
Em dia de Ramos que melhor presente do que participar numa prova destas tendo como ingrediente principal a própria natureza? Foi preciso esperar 1 Ano para satisfazer a curiosidade com que fiquei depois de o meu amigo José Pereira (Cofundador do Clube de Veteranos Serra De Aire e organizador da prova) ter participado na 1ª Edição em 2009. Este Ano lá estava ele novamente, para ajudar os amigos naorganização da prova, mas mal ele sabia que tinha à sua espera um equipamento do Clube e facilmente o convenceram a participar na prova, foi 3º classificado no escalão +60 anos e com amarca de 3,11h. Agradeço-lhe aqui a atenção que me dispensou e o apoio dado com os conselhos indispensáveis antes do início da competição.
O dia começou algo atribulado pois só por volta da meia-noite é que me lembrei que tinha de adiantar a hora no relógio e escusado será dizer que quase não fechei olho, ás 4 horas já o despertador me estava a dizer para me levantar, tão cedo? É verdade, tinha prometido a minha mulher no dia anterior trazer-lhe um ramo de oliveira para ela fazer um raminho a condizer com o dia que se comemorava e então antes de partir para S.Mamede fui à procura da Oliveira adequada, que por acaso aqui não existe falta, como não sabia que tamanho era feito o ramo quase que deixava a oliveira depenada, bem estranhei o espanto da minha mulher mas como já estava com pressa nem ou

vi os seus comentários e saí rumo aos Trilhos do Pastor.
Grutas de Moeda
Cheguei ás 6,30h. ainda noite cerrada e não via quem quer que fosse por ali, ainda dei uma volta pelo Centro da Aldeia antes de estacionar e nada, pensei que a prova podia ser noutro local com o mesmo nome mas fiquei esperançado porque em frente ao edifício da Junta de Freguesia as grades já colocadas e a propaganda expressa indiciavam que ali iria ocorrer algum evento desportivo.
Fiquei mais descansado quando vi estacionar ao meu lado o amigo Carlos Coelho, era o 3º a chegar e a partir dali começou então a romaria habitual, conhecidos e desconhecidos, eram aos magotes a chegar até se criar o ambiente natural próprio destas coisas das corridas e a saudável convivência entre todos.
Apesar de o Secretariado ter dado início ás operações já depois das 7,30h. à hora de partida estava tudo em ordem e foi assim que ás 9h. iniciámos uma prova que passa ser para mim uma das melhores em que já participei, em tudo: pontualidade na partida, excelente critério nos locais a visitar, globalidade do percurso deixando margem suficiente para recuperação perante locais mais difíceis de ultrapassar, excelente marcação em toda a prova, abastecimentos muito bem situados (3 até aos 20kms e mais 3 para os 8kms finais, que coincidiu numa altura em que a temperatura subiu bastante), segurança em todos os cruzamentos sempre que tínhamos de atravessar estradas com algum movimento automóvel, e muita simpatia por parte de todos da organização.

Calçada típica em Pia de Urso
A minha prova era desde o início uma incógnica pois nunca sabemos aquilo que nos espera quando a fazemos pela 1ª vez, e depois de ter feito os Trilhos de Almourol nada melhor do que a prudência desde o início.
Entrámos quase de imediato na mata e cedo verifiquei que o terreno plano dos primeiros kms iriam ajudar muito a reduzir o tempo final, embora soubesse que as grandes dificuldades estariam reservadas lá mais para a frente, a 1ª hora foi completada com 1, 06h e sentia-me muito bem, antes passámos por sítios lindíssimos e destaco aqui as grutas de Moedas aos 2,200 kms da partida e por trilhos em muito estado até que chegámos ao ponto mais alto do percurso, 499 metros (na zona de partida a altitude era de 383 metros) onde estava o 1º abastecimento, dali a vista era magnífica, edratei-me e aproveitei para abastecer os pequenos bidons que transporto até que chegasse ao próximo abastecimento, raramente corri acompanhado, aqui e ali tive a companhia de alguns amigos de ocasião e também durante largos periodos andei ao lado do Nuno Cabeça até que o vi partir e nunca mais o alcancei. Foi agradável ter tido por companhia uma amiga, que não conhecia, e que depois de trocarmos algumas palavras conhecemos um pouco um do outro, teve a simpática expressão de eu já ter idade para ser seu pai, tem 32 anos, a idade dos meus filhos e que há 3 anos atrás andava encharcada em tabaco e agora vende saúde e já com provas realizadas de grande respeito, tal como a Geira Roman

