço, mas foi um grande estímulo pois estava quase a chegar ao cumee deu para descansar um pouco, entretanto olho para trás e vejo o Fernando a aproximar-se de mim, sinal que a moral está de novo em cima, atrás dele perde-se um vale imenso quase a perder de vista, pouco depois chego à estrada que nos levará até ás Eólicas, ponto mais alto da Serra. Antes de lá chegar ainda conseguimos correr cerca de 1km (já estávamos com saudades) mas foi penoso ter de fazê-lo pois o limite de tempo para chegar a mais um controlo de eleminação estava aos 40kms e só "tínhamos" 45 minutos para fazer os restantes 2,5kms. Mas a surpresa estava para vir, quando pensávamos que a meta estava ali num percurso acessível eis-nos atirados para o triho dos Íncas, que não era mais do que descer novamente a mesma Serra que tínhamos subido e depois circular a Serra por um caminho espectacular mas cheio de obstáculos, mato rasteiro que nos deixou as pernas arrasadas, caminhar em cima de lages, em alguns locais à beira de precepícios até que surge a povoação e o consequente controlo e abastecimento. Aqueles 2,5kms foram percorridos em 1,15h, chegámos com o controlo encerrado à cerca de 30 minutos. Acabava ali o sonho de atingir o objectivo que sonhava. Antes de lá chegar já tinha dicidido com o Fernando que não iríamos prosseguir, aquilo não está acessivel a qualquer um, a limitação de tempos de passagem em cada etapa elimina à partida qualquer veleidade de voltar a tentar, a menos que os prazos sejam alargados. Para mim acabou-se.
A recuperação foi boa e não ficaram mazelas, sinal de que era possível ultrapassar aquilo se a pressão não fosse tão grande.
Parabéns a todos os que conseguirem concluir esta duríssima prova e áqueles que tudo fizeram para o conseguir e por qualquer motivo não o conseguiram.
Uma palavra também de grande contentamento por a Organização ter ponderado e aceite que todos os atletas que chegaram à meta fossem classificados. Foi um passo muito importante para para o futuro da prova, de louvar a atitude.
Agora vou fazer o Almonda, de 30 kms, ali em Torres Novas daqui a 15 dias para levantar um pouco a moral, pois não podemos esquecer que Melides está aí daqui a 1 Mês.

Serra da Freita, O Valor Das Coisas


"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram mas na intensidade com que acontecem". (Fernando Pessoa)

