sábado, 28 de agosto de 2010

De férias e de regresso ao trabalho.



E pronto, acabaram-se as "férias" e como elas foram curtas, 6 dias em plena Natureza, ali em Tengará (Sobrena) ás portas do Cadaval. Uma encosta bem verdejante onde imperava um pereiral bem apetrechado de suculentas peras, (da rocha, claro está, calor até fartar onde a brisa suportável estava ausente entre as 11 e as 16h.
Encosta acima encosta abaixo, ora enchendo ora vazando baldes carregados do precioso fruto que tem por destino a exportação, destas raramente as veremos nas bancas dos Supermercados, que desperdício sermos privados de tanta qualidade. Aqui, pouco falta para que os agricultores tenham ainda de pagar ás grandes superfícies para verem o produto de um intenso ano do seu trabalho ser escoado.
Ainda assim a recompensa, apesar de reduzida, ainda permite sonhar por dias melhores e ver finalmente um dia a recompensa de tanto esforço que um punhado de carolas teima em manter em defesa daquilo que a agricultura lhes permite ali fazer.
Apesar das dezenas de toneladas colhidas, Tengará não vive exclusivamente daquilo, o amigo José Pereira tem aquilo como uma ocupação de tempos livres (bem podia arranjar coisa melhor) mas com a ajuda da simpática mulher e dos 2 filhos consegue extrair daquela terra do melhor que existe em Pera Rocha.
Foi por isso que dicidi (e outros amigos também) gozar 6 dias das minhas "preciosas" férias apanhando peras e desfrutar daquele brazeiro que aqui e ali ia sendo atenuado com uns goles de água bem gelada enquanto não chegava a hora das soculentas refeições que a D. Ana nos preparava para retemperamento de forças.
No final da missão fica-nos a saudade daquele envolvente trabalho e fundamentalmente do convívio ali proporcionado nestes dias, para o Ano haverá mais e agora para mim é o regresso ao "trabalho".
Dia 30/8 é o regresso aos treinos após 3 semanas de pausa, vem aí a Corrida do Avante, S. João das Lampas e o Trail do Grande Lago, no Alqueva.
Ali estou eu a selecionar as melhores peras, o José Pereira e o seu tractor na recolha dos Maloques (penso que é assim que se diz) e o Carlos Gadunhas aproveitando uma pequena sombra ao mesmo tempo que ia fazendo a sua colheita.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Trail Noturno de Óbidos



A nova versão Dia e Noite do Trail Noturno de Óbidos veio melhorar e muito esta magnífica prova que tem de tudo para quem gosta de correr em cenários muito bonitos e em alguns casos espectaculares.
Foi com este espírito de curiosidade que eu e o meu genro Daniel nos fizemos à estrada até Óbidos, não sem antes eu mais uma vez confundir A1 com a A8 como melhor opção para lá chegar.
Quando lá cheguei (17h) já o F.Andrade e o C.Coelho se tinham aviado e aguardavam já a hora de partida, nós após uma curta pausa para conversa regressámos ao local onde tínhamos deixado a viatura, pelo meio encontrámos o José Xavier e a Família que vinham a chegar, ficámo-nos pelos cumprimentos pois ainda faltava fazer muito trabalho e o tempo disponível começava a escassear.
Para esta prova tive o cuidado de planear aquele que seria o mais leve, o cinto com duas botijas pequenas (menos de 10 dl cada, 4 gel e 3 barras e a máquina fotográfica que apenas fez peso pois nem uma foto tirei durante o percurso.
De regresso ao "Campo da Bola" lá bem no alto do Castelo onde iríamos chegar e também onde se iria dar a partida simbólica da prova deu para encontrar muitos amigos e conviver ali um pouco com todos. Alguns ainda a sentirem-se de mazelas da Prova Melides/Tróia, outros de desafios ainda maiores e de extrema dureza, mas com um sentido sempre alegre e despidos de algum vedetismo que por norma sempre aparece alguém. O Carlos Coelho dá nota de pretender fazer a prova sem forçar e manifesto o meu desejo de lhe fazer companhia.
Partimos dali depois de fazermos o habitual controlo de partida e de imediato dou nota que o meu Garmin não funciona, estranhei, estava sem bateria, tinha-o deixado a carregar toda a noite mas devia estar mal ligado, não pensei muito nisso pois como ia fazer a corrida acompanhado iria ter toda a informação na mesma.
Saímos pelas 19,30h +- em conjunto com os atletas que iam fazer a prova mais pequena (22kms) e por isso a confusão no início foi maior pois partiram perto de 300 atletas.
Como já conhecia parte do percurso na fase inicial parti com alguma prudência e sempre com o Carlos Coelho na mira, um pouco mais à frente e já na companhia da Célia Azenha subimos o morro em passo acelerado e conforme as forças permitiam, já no alto decido acompanhar a Célia na esperança que o Carlos conseguisse vir também o que veio a verificar-se, no entanto de vez em quando ele ficava e a dada altura ele informa-me que lhe doía um joelho, aconselhei-o a vir com calma e chegar ao fim sem mazelas, nesta altura nem 10kms tínhamos ainda percorrido. Decido acompanhar então a Célia até onde as forças me permitissem, estava-lhe grata pela ajuda que ela me tinha dado na parte final da UMA e estava na altura de lhe retribuir.
Toda a história do resto da prova tem a ver com a sua companhia, inicialmente íamos apenas os dois e depois aqui e ali tínhamos a companhia de outros amigos,ora vinham ora iam e faziam um poucode companhia, sabíamos que o ritmo ia nos limites e tinhamos um contra, a Célia começara um pouco antes a queixar-se de um joelho e por isso havia cuidados acrescidos, raramente eu passava pela frente para não desestabilizar o andamento e deixava-a marcar o passo de corrida que até era muito bom.
No abastecimento dos 18,5kms passámos com 1,57h, era muito bom pois o percurso também ajudava, ali eu já sentia algum cansaço nas pernas, o que era natural face à empreitada da semana anterior, mas a partir dali acabaram-se as facilidades, areia e Dunas até não mais acabar, conseguimos reunir ali um grupo mais numeroso ao longo das Dunas até chegar ao ponto mais a Sul ao longo do Mar onde se avistava Peniche mais ao longe, Aqui a entreajuda foi muito importante para encontrar o caminho certo que eram sinalizados por pequenos! refletores. O abastecimento sólido aparece aos 25kms eaproveito para tomar um gel pois estava a necessitar de renovar as energias e seguimos de imediato onde a dureza das subidas e das descidas iam causando mossa nas minhas já depaupuradas pernas e onde também já se fazia sentir algumas bolhas nos meus pés.
Durante uma parte do percurso tivemos a companhia da Analice, de vez em quando abalava mas nunca se afastava muito, até que em determinada altura ficou para trás e nunca mais conseguiu recolar.
Do Carlos nada sabia e só comentava com a Célia o desejo de ele nunca ficar sozinho no meio daquela escuridão e ter a fatalidade de se perder.
A Célia já só se preocupava comigo pois via que eu já ia preso por um cordel muito fino, mas nem por isso reduzimos o ritmo e fomos seguindo por sítios que por certo eram muito bonitos e até tive a sorte de encontrar um riacho que atravessava o estradão onde seguíamos que aproveitei para me refrescar um pouco.
Aos 35kms novo abastecimento, água com fartura, despejei 5 copos de água e mais um gel, aqui perdi o contacto com a Célia, ela e mais 2 amigos seguiram enquanto eu descansava um pouco e me hidratava melhor, quando retomei já levava cerca de 100m de atraso, tentei recolar mas não consegui e fui assim durante mais 3 kms, até que me apercebo de uma seta a indicar o caminho para a esquerda mas não vejo sequência, sigo atrás deles e aviso-os, dicidimos continuar , um pouco mais à frente conseguimos retomar o percurso certo e até final fomos sempre juntos não sabendo eu onde é fui arranjar forças para os acompanhar.
A subida ao Castelo foi das coisas mais dificeis mas também a mais desejada e foi com alegria imensa que cruzei aquela porta mítica a condizer com a meta final.
Para a Célia um agradecimento muito grande, a ajuda mútua foi essencial e no final obtive e retribuí um carinhoso beijinho de agradecimento que muito me sensibilizou.
O Daniel também ali estava à minha espera e ficou naturalmente satisfeito por me ver chegar pois prometera-lhe uma seca até ás 6h. de prova.
Ele também estava satisfeito com a sua prova, tinha feito 4,31h e sentira-se sempre bem, a exemplo do ano passado até parece que esta prova é mesmo à sua medida.
Para os 42 kms de prova gastei 5,22h.
Vou voltar em 2011, parabéns à Organização na esperança que em 2011 nas bancas (a meio e no final) esteja ainda a tão desejada melancia que eu e os que atrás de mim seguiam acabaram por quase nem a ver.
Segue-se... um repouso absoluto.

