
16 anos depois voltei à Maratona, com algum nervosismo mas com bastante serenidade aguardei o sinal de partida, um pouco antes desse momento foi tempo de saudar os amigos que por ali iam aparecendo aos poucos, este ambiente também serviu para desanuviar um pouco a pressão sobre aquilo que nos esperava. Substituí o aquecimento habitual por um cafézinho bem quente que a organização sempre coloca à disposição dos atletas junto ao local de partida.
Coloquei a fasquia possível nas 4,15h. pelo que consegui treinar na preparação da Maratona, mas para isso tinha de conseguir rolar a 6 minutos o km, mas após a partida verifiquei que me encontrava muito bem e consegui manter um ritmo perto dos 5m o km, para isso contribuiu a companhia de um pequeno grupo onde se encontrava o amigo Jorge do BES onde m

e integrei até ser possível acompanhá-los, a partir dali corri quase sempre isolado, aliás como gosto de correr, não me surprendeu por isso passar aos 10kms com 53m e aos 20 com 1,49h. Um pouco antes ainda tive a companhia do Nuno Cabeças que vindo de trás ali ficou um pouco comigo incentivando-me e dando força para continuar, obrigado Nuno, sabe sempre bem uma palavra amiga em momentos cruciais. A meia-maratona foi atingida com 1.56,09h. bem abaixo do planeado (2,06H), tendo eu nesta altura começado a fazer contas, (era aquilo que eu não queria), mas devo confessar que comecei a sentir-me confor

tável com aqueles 10 minutos de avanço e a sonhar que era possível baixar a barreira das 4 horas. Foi com este propósito que prossegui tendo atingido os 30 kms com 2,47,24h, (Nem sonhava que nesta altura já o Luís Mota tinha terminado com 2,42h.), aqui percebi que se quizesse chegar à meta abaixo das 4h tinha de sofrer um pouco pois tinha apenas 1minuto de folga para conseguir agora esse novo objectivo. Os 40 kms são atingidos com 3,46,30h, já bem justo para as 4h finais e foi aqui que tive de ir buscar forças que pensava já não ter, tendo cortado a linha de chegada com 3,59,40h (4,00,06h Oficial) pese embora aquela subida final que foi feita de dentes cerrados à procura desta ambição pessoal construída a partir de metade da prova.
Para isto muito contribuiu a ajuda em todo o percurso da prova, ouvia o meu nome em muitas bocas a apoiar o esforço, quer de colegas da corrida quer de muita gente que estava à beira da estrada, para isso contribuiu os dorsais personalizados que têm impressos em locais bem visíveis o nosso nome, de realçar também o extraordinário apoio logístico que nos foi dado ao longo do percurso em líquidos e comestíveis em locais muito precisos permitindo assim a cada um gerir o seu esforço de modo a que pudesse chegar ao próximo abastecimento a tempo de repôr as energias para prosseguir.
A partir dos 15 kms fui repondo a cada légua as energias que ia perdendo, assim a cada abastecimento de água correspondia a ingestão de um GEL, fundamental para a regularidade que consegui em toda a corrida.
Foi em 1993 que corri a última Maratona, em Lisboa, foi muito penosa e concluí em 3,49h mas ficou a declaração que as maratonas tinham acabado e fui conseguindo manter esta intenção até à primeira metade deste Ano. A rotina também satura e dicidi quebrar a barreira que me impedia de participar em novos de

safios que na minha qualidade de Veterano Avançado já via cada vez mais inviabilixado. Em boa hora o fiz, com responsabilidade e respeito pela minha idade assumi como objectivo voltar ás maratonas, a Ultra-Maratona de Melides/Tróia de 43kms e o Trail de Óbidos de 39kms estavam no caminho e serviram para me preparar psicologicamente para a Maratona do Porto e para a Maratona de Lisboa que se realiza em 6 de Dezembro de 2009.
E é assim que vou continuar, os amigos, os meus filhos (Hugo e Susana) e o meu genro Daniel têm me dado a força suficiente para continuar e enfrentar estes desafios, todos sabem que o faço com a consciência dos riscos que possa correr, mas até ao momento tenho sabido dar bem conta do recado e tento minimizar ao máximo qualquer efeito negativo para a minha saúde pelo facto de adorar correr e enfrentar desafios que sei estarem ao meu alcance. (É uma forma de estar na vida).
Saliento aqui também o envolvimento que fui alvo por parte de alguns amigos nesta jornada do fim de Semana, nunca estive sozinho (desta vez o grupo familiar ficou em "casa") mas os amigos Fernando Andrade, António Almeida, Luís Mota e familiares estiveram sempre presente, como lhes agradeço.
Segue-se a Meia Maratona da Nazaré já no próximo fim de Semana, assim o permita a normalização de algumas mazelas que ficaram do Porto, mas estarei lá porque para além da corrida prevê-se mais um encontro de grandes amigos ali sentados a uma mesa na presença de uma boa caldeirada. (A caminho da Maratona de Lisboa)