segunda-feira, 29 de março de 2010

Trilhos do Pastor


Em dia de Ramos que melhor presente do que participar numa prova destas tendo como ingrediente principal a própria natureza? Foi preciso esperar 1 Ano para satisfazer a curiosidade com que fiquei depois de o meu amigo José Pereira (Cofundador do Clube de Veteranos Serra De Aire e organizador da prova) ter participado na 1ª Edição em 2009. Este Ano lá estava ele novamente, para ajudar os amigos naorganização da prova, mas mal ele sabia que tinha à sua espera um equipamento do Clube e facilmente o convenceram a participar na prova, foi 3º classificado no escalão +60 anos e com amarca de 3,11h. Agradeço-lhe aqui a atenção que me dispensou e o apoio dado com os conselhos indispensáveis antes do início da competição.
O dia começou algo atribulado pois só por volta da meia-noite é que me lembrei que tinha de adiantar a hora no relógio e escusado será dizer que quase não fechei olho, ás 4 horas já o despertador me estava a dizer para me levantar, tão cedo? É verdade, tinha prometido a minha mulher no dia anterior trazer-lhe um ramo de oliveira para ela fazer um raminho a condizer com o dia que se comemorava e então antes de partir para S.Mamede fui à procura da Oliveira adequada, que por acaso aqui não existe falta, como não sabia que tamanho era feito o ramo quase que deixava a oliveira depenada, bem estranhei o espanto da minha mulher mas como já estava com pressa nem ouvi os seus comentários e saí rumo aos Trilhos do Pastor.
Grutas de Moeda
Cheguei ás 6,30h. ainda noite cerrada e não via quem quer que fosse por ali, ainda dei uma volta pelo Centro da Aldeia antes de estacionar e nada, pensei que a prova podia ser noutro local com o mesmo nome mas fiquei esperançado porque em frente ao edifício da Junta de Freguesia as grades já colocadas e a propaganda expressa indiciavam que ali iria ocorrer algum evento desportivo.
Fiquei mais descansado quando vi estacionar ao meu lado o amigo Carlos Coelho, era o 3º a chegar e a partir dali começou então a romaria habitual, conhecidos e desconhecidos, eram aos magotes a chegar até se criar o ambiente natural próprio destas coisas das corridas e a saudável convivência entre todos.
Apesar de o Secretariado ter dado início ás operações já depois das 7,30h. à hora de partida estava tudo em ordem e foi assim que ás 9h. iniciámos uma prova que passa ser para mim uma das melhores em que já participei, em tudo: pontualidade na partida, excelente critério nos locais a visitar, globalidade do percurso deixando margem suficiente para recuperação perante locais mais difíceis de ultrapassar, excelente marcação em toda a prova, abastecimentos muito bem situados (3 até aos 20kms e mais 3 para os 8kms finais, que coincidiu numa altura em que a temperatura subiu bastante), segurança em todos os cruzamentos sempre que tínhamos de atravessar estradas com algum movimento automóvel, e muita simpatia por parte de todos da organização.
Calçada típica em Pia de Urso
A minha prova era desde o início uma incógnica pois nunca sabemos aquilo que nos espera quando a fazemos pela 1ª vez, e depois de ter feito os Trilhos de Almourol nada melhor do que a prudência desde o início.
Entrámos quase de imediato na mata e cedo verifiquei que o terreno plano dos primeiros kms iriam ajudar muito a reduzir o tempo final, embora soubesse que as grandes dificuldades estariam reservadas lá mais para a frente, a 1ª hora foi completada com 1, 06h e sentia-me muito bem, antes passámos por sítios lindíssimos e destaco aqui as grutas de Moedas aos 2,200 kms da partida e por trilhos em muito estado até que chegámos ao ponto mais alto do percurso, 499 metros (na zona de partida a altitude era de 383 metros) onde estava o 1º abastecimento, dali a vista era magnífica, edratei-me e aproveitei para abastecer os pequenos bidons que transporto até que chegasse ao próximo abastecimento, raramente corri