Fotos de Isabel e Xavier

Fotos Trail de Óbidos

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Rescaldo da UMA (Melides/Tróia)

Melides e Tróia ficam marcados de forma muito profunda no mundo das Odisseias em que me envolvi à apenas 1 ano. Odisseias que apenas vou considerando as que me dão mais prazer de correr, Ultras, Trilhos e Montanhas. A estrada já pouco me cativa, excepção feita a algumas maratonas e também meias-maratonas até final do Ano, o resto é para esquecer ou então para servir de pretexto para algumas paródias e convívios com os amigos, tais como Vialonga e Ribafria.
Já li alguns comentários sobre a grande jornada na Areia e da UMA quer dos participantes (atletas) quer da organização, em qualquer deles parece-me irrelevante os motivos apontados pois com um pouco mais de disponibilidade, empenho e respeito mútuo todos teremos a ganhar. Quanto a mim não haverá muito a alterar, pelo menos no essencial e basta-me traduzir o que já referi mais atrás para que se entenda que uma simples opinião pode ajudar a mudar alguma coisa: a disponibilidade, nada custava que à chegada dos atletas ali estivesse alguém a receber-nos e a guiar-nos para o local de recuperação e não apenas, como aconteceu comigo, alguém que simpaticamente me deu uma garrafa de água e nem mais uma palavra, valeu-me ali o Daniel que me orientou e apoiou naquela fase em que ainda estamos meio grogues. Na zona de recuperação nada custava que os zelosos colaboradores que destribuíam a fruta ao balcão o fizessem directamente nas mesas onde estávamos na fase crítica da nossa recuperação, pois como sabem era sempre um suplício cada vez que nos tínhamos de levantar para repetir mais um ou dois pedaços de fruta. Recordo que em 2009 havia uns tabuleiros onde era servido à mesa aquilo de tanto necessitamos para a nossa recuperação, bastava seguir esse exemplo. Da mesma forma também considero condenável a atitude de alguns, (ainda bastantes, infelizmente) participantes que pediram apoio de transporte de regresso a Melides e depois faltaram à chamada, não se trata apenas de uma despesa extra que podia ser evitada mas sim uma grande falta de respeito dos faltosos pelo enorme esforço que a Organização (Cãmara Municipal de Grândola) fez, colocando no terreno todas as condições condignas para que se tornasse mais cómoda a nossa participação. Penso que é equilibrado o preço que pagamos pela inscrição, compete a todos os envolvidos, atletas e Direcção da Prova, cumprir com a sua missão e com o respeito mútuo que se impôe. Eu vou continuar a ir à UMA, solicitando ou não apoios à Organização, esperando no entanto que os avanços positivos postos à nossa disposição não sofram algum revès causado por uma deficiente análise da situação que depois venha afectar a generalidade dos participantes.
Faço aqui uma rectificação de uma afirmação que deixei na postagem anterior: Afirmei que o Recorde da prova tinha sido batido pelo Eusébio Rosa nesta Edição, tal não corresponde à verdade, segundo o António Almeida este Recorde pertence-lhe de facto mas remonta a 2007 com 2,51h. é obra.
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Mais fotos aqui

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Odisseia Melides/Tróia

Havia um alerta laranja, para não dizer vermelho, deixado pelo Joaquim Antunes (Decano Ultra daquelas paragens) que sabiamente e em tempo oportuno nos avisara das péssimas condições que o percurso da UMA se apresentava nesta edição.
Confesso que não levei muito a sério o aviso, não pelas sábias intruções que ele ia deixando no (Fórum Mundo da Corrida), mas pelo que eu conhecia da edição de 2009 confiado que estava que pior que aquilo não saberia o que era, agora já sei e confesso que fiquei "aterrorizado" quando ia observando os kms a passar e aquilo não melhorava...
Como já aqui tinha dito optei por levar calçado umas meias Neoprene nos primeiros kms da prova até ultrapassar aqueles 6kms iniciais (tinham sido os que me deram mais dores de cabeça em 2009) e depois calçaria os ténis que levava presos ao Camelbak, estranhei não ver ali mais ninguém com a mesma ideia do que eu, nada de especial pensei eu, de repente dou comigo rodeado de uma câmara de filmar a registar o meu chip (tive de substituir o fixador) e então reparam nas meias e vai de entrevista, pensei para comigo que o dia até nem estava a correr mal, vi por ali o Carlos Lopes, (o grande Campeão) e pensei logo na sua Maratona e o fiasco que ela deu e também na falta de informação quanto à devolução dos 20€? que paguei, ficaria mais feliz de o ver ali apenas na sua condição de grande campeão mas infelizmente aquela ferida sobrepôs-se a esta.
O meu grande amigo e genro Daniel acompanhou-me nesta jornada, pois na edição anterior esteve lá a apoiar-me com a minha filha e logo prometeu que este ano aquilo era para fazer, se o disse assim o fez, vi logo ali muitos amigos e outros conhecidos de jornadas anteriores, e pelas "conversas e picardias" nos dias anteriores vi logo que aquilo ia estar animado pois havia contas a ajustar do ano anterior (e estavam lá todos).
A habitual eficácia da organização da prova permitiu que o programa fosse cumprido até ser dado o tiro de partida, via-se por ali muito boa disposição, não sei se para disfarçar o nervosismo ou se aquilo para a maioria era considerado como favas já contadas. Para mim era uma incógnita, ia correr descalço, só tinha feito 2 treinos com meias normais no total de 25kms, mas estava confiante que assim eu iria sentir-me mais confortável quando me atirasse para o trilho das ondas.
Estranhei ver o vencedor da edição de 2008 ali na linha de partida (Eusébio Rosa) como se fosse fazer uma prova de 5 mil metros, nem uma pinga de água tinha consigo, apenas a camisola, calções e sapatilhas, pensei que fosse apenas fazer um treino, até lhe tirei uma foto para certificar mais tarde se era verdade o que eu estava a ver.
Dada a partida procuro logo a linha de água, a manhã estava fresquinha e o céu estava encoberto, o Sobral alvitrou que iríamos ter pelo menos duas horas de céu encoberto, e não se enganou, mal chego à água verifico que as ondas estão um pouco ariscas e a maré ainda está muito cheia obrigando-nos a correr muito acima daquilo que seria o ideal onde a areia se encontrava muito solta, quer a seca quer a molhada, de imediato entro na água e começo a enfrentar as ondas na zona de rebentação, pois era ali que ainda ia encontrando algum piso mais acessível para correr, na mesma linha que eu havia poucos que corressem tão perto das ondas, via o Parro minha frente e o F.Andrade ali logo à sua direita mas por pouco tempo pois depressa se foi embora e nunca mais o vi.
Depressa verifiquei que iria ter problemas com as Neoprene, não porque me dessem mau correr ou me magoassem os pés, o problema surgiu porque o número da meia era superior ao meu pé e inevitavelmente a meia ia escorregando para dentro conforme se ia apresentado a inclinação da areia, levando-me a parar de vez em quando para corrigir o enrolamento e retirar ao mesmo tempo a água que se ia acomulando lá dentro. Ainda assim preferi continuar a correr com as meias em detrimento dos ténis face à dificuldade que o piso apresentava, continuando assim com o plano traçado até ultrapassar aquela primeira dificuldade!!!
Ao contrário do ano Anterior aqueles 5 primeiros kms estavam a parecer-me mais fáceis de ultrapassar, pelo menos tinham desaparecido as lombas constantes e dava para correr cortando o desfazer das ondas, desta forma ia poupando forças para quando chegasse a parte mais fácil poder correr mais folgadamente, cheguei aos 5,5kms ainda com o mesmo tempo +- do ano passado, mas ia algo apreensivo, ali naquele local na edição de 2009 já se podia correr em areia molhada mas mais dura e a maré estava já muito baixa, desta vez a maré mantinha-se muito alta e a corrida decorria num plano demasiadamente inclinado ao mesmo tempo que a areia se mantinha muito solta, passei neste 1º controlo na esperança que aquilo viesse a melhorar. A corrida tornou-se penosa, via muitos atletas cada vez com mais dificuldades e a ficarem para trás, havia outros que penosamente lá conseguiam passar por mim mas que rapidamente começavam a fraquejar, continuo a observar o Parro ali à minha frente mas entendi não forçar para chegar até ele, volto a parar para tirar a água das meias, pois o pé já dança lá dentro e antes que começasse a fazer fricção tinha que esvaziá-las (não sei por onde é que a água entrava, mas estava satisfeito pois a areia não conseguia lá entrar). Entretanto antes dos 20 kms alcanso o Parro e o Carlos Coelho e a partir dali os encontros são frequentos, ora sigo eu ora seguem eles, pois ali o importante é chegar e se vermos que os nossos amigos vão progredindo dentro das suas possibilidades, mas bem, então cada um deve dosear o seu esforço apenas com o objectivo de chegar.
Já tinha perdido a esperança de ainda ver o A.Almeida e o F.Andrade lá mais paraa frente pois torna-se cada vez mais doloroso a progressão, a maré já devia estar mais baixa mas mantinha-se na mesma elevada e só via à minha direita um permanente monte de areia com inclinação acentuada e que ia desembocar na rebentação das ondas, lembrei-me do Mário Lima, não sabia se estava para trás, mas era o mais certo face à dificuldade que aquilo estava a ter.
De repente aos 22 kms dou com o Daniel a caminhar à minha frente, tinha começado a andar 2 kms mais atrás e ia desistir disse-me ele, estava incapaz de correr, as ancas e os pés estavam insuportáveis e negou-se a continuar com aquele suplício, ainda tentei demovê-lo a acompanhar-me mas não consegui, seguiu ainda até aos 28,5 kms e apanhou boleia para o local de chegada. Apesar de estar com os mesmos sintomas que o Daniel e ainda com dores na zona dos rins não desanimei e prossegui, o piso ia ficando cada vez pior e sempre que a areia ia ficando demasiado mole eu tinha de andar, sempre dentro da rebentação e ainda com as Neoprene calçadas, tinha planeado tirá-las por volta dos 10 kms e agora tinha de alterar a ideia inicial, mas já estava a tornar-se insuportável a sua manutenção, não pelas meias mas sim pelas dores que já ia sentindo nos pés pela permanente inclinação da areia, (parecia que os dois pés estavam abertos ou como se diz com fratura de esforço) mas decido levá-las até ao único abastecimento que estava aos 28,5 kms. Perdi a noção do tempo gasto até chegar aqui, (levava o Garmin e desinteressei-me totalmente dele) mas sabia que o objectivo inicial das 6 horas estava em causa.
Mal cheguei deram-me logo duas garrafas 0,5l de água, aquela que transportara desde Melides estava a esgotar-se, enfiei com uma para para o depósito e bebi metade da outra, a restante guardei-a e supliquei por mais uma, não, disse-me logo o diligente colaborador o regulamento não permite excepções, resignado aceitei a decisão e tinha de fazer pela vida. Calcei os ténis e logo outro à vontade e alívio senti de imediato, tomei um gel e segui na peugada do Parro e do Carlos Coelho, do Mário nada. Ainda ouço dizer que o primeiro já ali levava 11 minutos do que aquele que seguia em 2º lugar, recebo também a notícia que mais 4 kms à frente o piso irá melhorar um pouco. Esperançado nesta nova situação vou avançando com a maré já a encher (ela nunca chegou a vazar) e por isso tinha a minha tarefa ainda mais complicada, agora de ténis evito correr e andar na água, alcanso novamente o Carlos e o Parro ainda vou um pouco com eles mas ficam definitivamente para trás. Finalmente aos 33 kms o piso apresentava-se excelente, já podia correr, mas onde é que estavam agora as forças para poder correr? Vi ali à minha frente a Célia Azenha que me tinha passado um pouco antes e ia a juntar um pequeno grupo de entreajuda até chegar ao final, iam a andar, fiz um pouco de esforço e corri até chegar a eles, eram 4, mal lá chego recebo um bem vindo da simpática Célia mas de imediato começam de novo a correr, fiquei pregado, andei mais um pouco e voltei a tentar, alcancei-os de novo e agora consegui ficar lá, a cada km andávamos um pouco e assim chegámos aos 40 kms. Nesta altura o inevitável aconteceu, acabou-se-me a água, como estava perto fiquei tranquilo, no entanto a Célia logo se prontificou a ceder-me alguma e aceitei de boa vontade.
Dali até à meta seguimos juntos mas no último km deixei-me ficar um pouco para trás, segui mais lento pois havia muita gente na praia e já me custava contorná-las.
Mal chego a 150m da meta recebo logo um grande incentivo e cumprimento do "Tigre", um abraço do Daniel que me acompanha ainda alguns metros, do Sobral, da família Mota, do António e da Isabel, do V.Veloso, da esposa do C.Fonseca, ali mesmo à beirinha da meta, e outros que o descernimento não ajudou a decorar, receber este carinho ali ao cortar a meta por si só já nos sentimos recompensados.
Tempo final: 6,54,23h. para os 43,660kms. (mais 1,50h. que em 2009)
O Daniel já conhecia os cantos à casa e depressa me encaminhou para os locais mais apropriados para a minha recuperação, tinha partido ás 9h da manhã e eram agora 16 horas, a fome e a desidratação estavam nos limites, a condição física era ainda razoável, ausência de câimbras e dores mosculares, pior estavam os pés. Sentei-me num cadeirão, ali mesmo ao lado do Decano da UMA, enquanto ia comendo tudo o que o Daniel ia trazendo (melancia, melão e uvas) ia dando um dedo de conversa com o Joaquim Antunes sobre a sua profecia desta edição da prova tendo confirmado que esteve ao nível das dificuldades da edição dse 2006.
De seguida fui dar um mergulho mas rapidamente saí da água, tinha comido muita fruta e a água estava muito fria tendo-me dirigido de imediato para os chuveiros para limpeza geral.
Já não tive coragem e força de vontade para voltar para junto da meta e apontei de imediato para o barco.
Custou-me muito fazê-lo pois estavam lá tantos amigos e mereciam um pouco mais de atenção da minha parte, mas eu estava de rastos, nem sei como lhes pedir desculpa.
Um abraço a todos, aos que concluíram, áqueles que não o tendo conseguido tudo fizeram para resistir até ao fim, à organização pela excelência e competência na realização de mais uma edição da prova.
Uma saudação especial ao vencedor da prova, Eusébio Rosa, que nas condições terríveis do percurso e sem transportar uma pinga de água venceu a prova folgadamente e com um novo recorde.
Voltarei para o ano, com a esperança que desta vez a maré quando vazar esteja mesmo vazia.