a, como fiquei satisfeito por conhecer tamanha história, até que ...
Reguengo do Fetal,se não fossem as cordas...
Quando descia uma ravina que só de olhar lá para baixo metia respeito e a única maneira de descer aquilo era serpenteando, o evitável aconteceu, uma queda, andei a treinar em Sicó e em Almourol e de pouco serviu, pouco antes tinha visto um amigo a cair no mesmo local e quando lá cheguei já ia avisado mas aquilo não deixou epótese, caí para trás e fui escorregando uns 2 metros até chegar ao estradão onde estavam os bombeiros de prevenção, como me viram levantar e seguir nem foi necessário a sua intervenção, 1 km mais à frente (20kms e 2,18,h. de prova) estava o 3º abastecimento e o único onde existia muitos ingredientes comestíveis, em Reguengo do Fetal. Aproveitei porque logo de seguida ia encontrar e tinha de o ultrapassar o ponto mais crítico de todo o percurso, uma subida a pique durante quase 2 kms onde uma parte foi feita quase de gatas. É nesta íngreme subida que encontramos o Buraco Roto, que coisa estranha este buraco feito em plena rocha com uma extensão de cerca de 20 metros, dali avista-se cá em baixo Reguengo do Fetal, uma imagem de grande respeito dada a amplitude vertical daquilo que tinha acabado de subir. Um pouco mais à frente outra maravilha tinha de ultrapassar, a descida de uma ravina de grande amplitude onde não faltaram as cordas e uma ponte em madeira que nos auxiliou até conseguirmos chegar lá abaixo, felizmente tudo se ultrapassou com tranquilidade, embora, soube depois, alguns participantes por sofrerem de fobia ás alturas tiveram algumas dificuldades em tranpôr aqueles obstáculos.
Dali até à meta ainda encontrámos algumas dificuldades de menor dimensão e a opção de a organização reforçar o abastecimento aos atletas a cada 2 kms foi extraordinária, o calor apertava e o desgaste já era muito, quando descia aquela ravina perto dos 22,500kms havia ali alguém que me dizia que o 1º já ali tinha passado há 50m, ri-me naturalmente, pois sabia que a diferença seria bem maior. Nesta altura o meu receio era que os 28 kms anunciados não se esticassem mais do que isso, os pés já custavam a suportar as batidas no chão e estranhamente as dores nas pernas estavam ausentes desta vez, penso que o enchugo que levei em Almourol ajudou a que fizesse esta prova mais confortavelmente.
Quando cheguei à povoação de S.Mamede, local da meta, fiquei admirado, apareceu-me de repente do nada, foram muitos kms dentro da mata e sair dela com a meta praticamente com a meta à vista é muito compensador.
Cheguei com 3,33,46h, tendo efectuado os últimos 8kms em 1,15h. Ufff.
O banho que se seguiu foi muito agradável, algo distante (500m) para aquecer, com água temperada a frio como convém, eu gostei.
O almoço, havia os pessimistas do ano passado e com alguma razão, diga-se, foi excelente e só não foi melhor porque o arroz já estava um pouco empapado, mas aí a culpa é minha, o 1º a chegar à meta fêlo perto das duas horas de prova e por isso começou a comer 1,30h antes de mim, não há arroz que resista tanto tempo à espera de ser comido. hehehe. Valeu ali para animar o Fernando Andrade, o Carlos Coelho, o António Almeida e família e muitos outros amigos que apesar das diferenças à chegada conseguimos juntar-nos para o devido repasto.
Agora segue-se Constância e já com uma perna na Arrábida.