acompanhado, aqui e ali tive a companhia de alguns amigos de ocasião e também durante largos periodos andei ao lado do Nuno Cabeça até que o vi partir e nunca mais o alcancei. Foi agradável ter tido por companhia uma amiga, que não conhecia, e que depois de trocarmos algumas palavras conhecemos um pouco um do outro, teve a simpática expressão de eu já ter idade para ser seu pai, tem 32 anos, a idade dos meus filhos e que há 3 anos atrás andava encharcada em tabaco e agora vende saúde e já com provas realizadas de grande respeito, tal como a Geira Romana, como fiquei satisfeito por conhecer tamanha história, até que ...
Reguengo do Fetal,se não fossem as cordas...
Quando descia uma ravina que só de olhar lá para baixo metia respeito e a única maneira de descer aquilo era serpenteando, o evitável aconteceu, uma queda, andei a treinar em Sicó e em Almourol e de pouco serviu, pouco antes tinha visto um amigo a cair no mesmo local e quando lá cheguei já ia avisado mas aquilo não deixou epótese, caí para trás e fui escorregando uns 2 metros até chegar ao estradão onde estavam os bombeiros de prevenção, como me viram levantar e seguir nem foi necessário a sua intervenção, 1 km mais à frente (20kms e 2,18,h. de prova) estava o 3º abastecimento e o único onde existia muitos ingredientes comestíveis, em Reguengo do Fetal. Aproveitei porque logo de seguida ia encontrar e tinha de o ultrapassar o ponto mais crítico de todo o percurso, uma subida a pique durante quase 2 kms onde uma parte foi feita quase de gatas. É nesta íngreme subida que encontramos o Buraco Roto, que coisa estranha este buraco feito em plena rocha com uma extensão de cerca de 20 metros, dali avista-se cá em baixo Reguengo do Fetal, uma imagem de grande respeito dada a amplitude vertical daquilo que tinha acabado de subir. Um pouco mais à frente outra maravilha tinha de ultrapassar, a descida de uma ravina de grande amplitude onde não faltaram as cordas e uma ponte em madeira que nos auxiliou até conseguirmos chegar lá abaixo, felizmente tudo se ultrapassou com tranquilidade, embora, soube depois, alguns participantes por sofrerem de fobia ás alturas tiveram algumas dificuldades em tranpôr aqueles obstáculos.
Dali até à meta ainda encontrámos algumas dificuldades de menor dimensão e a opção de a organização reforçar o abastecimento aos atletas a cada 2 kms foi extraordinária, o calor apertava e o desgaste já era muito, quando descia aquela ravina perto dos 22,500kms havia ali alguém que me dizia que o 1º já ali tinha passado há 50m, ri-me naturalmente, pois sabia que a diferença seria bem maior. Nesta altura o meu receio era que os 28 kms anunciados não se esticassem mais do que isso, os pés já custavam a suportar as batidas no chão e estranhamente as dores nas pernas estavam ausentes desta vez, penso que o enchugo que levei em Almourol ajudou a que fizesse esta prova mais confortavelmente.
Quando cheguei à povoação de S.Mamede, local da meta, fiquei admirado, apareceu-me de repente do nada, foram muitos kms dentro da mata e sair dela com a meta praticamente com a meta à vista é muito compensador.
Cheguei com 3,33,46h, tendo efectuado os últimos 8kms em 1,15h. Ufff.
O banho que se seguiu foi muito agradável, algo distante (500m) para aquecer, com água temperada a frio como convém, eu gostei.
O almoço, havia os pessimistas do ano passado e com alguma razão, diga-se, foi excelente e só não foi melhor porque o arroz já estava um pouco empapado, mas aí a culpa é minha, o 1º a chegar à meta fêlo perto das duas horas de prova e por isso começou a comer 1,30h antes de mim, não há arroz que resista tanto tempo à espera de ser comido. hehehe. Valeu ali para animar o Fernando Andrade, o Carlos Coelho, o António Almeida e família e muitos outros amigos que apesar das diferenças à chegada conseguimos juntar-nos para o devido repasto.
Agora segue-se Constância e já com uma perna na Arrábida.