sábado, 24 de julho de 2010

Almoço de Confraternização Amigos do Vale Silêncio

O almoço de confraternização fim de época dos Amigos Vale do Silêncio realizou-se hoje no Quintanilho ali à beira de Vialonga. Do programa constava também uma partida de futebol de Sala (5 para cada lado) na parte da manhã e sob um sol tórrido e escaldante que facilmente fez esgotar uma pipa de água, já que estavam proibidos de consumir qualquer outro tipo de líquidos. Participaram cerca de 20 atletas que desta vez se divertiram aos pontapés na bola, os quais também não tiveram muita dificuldade em encontrar o caminho da baliza e do golo, uma cabazada para cada um, nada manos de que 8 para cada lado.
Depois do retemperador banho no Parque Urbano de Santa Iria teve lugar o almoço num espaço de um ami,go que cedeu as suas instalações ali no Quintanilho, para ali nos juntarmos à mesma mesa e confraternizarmos perante uma excelente ementa: queijo de cabra de Portel, sardinhas assadas, entrecosto, entremeada e um excelente vinho tinto, de Aveiras de Cima... de onde mais podia ser ?
Foi um excelente dia, passado no seio de um grupo de amigos que é cada vez mais o meu grupo também, brevemente farei a integração plena neste grupo de amigos que tudo têm feito para criar um ambiente familiar entre todos os que têm a oportunidade e o carácter de o integrar.
Foi um almoço formal de fim de época, mas eu ainda estou longe de fazer férias desportivas, faltam apenas 7 dias para a UMA (Melides/Tróia) na distância de 43kms em Areia.
6 dias depois estarei em Óbidos no Trail Noturno com distância de 42,200kms, vamos ver como é que me vou sair desta empreitada. Só depois é que vou tirar pelo menos 15 dias a esta lufa lufa.
mais fotos aqui

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Trilhos do Almonda, mais um exemplo a seguir.



