quarta-feira, 17 de novembro de 2010

ANTES QUE SEJA TARDE


ANTES QUE SEJA TARDE

Amigo,

tu que choras uma angústia qualquer

e falas de coisas mansas como o luar

e paradas

como as águas de um lago adormecido,


Não acredito

acorda!

Deixa de vez

as margens do regato solitário

onde te miras

como se fosses a tua namorada.

Abandona o jardim sem flores

desse país inventado

onde tu és o único habitante.

Deixa os desejos sem rumo

de barco ao deus-dará

e esse ar de renúncia

às coisas do mundo.
Eu nem quero acordar


Acorda, amigo,

liberta-te dessa paz podre de milagre

que existe

apenas na tua imaginação.

Abre os olhos e olha,


abre os braços e luta!

Amigo,

antes da morte vir

nasce de vez para a vida.



 Manuel da Fonseca





4 comentários:

Dona D disse...

Que bonito!

Abração do Brasil!

Jorge Branco disse...

Apenas quero aplaudir de pé!

Anónimo disse...

:)

Carlos Lopes disse...

Jorge.. somos dois...