terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Trail de Alvados, 20 de Fevereiro de 2011


O grande companheiro deste Trail, Luís Miguel
 50 anos depois voltei a Alvados e ás grutas vizinhas de Santo António, tinha então 12 anos e acompanhei os meus pais aquele local que desde então ficou gravado na minha memória. Desta vez não visitei as grutas de Alvados e Santo António situados ali na bonita Serra de Aire, o objectivo era correr o Trail de Alvados cuja realização se situava em torno da sua localização, mas levava no sentido reviver ali bem perto um passado bem longínquo onde a memória pouco ou nada já conseguia descortinar de concreto.
Desta vez tive a agradável companhia de 5 Amigos do Vale do Silêncio, 3 deles estreantes em provas de trail, o Fernando Jorge, o nosso manager, Hernâni Monteiro e o Filipe Ramalho que numa 1ª experiência fizeram com o José Pereira apenas a prova de 21 kms, o João Inocência acompanhou-nos como elemento de apoio e fez a cobertura fotográfica da nossa participação.
Eu tinha o objectivo de fazer a prova principal de 40 kms e foi com esse objectivo que me apresentei à partida, mas sabia que iria ser muito difícil para mim participar neste trail apenas uma Semana depois da Maratona de Sevilha. Apesar de tudo parti confiante e logo ali eu e o Luís Miguel (O Tigre) fizemos algo parecido como um pacto de fazer o Trail de forma calma e tranquíla controlando sempre os excessos em favor de evitar um desgaste desnecessário uma vez que ainda estávamos os 2 em recuperação de Sevilha.
Passando pelos participantes da Caminhada
O dia estava cinzento mas sem ameaçar chuva, excelente para a corrida pois não havia sol nem vento, devido à chuva dos últimos dias o solo estava encharcado de água e lama mas isso pouco importava aos trailianos pois quando foi dada a partida via-se nitidamente a satisfação que todos apresentavam quando começaram a competição.
Aos 2 kms apareceu o 1º grande obstáculo da prova, ( um pouco antes tinha chocado com o joelho direito num pedregulho em resultado de uma escorregadela, o resultado foram 3 buracos junto à rótula e um traumatismo cuja dor não mais passou até final), uma descida quase em rapel onde não faltou a corda para ajudar a vencer aquele difícil obstáculo, os mais corajosos que iam à frente nem se aperceberam da dificuldade que ali estava e em 3 saltos ultrapassaram aquilo em menos de nada, o pior foi quando começaram a chegar ali os mais receosos e logo começou a formar-se uma fila imensa que a passo de caracol lá se ia aproximando do obstáculo, eu que seguia com o Tigre na 3ª metade do pelotão ali fiquei perto de 10 minutos à espera da minha vez, lá chegado passei sem qualquer dificuldade.
Logo de seguida entramos na parte mais plana da prova atravessando um olival completamente submerso pela água que se acumulou devido à chuva dos últimos dias, era água e lama mas todos estavam preparados para enfrentar aquilo, como ia na frente dos meus colegas de Clube lembrei-me deles, principalmente dos estreantes como iriam reagir quando ali chegassem. Seguíamos agora na direção das Fórneas, nome dado a um sistema montanhoso cuja beleza do local vista do alta da Serra é coisa rara de se ver. Perto dos 13 kms dá-se a divisão dos atletas que estavam em competição,a distância mais curta (21kms) para a esquerda e os outros (40kms) para a direita, olhei para lá e vi uma Serra cuja subida quase se perdia de vista, creio que foi o ponto mais alto que alcançámos (perto dos 600m), eu e o Tigre atacámos aquilo com determinação
A Equipa dos Amigos do Vale do Silêncio, acompanhados do Abútrico Vitorino Coragem e do Vencedor do Trail e Tomarense Luís Mota.
e com os apoios que levávamos não tardou muito para começarmos a ver a beleza da paisagem que se espalhava cá em baixo á medida que íamos subindo, tirámos algumas fótos, (ò Miguel eu gostava de as ver) que podem testemunhar a grandeza daquele local. No alto estava mais um providencial abastecimento (foram 8 no total e sempre bem localizados) depois serpenteámos sempre o alto da Serra e descemos depois até encontrarmos o abastecimento dos 20kms, aqui aproveitei para comer laranja e alguns cubos de marmelada pois o estômago já dava sinais de alguma necessidade alimentar. O que se seguiu foi sempre um misto de sobe e desce com alguns espaços de recuperação onde se podia correr, o joelho doía-me e ainda não sabia os estragos que a queda tinha causado pois levava calça de licra e esta não deixava ver, mas como era possível correr nunca pensei em ficar pelo caminho. Quando descia mais uma das Serras de acesso aos 25 kms nova queda, agora  fora de costas, novo rasgão desta vez na nádega esquerda e uma nódoa no braço esquerdo, agora já estava um pouco mais equilibrado e já não mancava. O Luís Miguel manteve-se sempre fiel ao fazer-me companhia desde o início, ele é de outro campeonato e foi de grande humildade da sua parte partilhar a sua prova na minha companhia, tem no seu currículo provas de longa distância em Trail, Humillak 160kms, Monte Branco 166kms etç, entre outras, daí a minha satisfação de ele se encontrar ali a meu lado durante toda a prova.
A prova continuou sempre serpenteando e em sobe e desce, até que começamos a visualizar novamente a Povoação de Alvados, estávamos com 34 kms e