O Trilho do Almonda em Torres Novas permitiu que fosse conhecer melhor uma Região que apesar de perto desconhecia quase na totalidade.
O próprio nome dado à Prova era outra curiosidade, a princípio desconhecia que era um Rio, (na Geografia que aprendi na escola não me lembro que constasse lá esse Rio e nesse tempo tínhamos de aprender muito bem todos esses pormenores), pelo seu caudal em Torres Novas, junto ás piscinas e toda aquela área muito bonita, pareceu-me que a sua origem provinha de muitas nascentes, mas não, a nascente é mesmo no Almonda e só tive pena de termos partido de lá para a competição e eu não ter visto a sua nascente, (ou então estava distraído) por certo a organização da prova para a próxima edição não se esquecerá deste pormenor. Depois também tinha a garantia que a 1ª Edição desta prova de Trilhos em Montanha iria ser uma excelente iniciativa ou não fosse ela organizada por um dos muitos apaixonados pelas provas de Montanha. O Aníbal Godinho conseguiu montar ali uma prova de sonho onde todos ficaram encantados com aquilo em que tiveram a oportunidade de participar. Voltei a encontrar ali antes da partida muitos amigos, alguns deles só os conheço das provas de Trilhos de Montanha, sinal de que com alguma regularidade tenho participado, e eles também, em algumas provas mais emblemáticas do nosso calendário neste tipo de competições.
Não admira pois que a cada realização ou a cada nova prova criada o sucesso esteja à partida assegurado, ali estavam todos eles, Aníbal Godinho, Carlos Fonseca, José Brito, José Moutinho, Vitor ferreira, Vitorino Coragem, outros amigos também ligados ao trilho dos Barris, dos Trilhos do Pastor, entre outros. Todos estavam ali para participar e para aprender mais sobre esta maravilhosa actividade de Corridas de Montanha.
E eu só tenho de aplaudir todos aqueles que têm a coragem de investir com os seus conhecimentos nestas provas que como todos sabem tem um elevedo grau de dificuldades na sua montagem, principalmente financeiro, humano e logístico.
Os Trilhos do Almonda, pelo menos aqueles que tive oportunidade de percorrer, e outros que ajudei agora a criar com a nossa passagem, são espectaculares, principalmente aquela subida íngreme a partir dos 6 kms iniciais, muito inclinada durante 2 kms bem aviados e bem difícil de fazer, valeu-nos ali as ótimas sombras que o arvoredo bem fechado nos proporcionava.
Já li como sugestão, que a partida da prova devia ser mais distanciada daquela 1ª subida, a mim pouco me incomoda pois dali ou de mais longe o meu ritmo é o mesmo e aquilo ali nem dá mesmo para correr, penso eu.
Acredito que chegados ao alto da Serra de Aire a vista à sua volta seja muito bonita, mas confesso que quando lá cheguei apenas soube apreciar aquela brisa de vento fresco que vinha do lado Norte da Serra, até ali era apenas calor e mais calor. Depois quando iniciamos a abertura de um novo trilho em direção ás antenas num terrenos muito irregular (a que dão o nome de alguma tecnicidade) também não temos mais olhos para outras coisas que não seja olhar para onde devemos colocar os pés com alguma segurança.
Todo o percurso é muito equilibrado e se não ouver os devidos cuidados pode existir em alguns locais alguma perigosidade, nomeadamente quedas. É notória a minha dificuldade em descer (a subir então é melhor nem falar) e a queda em determinada altura esteve para acontecer comigo, ainda nem sei como é que me safei daquilo, a agilidade que tenho hoje não é a mesma de à uns anos atrás, o que sei é que embalei por entre pedregulhos e mato e sem saber como consegui travar e evitar a queda, que há acontecer traria por certo sérias consequências. Retenho ainda a imagem do Pedro Pires com as mãos na cabeça que seguia atrás de mim e da Célia Azenha que seguia à frente e ao olhar para tràs também se assustou.
Um pouco mais à frente foi a Célia, uma raiz de árvore um pouco exposta e um tralho daqueles valentes, o que vale é que o chão ali era um pouco mole, ainda assim o bronze ficou um pouco riscado na zona dos joelhos e uma câmbria num gémeo que foi protamente resolvida. Pouco depois o Pedro chega-se a nós e diz que também deu um trambulhão no mesmo local. Provavelmente a cena repetiu-se também para outros, o que é muito desolador pois ali a gente já vem muito massacrados com as dificuldades inerentes à descida da Serra com todo aquele empedrado solto e irregular e por consequência uma dificuldade a acrescentar aquelas que ainda tínhamos pela frente.
Aqueles 10 kms finais foram infernais por causa do calor, o amigo José Pereira que é daquela Região e foi meu companheiro de viagem a partir de Santa Iria, já me tinha prevenido para este problema, ele que em tempos palmilhava toda aquela Região de bicicleta em busca de amores perdidos pelas serras ou de um cantinho que fosse na busca do pão de cada dia, e nesse tempo a canícula já era assim, é da montanha diz ele, é muito alta e tapa a passagem do vento fresco de Norte, eu acredito e o Aníbal antes da partida teve o cuidado de salientar isso e chamar a atenção para este pormenor do calor durante a prova.
O grande respeito pelos participantes e o conhecimento duma prova desta natureza feita em pleno Verão com temperaturas altíssimas fez com que a organização fosse posta à prova para salvaguardar a integridade física dos atletas e participantes nesta prova, e que dizer? alguns chamam-lhe 5***** eu chamo-lhe uma maravilha, nunca tinha tido um rol de abastecimentos ao nível deste, e já lá vão 23 anos, 6 no total e todos com água fresca e bastante fruta, onde sobressaía a melancia e outras frutas sempre bem fresquinhas. Foi uma grande ajuda, ainda assim levei comigo a Camelback e sempre que necessitava fui atestando ao longo do percurso nos abastecimentos, sempre com simpatia e amabilidade dos imensos colaboradores que ajudaram a engradecer esta bonita iniciativa.
Devo acrescentar que me caiu fundo o facto de à minha chegada, e provavelmente também dos outros, ter ali na linha de chegada o Aníbal Godinho a receber-me na sua qualidade de responsável máximo da prova a saudar a minha chegada e a inteirar-se se tudo tinha corrido bem, um gesto muito bonito que se saúda.
Para os 29,320kms gastei 4,09,52, pelas minhas contas.
O almoço convívio que se seguiu também foi muito original e simples, depois da barrigada da Serra e do calor o apetite também nunca é muito, duas sandes de carne assada e muita bebida para todos os gostos foi o suficiente para juntar os amigos durante mais alguns momentos, o António, o Veloso e famílias, o Luís Mota, de quem já tinha algumas saudades, e muitos outros que vamos encontrando aí um pouco por todo o lado.
A partir de agora as atenções estão só viradas para a Ultra Maratona da Areia Melídes/Tróia no próximo dia 1 de Agosto de 2010. Sei que ainda existem alguns com exitações, não participando nem sabe o que vai perder, no Ano passado também fui receoso, o que é natural, mas concluí e este Ano vou repetir, agora já com a experiência de a ter vivido.
Fotos de Pedro Caetano (Abutres)

terça-feira, 6 de julho de 2010

1ºs Trilhos do Almonda, 30 kms (11/7/2010)

Aí estão os trilhos do Almonda em torres Novas, vão ser 30 kms de pura Natureza que me darão muito prazer de fazer.
É já no próximo Domingo dia 11 de Julho.
Vai ser também um excelente treino para Melides, desde que não abuse.



segunda-feira, 5 de julho de 2010

Corrida da Santa Casa da Mesiricórdia, Lisboa 4/7/2010


A Corrida da Santa Casa no último Domingo em Lisboa serviu para voltar ao asfalto e ás distâncias mais "pequenas", serviu também para rever muitos amigos que há muito tempo não via. Só na Sexta Feira soube que estava inscrito pelos Amigos do Vale Silêncio e não regeitei o convite.
Contudo tinha ainda de fazer um treino na véspera de 30 Kms na Caparica na companhia de alguns amigos. Face ás dificuldades no areal (aquela Costa cada vez está pior) e devido à maré cheia a 1ª parte do treino foi um tormento e decidi fazer apenas os 20 kms, com o regresso a correr descalço.
Na Corrida da Santa Casa para além de encontrar muitos amigos dicidi, ju
ntamente com o Carlos Coelho, fazermos a prova com muita prudência devido à forte carga que tínhamos metido na Costa no dia anterior. Tínhamos também um contra, o forte calor também começava a ameaçar-nos conforme se veio a provar a partir o meio da prova, felizmente a organização dicidiu colocar vários abastecimentos ao longo do percurso amenizando assim a canícula que se abateu sobre nós.
Como eu previa o ritmo que consegui colocar na corrida foi aquele que eu sabia que não conseguiria superar (média de 5,30h.), se quizesse forçar abafava logo. Devido ás provas que tenho feito o ritmo é muito baixo e nos treinos nada tenho feito para alterar isso.
Senti-me sempre bem, e era esse o objectivo, até dá para perdoar aquele sprint final do Carlos Coelho que me surpreendeu quando eu procurava a Susana para me tirar a respectiva foto, e foi por pouco que ficava de fora.
Parabéns à Organização em todos os aspectos, boas ofertas para todos e excelente apoio aos atletas.
Que pena aquela fila no final para receber o prémio de presença debaixo de uma temperatura asfixiante, um aspecto a melhorar.
Acabei por fazer os 9,820km. do percurso em 54,06m.
Ver aqui algumas fótos de Lisboa

Ver aqui algumas fóto da Serra da Freita de 27/7/2010s

terça-feira, 29 de junho de 2010

Ultra Trail Serra da Freita, Um sonho adiado?


