sexta-feira, 8 de abril de 2011

Dia do Moínho, assim???

De velas enroladas, como que a convidar para que se lembram
dele
O dia nacional dos Moinhos teve ontem a sua comemoração e em muitos locais do país o Moínho teve com alguma dignidade algo a envolvê-los prestando-lhes a merecida homenagem pelo seu papel extremamente importante que desempenharam até aos dias de hoje na vida das pessoas e de imensas comunidades locais.
Entre nós Santa-Irienses também temos os nossos moínhos, alguns em estado de total ruína e abandono, mas em boa hora foi construído recentemente um em pleno Parque Urbano de Santa Iria da Azóia. E ele lá está para regalar os olhos a quem por diversos motivos visita este Parque.
Ontem a pretexto da sua comemoração nacional este Moínho foi envolvido por aquilo a que se devia chamar de festividades alusivas à efeméride e mais não passou de um acto pobre e despido de algum valor educativo. Desloquei-me lá para assistir ao que se anunciara previamente e também pela curiosidade de ver os figurantes que iriam dar corpo a tão sugestiva comemoração. E aquilo a que assisti foi de uma pobreza extrema, 3 diligentes funcionários alimentando um pequeno forno a lenha que por sua vez receberia pequenas broas de pão para destribuir pelos presentes consubstanciados por pequenos grupos de crianças que ali estavam devidamente enquadrados por responsáveis da área escolar. Debaixo de pequenas cabanas montadas para o efeito as crianças iam manipulando pequenos nacos de massa como que a preparar o pão que por ilusão serviria para mais tarde ingerirem, (É óbvio que este trabalho apenas serviu para explicar ás crianças como se fazia o pão e os ditos pedaços de massa nunca chegaram a entrar no forno), Esta foi a meu ver a única lição positiva dada ás crianças, o resto é lamentável, o enquadramento daquilo mais parecia um acampamento de nómadas (com o devido respeito) onde nem as crianças foram poupadas ás altas temperaturas que se faziam sentir naquele local, que obedientes e por não caberem todas debaixo dos abrigos ali estavam sentadas no chão sobre a relva, alinhadas e à espera dos desenvolvimentos seguintes.
O Moínho, razão maior das comemorações, ali estava ao lado  sem qualquer ligação ao que se estava a passar ali a escassos metros. Era suposto que o Moínho estivesse desfraldado, até estava uma ligeira brisa que permitiria o seu funcionamento, e desta forma fazer aquilo que é a sua função: rolar e moer os cereais que por sua vez dão lugar à feitura deste alimento tão precioso de todos nós que é o pão,  mas não, o pano teimava em estar enrolado aos seus mastros(?)  e alheio a tudo o resto. Se é para ensinar as crianças como é que se faz o pão era mais educativo levá-los a uma Fábrica de fazer pão, ali devia ensinar-se as crianças como funciona o Moínho e as suas funções que permitem o fabrico do pão, mas como se por uns míseros € não se colocou aquilo a funcionar? O Moinho serve para educar e também para evocar a história, mas aquele pelos vistos apenas serve para encher o olho e fundamentalmente para fazer publicidade a uma conhecida empresa nacional. Lamentável, saí de lá deprimido, por mim e por aquelas crianças que são facilmente manipuláveis. Responsáveis do Município? nem um lá vi e foi pena!  

3 comentários:

Fernando Andrade. disse...

Amigo Adelino
falar de moinhos mexe sempre um bocadinho comigo, pois sou descendente de moleiros e a minha infância foi muito ligada aos moinhos, acompanhando de perto todas as tarefas que eram precisas ao seu funcionamento. Foi um privilégio ter conhecido essa realidade que não existe mais.O progresso é inevitável, é certo, mas a tentação de recorrermos às energias fáceis e o descuido em se preservar um testemunho de séculos levou-nos ao estado actual das coisas: os miúdos não sabem como funcionava um moinho.
E isso é importante? acho que sim.
Cada moleiro que nos deixa (o último que conheci partiu há um ano)deixa um vazio que ninguém vai preencher. Bem sei que se diz que ninguém é insubstituível, excepto para ocupar lugares que ninguém quer.
Grande abraço.

Anónimo disse...

A pobreza a muito tomou conta de quem esta a frente do Parque Urbano certamente são pessoas com poucas gerações de vida porque os antigos sabem fazer muito com pouco dinheiro.
Permirta-me uma pergunta, "em Loures,no elenco camarario sabem onde è o parque urbano, ou que ele existe?"
Um abraço
Fernando Silva

José Xavier disse...

Olá Joaquim Adelino;

É pena que estas iniciativas não tenham um cariz mais enriquecedor das tradições populares portuguesas. Ao sermos de uma região onde os moinhos de vento fazem parte da nossa paisagem devem os mesmos ser protegidos de uma forma digna.

Na região de Torres Vedras vejo que existem alguns, felizmente, bem recuperados, mas ainda existem muitos abandonados e que doi ao ver essas peças históricas dessa forma. Também fui muitas vezes buscar farinha ao Ti António da Moleira, e recordo o movimento desse moínho hoje abandonado e em ruínas com muita mágoa....

É assim um país a caír aos bocados e importante é edificarem-se Shopings por todo o lado.....

Um abraço amigo....e para quando o regresso às corridas?!