Registo Garmin dos locais de passagem neste Trail

 novamente num dos pontos mais altos da Serra, dali até à meta era quase sempre a descer mas para mim continuava a ser um calvário sempre que enfrentava uma nova descida, os joelhos, principalmente aquele que estava ferido, doíam a cada passada mas forçosamente tinha de ignorar, tínhamos passado todos os controlos dentro do tempo limite imposto pela organização e não era agora que ía deixar cair o esforço dispendido e com a meta ali tão perto. Lançámo-nos Serra abaixo correndo onde era possível até chegar a Alvados, aqui ainda fizemos nova incursão na mata até chegámos finalmente ao asfalto a cerca de 1 km da meta, ali, estava o amigo José pereira que nos acompanhou e guiou até à meta. Aqui e em reconhecimento pela grande ajuda cortei a meta abraçado ao Tigre e grande amigo Luís Miguel.
Cortámos a linha de Meta com chip,  com o tempo de 6,47h, a 13m do limite imposto pela organização, para a distância de 39,970kms. Sem sombra de dúvida esta prova de Trail entra no lote daquelas mais espectaculares que já fiz, em dureza mas também em beleza no que diz respeito à Natureza.
A organização esteve impecável ao longo de todo o percurso ajudando sempre a encaminhar os atletas em pontos que poderiam ser mais difíceis em termos de segurança.O percurso todo ele bem marcado e assinalado, cheguei a comentar com o Miguel que era impossível alguém enganarse ali, pelos vistos enganei-me pois ouve alguns que trocaram os 41 pelos 21 voltando para o lado errado.
Apesar de chegar tarde ainda havia almoço reservado para mim, o que é sempre agradável.
Pena foi mesmo o banho que não consegui tomar, a água não estava fria, estava gelada e naquelas condições em que já vinha nem pensar em chuveiro, limitando-me a refrescar os gémeos e a lavar as partes mais acessíveis!!!
Pela sua excelência e pela Organização, se puder para o Ano voltarei.
Fotos Mundo da Corrida 


3 comentários:

José Xavier disse...

Olá Joaquim Adelino;

Mais uma grande participação em um Trail, que deve ser magnífico de paisagens!
É bom disfrutar dessa maneira desportivamente com a paisagem e os locais maravilhosos de Portugal.

Parabéns!!

Um abraço dos Xavier's

Tiago Silva disse...

Ora bem, mais uma grande aventura para juntar ao seu largo espólio!!
Pelas fotografias que já vi pareceu-me que foi um trail lindíssimo com paisagens que só por si já cortavam a respiração,não era preciso o cansaço ehehe
Muitos parabéns por mais uma aventura finalizada independentemente das quedas, essas fazem parte :P

Uma boa recuperação e até amanha :)

Abraço

luis mota disse...

Amigo Joaquim!
Mais uma jornada para ficar gravada nos bons momentos de corrida.
Depois de 50 anos um regresso às boas memórias.
Foi muito bom voltar a estar na sua companhia e dos Amigos do Vale do Silêncio. Espero que esteja já em forma pois domingo teremos o Sicó.
Relativamente à prova gostei bastante, do percurso, da região e da jovem organização sempre empenhados no sucesso do evento.
Boa semana,
Luís Mota