Dia 27 de Junho, eram 5 horas da manhâ no Marujal, ali mesmo à porta do Parque de Campismo quando foi dada a partida da Ultra Trail da Serra da Freita na distância de 70 kms.
Eram cerca de 180 participantes e o ambiente era excelente entre todos onde era manifesto a boa disposição e o incentivo que era trocado entre os amigos.
Tinha feito a viagem na véspera com o Fernando Andrade mas a noite foi penosa pois por falta de alojamento tive de descansar dentro da viatura até ás 3 horas da manhâ, altura em que comecei a preparar as coisas para ás 5h. me apresentar no local de partida.
Partimos de uma altitude de 909 metros ainda noite e com os frontais acesos pois a noite estava a findar mas a escuridão ainda era muito intensa, levava bastante abastecimento líquido e sólido para me precaver e fazer face ás cerca de 15 horas (previsão) que iria ter pela frente. Tínhamos também a indicação que o Sol iria estar fortíssimo, principalmente quando nos encontrássemos já em plena Serra.
Aos 6 kms atingimos a cota de 1035 metros de altitude, quase sempre em corrida mais lenta ou andando onde as subidas eram de maior inclinação, a partir daqui foi sempre a descer até chegarmos à cota mínima de altitude em toda a prova (250 metros), nem sempre se podia correr nesta longa descida, a vista era deslumbrante e o trilho por onde seguíamos também era muito perigoso a merecer grande atenção. É assim que chegamos ao Rio com 17 kms percorridos e onde o calor já era muito incómodo, aproveitei para logo ali me refrescar e beber água, que por sinal até estava muito fresquinha, até ali tinha partilhado quase sempre da companhia da Otília e a partir dali quase sempre com o Fernando Andrade. Percorri 3 kms por dentro e pela orla do Rio num traçado muito técnico onde permanentemente subíamos e descíamos pedras e pedregulhos e por pequenos carreiros muito traiçoeiros que levou muita gente a cair ao Rio com consequências físicas para alguns deles (ver relatos no Fórum O Mundo da Corrida). Eu caí lá duas vezes mas sem qualquer consequência, a sorte estava comigo. Ali neste local começava já a pressão para atingirmos o primeiro controlo de tempo de passagem que estava aos 20 kms em 4 horas, creio que todos os que partiram conseguiram ultrapassar aquele 1º controlo.
Ainda no Rio aproveitei para tirar algumas fotos e conviver com alguns amigos que dicidiram ali mesmo tomar banho num local de passagem obrigatória com água a chegar ao umbigo, como sempre a Analice viu-se em apuros para passar aquilo, aqui foi o F.Andrade que lhe valeu.
No controlo dos 20 kms tinha 3,30h de prova, procurei a assistência dos Bombeiros, trazia os pés numa lástima pela travessia do Rio, bolhas nos dois pés e algum mal estar do traumatismo que tinha no pé direito devido ao "futebol", foi uma paragem de mais ou menos 20 minutos onde fui muito bem tratado pelo bombeiro que me assistiu. Sem o saber ainda a corrida praticamente acabava ali, começava o verdadeiro Trail, já tinha perdido a companhia da Otília ainda no Rio e o Fernando estava para trás, logo de seguida subimos até aos 750 metros com 26,5kms de prova, nesta altura o Fernando alcançou-me e fizemos uma pequena pausa para comer e beber alguns líquidos, como estava muito calor depressa arranquei, encosta abaixo até alcançar o 2º abastecimento líquido aos 30,5 kms, para fazer estes últimos 10 kms precisei de 2,40h e tinha já um acumulado de 6,10h de prova quando ainda restavam 9 kms par atingir o próximo controlo, este já a eleminar se chegasse para além das 9h. de prova.
No abastecimento dos 30 kms conto novamente com a companhia do Fernando Andrade que chega bastante desgastado , eu próprio também não estava melhor, ouve ali um amigo que nos deu um pouco de sal refinado que nos fez reactivar novamente os índeces de motivação para prosseguir, segui com o Fernando prontos para enfrentar mais uma montanha que estava logo ali à nossa frente que até doía a vista só de olhar lá para cima, dali conseguíamos ver alguns atletas que já iam lá no cimo, pareciam formigas, mas a nossa motivação ainda estava em alta, antes de começar a subir ainda descemos mais um pouco ao longo de mais um Rio de água quase cristalina onde o Fernando aproveitou para se refrescar mais um pouco, eu segui e comecei a subir aquela montanha sem saber como é que o iria conseguir, (em 1.800m. subimos dos 600m para os 1.100m. de altitude), o Sol estava escaldante, de frente para nós enquanto subíamos, não havia trilhos, o percurso era balizado por pequenas fitas que nos íam guiando, por vezes era um pé à frente e outro atrás, as forças já eram poucas, os pés escaldavam e doíam, é nesta fase que recebo uma chamada providêncial da minha filha Susana, eu quase que não podia falar tal era o cansaço, mas foi um grande estímulo pois estava quase a chegar ao cumee deu para descansar um pouco, entretanto olho para trás e vejo o Fernando a aproximar-se de mim, sinal que a moral está de novo em cima, atrás dele perde-se um vale imenso quase a perder de vista, pouco depois chego à estrada que nos levará até ás Eólicas, ponto mais alto da Serra. Antes de lá chegar ainda conseguimos correr cerca de 1km (já estávamos com saudades) mas foi penoso ter de fazê-lo pois o limite de tempo para chegar a mais um controlo de eleminação estava aos 40kms e só "tínhamos" 45 minutos para fazer os restantes 2,5kms. Mas a surpresa estava para vir, quando pensávamos que a meta estava ali num percurso acessível eis-nos atirados para o triho dos Íncas, que não era mais do que descer novamente a mesma Serra que tínhamos subido e depois circular a Serra por um caminho espectacular mas cheio de obstáculos, mato rasteiro que nos deixou as pernas arrasadas, caminhar em cima de lages, em alguns locais à beira de precepícios até que surge a povoação e o consequente controlo e abastecimento. Aqueles 2,5kms foram percorridos em 1,15h, chegámos com o controlo encerrado à cerca de 30 minutos. Acabava ali o sonho de atingir o objectivo que sonhava. Antes de lá chegar já tinha dicidido com o Fernando que não iríamos prosseguir, aquilo não está acessivel a qualquer um, a limitação de tempos de passagem em cada etapa elimina à partida qualquer veleidade de voltar a tentar, a menos que os prazos sejam alargados. Para mim acabou-se.
A recuperação foi boa e não ficaram mazelas, sinal de que era possível ultrapassar aquilo se a pressão não fosse tão grande.
Parabéns a todos os que conseguirem concluir esta duríssima prova e áqueles que tudo fizeram para o conseguir e por qualquer motivo não o conseguiram.
Uma palavra também de grande contentamento por a Organização ter ponderado e aceite que todos os atletas que chegaram à meta fossem classificados. Foi um passo muito importante para para o futuro da prova, de louvar a atitude.
Agora vou fazer o Almonda, de 30 kms, ali em Torres Novas daqui a 15 dias para levantar um pouco a moral, pois não podemos esquecer que Melides está aí daqui a 1 Mês.

Serra da Freita, O Valor Das Coisas


"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram mas na intensidade com que acontecem". (Fernando Pessoa)

