terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Cross da Laminha,13/1/2013

O Cross da Laminha desta vez fez jus ao seu nome, tenho apanhado algumas tareias em trilhos com pisos muito enlameados mas não tanto como este, é o 3º ano que lá vou e finalmente encontrei aquilo que procurava. Já calculava que iria ser assim, a semana tinha sido chuvosa e no próprio dia choveu bastante, à chegada falo com o Vitor Ferreira, o organizador da prova, e confirma que o percurso está muito instável e escorregadio, a chuva entretanto parara mas já tinha feito o seu papel, pertencia agora a nós desmpenharmos o nosso. Levei uns ténis de trail pesados, achei que para aquele terreno seriam os melhores e não me enganei conforme fui verificando ao longo da prova. Fui acompanhado de mais 7 trailistas do meu Clube, Amigos do Vale do Silêncio, todos eles já com alguma experiência em provas deste tipo, a exemplo do que já sucedera o ano passado em que estivemos representados com 7.
Pela 1ªvez a prova atingiu os 15kms de extensão e eu sabia, porque a conheço, que estes 15kms iria representar mais uns tantos devido ao lamaçal que iria ter pela frente e era fácil perceber porquê! Quando entrássemos nos trilhos ao fim de 1,5km estariam já à minha frente mais de 200 atletas devido à minha lentidão para lá chegar, e não me enganei. Era um autêntico campo de terra lavrada e escorregadia, os primeiros passaram bem mas do meio para trás foi o cabo dos trabalhos.
Quando entrei no trilho ainda trazia muitos atrás de mim mas como sempre isso para mim tinha pouco significado, queria era sair dali bem e sem problemas e pelas dificuldades dos primeiros kms não ia ser fácil, o traçado é todo desenhado num raio muito pequeno de terreno onde raramente somos capazes de correr mais de 20 metros sem encontrar uma curva ora no meio do mato ora no meio do arvoredo, o ritmo é naturalmente afectado porque estamos constantemente a travar e a arrancar juntando ainda a isto o piso altamente escorregadio e perigoso a ameaçar a cada instante com quedas. Deverá ter sido por isto que perto dos 4kms de prova começa a doer-me o gémeo esquerdo, é um problema que já tem alguns meses mas que ultimamente tem andado sossegado voltando agora devido provavelmente ao treino Noturno Pirata de Almada 2 dias antes desta prova. Ainda pensei que fosse coisa passageira mas com o andar dos kms vi logo que iria passar mal, aquele constante curva e contra curva, o sobe e desce, o contornar invariavelmente de árvores atrás de árvores, subir e descer muros, saltar buracos e valas agravou subtancialmente a lesão que a partir dos 7 kms já mal conseguia correr, agora andava mais do que corria, no meio do arvoredo agarrava-me aos troncos e era assim que subia, nas descidas as dores eram mais fortes e assim fui avançando. A meio da prova não consegui fazer uma curva e fui parar em cima de uns arbustos muito secos que me fizeram alguns arranhões nas pernas ficando a sangrar, recompuz-me e segui esquecendo por momentos as dores no gémeo.
 Perto dos 12/13kms começa de novo a chover agravando ainda mais o lamaçal tornando-o mais escorregadio, isso pouco me incomodou, os ténis estavam a portar-se muito bem apesar de já irem atafolhados de lama, ali perto iam outros atletas com dificuldades em prosseguir, talvez devido ao calçado, não sei, por isso ia com muita pena de a perna não me deixar correr como queria, tinha força e vontade mas quebrava logo assim que tentava dar mais vida áquilo. Quando saímos da mata e entrámos no alcatrão a meta estava ali a 600 metros mas para isso ainda tínhamos que subir a rampa final que só de olhar até cansa. Chegara ao fim, ouve uma altura que pensei em desistir mas a vontade de acabar a prova foi mais forte e agora estou com um problema mais complicado pois a dor mantem-se e tenho de a eleminar porque daqui a 15 dias tenho de fazer o Ultra Trail dos Abutres na Serra da Lousã.
No final tivemos o abastecimento prometido mas não era de todo despropositado se a meio tivessem dado uma garrafinha de água, creio que se justifica já, a prova aumentou uns kms e muitos vão para lá a pensar que poderá haver um pequeno abastecimento durante o percurso, contudo não ouvi ninguém a queixar-se, sinal de que estavam todos avisados para levarem consigo aquilo que precisassem.
Como estava todo arranhado fui até à Ambulância que ali estava na chegada a ver se me desinfectavam as feridas, levei como resposta que não estavam autorizados a desinfectar fosse o que fosse, um Decreto-lei qualquer proíbe-os de fazer tratamentos e a única coisa que podem utilizar é Soro, como aquilo não me iria fazer nada agradeci e fui embora à procura do local onde poderia tomar banho e assim à mistura com a água ainda poderia encontrar alguma subtância que ajudasse a desinfetar aqueles arranhões.
Acabei por fazer 2,13,45h. no percurso que o meu relógio gravou de 15,300kms.
No final a confraternização não faltou acompanhada de um excelente almoço seguido da destribuição dos prémios bem vistosos e com qualidade.
Uma palavra também para os meus colegas do Clube pelo seu comportamento desportivo e de camaradagem, particularmente o Rui Pacheco pelo seu desempenho na prova conseguindo obter o 2º lugar da classificação colectiva, o que muito nos honrou.
Fotos

4 comentários:

Anónimo disse...

Não há laminha que pare o "pára", um excelente ano de 2013 e por favor transmita os meus parabéns também ao Hugo, ele não corre, voa...
Abraço,
António Almeida

Jorge Branco disse...

Mais uma grande prova!
Rápidas melhoras dessa lesão.
Essa agora do decreto que não autoriza a fazer tratamentos!
Então agora uns aranhões e vai-se para a urgência de hospital?
Será para cobrarem mais taxas moderadoras?
Abraço.

Isa disse...

Essa de só poderem utilizar soro é boa. Então para que está lá uma ambulância? Há coisas neste país que não se percebem.
Enfim, o importante é que não tenha sido nada de grave e que tenha desfrutado da prova.
Beijinhos Joaquim

Mário Lima disse...

Continuas a ser um guerreiro e não há terreno que te pare.

Fazes o que gostas e isso é essencial para te aventurares domingo (quase) após domingo em provas de dificuldade acrescida.

Parabéns por isso Joaquim. O 'Comando' dificilmente te irá acompanhar. Ficarão as recordações de que um dia o Pára e o 'Comando' correram juntos.

Abraços!