Foi esta a palavra de ordem escolhida pela Organização para apresentação da prova, foi este o espírito que me levou à Serra da Freita no dia 27 de Junho para disputar uma competição de sonho , viver uma aventura sem pressões e com a intensidade possível pelo empenho de cada um.
Esta extraordinária aventura tornou-se dramática para a maioria dos participantes, cerca de dois terços não concuíram a prova, (eu incuído) e dos que terminaram cerca de um terço chegou fora do controlo, não tendo por isso sido classificados.
É verdade que todos nós conhecíamos o Regulamento, distância total, postos de controlo e tempos de passagem entre cada um deles. Isso todos nós sabíamos e foi naturalmente fácil escrever isso tudo no papel, agora aquilo que a gente não sabia era a dimensão pavorosa do percurso que em nada daquilo podia encaixar nas metas obrigatórias traçadas pela organização técnica da Prova.
No breifing da véspera todos foram aconselhados a serem moderados e gerirem bem o seu esforço porque se assim não fosse aos 40 kms a tendência era para a desistência por quem lá passase ou chegasse. Atitude louvável em termos de aconselhamento e o orador e responsável técnico (José Moutinho) nem sequer escondeu a dureza da prova e ingenuamente todos, alegremente, acreditámos que era possível ultrapassar aquilo.
Transposto tudo isto para o terreno foi fácil de concluir (que a partir dos 20 kms de prova) ninguém conseguiria atingir os seus objectivos traçados, nem aqueles que a própria Organização tinha planificado como projeção, quer para os primeiros classificados quer para os restantes participantes.
A pressão dos tempos de passagem tirou beleza à prova, nem estou a balizar por mim, mas para muitos que eu sei que se prepararam muito bem para esta competição. Todos começaram com prudência porque era a 1ª vez que a prova tinha 70 kms e cerca de metade da prova tinha um traçado novo que era do desconhecimento da quase totalidade dos participantes, rapidamente nos apercebemos que o controlo de passagem era apertado a partir dos 20 Kms e foi a partir daqui que o prazer da corrida acabou e foi substituído pelo pesadêlo de não se conseguir chegar ao próximo controlo a tempo de não ver barrado a sua passagem. Esta dura realidade muito poucos estavam à espera, com o avolumar das dificuldes gastaram-se energias desnecessárias para se ir conseguindo passar em todos os crivos de controlo com consequências dramáticas para alguns na parte final da prova.
A Organização técnica da prova tem de admitir (o que é difícil) que ouve um erro grave de avaliação entre a planificação e a realidade no terreno, a dureza do percurso, (discutível),
justificava uma abertura maior de espaço entre cada controlo por forma a que todos tivessem oportunidade de participar e concluir.
A previsão da Organização para a chegada dos 1ºs eram as 7, 15h. e só próximo das 9 horas de competição é que chegaram os dois primeiros (Alcino e Carlos Sá) e mesmo assim feitos em "fanicos", os seguintes foram chegando com intervalos muito prolongados, mais de um terço tinha desistido ou chegado fora do controlo logo aos 40 kms, 5 horas para fazer 20kms foi manifestamente exigente para quem só nesta fase tinha que ultrapassa três montanhas a roçar em média os 1000 metros, a alguns deles faltou-lhes a coragem e a força para continuarem, aos outros foi impossível chegar ali e prosseguir pois tinham ultrapassado o limite de tempo permitido.
A saga das desistências prosseguiu mais à frente nos 50, nos 60 e 65 kms. Aqueles que iam conseguindo ultrapassar os filtros arrastavam-se galhardamente e com alguma heroicidade para conseguirem concluir, (mesmo que dramaticamente soubessem que iriam chegar para além do limite de tempo permitido pela organização). A crueza e a violência da desclassificação de todos os que chegaram para além das 15 horas é um atentado demasiado cruel à dignidade de cada um deles que sofreu a bom sofrer para vencer aquela dura batalha. A Organização Técnica da prova devia estar orgulhosa de tais feitos de gente tão abnegada.
E era tão simples resolver isto e só por teimosia é que se manteve esta mancha que considero de muito grave, bastava acrescentar ás 15h regulamentares o tempo gasto pelos 1ºs entre as previsões iniciais e aquele efectivamente gasto (1,45h) e ninguém era desclassificado e a prova mereceria nota positiva por todos os que lá estiveram.
Se querem um prova de Elite então digam-no e aparecerá sempre alguém que tenha por objectivo treinar para competições a valer fora do nosso país, no máximo 10 a 20 pessoas, manter este modêlo é matar a esperança de muitos atletas que tinham nesta prova a oportunidade de irem evoluíndo nesta variante da corrida e assim vêm frustradas de forma inglória as suas ilusões.
Que prazer tem uma organização que vê chegar e classificar menos de um terço dos seus participantes? Alguém fica contente com isto? e os patrocinadores?
A Ultra da Serra da Freita é das coisas mais bonitas e bem organizadas que eu já vi, o empenho e a dedicação do principal responsável (José Moutinho), sem esquecer os seus colaboradores e patrocinadores, foi inescedível e louvável, ele, o homem não merecia o desfecho que aquilo teve, honra seja feita ao Moutinho desportista, não fugiu e enfrentou a torbulência com dignidade na defesa dos seus pontos de vista, as consequências para o futuro da prova por certo serão muito ameaçadoras e provocará uma fractura difícil de sarar se entretanto não ouver a coragem de corrigir alguma coisa que ainda seja possível, e aqui o Moutinho tem a última palavra e acção.

Continua... a minha história