Foi esta a palavra de ordem escolhida pela Organização para apresentação da prova, foi este o espírito que me levou à Serra da Freita no dia 27 de Junho para disputar uma competição de sonho , viver uma aventura sem pressões e com a intensidade possível pelo empenho de cada um.
Esta extraordinária aventura tornou-se dramática para a maioria dos participantes, cerca de dois terços não concuíram a prova, (eu incuído) e dos que terminaram cerca de um terço chegou fora do controlo, não tendo por isso sido classificados.
É verdade que todos nós conhecíamos o Regulamento, distância total, postos de controlo e tempos de passagem entre cada um deles. Isso todos nós sabíamos e foi naturalmente fácil escrever isso tudo no papel, agora aquilo que a gente não sabia era a dimensão pavorosa do percurso que em nada daquilo podia encaixar nas metas obrigatórias traçadas pela organização técnica da Prova.
No breifing da véspera todos foram aconselhados a serem moderados e gerirem bem o seu esforço porque se assim não fosse aos 40 kms a tendência era para a desistência por quem lá passase ou chegasse. Atitude louvável em termos de aconselhamento e o orador e responsável técnico (José Moutinho) nem sequer escondeu a dureza da prova e ingenuamente todos, alegremente, acreditámos que era possível ultrapassar aquilo.
Transposto tudo isto para o terreno foi fácil de concluir (que a partir dos 20 kms de prova) ninguém conseguiria atingir os seus objectivos traçados, nem aqueles que a própria Organização tinha planificado como projeção, quer para os primeiros classificados quer para os restantes participantes.
A pressão dos tempos de passagem tirou beleza à prova, nem estou a balizar por mim, mas para muitos que eu sei que se prepararam muito bem para esta competição. Todos começaram com prudência porque era a 1ª vez que a prova tinha 70 kms e cerca de metade da prova tinha um traçado novo que era do desconhecimento da quase totalidade dos participantes, rapidamente nos apercebemos que o controlo de passagem era apertado a partir dos 20 Kms e foi a partir daqui que o prazer da corrida acabou e foi substituído pelo pesadêlo de não se conseguir chegar ao próximo controlo a tempo de não ver barrado a sua passagem. Esta dura realidade muito poucos estavam à espera, com o avolumar das dificuldes gastaram-se energias desnecessárias para se ir conseguindo passar em todos os crivos de controlo com consequências dramáticas para alguns na parte final da prova.
A Organização técnica da prova tem de admitir (o que é difícil) que ouve um erro grave de avaliação entre a planificação e a realidade no terreno, a dureza do percurso, (discutível),
justificava uma abertura maior de espaço entre cada controlo por forma a que todos tivessem oportunidade de participar e concluir.
A previsão da Organização para a chegada dos 1ºs eram as 7, 15h. e só próximo das 9 horas de competição é que chegaram os dois primeiros (Alcino e Carlos Sá) e mesmo assim feitos em "fanicos", os seguintes foram chegando com intervalos muito prolongados, mais de um terço tinha desistido ou chegado fora do controlo logo aos 40 kms, 5 horas para fazer 20kms foi manifestamente exigente para quem só nesta fase tinha que ultrapassa três montanhas a roçar em média os 1000 metros, a alguns deles faltou-lhes a coragem e a força para continuarem, aos outros foi impossível chegar ali e prosseguir pois tinham ultrapassado o limite de tempo permitido.
A saga das desistências prosseguiu mais à frente nos 50, nos 60 e 65 kms. Aqueles que iam conseguindo ultrapassar os filtros arrastavam-se galhardamente e com alguma heroicidade para conseguirem concluir, (mesmo que dramaticamente soubessem que iriam chegar para além do limite de tempo permitido pela organização). A crueza e a violência da desclassificação de todos os que chegaram para além das 15 horas é um atentado demasiado cruel à dignidade de cada um deles que sofreu a bom sofrer para vencer aquela dura batalha. A Organização Técnica da prova devia estar orgulhosa de tais feitos de gente tão abnegada.
E era tão simples resolver isto e só por teimosia é que se manteve esta mancha que considero de muito grave, bastava acrescentar ás 15h regulamentares o tempo gasto pelos 1ºs entre as previsões iniciais e aquele efectivamente gasto (1,45h) e ninguém era desclassificado e a prova mereceria nota positiva por todos os que lá estiveram.
Se querem um prova de Elite então digam-no e aparecerá sempre alguém que tenha por objectivo treinar para competições a valer fora do nosso país, no máximo 10 a 20 pessoas, manter este modêlo é matar a esperança de muitos atletas que tinham nesta prova a oportunidade de irem evoluíndo nesta variante da corrida e assim vêm frustradas de forma inglória as suas ilusões.
Que prazer tem uma organização que vê chegar e classificar menos de um terço dos seus participantes? Alguém fica contente com isto? e os patrocinadores?
A Ultra da Serra da Freita é das coisas mais bonitas e bem organizadas que eu já vi, o empenho e a dedicação do principal responsável (José Moutinho), sem esquecer os seus colaboradores e patrocinadores, foi inescedível e louvável, ele, o homem não merecia o desfecho que aquilo teve, honra seja feita ao Moutinho desportista, não fugiu e enfrentou a torbulência com dignidade na defesa dos seus pontos de vista, as consequências para o futuro da prova por certo serão muito ameaçadoras e provocará uma fractura difícil de sarar se entretanto não ouver a coragem de corrigir alguma coisa que ainda seja possível, e aqui o Moutinho tem a última palavra e acção.

Continua... a minha história

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A Freita é para vencer.


Esta cena que me foi enviada pelo Jorge Branco (a quem agradeço) a satirizar a minha célebre queda da cama abaixo teve o condão de me deixar com um ar alegre e a lembrar-me que aquele ar de Árabe tem a ver com a proximidade de mais uma edição do Raid Melides/Tróia, tendo também o requinte de nem o Livro Melíadas de Fernando Andrade se esquecer.
Não sei se evitei o golo ou não, o que não consegui evitar foi o trambulhão e tem sido o cabo dos trabalhos para conseguir recuperar isto a tempo de alinhar na partida daquela que considero para mim a corrida de sonho: A Serra da Freita. Eu vou estar na partida, não tenham dúvidas, estou confiante que vou aguentar a dor devido ao traumatismo que sofri. A Reixida agravou isto um pouco mas esta Semana as coisas melhoraram um pouco, treinos nem vê-los. É partir e ir vencendo os obstáculos conforme forem aparecendo, atingindo o último pique (Mizarelos) sei que a meta estará por ali perto.
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"Que Nunca Por Vencidos se Conheçam"

terça-feira, 22 de junho de 2010

Trilhos Loucos de Reixida, É este o Caminho


O convite surgiu do Vitor Ferreira, grande trailiano, organizador e colaborador exemplar deste tipo de provas e numa Semana dicidi participar nos Trilhos Loucos de Reichida, ali para os lados de Leiria.

Foi a prova ideal para quem tem na agenda a Ultra da Serra da Freita no próximo dia 27 de Junho e foram tantos aqueles que lá estiveram. Para os mais experientes e em especial aqueles que já conhecem a Freita estes Trilhos da Reixida são uma miniatura daquilo que vamos encontrar, mas mesmo assim não me conseguiram "atemorizar".
(Incrível, havia ali muito peixe)

O que me atemoriza, isso sim é a lesão no pé que ficou daquele conturbado "jogo" de futebol e que tarda em entrar nos eixos.

Na Reixida as dores eram ainda intensas e limitou-me bastante mas consegui concluir dentro dos planos que esperava, mas no final as dores eram dolorosas.

Depois de 5 dias parado esta prova veio na altura ideal e teve tudo o que desejamos numa competição deste tipo, traçado em pleno rio, escalada espectacular, descidas vertiginosas, subidas com grande grau de inclinação e prolongadas, trilhos, estradões, carreiros e também a falta deles, vistas espectaculares, grande apoio no terreno por elementos da
(O vencedor da Prova ao centro (TrotaMontes) organização, 4 abastecimentos de água, e um traçado geral muito bem deleneado e bem marcado (tão bem marcado que ainda assim ouve alguém que cometeu a proeza de se enganar), em que estavas a pensar Carlos?, enfim, não vou elogiar mais porque ainda corro o risco de estragar a prova, pois certamente que a Organização da Prova ainda não esgotou todas as potencialides que aquela região tem para continuar a apostar nesta maravilhosa competição, e que segundo já li a 2ª Edição já está dicidida, e eu certamente voltarei lá outra vez.
O José Moutinho faltou à chamada, certamente está a ultimar a sua Freita mas não se esqueceu de enviar um dos seus Corsários para vencer a Prova, na falta do seu nome (confesso que lhe perguntei o nome mas varreu-se), compenso-o publicando uma fóto sua que tirei antes do inìcio
(José Pereira, colega de Clube, 2º Clas. + de 60 anos.) da prova, pois o Serrazina vaticinou a sua vitória e não se enganou.

Eu e o amigo José Pereira representámos os Amigos do Vale de Silêncio tendo o Zé conseguido alcançar a 2ª posição no escalão mais de 60 anos.

Para os 15.900m fiz o tempo de 2,36,22h.

Segue-se a Serra da Freita já no próximo Domingo na distância de 70 kms, mentiria se dissesse que não estou apreensivo, mas retenho os conselhos que o Moutinho me deu em Lóbios logo após a minha desistência da Geira que me disse que ali é a mentalização, a auto disciplina e a boa gestão das suas capacidades físicas que vencerão aquela batalha.
Já sei que vou contar com mais um adversário, o pé, mas vou ter de ignorá-lo se quiser terminar.
No início ainda havia esta preocupação
Mais fotos aqui

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Digno de Frankenstein.


VIAGEM PELAS TREVAS, SERÁ POSSÍVEL?
COMO É QUE SE PODE EXPLICAR UM ACTO DE "VIOLÊNCIA" DOMÉSTICA E APARECER COM UM TRAUMATISMO NUM PÉ SEM SABER COMO?
(Vou tentar explicar)
Pois é, eu também não acreditava bastou a ocorrência de 2 episódios em dois cenários idênticos para concluir que o subconsciente funciona sem nós o podermos controlar.
Vem isto a propósito de uma cena que me atirou para o "estaleiro" sem eu saber como e sem me poder defender.
Mas vamos à questão da "violência" doméstica: Há coisa de 1 mês andava a treinar sozinho, como acontece na maioria dos casos, sou assaltado por dois bandidos que me cercam à frente e atrás não me deixando qualquer saída, eu fiquei sem reagir e tentava perceber o que estava a acontecer, de repente olho e vejo um muro à minha direita e salto lá para cima e tento escapar, logo um dos bandidos também salta e não tenho outro remédio senão lutar com ele ali mesmo em cima do muro, e eis que quando já o dominava e tentava empurrá-lo para baixo ouço a minha mulher gritar a meu lado que estava quase a cair da cama abaixo porque eu estava a empurrá-la com os joelhos e com as mãos, pouco faltou para o trambulhão. Depois de serenados os "ânimos" expliquei-lhe que estava a sonhar e contei-lhe os pormenores, ainda nos rimos apesar do embaraço.
Não ligaria a este episódio se isto ficasse por aqui e começa a ser preocupante para mim a repetição desta cena mas com outro condimento.
Na 3ªfeira dia 15 estava a jogar à bola na posição de Médio e a minha função era marcar o adversário que actuava naquela zona e pelo seu lado esquerdo, numa das jogadas do adversário sigo o jogador que tinha que marcar e consigo acompanhá-lo numa primeira fase mas ele insistiu ainda mais rápido e eu tive de redobrar o esforço para o acompanhar e eis que de repente dou comigo estelado no chão, tinha caído da cama abaixo, aquele esforço adicional fez-me rebolar na cama para a minha esquerda até que caí de chapão de naris para baixo. Isto tem tanto de ridículo como de estúpido e não fora ter ficado com um forte traumatismo nó pé direito e pensava que tinha sido apenas um sonho, acabou por o ser e deixou consequências.
Apesar do incómodo ainda tive vontade de rir com a situação criada, chamei a minha mulher e contei-lhe, lamentou-se de não estar ali para me segurar.
Nestes dias mais próximos já procuro mais o sofá, por ser mais baixo e ter um tapete que amortece melhor as quedas.
O resultado que fica é um pé inchado, inflamado e negro que tem sido tratado com gêlo e Voltaren e as rótulas dos joelhos a ficarem em mau estado.
Apesar da queda (o para-quedas ali também não fazia nada) espero não perder os Trilhos Loucos da Reixida no próximo dia 20 e a Ultra Trail Serra da Freita no dia 27 deste mês.
Isto há cada uma, o que virá a seguir?