15 comentários:

Fernando Andrade. disse...

Grande Adelino.
Excelente dia este que passámos nos Trilhos, uma Prova diferente, que se recomenda.
Grande Abraço.
FA

António Almeida disse...

Companheiro
parabéns por mais uma aventura concluida com sucesso, também pelo excelente relato.
Gostámos de o rever, desta feita o "Pára e Comando" apresentou-se desfalcada mas foi por um bom motivo, ainda assim senti falta do Mário, do Costa e da Susana.
Concordo em absoluto com a análise à prova, muito boa mesmo.
Resto de boa semana e até sábado.
Abraço.

Susana disse...

Ah grande Pai! Isso é que foi uma aventura e tanto! Se eu tivesse ido de certeza que iria gostar também, mas já tinha coisas combinadas. As imagens são muito bonitas, foi pena a queda, possa!
Vejo que te divertiste à grande, isso é o mais importante!
Tudo de bom,beijinhos!

José Xavier disse...

Caro Joaquim Adelino:

Gostei muito deste "post". O entusiasmo é algo que consegue demonstrar e que muito o faz desfrutar deste tipo de provas.

Que continue assim por muitos e bons anos.

Boa Páscoa para toda a família.

Um abraco amigo dos Xavier's

Carlos disse...

Olá Joaquim,

Fica-nos cada vez mais, e após cada trilho, um sabor a pouco não é? Vamos fazendo estas lindas "corridas" disfrutando cada vez mais de tudo o que nos rodeia. O tempo final é o que menos interessa. Quem precisa dos apressados que andam sempre a empurrar para chegar 2 segundos antes?(eheheh). O Mário e a tua filha que assentem já esta data para virem no ano que vem. Vale a pena.
Um abração
Carlos Coelho

Vitor Veloso disse...

Olá Joaquim,
Pelo distinto texto, Pois deve ter sido uma beleza de prova.
Admiro o Joaquim pelo força que mostra em querer participar nas provas sejam elas quais forem, minhas felicitações que continue assim.
Esteve muito bem , pena foi a queda rapidamente ultrapassada.
Então ate sábado em constância.
Abraço
Vitor Veloso

BritoRunner disse...

Foi um prazer ter estado consigo mais uma vez.
os Trilhos do Pastor são uma prova espetacular, paisagens de primeira e trilhos muito técnicos.
Eu consegui chegar ao fim sem cair, mas a coisa esteve por pouco...

Saudações trailianas
JCBrito

Fernando Jorje disse...

onde mora o Juízo... a juventude e a aventura é enquanto um homem quer e isso de B.I para fazer-las é um falso pretexto para nada fazer.Deve haver muito jovem com inveja do meu amigo por não ser capaz de fazer tais aventuras e não ter historias destas para contar.
Parabéns AMIGO
Fernando Silva

V. Ferreira disse...

Olá amigo Adelino.
Como de costume gostei da sua crónica.
Fez também um excelente registo.
Nós estivemos no mesmo balneário, dei-lhe um panfleto da prova da Reixida.
Continuação de boas provas.
Um abraço

João Paulo Meixedo disse...

Com insónias. Passei para deixar um abraço.

Mário Lima disse...

Joaquim


Como alguém me disse em Sicó: «Há ali umas pedras escorregadias, mas não se preocupem que a seguir temos lá as ambulâncias». Isto deixou-me perfeitamente tranquilo.

:)))))))

Mais um trilho conhecido, mais uma aventura digna de um Pára já que o "Comando" estava ausente, e pelo teu relato aquilo não é para quem tenha a fobia das alturas. Se tivesses um paraquedas ainda te aventuravas a mostrar os teus dotes pois quem sabe nunca esquece, é como andar de bicicleta.

:)))

Se algum filho meu para o ano, pensar casar nesta altura terá que mudar pois pelo teu relato é prova a não perder. Dias para casar há muitos mas ser Indiana Jones por um dia só nos trilhos do Pastor e isso não quero perder.

Estiveste em boa companhia, o Carlos Coelho tem estado também em todas e fizeste uma prova de gabarito. Para quem nunca pára é de realçar todo essa vontade de todos os domingos participares e parece que nunca te cansas e já estás com um pé em Constância e a seguir nos Barris para mais 30km de serra.

Até eu me canso de tanto te ver correr.

:))
Abraços

luis mota disse...

Olá Joaquim!
Já tinha lido que tudo tinha corrido bem, mas só agora é que tive possibilidade de comentar.
Ainda passei lá na zona mas de bicicleta e lembrei-me de vós. É uma região muito bonita e a corrida enquadra na perfeição. A duas semanas de Paris não poderia entrar em ” loucuras” e optei pelo Ciclismo.
Sábado estaremos em Constância.
Grande abraço,
Luís Mota

luis mota disse...

Venho por este meio agradecer todo o apoio e simpatia manifestado pessoalmente e nos comentários deixados no Tomaracorrida e no Dorsal 3739.
Uma boa semana, Luís Mota

Parafita disse...

Bom, com este relato maravilhoso, vou-me meter nesta coisa dos trails.

Será que vou ganhar um andar novo?
A ver vamos....

RP

ESTÓRIAS DE PORTUGAL disse...

Grande companheiro,
Lia agora este post para antecipar o que me (nos) espera amanhã... Depois de Sicó, com mais alguns kilómetros e equipamento adequado. Um abraço Paulo Portugal