terça-feira, 15 de junho de 2010

Um amigo Campeão, Grande Tiago


Um justo prémio para um jóvem de apenas 18 anos que tanto tem trabalhado na sua valorização profissional e não tem descurado a sua actividade física e desportiva.
O seu empenho na sua disciplinana de eleição Orientação em BTT e os excelentes resultados a nível Nacional não podiam ser ignorados pela respectiva Federação do Sector e eis que o seu sonho se realiza, uma chamada à Selecção para representar Portugal. Este facto deixa orgulhosos todos quantos com ele treinam diariamente e verificam o seu esforço para atingir um objectivo muito para além da sua própria ambição. Ao Tiago e ao seu pai (seu e também nosso treinador) os meus parabéns por este merecido prémio e que sirva para que a motivação seja cada dia mais forte e novos sonhos se possam concretizar.

Eis uma passagem que o Tiago escreveu no seu Blogue:
Abri o mail e li a frase com que qualquer jovem sonha em qualquer que seja a modalidade que pratique.
"Vimos por este meio proceder à divulgação da lista de atleta convocados para representar Portugal nos Campeonatos do Mundo de Seniores e de Juniores de Orientação em BTT, a decorrer em Montalegre, de 9 a 18 de Julho próximo." e em anexo o oficio!

Todos nós sonhamos um dia representar o nosso país independente da competição, e claro eu não fujo à excepção.
Desde pequeno que sempre ouvi as muitas histórias do meu Pai ou da minha Madrinha. Pois ambos já tiveram esta oportunidade.
E agora é a minha vez de lhes poder contar eu uma pequena história que será a minha participação nos campeonatos do mundo.
Se antes já treinava com empenho e dedicação agora treino a dobrar :)
Agradeço o apoio que muitos me deram e claro ao treinador :)
Veja o resto no seu blogue

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ota, Corrida do Mirante e a minha infância



Esta deslocação a Ota para participar na Corrida do Mirante foi muito mais sentimental do que o simples prazer de participar nesta competição, foi uma prova de Montamha e até podia apenas estar a pensar na Serra da Freita, mas nao, era a Freita e muito mais, este muito mais é um estigma sentimental pelo facto de eu ser natural daquela Região, nascido e criado até aos 6 anos de idade. Retenho desse tempo aquilo que não desejo a ninguém, necessidades e mais necessidades e onde a solidariedade humana ainda fazia algum sentido quando se tratava de auxiliar o próximo. Descalços e famintos era assim o dia a dia da maioria dos rapazes e raparigas daquele tempo sem que os pais pudessem fazer alguma coisa para pôr fim a tanta miséria, a Guerra tinha terminado à poucos anos mas ali nunca chegaram os benefícios por ela ter acabado, a sopa era feita de cardos quando não havia mais nada disponível e a carne ou peixe raramente chegavam à mesa, a Escola ficava a 5kms e não havia qualquer transporte. Lembro-me de ver na tenra idade ali perto da porta da minha pequena casa as buldosers do Exército em manobras mais parecendo um teatro de Guerra, de aviões militares a caírem (pelo menos2) já que ali fica o enfiamento da Base da Ota. Do meu Batizado ali na Ota com apenas 3 anos numa Quinta enorme ( na minha condição de minorca assim parecia), propriedade de uma Família muito rica com ligações a Dom Vasco e raízes à Monarquia, que periodicamente arrebanhava os miúdos das redondezas faziam uma festa no seu Salão principal e onde éramos batizados, seguindo-se depois um beberete onde era servido um Caldo Verde e sumos.
Foi esta vivência que revivi ali em Ota no passado Domingo, Ota não se transformou muito ao longo destes anos, a Base Aérea ali instalada ajudou a dar-lhe alguma projecção mas os traços essenciais estão lá todos, voltei agora e tive a felicidade de ver coisas que desconhecia, principalmente todo o cenário da Serra de Ota que serviu de base a esta magnífica prova e que dá pelo nome de Corrida do Mirante.
É uma Terra pequena mas que tem lá, ou teve, alguém com responsabilidades de gerir aquele espaço tendo sabido criar um lugar onde as pessoas podem usufruir de boas condições de lazer numa zona protegida onde a Natureza, por aquilo que tive oportunidade de ver, oferece excelentes condições para quem pretenda por ali passar alguns momentos de puro prazer.
Vou voltar lá, com mais tempo para correr e para visitar aqueles campos.
Dos meus amigos de então não conheço nenhum mas sei que eles andam por ali, familiares ainda restam alguns mas as dificuldades da vida obrigou-nos à separação, ainda nos vamos encontrando, infelizmente só quando algum de nós vai ficando pelo caminho!!!
Durante a Corrida a Ana Pereira e o Rui bem me diziam para seguir mas era ali que eu queria ir, devagar e acompanhado de 2 bons amigos, ao mesmo tempo que revivia tempos por ali passados, de vez em quando adiantava-me um pouco, por descuido diga-se, embrenhado nesses pensamentos que vinham e por lá ficaram.
Terminámos a prova com apenas 3 participantes mais atrás, qualquer de nós pouco se importou com isso, foi assim desde o início mas tivemos sempre o mesmo apoio e carinho que foi dado aos primeiros onde a Organização tinha assistência aos atletas, locais lindíssimos em ambiente de Selva com carreiros completamente cobertos de arvoredo e mato como eu tanto gosto.
Pouca importância tem mas aqui fica o registo da prova: 11,190kms para 1,37,34h.
Prossegue o caminho até à Freita, hoje foram 32 kms em 4h pelo Monte Serves, Cabêço da Rosa, e Serra de Covanas, a vida está difícil.
Fotos de: A.M.M.A. e de: Luís Santos

sábado, 5 de junho de 2010

Caminhos do Tejo (Um punhado de heróis)

Esta madrugada (entre as 0horas e as 02horas) desloquei-me à Granja, perto de Vialonga para ver e apoiar a passagem dos participantes na corrida Caminhos do Tejo na distância de 145 kms.

E fui lá pelo respeito que todos me merecem por se atreverem a tal ousadia, tinham saído do Parque das Nações à Meia Noite e passaram ali por mim (o primeiro) cerca de uma hora depois e já com 12 kms de prova.

Apesar da pouca participação (15) que ali passaram notei que iria ser extremamente complicado para a Organização da corrida (O Mundo da Corrida) dada a grande dispersão que já havia entre atletas, dispersão essa que se iria agravar considerando a longa distância a percorrer.

De entre alguns amigos que lá iam destaco a Analice Silva e o Luís miguel, conhecidos ultramaratonistas, que tal como os outros se aventuraram em mais uma Edição desta prova que tem tudo para se tornar numa clássica das corridas em Portugal.

Na altura em que escrevo este têxto provavelmente muitos deles ainda não chegaram ao seu destino (Fátima) utilizando os chamados Caminhos de Fátima percorrido em asfalto e terra batida, desconhecendo também como é que as coisas se desenrolaram até ao momento, pelo que assisti durante a sua passagem onde eu estava todos iam animados excepto um atleta, que desconheço o nome e que seguia na cauda com o Tigre que se queixava de um joelho e estava apreensivo pois à apenas uma Semana tinha feito também uma prova de 89kms!!!

Tirei alguma fotos mas aquilo saíu uma desgraça, por ser de noite o flach demora mais tempo a disparar e alguns atletas passaram sem que eu os registasse, salvaram-se mesmo assim alguns.
Mais fótos.
http://picasaweb.google.pt/quimabelha/CaminhosDoTejo562010#

segunda-feira, 31 de maio de 2010

13 Kms do Guincho, Prova de Montanha.


Os 13 kms do Guincho ficou assinalada como a 2ª prova do Circuito de Montanha que fiz, a 1ª foi na Edição anterior nos trilhos de Monsanto em Lisboa, como se vê sempre bem perto da porta.
Não se poderá dizer que uma prova de montanha tenha que ser necessáriamente sempre a subir, esta pelo menos não o foi, excepção feita entre o km 9 e 10 onde encontrámos um verdadeiro muro e que imagino, nem os primeiros classificados o conseguiram ultrapassar a correr. Esta prova bem podia estar no circuito das provas consideradas de Trail dada a diversidade de caminhos, ou a falta deles, que tivemos de enfrentar. Em contra ponto diria que a Serra de Sicó, essa sim, bem poderia ser apelidada de prova de média montanha dado o constante sobe e desce por veredas, estradões e alguns trilhos em nada fica atrás em termos de dificuldade e beleza das paisagens.
Os 13 kms do Guincho, tal como as que se seguem, são encaradas por mim como preparação e adaptação à grande Serra da Freita que vem aí dia 27 de Junho próximo e por isso aproveitei para meter um pouco mais de ritmo onde o percurso o permitiria.
Foi assim que aconteceu logo desde a partida, pois até à Praia do Guincho o percurso era quase tudo a descer e em alguns casos um pouco técnico, no areal, onde chegamos por volta dos 5kms a progressão foi penosa e aí andei um pouco porque a correr o ritmo era praticamente o mesmo, mal chegámos à arriba já foi possível correr outra vez, embora em terreno muito irregular e em permanente zigue-zague. Foi aqui que duas vezes torci o pé, 1º o esquerdo sem qualquer consequência, logo pouco depois foi a vez do pé direito, aqui ia-me espalhando e a custo consegui evitar ir ao chão, apesar da dor que ficou no tornozelo, que não era muito intensa, consegui prosseguir a correr numa zona ainda acessível ainda que ligeiramente a subir e já virada à montanha. Quando lá chegámos +- ao km9 estava um abastecimento muito oportuno que nos ajudou a recuperar algumas forças e aproveitei para tomar um gel e prossegui, mas era impossível correr ali, caminhei sempre com as mãos em cima dos joelhos tentando desta forma auxiliar os membros inferiores até chegar ao alto daquela encosta, o que foi conseguido com grandes dificuldades, ainda pensei que iríamos subir até ao alto da Serra mas não, ficámo-nos pelo meio e fiquei com pena de não ir até lá ao cimo. A partir dos 10 kms começou a descida por entre a mata num cenário muito bonito e verdejante onde não faltou sequer a existência de um Ribeiro com água pura e que aproveitei para me refrescar, desci numa passada muito larga mas a dor no pé incomodava e tinha de ter cuidado pois o caminho existente era em terra batida e com muitos buracos e pedra solta. O último km já foi feito na aldeia em piso de pedra e quase sempre a descer tenho terminado com o ritmo abaixo dos 4m.
Desta vez, ao contrário da Semana anterior, consegui correr e o Mário Lima conseguiu andar, ou caminhar que vai dar ao mesmo, activando esta dupla aquilo que tinha sido interrompido na Geira e esperamos não ter de repetir durante muito tempo.
Encontrei ali muitos amigos da estrada e da montanha, alguns destes a levarem muito a sério a preparação e a adaptação à Ultra Trail da Serra da Freita e aproveitaram esta "pequena" etapa para um pequeno treino.
Para os "13 kms do Guincho" (12,120Kms no meu Garmin) fiz o tempo de 1,23,34h. tendo sido o 7º + de 60 anos.
Segue-se no mesmo sentido e no próximo Domingo estarei na Ota perto de Alenquer, (Terra do grande amigo Imigrante José Xavier), na Corrida do Mirante, curiosamente a escassos 5 kms também da aldeia que me viu nascer.
Fotos cedidas pelo amigo Fábio

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Geira Romana, a corrida que não pude fazer

A corrida ideal que eu tinha programado para mim este Ano acabou por se tornar num pesadêlo e tornou-se também na corrida mais curta que efectuei ao longo de 22 anos de corridas quando por ironia pretendia fazer a mais longa, 52kms.
Foi uma grande desilusão, tudo começou no Sábado quando um simples vaso sanguíneo rompeu em resultado de uma forte constipação que já durava há dois dias. Segui viagem na mesma mas a meio da tarde o nariz voltou a sangrar, já estava em Guimarâes, aí comecei a recear o pior.
No dia da Grande Corrida pelas 05,30h o nariz voltou a sangrar e só parou quando já ia no Autocarro que nos levou até Lóbios, Espanha. A partida foi dada depois de todas as formalidades habituais neste tipo de provas, só que a minha preocupação não era a corrida e a sua distância mas sim o nariz e até que ponto ele ia resistir, e o pior aconteceu logo ali a 200m da partida, o nariz cedeu novamente e vi logo que era o fim, prosseguir seria suicídio e foi com grande frustração que os vi prosseguir, o Mário Lima ainda se apercebeu da situação e logo lhe disse para ir embora porque eu ficava ali. Aceitei com resignação esta grande desilusão, afinal tinha cumprido todas as etapes para estar ali: Inscrição, treino, logística, picagem do ponto antes da parida, partilhado aquele "Avé Cézar" da praxe e finalmente a partida para ao fim de 200 metros desistir e desejar boa sorte aos que prosseguiram.
Regressei a Caldelas, local de chegada da Corrida, ainda a tempo de ver a partida da Susana em Autocarro para o seu local de partida a 15 kms de distância.
Passei pela Residêncial para me desequipar e ir esperar a Susana na chegada da sua prova e também dos heróis que vinham de Lóbios a 52 kms de distância, pois estavam lá o Daniel, meu genro, o Mário Lima, O António Almeida e ainda o Vitor Veloso, (aqueles mais chegados) por que havia lá muitos e muitos amigos.
Dirigi-me para um local a cerca de 1 km de distância e para isso tive de subir por entre um casario situado numa enorme encosta e esperei por eles num pinhal em pleno trilho da Geira preparado com a máquina fotográfica para registar o regresso de todos aqueles corajosos corredores a "casa". Foi a forma que escolhi para não passar por ali em vão e me recupensar pela situação.
A ansiedade era muito grande, e estava preocupado com o Daniel bem como com todos os amigos, estava muito calor e vento nem se sentia, mas só me restava aguardar.
50 minutos depois da partida começam a passar por mim os primeiros corredores da corrida dos 15 kms onde estava a Susana e parto ao seu encontro, ao mesmo tempo vou fotografando a passagem de todos os atletas. Levava uma garrafa com água para lhe dar pois pensei que já viesse um pouco aflita já que não levou qualquer abastecimento consigo e estava dependente dos apoios da organização e eles eram só 2. Fiquei muito feliz quando a vi aproximar-se, vinha em 2º lugar, e seguia logo atrás do Orlando Duarte que também vinha muito bem e tal como imaginara a água foi-lhe muito útil ali, prosseguiu e eu ali fiquei à espera dos heróis da Geira Romana.
Depois de 4h e mais 3 m desde que saíram de Lóbios passaram ali por mim os 2 primeiros atletas, aparentemente ainda bem, o 3º passaria um pouco depois com sinais visíveis de ter sofrido uma queda. Foi preciso esperar mais 45 minutos para ver passar o 4º classificado já muito desgastado, tal como todos os outros que vieram a seguir. Conforme iam passando fui fazendo a fóto, como lamento não me ter apercebido da passagem do Jorge Serrazina para ficar registado.
Mal sabia eu que iria assistir a situações quase dramáticas, e não fosse a Susana ir ao meu encontro e ajudar-me e muitos amigos teriam passado muito pior. De todos o que requereu mais atenção foi o Fernando Manuel, dorsal nº34, quando o vi já vinha a cambalear, mal tivemos tempo de o amparar, como tínhamos água depressa o refrescámos e ali ficou um pouco sentado ao pé de nós, tendo seguido a passo logo que vimos que já o podia fazer, no final disse-nos que os últimos metros já os fez a correr e que estava bem.
Eu ia-me estendendo até aos 2kms e ia incentivando todos e dando água enquanto tinha, depois fui vendo chegar a malta amiga, 1º o Vitor Veloso, depois o Daniel, meu Genro, que sentimento de alegria tive quando o vi aparecer numa curva após ter subido um pouco antes mais um "muro". O Mário Lima já me tinha telefonado a dizer que também tinha desistido devido a uma queda e em consequência ter sofrido uma rotura muscular, mas já estava em Caldelas.
Ainda fiquei por ali mais um tempo, vejo passar o Brito, o Tiago, o Magro, o Vitorino Coragem, até que chega o António Almeida vinha muito desgastado tal como todos os outros mas com total lucidez, fiquei muito contente de o ver assim, acompanhei-o até ao alto da última subida e ele seguiu correndo até à meta, faltava escassos 2 kms.
Vim depois andando até ao local de chegada, onde me aguardavam a Susana e o Daniel, eram 5 horas da tarde, fomos então almoçar, desde então o nariz já atacou mais 4 vezes, estava a ver se evitava uma ida ao médico mas estou a ver que será inevitável.
Tenho de voltar à Geira, aquele desafio é para vencer.



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